
RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do compositor e multi-instrumentista
mexicano Carlos Santana: Concert Live, Shaman, Supernatural & Abraxas & muito
mais nos mais de 2 milhões &
500 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja
mais aqui, aqui e aqui.
PENSAMENTO DO DIA – [...] Os
perigos dos quais se tem medo (e também os medos derivados que estimulam) podem
ser de três tipos. Alguns ameaçam o corpo e as propriedades. Outros são de
natureza mais geral, ameaçando a durabilidade da ordem social e a
confiabilidade nela, da qual depende a segurança do sustento (renda, emprego)
ou mesmo da sobrevivência, em caso de invalidez ou velhice. Depois, vêm os
perigos que ameaçam o lugar da pessoa no mundo – a posição na hierarquia
social, a identidade (de classe, de gênero, étnica, religiosa) e, de modo mais
geral, a imunidade à degradação e à exclusão social. [...] E, como você deve ter adivinhado, não há
como revogar totalmente as expulsões. A questão não é se, mas quem e quando. As
pessoas não são eliminadas por serem más, mas porque faz parte da regra do jogo
que alguém deve ser eliminado e porque outras pessoas se mostraram mais habilidosas
na arte de se descartar de outras como elas; ou seja, eliminar outros jogadores
do jogo que todos jogam, os que expulsam e também os que são expulsos. Não é
que as pessoas sejam expelidas por terem sido identificadas como indignas de
permanecerem. É exatamente o contrário: as pessoas são declaradas indignas de
permanecerem porque há uma cota de eliminações que deve ser cumprida. [...]
Trechos da obra Medo líquido (Zahar, 2008), do sociólogo polonês Zygmunt
Bauman (1925-2017). Veja mais aqui e aqui.
O AMOR – [...] Ao contrário daquilo que filósofos,
moralistas, teóricos, afins e psicólogos sempre afirmaram, o amor não é um
escolha. É um imperativo biológico. E assim como a evolução favoreceu seres
humanos capazes de fincar de pé, ela favoreceu os seres humanos que sentiam
amor, porque o amor possui um grande valor de sobrevivência. Aqueles que sentiam
amor asseguravam a sobrevivência de sua prole, essa prole herdou a capacidade
de amar e viveu mais tempo e teve mais filhos seus. Com o decorrer do tempo, a
tendência ao amor tornou-se parte de nossos dotes genéticos, por fim tornou-se
mais profundamente inata do que uma simples tendência, aptidão ou legado, e sua
riqueza passou a subsidiar todas as iniciativas de nossa vida. Os seres humanos
tornaram-se capitalistas aventureiros emocionais. [...] Quando amamos com todo nosso coração, com
toda nossa alma, com toda nossa vontade, trata-se de uma paixão elétrica. O
amor desenvolve-se nos neurônios do cérebro, e sua maneira de crescer depende
de como esses neurônios foram treinados quando éramos crianças. [...] Nossa maneira de amar é uma questão de experiência.
[...]. Trechos extraídos da obra Uma
história natural do amor (Bertrand Brasil, 1997), da escritora e
naturalista estadunidense Diane Ackerman.
Veja mais aqui e aqui.
A PORTA ILUMINADA – [...] Aqui
não se deve morrer. [...] No
rês-do-chão habita um sujeito chamado El Alami; homem de cinquenta anos, sempre
de mau humor que aterroriza sua jovem mulher, ameaçando-a todos os dias de
repúdio. Mas eu amo esta pobre Aicha que se ouve chorar com soluços de criança
e fungos de menina ranhenta. Eu a amo porque ela é sempre limpa e canta com
gorjeios de andorinha: Amor! Amor! / Abriste meu coração / para aí te alojares.
/ Nem médico nem fqih / podem nada contra ti. Minha não compartilha da minha
simpatia para com a jovem. [...] Aicha!
Sonho para ti uma existência melhor, saturada de perfumes e flores, acalentada
de cantos de pássaros. Com gorjeios de andorinha cantarás todo o dia atrás das
árvores do jardim [...] Aicha reina
neste palácio e canta sobre as romanzeiras em flor [...] Esta canção me vem aos lábios; não
compreendo o seu sentido, mas há necessidade de que uma canção tenha sentido? [...]
