CELEBRAÇÃO DELA... – Seus olhos
esbanjam a gula arraigada de sua paradisíaca exacerbação indomável – neles o
abrigo para me salvar da diáspora. A sua arregalada boca murmura à vida o
conluio de nossos beijos arrebatados. Seus apimentados lábios entreabertos
exaltam a pulsão da oblíqua espera da sua gula insaciável – o verbo revelado. O
abissal decote me chama a percorrer o vale entre as dunas apetitosas de seus
aduncos seios ofertados, para que eu saboreie mangas-rosas ao meu paladar
salivador – regaço da minha redenção, meu eremitério. Nos seus braços o porto
seguro para ancoragem das minhas andanças, para ganhar de suas mãos a gênese
dos dias e das noites. E assim reina soberana sobre meu sexo exímia
manipuladora, provocando-me exaltado ao seu domínio possessivo. Inupta
alvoroçada entre as minhas pernas, arranchando vasculhadora sobre o meu ventre,
a remover os óbices para se apropriar da minha artilharia púbica, apoderando-se
da torre devassada por seu poderio da língua serpenteante aveludada,
acometendo-me com o fluxo de suas abocanhadas mais ousadas, a render-me refém
de sua sagacidade sensual de arquear debruçada, ofertando-me as costas
espalmadas, para me servirem de pista de pouso numa aterrissagem altiva por suas
escorregadias montanhas do Cáucaso, deslizando-me pelo tobogã do seu pódice
alvissareiro, a esquiar libidinoso suas fontes pudendas, meu propício hangar,
porque suas pernas são os caminhos para as andanças do meu leste, meus pontos
cardeais para a ilha dos sonhos e ao se abrirem todas as fechaduras escancaram-se
as portas volumosas de suas voluptuosas coxas, a me convidar pra invadi-las
vidente desbravador de toda a opulência de seus tesouros mais secretos. Nocê
estão todos os atributos da Deusa-Mãe para tornar-se o altar da minha devoção,
meu andor em procissão, engatinhando reboladora para me servir o orifício
cobiçado e a gruta dos milagres e possa visitar as eventuais habitações filiais
da mônada suprema, a cavalgá-la qual possante égua no cio a me levar pra
Shangri-lá com seu torrencial orgasmo - tê-la meu nirvana, seu gozo minha
iluminação, sua nudez a minha iniciação – do seu ventre toda verdade desvelada,
o portal da eternidade, meu Shekinah. É nela o que sou da ascensão aos céus
divinos. Veja mais abaixo & aqui.
DITOS &
DESDITOS
No fim das
contas, existem certas coisas que você pode levar consigo quando foge, coisas
que não têm peso, como a música...
Pensamento da
escritora e diretora de ópera alemã, Jenny Erpenbeck. Veja mais aqui, aqui & aqui.
ALGUÉM FALOU:
[...] Falar de mulheres não é
somente relatar os fatos em que esteve presente, mas reconhecer o processo
histórico de exclusão de sujeitos. [...]
Trecho extraído da obra Tempos
diferentes, discursos iguais: a construção do corpo feminino na história (UFGD,
2014), da historiadora, pesquisadora e professora Ana Maria Colling.
ODISSEIA – […] De todas as
criaturas que respiram e se movem sobre a terra, nenhuma é mais frágil que o
homem. [...] Há tempo para muitas palavras, e há
também tempo para dormir. [...] Não há nada mais admirável do que quando
duas pessoas que se entendem perfeitamente vivem juntas como marido e mulher,
confundindo seus inimigos e encantando seus amigos. [...] Um homem que
passou por experiências amargas e viajou muito, passa a apreciar até mesmo seus
sofrimentos depois de um tempo. [...] Um amigo com
um coração compreensivo vale tanto quanto um irmão. [...] Os homens são tão rápidos em culpar os deuses: dizem que nós
arquitetamos sua miséria. Mas eles eles mesmos - em sua depravação - arquitetam
dores maiores do que as dores que o destino lhes impõe. [...]. Trechos
extraídos da obra The Odyssey (Penguin, 2010), do poeta grego Homero.
Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
A ESPOSA DO TEU PRÓXIMO - [...] Os homens admitiam ser infinitamente fascinados pela
forma feminina nua; eles apreciavam as mulheres de uma maneira distante e
impessoal que as mulheres, mesmo aquelas que se sentiam lisonjeadas por tal
atenção, raramente compreendiam. [...] Embora
a força moral da tradição judaico-cristã e da lei tenha buscado purificar o
pênis e restringir sua semente à instituição santificada do matrimônio, o pênis
não é, por natureza, um órgão monogâmico. Ele não conhece nenhum código moral. Foi
concebido pela natureza para o desperdício, anseia por variedade, e nada menos
que a castração eliminará o fascínio da prostituição, da fornicação, do
adultério ou da pornografia. [...] Ao contrário dos milhões que se
masturbam casualmente em solidão enquanto olham fotos de mulheres na Playboy e
revistas semelhantes, o massagista preferia uma cúmplice, uma acompanhante de
aparência respeitável que o ajudasse a reduzir a culpa e a solidão desse ato de
amor tão solitário. [...] Curiosamente, o caso histórico de 1868 na
Inglaterra, que definiu pela primeira vez a obscenidade — conhecido entre os
advogados como a decisão Hicklin — surgiu da acusação de um panfleto que
descrevia como os padres frequentemente ficavam tão excitados sexualmente ao
ouvirem as confissões das mulheres que às vezes se masturbavam e até copulavam
com suas súditas arrependidas no confessionário. [...] O homem casado
médio, se tivesse energia, poderia ter relações sexuais com várias mulheres sem
diminuir o afeto e o desejo que sentia por sua esposa. Mas mulheres como Judith
— ao contrário de mulheres verdadeiramente libertas como Barbara e Arlene — não
conseguiam simplesmente aceitar um homem como um instrumento temporário de
prazer; elas queriam luz suave e promessas, não apenas um pênis, mas o homem a
ele ligado. [...] O pênis, muitas vezes considerado uma arma, é também
um fardo, a maldição masculina. [...].
Trechos extraídos da obra Thy Neighbor's Wife: A Chronicle of American
Permissiveness Before the Age of AIDS (Random House, 1995), do escritor
estadunidense Gay Talese, que noutro livro
seu, The Voyeur's Motel (Grove Press, 2016), ele expressa: [...] Se nossa sociedade tivesse a oportunidade de ser voyeur por um dia,
encararia a vida de maneira muito diferente da atual. [...].
FEMINICÍDIO – [...] Na língua do feminicídio, o corpo feminino
também significa território e sua etimologia é tão arcaica como são recentes suas
transformações. Tem sido constitutivo da linguagem das guerras, tribais ou
modernas, que o corpo da mulher seja anexado como parte do país conquistado. A
sexualidade derramada sobre ele expressa o ato de domesticação, apropriação, ao
inseminar o território-corpo da mulher.
[...].
Trecho extraído da obra La guerra contra las mujeres (Traficantes de
Sueños, 2016), da antropóloga e escritora argentina Rita Laura
Segato, autora de obras como Las estructuras elementales de la violencia
(2003), La nación y sus otros (2007), Las nuevas formas de la guerra
y el cuerpo de las mujeres (2014), entre otros.
fazendo o seu pentelho,
com todo o jeito, pra que não ferisse
das cricas o aparelho.
Tinha que dar o cu naquela noite
ao grande pai Anquises,
o qual, com ela, se não mente a fama,
passou dias felizes...
Rapava bem o cu, pois, resolvia
na mente altas idéias:
– ia gerar naquela heróica foda
o grande e pio Enéias.
Mas a navalha tinham o fio rombo,
e a deusa, que gemia,
arrancava os pentelhos e peidando,
caretas mil fazia!
Nesse entretanto, a ninfa Galatéia,
acaso ali passava, e vendo a deusa assim tão agachada,
julgou que ela cagava...
Essa ninfa travessa e petulante
era de gênio mau,
e por pregar um susto à mãe do Amor,
atira-lhe um calhau...
Vênus se assusta. A branca mão mimosa
se agita alvoroçada,
e no cono lhe prega (oh! caso horrendo!)
tremenda navalhada.
Da nacarada cona, em sutil fio,
corre purpúrea veia,
e nobre sangue do divino cono
as águas purpureia...
(É fama que quem bebe dessas águas
jamais perde a tesão
e é capaz de foder noites e dias,
até no cu de um cão!)
– "Ora porra!" – gritou a deusa irada,
e nisso o rosto volta...
E a ninfa, que conter-se não podia,
uma risada solta.
A travessa menina mal pensava
que, com tal brincadeira,
ia ferir a mais mimosa parte
da deusa regateira...
– "Estou perdida!" – trêmula murmura
a pobre Galatéia,
vendo o sangue correr do róseo cono
da poderosa déia...
Mas era tarde! A Cípira, furibunda,
por um momento a encara,
e, após instantes, com severo acento,
nesse clamor dispara:
"Vê! Que fizeste, desastrada ninfa,
que crime cometeste!
Que castigo há no céu, que punir possa
um crime como este?
Assim, por mais de um mês inutilizas
o vaso das delícias...
