Revestrés escatológico
pra bufos e ranas... - Para quem não sabia, fingiu
ou olvidou, muita coisa passou por baixo da ponte. Enxurrada braba, foi: chega o
rio estava apressado e sem margens, pra todo lado. Despencou dos céus o maior temporal,
deslizamentos, inundações: a Terra se desmanchava. Quem escapuliu, subiu no
telhado que deu pra se salvar, um aguaceiro de danar a paciência: assim também
já é demais, né? É mesmo! Até a saparia atônita arregou com súplicas de clemência!
Fodeu! De repente, ao cabo de meses, quase ano, estiou de vez e esturricou. A temperatura
subiu e, em alta voltagem, o termômetro derreteu: bombas de guerras no gozo das
BT&DC, vulcões em erupção, terremotos, tornados, maremotos, tsunamis, lixo
& a barbárie cristonazifascistada, poluição geral. Eita! É pouco? E, não
muito longe dali, os anfíbios resignados e espremidos na beira do que restou duma
poça chocha, croc, croc, o que era de ribeirão, córregos, lagoa e brejo, ih, só
aluviãozinho, poin, poin, tudo por uma peínha de nada, foi, foi. Vamos pra lá! Pra
onde, ora? Pra qualquer corredeira! Vá você: quem quer se perder, é só
mergulhar, mas só se for no chão. Ah, não! O Sol amadurecia e, aos psalmos, só
bufotoxina no ar: S’ajeite na beldroega, prefiro taioba. O calorão tá de
lascar. Será que chove? Lá vem ela! Isso não é chuva é cabelo de jia, chuvisquinho
besta! Vamos apelar pra Amana-manha: Ô Amanhamanha! Essa rã
não vai mais nos atender! E ela veio cantando, ajuntou todos e começou a
bactromancia, catando varinhas, gravetos e bastões: Se
caírem duas vezes seguidas mostrando o lado da casca, é mau presságio!
Valha-me! Não deu outra. Foi nada! Ah, se... E Frineia desconsolada
lançou-se nua às águas, a heterófila anadiômena, para servir Afrodite nas
festas de poseidonia, em Eleusis. Eita, danou-se tudo! Aí o Dardo-verde-e-preto
chamou o Amazônico-listrado, que puxou o Arlequim-escarlate e veio o Fantasmagórico:
Larga de ser palerma! Sai pra lá, papudo! Ora, tiborna! Aí o
Dardo-granular-da-flecha-granulada: Vamos timbungar no Paraopeba! O
Dardo-morango: Menos esse tanto, Ludugero! O Dardo-azul: An-ham! O
Dourado-da-Costa-Rica: Nem existe mais, bestões! E o que não era regra dele,
levou a Dardo-dourada irritada: Coisa mais fora de hora! O Janelo-titicaca,
todo posudo falando difícil: O inabitual! A de Schuencas-Romeu-&-Julieta, segredou:
Areja, véi! E os pândegos Harlequins, só folia, nem sabiam que estavam fazendo
ali. Era pra ser reunião séria: Como é que é? A coisa enfeiou! Para espanto de
todos chegou o gigante Tiddalik australiano, riu-se de soluçar, verteu toda
água, um santo adjutório pra crise. Pronto, resolvido. Está melhorando, só! Evaporou,
deu pra nada. Depois o Tsathoggua de Cthulhu, doutra galáxia, em socorro! Coisa
de outro mundo é? Só sendo, na causa. E hibernou. Ah, agora é tarde! Veio Ōgama do Japão, com mais de mil anos como
yōkai!
Vixe! E foi crescendo, aumentando, até ficar feito uma montanha, a língua longa
de fora, o hálito de arco-íris. Que danado é isso? É o fim do mundo! Olha
a Pipa Pipa! A Aru, pé-de-pato-surinã! Pra quê? Ah, meu, chama logo o garçom Luzantonho
pra servir a gente! Ô Pula-pula vem cá! Minchou, meu! Qual é a bronca? Inesperadamente,
deu-se um eclipse e a Ch'an-chu devorou a Lua! Valha-me! E depois o
Sol! Maior escuridão. Ouviu-se trovejar: O rei está mal! Como assim?
Indagorinha ele estava bonzinho da silva! Gente, o rei tá morrendo! Óóóóóóóó! E
todos se renderam plangentes, contando disso e daquilo das façanhas do governante.
