OS
GOLES GENEROSOS DELA... – Ela
exibiu o Arco do Cupido e inquieta com uma mioquimia labial, ora contraindo,
premendo, mordiscando aos muxoxos osculantes, investiu decidida e um afetuoso
beijo de biquinho estalou delicado na pontinha da minha glande, o que fez com
meu membro se sacudisse dilatando-se, com um leve sopapo invulgar entre seus
lábios extremamente sedosos. Ela suspirou suavemente majorando seus afagos
gratificantes, a precipitar sua aveludada língua numa tímida lambida circulante
e auspiciosa, de me levar ao apogeu dali e, em questão de décimos de segundos,
além da Via Láctea, perdido na imensidão. Sua ofensiva insinuação afagante se
apropriou do meu sexo e se espalhou a esfregá-lo ternamente em seu nariz,
agrados provocados pelo inalar adelgaçado entre singelos ósculos para lá de
benfazejos. E não parou por aí, logo passou a deslizá-lo meigamente pela pele
de sua face macia, por seus seios altos, pelas dobras dos ombros, subindo-lhe
garganta, por trás do ouvido, como enfeitiçada, genuflexa e debruçada sobre
minhas coxas, fazendo dali o seu propício regaço. Meticulosamente envolveu-o
entre as mãos, imprimindo seu provocante hálito morno a cobiçá-lo calma e
discretíssima, como se o espreitasse apaixonada, comprimindo-o prudente às
beiçadas, a tê-lo inteiro, abocanhando todo comprimento sem tocá-lo e
abarcando-o completamente como se quisesse engoli-lo gulosa desvairada e
envolvê-lo com sua exalação sobejada. Desfrutava-o cheia de mimos, cheiros e
lambidelas, contendo-se aparentemente apaziguada, dissimulação denunciada pela
respiração profunda a cada assalto em degustá-lo preventiva aos poucos e bons
bocados. A cada serena aboquejada saboreava ruidosa e premente, a servir-se em
descomedida infusão, calmamente deliciada com teor venerável, como se privasse
dele o manjar predileto. Rebuscou-se enlevada de servil indecência, com todos
os truques de provar ao paladar, sugando-o com todo apetite, enquanto me
extorquia com a língua permeável aveludada, aos louvores e exaltação,
esbanjando-se subalterna com todo desfrute ardoroso, fruindo-o com imensa
dedicação, empanturrando-se a sorver venturosa com toda gula peculiar, a
degluti-lo ávida mordiscando-o vingativa e a chuchar aos solavancos das hábeis mãos
simultâneas com manobras eximias de me masturbar, enquanto saqueava sugadora
todos os meus atributos já despossuídos. Dona de si aspirava infatigável e
prosperava altiva a ingerir o suco incipiente que emanava do meu pênis
rigidamente provocado a papá-lo faminta às engolidas chupadoras, deleitando-se
manhosa aos dengos e fetiches mais desarvorados. Aproveitava-se esgotando aos
fungados toda minha vitalidade e hauria empolgada logrando ousada para se
fartar de toda provisão às mamadas mais diligentes. E absorvia arrebatada como
se roubasse minhas forças em assanhar seus cabelos fogosos, agarrando firme sua
carne deleitosa estimulante, completamente eriçada e a cada momento arquejante
com a sucção do seu indisfarçável regalo amotinado, aos goles devoradores e a
soltar seus gemidos ávidos em falsete, qual bendita égua no cio rendendo-se aos
açoites. Assim emborcada na prestimosa felação soberba, pilhando entusiasticamente
todo êxtase ardente de prazer insuperável, a borrifar-se destinatária do meu
sumo em profusão, abastecendo-a voraz anfitriã, com o ápice do meu gozo
extremado, como se depusesse audaz sua garbosa libação prazerosa. Veja mais
aqui.
DITOS & DESDITOS
Contar uma história significa levar as
mentes no voo da imaginação e trazê-las de volta ao mundo da reflexão... Em
primeiro lugar eu escrevo para existir, eu escrevo para mim. Eu existo no mundo
e a minha existência repete-se nas outras pessoas...
Pensamento da escritora moçambicana Paulina
Chiziane. Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.
ALGUÉM FALOU:
Como sempre, os problemas trazem soluções.
Este problema trouxe tantas respostas que eu jamais poderia ter imaginado.
