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segunda-feira, fevereiro 22, 2016

MANSFIELD, ÁNGEL RAMA, BEAUVOIR, GILKA MACHADO & BANDA DE MANÉ PRETO

 


A BANDA DE MANÉ PRETO - Gente, eu já ouvi de tudo, mas essa banda é a maior tronchura. Juro! Eles são tanto hors concours, como sui generis e mais superlativos exagerados que deixam a idéia tanto para infortúnios como para fenômenos inexplicáveis. Isso mesmo. Essa a atitude assumida por eles. E começa pelo nome: o primeiro de batismo foi “Zumbido da porra”, mas logo mudaram porque os integrantes não acharam a menor graça. Depois foi “Arrepiando as pregas”, satisfazendo a todos pela ausência de coisa melhor. Enfim, vieram os “Zoando a fole”, “Torando tudo” até passar pelo “Cacete a quatro” e, enfim, depois de muita lengalenga chegaram no “Além do 8 e do 80”. Na verdade, por causa das imprestáveis idéias que beiravam o cúmulo do insensato, nome em definitivo, até hoje, não tem, sendo, portanto, conhecida apenas por Banda de Mané Preto. Pela atitude bisonha deles, a questão passa a ser uma das características fundamentais da banda: os inomináveis. Isso, claro, sintetizando bem a idéia que eles querem passar da bizarrice embrulhada toda. O som. Bem, o som da banda se parece com algo que, segundo a enrolada de língua deles na pronúncia desdentada, deixa apenas entender, assim, de relance que se trata de alguma coisa que se identifique perto do pós-dodecafônico, do ultratonal. Explicação: não tem. Isso porque primeiro não se entende nada do que dizem e porque foram duas palavras escolhidas a dedo por eles para justificar alguma coisa de proposta sonora. Com certeza, gente, John Cage ficaria de queixo caído se visse. Inacreditável mesmo tanta microfonia, dissonância, pancada, ruído, barulho, doidice, inaptidão, tranqueira, busuntice, tudo junto no maior pandemônio. Doideira pura. Os integrantes: 5 maloqueiros que se dizem lá à maneira deles - e quase não se deixando entender -como indie, trash, headbanger, darks, hard, groove, heavy, grunges, punk, ska, blacks, surf music, cover drags e o escambau, ou tudo isso junto na maior pauleira com mais uma porrada de coisa não identificável. O cantor, ou melhor, como ele mesmo se diz crooner, é o Mané Preto, sujeito aparentemente meio que aluado-abilolado que é dito personal traineé de galo-de-briga e achegado a um criatório de coleópteros, que só aparece de noite zanzando com os lábios pocados de choque elétrico de tanto babar no microfone e sempre fazendo sua performance no palco com seu ar de defunto de olhos arregalados, na companhia de dois enfermeiros prontos com uma camisa-de-força para sacudirem o rapaz no primeiro hospício que encontrarem. O guitarrista mesmo é um sujeito com cara de bad boy, cintura-de-ovo, uma roupa surrada colada no couro porque nunca foi trocada nem lavada vez que ele é avesso à higiene seja de que natureza for, só toca com um alicate na boca para não engolir a língua de tanto sopapo nos solos arrancados. O contra-baixista é um vesgo bisonho e banguela, todo ajegado e troncudo, que toca um instrumento que mais parece um cabo de vassoura enfiado numa bacia, sempre desligado para que o sujeito não seja eletrocutado assim sem mais nem menos. Mas que o troço faz uma barulheira infernal, faz. Como? Não sei. O tecladista que é um magricela varapau só toca de sarongue e luvas daquelas de eletricista, o que dá maior estranhice ainda, vez