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quinta-feira, novembro 05, 2020

ALDA MERINI, RICARDO MIRÓ, ISAIAH BERLIN, MARCELO GRECO & TEATRO DE AMADORES DE PERNAMBUCO


  

TRÍPTICO DQC: BLUE GERSHWIN – Curtindo o Piano Concerto in F major (1925), de George Gershwin, com o piano de Yuja Wang & London Symphony Orchestra (2016) – O dia amanhece na janela para celebração da vida. O escarcéu do mundo no povo em polvorosa, nem se dá conta das estatísticas assustadoras, olvidam do genocídio e tudo como se nada acontecesse. Soletro um poema: Agonizo devagar. Não tenho nada a dizer, nada, absoluta catarse. Os meus pedaços se perderam de mim no labirinto da sobriedade de Cage. Devotei meu olhar a reinventar o muro à cabeça. Criei meu tautócrono com meus versos abstrusos. A loucura me cerca, comunhão. Ah! Meu tormento Van Gogh, minha solidão Almafuerte, sempre instigado pela descrença na frivolidade das coisas. Mal terminara de balbuciar meus versos, recepciono a imagem do filósofo letão Isaiah Berlin (1909-1997): Estamos condenados a escolher e toda escolha pode acarretar uma perda irreparável. Tal como aparecera, a sua efígie vai se apagando como se se dissolvesse aos raios solares. Contemplo o horizonte, a vida é a tônica em todos os lugares, ainda é possível viver.

 


A CENA NA COMPLETA ESCURIDÃO - Anoitecia e com a suspensão do fornecimento de energia elétrica. As sombras ocupavam seus espaços, cada vez maior a escuridão. De repente na parede oposta passou a rolar uma cena da comédia em um ato A família e a Festa na Roça (1840), de Martins Pena, quando personagem Juca sapecou: Se sabem que temos só por fortuna um coração amante e sincero, e quanto baste para viverem duas pessoas honestamente, mas sem luxo, adeus, minhas encomendas. Leva tudo o diabo. Batem com as janelas na cara, voltam as costas, não respondem... Ao final da encenação uma voz reiterou: Realmente, estamos fritos! É caso perdido. Procurei nos quatro cantos, era ela sentada como Sarah Bernhardt: A vida engendra vida. Energia cria energia. É gastando-se que se enriquece. Levantou-se e deixou escorrer a cortina na qual estava enrolada e caminhou nua até mim, recitando um poema de Alda Merini: Se eu repouso, no lento devir / dos olhos, me detenho / ao excesso feliz das cores: / aqui não temo mais fugas ou fantasias / mas a "penetração" me anula. / Amo as cores, tempos de um desejo / inquieto, irresolúvel, vital, / explicação humilde e soberana / dos cósmicos "por quês" do meu fôlego. / A luz me impele, mas a cor / me atenua, pregando a impotência / do corpo, belo mas ainda tão terreno. / E é pela cor a que me dou / que de repente me lembro do meu aspecto / e, assim, do meu limite. E com um beijo ela em mim ficou por todas as horas vindouras de nossa afogueada paixão.

 


OS TERRORES DA HORA & OS HORRORES HUMANOS - Imagem da série Helena (2019), do fotógrafo e professor/orientador, Marcelo Greco – No meio da madrugada ela despertou e me assustei com sua desolação. Entre lágrimas, debruçada na cama e sem cobertas, narrou: Era a madrugada de 19 para 20 de agosto de 1971. Cerco montado, ela foi levada para o Quartel do Barbalho e, depois, para a Base Aérea de Salvador... Liberada no início de novembro, estava profundamente debilitada em consequência das torturas sofridas. Internada na clínica Almepe, em Salvador, no dia 4 de novembro. O estado se agravou com a invasão do major Nilton de Albuquerque Cerqueira ao seu quarto de hospital. Na presença da sua mãe, ele ameaçou que parasse com suas frescuras, senão voltaria para o lugar que sabia bem qual era. Ela foi transferida para o sanatório Bahia e morreu em 14 de novembro, com sintomas de cegueira e asfixia. Ela tinha acabado de completar 17 anos quando foi presa. Fazia o curso secundário e trabalhava como bancária na época em que passou para a militância. No seu prontuário, constava que não comia, via pessoas dentro do quarto, sempre homens, soldados, e repetia incessantemente que ia morrer, que estava ficando roxa. A causa da morte nunca foi conhecida. O atestado de óbito diz: edema cerebral a esclarecer. Um ano depois sua mãe Esmeraldina Carvalho Cunha, que denunciou incessantemente a morte da filha como consequências das torturas, foi encontrada morta em sua casa. Fez um silêncio tumular e sem se mexer por alguns instantes. Depois de algum tempo imóvel, virou-se e me disse: Sim, hoje sou Nilda: Nilda Carvalho Cunha (1954-1971), outra entre as filhas da dor: Izabel, Iara, Rose, Heleny, Marilena, Helena, Labibe e Alceri. E me abraçou como nunca, carne trêmula, dores demais. Ao meu ouvido, ela era Malala Yousafzai: Falo não por mim mas por aqueles sem voz... aqueles que lutaram por seus direitos... Seu direito de viver em paz, seu direito de ser tratado com dignidade, seu direito à igualdade de oportunidade, o seu direito de ser educado. E me empurrou para que deitasse sobre mim e lábios rentes aos meus, mencionou uma célebre frase do escritor panamenho Ricardo Miró (1883-1940): O país é a memória… Pedaços de vida envolto em pedaços de amor ou dor; a palma farfalhando, música conhecida, o jardim e sem flores, sem folhas, sem vegetação. Oh tão pequena que você caber toda todo país sob a sombra da nossa bandeira: talvez você era tão jovem para que eu pudesse tomar em toda parte dentro do coração! E com um abraço firme e requisitante se entregou de corpo e alma para que eu pudesse usufruir da glória que é viver contemplado pelo amor de quem ama e é amada. Até mais ver.