Penso nesse processo em termos da palavra francesa interpréter, que tem um
duplo sentido: pensar sobre o significado ou analisar, e atuar teatralmente. Um
ator é um un interpréte. Todas as mulheres estavam entre mim e a letra, como interprètes.
Pensamento da escritora, fotógrafa e
artista conceitual Sophie Calle. Veja mais aqui, aqui & aqui.
O MOTEL DO VOYEUR - [...] Se nossa sociedade tivesse a oportunidade de ser voyeur por um dia, encararia a vida de maneira muito diferente da atual. [...]. Trecho extraído da obra The Voyeur's Motel (Grove Press, 2016), do escritor estadunidense Gay Talese, que na sua obra Thy Neighbor's Wife: A Chronicle of American Permissiveness Before the Age of AIDS (Harper Perennial, 2009), ele expressa que: [...] Ao contrário dos milhões que se masturbam casualmente em solidão enquanto olham fotos de mulheres na Playboy e revistas semelhantes, o massagista preferia uma cúmplice, uma acompanhante de aparência respeitável que o ajudasse a reduzir a culpa e a solidão desse ato de amor tão solitário. [...] Embora a força moral da tradição judaico-cristã e da lei tenha buscado purificar o pênis e restringir sua semente à instituição santificada do matrimônio, o pênis não é, por natureza, um órgão monogâmico. Ele não conhece código moral. Foi projetado pela natureza para o desperdício, anseia por variedade, e nada menos que a castração eliminará o fascínio da prostituição, da fornicação, do adultério ou da pornografia. [...] Curiosamente, o caso histórico de 1868 na Inglaterra, que definiu pela primeira vez a obscenidade — conhecido entre os advogados como a decisão Hicklin — surgiu da acusação de um panfleto que descrevia como os padres frequentemente ficavam tão excitados sexualmente ao ouvirem as confissões das mulheres que às vezes se masturbavam e até copulavam com suas súditas arrependidas no confessionário. [...] O homem casado comum, se tivesse energia, poderia fazer sexo com várias mulheres sem diminuir o carinho e o desejo que sentia pela esposa. Mas mulheres como Judith – ao contrário de mulheres verdadeiramente libertas como Barbara e Arlene – não podiam simplesmente aceitar um homem como um instrumento temporário de prazer; eles queriam luzes suaves e promessas, não apenas um pênis, mas o homem ligado a ele. [...]. Ele também é autor de obras como The Kingdom and the Power: Behind the Scenes at The New York Times: The Institution That Influences the World (Random House Trade, 2007), The Gay Talese Reader: Portraits and Encounters (Bloomsbury, 2003) e The Bridge: The Building of Verrazano-Narrows Bridge (Walker Books, 2003), entre outros.
O ESPELHO DAS
ALMAS SIMPLES – [...] O
amor não é destruição, mas sim instrução, alimento e sustento para aqueles que
nele confiam, pois o amor é plenitude, abismo e a plenitude do mar. [...] Amor:
Tal Alma, diz o Amor, nada no mar da alegria, isto é, no mar de delícias que
fluem e jorram da Divindade, e ela não sente alegria, pois ela mesma é alegria,
e assim ela nada e flui em alegria sem sentir nenhuma alegria, pois ela habita
na alegria e a alegria habita nela; pois através do poder da alegria ela mesma
é alegria, que a transformou em si mesma. Agora eles têm uma vontade comum,
como fogo e chama, a vontade do amante e a do amado, pois o amor transformou
esta Alma em si mesma. A Alma: Ah, dulcíssimo, puro, divino Amor, diz esta
Alma, quão doce é esta transformação pela qual sou transformada naquilo que amo
mais do que a mim mesma! E sou tão transformada que, com isso, perdi meu nome
por amor, eu que posso amar tão pouco; e sou transformada naquilo que amo mais
do que a mim mesma, isto é, no Amor, pois não amo nada além do Amor. [...] Amor.
