segunda-feira, dezembro 04, 2017

CARRERO GIL, REINA, YUJA WANG, ADELINA NISHIYAMA, DIOUF, BRASSE, SANHARÓ, LUCIAH LOPEZ, FOME & ALIMENTAÇÃO

A CIDADE MULHER AMADA – Imagem: arte da pintora e arquiteta Adelina Nishiyama. - Ainda é madrugada na hora incerta da minha insônia revelada e a cidade é uma mulher adormecida e mal coberta, deixando à mostra a sua sedução vulnerável na penumbra. Meus olhos no voo da imaginação se confudem com a cor da noite carregada de nuvens, a esconder a Lua cheia nos passos dos madrugadores ronceiros da sorte a perturbar meu sossego, seguem como eu sempre em busca do amor distante esperando a minha presença. O silêncio abafa opressivamente o deserto das aventuras pela luta da vida, e entre gretas e frestas, cadê o perfume amável das damas ofegantes e bem vistosas para alegria da minha perdição, todas dormem pro meu desconsolo, sequer sabem da minha ânsia de viver no fio da navalha, parido das bússolas e direções. Cem anos antes eu nasço do que sou na descoberta maravilhosa de viver com a idade no ventre materno de todas elas, enquanto sou órfão entre mestiços tropicais que esqueceram rumo e sequer guardam na lembrança quantos amanheceres sem esperança. No horizonte sinais da alvorada distante prestes a me refazer e eu já sinto o dia entre os dedos com os seus cheiros, sons e cor irrompendo no contorno das ruas até saber-me Sol tinindo nas costas queimando o tempo na equivalência mágica de viver entre pernas elegantemente torneadas no realce das saias que emergem como um pé de vento impetuoso a me darem noção da rua à beira do rio com seu verde úmido e a noção de que tudo é possível a partir de agora como sempre foi no meu coração atormentado pelas paixões. A cidade agora é uma mulher esbelta decotada entre os seios e coxas, altaneira estonteante, altiva e linda na manhã fria de dezembro, anunciando a desconfiança do recato na tarde quente e o calor na carestia da vida ao entardecer, a me dizer que tudo passa e sou apenas passageiro a desembarcar em cada ponto de parada para admirar o viço e dizer que volto já e de novo sempre. A cidade é o meu poema à mulher amada. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com Gilbertos – Samba ao vivo do cantor e compositor Gilberto Gil & a belíssima pianista chinesa Yuja Wang interpretando obras de George Gershwin &  Scriabin. Veja mais aqui,  aqui & aqui.

PENSAMENTO DO DIA - [...] importante parcela das deficiências nutricionais, com destaque para a anemia ferropriva, tanto no Brasil quanto no mundo, também tem na dieta seu principal fator etiológico. Como a dieta é passível de modificação, torna-se necessário o desenvolvimento de políticas para a prevenção, tanto das deficiências nutricionais, quanto das doenças crônicas não transmissíveis. Essa modificação deve ter por base a existência de sistemas que monitorem, de preferência com fluxos de informações já existentes, indicadores do consumo alimentar. Pesquisas de Orçamento Familiar (POF) constituem fonte valiosa para obtenção de indicadores do consumo alimentar, cujo uso é crescente em países em desenvolvimento. [...]. Trecho do artigo Disponibilidade domiciliar de alimentos no Brasil: distribuição e evolução - 1974-2003 (Revista Saúde Pública, 2005), de Renata Bertazzi Levy-Costa; Rosely Sichieri; Nézio dos Santos Pontes e Carlos Augusto Monteiro. Veja mais aqui e aqui.