 

TEATRO DE AMADORES DE PERNAMBUCO (TAP)

Criado em 1941, por Valdemar de Oliveira, o TAP reúne atores ao redor de um teatro de cultura que passou por diversas fases: a primeira, entre 1941-47, correspondentes aos anos de aprendizagem; a segundam, de 1948-58, concernente à renovação da cena; de 1959-1965, compreendendo a consolidação da cena; de 1966-1976, a ordenação do passado; e a partir de 1977, a cena refletida, montando espetáculos, entre eles, Um sábado em 30, de Luiz Marinho, em 1963. Hoje sediado no Teatro Valdemar de Oliveira, na Boa Vista Recife, apresentou ultimamente o espetáculo virtual E assim caminha a terceira idade, de Amanda Moraes, com atuação de Geninha da Rosa Borges. Veja mais aqui e aqui.


 


quinta-feira, agosto 16, 2018

BUKOWSKI, LAFORGUE, MORIN, YUJA WANG, CAILLOIS, MARIA FLOR, MPB & ROBIMAGAIVER


CULPA NO CARTÓRIO - Imagem: arte postal Maria Flor. - O que foi que eu fiz? Você sabe! Não sei! Sabe! Já disse que não sei! Fora. Por quê? Fez uma, fará todas! Eu? Fora! Danou-se. Robimagaiver tanto fez, mas daquela não conseguiu escapar. Não adiantou confabular, provar por a mais b, pagar todos os patos, reconhecer todas as incertas e recorrentes, sacolejar dum lado pro outro, clamar por todos os santos e a piedade de Deus, implorar de joelhos, chorar todas as pitangas, botar a bunda de fora e espremer-se todo, nada, ela inexorável. Fora, já! Admitiu falhas, reconheceu deslizes, prometeu nunca mais como antes, agora um novo sujeito, arrependido e refeito, jurou pela alma dele, da mãe dele, dos filhos dele, dela mesma e de todo mundo, nada. Fora! Usou da persuasão, contudo, quanto mais argumentava, mais empiorava. Tentou, então, extorquir: Pensei em presentear um vestido novo. Fora! Tentou ganhar tempo, estalou os dedos e parecia mais articulando as sinapses neuronais que restavam ao movimento das mãos, como um metrônomo, para nada sair do controle. Fora! Pode perguntar a fulano, sicrano, beltrano, todos testemunharão, não fui eu! Chispa daqui, fora! Mas... Mas, nada, não adianta recorrer a quem quer que seja, nem recursar em quantas instâncias judiciais existirem, fora! Eita, essa mulher está virada mesmo! Fora! E agora, véio? Apelou: Mas não fui eu, juro! Fora! Agora deu! Não adiantou. Não haveria quem tirasse ele da forca: Nem Jesus descendo dos céus e dizendo que não foi você, não acredito, fora! Respirou fundo, tentou raciocinar, precisava da lábia agora mais do que nunca, porém nada do que dissesse removia a intransigência. Estava ferrado mesmo. Sentiu: já vai tarde, mané! Realmente não fora ele, fora outra pessoa, mas como ele é reincidente, ficou sendo ele mesmo, tanto pra ela, como pela pecha das más línguas. O apurado só se deu quase duas semanas depois quanto ele já estava arranchado na casa do compadre Zé-Corninho, usando e abusando nas intimidades do lençol com a comadre de então. Vixe que danada quente medonha, por isso que o Corninho não dá vencimento. E tome, bota e tira. Aí: Que é isso Roberto? Outro flagra. Ele avexado, saiu de lado, aos gritos: Não fui eu, ela que queria me agarrar! Mas você não toma mesmo jeito, né, rapaz? Não fui eu. Basta um cochilo, espaçozinho qualquer e você cai na esparrela de novo. Não fui eu, já disse. Vamos. Pra onde? Pra casa! Agora não quero mais ir não. Vai. Não vou. Vai. Não vou. Você vai, cabra safado! Vou não! Foi puxado pelas orelhas rua afora. Maior humilhação e mangações. Escapou fedendo. Pronto. O que foi mesmo que ele fez? Quem sabe! Se é Robimagaiver, tem culpa no cartório. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música da belíssima pianista chinesa Yuja Wang: Concert piano F major Gershwin, Concert piano nº 2 C minor Rachmaninoff, Concert nº 1 Tchaikowsky & Rapsody in blue Gershwin & muito mais nos mais de 2 milhões & 500 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui, aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] A cultura de massa integra e se integra ao mesmo tempo numa realidade policultural; faz-se conter controlar, censurar (pelo Estado, pela Igreja) e, simultaneamente, tende a corroer, a desagregar outras culturas. A esse título, ela não é absolutamente autônoma: ela pode embeber-se de cultura nacional, religiosa ou humanista e, por sua vez, ela embebe as culturas nacional, religiosa ou humanista. [...] Um verdadeiro cracking analítico transforma os produtos naturais em produtos culturais homogeneizados para o consumo maciço. Em outras palavras, certos temas folclóricos privilegiados são mais ou menos desintegrados a fim de serem mais ou menos integrados no novo grande sincretismo. [...] Uma cultura constitui uma espécie de sistema neurogevegetativo que irriga, segundo seus entrelaçamentos, a vida real do imaginário, e o imaginário da vida real. [...] A cultura de massa não faz outra coisa senão “mobiliar o lazer” (através dos espetáculos, das competições, da televisão, do rádio, da leitura de jornais e revistas); ela orienta a busca da saúde individual durante o lazer, e, ainda mais, ela acultura o lazer que se torna estilo de vida. [...] Trechos recolhidos da obra Cultura de massas no século XX: neurose (Forense Universitária, 1977), do antropólogo, sociólogo e filósofo francês Edgar Morin. Veja mais aqui.

