terça-feira, abril 07, 2020

MARY DEL PRIORE, ANNIE VIVANTI, HÉLÈNE SARDEAU, TIAGO AMORIM & GURIATÃ


É PRECISO VER O QUE É QUE É CERTO PARA NÃO TEIMAR EM VÃO - UMA: DEUS SALVE O BRASIL! – Como é que pode uma coisa desta, hem? O planeta recluso e o meu país nas ruas, a saúde uma catástrofe – o SUS é um libelo velado. Não há comando, só bate-cabeça! O desgoverno está no tratamento da crise como se fosse apenas mote eleitoral e pulveriza tudo: enquanto digladiam suas abobrinhas por aí, faltam leitos, vacinas e... respeito à vida. No Congresso Nacional muito lero-lero, disse-me-disse; a Justiça tacanha e acuada – o rabo preso pros interesses de tão poucos em detrimento de todos; por isso a economia é um enigma revelado, todos sabem que a dinheirama sumiu e em que bolsos, ainda se falando em bilhões, trilhões, duplipensar e nada feito, a maioria precarizada. E agora? O que será, não se sabe. Da minha parte, vou de Gabriela Mistral: Onde houver uma árvore para plantar, plante. Onde houver um erro para emendar, conserte. Onde houver um esforço de que todos fogem, faça. Seja aquele que afasta as pedras do caminho. Façamos a parte que nos cabe. DUAS: HÁ QUEM VEJA, HÁ QUEM ENXERGUE – Os olhos estão bem abertos, mas não apreendem nada. Ninguém sabe direito o que está acontecendo no mundo desde a década de 1980; no Brasil de 2015 para cá, a coisa piorou tanto que deu o créu. Há quem veja, há quem enxergue. O que parece mesmo confuso é que ninguém se deu conta do que dizia William Wordsworth: A vida é dividida em três períodos - o que foi, o que é, e o que será. Aprendemos com o passado para nos beneficiarmos do presente, e aprendemos com o presente para viver melhor no futuro. Encha o seu papel com os sopros do seu coração. É isso. TRÊS: MUDANDO DE ASSUNTO PARA NÃO FICAR TÃO PARA BAIXO – Está evidente que o tempo não está lá para o que se diga de lirismo, sei que a coisa está feia mesmo. Contudo, há de arrancar um restinho de esperança seja lá de onde for, é possível – como, não sei -, está comprovado quando cruzo às pressas com as pessoas pelas ruas: os olhares estão ávidos de vida. A vida sempre resiste, por isso sempre digo que só a poesia torna a vida suportável. Prova disso, Almada Negreiros: As palavras dançam nos olhos das pessoas conforme o palco dos olhos de cada um. A alegria é a coisa mais séria da vida! E vamos aprumar a conversa, gente! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] o século XX [...] À medida que a mulher foi ganhando dinheiro, passou a controlar a sua procriação e foi em busca do prazer. Este se tornou um tema novo para os casais. Hoje as coisas estão bastante diversificadas também. Os homens também alegam estar com dor de cabeça, o que antes eram coisas das mulheres. Os homens estão sentindo o impacto destas transformações. A autoestima masculina está tão baixa [...] As relações parentais mudaram muito. As mulheres, por estarem no mercado de trabalho, passaram a ter filhos cada vez mais tarde. [...] Para o homem brasileiro, o casamento é o momento de constituir família. Portanto, brigas ou infidelidades não causam tantos arranhões. Para as mulheres é uma questão de amor e sobretudo o desejo de viver uma paixão. Quando elas não veem cumprida esta agenda, querem mudar de parceiro. [...] A história da homossexualidade no Brasil é horrível. Os casais homossexuais sempre sofreram brutalmente. O jovem homossexual, seja homem ou mulher, sofre muito com a segregação familiar. Se olharmos para trás, veremos que esta perseguição começa no século XVI, com as visitas da Santa Inquisição ao Brasil. Lá, já perseguiam os sodomitas. Eles perseguiam mais os homens do que as mulheres. [...] Toda a medicina do século XIX vai perseguir o que foi chamado de “missexuais”. Vai definir que estas pessoas são doentes. Vemos isto inclusive nos manuais de educação sexual que são publicados durante o governo Getúlio Vargas. A intenção era extirpar os homossexuais do Brasil. A obsessão pela virilidade torna o homossexual um bode expiatório. Como se não bastasse, o anúncio da chegada da Aids no Brasil, nos anos 80, foi feito no programa Fantástico, com o locutor, de voz fúnebre, anunciando a doença como uma doença de gays. [...] Foi algo desumano e que só se explica pelo profundo machismo da nossa sociedade. [...]. Trechos de uma entrevista concedida pela historiadora Mary Del Priore, por ocasião do lançamento de sua obra Histórias íntimas (Planeta, 201), na qual procura mostrar como a sexualidade e a noção de intimidade foram mudando ao longo do tempo, influenciadas por questões políticas, econômicas e culturais, e passaram de um assunto a ser evitado a todo custo para um dos mais comentados no mundo contemporâneo. Ela também é autora da série Histórias da gente brasileira (Leya Casa Da Palavra, 2016), obra em que ela destaca o povo com seus hábitos e vida cotidiana, aquelas que retratam intimamente a vida da gente brasileira desde a Colônia, o Império, a República e a atualidade. Ela também organizou a obra História das Mulheres no Brasil (Contexto, 2002), contando a trajetória das mulheres, do Brasil colonial aos dias atuais e que traz a participação de duas dezenas de historiadores além da consagrada escritora Lygia Fagundes Telles, por meio de textos que destacam a história das mulheres como algo que envolve também a história das famílias, do trabalho, da mídia, da literatura, da sexualidade, da violência, dos sentimentos e das representações, abarcando os mais diferentes espaços (campo e cidade, norte e sul do país) e extratos sociais (escravas, operárias, sinhazinhas, burguesas, donas de casa, professoras, bóias-frias), como também derruba mitos, encoraja debates, estimula a reflexão e coloca a questão feminina na ordem do dia. Sobre o povo brasileiro ela diz que: é preciso olhar pelo retrovisor para ver como nossa gente era, como morava, se vestia, comia, trabalhava, ria, amava e sonhava. De que forma seus problemas foram ultrapassados de geração em geração. Mas é preciso também olhar pelo buraco da fechadura, para enxergar como se comportava em sua intimidade nos momentos de medo, dor ou prazer. No que concerne às mulheres brasileiras, ela expressa que: Muitas vezes o sexo feminino foi referenciado na história como “mulheres de vida fácil”. Ao contrário disso, desde os primórdios a luta pela sua sobrevivência ou dos seus foi a marca de suas ancestrais. A dupla jornada de trabalho existiu para a maior parte delas. O trabalho no campo ou na cidade, em casa ou nas ruas, era acrescido de muitas outras tarefas, fundamentais para a estabilidade da família. Merece também destaque a sua obra de História do cotidiano (Contexto, 2001), em que ela reúne artigos agrupados em capítulos sobre o corpo, família, convívio, mulher, crianças, jovens e velhos, resgatando informações que se encontram escondidas pela sociedade, em ela chama atenção: [...] É preciso proteger e libertar nossa sociedade do que ela pode fazer com ela mesma. É preciso proteger nela sua integridade, sua identidade subjetiva e genealógica, a dignidade de suas formas e das suas cores originais contra o materialismo e o desmantelamento do corpo. Xô Barbies, próteses, anabolizantes, anoréxicas e oxigenadas! Abaixo a insistência em fabricar mulheres sem marcas nem diferenças capazes de individualizá-las. Num país onde são tantas as variáveis corporais, onde graças e desgraças são distribuídas de acordo com as diversas heranças biológicas e sociais, a imposição de um modelo 137 'perua' importada só é boa quando se trata de veículo de passeio sobre quatro rodas! [...]. Veja mais aqui & aqui.

