Mostrando postagens com marcador Tchello D’Barros.. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Tchello D’Barros.. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, agosto 01, 2022

ANN BRASHARES, MALALA YOUSAFZAI, MEIR SHALEV & MIRÓ DA MURIBECA

 

 

TRÍPTICO DQP: De máscaras & personas... - Ao som do Concert Excerpts @International Guitar Festival Ferran Sor (2020), da violonista espanhola Anabel Montesinos. - O que vejo e sou: a máscara traz a persona que se mostra no palco do mundo e no cenário da vida. A aparência preferida almeja protagonizar entre os arquétipos de Jung e o senso diante da escolha entre os princípios de Freud: o prazer e a realidade. A lucidez é um detalhe e não precisa ser sisuda, como diria Nise da Silveira, seria uma chatura por esconder o real sob o ideal. E essa manipulação não seria lá tão saudável, ou quem capaz do Poema em linha reta ou da Tabacaria de Pessoa, enquanto visualizasse aquela que Carl Rogers colocou no centro da fenomenologia-existencial. Talvez seria melhor considerar o que dissera a escritora estadunidense Ann Brashares: Talvez haja mais verdade em como você se sente do que no que realmente acontece... Talvez a verdade seja que há um pouco de perdedor em todos nós. Ser feliz não é ter tudo em sua vida perfeito. Talvez seja sobre juntar todas as pequenas coisas... Ou atentar para o que escrevera o escritor israelense Meir Shalev: Se ao menos pudéssemos nos livrar de todas as coisas mortas dentro de nossos próprios corpos e almas!... Cada qual seu repertório de representações no ludo vital, sabendo-se de antemão que na cena, diz Stanislavski, deve-se expor o que vem de dentro para não ser um histrião no meio dos outros. É que por trás da máscara mil semblantes podem reverberar...

 


Dum lado a outro a vida se manifesta... – Imagem: arte da sulcoreana Stella Im Hultberg. - Um clique, o estalo, zás. Dentro: um som, tons. Daí sílabas e sonoridades: uma palavra, uma sinapse neuronal, zis significados – senão todos à mercê da percepção. Disso um dedo, o sinal e quantos sentidos (do caos, quantas expressões por descobrir). O simples ato apenas sugeriu e tudo, exatamente tudo pode acontecer: um fio puxa outro, teias. Não é só uma coisa ou outra, de um ponto: todas as ideias – rizomas, galhos dendríticos pulsantes escorrem pelo axônio: as terminações atraem umas às outras, as escolhas, imantações. Quanto poderia se dizer de um simples ato: vibrações ecoam, reverberam algures. E se uma emergiu aqui pode ser outra noutra percepção. Dita o poder de síntese de quem se expressa, a imaginação de quem perceber. Não só, cabe o mundo inteiro em uma só palavra, quanto mais em duas, três, seis. E se uma fonte expede sêxtuplas rajadas de gotas entre muitas outras que circundam e desembocam na emersão do universo à seletividade, níveis da compreensão. É só um triz, apenas, em meia dúzia de jatos com outros pingos condensados, aleatórios ou não, quantas emissões: em cada gota significados implícitos; e, se reunidas, múltiploutros. Ou como diz Cees Nooteboom: O mundo é uma referência cruzada sem fim... Cada período da história tem seus próprios castigos, e o nosso tem uma infinidade... Essa é a diferença entre deuses e homens. Os deuses podem mudar a si mesmos; humanos só podem ser mudados... Quem fala e quem ouve entre empatias e dissonâncias, transmissões e retransmissões: dum lado a outro a vida se manifesta.

 


D’agosto e lá se vai... - Imagem: arte da sulcoreana Stella Im Hultberg. - Era eu menino pelos quatro anos de idade e bateram no portão de quase derrubá-lo – era o início do tenebroso período ditatorial do golpe militar de sessenta e quatro. Começou no primeiro de abril e me assustou: botas expunham fuzis das fardas, vasculhando salas, quartos e quintal. Não sabia o que queriam, só sei que todos os dias marchavam bravos lá em casa e eu, toda vez, entre um dos braços de minha mãe grávida, agarrado à minha irmã. Lembro certa vez ela gritou que era agosto e eles nem consideraram: estava prestes a dar à luz. Lembrei-me porque li A história de mim de Graça Lins, como se lesse um poema de Miró da Muribeca (1960-2022): olhei para o passado / as folhas dos calendários / caindo / é preciso plantar cedo sua árvore / pra mais tarde ter uma sombra / que lhe agasalhe... Agora novamente agosto como o poema de Tchello d’Barros: O tempo desenha na face / O alto custo de um imposto / Pois lento nos dá outro susto / Chegamos a outro agosto / Posto que o destino é vasto / E visto o que está posto / Este viver tão sucinto / Nesta sina a contragosto / Dias semanas e meses / Somam em si um desgosto / No raso espaço do espelho / Os anos esculpem seu rosto... e eu sozinho conto de Emily Brontë: Deixe-me a sós, que preciso pensar; enquanto penso, não sofro… Do que passou e o presente, lembranças tão vivas como ecoassem agora. Até mais ver.