E em que hei de gastar das longas noites
as horas tão propícias?
Ai! Um mês sem foder! Que atroz suplício...
Em mísero abandono,
que é que há de fazer, por tanto tempo,
este faminto cono?
Ó Adonis! Ó Jupiter potentes!
E tu, mavorte invito!
E tu, Aquiles! Acudi de pronto
da minha dor ao grito!
Este vaso gentil que eu tencionava
tornar bem fresco e limpo
para recreio e divinal regalo
dos deuses do Alto Olimpo
Vede seu triste estado, ó! Que esta vida
em sangue já se esvai-me!
Ó Deus, se desejais ter foda certa
vingai-vos e vingai-me!
Ó ninfa, o teu cono sempre atormente
perpétuas comichões,
e não aches quem jamais nele queira
vazar os seus colhões...
Em negra, podridão imundos vermes
roam-te sempre a crica,
e à vista dela sinta-se banzeira
a mais valente pica!
De eterno esquentamento flagelada,
verta fétidos jorros,
que causem tédio e nojo a todo mundo,
até mesmo aos cachorros!"
Ouviu-lhe estas palavras piedosas
do Olimpo o Grão-Tonante,
que em pívia ao sacana do Cupido
comia nesse instante...
Comovido no íntimo do peito,
das lástimas que ouviu,
manda ao menino que, de pronto, acuda
à puta que o pariu...
Ei-lo que, pronto, tange o veloz carro
de concha alabastrina,
que quatro aladas porras vão tirando
na esfera cristalina
Cupido que as conhece e as rédeas bate
da rápida quadriga,
co'a voz ora as alenta, ora co'a ponta
das setas as fustiga.
Já desce aos bosques onde a mãe, aflita,
em mísera agonia,
com seu sangue divino o verde musgo
de púrpura tingia...
No carro a toma e num momento chega
à olímpica morada,
onde a turba dos deuses, reunida,
a espera consternada!
Já Mercúrio de emplastros se aparelha
para a venérea chaga,
feliz porque aquele curativo
espera certa a paga...
Vulcano, vendo o estado da consorte,
mil pragas vomitou...
Marte arranca um suspiro que as abóbadas
celestes abalou...
Sorriu a furto a ciumenta Juno,
lembrando o antigo pleito,
e Palas, orgulhosa lá consigo,
resmoneou: – "Bem-feito"!
Coube a Apolo lavar dos roxos lírios
o sangue que escorria,
e de tesão terrível assaltado,
conter-se mal podia!
Mas, enquanto se faz o curativo,
em seus divinos braços,
Jove sustém a filha, acalentando-a
com beijos e com abraços.
Depois, subindo ao trono luminoso,
com carrancudo aspecto,
e erguendo a voz troante, fundamenta
e lavra este DECRETO:
– "Suspende, ó filha, os lamentos justos
por tão atroz delito,
que no tremendo Livro do Destino
de há muito estava escrito.
Desse ultraje feroz será vingado
o teu divino cono,
e as imprecações que fulminaste
agora sanciono.
Mas, inda é pouco: – a todas as mulheres
estenda-se o castigo
para expiar o crime que esta infame
ousou para contigo...
Para punir tão bárbaro atentado,
toda humana crica,
de hoje em diante, lá de tempo em tempo,
escorra sangue em bica...
E por memória eterna chore sempre
o cono da mulher,
com lágrimas de sangue, o caso infando,
enquanto mundo houver..."
Amém! Amém! como voz atroadora
os deuses todos urram!
E os ecos das olímpicas abóbadas,
Amém! Amém! sussurram...
que assim te vejo murcho e cabisbaixo
sumido entre essa basta pentelheira,
mole, caindo pela perna abaixo?
Nessa postura merencória e triste
para trás tanto vergas o focinho,
que eu cuido vais beijar, lá no traseiro,
teu sórdido vizinho!
Que é feito desses tempos gloriosos
em que erguias as guelras inflamadas,
na barriga me dando de contínuo
tremendas cabeçadas?
Qual hidra furiosa, o colo alçando,
co'a sanguinosa crista açoita os mares,
e sustos derramando
por terras e por mares,
aqui e além atira mortais botes,
dando o co'a cauda horríveis piparotes,
assim tu, ó caralho,
erguendo o teu vermelho cabeçalho,
faminto e arquejante,
dando em vão rabanadas pelo espaço,
pedias um cabaço!
Um cabaço! Que era este o único esforço,
única empresa digna de teus brios;
porque surradas conas e punhetas
são ilusões, são petas,
só dignas de caralhos doentios.
Quem extinguiu-te assim o entusiasmo?
