
RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do cantor e compositor Milton Nascimento: Planeta blue na terra do sol, Ângelus, Uma Travessia 50
Anos ao vivo & Pietá ao vivo & muito mais nos mais de 2 milhões de
acessos ao blog & nos 35
Anos de Arte Cidadã. Para
conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui, aqui e aqui.
PENSAMENTO DO DIA – [...] Três
coisas condicionam o rumo de vida de um ser humano entre o nascimento e a
morte; e com isto ele é triplicemente dependente de fatores situados aquém do
nascimento e além da morte. O corpo está sujeito às leis da hereditariedade. A
alma está sujeita ao destino criado pelo próprio ser humano; esse destino
criado pelo homem é denominado com a antiga palavra carma. E o espírito obedece
às leis da reencarnação, das repetidas vidas na Terra. Sendo assim, a relação
entre corpo, alma e espírito pode ser expressa da seguinte maneira: o
imperecível é o espírito; o nascimento e a morte imperam na corporalidade
segundo as leis do mundo físico; a vida anímica, sujeita ao destino, serve para
unir o espírito e a corporalidade durante uma vida terrena. Todos os demais
conhecimentos sobre a natureza do homem pressupõem o conhecimento dos ‘três
mundos’ a que ele pertence. [...]. Trecho extraído da obra Teosofia: introdução ao conhecimento
supra-sensível do mundo e do destino humano (Antroposófica, 2002), do
filósofo e educador austríaco Rudolf Steiner (1861-1925). Veja mais
aqui.
SOCIEDADE DOS INDIVÍDUOS – [...] O
controle comportamental desta ou daquela espécie existe sem dúvida em todas as
sociedades humanas. Mas aqui, em muitas sociedades ocidentais, há vários
séculos que esse controle é particularmente intensivo, complexo e difundido; e
o controle social está mais ligado do que nunca ao autocontrole do indivíduo.
Nas crianças, os impulsos instintivos, emocionais e mentais, assim como os
movimentos musculares e os comportamentos a que tudo isso as impele, ainda são
completamente inseparáveis. Elas agem como sentem. Falam como pensam. À medida
que vão crescendo, os impulsos elementares e espontâneos, de um lado, e a
descarga motora – os atos e comportamentos decorrentes desses impulsos –, de
outro, separam-se cada vez mais. Impulsos contrários, formados com base nas
experiências individuais, interpõem-se entre eles. [...] Uma trama delicadamente tecida de controles,
que abarca de modo bastante uniforme, não apenas algumas, mas todas as áreas da
existência humana, é instalada nos jovens desta ou daquela forma, e às vezes de
formas contrárias, como uma espécie de imunização, através do exemplo, das
palavras e atos dos adultos. E o que era, a princípio, um ditame social acaba
por tornar-se, principalmente por intermédio de pais e professores, uma segunda
natureza do indivíduo, conforme suas experiências particulares. [...] Considerados como
corpos, os indivíduos inseridos por toda vida em comunidades de parentesco
estreitamente unidas foram e são tão separados entre si quanto os membros das
sociedades nacionais complexas. O que emerge nestas últimas são o isolamento e
a encapsulação dos indivíduos em suas relações uns com os outros [...] à medida que prossegue essa mudança social,
as pessoas são mais e mais instadas a esconder umas das outras, ou até de si
mesmas, as funções corporais ou as manifestações e desejos instintivos antes
livremente expressos, ou que só eram refreados por medo das outras pessoas, de
tal maneira que normalmente se tornam inconscientes deles [...]. Trechos
extraídos da obra A sociedade dos indivíduos (Jorge Zahar, 1994), do sociólogo
alemão Norbert Elias (1897-1990). Veja mais aqui.
O SENHOR DAS MOSCAS - [...] O
fogo chegou nos coqueiros junto à praia e os devorou ruidosamente. Uma chama,
aparentemente isolada, torceu-se como um acrobata e lambeu as frondes das
palmeiras na plataforma. O céu estava negro. O oficial sorriu alegremente para
Ralph. — Vimos sua fumaça. O que estavam fazendo? Uma guerra ou algo assim?
