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domingo, novembro 06, 2022

VICTORIA CAMPS, CECÍLIA MEIRELES, GUY GAVRIEL KAY, DAREL, DUANE MICHALS & ELIANA YUNES

 

 Ao som do álbum Prelude in C minor, do violonista paraguaio Augustin Barrios Mangoré (1885-1944), na interpretação da violonista russa Valeria Galimova.

 

TRÍPTICO DQP: - Ráfagas et escâncaras (inspirado no livro homônimo inédito de Vital Corrêa de Araújo) – Lá estava eu às voltas com as diatribes do estoico Epictetus: Tudo isso é nada: estou preparado para coisas grandes. Para quem foi escravo ele foi longe demais, até as nove sentenças. Não estava tão à toa e foi por ele que fui levado a passar as vistas pelas considerações do Bernardo de Claraval – o tal doctor Meliflus que foi o último guia pelo paraíso nos cantos trigésimo primeiro e terceiro da Comédia de Dante. Depois pela novela enciclopédica das maravilhas de Ramon Llull – o libertino de jogral que ao ter tido sabe-se lá quando umas visões místicas tornou-se o beato doctor Inspiratus que influenciou Leibniz -, isso até me deparar com as devastadoras sátiras de Gregório Boca de Guerra. A sensação era de que fui atirado longe, quase perto da fechadura na constelação de Orion, com o peso na cacunda de haver cometido o dobro de uns quinze ou mais pecados capitais, sem me conformar por não ter abusado mais que isso. Apesar disso nem capitulei porque na verdade vivia como no centro das cenas do teatro de Beckett ou dum filme de Arrabal, e todos ao meu lado como na pintura desfigurativa de Bacon e no meio duma performance das transfigurações de Olivier de Sagazan que me disse imediatamente: É permanentemente como numa forma de cambalhota assim, vês? De passos largos. Vi e não era nada às claras no meio da umbrosa tragédia cotidiana, na qual reiterava Duane Michals: Vivemos em uma cultura onde aquele que grita o mais alto recebe mais atenção. Não é no vulgar, não é no choque que se encontra arte. E não é o excessivamente bonito. Está no meio; está em nuance. Foi precisa a simpática recepção da Victoria Camps: ...porque são as situações adversas que testam o significado da felicidade e a capacidade do indivíduo de encaixá-las em sua própria vida. Sim. Fui à forra e nem tinha para onde ir, apenas a sensação de que venci com muitos a primeira etapa para dar risada dos despautérios porque desgraça pouca é bobagem, enquantoutros asseclas do século sigiloso andam esperneando pelo que nem sabia direito para entender, coisas da estupidez fanática deles, o que perdeu a graça: a piada além de imitar piorou a vida.

 


Alagoinhanduba... - A cidade do meu exílio se parece muito com aquela dos traços de Darel Valença Lins. Poderia ser qualquer Macondo, Pasco do Cerro, Antares, Itabira ou rincão ignorado desses onde o diabo perdeu as botas, porque a minha sombra arquetípica é indecisa: um misto entre o inescusável e a desventura. Só conversa fiada, uma vez que na horagá esta minha cidade parece que teve tanta personalidade quanto um rolo de papel higiênico já inutilizado, isso mesmo. A sensação que ficou é de que seja o lugar ideal para se pegar uma bronquite, por exemplo; isto na baixa, pois há quem reclame ter saido de lá com alma de leproso ou coisa que valha. Pior: se não for o cu do mundo, está perto, porque parece que assim foi feita e com couro de tecido chué. Careca de saber aquilo que dissera Guy Gavriel Kay: Todas as estradas são escuras. Só no final há uma esperança de luz... A coragem residia em lutar para tentar ultrapassar esse medo, em erguer-se para fazer o que tinha de ser feito. De fato, longe de mim tal sortilégio, melhor mesmo é nada de contar vantagem, sai mais em conta, porque já falou Joel Pinheiro da Fonseca: Dar ao indivíduo aquilo que ele quer não é receita para sua felicidade. É sua destruição. Cá me previno e não é porque não fui embora que será o fim do mundo. Pelo jeito que as coisas vão, só dá pra querer que dure um pouquinho mais a festa esperançosa de dias melhores que virão, oxalá.

 


Novembroutro... - Quarenta anos se passaram, infortúnios e mazelas, ainda não aprendi direito, tarde demais. É que despontei pro anonimato justo quando queria reconhecimento e dei de cara com o que disse Gertrude Stein: Não sei como meus leitores conseguem entender o que escrevo. Depois de algum tempo, nem eu mesma sei o que queria dizer. Nem eu, pudera. Estudei que só e não sei qual a equação disso ou a raiz quadrada daquilo, tempo precioso que poderia ter sido aplicado noutra coisa de melhor serventia e me passei, como sempre. Ouso desagradar leitora: só joio, mais nada. Tenho imaginação sim, tanto é que todas as mais lindas mulheres passaram pela minha mão e nem precisei agradecer nem me desculpar por isso nem por nada, pois sempre achei que os outros se divertiam às minhas custas e pelas costas, seja lá quem fosse. Menti um pouco e nunca fui de caçadas, nem pra guerra nem candidato pruma eleição no raio que partiu a doidice toda. Nunca me importei mesmo, o que detesto é a prova dos nove ou o flagra da pinoia. Uso daquela do James Callaghan: Uma mentira pode correr meio mundo antes mesmo que a verdade consiga calçar as botas. Mesmo assim não hesitei nem me abstive de rascunhar garranchos, só inutilidade de dentes e cabelo caírem, memória fraca hoje em dia. Certa estava Cecília Meireles: Tudo é mistério nesse reino que o homem começa a desconhecer desde que o começa a abandonar. Não foi nem será fácil, deixo muito a desejar - como se as palavras saíssem na marra, quando na verdade, levo surra delas cada vez que me meto a escrevinhar minhas garatujas. Ora, sou lá congenitamente incapaz de uma frase refinada ou dizer a verdade, o melhor é seguir à risca a lição de Henry Miller: Se você não conseguir fazer com que as palavras trepem, não as masturbe. Destá. Vou no bambo, vai que acerto, coisa rara essa; mas quando erro pelo menos posso fingir que não sou tão idiota. Quando eu morrer que falem mal à vontade, nunca me incomodei porque é tudo verdade e será a vez que não invejarei o morto: estarei em dia com a ignorância alheia. Pois é, eu vivo e digo: viva ainda hoje que amanhã pode ser ilegal, viu? Até mais ver.

