sexta-feira, novembro 08, 2019

MALALA YOUSAFZAI, MARIELLE FRANCO, MICHELINY VERUNSCHK, SILVANA GUIMARÃES & ANNA DUTRA


CARTA DE NOVEMBRO - Esta carta é um canto. Sim, um canto porque o amor não envelheceu, nunca envelhecerá. Por isso canto, choro e escrevo. Sim, uma carta, um canto de despertamento porque este planeta não é a cloaca de Pandora. Não foi, nem nunca será. Sim, se fizemos o pior ao longo de milênios, nada mais que guerras e bombas, preações e interditos, mandonismo e ludíbrio, tudo para deteriorar o presente e nos meter, a nós e aos que virão, numa desgraça irresponsável e rediviva, tudo em nome de uma ganância insaciável, podemos escrever e cantar diferente, a diferença nos completa. E se no dia da escolha não amanheceu, a fria e sinistra madrugada avançou quarenta graus de calor em ebulição num sonambulismo excludente. Por isso mesmo, cantar e escrever. Sim, uma carta e um canto de chorar, lavar a alma de quem derrotado não perdeu a esperança com as pedradas nas vidraças e telhados, os tempos são outros. Cantar e chorar e escrever no meio das feridas e despojos de quem é indifuso, branqueiro, pretano, ou brasindibrapreiro, indipretanês, isso de norte a sul, leste ou oeste deste Brasilzão arrevirado e de porteira escancarada e no mundo inteiro. Sim, eu choro meus antepassados e as filhas das dores de ontem e hoje, e não sei qual a História escrevemos agora, o que será de mim e de todos nós daqui em diante. Há uma granada acesa no peito em cada fala e tudo retarda como se fosse voltas que valessem mordidas no pescoço e nos bolsos alheios por Savonarolas de plantão erguidos pelos que se acham melhores porque escolhidos, e falam Halloween para raspar a terra de Sacis, Cumades Fulôsinhas e Pernas Cabeludas, como se tudo nosso fosse feito para ser enterrado vivo e sem nenhum direito, mesmo que se grite por Direitos Humanos e esteja em vigência uma Carta Cidadã, nada disso vale para quem olvida tudo em nome de um deus apócrifo, vingativo e encolerizado, em nome de uma soberba estrangeira que não nos reconhece nem sequer respeita o que somos ou deixamos de ser! Um reino de vulgaridade insultante, vale tudo: o umbigocentrismo e a desonestidade dos veículos de comunicação de massa, das caravanas de subornados que enlameiam tudo com a grotesca fúria de coisonarios que sequer consideram o vexame de netos e bisnetos nas lições da escola dagora e daqui umas décadas e séculos futuros, na farra de ministros de cortes e governos, deputados, senadores, gestores e fascínoras que nos dizem não, entreguistas de nossas vidas, nosso chão, nossa dignidade e toda a nossa vida atormentada. Até os inúteis se aproveitam como feras ofendidas e desesperadas, ninguém tem vergonha com suas migalhas de paixões efêmeras e muito medo de nada, escravos seculares que vertem sangue por cédulas e moedas, todos somente barrigas e olhos, apenas se arranjam como podem e dão graças aos céus pelos otários que enganaram, sabidos de si, para se fartarem felizes dilapidando patrimônios por alguns segundos, enquanto se esbatem furiosos para nem lembrarem da culpa, já apodrecidos pela vileza, nem um pingo de arrependimento. Sim, eu choro com as filhas das dores de sempre, que foram e são as Burrinhas de Padre, as doutrinadas peregrinas de pastores desalmados, as virgens de líderes religiosos abastados e hipócritas, as escalpeladas pelas aspas do crime passional rotineiro e impune, as traficadas no jogo do poder-prazer para lá e para cá da escravidão que nunca foi abolida dos calcanhares consumistas que pisoteiam entre gases e lágrimas. Choro pelas crianças sem futuro, pelos deserdados que não sabem o que fazer, pelos que envelheceram expostos ao frio e a indiferença. Sim, eu choro por Marielle Franco porque a dor dela é minha, a morte dela é a minha morte e de todos nós e de todos os direitos, porque até as estrelas gritam por socorro, apavoradas, são humanos e eu me recuso a sorrir nesta carta e neste canto, a indignação nos humaniza e descoisifica a vida. Algo precisa ser feito! E para isso eu escrevo esta carta e canto este canto. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] configuram uma ocupação de regulação pelo Estado em territórios antes regulados pelos grupos criminosos armados, principalmente pelo varejo do tráfico armado. A denominação atual, portanto, demonstra a carga ideológica para manutenção dos elementos fundamentais da política hegemônica, pois se centraliza na ação da polícia e usa o recurso ideológico da apelação pela paz. O que está em questão é que a polícia, com a abordagem que predominou, não se firma apenas como uma das atividades do Estado, mas acaba por ganhar um local estratégico nesse processo de ocupação territorial. O que ocorre é uma propaganda geral pela paz, na qual a polícia, e não a política, ocupa lugar central. Esse é mais um dos sintomas do predomínio de uma política de segurança sustentada na militarização. É nesse sentido que se pode afirmar que há uma proposição aparentemente utópica, que assume caráter profundamente ideológico. Não se trata de algo que adota um rumo contrário à lógica e ao modelo imposto até o momento; ainda que possua fissuras diferenciadas, não consegue romper com o modelo já em curso. A abordagem das incursões policiais nas favelas é substituída pela ocupação do território. Mas tal ocupação não é do conjunto do Estado, com direitos, serviços, investimentos, e muito menos com instrumentos de participação. A ocupação é policial, com a caracterização militarista que predomina na polícia do Brasil. Está justamente aí o predomínio da política já em curso, pois o que é reforçado mais uma vez é uma investida aos pobres, com repressão e punição. Ou seja, ainda que se tenha um elemento pontual de diferença, alterando as incursões pela ocupação, tal especificidade não se constituiu como uma política que se diferencie significativamente da atual relação do Estado com as favelas. Importa ressaltar ainda a questão da formação dos policiais. [...]. Trecho extraído da dissertação de mestrado com a temática UPP – a redução da favela a três letras: uma análise da política de segurança pública do estado do Rio de Janeiro (UFF, 2014), defendida pela socióloga, ativista feminista e defensora dos direitos humanos, Marielle Franco (1979-2018), na sua luta pelos direitos do cidadão na denúncia da violência, dos abusos policiais e da falta de recursos nas comunidades mais carentes da cidade. Eleita vereadora do Rio de Janeiro em 2016, ela foi assassinada no dia 14 de março de 2018, juntamente com o motorista, Anderson Gomes. Entre os seus questionamentos estão: O que é ser mulher? O que cada uma de nós já deixou de fazer ou fez com algum nível de dificuldade pela identidade de gênero, pelo fato de ser mulher? A pergunta não é retórica, ela é objetiva, é para refletirmos no dia a dia, no passo a passo de todas as mulheres, no conjunto da maioria da população, como se costuma falar, que infelizmente é subrepresentada. Quantos mais vão precisar morrer para que essa guerra aos pobres acabe?

