Mostrando postagens com marcador Malala Yousafzai. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Malala Yousafzai. Mostrar todas as postagens

sábado, abril 02, 2022

GINSBERG, ELIZABETH GOUDGE, GOELDI & VALUNA

 

TRÍPTICO DQP: ValunaAo som do Rio Una (Super Duelo, 2015), de Jorge de Altinho. – É nas Capoeiras da Serra do Quati a minha nascente agreste, caminheiro carijó de São Bento que subiu a Serra da Mandioca de Ibirajuba e esqueceu tudo que passou na vida pelo Riachão do Gama de Cachoeirinha e ajeitou o Calçado que escapulia do calcanhar por causa da extinção da indiada de Tacaimbó na Pedra Furada de Venturosa. Sei que voo pelo Brejo da Cinza de Canhotinho e de lá poderia viver mais em Quipapá, fugindo das abelhas Cupira que estão doidas pra me atazanar e não teria saída diante do que passou. Se der tempo vou até Maratona de Cruzes de Panelas para não perder a viagem com os papangus de Bezerros, os que me trouxeram a vida pelos ventos de Caetés e me ensinaram que viver é muito mais que tudo isso que vivi. E se der pra pernoitar na Barra de Guabiraba, lá vou presenciar a volta dos salteadores cabanos de Altinho, esperando a moça bonita do Bebedouro de Agrestina ao saudar a passagem do artistamigo Rivail Azevedo. É ela que vai me levar com o que sobrou na cacunda de todos os pesos, cruzando com os devotos de São Benedito e os que vieram dos sertãozinhos de Maraial. Com ela vou namorar lá por Corubas de Jaqueira porque acharemos na cacimba de Lagoados Gatos e que soubemos do socorro que não foi salvar o trem que virou de Cortês pra Bonito. Só nos restará aprumar caminho pra Camocim de São Félix e cruzar com quem veio de São Joaquim do Monte pegando bigu no Coco da Barriguda de Sanharó, ouvindo a Banda Sinfônica de São Caetano na Malhada do Couro de Jucati. Quero amanhecer nas malocas de Jupi e saber das notícias de quem vem de Jurema pra almoçar nos caldeirões de Lajedo e jantar na Batateira de Belém de Maria. De lá tomar banho na cachoeira de Xexéu, porque mais tarde vou danado com a Mulher da Sombrinha de Catende, Deus me livre de passar por Palmares, vou mesmo pela rodagem do Badalejo de Água Preta, depois de Pumaty do Joaquim Nabuco pra tirar uma soneca na Cachoeira Lisa de Gameleira, botar o pé na estrada do Saltinho de Rio Formoso que na verdade é Tamandaré e findar perdido da botija de Barreiros na várzea de São José da Coroa Grande, um losango oeste-leste bem na beirinha do mar.

 


Enterrem meus sonhos na primeira esquina... – Imagem: arte de Oswaldo Goeldi. – Sou teimoso e driblo ideologias para não ser mais um que eu mesmo na minha ingênua forma de ser e estar, sóbrio da minha pequenez de muitos e nada. Ouço ao primeiro passo a gentil chegada de Elizabeth Goudge: A humanidade pode ser dividida em três tipos de pessoas - aqueles que encontram conforto na literatura, aqueles que encontram conforto em adornos pessoais e aqueles que encontram conforto na comida... Ela gargalha na minha aflição, como se fosse Ginsberg em riste: Nossas cabeças são redondas para que o pensamento possa mudar de direção. Siga seu luar interno; não esconda a loucura. A franqueza desarma a paranoia. Eu não acho que haja alguma verdade. Existem apenas pontos de vista. Eu sei e duvido de tudo, impossível esperar da humanidade que fracassou em si e que só resta rachar o planeta em bandas e nos sacudir atirados aos abismos das galáxias usando o arsenal de todas as bombas atômicas e fuderosas e que dinamitem ao bel prazer todos os meus sonhos delirantes e façam deles tiro ao avaro, quanta ingenuidade essa minha de me perder na primeira esquina.

