quarta-feira, abril 01, 2020

WANGARI MAATHAI, ANNA SEWELL, O CAFUNÉ DE ROGER BASTIDE, FERNANDA CARVALHO LEITE & MÁRIO SOUTO MAIOR.


OS BITUS NAS PARADAS & TÃO C’A PESTE! - No começo os Bitus, formado pela dupla de punheteiros, Bitu & Elvysprei, não davam em nada. Com a adesão pauleira de DuCoyce, novo nome: Sibito’s. Maior zoadeiro. E com a doideira de Leorel, enfim, Rebito’s. Fazer o quê? Não sabiam. O microfone do gorducho Elvyspray era um cototo roliço de pau (sem contar a crise de identidade dele: um costeletudo cintura-de-ovo com trejeitos de Ney Matogrosso, avalie); a guitarra de Bitu era um cabo de vassoura empenado e enrolado por todo tipo de arames e fios; a bateria do Du Coice, uma tuia de lata velha, bacias e bombos imprestáveis; os teclados de Leorel, frascos e pitocos friccionados por toda espécie de ferraço. O som só no bocal. Isso mesmo: berros, urros, peidos, arrotos, sovacadas, estalos de dedo, ocarina de mão, palmas e atritos, imitações de instrumentos e outras onomatopeias indistinguíveis, afora o maior baticum teibei. Assim meteram bronca, uma promessa nas paradas de sucesso. Mais fosse: pelas tabelas, nada de emplacar. Até que com o alarido, uma frochosa perfumada e reboladeira aos falsetes deu a solução: Que porra é essa, meu? Hem? Vocês estão doidos é? Qualé! Papo vai, chaveco vem: ajeitaram namorico e o quarteto lavou a jega! Não ficou só nisso: outras três frochosas engrossaram o backing vocal. Doravante denominados Rebitu’s & outros Priquitos, de boca em ouvido, uivam, berram, simulam maior ladainha. E para si prometiam exitosas propagações na popularidade entre as celebridades anônimas. Tudo armado para bombar, eis que um intruso invisível apareceu e a plateia gigantesca arrumada sumiu. Cadê todo mundo? Tá se cuidando, meu! E agora? Vamos se juntar na garagem. Desdentão, se esgoelam às escondidas noite e dia para desassossego dos vizinhos e próximos. Qual a desses doidos, hem? Quem sabe! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: Minha doutrina é esta: se nós vemos coisas erradas ou crueldades, as quais temos o poder de evitar e nada fazemos, nós somos coniventes. Pensamento da escritora inglesa Anna Sewell (1820-1878), autora de grandes bestselleers e que era apaixonada por cavalos e ficou inválida por toda vida, por conta de uma doença crônica dos ossos e músculos. Na sua principal obra Black Beauty (Beleza negra: a autobiografia de um cavalo – Ridel, 2004), ela traduz os sentimentos e conta a história deste cavalo: Nós os chamamos de animais burros, e eles são, pois não podem nos dizer como se sentem, mas não sofrem menos porque não têm palavras. Ela veementemente criticava o uso da gamarra, correia dos arreios que impediam o animal de levantar a cabeça, por ser um acessório que os fazia sofrer. Ironicamente, os cavalos das carruagens que acompanharam o funeral dela usavam gamarras, mas a sua mãe exigiu que fossem retiradas, em homenagem à sua filha, que deu voz a este animal que tanto a encantou. Outra entre suas pérolas expressa: Não existe religião sem amor, e as pessoas podem falar o quanto quiserem sobre sua religião, mas se isso não as ensina a serem boas e gentis com homens e animais, é tudo uma farsa.

DOS DESAFIOS DO PRESENTE - Hoje enfrentamos um desafio que exige uma mudança no nosso pensamento, para que a humanidade pare de ameaçar o seu suporte de vida. Somos chamados a ajudar a Terra, a curar as suas feridas e, no processo, curar as nossas - a abraçar, de verdade toda a criação em toda a sua diversidade, beleza e maravilha. Reconhecer que o desenvolvimento sustentável, a democracia e a paz só resultam juntos. Foi fácil me perseguirem sem que as pessoas se sentissem envergonhadas. Foi fácil me vilipendiar, mostrar-me como alguém que não seguia a tradição da ‘boa mulher africana’; como uma mulher elitista de fina educação que tentava mostrar às inocentes mulheres africanas um modo de conduta não aceitável para os homens africanos. O nosso povo foi historicamente persuadido a acreditar que, por ser pobre, também não tinha conhecimento e capacidade para enfrentar os seus próprios problemas. Expressões da professora, ativista ambientalista e feminista queniana Wangari Maathai (1940–2011), criadora do Green Belt Movement (Movimento Cinturão Verde) e Nobel da Paz de 2014. Sobre questões ambientais ela expressa: São essas pequenas coisas que os cidadão fazem a diferença. Minha pequena coisa é plantar árvores. Quando se começa a trabalhar seriamente em temas ambientais, a arena passa a ser os direitos humanos, os direitos das mulheres, os direitos ambientalistas, os direitos das crianças, isto é, os direitos de todo mundo. Uma vez que se começa a realizar essas associações, já não se pode continuar simplesmente plantando árvores. Veja mais aqui & aqui