 


Ler não é decodificar um texto apenas, mas assenhorar-se do que pode ou não afetar seu leitor, possibilitando que compare e lucidamente corresponda ao lido, seja com ações interiores em sua subjetividade, ou externas, na coletividade de que participa. Ler não é automático, displicente, nem pode ser ingênuo: a leitura exige discernimento, não importa se de uma criança aprendiz ou de um leitor experiente. E em nenhum caso, o resultado é único ou tranquilo, mas exige coerência entre ler e viver. Ou não faria sentido... ler!

Trecho do texto de apresentação da obra A Falta que faz a Leitura: Saberes em diálogo (IIL-PUC-RJ, 2022), organizada professora e pesquisadora Eliana Yunes. Veja mais Educação & Livroterapia aqui & aqui.

 



terça-feira, julho 23, 2019

HENRY MILLER, REBECCA HORN, MARIA DO CARMO GUEDES, HIPER MULHERES & GATUNÁRIO DO FECAMEPA


GATUNÁRIO DO FECAMEPA – Gentamiga! Ninguém está nem aí para o gatunário do Fecamepa! Não estou me referindo a casos como o de Absalão de Davi, nem de Barrabás de Yafo, ou do bom ladrão católico Dimas e do ortodoxo Rakh. Também não me refiro à arte de roubar do Padre António Vieira, se bem que se trata de uma das práticas mais antigas da humanidade. Tampouco me refiro ao romântico Robin Hood ou Barba Azul das mulheres. De forma alguma faço referência ao Flambeau de Chesterton, ou a república dos nobres vigaristas de Scott Lynch, da cleptomaníaca do bom de Fernando Sabino, dos duzentos de Dalton Trevisan, dos das bicicletas de De Sica, ou dos da cova da princesa Rosinha. Muito menos em relação com aos barões de Ayn Rand, nem com o Lupin de Leblanc, o açogueiro da caçada de Cussller, o Tom da Highsmith, dos da noite de Koestler, do Pietr de Simenon ou do Scipio de Cornelia Funke; sequer dos do destino de Nanuka, dos nazistas do livro de Rydell, dos três de Ungerer, do professor Chicuta, do rei Vicente; ou de facínoras como Al Capone, Madame Satã, Attila Ambrus – o Viszkis que bebia uísque -, Spaggiari, Valerio Viccei, Dick Turpin; ou dos glamourosos Jesse James & Frank James, Billy the Kid, Butch Cassidy, Sundance Kid, John Dillinger, Bonnie & e Clyde, Carl Gugasian, Derek “Bertie” Smalls, ou, ainda, dos famosos da gangue francesa do aspirador de pó, dos assaltantes do Crédit Lyonnais, dos do MAM de Paris, dos do Museu Gardner, dos diamantes da “Escola de Torino”, dos da Baker Street, nem do Dragan Mikić & Panteras cor-de-rosa; quanto mais dos que roubam o tempo, segundo cognitivistas, como as redes sociais, as mensagens e notificações de celulares, da internet, das interrupções – gente chata medonha – e de não saber o quê estudar! Nada disso. Olhando bem, já é bandido como a praga! Não obstante, nenhum desses. Apenas, assinalar a respeito da tropelia dos celerados que vieram depois da leva do Paraíso tratado pela Ottoni, está sabendo? Esses sim. Falando sério: virou impunidade da cara mais lisa. O que tem de gente desafiando o vetusto e discriminador Código Penal vigente não é pouco; só tem uso para mim ou alguns outros tantos desamparados da Justiça. Pudera, se a Constituição Federal já foi emendada mais de 100 vezes em 31 anos, afora ser desconhecida, ao que parece, pela quase totalidade da população e inaplicável na maioria das vezes pelas autoridades constituídas, não poderia fazer jamais lá muita diferença. Daí deixar a coisa correr frouxo entre favorecidos de escusos compadrios é que são elas. A sensação que fica é de completa injustiça! Tanta gente se dando bem, outros tantos se lascando meio a meio. Aos que parece, tem gente que andou queimando as pestanas na elaboração de projetos enroladores, coisa assim, aprendida às avessas da Arte de Furtar do Padre Manuel da Costa ou levado ao pé da letra o Príncipe de Maquiavel e de outros ardis estratégicos para engalobar os bestas, com manobras de duplipensar, chega deixar a gente de queixo caído no final das contas. O que tem de espetacularização no engenhoso espaço encobertado dos gatunildos e ladronácios das três esferas de todo Poder Legislativo, dos quadrilhaldos de todo Poder Executivo, dos laurápios sisudos e embecados de todo Poder Judiciário, além dos que brincam de roubonildos e dos furtaldos nas disfarçadas apropriações indébitas dadas por transações lícitas; dos bandos de escrunchantes nas verbas públicas, das maltas de falperristas que brincam de lesar a pátria, da pandilha de gaudérios que manipulam as licitações, da corja de enche-cabresto que desvia o erário público, da cambada de afanadores e cortabolas que se aboletam nos birôs para manipular verbas públicas, da choldra de escorchas e gateadores que sucateiam os serviços sociais, da horda de milhafes e sacomardos das gestões públicas; dos capiangos, abiges e pitubas que precarizam a saúde; dos bordinaus, quatreiros, tudo doutores quatreiros do 5 deitado, 1 em pé e quatro rodando nas coisas da educação; dos guabirus da leseira alheia, argamandeis capoeiros e bilontras da segurança geral; dos manatas, flibusteiros vigaristas e receptânios ventanistas das sonegações por debaixo dos panos; dos estelionatininhos da trapaça, extornaldos ímprobos e abusaldos punguistas das defesas nacionais; dos trapaceiros, pilhas, rapinas e paudilheiros dos transportes; dos maganos, bandoleiros e burladores do tráfico de influência; dos caloteiros, escamoteadores, lapins e mãos-leves dos acessos ministeriais; dos rapaces, salteadores, escroques e gomeleiros das relações internas e exteriores, vixe, tudo zanzando aí a torto e a direito pelas esquinas a céu aberto de pleno meio dia! Ora, ora. Aqui o Ali Babá das Mil e Uma Noites é calunga de primeira viagem: os daqui levam para mais de milhões pro saco, formando todas as bandalheiras deste país pro Fecamepa de Mãe-Joana, um estrupício do maior vitupério. É ou não é? Parece mais que todo mundo rouba todo mundo; e eu que faço parte do mundo, liso sem ter aonde cair morto, contudo pago mesmo sem participar dessa ladroagem toda! Arre! E eles, os Fabos do colarinho-branco ainda acham que estão se defendendo nas tetas da MãeNação, oh, patriamada, pode um negócio desse? Vou ficar sozinho nessa parada é? Ué, ninguém faz nada! Destá. Está na hora da gente aprumar a conversa! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] a História é sempre embate entre posições. E se uma vence, não significa necessariamente que é a melhor, mas apenas que, no jogo de forças presentes na situação em que o embate se deu, uma delas pôde sobressair-se. Não significa também que ficará sempre assim, pois aos perdedores basta reorganizarem-se e recomeçar. [...].
Trecho de Enzo Azzi (1921-1985), um médico italiano na psicologia brasileira, da psicóloga Maria do Carmo Guedes, extraído da obra Escritos sobre a profissão de psicólogo no Brasil (EDUFRN, 2010), organizado por Oswaldo H. Yamamoto e Ana Ludmila F. Costa.