ALIMENTOS PARA O FUTURO – [...] Nas próximas quatro décadas, a população mundial crescerá 2,3 bilhões de pessoas e ficará mais rica. Satisfazer a demanda dos 9,1 bilhões de pessoas no planeta em 2050 exigirá produzir 70% mais alimentos do que hoje. Portanto, a menos que tomemos, agora, as decisões adequadas, nos arriscamos a que, amanhã, a dispensa mundial esteja perigosamente vazia. Sobretudo porque, nos próximos anos, o sistema alimentar mundial deverá enfrentar o crescente desafio da mudança climática - que pode reduzir a produção agrícola potencial em até 21% no conjunto dos países em desenvolvimento-, bem como pragas e doenças transfronteiriças mais graves de animais e plantas. Ao mesmo tempo, haverá uma redução da mão de obra agrícola -porque cerca de 600 milhões de pessoas trocarão o campo pela cidade- e uma maior competição pelo uso da terra e dos recursos naturais. Nossa resposta a esses desafios determinará como poderemos alimentar o planeta no futuro. Igualmente importante é garantir que as pessoas estejam bem alimentadas hoje. [...] Porém, considero que é meu dever, assim como é nosso dever como comunidade global, fazer tudo o que está ao nosso alcance para desterrar o fantasma da fome para sempre e assegurar que nossos filhos e netos possam comer dignamente e desfrutar de uma vida saudável. Techos do artigo Alimentos para o futuro (Folha de São Paulo, 2009), do ciplomata senegalês e ex-diretor-geral da Organizalçai das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), Jacques Diouf.

SANHARÓ – O município de Sanharó tinha suas terras pertencentes à sesmaria de Ororubá, tendo sido fundada a povoação no século XVIII, o distrito criado pela Lei municipal nº 18, de 12 de novembro de 1912, subordinado ao município de Pesqueira. Foi elevado à categoria de município com a denominação de Sanharó, pela Lei estadual nº 375, de 24 de dezembro de 1948, desmembrado de Pesqueira e instalado em 2 de janeiro de 1949. O nome Sanharó veio de uma espécie de abelha negra existente neste local, denominada sanharó, que em vocábulo indígena significa zangado ou excitado. O município é banhado pelo rio Ipojuca e considerado uma das maiores bacias leiteiras do estado pernambucana, conhecida como a cidade do queijo e do leite. Por conta disso realiza-se no mês de setembro a feira do leite, com vaquejadas, concurso leiteiro, rodeios e show ao vivo. Outra atração da cidade é a Festa do Beco, realizada sempre na última semana do ano. Outra festa anárquica/etílico é de "sancoquinho", realizada sempre depois da festa de São Sebastião. No mês de maio acontece a cavalgada das amazonas, reunindo mulheres de todos os municípios vizinhos. No mês de junho acontece a Festa do Curral, que é uma grande confraternização de amigos no curral de gado da cidade onde acontece durante o ano inteiro nas teças feiras a tradicional feira de gado. O município tem forte tradição na música, possui uma das mais antigas e tradicionais bandas de músicas do estado, a centenária Sociedade Musical Santa Cecília, fundada em 1908, pelos grandes e eternos músicos Manuel Fernandes Bezerra e Joaquim Francisco de Assis Aquino. Outra importante manifestação cultural do município é o grupo cultural dos Bacamarteiros de Sanharó, que nos trazem toda a tradição e emoção dos tiros de bacamarte e espalham cultura e por onde passam. Possui também dentre outras coisas, o grupo de Coco da Barriguda; o bloco da porca e as as orquestras de frevo no carnaval; o Palhoção do Povo e as quadrilhas no São João; e a grandiosa Feira do Leite, que acontece todos os anos. Veja mais aqui.

SINFONIA PARA VAGABUNDOS – [...] Ampla é a sala cercada de estantes altas com livros empoeirados, leve a iluminação que entra pelas janelas, tempo impreciso. Silêncio e mansidão. A noite está chegando. O professor Deusdete acredita: este é o momento da criação [...]. Senta-se. Cochila e nãp é mais do que um velho. [...]. Trechos da obra Sinfonia para vagabundos (Bagaço, 1992), do premiado escritor, crítico, editor e jornalista pernambucano Raimundo Carrero. Veja mais aqui e aqui.

