terça-feira, novembro 12, 2019

EZRA POUND, LUCHINO VISCONTI, ELIZABETH CADY STANTON, LINDE ERGO & OCIDENTE TARDIO DE VILMAR CARVALHO


OCIDENTE TARDIO – O poeta desenha a linha do verso: olhos marejados de azul, carregados de saudade. A cidade sob os pés nunca foi lugar de covardia, apesar da distância e degredo é intrusa a solidão; as escaramuças, o seu desbravamento. E ele caminha até não voltar sem resposta alguma: uma ode feita de exílio. A palavra se revelou ao tomar o caminho: sete pedaços de Sol e um soneto, fragmentos de imagem, narrativa de melancolia na estação das chuvas. A luz espalha o brilho: amplo é o universo, sem esperança é o vazio. Ali ninguém nunca esteve e se nunca falou não esqueceu o retorno de sempre ao endereço da alma e do amor, a poesia. É uma canção de amor que reacende amar no céu de dezembro e um país inteiro adormece como uma estrela cadente que cai entre as coisas do caldeirão mágico feito de mensagens de terras distantes. Fez-se janeiro breve porque o exílio e o abandono são outra parte da paixão, uma estranheza de pequenas ondas em que o verso é feito de si mesmo e conta demais horas eternas com hálito de fendas. Na angústia da poesia a palavra salvadora: abriu-se a última parábola como se o desabafo fosse perfume de escurecido astro. A falta de amor dói e a poesia viva não pode dizer adeus e celebra um recanto do Sol. A mulher deixou o vestido na sala e o que se preza não diz que é poeta ao escrever o soneto entreaberto na carne do silêncio alado, porque agosto é a única heresia: uma agonia distante nas areias do tempo e o que nunca fiz com as imposturas do texto. A terra que nasci sonhei três vezes, os signos telúricos na encardida sola dos pés e a fruta farta para provar como quem garimpa tesouro no quintal florido ou aquela roubada que é mais gostosa que o caldo da garapa, a cana e o bagaço. A lembrança é o fio da navalha na pele amolada, o coração agridoce na pedra transformada em brasa de Sol. A senhora das loas trouxe o repente na ponta da língua e dança o pífano na xilogravura do arrastado dos pés. O réquiem no rio que sorriu, a morte bate em retirada nas ondas que estrondam, para não esquecer o amor e a sorte e o que não aconteceu na memoria do passado. Sou escritos na garrafa jogada para não dar nome a nada na fúria da escuridão, porque a prova de amor no beijo roubado é como o caldo da espera no frevo de junho. Em maio a cidade consumada, reencantos de intimidade, apenas um lampejo: tenho tanto de tantas palavras. Nasceram trinta versos assim de repente e muitos poemas do jeito de contar história do tempo que a beleza nasceu, porque a cidade é uma mulher que o amor aprendeu palavra por palavra, nas pelejas que se viveu sobre poemas: não lembrar queima tanto, o idioma precisa de metáforas. Escrever pessoas são poemas e fica para depois na solidão, porque a cidade é a percepção do abismo: as astúcias do poeta e a descoberta de nunca esquecer das nuvens que se passaram. Cantei tudo e a tudo decantei o desencanto, enquanto os homens brincam com as feras da criação despertando o céu como não se fazia há séculos. Tudo é só ausência, são muitos dezembros e a eterna partida por onze palavras reencantadas: é preciso dormir muitas vozes e o que nunca se esconde na curva e seus mundos infinitos. O poema cumpriu seu destino, porque o poeta é saudade e distância. PS: Texto-colagem sobre poemas do livro Ocidente tardio (Tarcisio Pereira, 2017), do poeta, historiador e professor Vilmar Carvalho. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: O autodesenvolvimento é um dever maior do que o autossacrifício. No momento em que começamos a temer as opiniões dos outros e hesitamos em dizer a verdade que está em nós, e por motivos de política ficamos em silêncio quando deveríamos falar, as inundações divinas de luz e vida já não fluem em nossas almas. A prolongada escravidão das mulheres é a página mais negra da história da humanidade. A Bíblia e a Igreja sempre foram os maiores obstáculos para a emancipação feminina. O descontentamento de uma mulher aumenta na exata proporção do seu desenvolvimento. Eu estou sempre ocupada, o que talvez seja a maior razão pela qual eu estou sempre bem. A melhor proteção que uma mulher pode ter é a coragem. Pensamento da ativista social, abolicionista e feminista estadunidense, Elizabeth Cady Stanton (1815-1902), autora da Declaração de Sentimentos (1848)e líder do movimento pelos direitos das mulheres.

O CINEMA DE LUCHINO VISCONTI
A família: uma espécie de destino ao qual é impossível escapar.
LUCHINO VISCONTI – A obra do cineasta italiano Luchino Visconti (106-1976), merece destaque pelo filme La caduta degli dei (Os Deuses Malditos, 1969), o primeiro filme da trilogia alemã, contando a história de uma família industrial abastada que começou a negociar com os nazistas, quando o patriarca é assassinado, tendo o vice-presidente da empresa sido acusado pelos nazistas do crime. Outro que merece destaque é o drama Vaghe stelle dell'Orsa... (Vagas estrelas da Ursa, 1965), uma releitura dos mitos de Electra e Orestes, contando a história de uma bela mulher que se casa com um estadunidense, que investigam sobre campos de concentração nazista; ela toma conhecimento da história da família e a partir disso se desenrola uma série de situações. Outro de seus premiados filmes é Il Gattopardo (O leopardo, 1963), baseado no romance homonimo de Lampedusa (1896-1957). Por fim, Il lavoro, episodio do cineasta para a comédia Boccaccio ’70 (1962), baseado nos contos do clássico Decameron de Boccaccio. Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

A ARTE DE LINDE ERGO
A arte da escultora belga Linde Ergo. Veja mais aqui.

A OBRA DE EZRA POUND
E se o velho frio estrangular sua loja, você será grato quando a noite passar.
A obra do poeta estadunidense Ezra Pound (1885-1972) aqui e aqui.
&
A ARTE DE VILMAR CARVALHO
A arte do poeta, historiador e professor Vilmar Carvalho aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.


LÁZARO DROZNES, PEDRO JUAN GUTIÉRREZ, VERA ALBERS, BRONOWSKI, ILANA YAHAV, ANITA CARRIJO, AORU AURA, NADIA BATTELLA GOTLIB & FÁTIMA FERREIRA

    TRÍPTICO DQP – É aqui. É agora. O primeiro degrau... Ao som de Violina , do compositor húngaro Frigyes Hidas (1928-2007), na interpre...