PSICANÁLISE DO CAFUNÉ
[...] No Brasil colonial um costume curioso, sob o pretexto de matar os piolhos nas cabeleiras longas ou emaranhadas, deixavam que suas cabeças fossem lentamente acariciadas por escravos negros. O cerimonial tem um nome: chama-se cafuné. [...] De qualquer modo, o importante é que aqui o gesto deixa de ser um simples gesto utilitário para se transformar em um cerimonial demorado e complicado, uma lenta carícia da mão hábil entre os cabelos soltos, uma festa da preguiça nas horas quentes do dia, que não é mais uma medida de higiene ou de limpeza da cabeça, mas a procura de um prazer; e que este prazer é um prazer ancorado nos costumes de certo tipo de sociedade: a sociedade escravagista, que se reveste assim de um caráter sociológico. É preciso, portanto, mostrar sucessivamente como um gesto utilitário pôde transformar-se em um gesto de prazer e, então, procurar no cafuné uma metamorfose da Libido; ver, em seguida, a razão pela qual essa metamorfose se transformou em uma espécie de instituição social, um costume coletivo, em vez de permanecer como um hábito próprio de alguns indivíduos e, assim, completar a interpretação psicanalítica por uma explicação sociológica. [...] compreender a significação do cafuné. Tomemos, primeiramente, o caso dos meninos que gostam que lhe cocem a cabeça. E façamos uma distinção entre o caso dos meninos e o das meninas. Veremos, em primeiro lugar, que os meninos ávidos do prazer proporcionado pelas mãos femininas que lhes embaraçam os cabelos são geralmente crianças tranquilas, tímidas, concentradas, introvertidas em suma, essas das quais se diz que não largam a saia de suas mães. Os extrovertidos, ao contrário, mesmo quando têm parasitas, não suportam que alguém os cate e ficam impacientes para escapulir dos joelhos sobre os quais repousaram suas cabeças, preferindo os brinquedos de fora, as batalhas da rua com outros garotos de sua idade. [...] Quanto às meninas, observamos algo mais curioso ainda: as mesmas crianças que tremem ao chegar o momento destinado aos cuidados dos cabelos, que choram enquanto sua mãe lhes desembaraça os cabelos, adoram olhar sua cabeleira solta diante do espelho e, enquanto se contemplam, passam o pente suavemente entre as madeixas úmidas e as tranças desfeitas. Basta comparar alguns desses fatos para apreender o sentido oculto do cafuné [...]
PSICANÁLISE DO CAFUNÉ - Trechos extraídos da obra Psicanálise do cafuné: estudos de sociologia estética brasileira (Guaira - Coleção Caderno Azul, 1941), do sociólogo e antropólogo francês Roger Bastide (1898-1974), sintetizando as relações entre a sociologia e a psicanálise e sua complementaridade, os elos entre o biológico e a libido, o psíquico e o social, a interpenetração e a reciprocidade do social e da libido, chamando a atenção para a etnologia notadamente com relação ao racismo. Veja mais aqui e aqui.

A ARTE DE FERNANDA CARVALHO LEITE
Há muito tempo, quando estudava Biologia, algo me marcou muito. A gente sempre acreditou que a evolução se dava pela competição – uma mentalidade darwiniana. Mas há outras correntes que colocam o valor da cooperação como um grande fator evolutivo. Se a gente for por essa linha de se ajudar, de colaborar, cresce muito mais tanto como humanidade quanto na posição da mulher na sociedade, no mercado, na vida amorosa.
FERNANDA CARVALHO LEITE - A arte da premiada atriz e bailarina Fernanda Carvalho Leite, que atua no teatro, cinema, TV, dublagens, publicidade, eventos, espetáculos e performances. Ela estudou em Nova Iorque na The Lee Strasberg Theatre Institute e possui um extenso currículo de atividades, participando em festivais pelo Brasil e em diversos países, como Argentina, Uruguai, Chile, Alemanha e Estados Unidos. Veja mais aqui.

PERNAMBUCO ART&CULTURAS
Dou nó em pingo d’água, beliscão em nuvem e gosto de subir de tamancos em pé de bananeira.
A obra do advogado, historiador e folclorista Mário Souto Maior (1920-2001) aqui, aqui & aqui.
A poesia absoluta de Vital Corrêa de Araújo aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
A arte de João Gonçalves aqui
Teatro de Pernambuco aqui.
A IV Feira de Música aqui.
Sarau Amigos da Arte & Guerrilha Cultural – Armazém do Campo aqui.
O cordel de Ricardo Cordel aqui.
Mata de Pernambuco aqui.
Pesqueira aqui & aqui.
&
OFICINAS ABI – 2º SEMESTRE 2020
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MÓNICA OJEDA, BORA CHUNG, AZA NJERI & DÉBORA LAÍS FERRAZ

  Imagem: Acervo ArtLAM . Ao som dos concertos Nights from the Alhambra (2007), A Mediterranean Odyssey (2010), Troubadours On The Rhine...