 


Néstogas a mais... - As mitologias dagora empestam toda tarde: há muita religião pros temores, quanto interdito velado. Onde a coragem de quem coração sereno possa apaziguar as algaravias dos termômetros escatológicos. Se de um lado Frances Power Cobbe: Eu não poderia suportar isso se não acreditasse em outra vida para as pobres vítimas inofensivas, onde seus erros serão recompensados, e posso acrescentar também em outra vida para seus perseguidores desumanos, onde todos se arrependerão em agonia moral pior do que a dor física. de suas pobres vítimas. De outro, Saul Bellow compassivo: Apaixonar-se, apesar de tudo, é uma prova de sanidade mental, pois no amor descobrimos uma generosidade ilimitada. Às vezes desperdiçamo-nos: o nosso verdadeiro desejo é deixar de viver exclusivamente para nós próprios. A felicidade só pode ser encontrada se você se libertar de todas as outras distrações. E o que eu flancos vulneráveis escapo: o gatilho, a porcaria replicada, reclamações e tudo deu errado; as abreviaturas das abstrações, devires, e os agnósticos e niilistas: não bastam pandemia e genocídio, eis o xis da questão. Outras difamações e o haurido, o êmulo e o circunscrito, ah, dissimulada ironia e o que não logrei tudo malogrou, verdadeiro pastiche das coisas emboloradas no meio das fatuidades. Restava Ruth Prawer Jhabvala: Eles não são mais os mesmos porque eu mesmo não sou mais a mesma. O país sempre muda as pessoas, e eu não fui exceção. Sobrou o bocejo e as decepções esgarçadas na compreensão. Antes que a pandemia e a patifaria dos governantes apertem o pitoco da desgraça geral, o que sou entre todos, néstogas a mais. Até mais ver.

Um livro, uma caneta, uma criança e um professor podem mudar o mundo. Vamos pegar nossos livros e canetas. Eles são nossas armas mais poderosas. Uma criança, um professor, uma caneta e um livro podem mudar o mundo. A educação é a única solução.

Pensamento da ativista paquistanesa Malala Yousafzai. Veja mais Educação aqui; Contação de História aqui; Grupo de Leitura da ABI aqui e muito mais aqui.


 

 


quinta-feira, novembro 05, 2020

ALDA MERINI, RICARDO MIRÓ, ISAIAH BERLIN, MARCELO GRECO & TEATRO DE AMADORES DE PERNAMBUCO


  

TRÍPTICO DQC: BLUE GERSHWIN – Curtindo o Piano Concerto in F major (1925), de George Gershwin, com o piano de Yuja Wang & London Symphony Orchestra (2016) – O dia amanhece na janela para celebração da vida. O escarcéu do mundo no povo em polvorosa, nem se dá conta das estatísticas assustadoras, olvidam do genocídio e tudo como se nada acontecesse. Soletro um poema: Agonizo devagar. Não tenho nada a dizer, nada, absoluta catarse. Os meus pedaços se perderam de mim no labirinto da sobriedade de Cage. Devotei meu olhar a reinventar o muro à cabeça. Criei meu tautócrono com meus versos abstrusos. A loucura me cerca, comunhão. Ah! Meu tormento Van Gogh, minha solidão Almafuerte, sempre instigado pela descrença na frivolidade das coisas. Mal terminara de balbuciar meus versos, recepciono a imagem do filósofo letão Isaiah Berlin (1909-1997): Estamos condenados a escolher e toda escolha pode acarretar uma perda irreparável. Tal como aparecera, a sua efígie vai se apagando como se se dissolvesse aos raios solares. Contemplo o horizonte, a vida é a tônica em todos os lugares, ainda é possível viver.