 


Um livro, uma caneta, uma criança e um professor podem mudar o mundo. A diversidade garante que crianças possam sonhar, sem colocar fronteiras ou barreiras para o futuro e os sonhos delas. Vamos pegar nossos livros e canetas. Eles são nossas armas mais poderosas. Uma criança, um professor, uma caneta e um livro podem mudar o mundo. A educação é a única solução. A educação é o poder das mulheres.

Pensamento da ativista paquistanesa Malala Yousafzai. Veja mais Educação & Livroterapia aqui e aqui.

 


terça-feira, agosto 28, 2018

NABOKOV, AMADO NERVO, CONFÚCIO, MICHAUX, COCO CHANEL, CLAUDIA VILLELA, OLGA RYKOVA & TCHELLO D’BARROS


O QUE APRENDI DA LUA - Imagem: Arte da artista moldava Olga Rykova. - Aprendi primeiro a escuridão: havia temores na noite. Foi só fechar os olhos e todos os fantasmas se dissolveram ali. Assim aprendi a singrar os céus e os astros sem sair de casa e nenhum passo, a saborear da luz antes sequer imaginada, a me convencer da alma animando meu corpo e o renascimento simbólico na âncora da vida. Aprendi a noite em pleno dia de Palmares, a cantar Lunik 9 de Gil pelas ruas: Poetas, seresteiros, namorados, correi, é chegada a hora de escrever e cantar... a reverenciar os gestos, as distâncias, os olhares, a loucura e a solidão dos corpos celestes e todas as coisas do mundo, entre mitos e lendas, como a da bela índia Bororo branca de olhos claros e cabelos dourados como a manhã, não hesitava em seus passeios noturnos. Ela trocava a noite pelo dia como eu tetéu de tanto desabrigo. Amaldiçoada pela índia escura aliada à cascavel, ficou muito triste por não gostarem dela, pois não tinha ninguém disposto a com ela conviver ou conversar. A sua solidão era a minha e ela conseguiu apenas a amizade da coruja que a instruiu a preparar então uma escada de cipós e ajudá-la a amarrar ao céu. Com a escada pronta, ela subiu e subiu e subiu até se exaurir e dormir exausta numa nuvem e no outro dia tornou-se Lua acesa nas trevas, iluminando a minha vida. Em certos períodos, ela se parece carregada de presságios, a boa sorte dos esquimós e a representar a emoção instintiva, a impulsionar transformações de dentro e de fora, para que eu aprenda mais do que sou. Quando é azul, dá-se cheia reverberando no céu astrológico e eu posso seguir como se manhã ensolarada na minha vida. É no perigeu que ela se aproxima da terra e fica maior e mais brilhante, tão perto de mim, a sussurrar coisas que nem sempre entendo e sei tão valiosas. E quando é cheia de sangue, mexe com o passado por incertezas e dúvidas, fazendo-me aprender com a dúvida de sempre pra nunca ter certeza alguma de nada. Com isso mais aprendi a falar Bororo com a pedra e a taquara. E a pedra me anunciava uma vida longa, e a taquara me ensinava a morrer e a voltar. A pedra então me ensinou a não dobrar com o sopro dos ventos e a força das chuvas, enfrentando o calor, as dores e a preocupação, e a taquara me ensinou a ressurreição nos filhos com a raiz germinando a nascer, crescer, até morrer ouvindo o canto dos pássaros. Aprendi, enfim, a mim mesmo com o inexato e o improvável de tudo, as palavras, pensamentos e ações, e a ir até o começo dos tempos com a música das esferas, vida após vida, todos os dias, o propósito e a razão, a emoção e os mistérios, meios e fins, a transcender as dependências na armadilha da ilusão. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & mais aqui & aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música cantora e instrumentista Claudia Villela: Jangada, Asa verde, Deep sea angel blues & Fuá & muito mais nos mais de 2 milhões & 600 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] A humildade é a única base sólida de todas as virtudes. A nossa maior glória não reside no fato de nunca cairmos, mas sim em levantarmo-nos sempre depois de cada queda. Ser ofendido não tem importância nenhuma, a não ser que nos continuemos a lembrar disso. [...]. Pensamento do filósofo chinês, Confúcio (551 a.C. - 479 a.C). Veja mais aqui e aqui.

A NOITE SE MOVE – [...] Quem não aceita este mundo, nele não constrói morada. Se tem frio, e sem ter frio. Tem calor, sem calor. Se derruba bétulas, é como se nada derrubasse; mas as bétulas estão por aí, por terra, e ele recebe o dinheiro combinado, ou, ao contrário, só recebe pancadas. Pancadas como uma dádiva, sem sentido, e desaparece sem se impressionar. [...]. Trecho extraído da obra Moriturus e outros textos (Língua Morta. 2018), do escritor e pintor belga Henri Michaux (1899- 1984). Veja mais aqui, aqui e aqui.

LOUJINE – [...] Para Loujine, soa a hora inevitável em que o universo bruscamente se afoga, como se tivessem desligado o interruptor, como se, em meio às trevas, nada mais brilhasse senão algo totalmente inédito, uma ilhota luminosa, sobre a qual doravante toda sua resistência devesse se concentrar [...], Trecho extraído da obra A defesa Lujin ou a precisão do texto (LPM, 1986), do escritor russo Vladimir Nabokov (1899-1977). Veja mais aqui.