Esta Alma, diz o Amor, é dilacerada pela mortificação e queimada pelo ardor do
fogo da caridade, e suas cinzas são espalhadas pela insignificância de sua
vontade sobre os altos mares. Na prosperidade, ela tem a nobreza dos
bem-nascidos; na adversidade, a nobreza dos exaltados; em todos os lugares,
quaisquer que sejam, a nobreza dos excelentes. Aquela que é assim² não busca
mais a Deus pela penitência ou por qualquer sacramento da Santa Igreja, nem por
reflexões, palavras ou obras, nem por qualquer criatura aqui embaixo ou lá em
cima, nem pela justiça, misericórdia ou a glória das glórias, nem pelo
conhecimento divino, pelo amor divino ou pelo louvor divino. Amor. Esta Alma,
diz o Amor, é dilacerada pela mortificação e queimada pelo ardor do fogo da
caridade, e suas cinzas são espalhadas pela insignificância de sua vontade
sobre os altos mares. Na prosperidade, ela tem a nobreza dos bem-nascidos; na
adversidade, a nobreza dos exaltados; em todos os lugares, quaisquer que sejam,
a nobreza dos excelentes. Aquela que é assim² não busca mais a Deus pela
penitência ou por qualquer sacramento da Santa Igreja, nem por reflexões,
palavras ou obras, nem por qualquer criatura aqui embaixo ou lá em cima, nem
pela justiça, misericórdia ou a glória das glórias, nem pelo conhecimento
divino, pelo amor divino ou pelo louvor divino. [...] Amor: Ah, Razão,
diz o Amor, você sempre verá com um só olho, você e todos aqueles que são
nutridos por sua doutrina. Pois o homem é de fato caolho aquele que vê as
coisas que estão diante de seus olhos, mas não sabe o que são; e este é o seu
caso. [...]. Trechos extraídos da obra The
Mirror of Simple Souls (Paulist Press, 1993), da mística beguina Marguerite Porete (1258-1310), que foi queimada na fogueira por
heresia em Paris, em 1310, após um longo julgamento por se recusar a retirar
seu livro de circulação ou a retratar-se de suas ideias.
HISTÓRIA
DA ARTE - [...] Eu
gostaria de ajudar a abrir os olhos, não a soltar a língua [...] É
evidente que o agradável ganho em tolerância resultará também numa perda de
padrões, e que a busca de novas emoções também de se pôr em perigo aquela
paciência que fez os amantes de artes do passado cortejarem as obras-primas
reconhecidas até herdarem algo de um segundo. É tudo como certo que em respeito
pelo passado tinha seus inconvenientes, sempre que leve a negligenciar a obra
de artistas vivos. Não temos garantia alguma de que nossa receptividade não nos
leve a desdenhar um verdadeiro gênio entre nós, que se abre seu caminho para o
futuro sem levar em conta a moda e a publicidade [...]. Trechos extraídos
da obra A história da arte (Guanabara, 1978), do historiador da arte Ernst
Hans Josef Gombrich (1909-2001). Veja mais aqui.
OS
ANJOS BONS DA NOSSA NATUREZA - [...]
Passar em revista a história da violência é assombrar-se repetidamente com a
crueldade e o desperdício de tudo aquilo e às vezes ser tomado pela cólera,
pela repugnância e por um incomunicável tristeza [...]. Trecho extraído da
obra Os anjos bons da nossa natureza: porque a violência diminuiu
(Companhia das Letras, 2013), do psicólogo e linguista canadense Steven
Pinker (Steven Arthur Pinker), defendendo com base em vastos dados
estatísticos e históricos, que a violência diminuiu drasticamente ao longo da
história da humanidade. O declínio é impulsionado por instituições sociais,
pela razão e pela empatia. O declínio global da violência é explicado por
quatro fatores principais (os "anjos bons"): O Leviatã (O Estado): A
centralização do poder e o monopólio da força pelos governos reduziram a
necessidade de vingança privada e a violência por retaliação, garantindo a paz
civil. O Suave Comércio: A expansão do comércio global aumentou o valor de
manter os parceiros comerciais vivos do que mortos, estimulando a cooperação em
vez do conflito. A Feminização: A ascensão de valores tipicamente associados às
mulheres — como empatia, resolução de conflitos por negociação e aversão à
crueldade gratuita — moldou normas sociais. O Escalão da Razão: O aumento da
educação, da alfabetização e do pensamento crítico permitiu que a humanidade