 


A CENA NA COMPLETA ESCURIDÃO - Anoitecia e com a suspensão do fornecimento de energia elétrica. As sombras ocupavam seus espaços, cada vez maior a escuridão. De repente na parede oposta passou a rolar uma cena da comédia em um ato A família e a Festa na Roça (1840), de Martins Pena, quando personagem Juca sapecou: Se sabem que temos só por fortuna um coração amante e sincero, e quanto baste para viverem duas pessoas honestamente, mas sem luxo, adeus, minhas encomendas. Leva tudo o diabo. Batem com as janelas na cara, voltam as costas, não respondem... Ao final da encenação uma voz reiterou: Realmente, estamos fritos! É caso perdido. Procurei nos quatro cantos, era ela sentada como Sarah Bernhardt: A vida engendra vida. Energia cria energia. É gastando-se que se enriquece. Levantou-se e deixou escorrer a cortina na qual estava enrolada e caminhou nua até mim, recitando um poema de Alda Merini: Se eu repouso, no lento devir / dos olhos, me detenho / ao excesso feliz das cores: / aqui não temo mais fugas ou fantasias / mas a "penetração" me anula. / Amo as cores, tempos de um desejo / inquieto, irresolúvel, vital, / explicação humilde e soberana / dos cósmicos "por quês" do meu fôlego. / A luz me impele, mas a cor / me atenua, pregando a impotência / do corpo, belo mas ainda tão terreno. / E é pela cor a que me dou / que de repente me lembro do meu aspecto / e, assim, do meu limite. E com um beijo ela em mim ficou por todas as horas vindouras de nossa afogueada paixão.

 


OS TERRORES DA HORA & OS HORRORES HUMANOS - Imagem da série Helena (2019), do fotógrafo e professor/orientador, Marcelo Greco – No meio da madrugada ela despertou e me assustei com sua desolação. Entre lágrimas, debruçada na cama e sem cobertas, narrou: Era a madrugada de 19 para 20 de agosto de 1971. Cerco montado, ela foi levada para o Quartel do Barbalho e, depois, para a Base Aérea de Salvador... Liberada no início de novembro, estava profundamente debilitada em consequência das torturas sofridas. Internada na clínica Almepe, em Salvador, no dia 4 de novembro. O estado se agravou com a invasão do major Nilton de Albuquerque Cerqueira ao seu quarto de hospital. Na presença da sua mãe, ele ameaçou que parasse com suas frescuras, senão voltaria para o lugar que sabia bem qual era. Ela foi transferida para o sanatório Bahia e morreu em 14 de novembro, com sintomas de cegueira e asfixia. Ela tinha acabado de completar 17 anos quando foi presa. Fazia o curso secundário e trabalhava como bancária na época em que passou para a militância. No seu prontuário, constava que não comia, via pessoas dentro do quarto, sempre homens, soldados, e repetia incessantemente que ia morrer, que estava ficando roxa. A causa da morte nunca foi conhecida. O atestado de óbito diz: edema cerebral a esclarecer. Um ano depois sua mãe Esmeraldina Carvalho Cunha, que denunciou incessantemente a morte da filha como consequências das torturas, foi encontrada morta em sua casa. Fez um silêncio tumular e sem se mexer por alguns instantes. Depois de algum tempo imóvel, virou-se e me disse: Sim, hoje sou Nilda: Nilda Carvalho Cunha (1954-1971), outra entre as filhas da dor: Izabel, Iara, Rose, Heleny, Marilena, Helena, Labibe e Alceri. E me abraçou como nunca, carne trêmula, dores demais. Ao meu ouvido, ela era Malala Yousafzai: Falo não por mim mas por aqueles sem voz... aqueles que lutaram por seus direitos... Seu direito de viver em paz, seu direito de ser tratado com dignidade, seu direito à igualdade de oportunidade, o seu direito de ser educado. E me empurrou para que deitasse sobre mim e lábios rentes aos meus, mencionou uma célebre frase do escritor panamenho Ricardo Miró (1883-1940): O país é a memória… Pedaços de vida envolto em pedaços de amor ou dor; a palma farfalhando, música conhecida, o jardim e sem flores, sem folhas, sem vegetação. Oh tão pequena que você caber toda todo país sob a sombra da nossa bandeira: talvez você era tão jovem para que eu pudesse tomar em toda parte dentro do coração! E com um abraço firme e requisitante se entregou de corpo e alma para que eu pudesse usufruir da glória que é viver contemplado pelo amor de quem ama e é amada. Até mais ver.

