sexta-feira, junho 08, 2018

YOURCENAR, MASLOW, RUTH BERNHARD, IVAN LESSA, NARA LEÃO, AURELIO GRIMALDI & EDUARDO STERZI


JÁ DIZIA FREUD: TODO ENCONTRO É UM REENCONTRO – Imagem: Milkweed - aka: Hand with Dandelion, da fotógrafa alemã Ruth Bernhard (1905-2006). - Confesso, perdi o senso, também sangro toda noite à janela, cabeça ao vento, frio na carne, e uma estrela luzente, lá longe de nem saber, infere minhas inquietações e só ela me entende ao sussurrar, suave e docemente, não é nada fácil, e eu nem sei que céu é esse, um Brasil escurecido no azul das trevas, se ela fala da fresta na porta do meu pálido claustro, e não faço a menor ideia porque a saída é logo ali e minha cabeça rola na praça para que eu morra nos olhos do filho sepultado. Sabia de tempos que todo encontro é um reencontro, e ela reitera o que quero, nada mais que isso, pouso amigo pra quem não tem mais nada além de uma sombra no chão, pra respirar a música devagar enquanto o tempo arde na terra inocente e já nem sei que horas são corridas no calendário. Se me esquivo é porque sempre só a noite é longa, e ela fala pra que eu não durma páginas viradas em que fui longe demais, até perder a noção de lugar algum, com a perseverança feita um epitáfio no dilema à queima roupa, e tudo por um fio nos campos minados pro meu entusiasmo espremido dentro de uma redoma menor que um segundo expirado. Insisto na resilência e ela lembra os trêmulos acenos bem-vindos por ínvios percursos entre a fome e a saciedade, enquanto eu errava a tontura dos labirintos e o poço sem fundo com seu silêncio hostil de afiados dentes na minha ventura, e não era ninguém, só miragem no deserto do exílio. Bem sei que perdi as digitais, pudera, embaraçado no quebra-cabeça dos percursos, nos quais as entregas queimaram o ser ao risco do desejo amontoado na lembrança isolada das horas não fruídas, como se o luto pesasse na tragédia sem nome, como se encarasse a ameaça e não tivesse nada a dizer, de mãos vazias cúmplices dos lábios mudos nesse lugar circunscrito ao nó apertado, sem dar a entender que não é e os estilhaços denunciavam não haver comando, porque havia hoje quem vivesse na Idade da Pedra, ou no século XVI ou sei lá quando de tão passado, chega nem saber se no mundo da lua ou dos sonhos do umbigo, se não perdeu a placenta ou se foi pro mundo sem sair de casa. E ela riu da minha toleima mania de acreditar no amanhã e ter pra dar apenas o que de mim resta, nada mais tendo que a reserva dos afetos, desamparado por muito pouco não ter descambado com saldo zero, numa imensidão oceânica, pra nunca mais achar o caminho de volta e a razão pelos ares de tão ensandecido. Ela mais riu e quase emudeci diante do escárnio, não era nada disso, disse ela, era a minha ingênua teimosia pelo desconhecido, eu sabia. Um dia direi o homem envelhecido no poema: vivo porque o outro existe e a servi-lo, as minhas intenções, não sabe, nunca saberá contaminada por dores, juízos, valores, e terei sempre de partir sem nada dizer, sem pátria e coisa nenhuma, jamais esperar de nunca voltar, somente a lei da chama inextinguível do amor acesa no peito alumiando o negrume da solidão erradia. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música da saudosa cantora, compositora e sambista Nara Leão (1942-1989): Os meus amigos são um barato, 10 anos depois, Opinião, Nara, Garota de Ipanema & Mambembe & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] acho, sim, que o homem é estranho na terra. Deve manter, por uma questão de saúde mental, essa sensação de ser um estrangeiro aqui, no meio de árvores, pedras e seja lá o que for. Os alienígenas somos nós! É isso mesmo, é isso mesmo: manter a sensação de ser um estrangeiro tem um lado muito saudável. Não há motivo nenhum para você ficar muito à vontade no mundo! Não há motivo para que se diga ‘’estou à vontade’’. Não, não. Fique com uma certa timidez. Isso é bom: manter uma certa distância’.[...]. Pensamento do jornalista e escritor Ivan Lessa (1935-2012), extraído de uma entrevista concedida em 1999, ao jornalista e escritor Geneton Moraes Neto (1956-2016) e que, certa vez, mencionou: Não quero entrar com meu plangente violão do saudosismo, mas o nosso jornalismo piorou. Muito mesmo. Veja mais aquiaqui.

DESEJO & MOTIVAÇÃO – [...] O típico impulso, ou necessidade ou desejo, não está e provavelmente nunca estará associado a uma base somática específica, isolada. [...] Considerando todas as evidências que temos em mãos, é muito pouco provável que compreendamos totalmente o desejo de amar, não importa o quanto saibamos sobre o impulso da fome. [...] O homem é um animal desejante e raramente atinge um estado de completa satisfação exceto por um curto período de tempo. Assim que um desejo é satisfeito, outro explode e assume o seu lugar [...]. Trechos extraídos da obra Motivation and personality (Harper & Brothers, 1954), do médico e psicólogo estadunidense Abraham Maslow (1908-1970), que noutra obra, Eupsychian management: a journal (Richard Irwin, 1974), expressou que [...] Como podemos evitar as situações industriais que denigrem a dignidade humana e a tornam menos possível? Em situações inevitáveis na indústria, como as linhas de montagem, como se pode descontaminá-las de forma a manter a dignidade do trabalhador e sua autoestima, tanto quanto possível, dadas as circunstâncias? [...] e autor de frases como: Um músico deve compor, um artista deve pintar, um poeta deve escrever, caso pretendam deixar seu coração em paz. O que um homem pode ser, ele deve ser. A essa necessidade podemos dar o nome de autorrealização & Experimente a vida como fazem as crianças, com total entrega e concentração. Experimente algo novo ao invés de prender-se ao que ó seguro e certo. Ouça seus próprios sentimentos para avaliar as experiências ao invés da voz da tradição, ou da autoridade, ou da maioria. Seja honesto; evite fingimentos ou "jogos". Esteja preparado para ser impopular se suas opiniões não coincidirem com as da maioria. Assuma a responsabilidade. Trabalhe muito por tudo que decidir fazer. Procure identificar suas defesas e tenha coragem de abrir mão delas. Veja mais aqui e aqui.