reconhecesse a violência como um problema solucionável, em vez de um ato
glorioso. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
A
DEUSA – [...] a Deusa
se dá dentro de um contexto patriarcal, onde a perda de representação da Deusa
atinge profundamente e principalmente ao universo religioso das mulheres, sendo
que, o culto a Asherah vai sobrevivendo, até ser definitivamente extinguido e
proibido, dos espaços, das mentes e dos corpos, de homens e mulheres que tinham
em Asherah uma fonte de significação para a vida. [...]. Trecho extraído da
obra O Segundo Sexo (Nova Fronteira, 2002), da escritora, filósofa,
feminista e ativista política francesa Simone de Beauvoir (Simone
Lucie-Ernestine-Marie Bertrand de Beauvoir – 1908-1986). Veja mais aqui, aqui,
aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
A NOIVA DE CORINTO - De Atenas provindo, a Corinto \ Chega um jovem que desconheciam, \
Como hóspede em domo distinto. \ Os dois pais sempre se recebiam, \ Ambos desde
cedo \ O moço e a moça \ Noivo e noiva já se prometiam. \ Mas será ele também
lá bem-vindo, \ Se boas graças nunca conquistou? \ Com seus gentios é pagão
ainda, \ E o da casa em Cristo batizou. \ Nova fé que fulge \ Contra amor
insurge \ Qual erva daninha logo se arrancou. \ Repousa a casa inteira, é
tarde, \ Sem pai ou filha, só, a dona domina; \ Recebe o moço com boa-vontade,
\ Logo o melhor quarto ela lhe destina. \ Uma ceia ostenta, \ Bem alojá-lo
tenta: \ Depois diz boa noite, sai em surdina. \ Entretanto o apetite é perdido
\ Farta refeição posta, a despeito; \ Extenuado, de comes abstido, \ Mesmo
vestido faz-se ao leito; \ Quase ele cochila, \ Mas a porta estila \ Esgueira-se
ao quarto um afeito. \ Ao clarão da luz, vê se insinuar \ Pelo quarto, moça
virginal \ Brancos véus a acobertar, \ Cingindo a fonte preto-ouro xal. \ Tão
logo o vislumbra \ No canto à penumbra, \ Espanta, mão alva eleva ao alto. \ “Sou
por acaso estranha”, diz ela, \ “Que do hóspede nem tenho notícia? \ Ah, assim
mantêm-me eles na cela! \ Por isso cometo a inconveniência. \ Prossiga dormindo
\ Me esquivo, vou indo, \ Saio como vim, peço licença.” \ “Fique, jovem!” —
grita o rapaz \ Lépido num só pulo de seu tálamo: \ “De Céres e Baco, as
oferendas \ Tens. Agora amor traz teu âmago. \ O susto te descora \ Vem, não vá
embora, \ Deleitemos dos deuses o júbilo! \ “Fique longe, mancebo! Parado! \ Não
me é permitida a ventura. \ Fatal passo, ah! já foi dado. \ Boa mãe doente em
insânia pura! \ Caso convalesça \ A promessa faz: \ Que consagra filha aos céus
em jura. \ De deuses antigos o cortejo \ Proscrito, a casa silencia logo. \ Invisível
um uno em adejo, \ O salvador na cruz está morto. \ E o imoleiro, \ Não rês ou
cordeiro, \ Mas, seres humanos tem sacrificado. \ Ele indaga as palavras
pesando, \ Que jamais com o espírito desavêm: \ É possível ter num ermo
aposento \ Minha noiva em pessoa ante mim? \ “Seja minha, criança! \ Os pais
com a fiança \ Bênçãos celestes nos concedem.” \ “Coração, não é a ti que
destino! \ É a mana que te hão de atribuir. \ Enquanto na cela nefasta amofino,
\ Lembre de mim um dia no porvir, \ Que só penso em ti \ Pelo amor sofri \ E a
terra em breve há de cobrir!” \ “Não! Eu juro, com a mão sobre o fogo \ Vontade
paterna compartilhar; \ Nem perdida ou desdita, te rogo, \ Vem para a casa
comigo viajar. \ Fique! Eu te peço! \ Um sonho confesso. \ Nossas núpcias em
festim celebrar! \ E trocam eles prendas de amor: \ Ela dá-lhe um dourado
adereço, \ Por sua vez, faixa de prata cor, \ Presenteia-lhe em terno apreço. \
“Não é meu o xale! \ Mas muito me vale! \ Dê-me uma mecha de teu cabelo.” \ Dos
fantasmas soa a fúnebre hora, \ Quando ela transforma-se langue. \ Ávida sorve
a pálida boca \ Sôfrega o vinho tinto qual sangue: \ Mas de trigo o pão, \ Que
o gentil em vão, \ Lhe oferece, ela sequer o tange. \ Estende ela o cálice ao
moço, \ Que ardente o esvazia num gole. \ E suplica a cear licencioso; \ Amor,
que seu coração console. \ Mas ela resiste, \ Ao que ele insiste, \ Até que na
cama em pranto implore. \ Aproxima-se ela, ajoelha: \ “Desatino é ver teu
sofrer! \ Satisfaça-te e toque-me e olhe \ Esses membros que estou a esconder.
