quarta-feira, fevereiro 17, 2016

SYLVIA PLATH, ONFRAY, OGDEN NASH, GREEN, PROUDHON, FISHER & LITERÓTICA

 


O MILAGRE DELA, KAREN, KARA ZOR-L... – Absorto com as minhas escrevinhações, nem percebia o que se passava ao meu redor. Levantei-me, estirei os braços, estiqueis as pernas e, só ao passar para um café pequeno, esbarrei em alguém, desculpei-me pelo inadvertido e ouvi uma voz melodiosa me dizer: Nada, tudo bem. E voltei desajeitado para a mesa e o trabalho. Dali a pouco ouvi a mesma voz: Posso? Levantei as vistas e, só então, pude aquilatar aquela monumental emanação solícita. Claro! Sentou-se. Prazer, Karen Starr. Retribuí atarantado a gentileza, apresentando-me. Apertamos as mãos. Você é escritor? Tento. E conversamos preliminarmente amenidades por um longo tempo, seu olhar me fisgava hipnotizado entre sins e nãos, curiosidades, trocas. O ambiente seguia, entrava e saía gente, outras mesas ocupavam-se, ou desocupavam, conforme o tempo passava. Qual a sua história? Ainda concatenando. E demonstrou curiosidade pelos detalhes, ao que levei muito tempo para poder organizar as ideias, puxar assunto, esticar conversa e, depois de muita reviravolta, finalmente disse-lhe tratar-se mesmo de exercício diário. Mesmo? Sim, tentativas. Está sempre escrevendo? Sim, tentando. Tenho um local que seria ideal pra isso, quer ver? Adoraria. Então, vamos. Levantou-se e esperou que arrumasse as coisas, coloquei tudo dentro do bisaco e segui-a. Nossa, uma surpresa atrás da outra. Era bela, como se saísse da capa de revistas e, pelo jeito, poderosíssima, diante das minhas fraquezas. Estava abestalhado com aquela beleza magistral, olhos altivos, boca sublime, voz encantadora, coisa de quem pra lá de ágil, super-humana, o colante branco ocupando minhas vistas com sua fascinante proeminência escultural, suas formas generosas, o exuberante decote nos faustos seios, suas abundantes coxas descobertas, o cinto vermelho no realce das ancas formosas, a magia do seu encanto. Não havia como ser de outro jeito. Já na calçada vi-a estender um braço e trazer um táxi, aboletamo-nos no banco de trás e ouvi dizer um destino por mim ignorando. Enquanto singrávamos o trânsito comentávamos a loucura do tráfego, as últimas notícias e, incisivamente, mencionou a curiosidade por desvendar os motes das minhas escritas. Fiz uma explanação longa e cheia de idas e vindas, no meio das quais me perdia diante do seu olhar afetuoso e atento. Finalmente chegamos em um lugar, no qual mandou para o motorista parar e descemos. Graças, já não tinha lá mais muito o que enrolar. Diante dum portão enorme entre muros altos e amplos, ela passou a chave, abriu-me e passamos para o interior de um sítio arborizado, uma casa suntuosa no meio de muitas calçadas transitáveis. Uma matilha alvoroçada festejou a sua chegada e ela, cuidadosamente, me levou entre os cães festivos até os degraus do recinto, determinando a cainçalha ali parasse obediente: Quietos! Cruzamos a porta de uma sala enorme, cheia de artes e artefatos antigos, nos aguardava. Abriu as janelas e me dispôs uma longa mesa: Este o meu lugar de repouso. Fiquei maravilhado. Venha. E subimos uma escada encimentada e nos deparamos com uma dependência verdadeiramente equipada, um estúdio de criação: muitos livros pelas estantes, escrivaninha, pranchas, lupas, maquinário sofisticado, espaço e tudo para escrever diante do ar livre com a sombra dos arvoredos. O que achou? Nossa, nada mais aprazível! Serve pra você? Lisonjeado. Ótimo. Quer beber algo? Cerveja, se possível. Temos uísque, vinho, cerveja, o que quiser. Cerveja. Era tudo encantamento, deslumbrado. E sentamos à mesa da sala e ela começou a me entrevistar informalmente. Conversa vai e vem, confissões, depoimentos, risos, comoções. A hora avançava e mais que acordados pabulávamos madrugada adentro. Eis que o sono nos pegou, mas insistíamos em manter o papo, ela levantou-se e não voltou mais. Cochilei e a procurei pelos cômodos, não havia mais ninguém ali, os quartos e, num deles, lá estava estonteantemente debruçada sobre uma cama larga, sono profundo. Havia espaço e um travesseiro ao lado. Tirei os sapatos e, vestido como estava, deitei-me encolhido. Despertei com suas mãos escorrendo pela minha pele, aos alisados: estava nu sob o lençol. Senti seu ofuscante beijo em meus lábios, faces e queixo; seu corpo deslizava nu sobre o meu. Beijou-me os ombros, o tórax, um mimo com o nariz no meu umbigo, ósculos amáveis no meu ventre e meu sexo enrijecido esfregando-se ao seu pescoço, face e seus lábios envolveram meigamente a glande, a felação vigorosamente afável, levando-me aos píncaros da glória. Vencia-me e me apossei de seus sedosos cabelos, agarrando-a às carícias, virou-se de costas, domada, seu corpo no meu, levei-a pro lado e espragatou-se estirada provocante e montei-a, suas pernas abriram-me o caminho de suas nádegas eminentes, escancarando-se de 4, égua no cio e o trotado a explorar suas costas trazidas ao meu peito, minhas mãos tomando-lhe os auspiciosos seios pelas cavalgadas oníricas, suspiros, gemidos, galgando sua deidade tributária de todas as minhas posses, transpondo todos os limites de sua compleição, na plenitude de tê-la extasiante além do que sou e nela milênios de prazer. Veja mais abaixo & aqui.