A VIDA & A TEORIA DA FESTA – [...] À vida regular, ocupada pelos trabalhos cotidianos, tranquila, encerrada em um sistema de interditos, repleta de precauções, em que a máxima quieta no movere mantém a ordem do mundo, opõe-se a efervescência da festa. [...] Na vida ordinária, como visto, o sagrado quase exclusivamente se manifesta por interditos. Ele se define como o “reservado”, o “separado”. É colocado fora do uso comum, protegido por proibições destinadas a prevenir qualquer atentado à ordem do mundo, todo risco de destruí-lo e de nele introduzir algum agente perturbador, aparecendo, então, como em essência negativo. Este é um dos caracteres fundamentais que com maior frequência foi reconhecido na interdição ritual. [...] Mesmo a sanidade do corpo humano exige dele a evacuação regular de suas “sujeiras”, urina e excrementos, e, no caso da mulher, do sangue menstrual. A velhice contudo acaba por enfraquecê-lo e paralisá-lo. Do mesmo modo a natureza, a cada ano, passa por um ciclo de crescimento e de declínio. [...] A fecundidade nasce do exagero. À orgia sexual, a festa acrescenta a ingestão monstruosa de alimentos e bebidas. [...] Cada um deve se empanturrar até o limite do possível, se encher como um odre distendido. [...] Da mesma maneira, aos gestos regrados do trabalho, que garantem as subsistências, se opõe a agitação frenética da festividade que as dilapida. A festa não comporta somente desregramentos de consumo, da boca e do sexo, mas também desregramentos de expressão, do verbo ou do gesto. Gritos, ofensas, injúrias, trocas de ditos grosseiros, obscenos ou sacrílegos, entre um público e um cortejo que o atravessa [...] Os movimentos não ficam atrás: mímicas eróticas, gesticulações violentas, lutas simuladas ou reais. [...] Atos interditos e atos excessivos não se mostram suficientes para marcar a diferença entre o período do desencadeamento e o da regra. A eles são acrescidos atos ao revés, pelos quais as pessoas se esforçam por se conduzir de maneira exatamente contrária ao comportamento normal. A inversão de todas as relações parece a prova evidente do retorno do Caos, da época da lucidez e da confusão. [...] preciso então se perguntar qual fermentação de mesma grandeza libera os instintos do indivíduo reprimido pelas necessidades da existência organizada e, em concomitância, leva a uma efervescência coletiva de uma envergadura tão vasta. Parece assim que, desde a aparição dos Estados fortemente constituídos, e, ainda mais claramente, à medida que sua estrutura se afirma, a antiga alternância entre festança e labor, êxtase e domínio de si, que fazia renascer periodicamente a ordem do Caos, a riqueza da prodigalidade, a estabilidade do desencadeamento, foi substituída por uma alternância de uma outra ordem, mas que apresenta no mundo moderno, e apenas ela apresenta, volume e características correspondentes: aquela entre a paz e a guerra, aquela entre a prosperidade e a destruição dos resultados da prosperidade, aquela entre a tranquilidade regulamentada e a violência obrigatória. [...]. Trechos extraídos da obra O homem e o sagrado (70, 1988), do sociólogo, crítico literário e 1ensaísta francês Roger Caillois (1913-1978). Sobre a imagem fantástica ele expressa que [...] O reino das lendas é um universo estranho que o mundo acresce a ele próprio sem perguntar porquê e sem alargar o seu âmbito. O reino fantástico, pelo contrário, revela um escândalo, uma fenda, uma estranha ruptura, que seria intolerável no mundo real... temos que ter em mente que o fantástico não tem significado num mundo que é totalmente estranho. Num mundo de maravilhas, o extraordinário perde o seu poder [...], trecho extraído da obra Arte fantástica (Taschen, 2005), de Walter Schurian. Veja mais aqui.