que coloca todos os dedos por todos os tons ao mesmo tempo, não dando para se identificar qualquer linha melódica possível. Ou seja, é um verdadeiro desarranjo a coisa toda. O baterista, esse o mais presepeiro com cara de calango e jeitão de bacamarteiro, toca um bocado de bombo com penduricalhos de toda natureza, mais uns artefatos meio amalucados e, com certeza, ignoráveis, que vão desde o peido-de-véia até um punhado de morteiros e granadas. O disco: não tem; isso por dois motivos. O primeiro, é que só nos ensaios causaram tantos desastres nos estúdios que ninguém quer vê-los nem pintado a ouro. O segundo, porque conforme apreciação mais cuidadosa e cientificamente comprovada, o cd executado poderia possibilitar um apocalipse no recinto do ouvinte. Resultado: opção deles pela marginália, completamente fora dos veículos de comunicação, sobrevivendo, apenas, dos imprevisíveis shows prestigiados pela platéia cativa que ninguém nunca viu nem sabe quem é. O show: esse nunca tem hora, nem data nem local marcado. A agenda, pelo que se sabe é só no boca a boca. Isso por serem pior que Tim Maia e, também, por não contarem nunca com o apoio da polícia e demais autoridades que querem enquadrá-los nos diversos artigos e incisos do Código Penal pelo desmantelo provocado a cada tocada. Claro, no primeiro acorde da abertura morre logo um de ninguém saber de quê. Dizem os linguarudos que quem só prestigia os “concertos” deles é somente caboeta-de-funerária, papa-defunto, coveiro e vendedor de seguro. Claro, isso todo mundo precavido com indumentária preventiva, né, só para se aproveitar dos bestas que passam desavisadamente por onde ocorre o estrupício. A última apresentação: uma catástrofe. Só com a subida deles ao palco, bastou contarem 1, 2, 3 caiu a calça de um idoso que saiu berrando que queriam estuprá-lo. Enquanto o baterista marcava nas baquetas pipocou uma lâmpada. Quando fizeram que iam tocar, caiu uma parede e matou logo dois. Quando o acorde foi executado, tiveram que chamar o corpo de bombeiros para apagar tudo. Maior bronca de buruçu da gota! Pelas razões mencionadas eles conseguem ser os famosos mais anônimos, além de premiados detestáveis e contraditoriamente celebrados por uma trupe que prestigiam todas as suas sandices. Ainda ontem cruzei com Mané Preto todo sorridente como se nada tivesse ocorrido. - E aí, Mane, tudo em riba? -, perguntei. - Tudo iscorrendo na calha. – respondeu-me. - E os shows? - Ah, rapaize, os bombêros atrapaiaram o shô da genti. Toda veizi aconteci isso. Essis cara parece que tem acordo com minha mulé e minha sogra Bushit. - Ué, por que? - Os cara num gostam, né? Quano tô em casa a mulé e a sogra só mi trata com uma saraivada de panela que só faiz galo no meu quengo. Quano vô pra rua fazê shô, os bombêros tascam maió aguacêro n´eu. - É mesmo, por que? - O som da genti é per... per.... per.... pefumático, pefomá... profumático, pe.... pé de pasparaio a quatro, ora! - Performático? - Isso, isso mesmo. E a mulé e a sogra só me chama de traste imprestáve. Coisa de lôco mermo, rapaize. Num sei mai o qui fazê, ora. É parece mais que Mané Preto e sua trupe, que são gente boa pra caraca, querem mesmo tocar fogo no mundo, literalmente, com toda maluquice de suas desarmonias antimusicais. Dá pra ver. Eu, de mim mesmo, adoro essas invencionices! Bié, bié, glup, glup! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui & aqui.