AS HIPER MULHERES
O documentário As Hiper Mulheres (2011), registra  o Jamunikumalu, maior ritual de canto das mulheres kuikuro, no Alto Xingu, no Mato Grosso. O tema central é a festa promovida para que uma índia velha cante pela última vez, antes da morte, nesse ritual. Mas a detentora do saber das canções adoece e precisa ser cuidada pelo pajé e por médicos da cidade mais próxima. Trata-se de uma produção da Vídeo nas Aldeias (VNA), um projeto precursor na área de produção audiovisual indígena no Brasil, criado em 1986. O objetivo do projeto é apoiar as lutas dos povos indígenas para fortalecer suas identidades e seus patrimônios territoriais e culturais, por meio de recursos audiovisuais e de uma produção compartilhada com os povos indígenas. O documentário foi premiado no Festival de Gramado: 2011 –Kikito Especial do Júri e Kikito Melhor Montagem; Festival de Brasília do Cinema Brasileiro: 2011 – Melhor som; Festival de Curitiba: Melhor Filme, Prêmio Olhar, Prêmio da Crítica (Abraccine), Prêmio do Público, Olhar de Cinema Hollywood Brazilian Film Festival: Melhor Documentário; Latin American Film Festival: Prêmio Al Jazeera de Melhor. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
O que me interessa é a essência do objeto, não o seu aspecto. Uma viagem ao interior do corpo. Se alguém decidir viver nesse espaço, seus próprios devaneios começam a se condensar, assumindo vida própria como novas histórias.
A arte da artista visual alemã Rebecca Horn. Veja mais aquiaqui e aqui.

A OBRA DE HENRY MILLER
Um gênio a procura de emprego: eis aí uma das visões mais tristes deste mundo. Não se encaixa em lugar nenhum, ninguém o quer. É desajustado, diz o mundo. Nenhum escritor é bom a não ser que tenha sofrido.
A obra do escritor estadunidense Henry Miller (1891-1980) aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.


quinta-feira, abril 12, 2018

HENRY MILLER, CHUANG-TZU, GADAMER, SAINT-EXUPÉRY, JENNY SAVILLE, INCLUSÃO, HERBERT GRÖNEMEYER & BETH HART, VITAL CORRÊA DE ARAÚJO & CYANE PACHECO.

DADO ACASO - Imagem: arte da artista plástica & visual Cyane Pacheco. - Para poeta meia palavra resolve: cântico do silêncio. Noite minha, mascara onde debruço o rosto ante lua de próstata impura, onde nem uma folha de estrela na relva do céu acena: quando cismo sobre mim, me entusiasmo sem fim. Quem urde o acaso e a leveza: mentiras inteiras valem mais que meias verdade, a óssea certeza do amanhã já não existe. Sombras voarão para o pássaro: poemas de fim de tarde, cais onde naufragam crenças agonizam a dizer: a torcer o pescoço da eloquência vivem os neopoetas. A ninguém interessa a metáfora retórica, a dizer nada com palavras elevadas, a dizer pouco com altas palavras, a dizer seda com a teia da alma, a dizer sede do desejo e água, leiam-me máscaras estranhas do ao rosto, tudo que o rosto não busque: conflito do desejo com a realidade que o efêmero permanece como palavra; eu escravizo e no ludo nojo jogo, juro que um grito ecoe. Quem a alma jogo com os dados do corpo na mesa deserta – e brinca – do papel. A quem cabe o êxtase dos horizontes, da noturna fonte bem o dia, manhãs esculpindo os olhos dos homens. (Letra-colagem para música sobre poemas de Vital Corrêa de Araújo). © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do músico e ator alemão Herbert Grönemeyer: Mensch live auf schalke, Von Gestern Bis Mensch Live & Live; da cantora, compositora e multi-instrumentista estadunidense Beth Hart: Live NJ, Immortal & The Best; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIAVem alguém à minha propriedade e fala:
"Aqui é muito pobre. Só tem algumas pedras, algumas árvores e algumas cabras". Ele não viu a minha propriedade. Aquilo era só o território. O principal estava invisível. O que faz minha propriedade é aquilo que não se vê e que liga as pedras, as árvores e as cabras e me liga a tudo
. Pensamento do escritor, ilustrador e piloto francês Antoine de Saint-Exupéry (1900 – 1944), Veja mais aqui e aqui.