\ Clara como a neve, \ Mas fria como deve \ A amada que vens de eleger.” \ Ardente
a cerra, abraço viril, \ Intenso a estreita, a inunda: \ “Eu desejo aquecê-la
do frio, \ Mesmo que tu me venhas da tumba! \ Um beijo fervente! \ Anseio
eloquente! \ Não te queima uma paixão profunda?” \ E selando em êxtase o amor,
\ Lágrimas ao desejo se mesclam; \ Suga-lhe ela à boca o calor, \ Presos um ao
outro se infundem. \ Seu ardor feroz \ Anima-a voraz; \ Não lhe pulsa o
coração, porém! \ Nisso a mãe pela casa vagueia \ Sempre alerta, tão tarde em
ofício, \ Detém-se escutando à soleira, \ Um singular gemido e bulício. \ Em
pleno alvoroço \ A moça e o moço \ Indícios de amor em balbucio. \ Ela imóvel
detém-se ao umbral, \ Suspeita mas reluta uma vez, \ Cisma e apura paixão
cabal, \ Que evoca a sanha cupidez — \ “O galo canta, amada! — \ Mas noutra
madrugada…” \ Beijos, beijos. “Tu vens, talvez?” \ Não contém a raiva em
delonga, \ A porta ela abre de chofre: \ “Há cá nesta casa songa-monga, \ Que
ao forasteiro se oferece?” \ Entra e ojeriza, \ Ao clarão divisa — \ Santo
Deus! A ilha reconhece. \ O jovem no primeiro espanto \ Tenta com o véu a
impudente, \ Com o tapete, cobrir-lhe o desmanto; \ Mas ela se ergue logo
saliente. \ Como um fantasma \ Que do alto plasma \ Longa e lenta, plana ao
leito. \ “Mãe, mãe!” Diz com voz de sepulcro, \ “Você quer ser
desmancha-prazer? \ Tira-me ao tépido e pulcro! \ Me acorda para arrefecer? \ Como
se não basta, \ Quando inda casta, \ Você cedo ao túmulo me por? \ Mas uma lei
bem própria me expulsa \ Me liberta da baldia prisão. \ A cantilena sacra é
insulsa, \ A mim sequer comove oração; \ Salmodiou sem efeito \ Se os jovens a
eito; \ Ah! Terra não esmorece paixão. \ Esse moço me foi prometido, \ Nos bons
tempos do templo de Vênus. \ Mãe, contudo foi o voto rompido, \ Pois o alheio e
falso os seduz! \ Mas nenhum deus ouve,\ Quando a madre ousa \ Recusar à ilha
as bodas de jus. \ Da sepultura lançada à vida, \ À procura do anelado bem,\ Por
perdido ser inda querida \ Aspirar todo o sangue que tem. \ Quando ele morrer,
\ Mais hei de querer, \ Sedenta, a debelar gente jovem. \ Tanto não viverás! \ Definhas-te,
aqui neste lugar, meu belo; \ Ofertei-te minha correntinha \ Comigo guardo a
mecha com zelo. \ Veja-lhe ademãs, \ Depois, meras cãs! \ Lá insosso e sem cor
será o pelo. \ “Ouça, mãe, a prece derradeira: \ Minha última morada abre! \ Então
arme uma grande fogueira, \ Os amantes nas chamas, descanse! \ Chispa
resplandece, \ Brasa incandesce, \ Devoltamos à crença fagueira”. A balada
“Die Braut von Korinth” (1797), do polímata alemão Johann Wolfgang von
Goethe (1749-1832), inspirado na obra tratado De Mirabilibus (Livro
das maravilhas), do escritor grego Flégon de Treales, conta a história da
jovem Filinion, que retorna da morte para desfrutar os prazeres negados em vida.
Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.








