O MILAGRE DELA, KAREN, KARA ZOR-L...
– Absorto com as minhas escrevinhações, nem percebia o que se passava ao meu
redor. Levantei-me, estirei os braços, estiqueis as pernas e, só ao passar para
um café pequeno, esbarrei em alguém, desculpei-me pelo inadvertido e ouvi uma
voz melodiosa me dizer: Nada, tudo bem. E voltei desajeitado para a mesa e o
trabalho. Dali a pouco ouvi a mesma voz: Posso? Levantei as vistas e, só então,
pude aquilatar aquela monumental emanação solícita. Claro! Sentou-se. Prazer,
Karen Starr. Retribuí atarantado a gentileza, apresentando-me. Apertamos as
mãos. Você é escritor? Tento. E conversamos preliminarmente amenidades por um
longo tempo, seu olhar me fisgava hipnotizado entre sins e nãos, curiosidades,
trocas. O ambiente seguia, entrava e saía gente, outras mesas ocupavam-se, ou
desocupavam, conforme o tempo passava. Qual a sua história? Ainda concatenando.
E demonstrou curiosidade pelos detalhes, ao que levei muito tempo para poder
organizar as ideias, puxar assunto, esticar conversa e, depois de muita reviravolta,
finalmente disse-lhe tratar-se mesmo de exercício diário. Mesmo? Sim, tentativas.
Está sempre escrevendo? Sim, tentando. Tenho um local que seria ideal pra isso,
quer ver? Adoraria. Então, vamos. Levantou-se e esperou que arrumasse as
coisas, coloquei tudo dentro do bisaco e segui-a. Nossa, uma surpresa atrás da
outra. Era bela, como se saísse da capa de revistas e, pelo jeito, poderosíssima,
diante das minhas fraquezas. Estava abestalhado com aquela beleza magistral, olhos
altivos, boca sublime, voz encantadora, coisa de quem pra lá de ágil,
super-humana, o colante branco ocupando minhas vistas com sua fascinante proeminência
escultural, suas formas generosas, o exuberante decote nos faustos seios, suas abundantes
coxas descobertas, o cinto vermelho no realce das ancas formosas, a magia do
seu encanto. Não havia como ser de outro jeito. Já na calçada vi-a estender um
braço e trazer um táxi, aboletamo-nos no banco de trás e ouvi dizer um destino por
mim ignorando. Enquanto singrávamos o trânsito comentávamos a loucura do
tráfego, as últimas notícias e, incisivamente, mencionou a curiosidade por desvendar
os motes das minhas escritas. Fiz uma explanação longa e cheia de idas e vindas,
no meio das quais me perdia diante do seu olhar afetuoso e atento. Finalmente
chegamos em um lugar, no qual mandou para o motorista parar e descemos. Graças,
já não tinha lá mais muito o que enrolar. Diante dum portão enorme entre muros
altos e amplos, ela passou a chave, abriu-me e passamos para o interior de um
sítio arborizado, uma casa suntuosa no meio de muitas calçadas transitáveis. Uma
matilha alvoroçada festejou a sua chegada e ela, cuidadosamente, me levou entre
os cães festivos até os degraus do recinto, determinando a cainçalha ali
parasse obediente: Quietos! Cruzamos a porta de uma sala enorme, cheia de artes
e artefatos antigos, nos aguardava. Abriu as janelas e me dispôs uma longa mesa:
Este o meu lugar de repouso. Fiquei maravilhado. Venha. E subimos uma escada encimentada
e nos deparamos com uma dependência verdadeiramente equipada, um estúdio de criação:
muitos livros pelas estantes, escrivaninha, pranchas, lupas, maquinário
sofisticado, espaço e tudo para escrever diante do ar livre com a sombra dos
arvoredos. O que achou? Nossa, nada mais aprazível! Serve pra você? Lisonjeado.
Ótimo. Quer beber algo? Cerveja, se possível. Temos uísque, vinho, cerveja, o
que quiser. Cerveja. Era tudo encantamento, deslumbrado. E sentamos à mesa da
sala e ela começou a me entrevistar informalmente. Conversa vai e vem,
confissões, depoimentos, risos, comoções. A hora avançava e mais que acordados
pabulávamos madrugada adentro. Eis que o sono nos pegou, mas insistíamos em
manter o papo, ela levantou-se e não voltou mais. Cochilei e a procurei pelos
cômodos, não havia mais ninguém ali, os quartos e, num deles, lá estava
estonteantemente debruçada sobre uma cama larga, sono profundo. Havia espaço e
um travesseiro ao lado. Tirei os sapatos e, vestido como estava, deitei-me
encolhido. Despertei com suas mãos escorrendo pela minha pele, aos alisados:
estava nu sob o lençol. Senti seu ofuscante beijo em meus lábios, faces e
queixo; seu corpo deslizava nu sobre o meu. Beijou-me os ombros, o tórax, um
mimo com o nariz no meu umbigo, ósculos amáveis no meu ventre e meu sexo
enrijecido esfregando-se ao seu pescoço, face e seus lábios envolveram
meigamente a glande, a felação vigorosamente afável, levando-me aos píncaros da
glória. Vencia-me e me apossei de seus sedosos cabelos, agarrando-a às
carícias, virou-se de costas, domada, seu corpo no meu, levei-a pro lado e
espragatou-se estirada provocante e montei-a, suas pernas abriram-me o caminho
de suas nádegas eminentes, escancarando-se de 4, égua no cio e o trotado a
explorar suas costas trazidas ao meu peito, minhas mãos tomando-lhe os
auspiciosos seios pelas cavalgadas oníricas, suspiros, gemidos, galgando sua
deidade tributária de todas as minhas posses, transpondo todos os limites de
sua compleição, na plenitude de tê-la extasiante além do que sou e nela
milênios de prazer. Veja mais abaixo & aqui.