 

TEATRO DE AMADORES DE PERNAMBUCO (TAP)

Criado em 1941, por Valdemar de Oliveira, o TAP reúne atores ao redor de um teatro de cultura que passou por diversas fases: a primeira, entre 1941-47, correspondentes aos anos de aprendizagem; a segundam, de 1948-58, concernente à renovação da cena; de 1959-1965, compreendendo a consolidação da cena; de 1966-1976, a ordenação do passado; e a partir de 1977, a cena refletida, montando espetáculos, entre eles, Um sábado em 30, de Luiz Marinho, em 1963. Hoje sediado no Teatro Valdemar de Oliveira, na Boa Vista Recife, apresentou ultimamente o espetáculo virtual E assim caminha a terceira idade, de Amanda Moraes, com atuação de Geninha da Rosa Borges. Veja mais aqui e aqui.


 


sexta-feira, novembro 08, 2019

MALALA YOUSAFZAI, MARIELLE FRANCO, MICHELINY VERUNSCHK, SILVANA GUIMARÃES & ANNA DUTRA


CARTA DE NOVEMBRO - Esta carta é um canto. Sim, um canto porque o amor não envelheceu, nunca envelhecerá. Por isso canto, choro e escrevo. Sim, uma carta, um canto de despertamento porque este planeta não é a cloaca de Pandora. Não foi, nem nunca será. Sim, se fizemos o pior ao longo de milênios, nada mais que guerras e bombas, preações e interditos, mandonismo e ludíbrio, tudo para deteriorar o presente e nos meter, a nós e aos que virão, numa desgraça irresponsável e rediviva, tudo em nome de uma ganância insaciável, podemos escrever e cantar diferente, a diferença nos completa. E se no dia da escolha não amanheceu, a fria e sinistra madrugada avançou quarenta graus de calor em ebulição num sonambulismo excludente. Por isso mesmo, cantar e escrever. Sim, uma carta e um canto de chorar, lavar a alma de quem derrotado não perdeu a esperança com as pedradas nas vidraças e telhados, os tempos são outros. Cantar e chorar e escrever no meio das feridas e despojos de quem é indifuso, branqueiro, pretano, ou brasindibrapreiro, indipretanês, isso de norte a sul, leste ou oeste deste Brasilzão arrevirado e de porteira escancarada e no mundo inteiro. Sim, eu choro meus antepassados e as filhas das dores de ontem e hoje, e não sei qual a História escrevemos agora, o que será de mim e de todos nós daqui em diante. Há uma granada acesa no peito em cada fala e tudo retarda como se fosse voltas que valessem mordidas no pescoço e nos bolsos alheios por Savonarolas de plantão erguidos pelos que se acham melhores porque escolhidos, e falam Halloween para raspar a terra de Sacis, Cumades Fulôsinhas e Pernas Cabeludas, como se tudo nosso fosse feito para ser enterrado vivo e sem nenhum direito, mesmo que se grite por Direitos Humanos e esteja em vigência uma Carta Cidadã, nada disso vale para quem olvida tudo em nome de um deus apócrifo, vingativo e encolerizado, em nome de uma soberba estrangeira que não nos reconhece nem sequer respeita o que somos ou deixamos de ser! Um reino de vulgaridade insultante, vale tudo: o umbigocentrismo e a desonestidade dos veículos de comunicação de massa, das caravanas de subornados que enlameiam tudo com a grotesca fúria de coisonarios que sequer consideram o vexame de netos e bisnetos nas lições da escola dagora e daqui umas décadas e séculos futuros, na farra de ministros de cortes e governos, deputados, senadores, gestores e fascínoras que nos dizem não, entreguistas de nossas vidas, nosso chão, nossa dignidade e toda a nossa vida atormentada. Até os inúteis se aproveitam como feras ofendidas e desesperadas, ninguém tem vergonha com suas migalhas de paixões efêmeras e muito medo de nada, escravos seculares que vertem sangue por cédulas e moedas, todos somente barrigas e olhos, apenas se arranjam como podem e dão graças aos céus pelos otários que enganaram, sabidos de si, para se fartarem felizes dilapidando patrimônios por alguns segundos, enquanto se esbatem furiosos para nem lembrarem da culpa, já apodrecidos pela vileza, nem um pingo de arrependimento. Sim, eu