A COMPREENSÃO & COMPREENDER - [...] a compreensão é sempre um risco e não permite a simples aplicação de um saber geral de regras para o entendimento de enunciados ou textos dados. Além do mais, quando alcançada, a compreensão significa uma interiorização que penetra como um novo experimento no todo de nossa própria experiência espiritual. Compreender é uma aventura e é, como toda aventura, perigoso. [...]. Trecho extraído de A razão na época da ciência (Tempo Brasileiro, 1983), do filósofo alemão Hans-Georg Gadamer (1900-2002). Veja mais aqui.

A VIDA & A MORTE - [...] Todas as nossas palavras estão mortas. A magia está morta. Deus está morto. Os mortos se empilham em torno de nós. Logo vão sufocar os rios, encher os mares, inundar os vales e as planícies. Talvez só no deserto o homem consiga respirar sem se asfixiar com o fedor da morte. Varèse, você me colocou num dilema. [...]. Trecho extraído da obra Pesadelo refrigerado (Francis, 2006), escritor norte-americano Henry Miller (1891-1980). Veja mais aquiaqui.

A ALEGRIA DOS PEIXES - Chuang Tzu e Hui Tzu / Atravessavam o rio Hao, / Pelo açude. / Disse Chuang: / "Veja como os peixes / Pulam e correm tão livremente: / Isto é a sua felicidade". / Respondeu Hui: / "Desde que você não é um peixe, / Como sabe o que torna os peixes felizes?" / Chuang respondeu: / "Desde que você não é eu, / Como é possível que saiba que eu não sei / O que torna os peixes felizes?" / Hui argumentou: / "Se eu, não sendo você, / Não posso saber o que você sabe, / Daí se conclui que você, / Não sendo peixe, / Não pode saber o que eles sabem". / Disse Chuang: / "Um momento: / Vamos retornar / À pergunta primitiva. / O que você me perguntou foi / ‘Como você sabe / O que torna os peixes felizes?’ / Dos termos da pergunta, / Você sabe, evidentemente, que eu sei / O que torna os peixes felizes.” / "Conheço as alegrias dos peixes no rio / Através de minha própria alegria, à medida  / Que vou caminhando à beira do mesmo rio". Poema do filósofo taoísta chinês do séc. IVaC., Chuang-Tzu.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da pintora britânica Jenny Saville.
Veja mais aqui.


Projeto Acessibilidade na Biblioteca & muito mais na Agenda aqui.
&
O discurso do doutor marca bosta, a escultura de Richard Senoner & a música de Janis Ian aqui.