 


DITOS & DESDITOS

A vida começa no final da sua zona de conforto... Você só é jovem uma vez, mas pode permanecer imaturo indefinidamente... Algumas dores são físicas e outras são mentais, mas a que é ambas é a dor de dente... Para manter seu casamento transbordando de amor, sempre que estiver errado, admita; sempre que estiver certo, cale-se... Pensamento do poeta estaduniodense Ogden Nash (1902-1971). Veja mais aqui & aqui.

 

ALGUÉM FALOU:

Durante 20 anos, as pessoas me viram como aquela adolescente de 16 anos, louca e rebelde, que não tinha controle sobre o que diziam a seu respeito. Agora, pelo menos podem dizer que ela está com uma ótima aparência e paga seus impostos...

Pensamento da jornalista, escritora e atriz estadunidense Amy Fisher (Amy Elizabeth Fisher), também conhecida como Elizabeth Bellers, a Lolita de Long Island, autora do livro If I Knew Then... (2004) e lançou o filme Amy Fisher: Totally Nude & Exposed (2009). Veja mais aqui.

 

O PODER DE EXISTIR: UM MANIFESTO HEDONISTA - [...] O que um filósofo pode apresentar como prova de si mesmo? A sua vida. Se alguém escreve um livro, mas este não vem acompanhado de uma vida filosófica, não merece o nosso tempo. A sabedoria mede-se nos detalhes: encontra-se naquilo que se diz e no que não se diz, no que se faz e no que não se faz, no que se pensa e no que não se pensa. [...] Neste universo de poderosas redes liberais, construamos utopias concretas, ilhas concebidas como bastiões de Thelema, firmes e reproduzíveis em todos os lugares, em todas as ocasiões e circunstâncias. Jardins epicuristas nômades, construídos a partir de dentro de nós mesmos. [...]. Trechos extraídos da obra La puissance d'exister: Manifeste hedoniste (Le Grand livre du mois, 2006), do filósofo francês Michel Onfray, fundador da Universidade Popular de Caen, com seu pensamento caracterizado pela razão, hedonismo e ateísmo militante. Veja mais aqui & aqui.

 

A CULPA É DAS ESTRELAS - [...] Às vezes, você lê um livro e ele te preenche com um estranho fervor evangelizador, e você se convence de que o mundo despedaçado jamais será reconstruído a menos que todos os seres humanos vivos leiam o livro. [...] Você não escolhe se vai se machucar neste mundo... mas você tem alguma influência sobre quem te machuca. Eu gosto das minhas escolhas. [...] Algumas infinitudes são maiores que outras. [...] As marcas que os humanos deixam são, com muita frequência, cicatrizes. [...] O mundo não é uma fábrica de realizar desejos. [...]. Trechos extraídos da obra The Fault in Our Stars (Penguin, 2012), do escritor e vlogger estadunidense John Green (John Michael Green), autor de livros como Paper Towns (2008), An Abundance of Katherines (2006) e Looking for Alaska (2005). Veja mais aqui.

 

SYLVIA PLATH – Entre os poemas do livro Ariel (1965), da poeta estadunidense Sylvia Plath (1932-1963), destaco o poema homônimo, traduzido por Ana Cândida Perez e Ana Cristina César: Estancamento no escuro / E então o fluir azul e insubstancial / De montanha e distância. / Leoa do Senhor como nos unimos / Eixo de calcanhares e joelhos!... O sulco / Afunda e passa, irmão / Do arco tenso /Do pescoço que não consigo dobrar. / Sementes / De olhos negros lançam escuros / Anzóis... / Negro, doce sangue na boca, / Sombra, / Um outro voo / Me arrasta pelo ar... / Coxas, pêlos; / Escamas e calcanhares. / Branca / Godiva, descasco / Mãos mortas, asperezas mortas. / E então / Ondulo como trigo, um brilho de mares. / O grito da criança / Escorre pela parede. / E eu / Sou a flecha, / O orvalho que voa, / Suicida, unido com o impulso /Dentro do olho / Vermelho, caldeirão da manhã. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aquiaqui.

