quinta-feira, janeiro 10, 2008

BOCAGE, ÊXTASE, HENRY MILLER, TOLSTOI, OCTAVIO PAZ, OTFRIED HÖFFE & SCHOTEL


 
A arte do pintor holandês Antonie Pieter Schotel (1890-1958).

ÊXTASE - Singrei a vida e o mar no verde do seu olhar: sua imagem a me seduzir, tentando lhe encontrar por aí, onde insisto em não sonhar. Trazendo à flor do meu amor pagão, meu coração absorto deu de lhe amar com possessão, obsessão de se entregar. Tudo é tão difícil sem você aqui, ainda resta indícios do amor em mim. Está tudo fora quero o seu calor, não vá embora ainda não chegou a hora exata de querer partir. Eu dou de mim ainda o que puder, fazer da tarde o amor de uma mulher que se depara à noite a me seguir. Enfim quero o fascínio que invadiu, quero o domínio que bramiu da sua paixão que chega em mim, caçoa do fim e já não faz questão que o vento anuncie presságios dos naufrágios da minha solidão. Me dê a sua mão, que o mar recolha os olhos e refaça a fantasia da minha ilusão, quero ver-lhe então na canção, na sombra azul de um eterno blues. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados.(Êxtase, Primeira Reunião – Bagaço, 1992). Poema para a música feita em parceria com Santanna O Cantador. Veja mais aqui e aqui.


DITOS & DESDITOSA chama é a parte mais sutil do fogo, e se eleva em figura piramidal. O fogo original e primordial, a sexualidade, levanta a chama vermelha do erotismo e esta, por sua vez, sustenta outra chama, azul e trêmula: a do amor. Pensamento do escritor e diplomata mexicano Octavio Paz (1914-1998). Veja mais aqui e aqui.

ALGUÉM FALOU: [...] Para definir mais corretamente a arte, faz-se mister renunciar a nela reconhecer apenas uma forma de prazer e considera-la antes como uma das condições essenciais da vida humana. Sob tal aspecto a arte se apresentará a nós, de imediato, com um meio de comunicação entre os homens. [...]. Trecho extraído da obra O que é a arte (Experimento, 1994), do escritor russo Liev Tolstoi (1828-1910). Veja mais aqui e aqui.

CIDADANIA – [...] Se nós somos primeiramente alemães, franceses, ou italianos e somente depois cidadãos da Europa, caberá às democracias da Europa decidi-lo nos próximos anos. Primeiramente somos uma das duas coisas, cidadãos do Estado ou da Europa, e secundariamente a outra, portanto, de forma escalonada, as duas coisas juntas, e, em terceiro lugar, somos cidadãos do mundo: cidadãos da república mundial subsidiária e federativa. [...]. Trecho extraído do estudo Visão república mundial – Democracia na era da globalização (Veritas, 2002), do professor e filósofo alemão Otfried Höffe. Veja mais aqui.

PESADELO REFRIGRADO - [...] Vamos parar de nos matar. A terra não é um antro, nem uma prisão. A terra é um paraíso, o único que jamais conheceremos. Temos de entender isso no momento em que abrimos os olhos. Não precisamos fazer dela um paraíso — ela é um paraíso. Só temos de nos capacitar para habitar nele. O homem com uma arma, o homem com o assassinato no coração, não é capaz de reconhecer o paraíso mesmo quando lhe é mostrado. [...]. Trecho extraído da obra Pesadelo refrigerado (Francis, 2006), do escritor estadunidense Henry Miller (1891-1980). Veja mais aqui.


BOCAGE: AQUELE QUE VIVEU INTENSAMENTE


O poeta português Manuel Maria Barbosa l´Hedois du Bocage (1765-1805) foi o maior representante do arcadismo lusitano. Teve uma vida atribulada apesar do mistério que paira sobre a sua biografia. Dele ficaram sonetos, sátiras e outros estilos poéticos que até hoje são recitados. No entanto, o que lhe valeu mais fama foram os seus versos venenosos. Exemplo disso, eis alguns deles sobre os médicos:


Uma terra dizem que há
Onde a fome acerba e dura
Cabo dos médicos dá.
Por que é isto? É porque lá
Pagam somente a quem cura.

Certo enfermo, homem sisudo,
Deixou por condescendência
Chamar um doutor, que tinha
Entre os mais a preferência.
Manda-lhe o fofo Esculápio
Que bote a lingua de fora,
E envia dez garatujas
À botica sem demora.
“Com isto (diz ao doente)
a sepultura lhe tapo”.
Replica o pobre a tremer:
“Aposto que não escapo”.

Para curar febres podres
Um doutor foi se chamar,
Que feitas as cerimônicas,
Começou a receitar.
A cada penada sua
O enfermo arrancava um ai.
“Não se assuste (diz Galeno)
que inda desta se não vai”.
“Ah, senhor! (torna o coitado,
como quem seu fado espreita.)
da moléstia não me assusto,
assusto-me da receita”.

A Morte foi sensual
Quando ainda era menina:
C´o pecado original
Teve cópula carnal
E pariu a Medicina”.

“Aqui jaz quem não jazera,
se jazesse a Mdicina”.

Doutra feita, também deixou das suas sobre mulher feia:


Da feia mulher Andrônio
Com zelos arde e rebenta;
Nisto o não julgo bolônio:
A mulher é um demônio,
Porém o demônio tenta.

Uma das suas mais famosas é a que se fala dos privilegiados narigudos:


Nariz, nariz e nariz,
nariz, que nunca se acaba;
nariz, que se ele desaba,
fará o mundo infeliz;
nariz que Newton não quis
descrever-lhe a diagonal;
nariz de massa infernal,
que, se o calculo não erra,
posto entre o Sol e a Terra
faria eclipse total!

Também aos idiotas e tolos, deixou a uma máxima que vale ser registrada:


(..) Os tolos só dizem
o que ouvem dizer
.

E no final de um dos seus sonetos eróticos, “Soneto de todas as putas”, ele dá um conselho final à mulher:

Todas no mundo dão a sua greta:
não fique pois, oh Nise, duvidosa,
que isto de virgo e honra é tudo peta
”.

Por fim, trago aqui a sua própria auto-crítica e o seu epitáfio:


Eis Bocage, em quem luz algum talento:
Saíram dele mesmo estas verdades
Num dia, em que se achou cagando ao vento.

Aqui dorme Bocage, o putanheiro;
Passou vida fidalga, e milagrosa;
Comeu, bebeu, fodeu sem ter dinheiro.

Veja mais Bocage aqui, aqui e aqui



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