A POESIA SILVANA GUIMARÃES
sangrar o amor em nome do ódio numa emboscada
machista racista escravocrata - atalhar uma vida –
sofrer com o trabalho forçado no tribunal da memória
cochilar sobre arames farpados nunca mais dormir
conviver com minhas faces tremulando nos jornais
- estandartes da esperança renovada ad infinitum –
suportar meu corpo tomando posse de outros corpos
agigantando-se neles à cata de tolerância & justiça
: agora sou uma flor negra & altiva que a morte
regenerou e transmigrou em inúmeros pássaros
pólen néctar colibri minhas palavras espalham-se
ao vento e esse ardor você não pode emudecer
Revoada, poema da poeta e editora da revista Germina & do site Escritores Suicidas, Silvana Guimarães.
&
A POESIA DE MICHELINY VERUNSCHK
uma mulher descerá o morro
como se descesse de uma estrela
uma mulher seus olhos iluminados
suas mãos pulsando vida e luta
sob seus pés a velha serpente
[a baba as armas a covardia de sempre].
uma mulher descerá o morro
as inúmeras escadarias do morro
os muros arames que separam o morro
e pisará o chão desse país sem nome
desse país que ainda não existe
desse país que interminavelmente não há
uma mulher descerá o morro
tempestade é o vestido que ela veste
uma mulher descerá o morro
e ainda que seu sangue caia
ferida incessante no asfalto do Estácio
e ainda que anunciem sua morte
[e sim, ainda que a comemorem]
esta mulher ninguém poderá parar
Poema da poeta e historiadora Micheliny Verunschk, a mestre em Literatura e Crítica Literária, doutora em Comunicação e Semiótica e doutoranda em Letras pela PUC-SP. Veja mais aqui, aqui & aqui.

A ARTE DE MALALA YOUSAFZAI
Acredito que somos uma comunidade e que devemos cuidar uns dos outros.
MALALA YOUSAFZAI - A arte da ativista paquistanesa Malala Yousafzai, em homenagem à vereadora e socióloga assassinada, Marielle Franco, durante sua visita à Rede NAMI, em 2018, organização que usa a arte urbana para promover os direitos das mulheres. Malala é conhecida pela defesa dos direitos humanos das mulheres e do acesso à educação na sua região natal do vale do Swat, na província de Khyber Pakhtunkhawa, no nordeste do Paquistão, onde os talibãs locais impedem as jovens de frequentar a escola. Ela foi a ganhadora do Nobel da Paz de 2014. Veja mais aqui.

ANNA & SEU BLOG
VIDA: Uns vivem a vida perene / Como se perdida e malsã / Outros, a vida que finda / Como se uma ininterrupta manhã / De uma e d’outra / Colhemos o sal / Numa e noutra / Plantamos as graças / Do encontro / O Amor / Esse Encanto / Essa Flor / À mão ofertada / À fronte beijada
Sou a Anna. Tento trazer informação e experiência a pessoas que buscam fortalecimento emocional e acolhimento. Alguma ajuda para trasmutarem emoções e pensamentos limitantes. Espero que encontrem, em si mesmas, as forças e virtudes para a construção de uma vida próspera e significativa. Mais que tudo, este é um espaço de ganhos: na troca, para me tornar uma pessoa melhor e na superação, para construir uma jornada ascendente e de círculos virtuosos.
ANNA & SEU BLOG – Blog da pedagoga, gestora de empresas, consultora organizacional e de desenvolvimento humano, artesã e reikiana Anna Dutra, especialista em Gestão do Conhecimento pela Coppe/UFRJ, personal e professional coach, leader coach, career & Positive Coach pela Sociedade Brasileira de Coaching (SBC) e designer thinking pela Escola de Design Thinking ECHOS. Ela também é facilitadora de Jornadas Transpessoais e de Processos de Mudança, cujos objetivos são despertamento, autocura e florescimento humano, além de ser idealizadora e facilitadora dos programas Vir a ser, Construindo Pontes Juntos e Flores em Você, todos de base Positiva e Transpessoal, com abordagem multidisciplinar e integrativa.
 

MÓNICA OJEDA, BORA CHUNG, AZA NJERI & DÉBORA LAÍS FERRAZ

  Imagem: Acervo ArtLAM . Ao som dos concertos Nights from the Alhambra (2007), A Mediterranean Odyssey (2010), Troubadours On The Rhine...