Ralph assentiu. O oficial examinou o pequeno espantalho à sua frente. O menino
precisava de um banho, de um corte de cabelo, de uma assoada de nariz e de uma
boa quantidade de unguento. — Ninguém morreu, espero. Há algum cadáver? — Só
dois. E sumiram. O oficial inclinou-se para baixo e olhou bem de perto para
Ralph. — Dois? Assassinados? Ralph concordou com um gesto. Atrás dele, toda a
ilha estremecia em chamas. O oficial sabia, por ofício, quando as pessoas falavam
a verdade. [...] Por
um instante, vislumbrou uma imagem fugaz do estranho encanto que outrora
dominara as praias. Mas a ilha estava carbonizada como lenha usada... Simon
morrera... e Jack havia... As lágrimas começaram a correr-lhe pelas faces e soluços
sacudiram-no. Pela primeira vez, desde que chegara à ilha, entregou-se ao
choro; grandes e convulsivos espasmos de tristeza pareciam torcer todo o seu
corpo. Sua voz elevou-se sob a fumaça negra diante dos restos incendiados da
ilha; contagiados por aquela emoção, os outros meninos começaram a tremer e a
soluçar. No meio deles, com o corpo sujo, cabelo emaranhado e nariz escorrendo,
Ralph chorou pelo fim da inocência, pela escuridão do coração humano e pela
queda no ar do verdadeiro e sábio amigo chamado Porquinho. O oficial, cercado
por todo esse ruído, ficou emocionado e um pouco embaraçado. Virou-se para dar
tempo a que se recuperassem. Esperou, deixando os olhos fixos no garboso
cruzador a distância. Trechos extraídos do romance O senhor das moscas (Nova Fronteira,
2011), do escritor e dramaturgo William
Golding (1911-1993).
DOIS POEMAS – I - Pode-se com os olhos fechados viver, / Não desejando nem mesmo a
sorte / E para sempre adeus ao céu dizer. / E entender, que ao redor há apenas
morte. / Pode-se viver, em silêncio esfriando, / Não contando os minutos
passados, / Como vive a floresta de outono, afinando, / Como vivem os sonhos
apagados. / Pode-se todo o amor renunciar, / Pode-se tudo para sempre deixar de
benquerer. / Mas não pode para o passado esfriar, / Mas não pode sobre o
passado esquecer! – VENTO – A natureza é um templo onde vivos pilares / Deixam
filtrar não raro insólitos enredos; / O homem o cruza em meio a um bosque de
segredos / Que ali o espreitam com seus olhos familiares. / Como ecos longos
que à distância se matizam / Numa vertiginosa e lúgubre unidade, / Tão vasta
quanto a noite e quanto a claridade, / Os sons, as cores e os perfumes se
harmonizam. / Há aromas frescos como a carne dos infantes, / Doces como o oboé,
verdes como a campina, / E outros, já dissolutos, ricos e triunfantes, / Com a
fluidez daquilo que jamais termina, / Como o almíscar, o incenso e as resinas
do Oriente, / Que a glória exaltam dos sentidos e da mente. / Viver do presente
eu não posso, / Amo o turbamento dos meus sonhos. Poemas do poeta russo Konstantin Balmont (1867-1942).
O GOSTO DA CEREJA
O
premiado filme O gosto de cereja (Palma de Ouro de Cannes, 1997), do também do
premiado cineasta, poeta, roteirista, produtor e fotógrafo iraniano Abbas
Kiarostami, conta a história de um homem de classe média que habita em
Teerã e planeja um suicídio. Procura alguém para ajudá-lo a cavar um túmulo nas
montanhas, todos se recusam e, apenas um velho taxidermista turco concorda em ajudá-lo.
Porém, o contratado tenta convencê-lo a desistir da ideia, alegando que o sabor
da cereja havia impedido que ele próprio cometesse um suicídio. Recomendo. Veja
mais aqui.
O VI Seminário
da Educação Brasileira & muito mais na Agenda
aqui.
&
A arte da pintora francesa Françoise Gilot.
&
A Previdência Social é superavitária!, O socialismo de Bernard Shaw, Casablanca
de Umberto Eco, a música do Quarteto
Camargo Guarnieri, a arte de Judy Burgarella & Eneida Paes Lima aqui.
&
A quadrilha da paixão, A era do vazio de Gilles Lipovetsky, o cinema de Fernando Arrabal, Anouk Ferjac & Mariangela
Melato; o teatro de Samir
Yazbek, a fotografia de Nair
Benedicto, a arte de Roland Topor & Luciah Lopez
aqui.
APOIO CULTURAL: SEMAFIL
Semafil Livros nas faculdades Estácio de Carapicuíba e Anhanguera de São
Paulo. Organização do Silvinha Historiador, em São Paulo.