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quinta-feira, agosto 01, 2019

NORBERT ELIAS, JANE GOODALL, DENIS GUÉNOUN, STAN TRAMPE & VEIAS DO PEITO


VEIAS DO PEITO – Coração rasgado, sangrava a manhã chuvosa. Sair seria um desperdício, nem valeria a pena. Tinha de ir, sem saber sequer para onde. Uma tentativa, tudo desabou: reuniu as migalhas do seu fracasso. Tivesse uma chance nem saberia o que fazer dela: oportunidades perdidas na poeira dos dedos. Duas, o mundo não leva ninguém a sério. Sorrisse, não seria mais que desilusão. Dizia de si, pouco importava. Dissesse, de nada adiantava, cada qual seu rumo umbigo afora. Quanta ausência e nenhuma forma de fazer dos braços alguma coisa. Três, a queda inevitável, como sempre: recolhia do chão o que sobrou de si, asas dos pés que nunca puderam voar. Nem adiantava chorar: nada mais valia, olhos de violão dedilhando canção pungente. Mais tivesse, menos podia. Buscava uma esperança nem que fosse pretérita, tudo por água abaixo. Serviu-se do meio fio pela imaginação, nada mais restava do que pudesse segurar. Soltaram-se as línguas e não foi fácil nenhuma manhã. Se seguisse adiante, não escaparia de alaridos e dissimulações. Tudo tolhia o ânimo, a euforia na esquina acenava, adeus de toda hora. Ainda ontem queria ser melhor, muito mais e nem era. Hoje só restava contar nas veias retalhadas as dores do peito. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS:
Milhares de pessoas dizem "adorar" animais, mas sentam-se uma ou duas vezes ao dia a desfrutar a carne de criaturas que foram completamente privadas de tudo o que poderia tornar as suas vidas dignas de serem vividas e que suportaram o horrível sofrimento e terror dos matadouros.
Pensamento da primatóloga, etóloga e antropóloga britânica Jane Goodall. Veja mais aqui.

UMA IDEIA DO TEATRO
[...] O que convoca o teatro vem do lado político propriamente dito. É então o político'? Seria supor que o político se convoca, coisa de que eu também duvido. Alguma coisa convoca (tanto o político, quanto o teatro). A partir desta proveniência comum, institui-se a distribuição de sua diferença. [...] Não há teatro algum no espaço ocupado, saturado pelo culto (ou pelo rito). O teatro vem no movimento, no momento, no lugar aberto pela separação da cidade em relação a tudo isto. E em sua vizinhança, portanto, e com frequência nesta nostalgia – até mesmo ideologia de uma teatralidade cultural, ritual, mística. Mas nada disto o constitui: o teatro está ligado ao advento de uma cidade saída da assembleia do culto, à produção do profano, do cívico, - do político mesmo. [...].
Trechos extraídos da obra A exibição das palavras: uma ideia (política) do teatro (Teatro do Pequeno Gesto, 2003),do dramaturgo, diretor, escritor e professor francês Denis Guénoun. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do fotógrafo estadunidense Stan Trampe. Veja mais aquiaqui.

A OBRA DE NORBERT ELIAS
Todo homem, por assim dizer, enfrenta a si mesmo.
A obra do sociólogo alemão Norbert Elias (1897-1990) aqui e aqui.