AO SUL DE NENHUM LUGAR - [...] Falávamos sobre mulheres, espiávamos suas pernas ao saírem dos carros e as olhávamos pelas janelas à noite, na esperança de ver alguém fodendo, mas nunca víamos ninguém. Uma vez chegamos a pegar um casal na cama e o cara estava malhando a mulher e pensamos que agora veríamos algo, mas ela disse: – Não, não quero trepar essa noite! Então voltou-se de costas para ele, enquanto ele acendia um cigarro e nós partíamos em busca de outra janela. – Filho da puta, nenhuma mulher viraria as costas para mim! – Nem para mim. Que tipo de homem era aquele? [...] A minha era Rosalie. Rosalie tinha uma bunda grande e a balançava sem parar, cantando musiquinhas engraçadas e, enquanto caminhava tirando a roupa, falava sobre si mesma e ria. Era a única que realmente gostava do que fazia. Eu estava apaixonado por ela. Muitas vezes pensei em lhe escrever para dizer como ela era maravilhosa, mas, não sei por que, nunca escrevi. Certa tarde, estávamos esperando pelo táxi depois de um espetáculo, e lá estava a Mulher Tigre esperando por um também. Usava um vestido verde justo e nós ficamos ali parados, olhando para ela. [...] Pouco depois disso, comecei a perder o interesse naqueles domingos na Main Street. Suponho que a Follies e a Burbank ainda estejam lá. Claro, a Mulher Tigre e a stripper com asma e Rosalie, minha Rosalie, já se foram há muito tempo. Provavelmente mortas. A enorme e balançante bunda de Rosalie está provavelmente morta. E, quando estou na minha vizinhança, passo dirigindo em frente à casa em que vivia e vejo estranhos morando lá. Ainda assim, aqueles domingos eram bons, a maioria dos domingos eram bons, uma pequena luz na escuridão dos dias da depressão, quando nossos pais saíam pelas varandas, desempregados e impotentes, e olhavam-nos enquanto espancávamos uns aos outros pra valer e então voltavam para dentro e ficavam encarando as paredes, com medo de ligar o rádio por causa da conta de luz. [...] Trechos extraídos da obra Ao sul de nenhum lugar: histórias da vida subterrânea (L&PM, 2013), do escritor estadunidense nascido na Alemanha, Henry Charles Bukowski Jr (1920-1994). Veja mais aqui e aqui.

TRES POEMASJOGOS - Ah! a Lua, a Lua me assedia... / Acreditas que algo remedia? / Morto? Porque ela dorme assim seria, / Em clorofórmio cósmico, alvadia?/ Rosácea em tumular eflorescência / Da Basílica do Silêncio. / Persistes em tua atitude, / Eu me sufocando em solitude! / Sim, sim, tens o colo bem feito; / Mas se eu jamais ali me aleito?... / Mais uma tarde, e minhas berquinadas / Vão-se rir às bandeiras despregadas, / Dando ao meu platonismo um teor / De êxtase digno de pescador! / Salve Regina dos Lys! a que reina, / Quero te atravessar com as falenas! / Quero beijar a tua pátena triste, / (A travessa viúva da cabeça!) / De São João Batista! / Quero achar um lied! que te toca, / Faz que emigres para esta boca! / – Mas, nem mesmo mais rimas para a Lua... / Ah! que lamentável lacuna! / LAMENTO-PETIÇÃO DO FILHO FAUSTO - Se soubesses, mamãe Natura, / O quanto eu me adoro em teu tédio, / Me darias uma Bela pura, / Casta, que remédio! / Se soubesses, essa miuçalha, / Os sóis de Panurgo!, dirias, / Ora, deixe o nosso em migalhas, / Ao meio-dia. / Se soubesses, o quanto a Lista / De tuas matérias é meu forte. / Me farias contabilista, / Até a morte. / Se soubesses, as fantasias!/ Eu poderia ser o fermento, / Farias de mim o teu Sósia,/ Por um momento. SPLEEN - Tudo é tédio. Manhã. Olho pela janela. / No alto, risca-se o céu no giz da chuva fria. / Em baixo, a rua. Sob a cerração sombria / Vultos deslizam na água turva de barrela. / Olho sem ver (até meu cérebro regela) / Maquinalmente sobre o vidro que embacia / Meu dedo faz rabiscos de caligrafia. / Bah! Saiamos. Quem sabe, alguma coisa bela. / Nenhum livro. Perfis estúpidos. Ninguém. / Fiacres, lama, e ainda a chuva nos telhados… / Enfim a noite, o gás, volto com pés pesados… / Janto, bocejo, leio, nada me convém… / Bah! Dormir. – Meia noite. Uma. É sem remédio. / Só eu não durmo, só. E tudo é tédio. Poemas do poeta francês nascido no Uruguai Jules Laforgue (1860-1887). Veja mais aqui.

ALGUNS ASPECTOS DA MPB
O livro Alguns aspectos da MPB (E. Amaral da Silva, 2014), do escritor, letrista, produtor e pesquisador musical, Euclides Amaral, trata da música brasileira com um compasso brasileiro, a introdução poética e o choro de Paulo César Pinheiro, samba, choro, Hip Hop, Funk, introcitações, Jobim, MPB e cinema, Profissão poeta: Sérgio Natureza, os letristas e a herança provençal, Chico Buarque paratodos, a nova geração da MPB do século XXI, a contribuição estrangeira do século XVI ao XXI, entre outros assuntos.