ÂMBAR - Pulseira de pedras quadradas que caem unidas, sustidas. / De cada uma se desprende / o valor de nossa amizade. / Quadrada cidade como contas de muitas cores:/ quadrilátero infernal de colina em colina/ desordenado para chegar a ti. /Como conto estas contas tão dispersas? / O vendedor as pesou bem na balança sem paixão,/ mas foi enganado. / Um desperdício de contas âmbar contra o tempo /que durou nosso encontro. / O resultado de conversar sem ar lá na colina / gera uma inquietude de contemplar tua mão / (larga e cortante contra a borda do corpo de cerveja). / O que ficou de nós mesmos? / A vaidade de mover as pedrasno ar insatisfeito e sem ilusão? / Flocos de milho macio, contaminados pelo vapor / do distrito, já queimados? / Carne crua do Japão, carne faminta / que estremece e entorpece a dobra de minha língua? / Provo o sorvete de chá verde, “é como mastigar jade”, tu dizes, / paralisando meu riso nervoso ao remover com a colherinha de prata / o tremor da terra, / esse tremor de minha boca que recebe de tua mão, a jóia invisível, / a promessa mantida que me dás de comer, de provar, / com a hilaridade de um passado vencido pelo presente outra vez. / “Ele foi a minha juventude”, repito, para reafirmá-lo, / ainda que já saiba. E a colher retine. / Um fecho de prata no pulso para firmar um pacto / com o esforço carbonizado de querer. / Porém, as pedras dizem que voltarás ao começo / (tu, comigo). / Elas retornam agora como uma pulseira fina, /logo voltarão como um laço ao redor do pescoço / ou dentro de um relógio acostumado a mentir. / Infinita caravana de pedras sem contar, / nos rodeando. / De duas em duas, de três em três... / Quadriláteros portáteis / cuspindo cinzas art decó. / — O impulso de viver — disse o vendedor, sempre nos enganando. / Mais um daqueles velhos antiquários / a quem entregamos para a vida toda o valor de nossa amizade, agora / (âmbar negro) para não adquirir nada mais que a proibição. / E eu o trouxe de volta, o escondi debaixo do travesseiro. / Ocultei-o como pude, para não mastigar vinte e quatro horas / cinzas de âmbar. / Porque já te perdi muitas vezes / entre o vermelho solitário do vulcão / eructando sua rocha mais incandescente — tu./ Agora, as pedras que me deste hão de coroar esta erupção. ; Talvez a última erupção sob minha cabeça / friamente. Poema da premiada poeta cubana Reina María Rodríguez, traduzido por Luiz Roberto Guedes

A ARTE DE WILHELM BRASSE
A arte do fotógrafo polonês Wilhelm Brasse (1917-22012), prisioneiro em Auschwirz durante a Segunda Guerra Mundial, conhecido como o fotógrafo do campo de concentração, tema de um documetário de 2005, Portrecista.

Veja mais:
DOIS POEMAS DE LUCIAH LOPEZ
... a felicidade pode sim pousar em nossa mão_________________é só uma questão de interpretação.
MAMULENGO - Eu vou por aqui e acolá, mamulengo que sou nas ruas desta cidade feita de panos de chita e barro queimado. Corro os meus passos sobre as pedras lisas, corro pra longe do escuro, do muro, do medo do fim do mundo. Em cada esquina, dois pares de olhos sem pálpebras, duas bocas sem dentes, duas mãos e uma pedra! Uma lata, um cachimbo, um escambo e dois palitos____um apito e o guarda Belo! Eu corro, eu subo a ladeira, escorrego na ribanceira e me faço broto de bananeira ( yés, nós temos banana!) e a puta que o pariu acende as luzes feito um Zeppelin apocalíptico e chove sobre nós o mijo sagrado de cada dia. E a cidade adormecida entre chitas e tafetás emite sons graves e agudos e padece num orgasmo transcendental pra renascer colorida entre peidos, merdas e mijos e o pão nosso de cada dia - amém!
Poemas e arte da poeta, artista visual & blogueira Luciah Lopez. Veja mais aqui.

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A ARTE DE ADELINA NISHIYAMA
A arte da pintora e arquiteta Adelina Nishiyama.


EMMA LAZARUS, NADINE GORDIMER, LAGERLÖF, YOURCENAR & JOAN RODRIGUEZ

    Ao som de Pavane por une infante défunte (1899), de Maurice Ravel , com a Orchestre National de France, sob a regência da maestrina fin...