quarta-feira, agosto 01, 2018

WILLIAM CARLOS WILLIAMS, HERMILO, NORBERT ELIAS, EMILY BRONTË, MARCUS VIANNA, BOURDIEU, ORGANISMO & LITERATURA DE CORDEL


NO ANO PASSADO EU MORRI, MAS ESTE ANO EU NÃO MORRO – Os meus olhos de menino impava no meio do pastoril de Rabeca, os Caboclinhos de Veludo, o Bumba-meu-boi, reisado e guerreiro. Brincava nas lapinhas as solfas e trava-línguas que falavam de um Deus-menino e de outras coisas de então. Coisas de botijas, de assombrações, coisas que me faziam arranchar de noite nas abusões canavieiras no meio de um pé quebrado. Tanto medo vinham das matas, tantos bichos, malsinações, de quase ter um troço só de saber da perna cabeluda torar as orelhas de um dentuço, ficar com a braguilha de fora, pendurado numa forquilha. Até umas brincadeiras que aprendi a brincar: cara a paca pagará quem a paca cara compra. Falavam do rojão do Anselmo e da gangorra de Ventania: Salve, salve minha gente, do litoral e da mata, do agreste e do sertão! Viva o povo do Nordeste, viva o povo desse meu Brasilzão! Como não sou viajado, nem mesmo versado em redondilhas, tenho feito um pé de verso e outro de cantiga, todo sem jeito no dedilhado, imitando coisa antiga que muito ouvia falar: hoje tem enredo de Nicandro e décimas de Aderaldo, vai ter pipoco de verso e rima pra todo lado. O mourão de Fabião das Queimadas, a função de quantos Bentevis, quem quiser que bata palma, quem quiser que peça bis. Os romances de Leandro, o dez de queixo caído de Chagas, coisas que eram daqui e também de outras plagas. Tem sextilha de Preto Limão, sete pés de Serrador, quem não passou pela vida e nunca sofreu de amor. Tem ligeira de Ataíde, língua d’Angola de Hugolino, coisa para gente grande, até o mais pequenino. Tinha dez de adivinhação dos irmãos Batistas, tinha até louvação de Jessier, coisa de fazer a gente rir até não mais querer. Saltava martelo de Braulio e Vilanova, ou dez de adivinhação, ou um rojão pernambucano, outras muitas coisas então. Tinha quintilha de Romano, mourão quebradinho de Pirauá, não fique mais abestalhado como quem não sabe o que é que há. Deixe logo a mão aberta, não seja pirangueiro, só quem canta de graça é galo no terreiro. Peça pros céus a justiça e pelo justo se advoga, saiba que quando Deus não quer, não tem valia, nem voga. Chame pra perto a mulher: venha cá, minha parelha. Hoje é dia de festa, deixe de me olhar de esguelha. Cuidado que você cai e lá vai um, dois e três. Nunca olhe para trás e lá vão quatro, cinco e seis. Vai ter quadrão de Maria Tebana, décima de Zefinha do Chabocão, neste Brasil de caboco, de Mãe Preta e Pai João. Nos oito pés de quadrão, vai rolar muito repente, vivi pior no passado do que vivo no presente. Se for quadrão mineiro ou mesmo à beira-mar, para que serve o capote? Pra gente se agasalhar. Pra que serve o serrote? Para a madeira serrar! E se for quadrão trocado, meia quadra ou quadra meia, quadrão ou vai-e-vem, não seja cabra de peia, ninguém sabe de onde o amor vem. Ainda tem Xica Barrosa e Inácio da Catingueira, não se assuste nem solte os pés de banda pra não sair na carreira. Quem sabe a largura, sabe o quanto a língua fura, pra quem sabe nadar não se espanta com fundura. Quem ficar abestalhado ou de boca aberta de besteira, sem saber do sucedido que vai solto na buraqueira, vão começar com colcheia, depois das oitavas às parcelas de dez pés, vão puxar fogo no martelo no maior dos revestrés. Que seja forte o leão, que seja maior o penedo, nunca achei um rimador que me metesse algum medo. Poeta bom saiu da loca, outro igual nem ali nem acolá. Solte o mote na hora pra poder então glosar. O violeiro que é cantador ajeita a estrofe no pé ou linha, quando embolador de coco, faz melhor que qualquer rinha! Quem canta bonito faz alegria do povo, quem sofre fica apertado que nem um pinto no ovo. Se hoje é dia do Poeta de Literatura de Cordel, é dia de muita função! Se hoje é dia de cantoria, vamos ajustar a afinação! Segura os quatro pontos e oitavado, segura a cebolinha e cebolão! Orlando Tejo falou Zé Limeira, o poeta do absurdo! Aqui tem lugar pra cego, pra mudo e até pra surdo! Encontrei hoje chorando, quem riu de mim no passado. Todo velho tabaquista tem nariz enferrujado. Cante lá que eu canto cá, já dizia Patativa. Se botou mote que glose, não tem outra alternativa. Agora não é depois, não se areie, nem faça troça, quem sabe fazer bonito nunca suja qualquer roça. Se falou ou ficou calado, não se sabe quem é quem, ninguém sabe pronde é que a gente vai quando a morte vem. É que todo ano renasço e morro, só que este ano nasço, fico pra semente e desmorro. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do violinista, tecladista e compositor Marcus Vianna: Suíte Pantanal, Música para os quatro elementos, Sinfonia dos sonhos & Sete vidas, amores e guerras & muito mais nos mais de 2 milhões & 500 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui, aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] A rede de interdependências entre os seres humanos é o que os liga, elas formam o nexo do que é aqui chamado configuração, ou seja, uma estrutura de pessoas mutuamente orientadas e dependentes. Uma vez que as pessoas são mais ou menos dependentes entre si, inicialmente por ação da natureza e mais tarde através da aprendizagem social, da educação, socialização e necessidades reciprocas socialmente geradas, elas existem, poderíamos nos arriscar a dizer, apenas como pluralidades, apenas como configurações. [...]. Trecho extraído da obra O processo civilizador: Uma história dos costumes (Zahar, 1994), do sociólogo alemão Norbert Elias (1897-1990). Veja mais aqui.

O ESTADO & O CIDADÃO – [...] revela o caráter ambíguo do processo de onde saiu o Estado moderno e desse próprio Estado: o processo de concentração (e de unificação) é sempre, simultaneamente, um processo de universalização e um processo de monopolização, sendo a integração a condição de uma forma particular de dominação, esta que se realiza na monopolização do monopólio estatal (com a nobreza de Estado). [...] A construção da nação como território juridicamente regulado e a construção do cidadão ligado ao Estado (e aos outros cidadãos) por um conjunto de direitos e deveres vão par a par. Mas o campo burocrático é sempre mais o lugar e o objeto das lutas, e o trabalho necessário para garantir a participação do cidadão na vida pública — e em particular na política oficial, como dissenso regulado — deve se prolongar numa política social, esta que define o Welfare State, visando garantir a todos as condições mínimas econômicas e culturais (com a iniciação aos códigos nacionais) do exercício do direito do cidadão, assistindo, econômica e socialmente, e disciplinando. A edificação do Welfare State supõe uma verdadeira revolução simbólica, que tem como centro a extensão da responsabilidade pública no lugar da responsabilidade privada. Trecho extraído da obra Sobre o Estado (Schwarz, 2012), do sociólogo francês Pierre Bourdieu (1930-2002). Veja mais aqui.