FILOSOFIA DA MISÉRIA, DE PIERRE PROUDHON - [...] Ó povo dos trabalhadores, povo deserdado, vexado e proscrito! Povo que é aprisionado, que é julgado e que é morto! Povo ultrajado, povo marcado! Não sabes que mesmo para a paciência, mesmo para a dedicação, há um limite? Não deixar de dar ouvidos a estes oradores do misticismo que te dizem para rezar e esperar, pregando a salvação pela religião ou pelo poder e cuja palavra veemente e sonora te cativa? Teu destino é um enigma que nem a força física, nem a coragem da alma, nem as iluminações e o entusiasmo, nem a exaltação de nenhum sentimento podem resolver. Aqueles que te dizem o contrário enganam-te e seus discursos servem apenas para retardar a hora de tua liberação, que está prestes a soar. O que são o entusiasmo e o sentimento, o que é uma poesia vã diante da necessidade? Para vencer a necessidade há apenas a necessidade, razão última da natureza, pura essência da matéria e do espírito. Assim, a contradição do valor, nascida da necessidade do livre arbítrio, deveria ser vencida pela proporcionalidade do valor que é outra necessidade e ambas produzem-no por sua união a liberdade e a inteligência. Mas, para que esta vitória do trabalho inteligente e livre produzisse todas as consequências, seria necessário que a sociedade atravessasse uma longa peripécia de tormentos. Haveria necessidade de que o trabalho, para que aumentasse seu poder, se dividisse; e, pelo fato desta divisão, há necessidade de degradação e empobrecimento do trabalhador.  Haveria a necessidade de que esta divisão primordial se reconstituísse em instrumentos e combinações científicas e necessidade de que, por esta reconstrução, o trabalhador subalternizado perdesse, juntamente com o salário legítimo, até o próprio exercício da indústria que o alimentava. Haveria necessidade de que a concorrência viesse então emancipar a liberdade prestes a perecer; e necessidade de que esta libertação conduzisse a uma vasta eliminação dos trabalhadores. Haveria a necessidade de que o produtor, enobrecido por sua arte como outrora o guerreiro o era por suas armas, erguesse bem alto a sua bandeira, para que a coragem do homem fosse honrada tanto no trabalho quanto na guerra e haveria necessidade de que do privilegiado logo nascesse o proletário. Haveria necessidade de que a sociedade tomasse então sob sua proteção o plebeu vencido, mendigo e sem asilo e necessidade de que esta proteção se convertesse em uma nova série de suplícios. Encontraremos em nosso caminho outras necessidades ainda, que desaparecerão, como as primeiras, sob necessidades maiores, até que por fim chegue a equação geral, a necessidade suprema, o fato triunfador que deve estabelecer para sempre o reino do trabalho. Mas esta solução não pode sair nem de um golpe de mão e nem de uma transação vã. É tão impossível associar o trabalho e o capital quanto produzir sem capital e sem trabalho; é tão impossível criar a igualdade pelo poder quanto suprimir o poder e a igualdade e fazer uma sociedade sem povo e sem polícia.  É preciso, eu repito, que uma fORÇA MAIOR invertesse as fórmulas atuais da sociedade; que seja o TRABALHO do povo e não a sua bravura ou os seus sufrágios quem, por uma combinação científica, legal, imortal e inelutável submeta o capital ao povo e lhe entregue o poder. FILOSOFIA DA MISÉRIA – A obra Sistemas das contradições econômicas ou filosofia da miséria, do filósofo político, economista e anarquista francês Pierre-Joseph Proudhon (1809-1865), trata a respeito de temas como ciências econômicas, oposição do fato e do direito na economia das sociedades, insuficiência das teorias e da crítica, constituição do valor e definição da riqueza, oposição do valor de utilidade e do valor da troca, aplicação da lei da proporcionalidade dos valores, primeira época das evoluções econômicas, a divisão do trabalho, efeitos antagonistas do princípio de divisão, importância dos paliativos, as máquinas, do papel das máquinas na sua relação com a liberdade, origem do capital e do assalariado, preservativos contra a influência desastrosa das máquinas, a concorrência, efeitos subversivos da concorrência e a destruição da liberdade por ela, remédios contra a concorrência, a necessidade do monopólio, desastres no trabalho e perversão nas ideias causadas pelo monopólio, a polícia ou o imposto, antinomia do imposto e consequências desastrosas e inevitáveis do imposto. Veja mais aqui.

REFERÊNCIA
PROUDHON, Pierre-Joseph. Sistemas das contradições econômicas ou filosofia da miséria. São Paulo: Ícone, 2003.


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