Aicha, não chores mais com teu soluço de
criança, teus fungos de menina nervosa. Os escravos preparam caçoilas de
perfume; estendem tapetes da Pérsia para receber-nos. Vem, vem, para nós
nenhuma porta ousará permanecer fechada. Todos os dias, através dos maciços
jasmins, cantaremos com gorjeios de andorinha [...]. Trecho de conto do escritor
marroquino Ahmed Sefrioui
(1915-2004).
SE O HOMEM PUDESSE DIZER - Se o homem pudesse dizer o que ama, / Se o
homem pudesse levantar seu amor pelo céu / Como uma nuvem na luz; / Se como
muros que se derrubam, / Para saudar a verdade erguida no meio, / Pudesse
derrubar seu corpo, deixando só a verdade de seu amor, / A verdade de si mesmo,
/ Que não se chama glória, fortuna ou ambição, / Mas amor ou desejo, / Eu seria
aquele que imaginava; / Aquele que com sua língua, seus olhos e suas mãos / Proclama
ante os homens a verdade ignorada, / A verdade de seu amor verdadeiro. / Liberdade
não conheço senão a liberdade de estar preso em alguém / Cujo nome não posso
ouvir sem arrepio; / Alguém por quem me esqueço desta existência mesquinha, / Por
quem o dia e a noite são para mim o que quiser. / E meu corpo e espírito
flutuam em seu corpo e espírito / Como troncos perdidos que o mar afoga ou
levanta / Livremente, com a liberdade do amor, / A única liberdade que me
exalta, / A única liberdade por que morro. / Tu justificas minha existência: / Se
não te conhecer, não vivi; / Se morrer sem te conhecer, não morro, porque não
vivi. Poema do poeta e critico literário espanhol Luis
Cernuda (1902-1963). Veja mais aqui e aqui.
FANTASMAS NA BIBLIOTECA
[...] os livros eram
onipresentes e formavam verdadeiras florestas com alamedas, avenidas, bosques,
caminhos, nos quais se tropeçava nas pilhas e nos montes que transbordavam das
prateleiras, abarrotavam as mesas, os móveis, os assoalhos... [...] Curiosamente, a fonte infinita de informações
que constitui a internet não tem para mim o mesmo estatuto mágico que a minha
biblioteca. Estou diante de meu computador, graças ao qual posso chegar a todas
as informações imagináveis, ainda mais mestre do tempo e do espaço, e, no
entanto, falta aí o "divino". Talvez se trate de uma questão
corporal: faço isso com a ponta dos dedos, e tudo permanece exterior, passando
por uma máquina e uma tela. Nada a ver com minhas paredes atapetadas de livros
que eu conheço — quase — de cor. De um lado, tenho a impressão de estar no
comando de um braço articulado capaz de todas as performances no vazio sideral
exterior, de outro, num útero cujas paredes são atapetadas de prateleiras cujo
arquétipo romanesco poderia ser o Nautilus. Como se vê, a questão não é apenas
de racionalidade. [...].
Trechos
extraídos da obra Fantasmas na biblioteca
(Civilização Brasileira, 2013), do escritor francês Jacques Bonnet. Veja mais
aqui e aqui.
Semana Hermilo & Bienal
Internacional do Livro de São Paulo & muito mais na Agenda aqui.
&
A arte do
pintor francês David Gista.
&
Amizade & dos amigos & amigas, a poesia
de Carlos Drummond de Andrade, a
literatura de Ana Maria Machado, a arte de László Moholy-Nagy, a música de Tom Jobim, Guiomar Novaes, Sebastião Tapajós & Teca Calazans aqui.
APOIO CULTURAL: SEMAFIL
Semafil Livros nas faculdades Estácio de Carapicuíba e Anhanguera de São
Paulo. Organização do Silvinha Historiador, em São Paulo. Fone: 11 98499-2985.