terça-feira, agosto 28, 2018

NABOKOV, AMADO NERVO, CONFÚCIO, MICHAUX, COCO CHANEL, CLAUDIA VILLELA, OLGA RYKOVA & TCHELLO D’BARROS


O QUE APRENDI DA LUA - Imagem: Arte da artista moldava Olga Rykova. - Aprendi primeiro a escuridão: havia temores na noite. Foi só fechar os olhos e todos os fantasmas se dissolveram ali. Assim aprendi a singrar os céus e os astros sem sair de casa e nenhum passo, a saborear da luz antes sequer imaginada, a me convencer da alma animando meu corpo e o renascimento simbólico na âncora da vida. Aprendi a noite em pleno dia de Palmares, a cantar Lunik 9 de Gil pelas ruas: Poetas, seresteiros, namorados, correi, é chegada a hora de escrever e cantar... a reverenciar os gestos, as distâncias, os olhares, a loucura e a solidão dos corpos celestes e todas as coisas do mundo, entre mitos e lendas, como a da bela índia Bororo branca de olhos claros e cabelos dourados como a manhã, não hesitava em seus passeios noturnos. Ela trocava a noite pelo dia como eu tetéu de tanto desabrigo. Amaldiçoada pela índia escura aliada à cascavel, ficou muito triste por não gostarem dela, pois não tinha ninguém disposto a com ela conviver ou conversar. A sua solidão era a minha e ela conseguiu apenas a amizade da coruja que a instruiu a preparar então uma escada de cipós e ajudá-la a amarrar ao céu. Com a escada pronta, ela subiu e subiu e subiu até se exaurir e dormir exausta numa nuvem e no outro dia tornou-se Lua acesa nas trevas, iluminando a minha vida. Em certos períodos, ela se parece carregada de presságios, a boa sorte dos esquimós e a representar a emoção instintiva, a impulsionar transformações de dentro e de fora, para que eu aprenda mais do que sou. Quando é azul, dá-se cheia reverberando no céu astrológico e eu posso seguir como se manhã ensolarada na minha vida. É no perigeu que ela se aproxima da terra e fica maior e mais brilhante, tão perto de mim, a sussurrar coisas que nem sempre entendo e sei tão valiosas. E quando é cheia de sangue, mexe com o passado por incertezas e dúvidas, fazendo-me aprender com a dúvida de sempre pra nunca ter certeza alguma de nada. Com isso mais aprendi a falar Bororo com a pedra e a taquara. E a pedra me anunciava uma vida longa, e a taquara me ensinava a morrer e a voltar. A pedra então me ensinou a não dobrar com o sopro dos ventos e a força das chuvas, enfrentando o calor, as dores e a preocupação, e a taquara me ensinou a ressurreição nos filhos com a raiz germinando a nascer, crescer, até morrer ouvindo o canto dos pássaros. Aprendi, enfim, a mim mesmo com o inexato e o improvável de tudo, as palavras, pensamentos e ações, e a ir até o começo dos tempos com a música das esferas, vida após vida, todos os dias, o propósito e a razão, a emoção e os mistérios, meios e fins, a transcender as dependências na armadilha da ilusão. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música cantora e instrumentista Claudia Villela: Jangada, Asa verde, Deep sea angel blues & Fuá & muito mais nos mais de 2 milhões & 600 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] A humildade é a única base sólida de todas as virtudes. A nossa maior glória não reside no fato de nunca cairmos, mas sim em levantarmo-nos sempre depois de cada queda. Ser ofendido não tem importância nenhuma, a não ser que nos continuemos a lembrar disso. [...]. Pensamento do filósofo chinês, Confúcio (551 a.C. - 479 a.C). Veja mais aqui e aqui.

A NOITE SE MOVE – [...] Quem não aceita este mundo, nele não constrói morada. Se tem frio, e sem ter frio. Tem calor, sem calor. Se derruba bétulas, é como se nada derrubasse; mas as bétulas estão por aí, por terra, e ele recebe o dinheiro combinado, ou, ao contrário, só recebe pancadas. Pancadas como uma dádiva, sem sentido, e desaparece sem se impressionar. [...]. Trecho extraído da obra Moriturus e outros textos (Língua Morta. 2018), do escritor e pintor belga Henri Michaux (1899- 1984). Veja mais aqui.

LOUJINE – [...] Para Loujine, soa a hora inevitável em que o universo bruscamente se afoga, como se tivessem desligado o interruptor, como se, em meio às trevas, nada mais brilhasse senão algo totalmente inédito, uma ilhota luminosa, sobre a qual doravante toda sua resistência devesse se concentrar [...], Trecho extraído da obra A defesa Lujin ou a precisão do texto (LPM, 1986), do escritor russo Vladimir Nabokov (1899-1977). Veja mais aqui.

ALQUIMIA - Pra te ver, acredito / que a alquimia da morte é requisito, / que me transmude em alma, e delirante / de amor e de ansiedade, cada instante / que chega, e o requeiro / dizendo: “Ah! fosses tu o derradeiro!” / É tão desmesurado, tão risonho, / tão profundo o futuro que suponho / por todos os caminhos estelares, / e através de um em um dos avatares, / sempre contigo, amiga mais sincera, / que por poder morrer, quanto não dera! Poema do poeta mexicano Amado Nervo (1870-1919), Veja mais aqui.

A ARTE DE COCO CHANEL
A verdadeira generosidade é aceitar a ingratidão.
A natureza nos dá o rosto dos vinte anos; a vida modela aos trinta anos; mas aos cinquenta anos, temos o que merecemos.
Se você nasceu sem asas, não faça nada para impedi-las de crescer.
Nossas casas são nossas prisões; sonhamos reencontrar a liberdade na maneira de enfeitá-las.
Uma mulher só precisa de apenas duas coisas: um vestido preto e um homem que a ame.
Trechos e imagens extraídos das obras A era Chanel (Cosac Naify, 2007) de Edmonde Charles-Roux e Chanel, seu estilo, sua vida (Mandarin, 1999), de Janet Wallach, sobre a estilista francesa Coco Chanel (Gabrielle Bonheur Chanel – 1883-1971). Veja mais aqui.

AGENDA
Intemporal, performance do artista multimídia Tchello d’Barros & muito mais na Agenda aqui.
&
Arte da artista moldava Olga Rykova.
&
Zangão na colmeia, João do Rio, Inês Bogéa, Vilmar Antonio Carvalho, Imprensa & Comunicação, Música Brasileira & Biblioteca Fenelon Barreto aqui.


MARTIN AMIS, PHYLLIS A. WHITNEY, ROSANA PALAZYAN & PAULA BERINSON

    Ao som dos álbuns Violão Popular Brasileiro Contemporâneo (1985), Camerístico (2007), Original (2002) e Dois Destinos (2016), do vio...