
RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais s com o compositor alemão Carl
Orff e a sua cantata Carmina
Burana & Streetsong; a violinista britânica Chloë Hanslip
interpretando Mozart, Cinema Paradiso de Ennio Morricone & Fantasy de Franz
Waxman; o pianista Nelson
Freire interpretando obras de
Villa-Lobos & Debussy In Recital; e da
pianista e maestro japonesa Mitsuko Uchida interpretando estudo de
Debussy & concerto de Beethoven. Para conferir é só ligar o som e
curtir.
PENSAMENTO DO DIA – [...] Quando se
cultiva até o máximo os princípios de sua natureza e assim se procura
exercitá-los segundo o princípio de reciprocidade, não se está longe do
caminho. Não façais aos outros aquilo que não quereis que vos façam. [...].
Trecho do Elogio da vida na dourada mediania: a doutina do meio, extraída da
obra O pensamento vivo de Confúcio (Martins,
1967), reunindo os quatro livros clássicos e os cinco livros sagrados do
filósofo chinês Confúcio (551 a.C. - 479 a.C). Veja mais aqui e aqui.
ESCRAVIDÃO & ABOLIÇÃO - Grande é o
coração, pura e sublime é a alma de um povo humanitário, que se revolta
indignado contra a praga maldita chamada escravidão. Ontem, esta palavra horrenda,
abominável e ignominiosa, esta degradante e tremenda maldição se ostenta cheia
de caprichos sobre as cabeças uns míseros infelizes, que viviam espalhados em
todo o Brasul. Hoje, porém, a providencia divina tem protegido a causa destes
desgraçados. [...] Tudo caminha e a
liberdade não pode estacionar. Por ventura não são os escravos os nossos
irmãos, e por que haveremos de consolar as suas aflições, quebrando os ferros
tremendos em que se acham agrilhoados? Ah! É duro viverem estes míseros
escravos, sem luz, sem amo, sem proteção, submergidos nas trevas profundíssimas
da ignorância, chorando amargamente a sua desgraça dos seus filhinhos. Avante democratas
e abolicionista. Avante republicanos corajosos. A estrada do processo é muito
lnga, caminhai e será completo o vosso triunfo, uma vez que pelejais em prol de
uma causa santa, de uma missão honrosa e sublime, que é arrancar das mãos
impuras e sanguinolentas dos escravocratas o punhal e o chicote com que
retalham as carnes de seus próprios irmãos. Texto da abolicionista Ignez de Almeida Pessoa (Penumbras,
1892), extraído da obra Suaves amazonas:
mulheres e abolição da escravatura no Nordeste (UFPE, 1999), organizado por
Luzilá Gonçalves Ferreira, Ivia Alves, Nancy Rita Fontes, Luciana Salgues, Iris
Vasconcelos e Silvana Vieira de Souza. Veja mais aqui, aqui e aqui.
BELÉM DE MARIA – O território do município era encravado ao de Bonito e
teve sua divisão administrativa ocorrida no ano de 1933, quando o distrito
criado por Lei municipal de 18 de setembro de 1930, passando a ser distrito de
Catende, desmembrado de Palmares e Bonito. Belem de Maria foi constituído em município
autônomo pela Lei estadual 3340, de 31 de dezembro de 1958, com território
desmembrado dos municípios de Catende e São Joaquim do Monte, sendo instalado
em 03 de maio de 1962. Administrativamente é formado pelos distritos sede e
Batateira, anualmente no dia 31 de zembro comemora a sua emancipação política,
em conformidade com a Enciclopedia dos municípios do interior de Pernambuco
(FIAM/DI, 1986). Veja mais aqui.