DITOS
& DESDITOS
A vida começa no final
da sua zona de conforto... Você só é jovem uma vez, mas pode permanecer imaturo
indefinidamente... Algumas dores são físicas e outras são mentais, mas a que é
ambas é a dor de dente... Para manter seu casamento transbordando de amor,
sempre que estiver errado, admita; sempre que estiver certo, cale-se... Pensamento
do poeta estaduniodense Ogden
Nash (1902-1971). Veja
mais aqui & aqui.
ALGUÉM
FALOU:
Durante 20 anos, as pessoas me viram como aquela
adolescente de 16 anos, louca e rebelde, que não tinha controle sobre o que
diziam a seu respeito. Agora, pelo menos podem dizer que ela está com uma ótima
aparência e paga seus impostos...
Pensamento da jornalista, escritora e atriz estadunidense
Amy Fisher (Amy Elizabeth Fisher), também conhecida como Elizabeth
Bellers, a Lolita de Long Island, autora do livro If I Knew Then... (2004)
e lançou o filme Amy Fisher: Totally Nude & Exposed (2009). Veja
mais aqui.
O PODER DE EXISTIR: UM MANIFESTO HEDONISTA - [...]
O que um filósofo pode apresentar
como prova de si mesmo? A sua vida. Se alguém escreve um livro, mas este não
vem acompanhado de uma vida filosófica, não merece o nosso tempo. A sabedoria
mede-se nos detalhes: encontra-se naquilo que se diz e no que não se diz, no
que se faz e no que não se faz, no que se pensa e no que não se pensa. [...] Neste universo de poderosas
redes liberais, construamos utopias concretas, ilhas concebidas como bastiões
de Thelema, firmes e reproduzíveis em todos os lugares, em todas as ocasiões e
circunstâncias. Jardins epicuristas nômades, construídos a partir de dentro de
nós mesmos. [...]. Trechos extraídos da obra La puissance d'exister: Manifeste hedoniste (Le Grand livre du mois, 2006), do filósofo
francês Michel Onfray, fundador da Universidade Popular de Caen, com seu
pensamento caracterizado pela razão, hedonismo e ateísmo militante. Veja mais
aqui & aqui.
A
CULPA É DAS ESTRELAS - [...]
Às vezes, você lê um livro e ele
te preenche com um estranho fervor evangelizador, e você se convence de que o
mundo despedaçado jamais será reconstruído a menos que todos os seres humanos
vivos leiam o livro. [...] Você
não escolhe se vai se machucar neste mundo... mas você tem alguma influência
sobre quem te machuca. Eu gosto das minhas escolhas. [...] Algumas
infinitudes são maiores que outras. [...] As marcas que os humanos
deixam são, com muita frequência, cicatrizes. [...] O mundo não é uma
fábrica de realizar desejos. [...]. Trechos extraídos da obra The Fault in
Our Stars (Penguin, 2012),
do escritor e vlogger estadunidense John Green (John Michael Green), autor
de livros como Paper Towns (2008), An Abundance of Katherines
(2006) e Looking for Alaska (2005). Veja mais aqui.
SYLVIA PLATH – Entre os poemas do livro Ariel (1965),
da poeta
estadunidense Sylvia Plath (1932-1963), destaco o poema homônimo,
traduzido por Ana Cândida Perez e Ana Cristina César:
Estancamento no escuro / E então o fluir
azul e insubstancial / De montanha e distância. / Leoa do Senhor como nos
unimos / Eixo de calcanhares e joelhos!... O sulco / Afunda e passa, irmão / Do
arco tenso /Do pescoço que não consigo dobrar. / Sementes / De olhos negros lançam escuros / Anzóis... / Negro, doce sangue na boca, / Sombra, / Um outro voo / Me arrasta
pelo ar... / Coxas, pêlos; / Escamas e calcanhares. / Branca / Godiva, descasco
/ Mãos mortas, asperezas mortas. / E então / Ondulo como trigo, um brilho de
mares. / O grito da criança / Escorre pela parede. / E eu / Sou a flecha, / O
orvalho que voa, / Suicida, unido com o impulso /Dentro do olho / Vermelho,
caldeirão da manhã. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.





