Pular para o conteúdo principal

SOPHIA BREYNER, ADORÉE VILLANY & CORREIO SENTIMENTAL


SOPHIA ETERNA POESIA - O que foi feito ou dito, aconteceu. O que não se perdeu, quase não mais. A vida passou, nenhum temor, explicação alguma e nenhuma data, morada, simulacro ou inutescência: o mundo é o lugar da imperfeição. De fato, o que ficou, nada mais que a lembrança de sua raiz dinamarquesa do Porto na quinta fabulosa, a memória das casas que desapareceram com a nau de Laura, as manhãs da Granja, o jardim perdido e dali a noite para as historietas infantis da menina do mar e a floresta, coisas do coração e de viver. Sou rio na praia abandonada como Endymion - como o rio que atravessou a sua vida no estio da paixão cega e nua. E nos cruzamos no frio da noite entre o silêncio e a solidão, nos estiramos na rua de abril e foi possível que cometesse a sua escrita na carne do meu peito que sangrou e sorrio enquanto exaltações se fizeram de amor e amante. A brisa trouxe o beijo da sua boca amena e eu entrei pela manhã que era sua e passamos Antinoo, um ao outro, exilados na inteireza e a sós. Eu possuí todas as praias em que você foi mar e abraçou a minha alma perdida para que eu vivesse no bailado dos seus sonhos que voltaram e tomaram os meus que serão sempre seus. Justa foi a forma do seu corpo ao meu nos dias de verão e longos desejos inquietos de tocar e não prender entre quatro paredes a libertação madura da carne que exultou de felicidade, ao mesmo tempo que sangrou na distância que dilatou músculos e dores persecutórias. Acontecia-lhe o poema escrito por ninguém, feito por si só e a falar de si e o que não se vê, aprendi da poesia do seu sorriso e na entrega do seu amor. Não posso ignorar a sua Cantata da Paz, o Nome das Coisas, as Cidades Acesas, o Tempo Dividido e a reza pelos pescadores em alto mar. A busca pela justiça foi tudo no tempo em que vivemos. Nunca mascarei a virtude nem comprei perdão, não me calo, nem tenho medo, muito menos germino na podridão, voo de mãos dadas com o perigo e a morte. Perfeito é não quebrar, porque os outros sempre chegam tarde, não sabem de si nem de nós, só deles. Na sua e na ausência de todos, também a minha loucura de florir a vida, de beber a lua cheia, a minha biografia no tempo e no chão da minha terra. Eu que sempre fui rio, um dia serei mar e areia aos seus pés, também jamais amarei quem não possa viver sempre, nem darei ao tempo a minha vida. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: Há mulheres que trazem o mar nos olhos / Não pela cor / Mas pela vastidão da alma / E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos / Ficam para além do tempo / Como se a maré nunca as levasse / Da praia onde foram felizes. / Há mulheres que trazem o mar nos olhos / pela grandeza da imensidão da alma / pelo infinito modo como abarcam as coisas e os homens… / Há mulheres que são maré em noites de tardes… / e calma. Poema O mar dos meus olhos, da poeta portuguesa Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004). Veja mais aqui, aqui & aqui.

TELEGRAMA SENTIMENTAL
Amor com amor se paga
Isto é modo de dizer
Por mais amor que me pague
Ficará sempre a dever
TELEGRAMA SENTIMENTAL – (Imagem: Quermesse, de Anita Malfati) – Quadra extraída da obra Quadras anônimas (Olimpia, 1997), de José Sant’Anna, registrada por Luís da Câmara Cascudo, no seu Dicionário do folclore brasileiro (Global, 2001), dando conta do correio-elegante que era um entretenimento que consistia em enviar mensagens escritas, em versos ou não, a alguém com quem se desejava estabelecer contato. Outra quadra como: O passado está gravado / neste correio tão puro / quero guardar para sempre / recordação pro futuro. Mais outra: Nesta quermesse tão bela / onde tudo é alegria / falta somente você / para a minha companhia. Cascudo assinala que era costume tradicional rapazes e moças trocarem mensagens por ocasião de quermesses, festas religiosas, até mesmo pelo sistema de alto-falantes, em cidades do interior. Em forma de quadrinhas, são em geral verdadeiras declarações de amor. Veja mais aqui.

A ARTE DE ADORÉE VILLANY
A arte da coreógrafa e bailarina francesa Adorée Villany, que iniciou sua carreira no teatro, quando apresentou a Dança dos Sete Véus e, posteriormente, incorporou o texto da peça Salomé, de Oscar Wilde, em sua performance. Seus trabalhos exploraram temas míticos, históricos e orientais, além de possuírem qualidades abstratas, afora temas de pinturas de artistas contemporâneos como Franz Stuck e Arnold Böcklin. Ela desenhou suas próprias roupas e descobriu seu corpo durante suas apresentações. Foi processada por obscenidade em Munique em 1911, sendo posteriormente absolvida; o júri constatou que seu desempenho estava no "maior interesse da arte". Sua pena foi uma multa em 200 francos pelo Tribunal Correctnel em Paris por exposição indecente. Publicou um livro sobre dança, Tanz-Reform und Pseudo-Moral, em 1912, que expressava seus princípios estéticos. Veja mais aqui.
 

Postagens mais visitadas deste blog

A MULHER

A MULHER – Quando criei o blog “Crônica de amor por ela” levado pelo mote dado pela poetamiga Mariza LourençoEla nua é linda – um bloguerótico” eu pensava publicar meus versos, tons & prosas poéticas voltadas para o amor e afetividade, sexualidade e cumplicidade das paixões, desejos e amizade entre os seres humanos.


Arte: Mariza Lourenço.
De primeira, eu queria fazer uma homenagem às mulheres pelo reconhecimento de grandeza do seu ser.