sexta-feira, novembro 03, 2017

BETINHO, HENRY MILLER, ALZIRA RUFINO, VITAL CORRÊA DE ARAÚJO, CYANE PACHECO, LUCIAH LOPEZ & CUPIRA

POESIA VITAL ABSOLUTA - Imagem: arte da artista plástica e desenhista Cyane Pacheco. - Desde daquela hora Pirata de 1982, dúbios passos trocando pés e pernas pelo meio fio, calçadas, asfaltos entre o Capibaribe e o Beberibe até a Livro 7 – tudo acontecia ali, asas livres na rua - para voar o céu do Recife além do Brasil e planeta. Mais fizera da intromissão do verbo a minha invocação pra saber do Burocracial e sem saber do Título Provisório nem que Só às paredes confesso, o Palpo a quimera e o tremor, ou Ora Pro Nobis Scania Vabis. Só agora, a vida à deriva e de pernas pro ar, dei de cara com o Bando de Mônadas revisitando Liebniz, quando o poeta se confessa atravessando o pomar do apocalipse, preparando seu próprio féretro pra viver aos extremos e além deles, insepulto na sua morte voluntária entre poemas surgidos do nada da intuição, confissões, loucuras de Catuama abarcando úteros e partos abandonados nas ruas de Palmares, com as cinzas do ego pelo céu vagaroso de Garanhuns, palavra como valor de troça nas metades perdidas do ser pra viver além da redoma de si, dos limites do plano cartesiano, das medidas e comprimentos. A sua Poesia Absoluta é feita de vida: sem explicações, regras, significados ou necessidade de compreensão: vive, apenas, simplesmente, e o poeta cônscio de sua natural vitalidade vocifera lírica paradoxal enraivecida por oxímoros que recriam sintagmas destronando hierarquias, taxonomias, distinções, porque o id vital é um jumento priápico celebrando a paudurescência das orgias dionisíacas na festa dos escombros da decadente sociedade neoposmoderna e despótica, tão corajosa quanto Dom Quixote enfrentando seus gigantes moinhos, tão desafiador quanto o eco de eu oco de Eliot e as provocações dos muitos eus Pound, Zizek, Cummings, Valéry, Wittgenstein, demasiadamente humano Nietzsche e tão ousado quanto o lance de dados de Mallarmé, tão intenso quanto as disparadas do Finnegans de Joyce, tão iconoclasta quanto o brincarte de Ascenso, tão paradoxal quanto a vida daquela tribo do Informe de Brodie da cegueira de Borges traduzida por Hermilo. É correr risco, o sema mata e ler VCA causa AVC e o leitor pode se perder no meio da poesia pura doída e doida contra o euismo poético com seus monósticos de carbono priapoéticos – respire fundo antes de usar – para a sublime incompreensão total: entender não é preciso, poetar livremente sim, isso sim é preciso, a talvez sincera confissão final no futuro que não virá nunca nas meditações do abismo profeta pra quem sabe Deus nos detalhes (nas reentrâncias de um punhal navalha e cutelo), demolindo sintaxes e sentidos – só o significante, nada de significados, esses pra lata de lixo! - pelas rieiras inóspitas das faces humanas com o peso da culpa, dos esgares, da usura nos omoplatas e o tempo escancarado sem horas nem contagem nem medidores no labirinto imprevisível: nada de inspiração, piração é a palavra de ordem! Que diga, ué! E só, dizer  e dizer mesmo sem ter nem pra quê, ora! O que é ao se revelar pode – ou deve - ser reconhecido como outra coisa, outras mais, muitas: do útero à cova, tudo, a semente, o fruto. Salve, salve, Vital Corrêa de Araújo (Veja mais abaixo). © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com o compositor, arranjador e multi-instrumentista Hermeto Pascoal: Slave Mass & Live Montreux Jazz Festuval; a compositora, pianista e escritora Jocy Oliveira: Estórias para voz, instrumentos acústicos e eletrônicos, Solares, Medea Ballade & Noturno de um piano; a iniciativa de criação da arte erudita com elementos da cultura popular Orquestra Armorial & Quinteto Armorial, oriundos do movimento criado pelo escritor e dramaturgo Ariano Suassuna: Chamada & Do romance ao galope nordestino; e a artista experimental e performática compositora estadunidense Laurie Anderson: Homeland & Mister Heartbreak. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] No Brasil, a história é longa. Houve um tempo, antes de os portugueses chegarem, em que os povos indígenas viviam seus regimes comunitários em que cabia todo o mundo, uma sociedade de todas as gentes, ninguém era excluído. Não eram todos iguais, mas todos estavam contemplados com alguma parte do que era de todos. É fantástico pensar esse mundo onde cada pessoa tem um lugar, onde ninguém está excluído. Com a chegada dos portugueses, que naquela época se consideravam a modernidade, começou o regime da escravidão e da exclusão. Índios dizimados, negros africanos escravizados como assalariados, migrantes, trabalhadores de todo o tipo desse tremendo apartheid chamado Brasil. Brasil onde a terra nunca foi bem dividida, sempre concentrada. A riqueza grande, fabulosa para muito pouca gente. E o poder nas mãos de quem tem chicote, cerca de arame farpado, grupos armados. Depois, o poder de quem tem informação e meios de comunicação. Primeiro, a oligarquia e, depois, todos os outros senhores desta terra e dos bens que nela se produzem. Assim foi que se produziu o Brasil para chegarmos hoje a 80% de pobres e milhões de indigentes divididos entre o campo e a cidade. E isso num país onde o que não falta é riqueza. A matemática brasileira soma, acumula e multiplica, não aprendeu a dividir, a compartir. Aqui, o bolo sempre cresce, nunca é dividido. Hoje, temos uma bomba social explodindo nas nossas grandes cidades, literalmente. A miséria concentrada nas grandes cidades foi tomando forma de mendigos, alcoólatras, crianças de rua, contrabando, ilegalidade, marginalidade, roubo, seqüestro e narcotráfico que se confronta com as próprias forças armadas. E crescendo. As pessoas foram sendo excluídas, mas insistem em sobreviver à margem. Os ricos passaram a viver no medo, em bunkers onde se protegem da sociedade que criaram. Essa é uma bomba terrível e que não foi nem está sendo efetivamente desativada, cresce seu poder de destruição como se fosse um fato inexorável que todos vêem, mas não podem evitar. [...]. Trecho extraído do texto Democracia e cidadania (Democracia Viva, 28 – 1997) do sociólogo e ativista dos direitos humanos, Herbert de Souza – Betinho (1935-1997). Veja mais aqui, aqui e aqui.

ABELHAS CUPIRA - [...] Como as demais cidades, Cupira nasceu de uma pequena povoação localizada em torno de uma capela, sob a iniciativa do senhor Aleleuia, à margem de uma lagoa, onde existia uma grande barauna. Nesta baraúna, árvore grande e frondosa, fizeram “morada” umas abelhas conhecidas por Cupira. O local ficou sendo escolhido pelo povo como ponto de reunião para “acerto” de negócios e conversações, e ficou conhecido como Cupira, a pequena povoação pertencente ao município de Panelas. O distrito de Cupira foi criado pela Lei municipal 10, de 30 de março de 1900, com sede na povoação de Taboleiro. Passou a denominar-se Cupira em virtude da Lei municipal 56, de 7 de dezembro de 1914. O Decreto estadual 1818, de 29 de dezembro de 1953, criou o município de Cupira, desmembrado de Panelas e elevando sua sede à categora de vila. Sua instalação ocorreu em 20 de 1954. Anualmente, no dia 29 de dezembro, o município comemora a sua emancipação política. Administrativamente é formado pelos distritos sede, Lage de São José e pelo povoado de Gravatá Açu. Trecho extraído da obra Enciclopedia dos Municípios do interior de Pernambuco (FIAM/DI, 1986). Veja mais aquiaqui.

ESCREVER E VIVERO escrever, como a própria vida, é uma viagem de descobrimento. A aventura é de caráter metafísico; é uma maneira de aproximação indireta com a vida, de aquisição de uma visão total do universo, não parcial. Com freqüência, escrevo coisas que não entendo, embora certo de que depois me parecerão claras e significativas. Tenho fé no homem que está escrevendo, no homem que sou eu, no escritor. E não creio nas palavras, mesmo quando as junta o homem mais hábl: creio na linguagem, que é algo que está mais além das palavras, algo do qual as palavras não oferecem mais do que uma ilusão inadequada. As palavras só existem separadamente nos cérebros eruditos, filólogos, etimólogos, etc. As palavras divorciadas da linguagem são coisa morta e não entregam segredos. Como o princípio do universo, como o imperturbável Absoluto – o Uno, o Todo -, assim o criador, ou seja, o artista, se expressa a partir e por meio da imperfeição. Esse é o tecido da vida, o verdadeiro signo do vivente. A arte nada ensina, senão a significação da vida. A grande obra será inveitavelmente obscura, exceto por um punhado de homens, para aqueles que, como o próprio autor, foram iniciados nos mistérios. Uma vez realmente aceita, a arte deixa de sê-lo. Constitui apenas um substituto, uma linguagem simbólica que substitui algo que deverá ser captado diretamente. Mas para que isso seja possível, o homem terá de transformar-se em um ser totalmente religioso e não simplesmente em um crente, em um primeiro motor, em um deus em ato. Inevitavelmente, chegará a sê-lo. E de todos os rodeios ao longo dessa senda, a arte é o mais glorioso, o mais fecundo, o mais instrutivo. Texto escrito pelo controverso escritor norte-americano Henry Miller (1891-1980), extraído da obra O escritor e seu fantasmas (Companhia das Letras, 2003), do escritor argentino Ernesto Sábato. Veja mais aqui e aqui.

