
RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do poeta, compositor e diplomata Vinicius de Moraes (1913-1980): ao vivo na Itália com Tom, Toquinho &
Miucha; Astronauta Berimbau; ao vivo com Tom, Baden Powel, Toquinho &
Miucha em París & muito mais nos mais de 2 milhões &
500 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja
mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
PENSAMENTO DO DIA – [...] Só espero dos que ignoram, mas que não se
resignam a ignorar; dos que lutam sem descanso pela verdade e colocam a sua
vida mais na luta do que na vitória. [...] Que eles busquem
como eu busco; que lutem como eu luto, e entre todos algum cabelo do segredo
arrancaremos a Deus; pelo menos, essa luta far-nos-á mais homens, homens de
mais espírito. [...] reclamo a minha liberdade, a minha santa
liberdade, até a de me contradizer, se for caso disso. Não sei se algo do que
fiz ou do que fizer a seguir ficará por anos ou por séculos depois da minha morte;
mas sei que se se açoitar o mar sem margens, as ondas à volta movem-se sem
cessar, embora tornando-se mais fracas. Agitar é alguma coisa. Se, mercê desta
agitação, vier outro a seguir a fazer algo de duradouro, nele persistirá a
minha obra. [...]. Trechos extraídos da A minha religião (Covilhã, 2008), do
filósofo, escritor e dramaturgo espanhol Miguel de Unamuno (1864-1936).
Veja mais aqui e aqui.
SEXUALIDADE X MORALIDADE - [...] Neste
mundo, nós, seres humanos, não podemos suportar nosso destino, a não ser que de
vez em quando tenhamos o direito de experimentar verdadeiras sensações de prazer.
Mas, em todas as épocas, erguem-se pregadores e moralistas para fazer crer que
os homens que é pecado satisfazer suas necessidades. É claro que eles visam,
acima de tudo, os prazeres sexuais, embora não o digam claramente em suas
prédicas. Com efeito, os ataques desses moralistas raramente se dirigem às
necessidades culinárias ou de outra ordem, e os vitorianos mais sectários narravam,
sem pudor, suas orgias gastronômicas. As doutrinas mais perigosas são aquelas
que pregam o quietismo e ensinam que as necessidades são males dos quais nos
devemos livrar. [...] Quase todos os
pregadores religiosos do mundo ocidental adaptaram seus sermãos à sua época, e
o deus cristão tornou-se o melhor guardião da moral secularizada da sociedade.
[...] Os defensores dos princípios
sagrados precisam recorrer a uma demagogia cada vez mais complicada para atrair
os fieis. Pois o princípio da justiça é o único que faz séria concorrência ao
princípio do prazer. Não se conseguiu impediu que a moral do bem-estar
penetrasse no domínio da vida sexual. [...] Em geral, os legisladores e os autores de pastorais não são mais
jovens, sendo talvez esta a razão pela qual eles são hostis à sexualidade, não
representando a opinião geral. [...]. Trechos extraídos da obra As minorias
eróticas (Imago/Lidador, 1967), do psiquiatra sueco Lars Ullerstam. Veja mais aqui e aqui.
SORRISO VITORIOSO – Adriano
Mulliner, o detetive, chegou a ser um ás na sua profissão [...] Que encontrou e se apaixonou por Millicent
Shipton Bellinger, a filha caçula do quinto Duque de Brangbolton.[...] O velho par do reino permaneceu radiante,
sob sua capa de sabão. Porém, bruscamente, o bom humor desapareceu, com rapidez
inquietante. – Mulliner? Disse que se chama Mulliner? – Sim, senhor. – Seria então,
por acaso, o tipo que... – Que adora sua filha Millicent, com fervor que desejaria
lhe expressar? Sim, Lorde Brangbolton, sou eu. E espero que consentirá nessa
união. Enrugamento horroroso deformou a fronte do duque. Seus dedos, que
sustinham uma esponja, se crisparam convulsionados. – Ah! Assim crê, hein? Pensa
que vou receber, em minha família, um sujo inspetor de pegadas e de cinza de
cigarros, hein?... [....] Foi somente
na sacristia, quando Adriano contemplou Millicent, que pareceu convencer-se de
que todas as contrariedades haviam terminado e de que a formosa jovem lhe
pertencia e então sentiu-se alagado pela visão da própria sorte. [...]. Trechos
de conto do escritor inglês P. G.
Wodehouse (1881-1975).
UNIÃO – Tenho, ainda, o
teu corpo nos meus braços; / sobre os meus ombros, teu cabelo. / Descansando
dos meus e teus cansaços, / tu dormes por nós ambos. Só eu velo. / Nos meus
braços teu corpo estremeceu, / desse tremor o meu foi percorrido. / Colados,
curva a curva, onde começa o teu? / Onde se acaba o meu? Teu e meu têm sentido?
/ Teu ligeiro suor penetra a minha pele: / teu suor dos transportes de há momento
/ que me atrevo a provar como quem lambe mel, / em que refresco as mãos como
num leve unguento. / Brandamente, por vezes, te desvio / de mim, para melhor,
depois, sentir / que és bem tu que eu agarro, acaricio, / bem tu que eu pude,
em mim, fundir. / Ai, anular-te em mim sem te perder! / Aniquilar-me em ti, -
mas sendo nós! / Velo, e nem sinto a noite discorrer. / Sonho, e que sonho de
que amor feroz? / Se ela viesse agora, Aquela que em seu manto / de silêncio e
de sombra, nos transporta, / não seria melhor, meu doce encanto? / Poder eu, ao
morrer, ver-te já morta? / Porque amanhã, / se não mesmo esta noite, o nosso
inferno / não mais permitirá que qualquer sombra vã / da glória dum momento
eterno. Poema extraído da Antologia
(Nova Fronteira, 1985), do escritor, dramaturgo, ensaísta e critico português José Régio (1901-1969). Veja mais aqui.
ZÉ LIMEIRA, O POETA DO ABSURDO
A santa
filosomia
Descreve
os peixes do mar
As
sereia do sertão
Mula
preta e mangangá
Muié de
saia rendada
Moça
branca misturada
Carro de
boi Jatobá.
Tudo que
eu dixé agora,
Vocês
note no caderno:
A feme o
pato é pata,
O macho
de perna é perno.
Seu
Heleno me arresponda
Qual é o
macho de onda,
Qual é a
feme de inverno!
Um dia o
Rei Salamão
Dormiu
de noite e de dia.
Convidou
Napoleão
Pra
cantá pilogamia.
Viva a
Princesa Isabé,
Que já
moro em Supé
No tempo
da monarquia.
Extraído do livro Zé Limeira, o poeta do absurdo (A
União, 1978), do poeta, ensaísta, jornalista, folclorista e professor Orlando Tejo (1935-2018). Veja mais
aqui e aqui.
VI Congresso Internacional de Pedagogia
Social & Simpósio de Pós-Graduação & muito mais na Agenda aqui.
&
Dominando a acentuação gráfica de
Arantes Gomes aqui.
&
Vênus on the beach, da pintora australiana Karin Zeller
&
Sobrevivendo à nossa barbárie, A barbárie humana de Michel Maffesoli, a música de Turíbio Santos, Magda Tagliaferro, Álvaro
Henrique & Anna Stella Schic; A condição humana de Flávio Leandro,
a arte de Renné Magritte & Evelyn Bencicova aqui.
APOIO CULTURAL: SEMAFIL
Semafil Livros nas faculdades Estácio de Carapicuíba e Anhanguera de São
Paulo. Organização do Silvinha Historiador, em São Paulo.