ALQUIMIA - Pra te ver, acredito / que a alquimia da morte é requisito, / que me transmude em alma, e delirante / de amor e de ansiedade, cada instante / que chega, e o requeiro / dizendo: “Ah! fosses tu o derradeiro!” / É tão desmesurado, tão risonho, / tão profundo o futuro que suponho / por todos os caminhos estelares, / e através de um em um dos avatares, / sempre contigo, amiga mais sincera, / que por poder morrer, quanto não dera! Poema do poeta mexicano Amado Nervo (1870-1919), Veja mais aqui.

A ARTE DE COCO CHANEL
A verdadeira generosidade é aceitar a ingratidão.
A natureza nos dá o rosto dos vinte anos; a vida modela aos trinta anos; mas aos cinquenta anos, temos o que merecemos.
Se você nasceu sem asas, não faça nada para impedi-las de crescer.
Nossas casas são nossas prisões; sonhamos reencontrar a liberdade na maneira de enfeitá-las.
Uma mulher só precisa de apenas duas coisas: um vestido preto e um homem que a ame.
Trechos e imagens extraídos das obras A era Chanel (Cosac Naify, 2007) de Edmonde Charles-Roux e Chanel, seu estilo, sua vida (Mandarin, 1999), de Janet Wallach, sobre a estilista francesa Coco Chanel (Gabrielle Bonheur Chanel – 1883-1971). Veja mais aqui.

AGENDA
Intemporal, performance do artista multimídia Tchello d’Barros & muito mais na Agenda aqui.
&
CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Arte da artista moldava Olga Rykova.
Veja mais aqui.
&
Zangão na colmeia, João do Rio, Inês Bogéa, Vilmar Antonio Carvalho, Imprensa & Comunicação, Música Brasileira & Biblioteca Fenelon Barreto aqui.


terça-feira, julho 31, 2018

SEARLE, LOYOLA BRANDÃO, PIAF, DIDEROT, AMANDA GREAVETTE, ALBERTO LINS CALDAS & DEVORÁVEL


PERFIS SEM ROSTOS – Imagem: arte da pintora canadense Amanda Greavette. - Pela primeira vez vi o mundo em todos os sentidos e o seu peso em minha alma não me deixou enxergar direito o sonhado de antes, porque tudo se esfacelara à primeira vista, e a terra era apenas um museu devastado na ebulição de festas trágicas. Fui tentado a olhar pra trás e pela segunda vez, enquanto eu vestia todas as canções de amor e paz pros que me vinham pelas rachaduras tumulares com seus epitáfios e desventuras, e eu me dava aos braços as sinfonias solidárias com o coral da Nona pelas caravanas pressurosas de semideuses com suas têmporas esmaecidas por novidades de ontem e seus epígrafes maltrapilhos de tão gastos na mesmice. Pela terceira vez eu chorei a Flauta Mágica dos meus lábios porque nada ecoava além do muro à cabeça, apesar do peito com as sonatas solidárias remediarem minha dor, eu sucumbia à esquina oposta, onde umbigos falantes beatificados aos solavancos se reabasteciam com as paisagens faciais das sereias sedutoras e sua instantaneidade descartável a cada olhar desolhado, cada sorriso sem sorriso, cada sentimento efêmero com suas cenas manequins, que desconhecem de mim o apelo Rimbaud e cantam many queen, many comic, para serem Fabos que vão dormir como se fossem lêmures indômitos e acordam como príncipes a reconstruírem o Fabobras demolidor, materializando a desonra e eu poderia morrer agora, ou segunda, talvez amanhã de manhã e pra sempre aniquilando dores verossímeis. Pela quarta vez nenhum rosto amigo, nenhuma fisionomia reconhecível, meras paisagens nas faces irradiavam gôndolas, vitrines, próteses e desumanidades por cenas elegantes e luxuriosas que não diziam de mim, nem de ninguém, apenas a felicidade urgente e sem precedentes. Foi preciso que eu me detivesse pela quinta vez pra me certificar de que eram gente e não possuíam rostos senão máscaras de gás e me segurar sem arrimo pra não ser levado na enxurrada desalmada, e pudesse saborear a vida como quem fora desterrado da despersonalização imbecilizada e homogênea, a me dizer que se eu tivesse que fazer alguma coisa, que fizesse já porque seria sempre inútil, senão imediatamente de tão tarde passando do ponto, a viagem sonhada por protagonista não me deixava mais a oportunidade de parada em qualquer ponto de desembarque, por ser tratado como figurante cego que não sabia mais nada e que se havia algo por fazer, nem eu mesmo me dava ciência no meio de tanta selvageria, não tinha a menor ideia de tão surrupiado pela dessemelhança e se eu quisesse viver teria outro tão igual a todos. Sabia apenas que se não era divertido, seria bastante patético, senão esdrúxulo, coisas que via e nem prestava atenção, sempre perdido com meus pensamentos de que podia fazer alguma coisa, aprisionado Prometeu nos meus próprios ideais. Foi sintomático resistir pela quinta vez e de súbito tudo trepidava, pode ser que o chão me falte diante de tanta mentira exposta com a leveza de quem desliza sobre as águas, o tempo a desabar nuvens amontoadas e desmoronando o já contaminado, quase terminal e eu ainda respirava o ar possível para não desfalecer entre ruínas tão formidavelmente remontadas. Como eu ia dizendo, o que se há de fazer não mais que mudo e inativo na marra, por grilhões inoculadores servindo de camisa-de-força para me fazer refém e, para me salvar do escalpelo, mergulho no meu próprio negrume se posso sobreviver atento no meio de tanto incômoda gritaria que se faz canto no meio das desalmas. Sei que vivo e quase não sei mais nada, tudo é tão avaro e nada mais valho nessa alegoria de nada. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
“Porque sou apaixonada pela busca da verdade e eu me sentiria mais próxima de Deus tentando me aprofundar e compreender seus maravilhosos mistérios”
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música da cantora francesa Edith Piaf (1915-1963): L’hynne à l’amour, Soudain une vallée, Las plus belles chansons & Greteast Hits & muito mais nos mais de 2 milhões & 500 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui, aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Instruir uma nação é civilizá-la. Extinguir nela os conhecimentos é reduzi-la ao estado de barbárie [...] À exceção dos primeiros princípios de aritmética, de álgebra e de geometria [...] quase nada que valha a pena ser retido e que não se aprendesse muito melhor em quatro vezes menos tempo. A única vantagem que não se tinha absolutamente em vista e que se obtém de nossas escolas é o hábito de aplicar-se, e de aplicar-se constantemente a coisas frívolas, mas difíceis; hábito que dá uma maravilhosa facilidade para objetos mais importantes em todas as funções da sociedade; hábito que distingue singularmente um homem de um outro, sobretudo se a prática do mundo curou o primeiro da cavilação; o que nem sempre acontece. Eis, portanto, todo o fruto de sete ou oito anos de penoso trabalho e de uma prisão contínua. [...]. Trecho da obra Plano de uma universidade – Filosofia e política (Perspectiva, 2000), do filósofo e escritor francês Denis Diderot (1713-1784). Veja mais aqui.