 


DITOS & DESDITOS - O prazer de ler é dobrado quando se vive com outra pessoa que compartilha os mesmos livros... O que sinto por você não pode ser expresso em combinações de frases; ou grita alto ou permanece dolorosamente silencioso, mas eu prometo — supera palavras. Supera mundos... Sempre senti que o grande privilégio, alívio e conforto da amizade era que não era preciso explicar nada... A mente que eu amo deve ter lugares selvagens, um pomar emaranhado onde ameixas escuras caem na grama densa, um pequeno bosque coberto de vegetação, a chance de uma ou duas cobras, uma piscina cuja profundidade ninguém imaginou e caminhos cheios de flores plantadas pela mente... Pensamento da escritora e crítica neozelandesa Katherine Mansfield (Kathleen Mansfield Murry, nascida Beauchamp – 1888-1923). Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

 

SEGUNDO SEXO – [...] o homem é pensável sem a mulher. Ela não, sem o homem. Ela não é senão o que o homem decide que seja; daí dizer-se o ‘sexo’ para dizer que ela se apresenta diante do macho como um ser sexuado: para ele, a fêmea é sexo, logo ela o é absolutamente. A mulher determina-se e diferencia-se em relação ao homem e não este em relação a ela; a fêmea é o inessencial perante o essencial. O homem é o Sujeito, o Absoluto; ela é o Outro [...]. Trecho extraído da obra O segundo sexo (2 vols., Difusão Européia do Livro, 1967), da filósofa, escritora, ativista e feminista franca Simone de Beauvoir (Simone Lucie-Ernestine-Marie Bertrand de Beauvoir – 1908-1986). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

CIDADE DAS LETRAS – [...] os intelectuais não servem apenas a um poder, como também são proprietários de um poder [...], Trecho extraído da obra La ciudad letrada (1984), do escritor e crítico literário uruguaio Ángel Rama (Ángel Antonio Rama Facal – 1926-1983), introuditor da teoria da transcultururação, ao estudar a concepção, o planejamento e a consolidação das cidades latino-americanas, desde a destruição da asteca Tenochtitlán, em 1521, até a inauguração de Brasília, na década de 1960, traçando um paralelo entre os projetos urbanísticos e o ideal desejado de urbe limpa, estéril e civilizada.

 

ÂNSIA MÚLTIPLA - Beija-me Amor, \ beija-me sempre e mais e muito mais, \ – em minha boca esperam outras bocas \ os beijos deliciosos que me dás! \ Beija-me ainda, \ ainda mais! \ Em mim sempre acharás \ à tua vinda \ ternuras virginais. \ Beija-me mais, põe o mais cálido calor \ nos beijos que me deres, \ pois viva em mim a alma de todas as mulheres \ que morreram sem amor!… Poema extraído da obra Mulher nua (1922), da poeta Gilka Machado (Gilka da Costa de Melo Machado – 1893-1980). Veja mais aqui & aqui.

 


ROGER CRUZ
 – A arte do desenhista de história em banda-desenhada, Roger Cruz, em três momentos distintos. Veja mais aquiaquiaqui e aqui.