O MORRO DOS VENTOS UIVANTES – [...] Vendo-os parar um instante diante da porta, para olharem uma última vez para a lua — ou, melhor, um para o outro, banhados pelo luar —, senti-me novamente impelido a ir embora; e, enfiando uma lembrança na mão da Sra. Dean, não obstante os seus protestos, saí pela cozinha no exato momento em que eles abriam a porta de entrada — e teria confirmado a opinião de Joseph quanto às indiscrições da velha colega, se ele não tivesse considerado como prova da minha respeitabilidade o soberano de ouro que lhe atirei aos pés. Meu caminho de volta foi alongado por um desvio na direção da igreja. Uma vez dentro dela, percebi quanto envelhecera em apenas sete meses: muitas janelas mostravam buracos negros, destituídos de vidraças; e, aqui e ali, telhas saíam fora da linha do telhado, candidatando-se a serem arrancadas pelas próximas tempestades de outono. Procurei, e logo descobri, as três lápides na encosta próxima à charneca: a do meio, cinzenta e meio enterrada na urze; a de Edgar Linton, com a grama e o musgo trepando-lhe pela base — e a de Heathcliff, ainda nua. Demorei-me a contemplá-las, sob aquele céu clemente, a ver as borboletas esvoaçando por entre a urze e as campânulas, a ouvir a brisa suave soprando através da relva e a pensar como poderia alguém imaginar, sequer, sonos agitados sob aquela terra. [...] Trecho extraído da obra O morro dos ventos uivantes (Abril, 1971), da escritora inglesa Emily Brontë (1818 – 1848). Veja mais aqui.

TRES POEMAS - MULHER DIANTE DE UM BANCO - O banco é uma questão de colunas, / tal como. a convenção, / e não a invenção; mas os frontões / lá estão sob o sol / para acalmar as dúvidas / de investimentos "sólidos / como rocha" sobre os quais o mundo / se firma, o mundo da finança,/ o único mundo: Logo ali, / conversando com outra mulher enquanto / embala um carrinho de criança / de lá pra cá está uma mulher com um / vestido rosa de algodão, sem meias / nem chapéu; as pernas nuas / são duas colunas sustentando / seu rosto, como o de Lênin (o cabelo / frouxamente preso muito louro) ou / de Darwin, e aí / está: / mulher diante de um banco. AS NOVAS NUVENS - A manhã quando eu primeiro te amei / tinha uma qualidade de delicada divisão a respeito e / uma leveza e uma luz repleta de/ pequenas nuvens todas crescendo sobre o / chão que as criou, uma luz de / palavras num céu de papel, cada uma um significado / e todas juntas outro significado. Foi uma fala / quieta, tranquila mas reminiscente / e de preces — com uma perturbação / da espera. Sim! uma página grudada / por tudo aquilo não era, um significado mais / que significado do que o do texto cujas / pontas separadas eram as pontas do céu. ELA QUE VIRA A CABEÇA - Ela vira a cabeça / para respirar o ar da manhã / o abril brilhante em sua / face pálida / e seu cabelo amarelo / Ei, olhe! eles se viram / de sua brincadeira / Olhe! a recordação da / noite / atingida pelo dia / Como alguém que veio / do baile / seminua sob as luzes / ela arranca / suas roupas as joga / e luta para parecer / indiferente diante da / poderosa superioridade / desse / sonho extravagante. Poema do poeta estadunidense William Carlos Williams (1883-1963). Veja mais aqui.

ORGANISMO
O filme Organismo, de Jeorge Pereira, conta história de um jovem tetraplégico que se vê sozinho em casa, após a morte fulminante da mãe, com a difícil missão de sobreviver dias sem se alimentar até que alguém o socorra. Imobilizado devido a sua condição física, busca em seu passado e em um possível futuro, num fluxo de consciência atemporal de memórias da infância, relações amorosas, desejos íntimos e conflitos pessoais, novos alicerces para uma vida que inicia na aceitação de um novo corpo. Destaque para a atriz Bianca Joy Porte.

AGENDA
A arte de Hermilo Borba Filho & muito mais na Agenda aqui.
&
A obra de Hermilo Borba Filho aqui, aqui, aqui , aqui e aqui
&
Literatura de Cordel aqui e aqui.
&
Fui ali, já voltei, ói eu aqui traveiz, a literatura de Graciliano Ramos, a educação de Edgar Morin & José Carlos Libâneo, o pensamento de Howard Becker & José Roberto dos Santos Bedaque, a arte de Russell Kaplan, Sara Riches & Massimiliano Ligabue & muito mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.