A REDESCOBERTA DA MENTE - [...] A característica mais admirável é o quanto da corrente principal da filosofia da mente dos últimos cinquenta anos parece obviamente falsa. Acredito que não haja nenhuma outra área da filosofia analítica contemporânea onde tantas coisas implausíveis sejam afirmadas. Na filosofia da linguagem, por exemplo, não é de modo algum comum negar a existência de frases e atos de fala; mas, na filosofia da mente, fatos óbvios sobre o mental, tais como o fato de que todos nós realmente temos estados mentais subjetivos conscientes, e que esses não são suprimíveis em favor de qualquer outra coisa, são rotineiramente negados por muitos, talvez pela maioria dos pensadores avançados do assunto. [...] não parece o bastante afirmar verdades simples e óbvias ― queremos algo mais profundo. [...] Falar de estados mentais é simplesmente falar de um conjunto neutro de relações causais; e o aparente "chauvinismo" das teorias de identidade tipo-tipo ― isto é, o chauvinismo de supor que somente sistemas com cérebros como os nossos possam ter estados mentais ― é então evitado por essa concepção muito mais "liberal". [...] O abandono da crença em uma classe numerosa de fenômenos mentais em princípio inacessíveis à consciência resultaria, portanto, no tratamento do cérebro como um órgão como qualquer outro. Como qualquer outro órgão, o cérebro tem um nível funcional ― na verdade, muitos níveis funcionais ― de descrição e, como qualquer outro órgão, pode ser descrito como se estivesse fazendo "processamento de informação" e executando qualquer número de programas de computador. Contudo, a característica verdadeiramente especial do cérebro, a característica que o torna o órgão mental, é sua capacidade de causar e sustentar pensamentos, experiências, ações, memórias etc., conscientes. [...]. Trechos extraídos da obra A redescoberta da mente (Martins Fontes, 2006), do filósofo e escritor estadunidense John Searle. Veja mais aqui.

O MENINO QUE VENDIA PALAVRAS - [...]— Como o senhor conhece tantas palavras? — Você não me vê sempre lendo? Assim vou aprendendo palavras. — É bom isso? — Quanto mais palavras você conhece e usa, mais fácil fica a vida. — Por quê? —  Vai saber conversar, explicar as coisas, orientar os outros, conquistar as pessoas, fazer melhor o trabalho, arranjar um aumento com o chefe, progredir na vida, entender todas as histórias que lê, convencer uma menina a te namorar. Podia conversar com ele durante horas, menos quando estava lendo. Chegava do trabalho às cinco e meia da tarde, tomava banho e sentava-se para ler. Era corajoso, lia livros grossos e me trazia sempre um livro novo [...]. Trecho da obra O menino que vendia palavras (Companhia das Letrinhas, 2016), do escritor e jornalista Ignácio de Loyola Brandão. Veja mais aqui.