PSICANÁLISE – O termo psicanálise, segundo Roudinesco (1998) é oriundo de Psychoanalyse, termo criado por Sigmund Freud, em 1896, para nomear um método particular de psicoterapia (ou tratamento pela fala) proveniente do processo catártico (catarse*), de Josef Breuer e pautado na exploração do inconsciente, com a ajuda da associação livre, por parte do paciente, e da interpretação, por parte do psicanalista. Por extensão, dá-se o nome de psicanálise: ao tratamento conduzido de acordo com esse método; à disciplina fundada por Freud (e somente a ela), na medida em que abrange um método terapêutico, uma organização clínica, uma técnica psicanalítica, um sistema de pensamento e uma modalidade de transmissão do saber (análise didática, supervisão) que se apoia na transferência e permite formar praticantes do inconsciente; ao movimento psicanalítico, isto é, a uma escola de pensamento que engloba todas as correntes do freudismo. No plano clínico, ela é também a única a situar a transferência como fazendo parte dessa mesma universalidade e a propor que ela seja analisada no próprio interior do tratamento, como protótipo de qualquer relação de poder entre o terapeuta e o paciente e, em caráter mais genérico, entre um mestre e um discípulo. Sob esse aspecto, a psicanálise remete à tradição socrática e platônica da filosofia. Por isso é que empregou o princípio iniciático da análise didática, exigindo que se submeta à análise qualquer um que deseje tornar-se psicanalista. Freud foi o iniciador de uma inversão do olhar médico que consistiu em levar em conta, no discurso da ciência, as teorias elaboradas pelos próprios doentes a respeito de seus sintomas e seu malestar. Mediante essa reviravolta, a psicanálise esteve na origem dos grandes trabalhos históricos do século XX sobre a loucura e a sexualidade. Foi num artigo de 1896, redigido em francês e intitulado “A hereditariedade e a etiologia das neuroses”, que Freud empregou pela primeira vez a palavra psico-análise. Após muitas hesitações, cuja evolução pode-se acompanhar na correspondência entre Freud e Carl Gustav Jung, a palavra psicanálise se imporia em francês em 1919 (em lugar de psico-análise), ao lado de Psychoanalyse, já aceita no alemão em 1909 (em vez de Psychanalyse) e de psychoanalysis, em inglês (muitas vezes grafada como Psycho-analysis ou Psycho-Analysis). Em 1910, em “As perspectivas futuras da terapia psicanalítica”, Freud delimitou um enquadre “técnico” para a análise, afirmando que esta tinha por objetivo vencer as resistências. Essa tese seria discutida muitas vezes, e os problemas da técnica seriam objeto de diversos outros artigos, além de debates e cisões na história do movimento psicanalítico, desde Sandor Ferenczi até Jacques Lacan. Inspirando-se no modelo darwinista, Freud quis incluir a psicanálise entre as ciências da natureza, ou, pelo menos, conferir-lhe um estatuto de ciência dita “natural”. E por causa da dupla pertença da psicanálise (ao campo das ciências da natureza e ao das artes da interpretação) que sua chamada refutação “científica” produziu-se no campo da terapêutica. A história da psicanálise mostra que as resistências erguidas contra ela, bem como seus conflitos internos, sempre foram o sintoma de seu progresso atuante, de sua propensão a fabricar dogmas e de sua capacidade de refutá-los. Essa postagem, portanto, é o pontapé inicial para uma série de outras postagens a respeito da temática. Para tanto, segue abaixo uma bibliografia suplementar para melhor conhecimento a respeito do tema. Veja mais aqui, aqui e aqui.

REFERÊNCIAS
ALBERTI, S.; FIGUEREDO, C. (Orgs.). Psicanálise e saúde mental: uma aposta. Rio de Janeiro: Companhia de Freud, 2006.
ATKINSON, Richard; HILGARD, Ernest; ATKINSON, Rita; BEM, Daryl; HOEKSENA, Susan. Introdução à Psicologia. São Paulo: Cengage, 2011.
BOCK, A.M et al.  Psicologias: uma introdução ao estudo da psicologia. São Paulo: Saraiva, 2001
DAVIDOFF, Linda. Introdução à Psicologia. São Paulo: Pearson Makron Books, 2001.
ETCHEGOYEN, R. Horacio. Fundamentos da técnica psicanalítica. Porto Alegre: Artmed, 2004.
FADIMAN, James; ROBERT, Frag. Teorias da personalidade. São Paulo: Harbra, 2002.
GAZZANIGA, Michael; HEATHERTON, Todd. Ciência psicológica: mente, cérebro e comportamento. Porto Alegre: Artmed, 2005.
LAPLANCHE; Jonh; PONTALIS, J. B. Vocabulário de psicanálise. São Paulo: Martins Fontes, 1996.
MEZAN, Renato. Interfaces da psicanálise. Rio de Janeiro: Companhia das Letras, 2002.
MORRIS, Charles; MAISTO, Alberto. Introdução à psicologia. São Paulo: Pretence Hall, 2004.
MYERS, David. Psicologia. Rio de Janeiro: LTC, 2006.
ROUDINESCO, Elisabeth. Dicionário de psicanálise. Rio de Janeiro: Zahar, 1998.
SCHULTZ, Duane; SCHULTZ, Sydney. Historia da psicologia moderna. São Paulo: Cengage Learning, 2012.
ZIMERMAN, David. Vocabulário contemporâneo de psicanálise. Porto Alegre: Artemd, 2008.
______. Fundamentos psicanalíticos: teoria, técnica, clínica – uma abordagem didática. Porto Alegre: Artmed, 2007.
______. Manual de técnica psicanalítica. Porto Alegre: Artmed, 2004.