Alguém lamentava: Logo ele que resgatou a bola de ouro da princesa, em troca de
promessas de companhia, ela, a rainha; e, ele, o sapo-rei, agora velho, à beira
da morte! Como é que pode? Ouviu-se logo - Como gostais, Shakespeare: Doces
são os frutos da adversidade; \ que, como o sapo, feio e venenoso, \ carrega,
no entanto, uma joia preciosa na cabeça... É vero, um aviso: só querem a
crapaudine. É, a bufonita feita amuleto pros outros, desgraça da gente. Isso
mesmo, dizem: a batracita cura de venenos, qualquer picada, a forma perfeita
que enriquece a joalheria. E tome anel, talismã. Só quem nos pegar vivos poderá
extraí-la, senão a pedra apodrecia sem valor. É. Viu aquele sobre um pano
vermelho pra vomitá-la? Esse ainda se banha, eu mesmo fui colocado em um pote
perfurado em cima de um formigueiro, quer pior? Servi de graça pro Medici
seduzir a Graciosa, filha do Baltazar de Cabell. E quem não foi pra joia mágica
da Deltora Quest da Rodda? E quantos pras joias da Catedral de Aachen? E
eficaz contra os sortilégios e poderosa contra os venenos, por que malvadam
tanto com a gente, hem? Nisso, a tarde recuava na boquinha da noite, quando deu
as caras, do trapézio dos dias, Aderbal! Esse veio de encomenda: chorou
na barriga da mãe! Vinha de Pasárgada, malas arrumadas de saudades - de
caçarola a penico, de gargalo a pinguelo, das ouças aos focinhos, os de casa e
os de fora, ije! Que é que tá pegando? O rei está esticando as pernas, tá todo
mundo borocochô! Ah, não é segredo de abelha! Meu, mesmo não! -, disse o
Flecha-abelha-faixa-amarela. Quer semear sisânia, é? Aqui num vale, só: Sapientis est mutare consilium! Não adianta nada xingar com nome feio! Tem que desentocar a causa disso
tudo! Ah e não sabia? Tagarela de sempre, o seu fraco era puxar conversa e, arrebatado
pela emoção do reencontro, esfriou: Ah, por isso que tá todo mundo agora aqui,
né? Foi então que a perereca Kambô trouxe a vacina. Curou? Oxe,
o cabra teve náusea, vômito, diarreia, rejeitou o laxativo. Vá na onda de
sapeiro, viu! Deixe de marmota! Ora, é revigorante, estimulante! Taís pensando
que é a aquela Pimenta que encaipora é? Ah, vou pro buraco da Gia, Fortaleza. Eita,
fandango! Vamos pro sarrabalho, dancê a serra-baile! E o que era falta de jeito
e fealdade, às interjeições com as façanhas glosadas. Alguém arengou: Vá lá pro
jieiro Tito, o homem da jia. Ah, o ladrão! E o Sapo-boi mugiu: Sapo de fora não
chia! A Rã-Golias se armou: Quem vai na garupa, não mexe na rédea! E o que era
anuro virou Mirão, o outro Espião, que trouxe Xagueta, Ferreiro e Martelo: Sapo
não lava o pé, taí o chulé! E o De-vidro, translúcido, venenoso: Quando se ama,
parece amar-se a Lua. Aí o De-chifre, ô pacman, o folha: O óleo perfura a pedra!
Eita, Moché! Moxé! Uma tuia de girino e era Pingo-de-ouro, De-rabo e Ponta-de-flecha!
E pulou o que estava no ombro da bruxa, vestido de veludo escuro, chamou na
grande: A coisa é séria, gente, rezem todos pra chamar chuva! Mais? Quase tudo
morre afogado instantinho atrás. Bora. Aderbal, tome jeito, folgado! Aí a Rã-chorona: Olha só, minha gente, o rei foi
acometido de enfermidade letal e, por causa disso, todos vamos morrer! Nossa,
batráquios! Como assim? Tão culpando a comadre Unha Africano. Hum? Sim, um patógeno.
Que é isso? O fungo critídio. Deixe de falar grego, esclareça! Um tal de maligno
DB, até as salamandras, cecílias, tritões, axolotes, perigam todos extintos,
incluindo nós aqui. É mesmo? Até a cobra-cega? Infelizmente, pandemia. A desconsolação
bateu geral: Cadê meus girinos? E a vacina? Não tem. A desesperação caía cada vez
mais perto. Vão apostar no pior? As perdas ensinam. E já era noite sem Lua. E Aderbal:
Mãe Natura endoideceu, Jayme? Que pinoia é essa, hem? Aderbal, Aderbal,
toma tino! Vão desertar? Pronde tu vai, abestado? Ué, escapulir, sou lá de esperar
tempo ruim! Pra onde, fulustreco? Ah, fuga, babau... Fui! Até mais ver.