FILOCTETES – i - dissera / q o mal começara / na carne dura / do arqueiro / vinda da fera q em surdina / maliciosa mais q viva / mordera dissera / era aspero silencio / assim a pedra / onde o arqueiro sentara / todos os olhos / fisgados nele / entre morte e morte / o deserto invadira / q a paralisia imperara / ao redor / do arqueiro / findara o sonho / da guerra na cidade / sonho de todo guerreiro / alguem dissera – ii - a boca dessa ferida / tivera fome a goela / sem fim dessa ferida / comera sem se saturar / os dentes afiados dessa / ferida devorara tudo / os dedos finos e frios / dessa ferida tateara / a pele os ossos ao redor / dessa ferida q tivera olhos / desmedidos q mirara tudo / desde o eixo ao infinito / sugando sempre tambem / imagens sombras luzes / esfomeada noite dia / essa ferida conhecera / a sombra todos em volta / daquela carniça e ponderara / numa lingua apavorante / seus desatinos suas visões / berrara e gritara / como se fosse ela a ferida / quem sem saida sofrera / não aquele infeliz / deitado sobre cinza e rocha / calado como se adivinhara / a insanidade daquela ferida / a colera o odio o asco / a indignação o rancor / ressentimento incontido / rasgara conformado o corpo / corpo desesperado / perdida aquela vida / na demencia a ferida / se esmerara em doer mais / deixando sempre magoado / a pele e seu horror / como se a ferida fora o corpo / o corpo somente o verme / q impedira a ferida de viver / dissera alguem entre deserto / e mar em ruinas dissera – iii - ?onde amigos ?onde companheiros / ?onde a mulher o irmão o pai / ?onde a casa ?onde o cão ?onde / !sim o arco e o alvo !sim ?onde / ha todas essas estrelas na escuridão / quase as mesmas sempre as mesmas / a lua esse luar doente sobre as arvores / sobre a areia da praia sobre as pedras / não a doença q abismara a carne / moendo sonhos magoando de doer / nem essas cinzas pelo chão dissera / fuligem caindo como chuva / florestas incendiadas o fogo / abrasando a noite dos horizontes / trovões relampagos a solidão / insetos crocitando como passaros / nuvens mantos negros de nuvens / !sim mas o vento não se derramara / longo o mar e o mar se revoltara / pastoso contra rochas e a carne / doi tanto como se faca talhasse / ternamente num carinho dissera / longe na guerra so ha paz / aqui na paz so ha guerra / tantos de mim ja morreram tantos / de mim sofrem no triste silencio / do coração como a insana fome do tempo / insana fome da ferida e seu fervor / !sim não ha desejo maior q a morte / ?como fugir da jaula q sou / se eu mesmo paralisado espero mesmo / sabendo q esperar é morrer dissera – iv - q venham os dias e as noites / com seus terrores / sim! q venham os terrores / de todas as noites / de dentro dessa carne dolorida / desses ossos / desses tendões partidos / a ferro e fogo e solidão / noite silenciosa / quando a carne se enfurece em sonho / sem auroras azuis / ou pores de sol imoveis dissera / queimando olhos / gravidos repletos de vozes / q se trançam como teias / perversas a ilusão / essas horas maduras do dia / quando se delira e sofre / desde o ventre dessa sombra / ate a morte dissera / gerando em tudo / a escuridão crua sem abrigo / nesse sol indigno das horas / q se desgraçam / antes da arida lassidão / so loucura de rochas / onde a duvida das cinzas / invade a certeza da luz – v - danço na escuridão / com meus mortos / de treva em treva / dançarino avanço / trançados os dedos / tecido de espuma / bebo todo esse mar / como quem bebe / algo bem doce / basta essa musica / estilhaços de tempo / imoveis na noite / a guerra é aqui / sem olhos ele dissera – vi - ?como deixar de acordar / os mortos / recompor / a tempestade / q vem / das ruinas / entre desertos / como é / estreito / o espaço / q resta / como é facil / e terrivel / nada dizer – vii - !sim a primavera / havia cerejeiras cruas / na luz intensa / alguem dissera / estufadas de flores / vermelhas e brancas / as noites perfeitas / alguem sonhara / eram lindas / lindas / cheias do sangue / das lembranças / entre risos / alguem dissera / longe o mar / os rios / entre florestas respiravam / !sim a lingua perfura / como ferrão agudo / de escorpião / essas asas imensas / q sempre levaram longe / hoje mistrangulam / alguem sonhara / e a deriva / numa solidão total / longe dos muros da cidade / horizonte infinito / onde começa / a violencia dos deuses / não sei mais / quem sou / quem fui / quem poderei ser / alguem dissera / odor de terra torrida / resinas queimadas / numa briga de facas / amava então a vida / desesperada devoção / alguem sonhara / resta a vida / isso é sempre muito / muito pouco / pra manter longe / o segredo / do inferno / dizendo / o q tenho / contra mim / é q me deixei / ser vencido / por uma guerra inutil / por amigos peçonhentos / longe dos laços / essa grave / doçura / essa forma monstruosa / da paixão / essa ignorancia / agressiva / treva toda de musculos / virada pelo avesso / cerejas e morangos / num zumbir de vespas / a multiplicação dos pães / o grave sangue dos lagos / outro misterio / alguem dissera / torturada / a carne quase ri / pedra entre aguas / quando te deixei / naquela tarde / olhando assim / dentro da morte / outro tempo / outro desejo / tão triste fim / alguem sonhara / não é isso / q devemos oferecer / ao salobro existir / quebrado em ossos / florindo em desertos / esse infeliz / palhaço / debruçado ali / no silencio terrivel / bem perto / da loucura / alguem dissera / daquele riso / q tudo sabe / antes da morte / voce não imagina / a tristeza / a colera / o vazio / alguem sonhara / q nos derruba / e aniquila / quando encontramos / a alma assim / submersa no asco / deitada numa quina / ridicula de pedra / entre imbecis / de pesadelo / alguem dissera / coberta de lama / entre porcos / quebrada e roubada / irreconhecivel / inda rindo sempre / alguem sonhara / brinquedo grotesco / nas mãos estupidas / de si mesma / criança ridicula / ridicula / alguem dissera / sonho q sonha / sombra q se assombra / alguem sonhara / luz adentro / assim mesmo / esperara muito mais de mim / não esse animal / destroçado / rodopiando de dor / entre nadas / isso q vem / das pocilgas / da familia / esse riso gelatinoso / esse corpo mole / esse olhar frouxo / esse ritmo q nunca / se partiu / alguem dissera / entre indiferentes edificios / na fome e no horror / esse fardo / ninguem compreenderia / como nos alguem sonhara / esse horror privado / de sutilezas e sublime / essa vontade de trabalhar / de servir e gerar filhos / de rezar e aceitar / alguem dissera / amar o transitorio / sem delirio e tempestades / sem fome sem navios / navegando no sono / com sonhos pueris / sem tanta fome / sem tanta dor / sem tanta solidão / faltam crepusculos / alguem sonhara / crepusculos / faltarão sempre / tão leve tão pluma / não ouviu trovões / entre luas vermelhas / não ouviu o uivo / entre calor e chuva / não bebeu escuridão / nas ondas do rio / não tava no parto / do monstro das palavras / não tramou a jornada / entre terra e mar / pois não ha loucura / somente segundos / se comendo por dentro / triste mortalidade / as ruas as ruas as ruas / tanto sofrimento / nas unhas abertas / nos tendões partidos / nas horas em carne viva / nu ao vento / era a vida / luz da vida plena / o caos o caos o caos / a morte triunfa sempre / alguem dissera / contra ti / nas visceras escuras / esperando esperando / ao redor a pedra / tanto sofrimento / dentes podres / corpo q falha / muda o cheiro / o gosto do corpo / envelhece o corpo / o corpo / no tempo alguem sonhara / no tempo / como é infeliz / apodrecer assim / ?pra q as sombras / as cinzas nesses olhos / ja não deixam ver / o mal de viver / alguem dissera / desenhando arabescos / perversos com fuligem / humor vitreo / no centro da cidade / onde o fauno ri / gargalhando nu / entre esquilos rubros / !sim a primavera / alguem dissera – vii - !sim a guerra !sim q / é a vida começara / dissera / mas sabemos todos q / as serpentes sempre encontram / dissera / assim a carne e os ossos q / os musculos moldam espera / dissera / porq mesmo esse sonho q / marcara sua hora findara / dissera / somente uma picada q / brutal era de medo e dor / dissera / bastando isso o mal q / infiltrado apavorara a todos / dissera / pois tão negra e tão podre q / cheirava tão mal tanto / dissera / !sim ninguem chegara perto q / sentia vontade de vomitar / dissera / partiram deixando ele q / chorava dor e solidão / dissera / vira o desmedido mar q / de tão azul era de carne podre / dissera / deitado na noite sem sonhos q / queimava sempre recordou / dissera / a guerra distante a morte q / não teria entre eles / dissera / abandonado delirou navios q / voltavam somente por ele / dissera / o fim da guerra a chaga q / tudo isso era terminara / dissera / assim morreu sentindo q / voltava entre verdadeiros amigos / dissera / os morcegos e mariposas q / viviam ali partiram finalmente / dissera. Poema do escritor e professor universitário Alberto Lins Caldas.