choro com as filhas das dores de sempre, que foram e são as Burrinhas de Padre, as doutrinadas peregrinas de pastores desalmados, as virgens de líderes religiosos abastados e hipócritas, as escalpeladas pelas aspas do crime passional rotineiro e impune, as traficadas no jogo do poder-prazer para lá e para cá da escravidão que nunca foi abolida dos calcanhares consumistas que pisoteiam entre gases e lágrimas. Choro pelas crianças sem futuro, pelos deserdados que não sabem o que fazer, pelos que envelheceram expostos ao frio e a indiferença. Sim, eu choro por Marielle Franco porque a dor dela é minha, a morte dela é a minha morte e de todos nós e de todos os direitos, porque até as estrelas gritam por socorro, apavoradas, são humanos e eu me recuso a sorrir nesta carta e neste canto, a indignação nos humaniza e descoisifica a vida. Algo precisa ser feito! E para isso eu escrevo esta carta e canto este canto. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] configuram uma ocupação de regulação pelo Estado em territórios antes regulados pelos grupos criminosos armados, principalmente pelo varejo do tráfico armado. A denominação atual, portanto, demonstra a carga ideológica para manutenção dos elementos fundamentais da política hegemônica, pois se centraliza na ação da polícia e usa o recurso ideológico da apelação pela paz. O que está em questão é que a polícia, com a abordagem que predominou, não se firma apenas como uma das atividades do Estado, mas acaba por ganhar um local estratégico nesse processo de ocupação territorial. O que ocorre é uma propaganda geral pela paz, na qual a polícia, e não a política, ocupa lugar central. Esse é mais um dos sintomas do predomínio de uma política de segurança sustentada na militarização. É nesse sentido que se pode afirmar que há uma proposição aparentemente utópica, que assume caráter profundamente ideológico. Não se trata de algo que adota um rumo contrário à lógica e ao modelo imposto até o momento; ainda que possua fissuras diferenciadas, não consegue romper com o modelo já em curso. A abordagem das incursões policiais nas favelas é substituída pela ocupação do território. Mas tal ocupação não é do conjunto do Estado, com direitos, serviços, investimentos, e muito menos com instrumentos de participação. A ocupação é policial, com a caracterização militarista que predomina na polícia do Brasil. Está justamente aí o predomínio da política já em curso, pois o que é reforçado mais uma vez é uma investida aos pobres, com repressão e punição. Ou seja, ainda que se tenha um elemento pontual de diferença, alterando as incursões pela ocupação, tal especificidade não se constituiu como uma política que se diferencie significativamente da atual relação do Estado com as favelas. Importa ressaltar ainda a questão da formação dos policiais. [...]. Trecho extraído da dissertação de mestrado com a temática UPP – a redução da favela a três letras: uma análise da política de segurança pública do estado do Rio de Janeiro (UFF, 2014), defendida pela socióloga, ativista feminista e defensora dos direitos humanos, Marielle Franco (1979-2018), na sua luta pelos direitos do cidadão na denúncia da violência, dos abusos policiais e da falta de recursos nas comunidades mais carentes da cidade. Eleita vereadora do Rio de Janeiro em 2016, ela foi assassinada no dia 14 de março de 2018, juntamente com o motorista, Anderson Gomes. Entre os seus questionamentos estão: O que é ser mulher? O que cada uma de nós já deixou de fazer ou fez com algum nível de dificuldade pela identidade de gênero, pelo fato de ser mulher? A pergunta não é retórica, ela é objetiva, é para refletirmos no dia a dia, no passo a passo de todas as mulheres, no conjunto da maioria da população, como se costuma falar, que infelizmente é subrepresentada. Quantos mais vão precisar morrer para que essa guerra aos pobres acabe?