A OBRA EM NEGRO – [...] Mas tu, a que nenhum confim delimita, por teu próprio arbítrio, entre as mãos daquele que te colocou, tu te defines a ti mesmo. Te pus no mundo, a fim de que possas melhor contemplar o que contém o mundo. Não te fiz celeste nem terrestre, mortal ou imortal, a fim de que tu mesmo, livremente, à maneira de um bom pintor ou de um hábil escultor, descubras tua própria forma... [...] Naquela manhã, os ceifeiros haviam encontrado uma feiticeira a urinar maliciosamente no campo afim de conjurar a chuva sobre o trigo já parcialmente apodrecido por aguaceiros intempestivos; lançaram-na ao fogo sem outra forma de processo [...]. O cônego explicava que o homem, ao infligir aos perversos o suplício das chamas, que dura apenas um momento, não faz senão conformar-se à lei de Deus, que os condena ao mesmo castigo, só que para sempre  [...] Foi de coração confiante que, uma noite, ele (Simão) observou seus miseráveis comensais a enterrar os gorros até os olhos e a envolver o pescoço com trapos aproveitados de uma echarpe de lã, caminhando lado a lado sobre lama e neve, prontos a se arrastar juntos até Münster de seus sonhos [...] Quando afinal Joana falou, o que lhe saiu dos lábios foi uma torrente de torpezas e obscenidades que sabiam ao mesmo tempo a esgoto e a Bíblia. O Rei (de Münster – Cidade de Deus) não fora jamais para a velha hussita senão um indigente a quem se concedia comer na cozinha e que ousou dormir com a mulher do patrão [...] sonhava com fogueiras, tais como as que vira por ocasião de um auto-de-fé numa pequena cidade de León, durante o qual pereceram quatro judeus acusados de haver hipocritamente abraçado a religião cristã sem antes renunciarem à prática dos ritos herdados de seus pais, além de um herético que negava a eficácia dos sacramentos. Ele imaginava aquela dor damasiado aguda para a linguagem humana [...] A rigor, quase a contragosto, esse peregrino ao fim de um percurso de mais de meio século obrigava-se pela primeira vez n a vida a recompor em pensamentos os caminhos palmilhados [...] empenhando-se em fazer a escolha entre o pouco que parecia advir de si e o que pertencia ao acervo comum da sua condição humana [...]. Trechos extraídos da obra A Obra em Negro (Nova Fronteira, 1981), da escritora belga de língua francesa Marguerite de Yourcenar (1903-1987). Veja mais aqui.

DOIS POEMAS - LIÇÃO DE ESCRITA - Não meça / a temperatura: pouco / importa se o corpo / dá-se, agora, / em forma / de colapso. / Esqueça / a máscara tesa / que sequestra o sorriso / por sob / a pele. / Releve / a agulha inclusa / que te paralisa / beijo e protesto. / Reserve / uma hora diária / para afagar tua miséria. / Ou resista: / não vale a escrita. UTRUM DEUS SIT SUBIECTUM HUIUS SCIENTIAE - Uma voz não sei de Quê / de Quando escondido e Onde pouco nítido / pede-me que esqueça / que é forma não formada / Mas não Não caio / na lábia do poema / seu não ter / De Quê nem Porquê / Aqui se faz Aqui / se prega (O que se arrasta sobre as águas e às vezes se afoga?) / É antes uma íngua na fala / uma pedra debaixo da língua. Poemas extraídos da obra Aleijão (7Letras, 2009), do poeta, jornalista e crítico literário Eduardo Sterzi.

A ARTE DE AURELIO GRIMALDI
Na obra cinematográfica do cineasta e roteirista italiano Aurelio Grimaldi, destaco os drama Le Buttane (1994) e La Ribelle (1993), como também o drama erótico Il Macellaio (1998) e a comédia La divina Dolzedia (2017), entre outros.


Arraial dos Alunos do Colégio Nossa Senhora de Lourdes & muito mais na Agenda aqui.
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Todo dia é Dia Mundial do Oceano aqui e aqui
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A arte da fotógrafa alemã Ruth Bernhard (1905-2006).
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Assim ou vai ou racha, a literatura de Antonio Callado, a poesia de Adalgisa Nery, a arte de Paul Gauguin & Programa Tataritaritatá aqui.
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Dança do amor, o pensamento de Paramahansa Yogananda, a fotografia de Joyce Tenneson, a arte de Luciah Lopez & Programa Tataritaritatá aqui.
 

CECÍLIA MEIRELES, CLARA LEFF, ETHEL FELDMAN, TEMPO DE PERNAMBUCO & PEÇAS RUAS DA CIDADE

PELAS RUAS DA CIDADE – Acenos pros que passam rostos vivos e mãos suadas que vão e outros vindos nem sei de onde, olá pros que estão no...