DEVORÁVEL
O videoarte Devorável, roteiro e direção de Tchello d’Barros e interpretação de Mariana Parga, traz uma versão contemporânea da musa Clio, do mítico Parnaso, devora entre nós a P, O, E, S, I, A. E questiona: Nós somos o que comemos? “Você tem fome de quê”? O que alimenta nossa alma? Como a P, O, E, S, I, A entra em nós? Então, os conteúdos que nos alimentam nessa era de hiperinformação e endurecimento dos sentimentos, nossa “modernidade líquida”, onde “tudo que é sólido se desmancha no ar”. A produção do coletivo Praia Vermelha Filmes foi selecionada no Festival Internacional de Video Poesía UNGS II, na Argentina. Será exibido no próximo dia 16 de agosto, às 19hs, no Multiespacio Cultural Universidad Nacional General Sarmiento – UNGS Juan Maria Gutierrez 1150. Los Polvorines. Pcia de Buenos Aires – Argentina. Veja mais aqui.

Livro Partes do meu todo de Zezinha Lins & muito mais na Agenda aqui.
&
CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da pintora canadense Amanda Greavette.
Veja mais aqui.
&
A peça teatral O Lobisomem Zonzo aqui & aqui.

APOIO CULTURAL: SEMAFIL
Semafil Livros nas faculdades Estácio de Carapicuíba e Anhanguera de São Paulo. Organização do Silvinha Historiador, em São Paulo. Fone: 11 98499-2985.


terça-feira, março 13, 2007

PIRANGI, GORKI, CÍCERO, RABELAIS, ÍTALA NANDI, JOCY OLIVEIRA, RAZUMOV, TCHELLO D’BARROS, KERRY FOX & FAMÍLIA EUDEMONISTA!