RESGATE & CRIOULAI - Sou negra ponto final / devolvo- me a identidade / rasgo minha certidão / sou negra / sem reticências / sem vírgulas sem ausências / sou negra balacobaco / sou negra noite cansaço / sou negra / Ponto final. II - eu sou crioula decente / não sou vil / estou nas cordas / em equilíbrio / de um Brasil / a minha cor apavora / essa raça agride ouvi dizer / não é nos dentes do negro / não é no sexo do negro / é na arte do negro / de viver / melhor dizendo / sobreviver / com essa coisa que arrasta / o tronco que tentam esconder / mas esses troncos existem / no conviver / os troncos estão nas favelas / vejo troncos nas vielas / nas moradias fedidas / nas peles sem esperança / nas enxurradas de não / no jogo das damas e reis / eu me perdi / nas rotas dos estiletes / nas celas e nos engodos / negro carretel de rolo / querem fazer um mundo / marginal crioulo. Poemas da poeta e ativista política atuante no Movimento Negro e no Movimento das Mulheres Negras, Alzira Rufino. Veja mais aqui.

A ARTE DE CYANE PACHECO
A arte da artista plástica e desenhista Cyane Pacheco.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
NUVENS & CÉU DE PALMARES DE LUCIAH LOPEZ
No fim do mundo, um pé de sonhos
que mais parece ser__________um pé de nuvens.
Meu olhar afirma: são penas nuvens!
Meu coração me diz: são os teus sonhos nascendo outra vez.
Poena da poeta, artista visual & blogueira Luciah Lopez
Veja mais aquiaqui, aqui e aqui.

Veja mais:
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CINCO TERCETOS DE PALMARES – VITAL CORRÊA DE ARAUJO
Caminho pela tarde imaginária
Descendo de hunos e coivaras.
Das horas perdidas vestígios fumegam
Nas absolutas avenidas da vida não me demoro.
A sombra do Porto (do Recife) se arrastava do cais
E ferros das naves pareciam efêmeros (grilhões).
Ao absurdo cotidiano do homem do mundo
À cata de usuras obesas e salvações vãs.
(Gaia para salvar-se prescindirá da vida humana).
Reino das Águias, 15/05/2014
ADENDO: A ordem é o caos e sintagmas voam pelo meu peito como águias.
Poema extraído da obra Semata (Autor, 2017), do escritor, jornalista, advogado, professor, conferencista e tradutor Vital Corrêa de Araújo. Veja mais aqui.
 

segunda-feira, outubro 01, 2012

NÍKOS KAZANTZÁKIS, HENRY MILLER, RECIFE, ANDREI TARKOVSKI, CHRISTIAN SCHAD & 30 ANOS DE ARTE CIDADÃ


 
 A arte do pintor alemão Christian Schad (1894-1982)

DITOS & DESDITOSTodos os problemas sociais e pessoais do homem vêm da ausência de amor do homem para consigo mesmo, da falta de respeito para consigo próprio. O homem, antes de tudo, está pronto para acreditar na autoridade dos outros. Tudo começa com o amor a si mesmo em primeiro lugar. De outra maneira é impossúvel compreender o outro, é impossível amá-lo. Extraído dos Diários do cineasta russo Andrei Tarkovski.

ALGUÉM FALOUOs professores ideais são os que se fazem de pontes, que convidam os alunos a atravessarem, e depois, tendo facilitado a travessia, desmoronam-se com prazer, encorajando-os a criarem suas próprias pontes. O coração do homem é um mistério negro e incontrolável; um jarro furado e com a boca sempre aberta e, mesmo que todos os rios da terra corram para dentro dele, permanece vazio e sedento. A maior das esperanças não o enche, será que a maior das desesperanças vai enchê-lo. Com clareza e calma, eu olho para o mundo e digo: Tudo o que eu vejo, ouço, paladar, olfato e tato são as criações de minha mente. O tempo tem sido para mim um bem supremo. Quando vejo os homens passear-se, ou gastar mal o seu tempo em discussões vãs. Tenho o desejo de ir a uma esquina e estirar a mão como um mendigo e dizer: Dei-me uma esmola, boas pessoas; dei-me um pouco do tempo que perdeis, uma hora, duas horas, o que quereis. Não existem idéias, existem indivíduos que carregam as idéias, e elas elevam os homens que as carregam. Verdadeiramente, nada se parece tanto com o olhar de Deus como o da criança. A poesia é o sal que impede as pessoas de apodrece. Pensamento do escritor e pensador grego Níkos Kazantzákis (1883-1957).

RECIFE[...] O Recife é uma cidade marcada por uma quantidade impressionante de imagens técnicas desde a segunda metade do século 19. Raras são as cidades periférias – pobres, espoliadas, decadentes – que não condensam tantas cicatrizes visuais. [...] Dessa cidade surgem, do ponto de vista das imagens, interpretações profundas e dolorosas, mas igualmente carregadas pelo desejo.[...] A cidade se constitui nas imagens, tanto quanto nas ruas, e dá ao passado um acesso mais forte do que a realidade poderia admitir. [...]. Trechos extraídos da obra A imagem e seus labirintos: o cinema clandestino do Recife 1930-1964 (Nektar, 2014), de Paulo Carneiro da Cunha Filho.