sexta-feira, junho 22, 2018

GOLDING, BALMONT, STEINER, NORBERT ELIAS, MILTON NASCIMENTO, KIAROSTAMI & FRANÇOISE GILOT


TRÊS & UMA VIDA SÓ – Imagem: A Gordiuszi csomó III (2005), da pintora francesa Françoise Gilot. - Numa bela manhã de 1552, nascia Erik no meio de um parto complicado com a morte materna. Cresceu ouvindo as histórias dos Vikings. de Odin, Thor, Gladius e a batalha de Lena, Nokken, Tallemaja, Draug, Näcks, de muito fazer uso disso na sua formação adulta. Na busca pelo pai desconhecido, soube do excêntrico imperador Rodolfo de Habsburgo, colecionador de anões e gigantes em um regimento do seu exército. Não entendia nada de política e muito menos da Contrarreforma e do calendário gregoriano, das andanças por Praga, o fascínio por jogos e códigos, astrologia, alquimia e ciências ocultas. Achava muito estranho o que diziam de um certo pintor Arcimboldo, em meio as conversas das revoltas austríacas e húngaras, as questões dos otomanos na Áustria, Morávia e Hungria, as passagens por Boêmia e a Silésia. Tal como a majestade, ele também sofria de constantes ataques de melancolia e insanidade, principalmente quando pôde ver uma vez de longe o livro gigante do Codex Gigas, a deslumbrante oitava maravilha do mundo, escrita por um monge copista do mosteiro de Podlazice, dado por destruído durante as guerras religiosas do século anterior e seu autor condenado a ser emparedado vivo por crime grave e que, para salvar-se, pediu ajuda ao demo. Aos boticões, jamais esqueceu a decoração das tintas vermelhas, azuis, amarelas e douradas do volume, coisa que não lhe saía da cabeça, ambicionando roubá-lo e passando a sonhos constantes, aguçados por sua curiosidade em saber das fórmulas mágicas contidas naquela publicação imensa. Depois disso, pesadelos assustadores acometiam suas noites dias afora. Tantos tormentos entre trogloditas, dinossauros e guerreiros que povoavam suas desventuras oníricas, com perseguições, quedas dos precipícios, ataques de animais, crucificações, monstros mitológicos, guerras de caveiras e terrores diversos. As perseguições tanto ocorriam nos seus adormecimentos noturnos, como nos devaneios em dia claro, ouvindo vozes do além, ameaças de íncubos e súcubos ao derredor, bruxarias e premonições malsinadas, amedrontando seu pobre ser amargurado, identificando qualquer aproximação de alguém, como presença de terrível algoz para destruí-lo. Por conta disso, viveu pelas sombras da existência. Além do mais, outra paixão angustiava o peito entre ataques de sobrevivência e aluamentos: a filha bastarda do rei, Carlota, marquesa da Áustria, a ponto de arquitetar estratagemas para capturá-la e aprisioná-la para si. Essa paixão platônica o fez armar ardis engenhosos, rondando todos os locais onde supunha ela pudesse estar presente, isso até o dia que ela se casou com o príncipe de Cantecroix, deixando-o aos desastres da existência, ora resgatando furioso e completamente embriagado a exaltar a memória de Gustavo Vasa e assumindo o luteranismo evangélico, ora não menos ébrio se bandeando pela defesa da igreja romana católica. Quis estupra-la e nisso se determinou, dela não escapar, em pleno golpe, enlouqueceu na investida até sucumbir maldito em 1612, vítima de um ataque desconhecido no meio dos seus tantos pesadelos. Eis que numa tarde mormaçada de 1756, nascia uma criança entre os Palawah, nas inóspitas regiões australianas. Cresceu entre os aborígenes e os dingos, cangurus, emas, bumerangues, lanças, bastões, o cultivo da terra, caça, pesca e dialetos. Era silencioso e prestava atenção em tudo. Estava adolescente quando ouviu das sucessivas histórias contadas sobre os migrantes indianos e das ameaças dos portugueses que zanzaram pelas terras da Australis Incógnita, do navegador holandês Willem Janszoon e da Nova Holanda, das andanças de James Cook pela Nova Gales do Sul e a colônia penal, de Abel Tasman na Tasmânia, e da invasão britânica de 1788. Sabia apenas da noite e do dia, da fome e da caça, das coisas de sua tribo, matava pra não morrer, savanas, o Tempo dos Sonhos, o didgeridoo, a Mãe Serpente, os massacres dos colonos e a catequese, alijauaras, arandas, mundbaras, gurindjis, pitjantjaras, pintubis, ualparis, uarramungas, ualpiris, mardus, o Uluru. No meio disso teve o primeiro sonho estranho, em que vivia num mundo distante do seu, como se fosse um dos invasores em terras estrangeiras. Eram sonhos monstruosos que o perseguiram terrivelmente por toda vida, até sucumbir em 1816, vítima do genocídio contra os aborígenes no processo de colonização britânica. Foi então que na madrugada chuvosa de maio de 1960, nascia no nordeste brasileiro uma criança de pais pobres, vítimas das secas sertanejas. Brincava do muito no terreiro tórrido e ouvia histórias da Cumade Fulôsinha, Saci Pererê, bois e cavalos dumas matas perdidas na imaginação. Cresceu com o Sol de janeiro a janeiro, em plena ditadura militar, maria-vai-com-as-outras, a desconhecer da censura e repressão. Aos dez anos teve um sonho estarrecedor: que era um menino órfão galego no frio, perseguido por monstros e maldições. Ao amanhecer estava amedrontado com tudo embaixo da cama. Chamou aos pais, nada encontraram, e ele insistia tudo aquilo sonhado lá embaixo. No outro dia acordou com o pesadelo de ser uma criança de cor perseguida por invasores brancos barbudos que matavam os da sua tribo. Contou pros pais que disseram estar ele ouvindo muita Estória de Trancoso. Não era, noite após noite, e precipícios, feras, bruxarias, uma princesa linda que o levava para a morte, ataques de invasores, tiros, mortandade, terrores. Estava adolescente púbere e no seu mundo de devaneios macabros, para ele tanto faziam falar de Papai Noel, AI-5, a Mula sem cabeça, a Burrinha do Padre, Iêiê, O meu pé de laranja lima, Moral e Cívica, Brasília e FMI, Milagres, guerrilhas, Arena e MDB, tudo como se fosse Monteiro Lobato contando coisas pros jovens que podiam ser tratados por homens feitos. Misturava Araguaia com Homem Aranha, USTop com MR-8, Hippies e cristãos, Cuba com as calças Lee, TFP com a tricampeonato de futebol, desemprego com subversão, Guerra Fria com ligas camponesas, corrupção com levar vantagem em tudo, promulgação da Constituição Federal com papo de ETs, AIDS com a economia canavieira, dívida externa com papo furado, impeachment com a novela da Globo, Plano Real com a vinda de Jesus e por aí vai. Aos trinta e quatro anos era ufano tetracampeão, falando de Emerson, Piquet e Senna como se fossem os únicos heróis nacionais depois dos jogadores. Odiava coisas de estudo ou escola, terminara o segundo grau a pulso na escolinha do arruado e ali ficara como se fora o maior sabichão do planeta. Misturava lucro com apurado, metia o pau nos comunistas e votava de acordo com a amizade nas eleições. A partir dos trinta e cinco anos, os pesadelos horríveis passaram a ser recorrentes, sem poder distinguir o que era a vida e o que era sonhado, misturando-se por infernos dantescos e buscas de felicidade jamais alcançada, até o dia em que teve a nítida experiência de que era Erick e não sabia que a sua vida era assim porque tinha sido ele e reconhecera ser ele mesmo, ao passo que tudo se transformava em si e já o inominável australiano a fugir e guerrear contra os invasores intrépidos, e tudo inexplicável sem entender como podia ser quem era nisso tudo, um nordestino brasileiro, enquanto um branco escandinavo e um aborígene australiano eram nele uma coisa só e não sabia mais nada porque mergulhando na trindade esqueceu existir para sempre. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do cantor e compositor Milton Nascimento: Planeta blue na terra do sol, Ângelus, Uma Travessia 50 Anos ao vivo & Pietá ao vivo & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui, aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Três coisas condicionam o rumo de vida de um ser humano entre o nascimento e a morte; e com isto ele é triplicemente dependente de fatores situados aquém do nascimento e além da morte. O corpo está sujeito às leis da hereditariedade. A alma está sujeita ao destino criado pelo próprio ser humano; esse destino criado pelo homem é denominado com a antiga palavra carma. E o espírito obedece às leis da reencarnação, das repetidas vidas na Terra. Sendo assim, a relação entre corpo, alma e espírito pode ser expressa da seguinte maneira: o imperecível é o espírito; o nascimento e a morte imperam na corporalidade segundo as leis do mundo físico; a vida anímica, sujeita ao destino, serve para unir o espírito e a corporalidade durante uma vida terrena. Todos os demais conhecimentos sobre a natureza do homem pressupõem o conhecimento dos ‘três mundos’ a que ele pertence. [...]. Trecho extraído da obra Teosofia: introdução ao conhecimento supra-sensível do mundo e do destino humano (Antroposófica, 2002), do filósofo e educador austríaco Rudolf Steiner (1861-1925). Veja mais aqui.