A POESIA SILVANA GUIMARÃES
sangrar o amor em nome do ódio numa emboscada
machista racista escravocrata - atalhar uma vida –
sofrer com o trabalho forçado no tribunal da memória
cochilar sobre arames farpados nunca mais dormir
conviver com minhas faces tremulando nos jornais
- estandartes da esperança renovada ad infinitum –
suportar meu corpo tomando posse de outros corpos
agigantando-se neles à cata de tolerância & justiça
: agora sou uma flor negra & altiva que a morte
regenerou e transmigrou em inúmeros pássaros
pólen néctar colibri minhas palavras espalham-se
ao vento e esse ardor você não pode emudecer
Revoada, poema da poeta e editora da revista Germina & do site Escritores Suicidas, Silvana Guimarães.
&
A POESIA DE MICHELINY VERUNSCHK
uma mulher descerá o morro
como se descesse de uma estrela
uma mulher seus olhos iluminados
suas mãos pulsando vida e luta
sob seus pés a velha serpente
[a baba as armas a covardia de sempre].
uma mulher descerá o morro
as inúmeras escadarias do morro
os muros arames que separam o morro
e pisará o chão desse país sem nome
desse país que ainda não existe
desse país que interminavelmente não há
uma mulher descerá o morro
tempestade é o vestido que ela veste
uma mulher descerá o morro
e ainda que seu sangue caia
ferida incessante no asfalto do Estácio
e ainda que anunciem sua morte
[e sim, ainda que a comemorem]
esta mulher ninguém poderá parar
Poema da poeta e historiadora Micheliny Verunschk, a mestre em Literatura e Crítica Literária, doutora em Comunicação e Semiótica e doutoranda em Letras pela PUC-SP. Veja mais aqui, aqui & aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Acredito que somos uma comunidade e que devemos cuidar uns dos outros.
MALALA YOUSAFZAI - A arte da ativista paquistanesa Malala Yousafzai, em homenagem à vereadora e socióloga assassinada, Marielle Franco, durante sua visita à Rede NAMI, em 2018, organização que usa a arte urbana para promover os direitos das mulheres. Malala é conhecida pela defesa dos direitos humanos das mulheres e do acesso à educação na sua região natal do vale do Swat, na província de Khyber Pakhtunkhawa, no nordeste do Paquistão, onde os talibãs locais impedem as jovens de frequentar a escola. Ela foi a ganhadora do Nobel da Paz de 2014. Veja mais aquiaqui.

ANNA & SEU BLOG
VIDA: Uns vivem a vida perene / Como se perdida e malsã / Outros, a vida que finda / Como se uma ininterrupta manhã / De uma e d’outra / Colhemos o sal / Numa e noutra / Plantamos as graças / Do encontro / O Amor / Esse Encanto / Essa Flor / À mão ofertada / À fronte beijada
Sou a Anna. Tento trazer informação e experiência a pessoas que buscam fortalecimento emocional e acolhimento. Alguma ajuda para trasmutarem emoções e pensamentos limitantes. Espero que encontrem, em si mesmas, as forças e virtudes para a construção de uma vida próspera e significativa. Mais que tudo, este é um espaço de ganhos: na troca, para me tornar uma pessoa melhor e na superação, para construir uma jornada ascendente e de círculos virtuosos.
ANNA & SEU BLOG – Blog da pedagoga, gestora de empresas, consultora organizacional e de desenvolvimento humano, artesã e reikiana Anna Dutra, especialista em Gestão do Conhecimento pela Coppe/UFRJ, personal e professional coach, leader coach, career & Positive Coach pela Sociedade Brasileira de Coaching (SBC) e designer thinking pela Escola de Design Thinking ECHOS. Ela também é facilitadora de Jornadas Transpessoais e de Processos de Mudança, cujos objetivos são despertamento, autocura e florescimento humano, além de ser idealizadora e facilitadora dos programas Vir a ser, Construindo Pontes Juntos e Flores em Você, todos de base Positiva e Transpessoal, com abordagem multidisciplinar e integrativa.
 

ANNA LEMBKE, RIN USAMI, BIRHAN KESKIN, ANTÔNIO MARIA & YAYOI KUSAMA

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Cambalhotas & as coisas nunca davam certas... - Zé Lua vivia por aí, todo acanhado sob a aba do boné, ...