Veja mais sobre:
O cis, o efêmero & eu aqui.

E mais:
Cancioneiro da imigração de Anna Maria Kieffer & Ecologia Social de Murray Bookchin aqui.
A poesia de Sylvia Plath & a Filosofia da Miséria de Proudhon aqui.
Antonio Gramsci & Blinded Beast de Yasuzo Masumura & Mako Midori aqui.
Mabel Collins & Jiddu Krishnamurti aqui.
Christiane Torloni & a Clínica de Freud aqui.
Paulo Moura, Pedro Onofre, Gustavo Adolfo Bécquer, Marcos Rey, Mihaly von Zick, Marta Moyano, Virna Teixeira aqui.
A irmã da noite aqui.
A obra de Tomás de Aquino & Comunicação em prosa moderna de Othon M. Garcia aqui.
Essa menina é o amor aqui.
Uma gota de sangue de Demétrio Magnoli & mais de 300 mil no YouTube aqui.
A filosofia & Psicologia Integral de Ken Wilber & o Natal do Nitolino aqui.
Possessão do prazer aqui.
Roberto Damatta & o Seminário do Desejo de Lacan aqui.
A febre do desejo aqui.
A nova paixão do Biritoaldo: quando o cara erra a porta de entrada, a saída é que são elas aqui.
A ambição do prazer aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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Veja mais aquiaqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
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PINKER, PHILIPPA FOOT, JOSEFINA PLÁ, JULIÁN FUKS & LITERÓTICA

CRÔNICA DE AMOR POR ELA

Lua inteira às minhas mãos.

Veja mais abaixo & mais aqui & aqui.

 


DITOS & DESDITOS

Às vezes, no espaço de uma dor cabe apenas o silêncio. Não um silêncio feito da ausência das palavras: um silêncio que é a própria ausência...

Pensamento do escritor e crítico literário Julián Fuks (Julián Miguel Barbero Fuks), autor de A resistência (Companhia das Letras, 2015).

 

BONDADE NATURAL – […] Qualquer pessoa que reflita sobre o assunto pode perceber que, para os seres humanos, o ensino e a prática da moralidade são algo necessário. [...] As teorias expressivistas têm a consequência notável, embora raramente mencionada, de separar a avaliação da ação humana não apenas da avaliação da visão, audição e saúde física humanas, mas também de toda avaliação das características e operações de plantas e animais. [...] Partimos do princípio de que é a forma de vida específica de uma espécie de planta ou animal que determina como um indivíduo deve ser... [...] A questão é, portanto, se as características dos seres humanos podem ser avaliadas em relação ao papel que desempenham na vida humana, segundo o esquema de normatividade natural que encontramos no caso das plantas e dos animais. [...] Quero dizer, sem rodeios, que não existe critério para a racionalidade prática que não derive da bondade de vontade. [...]. Trechos extraídos da obra Natural Goodness (Clarendon, 2003), da filósofa britânica Philippa Foot. Veja mais aqui.

 

SOMENTE COM...Com um só olhar, \ um só nove para todas as coisas. \ Para o amanhecer e o entardecer, \ para o amor e o ódio, \ para o amante e o carrasco, \ para a tartaruga e a víbora, \ para a estrela e o vaga-lume.\ Apenas duas mãos \ para a panela e o chicote, \ para a rosa e para o cacto. \ Apenas duas mãos \ para a areia e o orvalho, \ para embalar o berço, \ para acariciar as feridas da esperança \ e para abrir o último buraco do sapato. Poema da escritora, dramaturga, jornalista, escultora, ceramista e historiadora paraguaia-espanhola, Josefina Plá (1903-1999), que possui toda sua obra reunida na publicação Poesías completas (1986). Veja mais aqui.

