domingo, fevereiro 07, 2016

CRÔNICA DE AMOR POR ELA


CONTAGEM REGRESSIVA – Dez. Meus pés sabem de cor o caminho – para ela, ora. Pros seus tonéis, vambora! E não escolhem, vão sozinhos. Seja revestrés, ou pelourinho. Tudo para ela! Paixão, maior esparrela. Segura o rojão. Ah, não, ela é meu parque de diversão, meu fascínio, ela é só domínio, dos pés à cabeça – se bem que eu mereça! Seu corpo é o meu ninho, sua alma minha redenção. Seu jeito e carinho, tudo coroação! Seus olhos me devem - Stairway to heaven – porque ela é minha escada. E eu, a sacada Led Zeppelin, com as suas pegadas numa balada sem fim. Nove. Que tudo se renove, até que ela me prove ao paladar. Sem bla bla blá! Com fome medonha! Diz que comigo sonha, me quer por inteiro. Como sou cabreiro, faço a minha parte! Ela me enche de arte e tudo se encaminha. E me come com farinha e sem barganha. Eu feito rebatinha, ela sem-vergonha tal nave espacial, nada igual se compara, ela é jóia rara, espetáculo fenomenal que mesmo vencida, mesmo que passe batida, é tudo por ela: a janela da vida. Oito. Ela me encanta como canta Adriana Calcanhoto. E me deixa afoito pro riba dela onde faço viagens, colheitas, expedições. Onde sobrevivo das maleitas e faço dominações. E na sua mimosa titela, todo seu talhe formoso. Já tô pra lá de fogoso quando nua, uma mão na cintura, nossa! Santa criatura da lua! Outra mão ao peito, coração. Tudo perfeito! É de fazer jura, oração, de sorver sem perfume, o seu doce e azedume, eu, maior libação. Com furor até virar um tição a se embriagar de amor. Sete. Pode chover canivete, dela não desgrudo. Posso até perder tudo, dela não abro mão. Abro mesmo não, pode ser aventura: tudo com ela nas minhas rotações, nas minhas translações, ela tudo pode, tudo cura nela. E me sacode, me tira dos bodes, me dá remissão. É minha paixão, então, doidinha pra namorar, só faz a me enfeitiçar de ficar com cara de tacho, sacudido pelo esculacho no meio do escambau. Beleza total! Ela é meu bem, é meu mal, o meu cambalacho amoral, minha perdição de curau. È minha adoração, reza do meu novenário, ela é verdadeiro sacrário, minha maior salvação. Seis. Não conto nem até três! Sou o seu D. Quixote, agarrado ao seu cangote de sonhada Dulcinéia, razão da minha epopéia, motivo de todo galope. E dou-lhe certeiro meu golpe por todas as suas tocas, pelas pororocas que desmantelam meridiano. Levo e trago sem dano e falo em zoada no rito, como se fosse Cleópatra do Egito, ou rainha de Shangri-lá. Pode ser até o boitatá, tudo pra ela, reitero. Todas mungangas tempero, pra nela só me agarrar. Cinco. Abri todos os seus trincos. Nada mais resta. Vou fazer sempre festa porque ela é toda surpresa. Nunca uma certeza, sempre uma nova entidade pra minha felicidade porque só me chega impune, nuínha safada e imune, só pra me provocar. Não vai adiantar, porque amolo meus dentes que cravo de forma persistente até vê-la na passarela, gozando da maior quimera, até escorregar na bica. Então passo-lhe a pica: é tudo nela. Quatro. Que fino trato! Meu deus me acuda! Ela fica desnuda como uma vítima de guerra. Ela me desemperra, me faz campeão. Deixa minada toda minha terra, para sair em cadeia toda explosão. É quando meneia, sacode e demanda, tudo é desordem, tudo desmanda, eu só no folguedo, feito caboclinho que perdeu o medo de ser danadinho na sua plantação. Três. Eu sou seu freguês. Mesmo assim sou cortês até que ela desmanche, até que minha reputação ela manche, eu volto outra vez. E mesmo que chegue até o fim do mês com toda lengalenga, eu pego a minha estrovenga e resolvo o riscado. Dou cabo no rachado e toda pendenga apaga o facho é quando ela se diz minha quenga e que eu sou o seu macho. Dois. Não deixo pra depois, jeito maneira. Levanto a bandeira e quero a vitória. Ela é minha glória, todo meu quinhão. Quando tudo estupora, ela é solução. Pois a quero de inverno a verão, na boléia de um caminhão, enquadrada num camburão ou perdida em qualquer hemisfério. Eu quero seu jeito etéreo, sua manha e desdém. Até que não valha um vintém, pra mim é bolada de loteria, ela é toda minha alegria, ah, danada! É meu céu de primavera, minha história das eras, minha Hera desgraçada, meu pecado e odisséia, toda minha prosopopéia é pra ela dedicada. Um. Cabum! Jam session! On. Hum... bis! O tom feliz! Triz! Salva de palmas! Ela traz sua alma pra junto da minha, eu um matuto de quartinha, fico mais leso dos olhos vidrados, de juízo virado. Mesmo que me faça coitado, sou grato e satisfeito, porque só nela tem jeito minha vida erradia, de levantar todo dia endividado com a graça dos seus olhos alados. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

  
Imagem: O beijo, de Graham Dean

CARNAVAL

Luiz Alberto Machado

É ela o carnaval da minha folia

E rodopia dançando meu frevo

E fervo nela toda fantasia

E por noitedia eu sou no que é dela

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Imagem: arte de Isis Nefelibata.
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