Quem sepultou-te nesse vil marasmo?
Acaso pra teu tormento,
indefluxou-te algum esquentamento?
Ou em pífias estéreis te cansaste,
ficando reduzido a inútil traste?
Porventura do tempo a destra irada
quebrou-te as forças, envergou-te o colo,
e assim deixou-te pálido e pendente,
olhando para o solo,
bem como inútil lâmpada apagada
entre duas colunas pendurada?
Caralho sem tensão é fruta chocha,
sem gosto nem cherume,
lingüiça com bolor, banana podre,
é lampião sem lume
teta que não dá leite,
balão sem gás, candeia sem azeite.
Porém não é tempo ainda
de esmorecer,
pois que teu mal ainda pode
alívio ter.
Sus, ó caralho meu, não desanimes,
que ainda novos combates e vitórias
e mil brilhantes glórias
a ti reserva o fornicante Marte,
que tudo vencer pode co'engenho e arte.
Eis um santo elixir miraculoso
que vem de longes terras,
transpondo montes, serras,
e a mim chegou por modo misterioso.
Um pajé sem tesão, um nigromante
das matas de Goiás,
sentindo-se incapaz
de bem cumprir a lei do matrimônio,
foi ter com o demônio,
a lhe pedir conselho
para dar-lhe vigor ao aparelho,
que já de encarquilhado,
de velho e de cansado,
quase se lhe sumia entre o pentelho.
À meia-noite, à luz da lua nova,
co'os manitós falando em uma cova,
compôs esta triaga
de plantas cabalísticas colhidas,
por sua próprias mãos às escondidas.
Esse velho pajé de pica mole,
com uma gota desse feitiço,
sentiu de novo renascer os brios
de seu velho chouriço!
E ao som das inúbias,
ao som do boré,
na taba ou na brenha,
deitado ou de pé,
no macho ou na fêmea
de noite ou de dia,
fodendo se via
o velho pajé!
Se acaso ecoando
na mata sombria,
medonho se ouvia
o som do boré
dizendo: "Guerreiros,
ó vinde ligeiros,
que à guerra vos chama
feroz aimoré",
- assim respondia
o velho pajé,
brandindo o caralho,
batendo co'o pé:
- Mas neste trabalho,
dizei, minha gente,
quem é mais valente,
mais forte quem é?
Quem vibra o marzapo
com mais valentia?
Quem conas enfia
com tanta destreza?
Quem fura cabaços
com gentileza?"
E ao som das inúbias,
ao som do boré,
na taba ou na brenha,
deitado ou de pé,
no macho ou na fêmea,
fodia o pajé.
Se a inúbia soando
por vales e outeiros,
à deusa sagrada
chamava os guerreiros,
de noite ou de dia,
ninguém jamais via
o velho pajé,
que sempre fodia
na taba na brenha,
no macho ou na fêmea,
deitando ou de pé,
e o duro marzapo,
que sempre fodia,
qual rijo tacape
a nada cedia!
Vassouras terrível
dos cus indianos,
por anos e anos,
fodendo passou,
levando de rojo
donzelas e putas,
no seio das grutas
fodendo acabou!
E com sua morte
milhares de gretas
fazendo punhetas
saudosas deixou...
Feliz caralho meu, exulta, exulta!
Tu que aos conos fizeste guerra viva,
e nas guerras de amor criaste calos,
eleva a fronte altiva;
em triunfo sacode hoje os badalos;
alimpa esse bolor, lava essa cara,
que a Deusa dos amores,
já pródiga em favores
hoje novos triunfos te prepara,
graças ao santo elixir
que herdei do pajé bandalho,
vai hoje ficar em pé
o meu cansado caralho!
Sus, caralho! Este elixir
ao combate hoje tem chama
e de novo ardor te inflama
para as campanhas do amor!
Não mais ficará à-toa,
nesta indolência tamanha,
criando teias de aranha,
cobrindo-te de bolor...
Este elixir milagroso,
o maior mimo na terra,
em uma só gota encerra
quinze dias de tesão...
Do macróbio centenário
ao esquecido mazarpo,
que já mole como um trapo,
nas pernas balança em vão,
dá tal força e valentia
que só com uma estocada
põe a porta escancarada
do mais rebelde cabaço,
e pode em cento de fêmeas
foder de fio a pavio,
sem nunca sentir cansaço...
Eu te adoro, água divina,
santo elixir da tesão,
eu te dou meu coração,
eu te entrego a minha porra!
Faze que ela, sempre tesa,
e em tesão sempre crescendo,
sem cessar viva fodendo,
até que fodendo morra!