AGENDA
O Festival Literário de Extrema (FLEX-MG), com o tema “Ser-Tão: Caminho sem fim”, acontece entre os dias 17 e 19 de agosto, com a realização da IV Mostra de Cinema, homenageando Guimarães Rosa e apresentando os escritores Antonio Torres, Fernanda Young, Carola Saavedra e Luiz Ruffato & muito mais na Agenda aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte postal Maria Flor.
Veja mais aqui.
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As trapalhadas de Robimagaiver aqui, aqui, aqui e aqui
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Arrelique & Ozi dos Palmares, Viagem ao Brasil de Jean de Léry, A era da incerteza de John Kenneth Galbraith, A poesia de José Maria Sales Pica-Pau, Violência da desigualdade, A criação artística e a dança, A mulher & o Bom Pastor aqui.


segunda-feira, dezembro 04, 2017

CARRERO GIL, REINA, YUJA WANG, ADELINA NISHIYAMA, DIOUF, BRASSE, SANHARÓ, LUCIAH LOPEZ, FOME & ALIMENTAÇÃO

A CIDADE MULHER AMADA – Imagem: arte da pintora e arquiteta Adelina Nishiyama. - Ainda é madrugada na hora incerta da minha insônia revelada e a cidade é uma mulher adormecida e mal coberta, deixando à mostra a sua sedução vulnerável na penumbra. Meus olhos no voo da imaginação se confudem com a cor da noite carregada de nuvens, a esconder a Lua cheia nos passos dos madrugadores ronceiros da sorte a perturbar meu sossego, seguem como eu sempre em busca do amor distante esperando a minha presença. O silêncio abafa opressivamente o deserto das aventuras pela luta da vida, e entre gretas e frestas, cadê o perfume amável das damas ofegantes e bem vistosas para alegria da minha perdição, todas dormem pro meu desconsolo, sequer sabem da minha ânsia de viver no fio da navalha, parido das bússolas e direções. Cem anos antes eu nasço do que sou na descoberta maravilhosa de viver com a idade no ventre materno de todas elas, enquanto sou órfão entre mestiços tropicais que esqueceram rumo e sequer guardam na lembrança quantos amanheceres sem esperança. No horizonte sinais da alvorada distante prestes a me refazer e eu já sinto o dia entre os dedos com os seus cheiros, sons e cor irrompendo no contorno das ruas até saber-me Sol tinindo nas costas queimando o tempo na equivalência mágica de viver entre pernas elegantemente torneadas no realce das saias que emergem como um pé de vento impetuoso a me darem noção da rua à beira do rio com seu verde úmido e a noção de que tudo é possível a partir de agora como sempre foi no meu coração atormentado pelas paixões. A cidade agora é uma mulher esbelta decotada entre os seios e coxas, altaneira estonteante, altiva e linda na manhã fria de dezembro, anunciando a desconfiança do recato na tarde quente e o calor na carestia da vida ao entardecer, a me dizer que tudo passa e sou apenas passageiro a desembarcar em cada ponto de parada para admirar o viço e dizer que volto já e de novo sempre. A cidade é o meu poema à mulher amada. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com Gilbertos – Samba ao vivo do cantor e compositor Gilberto Gil & a belíssima pianista chinesa Yuja Wang interpretando obras de George Gershwin &  Scriabin. Veja mais aqui,  aqui & aqui.

PENSAMENTO DO DIA - [...] importante parcela das deficiências nutricionais, com destaque para a anemia ferropriva, tanto no Brasil quanto no mundo, também tem na dieta seu principal fator etiológico. Como a dieta é passível de modificação, torna-se necessário o desenvolvimento de políticas para a prevenção, tanto das deficiências nutricionais, quanto das doenças crônicas não transmissíveis. Essa modificação deve ter por base a existência de sistemas que monitorem, de preferência com fluxos de informações já existentes, indicadores do consumo alimentar. Pesquisas de Orçamento Familiar (POF) constituem fonte valiosa para obtenção de indicadores do consumo alimentar, cujo uso é crescente em países em desenvolvimento. [...]. Trecho do artigo Disponibilidade domiciliar de alimentos no Brasil: distribuição e evolução - 1974-2003 (Revista Saúde Pública, 2005), de Renata Bertazzi Levy-Costa; Rosely Sichieri; Nézio dos Santos Pontes e Carlos Augusto Monteiro. Veja mais aqui e aqui.

ALIMENTOS PARA O FUTURO – [...] Nas próximas quatro décadas, a população mundial crescerá 2,3 bilhões de pessoas e ficará mais rica. Satisfazer a demanda dos 9,1 bilhões de pessoas no planeta em 2050 exigirá produzir 70% mais alimentos do que hoje. Portanto, a menos que tomemos, agora, as decisões adequadas, nos arriscamos a que, amanhã, a dispensa mundial esteja perigosamente vazia. Sobretudo porque, nos próximos anos, o sistema alimentar mundial deverá enfrentar o crescente desafio da mudança climática - que pode reduzir a produção agrícola potencial em até 21% no conjunto dos países em desenvolvimento-, bem como pragas e doenças transfronteiriças mais graves de animais e plantas. Ao mesmo tempo, haverá uma redução da mão de obra agrícola -porque cerca de 600 milhões de pessoas trocarão o campo pela cidade- e uma maior competição pelo uso da terra e dos recursos naturais. Nossa resposta a esses desafios determinará como poderemos alimentar o planeta no futuro. Igualmente importante é garantir que as pessoas estejam bem alimentadas hoje. [...] Porém, considero que é meu dever, assim como é nosso dever como comunidade global, fazer tudo o que está ao nosso alcance para desterrar o fantasma da fome para sempre e assegurar que nossos filhos e netos possam comer dignamente e desfrutar de uma vida saudável. Techos do artigo Alimentos para o futuro (Folha de São Paulo, 2009), do ciplomata senegalês e ex-diretor-geral da Organizalçai das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), Jacques Diouf.