MULHERES NO MUNDO - [...] o sujeito
ideológico elabora um discurso que evidencia os papeis sociais desempenhos pelo
homem e pela mulher, delimitando os valores e os comportamentos de cada um, os
quais refletem valores e comportamentos nutridos em nossa sociedade. Apesar de
muitas concepções de mundo terem sido modificadas e hoje nos deparamos com
novos conceitos veiculados pelos meios de comunicação de um modo geral, ainda é
prodominante a ideologia machista que define a mulher como um “ser doméstico”,
que vive em prol da casa, dos filhos e do marido, isentando-se de uma vida
cultural que é exterior ao domicilio familiar, porque todas as personagens
femininas e adultas [...] são donas
de casa ou são empregadas domésticas (com uma única exceção – a professora), e
se apresentam, na grande maioria das histórias, usando avental, lenço e
instrumentos de trabalho; em contrapartida, raramente aparecem se divertindo e
nunca exercem qualquer atividade esportiva, cultural ou intelectual. [...].
Trecho do texto No discurso da história
em quadrinho: uma revelação do preconceito no estereotipo da figura feminina,
de Rosemary Evaristo Barbosa,
extraído da obra Mulheres no mundo: etnia, marginalidade e diáspora
(Ideia/Universitária, 2005), organizado por Nadilza Martins de Barros Moreira e
Liane Schneider. Veja mais aqui.
CLARINHA DE ARNALDO TOBIAS
CAPÍTULO 1 – Acompanhei
a sua roupa crescendo no varal. Do meu quintal eu assistia a esse espetáculo
sob o sol e ventos. A anágua azul e a calcinha de rendas e flores bordando
setembro e a primavera. Do seu quintal ela olhando para mim com a indiferença
de ontem. A menina crescendo não sabia que eu escrevia poemas para ela e os
guardava dentro de livros com pétalas de rosas vermelhas. CAPÍTULO 2 – A menina
se fez moça e a roupa diminuiu no espço do corpo. A blusina curta mostrando o
umbigo vertical com a covinha. Não vi mais anáguas azuis no varal. A sainha ou
o vestido no meio das coxas róseas. Clarinha já tinha abolido o sutiã e o
decote desceu oferecendo pretensamente o vértice dos seios. Um dia a surpresa
foi tamanha que me invadiu o peito. Fui convidado de palavra para o seu
aniversário de quinze anos. Senti o seu hálito tão perto que me subiu um calor
no rosto e ela deve ter notado a minha emoção tímida. Prometi ir à festa e fu
comprar uma camisa de cetim e um sapato social. Na festa (sem champanhe e de
poucas pessoas). Clarinha confessou sua paixão por mim desde os nove anos. A paixão
cegava os sonhos e desejos perturbáveis. O pecado consentido. Disse: Mas Clarinha,
eu tenho exatamente quarenta anos. Vinte e cinco mais da sua idade. Disse-lhe:
Para mim você é jovem e tão latente como o sol nascente. Respondeu-me com
metáfora. CAPÍTULO 3 – Quando nos casamos no mesmo ano (sem véu e grinalda) a
festa foi simples como a festa dos seus quinze anos. Clarinha não acompanhou
minha idade avançando. Depois de quinze anos, ela ficou a balzaquiana mais bela
do mundo e eu sessentão acometido de fortes dores na uretra. Tive de um dia
submeter-me a uma inadiável cirurgia (que me impediu de fazer um filho em
Clarinha) na impotencialidade sexual. Então o urologista arrancou-me a castanha
da próstata deixando lá no fundo um carncer me matando de sofrimentos. Clarinha
escusando-se dos meus tratos e asseios. Esquencendo o meu remédio na farmácia. Hoje
a acompanho com resignação e tristeza vendo-a ter filhos com o jardinero. Pago muito
bem ao rapaz para ele trazer rosas vermelhas e fazer Clarinha feliz.
Satisfeita.
Conto do
escritor Arnaldo Tobias (1939-2002),
extraído da Panorâmica do conto em Pernambuco (Escrituras, 2007), organziado
por Antonio Campos e Cyl Gallindo. (Imagem: arte do artista plástico e visual estadunidense Jim Peters). Veja mais aqui.
Veja mais:
&
A ARTE DE JIM
PETERS
A arte do
artista plástico e visual estadunidense Jim
Peters.