
RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do cantor, violonista e compositor João Gilberto: 50 Anos de Bossa Nova ao vivo, Voz & Violão e Live In
Tokyo; da artista performática, músico e escritora inglesa Cosey Fanni Tutti: Time to tell, Ritual awakening & Licking the juice; &
muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.
PENSAMENTO DO DIA – [...] Os
outros não estão aqui para nos servir ou para serem bem-sucedidos com as perdas
e as más barganhas que você sofreu; eles estão neste mundo para descobrirem seu
caminho da melhor maneira que puderem. As expectativas irrealistas que você
tiver sobre o comportamento das outras pessoas, as farão sentir-se usadas e
tratadas como objetos sem sentimento nem direitos próprios. [...]. Trecho
extraído da obra Linguagem dos
sentimentos (Summus, 1982), do psiquiatra, escritor e empresário
estadunidense David Viscott
(1938-1996).
ARTE & VERDADE - [...] Tenho
plena confiança que conseguirei cumprir meu dever de escritor em todas as
circunstâncias, e até mesmo do túmulo com mais sucesso e de maneira mais
irrefutável do que em vida. Ninguém pode impedir a marcha da verdade, e para
defendê-la eu estou pronto a aceitar até mesmo a morte. Mas será possível que
as repetidas lições não acabarão por ensinar-nos que não podemos deter a pena
do escritor durante toda a sua vida? [...]. Extraído da obra Soljenitsin: a luta contra o silêncio
(Artenova, 1973) de Zhores Medvedev, sobre o escritor, dramaturgo e historiador
russo Alexander Soljenítsin
(1918-2008). Veja mais aqui.
ÓPERA DOS FANTOCHES - [...] A
primeira vez, o homem falava pouco, mas era muito delicado. Só diz uma coisa,
se eu sabia de um hotel para aonde a gente pudesse ir. Eu digo que não sei,
quando sabia. O que eu conheço fica longe daqui, diz ele. Tanto faz, digo.
Vamos de táxi. Muito bom, há muito tempo não ando de táxi. No quarto ele se
revela falante, quer saber da minha vida. Eu conto, aumentando, dramática. Ele
deve ter ficado com pena de mim. Por que eu me humilhei, quando não tinha
necessidade? Às vezes tenho vontade terrível de me humilhar, de ser abjeta.
Então acontece: ele tira do bolso a carteira, produz uma nota. Não quero
aceitar. Não sou prostituta, digo. Ele insiste, simpático. O inverno está
apertando, é para comprar um casaco de lã para a menina, diz ele depois de eu
ter dito que tinha uma filha. [...]. A
segunda vez, pior. De chapéu na cabeça, ele diz qual é o seu preço? Dê quanto
quiser, digo. Ele tira uma nota graúda da carteira. Assim eu fico sabendo
quanto valho. Ou seria generosidade dele, por causa da história que contei?
[...] O perigo da vida que eu estava
levando era se um dia descobrissem tudo. [...]. Trechos extraídos da obra Ópera dos fantoches (Francisco Alves,1994),
do escritor, advogado e jornalista Autran Dourado
(1926-2012). Veja mais aqui.
BELEZA - Sou mais bela, ó
mortais! Que um sonho de granito, / e meu seio, onde cada um geme de dor, / foi
feito para o poeta inspirar um amor / semelhante à matéria, isto é, mudo e
infinito. / Reino no azul como uma esfinge singular; / meu coração é neve e ao
mesmo tempo arminho; / odeio o que se move e faz o desalinho, / e não sei o que
é rir, nem sei o que é chorar. / Os poetas, ante as minhas grandes atitudes, /
que aos monumentos mais altivos emprestei, / consumirão o ser nos estudos mais
rudes; / pois para esses servis amantes reservei / um puro espelho em que é
mais bela a realidade: / meu olhar, largo olhar de eterna claridade. Poema do escritor, tradutor, crítico de arte e poeta francês,
Charles Baudelaire (1821 - 1867). Veja mais aqui.
GRITOS E SUSSURROS
O DIÁRIO DE AGNES – Entre
outras coisas quero cobrir o rosto com as mãos e nunca mais retirá-las. Que
posso fazer com esta solidão? Os longos dias, as noites silenciosas e
insones. Que posso fazer com todo este
tempo que irrompe sobre mim? Então prefiro penetrar em meu desespero e deixá-lo
queimar-me. Pois tenho reparado que se tento evitá-lo ou mantê-lo do lado de
fora, as coisas tornam-se apenas mais difíceis. É melhor abrir-se, receber
aquilo que castiga ou faz mal. Não cochilar ou desviar-se como eu fazia antes.
Quando escrevo sobre a solidão, sou, aliás, injusta. Anna é minha amiga e
camarada. E eu creio que a sua solidão é pior do que a minha. Eu ainda posso
consolar-me com a pintura, a música e os livros. Anna não tem nada. por vezes,
tento falar com ela dela mesma. Mas ela fica tímida e se tranca. [...].
Trecho extraído da obra Gritos e
sussurros (Nórdica, 1977), do dramaturgo e cineasta sueco Ingmar Bergman
(1918-2007), lançado no cinema em 1972, contando a história de Agnes que lentamente
morre de câncer, mas suas irmãs estão tão profundamente imersas em suas
próprias dores psíquicas que não podem oferecer-lhe o apoio de que ela precisa.
Maria está devastada com a culpa do suicídio do marido, causada pela descoberta
de seu caso extraconjugal. A autodestrutiva e suicida Karin
vê sua irmã com repulsa. Apenas Anna, a empregada profundamente religiosa que
perdeu o filho jovem, parece ser capaz de oferecer a Agnes consolo e empatia.
Veja mais aqui.
&
Da cana sou alma doce & fel,
a literatura de Jack
London, Ligas camponesas de Fernando
Antônio Azevedo & Trabalhadores nos canaviais de Lúcio Vasconcellos de Verçoza
aqui.