SOCIEDADE DOS INDIVÍDUOS – [...] O controle comportamental desta ou daquela espécie existe sem dúvida em todas as sociedades humanas. Mas aqui, em muitas sociedades ocidentais, há vários séculos que esse controle é particularmente intensivo, complexo e difundido; e o controle social está mais ligado do que nunca ao autocontrole do indivíduo. Nas crianças, os impulsos instintivos, emocionais e mentais, assim como os movimentos musculares e os comportamentos a que tudo isso as impele, ainda são completamente inseparáveis. Elas agem como sentem. Falam como pensam. À medida que vão crescendo, os impulsos elementares e espontâneos, de um lado, e a descarga motora – os atos e comportamentos decorrentes desses impulsos –, de outro, separam-se cada vez mais. Impulsos contrários, formados com base nas experiências individuais, interpõem-se entre eles. [...] Uma trama delicadamente tecida de controles, que abarca de modo bastante uniforme, não apenas algumas, mas todas as áreas da existência humana, é instalada nos jovens desta ou daquela forma, e às vezes de formas contrárias, como uma espécie de imunização, através do exemplo, das palavras e atos dos adultos. E o que era, a princípio, um ditame social acaba por tornar-se, principalmente por intermédio de pais e professores, uma segunda natureza do indivíduo, conforme suas experiências particulares. [...] Considerados como corpos, os indivíduos inseridos por toda vida em comunidades de parentesco estreitamente unidas foram e são tão separados entre si quanto os membros das sociedades nacionais complexas. O que emerge nestas últimas são o isolamento e a encapsulação dos indivíduos em suas relações uns com os outros [...] à medida que prossegue essa mudança social, as pessoas são mais e mais instadas a esconder umas das outras, ou até de si mesmas, as funções corporais ou as manifestações e desejos instintivos antes livremente expressos, ou que só eram refreados por medo das outras pessoas, de tal maneira que normalmente se tornam inconscientes deles [...]. Trechos extraídos da obra A sociedade dos indivíduos (Jorge Zahar, 1994), do sociólogo alemão Norbert Elias (1897-1990). Veja mais aqui.