SANHARÓ – O município de Sanharó tinha suas terras pertencentes à sesmaria de Ororubá, tendo sido fundada a povoação no século XVIII, o distrito criado pela Lei municipal nº 18, de 12 de novembro de 1912, subordinado ao município de Pesqueira. Foi elevado à categoria de município com a denominação de Sanharó, pela Lei estadual nº 375, de 24 de dezembro de 1948, desmembrado de Pesqueira e instalado em 2 de janeiro de 1949. O nome Sanharó veio de uma espécie de abelha negra existente neste local, denominada sanharó, que em vocábulo indígena significa zangado ou excitado. O município é banhado pelo rio Ipojuca e considerado uma das maiores bacias leiteiras do estado pernambucana, conhecida como a cidade do queijo e do leite. Por conta disso realiza-se no mês de setembro a feira do leite, com vaquejadas, concurso leiteiro, rodeios e show ao vivo. Outra atração da cidade é a Festa do Beco, realizada sempre na última semana do ano. Outra festa anárquica/etílico é de "sancoquinho", realizada sempre depois da festa de São Sebastião. No mês de maio acontece a cavalgada das amazonas, reunindo mulheres de todos os municípios vizinhos. No mês de junho acontece a Festa do Curral, que é uma grande confraternização de amigos no curral de gado da cidade onde acontece durante o ano inteiro nas teças feiras a tradicional feira de gado. O município tem forte tradição na música, possui uma das mais antigas e tradicionais bandas de músicas do estado, a centenária Sociedade Musical Santa Cecília, fundada em 1908, pelos grandes e eternos músicos Manuel Fernandes Bezerra e Joaquim Francisco de Assis Aquino. Outra importante manifestação cultural do município é o grupo cultural dos Bacamarteiros de Sanharó, que nos trazem toda a tradição e emoção dos tiros de bacamarte e espalham cultura e por onde passam. Possui também dentre outras coisas, o grupo de Coco da Barriguda; o bloco da porca e as as orquestras de frevo no carnaval; o Palhoção do Povo e as quadrilhas no São João; e a grandiosa Feira do Leite, que acontece todos os anos. Veja mais aqui.

SINFONIA PARA VAGABUNDOS – [...] Ampla é a sala cercada de estantes altas com livros empoeirados, leve a iluminação que entra pelas janelas, tempo impreciso. Silêncio e mansidão. A noite está chegando. O professor Deusdete acredita: este é o momento da criação [...]. Senta-se. Cochila e nãp é mais do que um velho. [...]. Trechos da obra Sinfonia para vagabundos (Bagaço, 1992), do premiado escritor, crítico, editor e jornalista pernambucano Raimundo Carrero. Veja mais aqui e aqui.

ÂMBAR - Pulseira de pedras quadradas que caem unidas, sustidas. / De cada uma se desprende / o valor de nossa amizade. / Quadrada cidade como contas de muitas cores:/ quadrilátero infernal de colina em colina/ desordenado para chegar a ti. /Como conto estas contas tão dispersas? / O vendedor as pesou bem na balança sem paixão,/ mas foi enganado. / Um desperdício de contas âmbar contra o tempo /que durou nosso encontro. / O resultado de conversar sem ar lá na colina / gera uma inquietude de contemplar tua mão / (larga e cortante contra a borda do corpo de cerveja). / O que ficou de nós mesmos? / A vaidade de mover as pedrasno ar insatisfeito e sem ilusão? / Flocos de milho macio, contaminados pelo vapor / do distrito, já queimados? / Carne crua do Japão, carne faminta / que estremece e entorpece a dobra de minha língua? / Provo o sorvete de chá verde, “é como mastigar jade”, tu dizes, / paralisando meu riso nervoso ao remover com a colherinha de prata / o tremor da terra, / esse tremor de minha boca que recebe de tua mão, a jóia invisível, / a promessa mantida que me dás de comer, de provar, / com a hilaridade de um passado vencido pelo presente outra vez. / “Ele foi a minha juventude”, repito, para reafirmá-lo, / ainda que já saiba. E a colher retine. / Um fecho de prata no pulso para firmar um pacto / com o esforço carbonizado de querer. / Porém, as pedras dizem que voltarás ao começo / (tu, comigo). / Elas retornam agora como uma pulseira fina, /logo voltarão como um laço ao redor do pescoço / ou dentro de um relógio acostumado a mentir. / Infinita caravana de pedras sem contar, / nos rodeando. / De duas em duas, de três em três... / Quadriláteros portáteis / cuspindo cinzas art decó. / — O impulso de viver — disse o vendedor, sempre nos enganando. / Mais um daqueles velhos antiquários / a quem entregamos para a vida toda o valor de nossa amizade, agora / (âmbar negro) para não adquirir nada mais que a proibição. / E eu o trouxe de volta, o escondi debaixo do travesseiro. / Ocultei-o como pude, para não mastigar vinte e quatro horas / cinzas de âmbar. / Porque já te perdi muitas vezes / entre o vermelho solitário do vulcão / eructando sua rocha mais incandescente — tu./ Agora, as pedras que me deste hão de coroar esta erupção. ; Talvez a última erupção sob minha cabeça / friamente. Poema da premiada poeta cubana Reina María Rodríguez, traduzido por Luiz Roberto Guedes