PIRANGI - A mulher tem uma presença marcante na minha vida. Claro, sempre fui rodeado de mulher por todos os lados. E Pirangi me traz essa sensação de mulher presente sempre, relembrando das tardes fagueiras da adolescência na sua pedraria e acompanhado das mais doces companhias que me proporcionaram momentos inesquecíveis. Desde pirrotitinho, quando me entendi por gente, que a mulher me fascina. Fizesse o que traquinasse, havia sempre uma para me socorrer. Se fosse um baque destrambelhado, alguma corria para alentar. Hora de dormir, sempre uma dela para acalentar. E eram tantas, aos montes, minha casa sempre foi florida de belas mulheres, que minha mãe nem se preocupava, vez que no meu domicílio sempre transitavam tias, primas, vizinhas, afilhadas, comadres, e eu sozinho no meio da mulherada, todo ancho e cheio da pacutia. Até nisso fui sortudo: nasci no meio de três irmãs. Eu sozinho, no meio delas. Uma penca de tias. Um bocado de madrinhas. Muitas comadres. Meio mundo de vizinhas. Pois é, a minha libido fazia festa. Era louco por seios volumosos - vixi, visse não, ficava com a boca cheia. Outra: quando via um pandeirão, meus deusesinhos, bunduda morava na minha simpatia. Quanto mais graúda, melhor. Isso porque minha família era tudo tamborete de zona. E quando via uma esbelta, peituda, volumosa e vitaminada, nossa, eu endoidava o quengo e só sossegava depois de me ver embalado no meio dos seus seios em falso choramingado por qualquer maleita inexistente. De manhã mesmo eu fugia para a beira do rio, vê-las lavar panos e pratarias. A roupa molhada, as saliências transparentes, tudo pregado no corpo, ficava bisbilhotando deliciado com as formas generosas delas. Isso no Rio Una ou Pirangi. Em Pirangi era melhor, para lá iam enamoradas, quengas, destrambelhadas. Os pederastas, bandidos e desvalidos também estavam por lá. E eu no meio. Era um local um pouco distante da cidade, só de acesso pela rodagem das usinas de cana-de-açúcar. Dia sim, dia não, eu escapulia atravessando a cidade até chegar às pedrarias de Pirangi, só retornando para casa, lá pela boquinha da noite para aguentar os esporros da mãe que estava aflita por me procurar em todos os lugares possíveis e imagináveis. Ôxe, Pirangi me deixava doido: o rio, as pedras e o matagal. E muita mulher. Quando me apertava, escolhia uma moita e lá me satisfazia. Ou cagada, ou mijada, ou punheta braba, o mato escondia a gente. A água era rasa, nunca fui bom nadador. Eu atravessava as cachoeirinhas, várias, até alcançar o outro lado da margem. E ficava, de lá para cá, procurando cenário atraente: mulheres em vestes sumárias, seminuas com exposição de seus seios, suas coxas, intimidades. Muitas meninotas, moçoilas, matreiras e reboculosas timbungavam com suas vestes que não resistiam ao contato com a água e logo se soltavam deixando nudez exposta. As que não possuíam biquínis mergulhavam mesmo de caçola e sutiã mesmo e a cada imersão, uma ou outra ficava completamente despida. Muitas perdiam suas vestes quando emergiam, e eu só de tocaia para flagrar a nudez da sorteada. Isso era coisa para menino presepeiro ver. Enchia a vista arregalada. Um dia lá, já adolescente responsável, casado de cedo, cheio das manhas de homem maduro, estacionei o carro na beira do rio para esfriar o quengo inchado com algumas atividades profissionais que já desenvolvia precocemente. Queria fugir da pressão da escola e do trabalho. Desparecer. Peguei o violão na mala do carro e fiquei dedilhando, sentado na grama de uma das margens. Nem percebi a presença de uma morena faceira testemunhando meu lamento nos acordes. Dos pés dela, fui levantando a vista: em pé, geografia perfeita, enxuta, contornada e bela. Os olhos castanhos vivos. Acocorou-se e me disse: - Me dá um cigarro! Se você me der eu deixo você amar em mim. Tive um susto. Fitei-lhe e não me contive. Peguei do maço e passei-lhe com o isqueiro aceso. Ela sentou-se ao chão e ficou tragando lentamente e olhando para mim com os olhos mais pidões que poderia já ter visto na vida. Na minha timidez continuei solfejando algumas canções enquanto flagrava seu olhar pregado em mim. Ah! Pirangi... "... mas aqui estou e quero abraçar suas pedras, sua ponte, mergulhar em você e ficar...", cantarolava a canção que o Célio Carneirinho e o Marko Ripe, dois amigos meus, haviam feito. A ternura daquelas paragens sempre me fazia rever o acolhimento de mãe, a entrega da mulher, o carinho da filha, o desabrochar da moça e o calor da vida. Mesmo sendo um rio, parecia que ali havia sempre o encanto anímico de uma aura fêmea no ar. Até o vento lufava um incenso feminil que me encantava. Um encanto que sempre quis mergulhar. E mergulhei fundo lavando a jega. (Luiz Alberto Machado). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.


Imagem: A arte do pintor russo Konstantin Razumov.


Curtindo Inori à Prostituta Sagrada (1993 - Tratore, 2009), da compositora, pianista e escritora Jocy de Oliveira. Veja mais aqui.