O SENHOR DAS MOSCAS - [...] O fogo chegou nos coqueiros junto à praia e os devorou ruidosamente. Uma chama, aparentemente isolada, torceu-se como um acrobata e lambeu as frondes das palmeiras na plataforma. O céu estava negro. O oficial sorriu alegremente para Ralph. — Vimos sua fumaça. O que estavam fazendo? Uma guerra ou algo assim? Ralph assentiu. O oficial examinou o pequeno espantalho à sua frente. O menino precisava de um banho, de um corte de cabelo, de uma assoada de nariz e de uma boa quantidade de unguento. — Ninguém morreu, espero. Há algum cadáver? — Só dois. E sumiram. O oficial inclinou-se para baixo e olhou bem de perto para Ralph. — Dois? Assassinados? Ralph concordou com um gesto. Atrás dele, toda a ilha estremecia em chamas. O oficial sabia, por ofício, quando as pessoas falavam a verdade. [...] Por um instante, vislumbrou uma imagem fugaz do estranho encanto que outrora dominara as praias. Mas a ilha estava carbonizada como lenha usada... Simon morrera... e Jack havia... As lágrimas começaram a correr-lhe pelas faces e soluços sacudiram-no. Pela primeira vez, desde que chegara à ilha, entregou-se ao choro; grandes e convulsivos espasmos de tristeza pareciam torcer todo o seu corpo. Sua voz elevou-se sob a fumaça negra diante dos restos incendiados da ilha; contagiados por aquela emoção, os outros meninos começaram a tremer e a soluçar. No meio deles, com o corpo sujo, cabelo emaranhado e nariz escorrendo, Ralph chorou pelo fim da inocência, pela escuridão do coração humano e pela queda no ar do verdadeiro e sábio amigo chamado Porquinho. O oficial, cercado por todo esse ruído, ficou emocionado e um pouco embaraçado. Virou-se para dar tempo a que se recuperassem. Esperou, deixando os olhos fixos no garboso cruzador a distância. Trechos extraídos do romance O senhor das moscas (Nova Fronteira, 2011), do escritor e dramaturgo William Golding (1911-1993).

DOIS POEMASI - Pode-se com os olhos fechados viver, / Não desejando nem mesmo a sorte / E para sempre adeus ao céu dizer. / E entender, que ao redor há apenas morte. / Pode-se viver, em silêncio esfriando, / Não contando os minutos passados, / Como vive a floresta de outono, afinando, / Como vivem os sonhos apagados. / Pode-se todo o amor renunciar, / Pode-se tudo para sempre deixar de benquerer. / Mas não pode para o passado esfriar, / Mas não pode sobre o passado esquecer! – VENTO – A natureza é um templo onde vivos pilares / Deixam filtrar não raro insólitos enredos; / O homem o cruza em meio a um bosque de segredos / Que ali o espreitam com seus olhos familiares. / Como ecos longos que à distância se matizam / Numa vertiginosa e lúgubre unidade, / Tão vasta quanto a noite e quanto a claridade, / Os sons, as cores e os perfumes se harmonizam. / Há aromas frescos como a carne dos infantes, / Doces como o oboé, verdes como a campina, / E outros, já dissolutos, ricos e triunfantes, / Com a fluidez daquilo que jamais termina, / Como o almíscar, o incenso e as resinas do Oriente, / Que a glória exaltam dos sentidos e da mente. / Viver do presente eu não posso, / Amo o turbamento dos meus sonhos. Poemas do poeta russo Konstantin Balmont (1867-1942).

O GOSTO DA CEREJA
O premiado filme O gosto de cereja (Palma de Ouro de Cannes, 1997), do também do premiado cineasta, poeta, roteirista, produtor e fotógrafo iraniano Abbas Kiarostami, conta a história de um homem de classe média que habita em Teerã e planeja um suicídio. Procura alguém para ajudá-lo a cavar um túmulo nas montanhas, todos se recusam e, apenas um velho taxidermista turco concorda em ajudá-lo. Porém, o contratado tenta convencê-lo a desistir da ideia, alegando que o sabor da cereja havia impedido que ele próprio cometesse um suicídio. Recomendo. Veja mais aqui.
O VI Seminário da Educação Brasileira & muito mais na Agenda aqui.
&
CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da pintora francesa Françoise Gilot. 
Veja mais aqui.
&
A Previdência Social é superavitária!, O socialismo de Bernard Shaw, Casablanca de Umberto Eco, a música do Quarteto Camargo Guarnieri, a arte de Judy Burgarella & Eneida Paes Lima aqui.
&
A quadrilha da paixão, A era do vazio de Gilles Lipovetsky, o cinema de Fernando Arrabal, Anouk Ferjac & Mariangela Melato; o teatro de Samir Yazbek, a fotografia de Nair Benedicto, a arte de Roland Topor & Luciah Lopez aqui.