A arte do pintor alemão Christian Schad (1894-1982)


SEXUS, DE HENRY MILLER - [...] Mulher alguma é capaz de resistir à dádiva do amor absoluto [...] Só pensava em duas coisas – comida e sexo. Fui ao banheiro e, distraído, deixei a porta destrancada. Recuei um pouco por causa de um tesão lento e venenoso induzido pelo conhaque, e estava de pé assim, com o pau na mão e fazendo mira na privada numa curva alta, quando a porta se abriu de repente. Era Irene, a mulher do paralitico. Soltou uma exclamação abafada e começou a fechar a porta, mas por algum motivo, talvez por eu ter me mantido totalmente calmo e imperturbável, acabou ficando parada junto à porta e, enquanto eu terminava minha mijada, conversou comigo como se nada de incomum estivesse acontecendo. Um belo desempenho, disse ela, enquanto eu sacudia as últimas gotas. Você sempre fica assim a essa distância? Eu a peguei pela mão e puxei-a para dentro, trancando a porta com a mão livre. Não, por favor não faça isso, suplicou ela, com uma expressão de muito medo. Só um instante, murmurei, esfregando o pau em seu vestido. Cobri sua boca vermelha com os lábios. Por favor, por favor, implorava ela, tentando escapar do meu abraço. Você vai me desgraçar. Eu sabia que devia soltá-la. Mas trabalhava depressa e furiosamente. Eu vou soltá-la, disse eu, só mais um beijo. E dizendo isso apoiei suas costas na porta e, sem sequer me dar ao trabalho de levantar seu vestido, dei-lhe repetidas estocadas, emitindo uma carga considerável em seu vestido de seda negra. [...] Caminhamos um pouco, da estação do metrô até a cada dela. No meio do caminho, paramos debaixo de uma arvore e começamos os trabalhos. Enfiei a mão por baixo do seu vestido e ela remexeu em minha braguilha. Encostamo-nos no tronco da arvore. Era tarde e não havia vivalma à vista. Eu podia ter me deitado com ela ali mesmo na calçada. Ela tinha acabado de por meu pau para fora, e estava afastando as pernas para eu poder abrir caminho [...] Mara tremia como uma vara verde. Caminhamos até um terreno baldio e nos estendemos na relva. [...] A noite estava quente e eu me estendi de costas, olhando para as estrelas. Uma mulher passou mas não percebeu que estava deitado ali. Meu pau estava para fora e recomeçava a se manifestar com a brisa quente. Quando Mara voltou, ele já vibrava e corcoveava. Ela se ajoelhou ao meu lado com as ataduras e o iodo. Meu pau a fitava direto nos olhos. Ela se inclinou para a frente e abocanhou-o com avidez. Empurrei todas as coisas para o lado e a puxei para cima de mim. Quando disparei minha carga ela continuou a gozar, um orgasmo depois do outro, até eu pensar que aquilo jamais acabaria. [...] Anda não posso deixar você ir, disse ela. E em seguida atirou-se em cima de mim, beijando-me apaixonadamente e estendendo a mão para minha braguilha com uma pontaria mortífera. Dessa vez nem nos demos ao trabalho de procurar uma área desimpedida e caimos ali mesmo na calçada, debaixo de uma árvore enorme. A calçada não era confortável – precisei me deslocar alguns metros até um trecho de terra macia. Havia uma pequena poça d´água perto do cotovelo dela, e eu quis tirar o pau de novo para me deslocar mais alguns centímetros, mas quando tentei puxá-lo para fora ela ficou louca. Nunca mais tire isso de dentro de mim, pediu ela, ele me deixa louca. E me fode, me fode! Fique dentro dela me contendo por muito tempo. [...] Será que a Maude ainda está acordada? Estou sentindo um certo tesão. Andando de volta para casa, abro a braguilha e ponho o pau para fora. A boceta de Maude. Ela fode muito bem quando resolve. É preciso pegá-la semi-adormecida, com as defesas baixas.deitado, quietinho, e chegando por trás feito uma colher. Enfio a chave na fechadura e empurro o portão de ferro. Ferro frio contra um pau fremente. Preciso me esgueirar, dar um jeito de entrar nela quando ela ainda sonha. Subo a escada sem fazer barulho e me livro das minhas roupas. Eu a ouço virar-se na cama, aprontando-se no sono para apontar aquela bunda quente na minha direção. Enfio-me de mansinho na cama e a envolvo com meu corpo. Ela finge estar desacordada, morta para o mundo. Não posso me movimento muito depressa, ou ela acorda. Precisa acontecer com ela dormindo, caso contrario ela ficará ofendida. Ponho a ponta do meu pau perto dos pelos soltos. Ela está terrivelmente imóvel. Bem que quer, a vaca, mas não dá nenhum sinal. Tudo bem, pode se fazer de cachorro morto! Eu a desloco um pouco, só um pouquinho. Ela se comporta como um tronco encharcado. Vai continuar assim, com todo o peso e fingir que está dormindo. Bem, já enfiei a metade. Preciso deslocá-la um pouco para o lado, mas ela se encontra num estado móvel, e tudo está devidamente lubrificado. É maravilhoso foder a própria mulher como se ela fosse um cavalo morto. Você conhece cada ruga dos lençóis sedosos; pode demorar bastante, e ficar pensando no que quiser. O corpo é dela, mas a boceta é sua. A boceta e o pau, eles estão casados, por Deus, pouco importa que os corpos estejam indo em direções opostas. De manhã, os dois corpos irão encarar-se e trocar palavras casuais; agirão como se fossem independentes, como se o penis e aquela outra coisa só servissem para verter água. Profundamente adormecida, Eça não se incomoda com a maneira como eu a manipulo. Estou com um desses tesões imbecis e insensíveis, como se meu pau fosse uma mangueira de borracha sem bico. Com a ponta dos dedos, posso deslocá-la à vontade. Esporro nela e deixo tudo lá dentro, toda a mangueira de borracha grossa, quer dizer. Ela se abre e se fecha como uma flor. É uma agonia, mas a agonia do tipo certo. A flor diz: fique aqui, filhinho! A flor fala como uma esponja embriagada. A flor diz: aceito esse pedaço de carne para com ele me satisfazer até acordar. E o que diz o corpo, a carga independente que se desloca sobre rolamentos de esferas? O corpo está ferido e humilhado. O corpo perdeu temporariamente o nome e o endereço. O corpo gostaria de cortar fora aquele pau e guardá-lo para sempre dentro de si, como se fosse um canguru. Maude não é o corpo deitado de bunda para o céu, vitima indefesa de uma mangueira de borracha. Maude, se o autor fosse Deus e não seu marido, vê-se pudicamente de pé no meio de uma campina dourada [..] De fato, Maude, é uma delicia. [...] A relva verde e limpa, o cheiro do couro quente do animal, a coisa comprida e macia que ele enfia e tira – ah, Deus, quero que ele me foda como se eu fosse uma vaca. Og, quero foder e foder e foder...” “Então agora me coma!, sussurrou ela, e sua boca se contorcia com selvageria. Deitou-se atravessada na cama, com a saia em torno do pescoço. Tire!, implorou ela, febril demais para encontrar os fechos. Quero que você me coma como se nunca tivesse me comido na vida. Espere um pouco, disse eu, desvencilhando-me. Primeiro vou tirar essas coisas malditas. Depressa, depressa!, suplicou ela, enfie tudo, meu Deus, Val, eu não posso viver sem você...isso, bom, bom.... isso mesmo. Ela se contorcia como uma enguia. Oh Val, você não pode me deixar ir embora nunca. Com força, me abrace com força! Oh meu Deus, vou gozar... me abrace, me abrace. Esperei que os espasmos passassem. Você não gozou, não foi?, perguntou ela. Não goze ainda, deixe ai dentro. Não se mexa. Eu fiz o que ela pediu: meu pau estava bem fundo dentro dela e eu sentia as bandeirolas lá no fundo, agitando-se como avezinhas famintas. Espere um instante, querido.... espere. Ela acumulava forças para mais uma explosão. Seus olhos estavam úmidos e bem abertos, relaxados, pode-se dizer. À medida que o orgasmo foi chegando eles ficaram mais concentrados, dardejando loucamente de um canto ao outro, como se procurassem freneticamente alguma coisa em que pudessem se fixar. Agora, pode fazer agora, pediu ela com voz rouca. Vamos, agora meta em mim! Novamente, sua boca exibia aquela contorção selvagem, aquela expressão obscena de soslaio que, mais do que movimentos mais violentos do corpo, desencadeia o orgasmo do homem. Quando descarreguei o esperma quente dentro dela, ela teve convulsões. Parecia uma trapezista fazendo piruetas perto do reto. E, como ocorria frequentemente com ela, os orgasmos se sucederam em rápida sequencia. Cheguei quase a esbofeteá-la , para fazê-la parar com aquilo. [...] As vezes acho que o meu coração vai parar... e que vou morrer no meio disso. Estava relaxada, com a graça de uma pantera, as pernas bem afastadas, como que para deixar o esperma escorrer. Meu Deus, disse ela, levando uma das mãos ao meio das pernas, anda está escorrendo,... me dê uma toalha, por favor. Inclinado por cima dela com a toalha, enfiei meus dedos em sua boceta. Eu gostava de sentir como ela ficava depois de uma foda. Chegava a me dar arrepios. Não faça isso, implorou ela com voz fraca, ou vou começar tudo de novo. Enquanto falava, balançava a pélvis voluptuosamente. Bem de leve, Val... fiquei um pouco assada. Assim. Pois a mão em meu pulso e ficou com ela ali, conduzindo meus movimentos com uma pressão delicada mas segura de seus dedos. Finalmente, consegui retirar a mãe e imediatamente colei a boca em sua racha. Que maravilha, suspirou ela. Tinha fechado os olhos. Estava tornando a cair no vaio escuro do centro do seu ser. Estávamos deitados de lado, as pernas dela passadas em torno do meu pescoço. E então eu senti seus lábios encostando na minha pica. Eu estava separando suas nádegas com as duas mãos, meu olho fitando fixamente o pequeno botão castanho acima de sua boceta. Aquele é o cu dela, pensei eu. Era bom de se olhar. Tão pequenino, tão encolhido, como dele só pudessem sair pequenas titicas de ovelha negra. [...] A bunda nos diz tudo sobre a mulher, seu caráter, seu temperamento, se é sanguinea, mórbida, alegre ou volúvel, capa ou não de corresponder, se é maternal ou amante dos prazeres, se é leal u mentirosa por natureza. [...].