 O INSTINTO DA LINGUAGEM – A obra O instinto da linguagem: como a mente cria a linguagem, de Steven Pinker aborda questões acerca do instinto para adquirir arte, tagarelas, mentalês, funcionamento da linguagem, palavras, os sons do silêncio, cabeças falantes, a Torre de Babel, o bebê nasce falando, órgãos da linguagem e genes da gramática, o Big Bang, os craques da língua, o design da mente, entre outros importantes temas. No primeiro capítulo, denominado Um instinto para adquirir uma arte, o autor aborda o poder de moldar eventos no cérebro com precisão entre seres humanos no milagre da sociabilidade da linguagem, por meio de combinações de ideais novas e precisas que surgem na mente do outro no ato da combinação, entrelaçando a experiência humana e destacando o instinto para aprender, falar e compreender a linguagem. Parte da ideia básica de Darwin de que “A linguagem é uma arte” e dos propósitos linguísticos de Noam Chomsky, propondo uma investigação das combinações das palavras de uma gramática mental que faz parte da gramática universal inata, abordando desde o DNA na construção do cérebro até a manifestação da linguagem jornalística na contemporaneidade. Nessa parte do livro enfatiza o autor a linguagem como a capacidade notável de moldar eventos no cérebro com precisão por meio das combinações de ideias e palavras, destacando a língua falada como o motor da comunicação verbal na rede trocas de informações. No segundo capítulo, intitulado Tagarelas, o autor aborda desde as algaravias, dialetos, línguas e falantes, até aos genes da gramática, demonstrando que a linguagem complexa é universal porque as crianças a reinventam de geração em geração e destacando a flexibilidade da inteligência humana para estratégias de aprendizagem geral, a partir do mamanhês, dos pidgins e sua crioulização, a Língua de Sinais, até a metáfora da Torre de Babel. No terceiro capítulo, Mentalês, ele inicia a abordagem a partir da Novalingua e da Antilingua da obra de George Orwell para desenvolver suas ideias acerca dos tipos de processadores e de representações contidas no cérebro humano. No quarto capítulo, Como a linguagem funciona, o autor esboça ideias acerca do pensamento de Ferdinand Saussure sobre a arbitrariedade do signo, a língua como uso infito de meios finitos de Wilhelm Von Humboldt, Mark Twain e o nonsense do séc. XIX, o Jaguadarte de Lewis Carroll, a teoria dos princípios e parâmetros e o conceito de estrutura falante de Noam Chomsky para, a partir dessa abordagem apresentar o dicionário e a gramática mentais dentro de um design de gramática formado a partir da vastidão da linguagem baseada nos autores William Faulkner, James Joyce e Bernard Shaw, e o código autônomo em relação à cognição, fazendo um comparativo com os princípios da combinação gramatical com os princípios da combinação genética dentro de sistemas aglutinantes. Passa então a tratar sobre os mecanismos de cadeias de palavras do modelo de estudos infindos de Markow e a interdependência agregativa indutiva a partir dos poemas de Stephane Mallarmé, para esboçar a ideia de que a língua humana baseia-se numa enorme cadeia de palavras armazenadas no cérebro ao considerar que a mente humana foi desenvolvida para usar estruturas de dados e de variáveis abstratas, razão pela qual afirma que a aprendizagem é causada pela complexidade da mente. No quinto capítulo, Palavras, Palavras, Palavras, Pinker vai demonstrar que a gramática é a capacidade de transmitir uma quantidade infinita de ideias com número finito de regras: as pessoas são criativas com as palavras, vez que as possuem uma regra mental para produzir palavras novas, propondo, portanto que a língua é um sistema combinatório discreto. Passa então a abordar sobre gramática, morfemas e fonemas, sistemas de regras vocabulares e sintagmáticas, morfologia, sintaxe, a psicologia das regras linguísticas, a teoria da estrutura vocabular, listema, memorização, truques mnemônicos, onomatopeias, habilidades miméticas, homônimos e sinônimos. Aborda, ainda, as ideias de gramática de Marguerite Yourcenar, a psicologia do desenvolvido de Peter Gordon, o signo arbitrário de Ferdinand Saussure e o escândalo da indução de Quine. Com isso, entende o autor que a palavra é construída a partir de partes morfológicas, sendo, pois, um objeto linguístico e um fragmento memorizado da sequencia de material linguístico arbitrariamente associado a um significado particular. Para ele, a palavra é o símbolo quitessencial e bidirecional compartilhado para transformar significa em som ao falar e som com significado ao escutar. Ou seja, a vinculação da palavra ao conceito: rotulando um tipo de coisa. No sexto capítulo, Os sons do silêncio, fala do aparelho fonador, diapasão, ressonância, sistema emergencial de radiodifusão, o simbolismo fonético, das ondas senoidais, o efeito Mcgurk, orônimos, a percepção e