APOIO CULTURAL: SEMAFIL
Semafil Livros nas faculdades Estácio de Carapicuíba e Anhanguera de São Paulo. Organização do Silvinha Historiador, em São Paulo.
 

quarta-feira, maio 24, 2017

ESTABELECIDOS & OUTSIDERS DE NORBERT ELIAS, O APRENDIZ DE GERARDO MOURÃO, AS BAILARINAS DE ALEX KRIVTSOV, DIAS & NOITES A FIO

DIAS & NOITES A FIO – Noites e dias a fio, a minha teia de Penélope pelo fio de Ariadne, passo a passo inventando sonhos na urdidura dos dias, nos labirintos da noite, entre telhados e luas na procela das horas. Aos indiferentes minha saudação e muito obrigado. Aos renitentes, eu aceno: sigam em paz. Aos que não sabem com seus olhares perdidos e mãos à cabeça, sou solidário. Histórias sem fim emolduram o presente, vou entre sarcasmos e risos acanhados como quem estivesse pronto para dar conta do recado e não estava, como quem tivesse poupado quando todos necessitavam, como quem resistiu à tentação das seduções diabólicas de vender a alma e sair debulhando um a um dos que achava odientos ou praticantes nefandos de heresia, como quem resistisse às duras penas e mesmo sangrando escoriações do tempo, chegasse ao destino que jamais soubera, com a vida sobrecarregada de lugares-comuns na teimosia de competir contra o mundo inteiro, não logrando êxito e ainda conseguir sorrir. Tanto faz como tanto fez, quando o firme é mais que falso, não faz a menor diferença se entre ruínas e trivialidades, remorsos não saram feridas: é lamber os talhos e seguir adiante até o fim da linha, saindo ou não dos eixos, aos descompassos, fio de prumo no desnível, como quem vive no mundo da lua e à beira vertiginosa e abissal das iminentes quedas ao fundo do poço, cavernas que criei para inventar o Sol, porque toda ida é sempre volta no contorno das pedras. Se eu tivesse mais uma chance, seria mais que o improvável, não seria nada de mais ou de menos, o olho erra o alvo e acerto quando menos aprumo. Apenas vivo no presente, tudo passa e fiquei só dias e noites a fio. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.

ESTABELECIDOS & OUTSIDERS DE NORBERT ELIAS
[...] O grupo estabelecido tende a atribuir ao conjunto do grupo outsider as características ‘ruins’ de sua porção ‘pior’ – de sua minoria anômica. Em contraste, a auto imagem do grupo estabelecido tende a se modelar em seu setor exemplar, mais ‘nômico’ ou normativo – na minoria de seus melhores membros [...] A peça central dessa figuração é um equilíbrio instável de poder, com as tensões que lhe são inerentes. Essa é também a pré-condição decisiva de qualquer estigmatização eficaz de um grupo outsider por um grupo estabelecido [...] quando o diferencial de poder é grande e a submissão inelutável, vivenciam afetivamente sua inferioridade de poder como um sinal de inferioridade humana [...].
Trechos de Os estabelecidos e os outsiders, do sociólogo alemão Norbert Elias (1897-1990), extraído da obra Os estabelecidos e os outsiders: sociologia das relações de poder a partir de uma pequena comunidade (Zahar, 2000), de Norbert Elias e Johan L. Scotson, abordando sobre as relações de poder em uma cidade interiorana da Inglaterra, com análise de questões como a violência, a discriminação e a exclusão social. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

Veja mais sobre:
Entre topadas e sonhos, A poesia completa de Ledo Ivo, Esferas de Peter Sloterdijk, Linguagem poética de Jean Cohen, a música de Miguel Álvarez-Fernández, a coreografia de Pina Bausch & a pintura de María Blanchard aqui.