Luis Cernuda: Não anseie por um destino mais fácil... Contarei como nasceram os prazeres proibidos, como um desejo nasce sobre torres de terror... Tudo que é belo tem seu momento e depois desaparece... Veja mais aqui, aqui & aqui.
William Golding: O que um homem
faz o contamina, não o que os outros fazem... Estive em muitos países e neles
encontrei pessoas examinando seu próprio amor pela vida, seu senso de perigo e
seu próprio bom senso. A única coisa que elas não conseguem entender é por que
esse mesmo amor pela vida, esse mesmo senso de perigo e, sobretudo, esse bom
senso, não são invariavelmente compartilhados por seus líderes e governantes...
Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
Ursula Karven: Envelhecer é uma
jornada empolgante que leva a ainda mais independência e liberdade... Nenhuma
tempestade dura para sempre... É exatamente nesses momentos que reside a força
na paz e na serenidade... Veja mais aqui & aqui.
NAUFRÁGIO
Imagem: Acervo ArtLAM.
Quero soltar a
âncora e velejar nesse mapa desconhecido, \ e se o mar ficar bravo, \ assobiarei
aos céus para negociar a rota direta à lua, \ e se os ventos forem fortes, \ aguentarei
firme nas coordenadas dessa viagem da vida.
Poema da premiada
poeta e artista visual maçambicana Sónia Sultuane, autora do livro Walking Words (2021), entre outros. Veja mais
aqui.
PALAVRAS
HERMÉTICAS ENAUSEADAS - [...] Em um tempo no
qual a intimidade é perpassada por todos os códigos de IA, a maneira de se
proteger é simular uma linguagem hermenêutica, que não o é. Antes, é náusea que
brota incontivelmente, com o mínimo de filtros e revisões. Vai do ato
incontrolável da escrita relaxada à publicação não revisada num ato contínuo
que desconsidera a liturgia que segrega o sagrado do profano. [...] Não
entender nada pode ser tomado como uma tradução ao ato de discordância radical
de quem prefere rotular de nonsense a fala alheia, bárbara, evitando a
possibilidade de diálogo. Mas se há a possibilidade de diálogo, a concordância
se dá como ponto de fuga, isto é, busca-se o entendimento como repulsa ao
monólogo, da linguagem unidirecional. Decidimos concordar sobre a disposição de
nos lançar ao diálogo, mormente com quem discordamos radicalmente. [...] Tudo
que escrevo em textos resultante da náusea é um transbordo deste tempo em que
os limites do diálogo são rompidos e a violência e a mentira tomam o lugar da
discordância. [...] De fato, apelo a uma linguagem estranha, na qual há
o apelo para que o lobo e o cordeiro vivam juntos (a despeito dos sábios). Mas
como, se o leão amando o cordeiro faz dele sua refeição? Isto é um mistério.
[...]. Trechos extraído do texto Palavras herméticas enauseadas (2025),
do escritor samarinês Marco Nicolini, autor de Sottacqua
(Aiep,
2020).
RACISMO - Não se pode olhar para uma pessoa e julgá-la pela cor da sua
pele... O racismo é uma doença de adultos, e devemos parar de usar nossas
crianças para propagá-lo... O racismo é uma forma de ódio. Nós o transmitimos
aos nossos jovens. Quando fazemos isso, estamos roubando a inocência das
crianças... As escolas precisam ser diversas se quisermos superar as diferenças
raciais... Acredito que odiar não te faz bem nenhum... Talvez não sejamos todos
igualmente culpados. Mas todos somos igualmente responsáveis por construir uma
sociedade decente e justa... Pensamento da ativista estadunidense Ruby
Bridges (Ruby Nell Bridges Hall), que é
autora da obra Through My Eyes (Scholastic Press, 1999) e presidente da
Fundação Ruby Bridges, criada em 1999, para promover "os valores da
tolerância, do respeito e valorização de todas as diferenças."
A ARTE DE JOÃO
FALCÃO
[...] Eu vi que o teatro era fácil, era só juntar algumas pessoas e
ter uma boa ideia [...] Trabalhei com monstros consagrados, mas também
com muita gente iniciante [...] O Asdrúbal me despertou o fascínio pelo
trabalho de grupo e pela temática contemporânea. Quando vi Macunaíma, descobri
a figura do diretor, inventei que queria fazer aquilo [...].