EPÍGRAFE: DESDE ANTANHO PARA APRUMAR A CONVERSA - Faz-se bastante conveniente trazer o pensamento de Marcus Túllius Cícero (106-43 a.C.), o maior dos oradores e pensadores políticos romanos:  “Quando, numa cidade, dizem alguns filósofos, um ou muitos ambiciosos podem elevar-se, mediante a riqueza ou o poderio, nascem os privilégios de seu orgulho despótico, e seu jugo arrogante se impõe à multidão covarde e débil. Mas quando o povo sabe, ao contrário, manter suas prerrogativas, não é possível a esses encontrar mais glória, prosperidade e liberdade, porque então o povo permanece árbitro das leis, dos juízes, da paz, da guerra, dos tratados, da vida e da fortuna de todos e de cada um; então, e só então, é a coisa pública coisa do povo”. Veja mais aqui e aqui.



FAMÍLIA: MODELO EUDEMONISTA – No livro Curso de Direito de Família (Juruá, 2000), de José Lamartine Corrêa de Oliveira e Francisco José Ferreira Muniz, encontro que: A família transforma-se no sentido de que se acentuam as relações de sentimentos entre membros do grupo: valorizam-se as funções afetivas da família que se torna refugio privilegiado das pessoas contra a agitação da vida nas grandes cidades e das pressões econômicas e sociais. É o fenômeno social da família conjugal, ou nuclear ou de procriação, onde o que mais conta, portanto, é a intensidade das relações pessoais de seus membros. Diz-se por isso que é uma comunidade de afeto e entreajuda. Tem-se, pois, que o modelo de estrutura familiar consagrado pela Constituição Federal de 1988 é chamado de eudemonista, ou nuclear, baseado na ideia de núcleo da célula-mater, a saber, filhos e pais, destoando do modelo oitocentista que englobava todos os ascendentes vivos, colaterais e, em alguns casos, até mesmo os criados domésticos. Veja mais aqui e aqui.

CARNEIROS DE PANÚRGIO – Os carneiros de Panúrgio aparecem numa passagem do Pantaguel, de Rabelais, um dos pseudônimos do jornalista e romancista pornógrafo português Alfredo Gallis (1859-1910), contando que Panúrgio ia num navio cheio de carneiros e, sem dizer palavra, atirou à água um deles, que balia e assim chamava a atenção dos demais. Logo, os outros, balindo com igual entonação, começaram em fila a saltar a amurada e se atirar na água, seguindo o companheiro. Era impossível detê-los. Porque o natural dos carneiros é seguirem todos o primeiro, a qualquer parte onde vá. Aplica-se muito o episódio à política, em que não raro há Panúrgios que habilmente encaminham a carneirada no sentido dos seus desejos. Veja mais aqui e aqui.

HAICAIS – Entre os poemas do poeta, artista plástico e ator catarinense Tchello D´Barros, destaco os seguintes haicais: I – o rio leva o galho / passeando de carona / vai um passarinho. II – luz do sol na teia / pequenina tecelã / tece fios de ouro. III – violetas azuis / esta tarde não passou / em brancas nuvens. IV – brilha o sol no orvalho / porque chorou essa bromélia? / lágrimas do céu V – floração do ipê / borboletas amarelas / dançando ao vento. Veja mais aqui, aqui e aqui.

VASSAH, A DAMA DE FERRO – Em 2001, tive oportunidade de assistir no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, à montagem da peça teatral Vassah, a Dama de Ferro, do escritor e dramaturgo russo Máximo Gorki (1868-1936), com direção de Alexandre de Mello, contando a história da ganancia suicida das elites russas às vésperas da revolução que acabaria com este mundo de riqueza e prepotência. Vassah é a mulher dura que herdou uma companhia de navegação e trata funcionários e parentes como objetos. O destaque é para a atriz, diretora, escritora, dramaturga e produtora gaúcha Ítala Nandi. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

INTIMIDADE – O premiado filme Intimidade (2001), do realizador francês Patrice Chéreau, é baseado na obra do anglo-paquistanês Hanif Kureish e conta a história de um casal que tenta viver uma relação exclusivamente voltada para o sexo, em encontros semanais. Um dia, a mulher não aparece e a trama toma outros rumos. Esse casal que vive uma relação passional e encontram-se todas as tardes de quarta-feira por um único motivo: sexo. Fazem sempre o mesmo ritual: despem-se, fazem amor, vestem-se e partem sem dizer uma só palavra. Sentem-se sempre um pouco embaraçados, mas nada têm a dizer um ao outro e também nada sabem sobre a vida de cada um. Um dia, ele decide conhecer melhor sua parceira. Segue-a e descobre que ela é uma atriz, casada e com um filho. O seu marido é um simpático taxista, com quem ele faz amizade. Ao saber do fato, ela desaparece, mas ele não se conforma e parte no seu encalço. O destaque do filme vai para a atriz neozelandesa Kerry Fox. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
Todo dia é dia da atriz neozelandesa Kerry Fox



Veja mais Lima Barreto, Dario Fo, Cibercultura, Luigi Pirandello, Bigas Luna, Ana Terra, Paul Simon e Art Garfunkel, Rui Carruço, Consuelo de Paula, Tracey Moffatt, Aitana Sánchez, Juareiz Correya & Regine Limaverde aqui e aqui. 

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja aqui e aqui.

GONÇAL MAYOS, MARINE PETROSSIAN, PÉTER NÁDAS & IRANDHIR SANTOS

  Imagem: Arrostar aporias , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Fábula dos embeiçados desavindos... ...