E mais:
Brincarte do Nitolino, Holismo & evolução de Jan Christiaan Smuts, a poesia de Joseph Brodsky, a música de Bob Dylan, o teatro de Gianfracesco Guarnieri, o cinema de Leon Hirszman, a pintura de Jacopo Pontormo & a arte de Helena Ranaldi aqui.
Finanças públicas aqui.
Sulina, a opulência da beldade, Viventes das Alagoas de Graciliano Ramos, Mídia & cultura de Douglas Kellner, a música de Ronaldo Bastos, o pensamento de Horácio, Rede de Arame de Wanda Cristina da Cunha, o teatro de Lavinia Pannunzio & Regina França, o cinema de Andrew Niccol Uma Thurman, a pintura de André Derain & Cindy Sherman, Todo dia é dia da mulher & a arte de Thaís Motta aqui.
Todo dia é dia da mulher, a literatura de Mário Quintana, Os contos tradicionais de Luís da Câmara Cascudo, o pensamento de Voltaire, A comunicação de Juan Diaz Bordenave, o teatro de Sérgio Roveri & Tuna Dwek, o cinema de François Truffaut & Jeanne Moreau, a música de Daniela Spielmann, a poesia de Gerusa Leal, a pintura de Anita Malfatti & Hans Temple aqui.
A mulher na antiguidade, Berenice de Edgar Allan Poe, O fio da navalha de Louise Glück, A quântica de Max Planc, O diário de Adão & Eva de Mark Twain, Foco & sucesso de Daniel Goleman, a música de Shirley Horn, o cinema de Alain Berliner & Demi Moore, a arte de Alessandra Cavagna, a pintura de Edouard Manet & a gravura de Johann Theodor de Bry aqui.
Leolinda Daltro & Todo dia é dia da mulher aqui.
A mulher nos primórdios da humanidade, A mulher grega de Friedrich Engels, A época da inocência de Edith Wharton, Sou a flor de Maria Polydouri, Virginia Woolf & Paula Picarelli, a música de Sainkho Namtchylak, o pensamento de Horácio & Jean de La Fontaine, o cinema de Michael Haneke & Juliette Binoche, A instrução dos amantes de Inês Pedrosa, a pintura de Jean-Léon Gérôme & a arte de Hanna Cantora aqui.
Derluza & a saúde na Justiça, Jardim morto de Federico García Lorca, Filosofia na alcova de Marquês de Sade, a poesia de Robert Burns, O sexo na História de Reay Tannahill, a música de Radamés Gnatalli & Fernanda Chaves Canaud, o pensamento de Virgílio, o cinema de Jean-Luc Godard, a pintura de Sebastian Llobet Ribas, a arte de Jules Ralph Feiffer & Chilica Contadora de Histórias aqui.
A mulher na Roma Antiga, Uma rosa para Emily de William Faulkner, A mulher e o patriarcado Helena Iara Bongiovani Saffioti, a música de Jacqueline Du Pre, o pensamento de Victor Hugo, Elizabeth Short & Mia Kirshner, a arte de Carmen Tyrrel, a escultura de Jean-Baptiste Pigalle, Lenita Estrela de Sá & Lia Helena Giannechini aqui.
As duas mortes de Dona Zezé, Violência contra a mulher de Maria Amélia de Almeida Teles e Monica Melo, a música de Jane Birkin, o pensamento de Jacques-Antoine-Hyppolyte, a pintura de Rafael Hidalgo de Caviedes, a poesia de Diva Cunha, o teatro de João Caetano dos Santos, o cinema de Joel Coen & Frances McDormand, a arte de Frank Miller & Maria de Medeiros, Fernando Fiorese, Regina Souza Vieira & Deize Messias aqui.
A mulher no Cristianismo, O caso das camas de Fernando Sabino, A responsabilidade dos relacionamentos afetivos de Ana Cecília Parodi, a música de Francisco Mignone & Lilian Barreto, a poesia de Germana Zanettini, o teatro de Adrienne Lecouvreur, o cinema de Júlio Bressane & Bel Garcia, Teodora & Marózia, a arte de Rodrigo Luff & Manoela Afonso aqui.
As sombras de Gilvanícila, O barão de Itararé de Fernando de Brinkerhoff Torelly, a música de The Dresden Dolls, o pensamento de Juvenal & Voltaire, Heloisa de Paráclito, a poesia de Claudia Pastore, o teatro de Mademoiselle Clairon, o cinema de Rainer Werner Fassbinder & Rosel Zech, a pintura de Ângelo Cantú, a arte de Demócrito Borges & Isabela Morais aqui.
A mulher da Idade Média, A cidade de Ulisses de Teolinda Gersão, Mulher & gênero de Cecília Toledo, Ser humana de Marcia Moraes, a música de Johann Joachim Quantz & Verena Fischer, a literatura de Naoki Higashida, o teatro de Marie Dumesnil, o cinema de Fritz Lang & Anne Baxter, a pintura de Georges Rouault & Siron Franco, Benita Prieto & Maisa Vibancos aqui.
Mulher & Solidariedade, A mulher medieval de Andreé Michel, o teatro de Mademoiselle Mars, a música de Joyce, o pensamento de Sêneca, O florista de Nilza Amaral, O Tristão de Dilercy Adler, o cinema de Neil Jordan & Ruth Negga, a pintura de Paulo Paede, a arte de Julia Crystal & Claudinha Cabral aqui.
Fecamepa: quando o Brasil dá uma demonstração de que deve mesmo ser levado a sério aqui.
Cordel Tataritaritatá & livros infantis aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
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O APRENDIZ DE GERARDO MELLO MOURÃO
Não mais a Musa não mais
Teresa ou Isabel
e o príncipe devasso?
e o domador de fêmeas?
e o pretendente e o palácio
da mulher de Ulisses?
Galerias de cal
no hospital de Cleveland:
Enfermeiras e a neve e o ouro desses cabelos
e a bainha engomada dessa roupas de linho
por cama e câmara esvoaçam
aprendizes de anjo;
na boca morde termômetro de vidro
aprendiz de defunto.
O aprendiz, poema extraído da obra Cânon & fuga (Record, 1999), do poeta, jornalista, tradutor e biógrafo Gerardo Mello Mourão (1917-2007). Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
As bailarinas do fotógrafo Alex Krivtsov.
Veja mais aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja os vídeos aqui & mais aqui e aqui.

SÓNIA SULTUANE, MARCO NICOLINI, RUBY BRIDGES, JOÃO FALCÃO & MUITO MAIS!!!

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Revestrés escatológico pra bufos e ranas... - Para quem não sabia, fingiu ou olvidou, muita coisa passou p...