AUT-AUT - Eu quero o sol, eu quero o sol ardente / Que a intoxicação me dará seu esplendor, / Ou mesmo a noite escura e o forte rugido da tempestade alta e furiosa. / O nevoeiro cinzento que o coração detesta: dá-me o céu azul ou a tempestade. / Eu quero liberdade! / Eu quero toda a minha liberdade ilimitada! / Ou até o cativeiro sombrio e apertado de quatro vigas e a caixa pregada. / Oh, se o infinito não me é concedido, eu, as asas quebradas, jaz enterrado / E eu quero o seu amor; todo o amor ardente e ilimitado ou ódio intenso. / Mas seja ódio ou amor, eu quero imenso! / Não suporto um olhar indiferente. / O amor que sofre e tudo dá, ou o ódio que não se curva e não perdoa. / Tudo ou nada que eu quero: risadas ou lágrimas, / O sol dourado ou o furacão negro, o caixão estreito ou todo o universo, / E do seu olhar seu martírio ou encantamento! / Dê todos os seus beijos e todo o coração, / Ou a sublime cruz de dor! Poema da poeta italiana nascida na Inglaterra, Annie Vivanti (1866-1942).

GURIATÃ
O documentário musical Guriatã (2018), dirigido por Renata Amaral, conta a história do Mestre Humberto de Maracanã, o maior cantador de Bumba Boi da Ilha de São Luís (MA), falecido em 2015, reunindo registros de longos anos retratando a personalidade multifacetada e a excepcional obra daquele que liderou por mais de quatro décadas o Batalhão de Ouro do Bumba Boi de Maracanã. Veja mais aqui.

A ESCULTURA DE HÉLÈNE SARDEAU
A arte da escultora estadunidense nascida em Antuérpia, Hélène Sardeau (1899- 1969). Veja mais aqui.

PERNAMBUCO ART&CULTURAS
A ARTE DE TIAGO AMORIM
A arte de mestre Tiago Amorim - Sebastião Wilson Ferreira de Amorim -, artesão com suas esculturas em cerâmica, além de pintor e desenhista.
O pensamento do escritor, professor, advogado e arquiteto Evaldo Coutinho (1911-2007) aqui.
O cordel de Zé Brejêro aqui e aqui.
A música de Santanna O Cantador aqui, aqui, aqui & aqui.
O teatro de Newton Moreno aqui.
A arte de Oriana Duarte aqui.
Onde há fumaça, há fogo - crônicas de uma usina de açúcar, do agrônomo pernambucano, José Moura aqui.
Assim falou Telles Júnior aqui.
Cidadania na sala de aula aqui.
O monstro do Riacho dos Cachorros aqui.
Panelas aqui & aqui.
&
OFICINAS ABI – 2º SEMESTRE 2020
Veja detalhes das oficinas da ABI aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.


MARTIN AMIS, PHYLLIS A. WHITNEY, ROSANA PALAZYAN & PAULA BERINSON

    Ao som dos álbuns Violão Popular Brasileiro Contemporâneo (1985), Camerístico (2007), Original (2002) e Dois Destinos (2016), do vio...