decodificação da fala, o mecanismo físico e neural da fala, a dualidade de padrões de Charles Hockert, onda sonora, algaravias, glossolalia, padrão sonoro, regras fonológicas, acústica, ambiguidade, redundância e conjunto de ressonâncias, a teoria da percepção da fala, a escrita e a língua. Destaca a observação de Bernard Shaw ao mencionar que “Há duas tragédias na vida. Uma é não realizar seu desejo mais profundo. A outra é realizá-lo”. Para o autor as sentenças e sintagmas compõem-se de palavras, as palavras de morfemas e morfemas de fonemas. O fonema corresponde ao ato de produzir um som. Entende, então, que a fala é uma matriz multidimensional e que o som falado é uma combinação de gestos. A língua funciona por meio de um sistema combinatório, as regras fonológicas facilitam a articulação. No sétimo capítulo, Cabeças falantes, trata dos temores da sociedade acerca da substituição humana pela máquina inteligente capaz de roubar seus postos de trabalho, desde a lenda medieval judaica do Golem até Hal e a Odisseia no espaço, assegurando que os temores da automação são improcedentes. A partir disso ele assinala que a compreensão de uma frase é uma tarefa difícil por envolver sujeito, verbos, objetos e agrupamento de palavras em sintagmas, entre outras complexas atividades realizadas, entendendo que a gramática é um código ou protocolo, uma base de dados estática que especifica os tipos de sons correspondente a significados, trazendo à tona a metáfora do encanamento: as ideias são objetos; as frases, recipientes; e a comunicação, o transporte. E arremata: comunica é uma ação apoiada entre ouvintes e falantes. No capítulo oitavo, A torre de babel, o autor trata das diferenças das línguas, assinalando, com base em Brenberg, a existência de 45 línguas universais. Na dimensão de padrões universais, assinala o autor que as línguas possuem uma única origem que descende da protolíngua que se conservou em todas elas algumas de suas características. Para tanto observa que todas as línguas possuem um vocabulário composto de milhares de vocábulos distribuídos em classes gramaticais que incluem categorias como substantivo e verbo e que possuem processos de diferenças na variação, hereditariedade e isolamento. Denuncia nessa parte do livro a extinção de línguas causando prejuízos à diversidade: o gás paralisante cultural de Kraus. Enfim, conclui esta parte com o entendimento de que as línguas são perpetuadas pelas crianças que as aprendem. No nono capítulo, Bebê nasce falando – descreve céu, o autor abre essa parte com o caso noticiado da bebê Naomi, filha de Theresa Montefusco, de 18 anos de idade, que nasceu falando e contando experiências do céu. Ainda aborda os casos da lenda de Rômulo e Remo, de Mogli de Kipling, Genie e os pidgins, a deficiente auditivo Chelsea, de Victor de Aveyron, Kamala, Amala e Ramu. Traz a citação de Vladimir Nabokoh: “Penso como um gênio, escrevo como um autor prestimoso e falo como uma criança” e reitera: a linguagem é a quitessência da atividade social e que sua aquisição normal se dá entre os 6 anos de idade até a puberdade. No décimo capítulo, Órgãos da linguagem e genes da gramática, o autor aborda a questão sobre a capacidade de aprender gramática atribuída a gene, satirizando os jornalistas e os anúncios de facilidade de melhoria da gramática. Aborda, então, sobre a faculdade da linguagem articulada com o hemisfério esquerdo do cérebro, baseado em Paul Broca, na área de Wernicke e nos giros angular e supramarginal. Para, então, no décimo primeiro capítulo a tratar sobre o Big Bang, tratando sobre a exclusividade da tromba dos elefantes e o questionamento acerca da incompatibilidade do instinto da linguagem na teoria de Darwin. Trata então do sistema de comunicação animal, considerando um repertorio finito de chamados, um sinal analógico contínuo e as variações aleatórias. Assevera que pelo sistema combinatório discreto da linguagem, a gramática se torna infinita, digital e composicional. No décimo segundo capítulo, Os craques da língua, o autor vai categorizar as sapiências e eminências gramaticais em craques, observadores, Jeremias e sábios, destacando entre estes últimos Safire. Nessa parte, trata das regras prescritivas adotadas pela escola e as descritivas adotadas pelos cientistas, observando que as regras não se conformam nem à lógica nem à tradição, e que são usadas apenas para diferenciar a elite da ralé culpando os iletrados funcionais pelo estorvo de não se conhecer a própria língua. Por fim, no décimo terceiro capítulo, O design da mente, o autor vai concluir que a linguagem é a parte mais acessível da mente, destacando as complexas interações do povo universal de Donald Brown, defendendo a ideia de aprende-se mais fora da sala de aula pela generalização por similaridade: o senso de similaridade inato e a ubiquidade da linguagem. Veja mais aquiaqui e aqui.

