segunda-feira, abril 20, 2020

AMANDA PALMER, DJANIRA, ROSA LOBATO, MÁ MATIAZI, TIÊ & KARINA FREITAS


MANUAL DE ESTUPIDOLOGIA – UMA: CONDIÇÃO HUMANA & BANALIZAÇÃO DA MALDADE – Que mundo é este hem? Que coisa! Da para enxergar? Em tempos da Idiocracia do Coiso e seu mínions, cafos & fabos, anestesiados pelo ódio, enquadrados na Lei do Cipolla (aquele mesmo que assinala que o estúpido é mais perigoso que o bandido) e no emburrecimento, imbecilização e insanidade, questiona-se se não seria própria da barulhenta barbárie a afeição pela espetacularização da desgraça e a sedução pelo sangreiro em que a banalidade do mal se sobrepusesse à potência do bem, levados pela vingança e o julgamento de quem estiver fora desses padrões. Quanta mediocridade! O alerta de Hannah Arendt: Vivemos tempos sombrios, onde as piores pessoas perderam o medo e as melhores perderam a esperança. Ela nos ensina que o mal não está somente no outro. Hem? Afinal, quem comete o mal? Se não é o outro e não sou eu, quem? Ninguém é culpado. Mesmo? Quem é ninguém? Nenhum alguém, nem eu? Cadê minha sombra que me esqueci do que sou e não sei. DUAS: A CONDIÇÃO HUMANA ENTRE A NORMOSE & A DESUMANIDADE - Alô, alô! Tem alguém aí? Ah, não! Segue-se atolados na normose, simples servidão a cumprir regulamentos e regras simplesmente, não precisa pensar e nem procurar sentido algum para nada, viver apenas burocraticamente, livre de ter escolhas entre o verdadeiro e o falso. Não ao justo ou direito, o menor prejuízo; não a verdade, a ignorância diante de tantas informações. Isso é vida? A simples sobrevivência com as muletas tecnológicas e mais nada: não se precisa mais de ninguém. Ouvi Bernard Shaw: O maior pecado para com os nossos semelhantes, não é odiá-los mas sim tratá-los com indiferença; é a essência da desumanidade. Eita! Ou, por mim, Anatole France: Preferi sempre a loucura das paixões à sabedoria da indiferença. É que a indiferença, então, seria ou não a nossa condição de desumanidade. O que fizeram da minha utopia? TRÊS: CREPÚSCULO DAS RELIGIÕES, DISTOPIAS & DATAÍSMO – Qual que é: quem tem dinheiro, ganha; quem não tem, amealha amarguras e nunca esqueça dos dízimos, viu! Isso é igual a Mateus 13,13 do Novo Testamento. Agora, sim, a lei do dataísmo em vigência nos leva pelos algoritmos, entre bits e metadados: o ser humano, então, é só o combustível para converter tudo em dinheiro e lucro, apenas. Tudo para o panteão da riqueza comandado pelo deus dinheiro e deus lucro, santos ricaços e tudo o mais da acumulação terrena. Vôte! Inconformado, quase um patafísico e na tentativa de ser apenas um estúpido a menos, vou cantando Bob Dyllan: Quando não se tem nada, não há nada a perder. E vamos aprumar a conversa, gente! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] É sabido que na infância o tempo não passa, na adolescência demora-se, na idade adulta corre, na velhice precipita-se. Nunca ninguém morre, só quem nós matamos na memória, no pensamento e no coração. Pensamento da escritora e dramaturga portuguesa, Rosa Lobato de Faria (1932-2010), autora desse belíssimo poema: De todas as palavras escolhi água, / porque lágrima, chuva, porque mar / porque saliva, bátega, nascente / porque rio, porque sede, porque fonte. / De todas as palavras escolhi dar. / De todas as palavras escolhi flor / porque terra, papoila, cor, semente / porque rosa, recado, porque pele / porque pétala, pólen, porque vento. / De todas as palavras escolhi mel. / De todas as palavras escolhi voz / porque cantiga, riso, porque amor / porque partilha, boca, porque nós / porque segredo, água, mel e flor. / E porque poesia e porque adeus / de todas as palavras escolhi dor.

A MÚSICA DE AMANDA PALMER
É o seguinte: todo mundo parte de alguma carência. Queremos que nos vejam, nos entendam, nos aceitem, se conectem com a gente. Todos nós queremos que acreditem na gente. A única coisa é que os artistas costumam ser mais… veementes a respeito disso. As pessoas sempre querem alguma coisa de você. Seu tempo. Seu amor. Seu dinheiro. Que você concorde com elas, com as posições políticas e pontos de vista delas. E você nunca consegue dar o que querem. Mas você nunca consegue dar às pessoas o que elas querem. Mas pode lhes dar outra coisa. Pode lhes dar empatia. Pode lhes dar compreensão. E isso é muito, e suficiente.
AMANDA PALMER - A arte da artista, cantora, compositora e pianista estadunidense Amanda Palmer, autora do livro A arte de pedir (Intrínseca, 2015), resultante de uma palestra homônima e que trata essencialmente de recorrer ao outro, sem temor, sem vergonha e sem reservas, considerando que por que não pedimos ajuda, dinheiro, amor, com a mesma naturalidade com que pedimos uma cadeira vazia num restaurante ou uma caneta, na rua, para fazer uma anotação. Ela defende que é digno e necessário, e é a conexão entre quem dá e quem recebe que enriquece a vida humana. Longe de ser um manual sobre como pedir, o livro é uma provocação bem-vinda e urgente, que incita o leitor a superar seus medos e admitir o valor de precisar e doar ajuda, sempre.
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O CANTO DE TIÊ
A arte da cantora e compositora Tiê Gasparinetti Biral, que já lançou quatro álbuns de estúdio e vem despontando como grande artista. Veja mais aqui.

A ARTE DE DJANIRA MOTTA E SILVA
A arte da pintora, desenhista, ilustradora e cenógrafa Djanira Motta e Silva (1914-1979);
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A ARTE DE MÁ MATIAZI
A arte da escritora, quadrinista e ilustradora Má Matiazi. Veja mais aqui.

PERNAMBUCULTURARTES
Delírios gráficos é como tenho chamado parte de meu trabalho em que me expresso através de colagens. É um misto de brincadeira e experimentação. As imagens são criadas a partir de um processo muito intuitivo, tratam da necessidade de se sentir livre, de se lançar e desfazer certezas, procurar caminhos desconhecidos. Qualquer caminho que tenha coração.
A arte da ilustradora e designer gráfica Karina Freitas, que tem seu trabalho reunido no Projeto Curadoria e Cargo Collective.
A literatura do escritor, dramaturgo, tradutor e advogado Hermilo Borba Filho. (1917-1976) aqui & aqui.
A poesia de Oliveira de Panelas aqui.
A música de Maria Dapaz aqui.
Biblioterapia aqui.
Camões & Camonge aqui.
Tolinho & Bestinha aqui.
São Benedito do Sul aqui & aqui.


MÓNICA OJEDA, BORA CHUNG, AZA NJERI & DÉBORA LAÍS FERRAZ

  Imagem: Acervo ArtLAM . Ao som dos concertos Nights from the Alhambra (2007), A Mediterranean Odyssey (2010), Troubadours On The Rhine...