A ARTE DE WILHELM BRASSE
A arte do fotógrafo polonês Wilhelm Brasse (1917-22012), prisioneiro em Auschwirz durante a Segunda Guerra Mundial, conhecido como o fotógrafo do campo de concentração, tema de um documetário de 2005, Portrecista.

Veja mais:
DOIS POEMAS DE LUCIAH LOPEZ
... a felicidade pode sim pousar em nossa mão_________________é só uma questão de interpretação.
MAMULENGO - Eu vou por aqui e acolá, mamulengo que sou nas ruas desta cidade feita de panos de chita e barro queimado. Corro os meus passos sobre as pedras lisas, corro pra longe do escuro, do muro, do medo do fim do mundo. Em cada esquina, dois pares de olhos sem pálpebras, duas bocas sem dentes, duas mãos e uma pedra! Uma lata, um cachimbo, um escambo e dois palitos____um apito e o guarda Belo! Eu corro, eu subo a ladeira, escorrego na ribanceira e me faço broto de bananeira ( yés, nós temos banana!) e a puta que o pariu acende as luzes feito um Zeppelin apocalíptico e chove sobre nós o mijo sagrado de cada dia. E a cidade adormecida entre chitas e tafetás emite sons graves e agudos e padece num orgasmo transcendental pra renascer colorida entre peidos, merdas e mijos e o pão nosso de cada dia - amém!
Poemas e arte da poeta, artista visual & blogueira Luciah Lopez. Veja mais aqui.

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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da pintora e arquiteta Adelina Nishiyama.
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quarta-feira, junho 28, 2017

ERCÍLIA NUA DE PIRANDELLO, DINHEIRO DE AXEL CAPRILES, YUJA WANG & ANDREA MEDJESI-JONES

DA SEMENTE AO FRUTO, A VIDA - Imagem: Chapter 55, da artista britânica Andrea Medjesi-Jones - O grão e o reino encantado de todas as coisas: do centro o começo do círculo, e gira e roda e vira virou, e virá como chegam espirais de eternas ondas por zis sequências, frequências, medidas. Tudo vibra sem saber os lados da esfera e uma mão salta a buscar o que puder encontrar, solta na imensidão. Uma perna se sobressai e o dentro pra fora, os efeitos e outra mão pro alcançável de Plutão, outra perna pro infinito que se manifesta na finitude. Tudo emana de dentro pra fora e vice-versa, latente, até que uma saliência, o pescoço pra cabeça e a consciência de que tudo gira e roda e vira virou, e virá e verá o universo pulsando solto por todas as vibrações que se parecem exógenas e impalpáveis à primeira impressão, e pra alcançá-las, não se sabe como, capta o que pega sem nem saber, e o que transborda vem da brisa refratária de alhures a escorrer pelos sentidos, correntes que brotam flores endógenas nas acontecências que se vão pros confins, quando a semente cresce e implode compleições disformes quase indistinguíveis pela polimorfa forma de se estirar com seus flancos abertos, ao comprimento adelgaçado que avoluma o recheio, músculos, carne, órgãos, essência, pro que de cima seja embaixo e tudo possa ascender na festa do Sol por fases, etapas: criança que brinca com perguntas sem fim, e adolesce com os impactos do que foi pro que será, e adultiza exorcizando convicções diante das dúvidas reais, e envelhece no prazer da maravilha de ter vivido, e o que viverá depois do crepúsculo quando a noite se fizer dia e será sempre vida na dança de hoje que se fez ontem renascida amanhã sempre nova na eterna ressurreição. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DINHEIRO: SANIDADE OU LOUCURA?
[...] Diferentemente das sociedades onde o ascetismo mundano da ética protestante acrescentou um conteúdo espiritual ao dinheiro, legalizando o impulso possessivo e aquisitivo sob a filosofia aceita da cobiça, nos latino-americanos o conflito ainda permanece ativo [...] O papel que a sexualidade desempenhou para a psicologia de Freud foi trocado pelo complexo do dinheiro. Há muito mais loucuras e doenças associadas ao dinheiro do que ao sexo. [...].
Trechos da obra Dinheiro - Sanidade ou Loucura? (Axis Mundi, 2005), do economista e psicanalista venezuelano Axel Capriles, reunindo dez artigos que contam a história do dinheiro, suas representações e seu impacto na vida humana da atualidade, tratando sobre o domínio do mercado financeiro, a sujeição do homem ao mercado, o capital especulativo, os desequilíbrios psicológicos como depressão, ansiedade, rancor, medo, disputas familiares, entre outros que são causados pela relação com o dinheiro. Trazendo relevantes reflexões, a obra aborda de forma interdisciplinar sobre a volatilidade do dinheiro no mundo atual e a atribuição que lhe é dada na esfera econômica e nas relações sociais, tornando-se o tema central da existência humana, determinando comportamentos e envolvendo desde o psiquismo individual até o substrato dos povos contemporâneos, sobretudo o latino-americano.

