O
POEMA DELA... - Ela chegou
com um vento inesperado, secreta como amazona do milagre dos céus, uma sereia
da terra, sibilina fulgurante. Seus olhos esplendiam das sobrancelhas
escurecidas margeando as pálpebras ignotas, as faces roseadas, o batom vivo nos
lábios ressurretos, o sorriso ensolarado na anacrusa do seu gesto impávido. Lá
estava ela com seu ímpeto a me deixar estupefato: mãos à cintura das ancas
proeminentes, as alças pros meus dedos usurpadores, as vestes coladas ao corpo,
o peito estufado com o decote realçando o hiato de seus seios protuberantes no
destaque protuso, dos bicos quais faróis ofuscantes, o contorno do quadril na
saia suspensa, esticada pelas torres de suas coxas abertas, a provocação em
pessoa. Ela é surpreendente bem-vinda, afeiçoada, mimosa, aos dengos a estirar
uma das pernas ao meu ventre, pisando macio em meu pênis, a sinalefa sublime
que emerge pela concavidade de seus pés esfregadores em meu púbis. Arqueia elegante
e seu dorso serpenteia com as mãos conjugadas, como versos assinartetos, elevando-me
como se quisesse engatinhar apoiada nos joelhos e cotovelos pelas minhas
pegadas, língua aveludada de fora, faminta, foco no passeio de dissimulada
tocaia, o ataque de predação, beijoqueira afável, a maciez dos seus afetos. A
posse de sua mão no meu sexo, o mimo limeriquico e a metáfora dos seus quereres
diafóricos transbordando os instantes. Empunha-o vitoriosa friccionando-o para
oscular de biquinho minha glande e, com espalhafato, recolhe-o às mãos e
rende-se vencida, desnuda, às lambidas de cio sorvendo abocanhadora, com sua
doce língua aveludada inquieta pincelando meu membro inchado, o beijo
antelóquio, a enálage de suas manhas, o dengo pela analepse das vivências. Levanta-se
irrequieta e seus braços envolventes tomam meus flancos e limites, seu torso no
meu e a possessão agigantada. Toma-me a mão, lambe-me o anular, chupa meus
dedos espremidos a sugar jactante meu polegar. Deita-se escorreita me a sobrar
profusa estrofe, caudalosa, refulgente, a elisão de suas vestes, minhas mãos
tateando sua pele eriçada clamando para escandir sua carne às apalpadelas e a diérese
na convexidade de seus calcanhares ansiosos, sinérese na sinuosidade de suas pernas
acolhedoras, aférese na curvatura de seus joelhos jubilosos, ectilipse na
vertigem de suas coxas abissais, paragoge na fenda dos seus vulcânicos lábios
vaginais para enfim tê-la, apalpá-la, tomá-la, epítese esgotando sua gruta no
movimento isométrico de sua dança paradoxal, na heterometria de seu afã em
revirar-se hiperbibástica para que me valha de toda sua anfractuosidade e em
cada sinuosidade recolho seus anapestos para que rime enluarada virando-se
sistólica de costas, e eu possa escalar a redondilha maior de suas
pantagruélicas nádegas apetitosas e nelas a alunissagem de meu membro sideral
resvalando a síncope de sua fenda anal para a heterorrítmica gulodice da
sinafia vaginal, como prolepse aos borbotões, com todos os hemistíquios de seus
esfíncteres dilatados, antítese do ser-se mais que em demasia no que nos resta.
Venço-lhe a irresistível tentação no chamego isorrítmico e aliterante de sua
hiperexposição amalgamada, para fruir da hipálage de sua vermelha ousadia de
vergar-se convulsa prevendo a diástole dos seus azuis orgasmos de chuvas
torrenciais repentinas, a epêntese de seus fugazes suspiros reverberados,
apócope dos gemidos estíquicos pela anagnórise do seu supremo gozo, qual ode
caudalosamente oceânica, com o êxtase de todos os encômios no poema da palavra
perdida. Ela me sorri feliz e do seu ventre uma estrela radiante esvoaçou
tatuando as alturas do Sol de meio dia no meu coração. Veja mais Ginofagia abaixo e mais aqui &
aqui.
Os livros não são apenas páginas cheias de
palavras — são portas para outros mundos, portais para experiências humanas,
sonhos, sabedoria, dor, coragem e possibilidades. Um único livro pode inspirar
esperança, curar feridas, reacender um propósito e mudar o rumo de uma vida
para sempre... Seu
ponto de partida não determina onde você vai chegar...
Pensamento da escritora, contadora de
histórias e artista neozelandesa, Getrude Matshe, autora da obra Born
On The Continent - Ubuntu: Ubuntu (CreateSpace. 2012), curadora global do
HerStory Circle, dedicado a transformar o mundo por meio da narrativa, e apoiando
organizações como a Africa Alive Education Foundation e a Walk on the Wild Side
Tours, que auxiliam órfãos de HIV no Zimbábue.
ALGUÉM FALOU:
Quando você quer
ajudar as pessoas, diz a elas a verdade. Quando quer ajudar a si mesmo, diz o
que elas querem ouvir... É incrível quanto pânico um homem honesto pode
espalhar entre uma multidão de hipócritas... Alguns dos maiores casos de
confusão de identidade ocorrem entre intelectuais que têm dificuldade em
lembrar que não são Deus...