Trechos extraídos da entrevista João Falcão: De mansinho, a
consagração - Como a carreira do diretor foi construída sobre percalços que se
confundem com os dos personagens de sua peça 'Clandestinos' (Continente,
2010), do roteirista, diretor e compositor musical, João Falcão (João
Barreto Falcão Neto), que atua no teatro com quase quatro décadas de trajetória
e dezenas de peças encenadas, criador da famosa peça A Máquina (1999),
que revelou atores como Wagner Moura, Lázaro Ramos e Vladimir Brichta, e que
transformada em filme em 2004.. Também dirigiu sucessos como Gonzagão – a
Lenda e Clandestinos, com também participou de produções de grande
destaque na Rede Globo, como A Comédia da Vida Privada, Sexo Frágil
e Clandestinos. No cinema, colaborou nos roteiros de filmes como O
Auto da Compadecida e Lisbela e o Prisioneiro. Começou sua
trajetória como ator na peça Morte e vida Severina (1980), de João
Cabral, e em Toda Nudez será castigada (1980). Dirigiu Flicts, a cor,
de Ziraldo e Aderbal Freire Filho. É autor das peças Muito pelo contrário
(1981), Xilique Peba Piriquito Xique (1983), Cara Metade (1983), O
Pequenino Grão de Areia (1983), Esse Estranho desejo (1984), A
ver estrelas (1985), Palmas pra que te quero (1986), Criadas da
Glória (1986), Mamãe não pode saber (1993), A História do Homem
(1996), A Dona da História (1998), Uma noite na lua (1999), Marilyn,
Marilyn (2000), As aventuras de Zé Jack e seu Pandeiro... (2005), Dhrama
(2007), Clandestinos (2008), Gonzagão, a Lenda (2012), Dorinha,
meu amor (2017), Que Deus sou eu (2020) e Ensina-me a Viver
(2022). Atuou com roteirista e diretor em diversos audiovisuais da TV Globo,
entre participações na direção e roteiro de filmes, shows e especiais. Veja
mais aqui & aqui.
A MÚSICA DE MILTON
NASCIMENTO - Perfil & trajetória, com toda
discografia e participações cinematográficas, do cantor, compositor, ator e
multi-instrumentista Milton Nascimento (Milton Silva Campos do
Nascimento, 1942), que aos 4 anos ganhou uma sanfona de 2 baixos e, aos 13,
cantava no conjunto Continental de Duilio Riso Cougo, um grupo de baile. Com a
música Travessia, parceria com Fernando Brant, ocupou o 2º lugar no
Festival Internacional da Canção, em 1967, gravou 34 álbuns registrando as suas
mais diversas parcerias, hoje, com 84 anos, os aplausos para este cidadão do
mundo. Confira aqui.
A ARTE DE GUITA
CHARIFKER – Destaque para a arte da pintora, desenhista,
gravurista e escultora, Guita Charifker (1936-2017), pela relevância de
sua trajetória no cenário das pinturas, aquarelas e desenhos desta grande
artista. Veja a homenagem aqui.
MUNDO DA
DIVERSIDADE – Reunião de temas que caracterizam a diversidade
de ideias da contemporaneidade, tratando sobre cultura, sexualidade, racismo,
gênero, identidade, inclusão, relacionamento, entre outros, fazem parte das
discussões na reflexão ampla de pensadores da atualidade. Confira aqui.
TORÉ XUKURU – Trata-se do 4º
episódio das Aventuras do Nitolino no Valuna. Desta feita, a garotada se
depara com o Toré Xukuru, em Pesqueira, terra do doce e da renda renascença, a
terra da amizade. Confira aqui.
CANTARAU
TATARITARITATÁ – Registro de realização do cantarau
Tataritaritatá, um projeto iniciado em 2002 como como zine impresso,
depois transformou-se em zineblog, programa radiofônico, folheto de cordel,
show poético-musical e, agora, em livro. Dá-se aqui a reunião de informações do
portfólio, repertório, playlist de vídeos e fotos do projeto, a exemplo da
apresentação no Sopa de Letrinhas do Clube Caiubi, em São Paulo. Veja detalhes
aqui.
ISTO É PERNAMBUCO!!!
A arte do
escultor, artesão, mamulengueiro, dançarino, escritor e artista Mestre Saúba
(Antônio Elias da Silva), apelidado por conta de uma façanha da juventude: conseguiu
retirar um relógio de dentro de um formigueiro. Veja mais aqui.