Veja mais sobre:
Educação, professor-aluno, gestão escolar & neuroeducação, Livro dos sonhos de Jorge Luis Borges, a música de Ayako Yonetani, Ciência Psicológica, a fotografia de Anton Giulio Bragaglia, a pintura de Jean Metzinger & Anthony Gadd aqui.

E mais:
Paixão Legendária & Santanna O Cantador, As ciências & as artes de Jean-Jacques Rousseau, A patente de Luigi Pirandello, A história do mundo de Mel Brooks, a pintura de Maria Luisa Persson, Brincarte do Nitolino, a literatura de Aldemar Paiva, a antologia poética de Marly de Oliveira, a xilogravura de Nena Borges, a música de Guilhermina Suggia & Felipe Radicetti aqui.
O falecido Mattia Pascal de Luigi Pirandello, O contrato social de Jean-Jacques Rousseau, a música de Pat Metheny, a pintura de Peter Paul Rubens & o cinema de Mel Brooks aqui.
A hipermodenidade de Gilles Lipovetsky & a trajetória Tataritaritatá aqui.
Bom dia, Velho Chico, Sonetos de , Cláudio Manuel da Costa, Lampião & Isabel Lustosa, Música & saúde de Even Ruud & a música de Turíbio Santos, a pintura de Natalia Goncharova, a arte de Ítala Nandi & Paulette Goddard, o cinema de Hugo Carvana & Neila Tavares aqui.
Vamos aprumar a conversa: a questão ambiental, O retorno da deusa de Edward C. Whitmont, Baú de ossos de Pedro Nava, Poema Infinito de Federico García Lorca, a música de Kenny G & Martha Argerich., a pintura de Tereza Costa Rego & Zuzu Angel aqui.
Poucas palavras & uma dor, A dominação masculina de Pierre Bourdieu, Tônio Krogger de Thomas Mann, Le Cid de Pierre Corneille, a música de Eugénia Melo e Castro & Maysa, a pintura de Diego Velázquez, Sagarana de Paulo Tiago & Ítala Nandi aqui.
Papo de Fabos, O castelo de Franz Kafka, a literatura de Machado de Assis, Escarafunchando de Friederich Perls, a música do Discantus, a pintura de Renato Guttuso & Luba Lukova, a arte de Carmela Gross & Paulo Ito aqui.
Barulho da miséria, Significação & verdade de Peter Strawson, Frankestein de Mary Shelley, A liberdade de Baronne de Staal, a escultura de Ben Weily, a música de Shania Twain, a arte de Anna Miarczynska & Fabio de Brito, o grafite de Magrão Bz, & a poesia de Lívia De La Rosa aqui.
Repente qualquer jeito para ver como é que fica, A tecnologia na arte de Edmond Couchot, A vida antes do homem de Margaret Atwood, A servidão humana de Baruch de Espinoza, a música de Jackson do Pandeiro, a escultura de Antonio Corradini, a fotografia de Nikolai Endegor, a arte de Victoria Selbach & Leonel Mattos aqui.
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VESTIR OS NUS DE PIRANDELLO
A peça teatral Vestir os nus (Record, 2007), do dramaturgo, poeta, romancista siciliano e Prêmio Nobel de Literatura de 1934, Luigi Pirandello (1867 – 1936), conta a história de um escritor que recolhe em sua casa uma jovem infeliz, Ercília, que é vítima de um drama pessoal, por ter sido despedida pela morte acidental de uma criança mantida aos seus cuidados e que tenta suicidar-se após ser abandonada pelo noivo. Após salva desses acontecimentos, ela concede uma entrevista, mentindo sobre os motivos, o que leva outras pessoas a procurá-la para se retratar e corrigir erros do passado. Tendo se vestido de muitas maneiras adequadas, nenhum figurino lhe caiu bem, até que ela se despede da vida nua, dizendo ser a morta que não conseguiu se vestir. A obra traz um olhar premonitório sobre os processos de vitimização da sociedade do espetáculo da atualidade. Destaque para atuação da premiada atriz Janine Corrêa, na montagem da peça feita pela Companhia Atelier de Manufatura Suspeita, com direção de Mauricio Paroni de Castro. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ: YUJA WANG
A belíssima pianista chinesa Yuja Wang interpretando obras de George Gershwin, Ravel, Tchaikovsky, Rachmaninoff, Chopin, Scriabin, Mozart & Prokofiev. Para curtir é só ligar o som.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da artista britânica Andrea Medjesi-Jones.
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ANNA LEMBKE, RIN USAMI, BIRHAN KESKIN, ANTÔNIO MARIA & YAYOI KUSAMA

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Cambalhotas & as coisas nunca davam certas... - Zé Lua vivia por aí, todo acanhado sob a aba do boné, ...