REFERÊNCIA
PINKER, Steven. O instinto da linguagem: como a mente cria a linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 2004.



SEM HORA & DO FALO À FALA – Entre os poemas da poeta, administradora e especialista em logística estratégica Lou Vilela, oriundos do seu maravilhoso blog Nudez Poética: Pulsao ventre, caem os véus, desnuda-se em poesiadestaco, inicialmente, o poema Sem hora: O poema chegou-me pronto, vermelho / Trazia um brilho no olhar /E nos amamos, / tocados / Pela fúria do instante. Também o seu poema Do falo à fala: Meio loucas, meio santas / Rimam alternância / Lua / Sol / Meio putas, meio mantras / Freud em si / Menor / Bemol / Da penumbra à(o) Alvorada / Fiam rapadura / Dão a cara à tapa / Parem rouxinol. Veja mais aqui.


Veja mais sobre:
Da semente ao caos, Lasciva na Ginofagia & a arte de Vanice Zimerman aqui.

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O Princípio Federativo de Proudhon & a poesia de Ione Perez aqui.
A obra de Hermes Trismegistos & o cinema de István Szabó aqui.
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Alan Watts & O Sétimo Selo de Ingmar Bergman & Bibi Anderson aqui.
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A Filosofia de Deleuze & Guattari, O Umbigo de Rubens Rewald & Anna Cecília Junqueira aqui.
Clarice Lispector & Helena Blavatsky aqui.
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André Breton, Marlos Nobre, Nikos Kazantzákis, Toni Morrison, Milos Forman, Adolf Ulrik Wertmüller, Natalie Portman & Tanussi Cardoso aqui.
Carson McCullers, Nicolau Copérnico, Max Klinger, Rogério Tutti, José Carlos Capinam, Alberto Dines, István Szabó & Krystyna Janda aqui.
Crença: pelo direito de viver e deixar viver aqui.
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Lasciva da Ginofagia aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
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A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
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TODO DIA É DIA DA MULHER
Imagem: arte de Luciah Lopez
Veja as homenageadas aqui.




SÓNIA SULTUANE, MARCO NICOLINI, RUBY BRIDGES, JOÃO FALCÃO & MUITO MAIS!!!

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Revestrés escatológico pra bufos e ranas... - Para quem não sabia, fingiu ou olvidou, muita coisa passou p...