sexta-feira, junho 15, 2018

EMINESCU, BOWLBY, LOUZEIRO, ALMADA NEGREIROS, JOÃO CUTILEIRO, GRAZIA ATTILI, IDOSOS, MARCO PEREIRA & JACI TOFFANO


AVULSO SENTIMENTO - Imagem: Últimos dias, do artista e escritor português Almada Negreiros (1903-1970) - O parto de maio com a púrpura aurora fagulhando o ímpeto dormente do noturno incêndio infindável por outros dezembros nas gengivas do dia e os sentimentos entreabertos sem nenhum sentido que pendem aos desmandos da paixão contumaz na aridez de junho pronto pra invernada. Tudo é avesso e pausa reticente como se atravessasse tangentes movediças, o que espera de mim estiolado pelas águas imensas, teias ígneas e veias abertas, jogado ao saguão com o canto estrangulado a impedir que nada mais reste afora o estertor do olho vazado, assim por não mais dizer nome sem luz, numa última cartada. Não há mais que consumir o coração varado ou desperdiçar, se nem mais houver a dizer de tão néscio aos pés perdidos, a sina espalhada pelo vazio da voz apunhalada. Ofereço as estampas escorando as dores e o calcanhar na porta, nada que uma boa inexatidão não resolva, não faltam olheiras nem sobram querências postas ao varejo pra venda no mercado, entre sorteios e apostas pra quem não dá mais nem lance pra consolo, e o paladar do inverno na jornada com a má vontade soando ao meu tímpano, o breve instante que se dissolve como se fosse naufrágio, e as cânforas secretas violadas com os anelos legados de fundos sem fim na indecisa morte sem sentido, e a vertigem da trama a contaminar o cerne na desordem das ordens sem serventia. Era uma vez o último insurreto desnudo, qual areia abandonada no quintal com a sua rastejante humilhação, para onde leva a sina e a aorta ao lodo e o tino da palavra em tudo se demora e confesso, a propósito do amor, a espera trêmula a pendular a hora vaga na distância e o poema termina avulso sentimento e é só a mulher amada. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do violonista, compositor e arranjador Marco Pereira: Bate-coxa, Beatriz & Suíte Tom Jobim; da pianista Jaci Toffano: Grata Esperança & A bela jardineira de Chiquinha Gonzaga & Capoeira de Arnaldo Ribeiro Pinto; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Os adultos, da mesma forma que as crianças, têm necessidade de que alguém não os perca de vista, cuide deles quando estão doentes, conforte-os quando estão abatidos, acalme-os na aflição e os aqueça à noite. E isso vale tanto para homens quanto para mulheres [...]. Trecho extraído da obra Apego e Amor: entenda porque escolhemos nosso parceiro (Paulinas, 2006), da professora e psicóloga italiana Grazia Attili.

APEGO & FAMÍLIA – [...] Cada comunidade tem suas próprias tradições envolvendo a pessoa que normalmente assume essas funções indispensáveis aos cuidados com a criança. Frequentemente são os pais que assumem o papel mais importante, mas isto nem sempre acontece. As tradições variam, principalmente quanto na medida em que são aceitáveis substitutos para os pais. [...]. Trechos extraídos da obra Cuidados maternos e saúde mental (Martins Fontes, 1988), do psicólogo, psiquiatra e psicanalista britânico Edward John Bowlby (1907-1990), que em outra obra As origens do apego (Artes Médicas; 1989), expressa que: [...] Qualquer forma de comportamento que resulta em uma pessoa alcançar e manter proximidade com algum outro indivíduo, considerado mais apto para lidar com o mundo [...]. Veja mais aqui.

DESPEDIDA – [...] Adeus, Janice. Adeus, Leo. Adeus, Antônio Branco, Maneta. Adeus Béni. Que Deus te mantenha nas lonjuras do deserto. Adeus, Dondinho. Não chore mais por mim, mãe. Não se preocupe mais comigo, pai. Já estou tão morto, que nem posso odiar Nadja. Me sinto tão distante e tão perto de Nijini. Não pertencemos a este mundo. Somos passageiros da agonia, perdidos num vendaval. Todas as portas se fecham ante nossos olhos. Marchamos em torno de uma rocha gigante, puxando as correntes das nossas contradições, dos nossos erros e dos erros de todos os mortais [...] Um bandido não deve ter fraquezas. Por ser bandido, ele deve agir na sombra, no momento em que menos se espera. Uma toupeira, aguardando o momento certo de saltar e morder. Nós confundimos tudo. Misturamos erros com acertos, amor com ódio, lealdade com traição. Um imperdoável romantismo nos corrompeu. [...] Trechos da obra Lúcio Flávio, o passageiro da agonia (Abril Cultural, 1982), do escritor e roteirista José Louzeiro (1932-2017). Veja mais aqui.

À ESTRELA - Até à estrela que reluz, / Há uma distância de trespasse. / Correu milênios sua luz / Para que enfim nos alcançasse / Talvez há muito já se fora / No longe azul extinto astro / Porém seus raios só agora / Ao nosso olhar mostram seu rastro. / A aura da estrela que morreu / No alto do céu se faz dar fé. / Era, e ninguém a percebeu, / Hoje que a vemos já não é. / Também assim a nossa dor / Na abissal noite se finda. / Porém a luz do extinto amor / Os nossos passos segue ainda. Poema do poeta romeno Mihai Eminescu (1850-1889).

ARTE DE JOÃO CUTILEIRO
A arte do escultor e artista plástico português João Cutileiro.

ConaEND&IEV 2018 – Congresso Nacional de Ensaios Não Destrutivos e Inspeção & muito mais na Agenda aqui.
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A arte do artista e escritor português Almada Negreiros (1903-1970). Veja mais aqui e aqui.
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Todo dia é Dia de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa aqui e aqui.
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Todos nós somos Fabos, O oficio do verso de Jorge Luis Borges, A donzela-guerreira de Walnice Nogueira Galvão, a escultura de Peter Hohberger, a música de Lidia Bazzarian & Marcelo Barboza aqui.
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É nela que o sonho é real, Bloomsday de James Joyce, a poesia de Cecília Meireles, A vida sexual de Catherine Millet, a arte de Ann James Massey & Luciah Lopez aqui.

APOIO CULTURAL: SEMAFIL
Semafil Comércio de Livros nas faculdades Estácio de Carapicuíba e Anhanguera de São Paulo. Organização do Silvinha Historiador, em São Paulo.
 

CECÍLIA MEIRELES, CLARA LEFF, ETHEL FELDMAN, TEMPO DE PERNAMBUCO & PEÇAS RUAS DA CIDADE

PELAS RUAS DA CIDADE – Acenos pros que passam rostos vivos e mãos suadas que vão e outros vindos nem sei de onde, olá pros que estão no...