Pensamento do
escritor, economista e filósofo estadunidense Thomas Sowell, autor de
obras tais como: The Thomas Sowell Reader (2011), Intellectuals and
Society (2009), Basic Economics: A Citizen's Guide to the Economy
(2000), Barbarians Inside the Gates and Other Controversial Essays (1999),
Is Reality Optional? And Other Essays (1993), A Conflict of Visions:
Ideological Origins of Political Struggles (1987), Compassion Versus
Guilt and Other Essays (1987) e Knowledge and Decisions (1980).
ALTAS MONTANHAS DE PORTUGAL - […] O amor é uma
casa com muitos cômodos: um para alimentar o amor, outro para entretê-lo, outro
para limpá-lo, outro para vesti-lo, outro para permitir que ele descanse; e
cada um desses cômodos pode ser, também, o lugar de rir, de ouvir, de pedir
perdão ou de vivenciar a intimidade a dois — e, é claro, há os cômodos para os
novos membros da casa. [...] Pois
sofrer e não fazer nada é não ser nada, enquanto sofrer e fazer algo é
tornar-se alguém. [...]. Trechos extraídos da obra The High Mountains of Portugal (2016), do escritor canadense Yann
Martel, autor do premiado livro Life of Pi (2001). Veja mais aqui &
aqui.
UBUNTU - [...] O sentido
de ubuntu está resumido no tradicional aforismo africano “umuntu ngumuntu
ngabantu” (na versão zulu desse aforismo), que significa: “Uma pessoa é uma
pessoa por meio de outras pessoas”, ou “eu sou porque nós somos”. Ser humano
significa ser por meio de outros. Qualquer outra forma de ser seria “des-umana”
no duplo sentido da palavra, isto é, “não humano” e “desrespeitoso ou até cruel
para com os outros”. Essa é, grosso modo, a forma como a ética ubuntu africana
descreve e também prescreve o ser humano. [...] O pensamento africano é
holístico. Como tal, ele reconhece a íntima interconectividade e, mais
precisamente, a interdependência de tudo. De acordo com o ethos do ubuntu, uma
pessoa não só é uma pessoa por meio de outras pessoas (isto é, da comunidade em
sentido abrangente: os demais seres humanos assim como os ancestrais), mas uma
pessoa é uma pessoa por meio de todos os seres do universo, incluindo a
natureza e os seres não humanos. Cuidar “do outro” (e, com isso, de si mesmo),
portanto, também implica o cuidado para com a natureza (o meio ambiente) e os
seres não humanos. [...]. Trecho da entrevista Ser por meio dos outros: o
ubuntu como cuidado e partilha (IHU, 2010), concedida pelo psicólogo e filosófico
sul-africano, Dirk Louw, autor de obras como Ubuntu and the
Challenges of Multiculturalism in Post-apartheid South Africa (Center for
Southern Africa, Utrecht University, 2001) e seu artigo Ubuntu: An African
Assessment of the Religious Other. Ubuntu é uma antiga filosofia ética e
humanista africana, originária da região the línguas Bantu (especialmente zulu
e xhosa). Seu significado mais profundo é traduzido como "Sou
quem sou porque somos todos nós".
ASCENSO
FERREIRA - [...] É
grande nas quatro dimensões. Natural de Palmares, onde viveu até os 26 anos –
De que vivia? – De política... Mas é mentira. Viveu de pastoris, de maracatus,
de bois-bumbás, de emboladas. A substância e os ritmos dessas formas populares
dão um cunho personalíssimo aos seus poemas. Foi o primeiro de nós a se servir
em poesia culta do ritmo do martelo [...] O senhor Ferreira criou uma
forma nova do poema rapsódico, aproveitando toadas folclóricas, ritmos poéticos
de emboladas, coisas menos para ser lida do que para um ouvido, tão importante
é o elemento musical na sua poesia [...] O senhor Ascenso Ferreira tem
uma estatura gigantesca, que a princípio, assusta como a catadura de um campeão
e boxe, da categoria dos pesados. Mas basta ele abrir a boca para dissipar os
terrores: é uma alma de criança e exprime-se com grande naturalidade e modéstia
[...]. Trechos extraídos da obra Crônicas médias (Cosac Naify, 2008), do
poeta e crítico literário Manoel Bandeira (Manuel Carneiro de Sousa
Bandeira Filho – 1886-1968), sobre o poeta Ascenso Ferreira. Veja mais
aqui, aqui & aqui.
VOCÊ É UM CÉU
- Você é um céu \ de vento, respira \ por toda uma minha pele, \ Com seu
sopro, forma \ uma brisa mais suave, que acaricia \ meu corpo nu. \ Ela
conforta e dissipa uma porta, \ como me referelo da minha mãe \ respirando no
meu jeou cotovelo, ali, \ ou eu tinha me machucado. \ Seu jato de ar acaricia \
a pele com calor, um toque leve como uma pena \ que cria ponte uma entre nós. \
Você silenciosamente dissipar minha raiva, \ meu medo e minha tensão com seu
sopro; nada \ os detidos, elo pura força, \ você respira sobre minha pele, \ toca
minha mente. \ Sua respiração acalma e conforto, \ uma luz me beija, \ beija meus
sonhos. Poema da premiada escritora dinamarquesa Pia
Tafdrup. Veja mais aqui, aqui & aqui.
A MÚSICA DE MARISA MONTE
O amor é uma forma de inteligência. É uma maneira positiva de se relacionar com o mundo, com as pessoas e com a vida. Está na gentileza, na generosidade, na gratidão...
Pensamento da cantora, compositora e musicista, Marisa Monte (Marisa
de Azevedo Monte), que alcançou fama com seu álbum de estreia MM (1989) e
construiu uma trajetória de sucesso e aplausos de crítica e de público. Veja
mais aqui, aqui & aqui.