Arte: Mariza Lourenço.
Depois, eu queria fazer uma homenagem ao amor, este sentimento que envolve todos os seres humanos.


Arte: Derinha Rocha.
Quando menos pensei eu estava com um livro pronto: o “Crônica de amor por ela” reunindo poemas, prosas poéticas, poemiúdos, .canções, proseróticas, poemiuderóticos, croniquetas, noveletas, expressões ginofágicas priápicas e outros teréns e juras de amor por ela.


Arte: Derinha Rocha.
UNIVERSO FEMININO – O universo feminino muito me encanta, fascina e me faz cada vez mais cativo ao maravilhoso ser que é a mulher.


Ar…

STEVENSON & FANNY, MARIANNE MOORE, BETTY MEGGERS & HANNAH YATA

A ÚLTIMA CARTA PARA FANNY - O mundo está cheio de tantas coisas, os sonhos são maiores que as dores. O sangrento Jack me persegue desde a infância, mesmo quando as aventuras davam num débil inválido, enfermiço, era eu um acendedor de lampiões com o bicho-papão fungando nas sombras dos meus cabelos. Só me restava a noite solitária com o sopro dos ventos, calafrios e tempestades terríveis, as lembranças de Cumme e as suas histórias horripilantes. Sempre foi assim entre a espada heroica e a pena inglória, os mapas e histórias inventadas, os paladinos marinheiros marchando para salvar a humanidade indefesa na minha cabeça, me fazendo faroleiro das ondas, tormentas e naufrágios, a distinguir o que era e não era entre vagabundos e ilibados senhores da sociedade. Como fui reprovado pelos professores, já sabia que nunca seria um contador de história respeitável, só um plumitivo que nada mais era que uma alma perdida com passatempos mirabolantes na ideia. Nunca me vi levantando paredes para mo…

ÉLUARD, APPIA, ALMODÓVAR, OSMAN LINS, PAULO CESAR PINHEIRO, ALBERTO DE OLIVEIRA, MALHOA, PENÉLOPE CRUZ, VALERIA PISAURO & MUITO MAIS NO PROGRAMA TATARITARITATÁ!!!!

CANTO DE CIRCO – O livro Os gestos (José Olympio, 1957), do escritor pernambucano Osman Lins (1924-1978), reúne treze contos que foram escritos nos anos 1950, abordando sobre a impotência e angustia do ser humano. Do livro destaco esse trecho do Canto de Circo: Ergue a cabeça e contemplou o lugar onde tantas vezes se apresentara para os seus breves triungos no trapézio. No dia seguinte, desarmariam o Circo – pensava; e na próxima cidade, quando o reerguessem, ele estaria longe. Nunca, porém, haveria de esquecer aquela frahil armação de lona e tabique, as cadeiras desconjuntadas, o quebra-luz sobre oespelho partido e o modo como os aplausos e a música chegavam ali. Baixou os olhos, voltou a folhear a revista. Em algum ponto do corpo ou da alma, doía-lhe ver o lugar do qual despedia e que lembrava, de certo modo, o aposento de um morto, semelhança esta que seria maior, não fosse a indiferença quase rancorosa que o rodeava; pois, a despedida iminente, só ele sentia. Os colegas – o equili…

MOLIÉRE, DURAS, PANCHATANTRA, CYBELE, VLAMINCK, MUDDY & IDA BAUER.

O DOENTE IMAGINÁRIO – A peça O doente imaginário (Le malade imaginaire, 1673) é a última entre as escritas pelo dramaturgo, ator e encenador francês Jean-Baptiste Poquelin, mais conhecido como Molière (1622-1673). Considerado um dos mestres da comédia satírica, essa peça composta em três atos, critica os costumes da época ao contar a história de um velho hipocondríaco Argan que se julga pesadamente doente sem realmente estar, acatando cegamente toda as ordens do médico que se aproveita da situação. Por outro lado, o doente quer por fim da força que sua filha Angélique contraia matrimonio com um filho de médico para que possa receber gratuitamente do genro o seu tratamento. Entretanto, a jovem filha está apaixonada por Cléante, tornando-se livre para casar depois de um ardil tramado por seu irmão Bérald para curar seu pai de sua fixação com médicos. Destaco o seu Quarto Ato: (Uma cenaburlesca, de coração de grau de um médico. Assembléia composta de porta-seringas, farmacêuticos, doutor…

LORCA, ELLINGTON, TRIER, PARCERO, GÊNESE AFRICANO, GALHARDO, MEIMEI CORRÊA, RÔ LOPES & TERRA DAS CABRAS.

COMO VEIO A PRIMEIRA CHUVA – Na reunião de histórias denominadas O gênese africano (Cultrix, 1962), encontrei a lenda Como veio a primeira chuva: Uma vez, há muito tempo, nasceu uma filha a Obassi Osaw e um filho a Obasi Nsi. Quando ambos chegaram à idade de casar, Nsi mandou uma mensagem e disse: - Troquemos os filhos. Eu te mandarei meu filho para que despose uma das tuas jovbens e tu manda-me tua filha para que seja minha mulher. Obasi Osaw aceitou. Assim o filho de Nsi foi para o céu, levando consigo muitos e belos presentes e Ara, a jovem do céu, veio ficar cá embaixo, na terra. Com ela viera sete escravos e sete escravas, que o pai lhe deu, para que trabalhassem para ela, e assim ela não fosse obrigada a fazer nada. Um dia, de manhã cedo, Obasse Nsi disse à nova esposa: - Vai trabalhar na minha fazenda! Ela respondeu: - Meu pai deu-me os escravos para trabalharem por mim. Por isso manda-os a eles. Obassi Nsi se irritou e disse: - Não ouviste eu dar-te as minhas ordens? Tu mesma …