HENRY MILLER – Henry Miller nasceu na cidade de Nova York, em 1891, de pais germano-americanos e passou toda a infancia no Brooklyn. Em 1909 ingressou no City College of New York, onde permaneceu por apenas dois meses. Passou a trabalhar em empregos variados, que iam de motorista de taxi a bibliotecário, até ingressar, em 1920,, na empresa de telegrafo Western Union. Em 1924, deixou o emprego, divorciou-se da primeira mulher, com quem tinha uma filha, e passou a viver com June Smith, taxi-girl que o estimulou a levar adiante a carreira de escritor. Em 1928, Miller que já escrevera dois romances não publicados, foi com June para Paris, na esperança de encontrar um editor. De volta a Nova York, escreveu um terceiro romance e, com o fracasso de seu casamento, partiu de novo para a Europa, onde viveu por uma década. Sobrevivendo basicamente de doações e trabalhos esporádicos como jornalista, em Paris conheceu Anais Nin, com quem teve um longo relacionamento. Lá, ela ajudou a publicar, em 1934, seu primeiro e mais famoso romance, Trópico de Cancer. Fortemente autobiográfico e sexualmente explicito, o livro foi banido de países de língua inglesa, ficando proibido por quase 30 anos nos Estados Unidos. Com o inicio da Segunda Guerra Mundial, Miller passou seis meses na Grecia, em visita ao escritor Lawrence Durrel, seu amigo e um dos primeiros admiradores de sua obra, e nesse período escreveu Colossus of Maroussi. De volta aos Estados Unidos, viajou pelo país. De 1944 a 1963 morou no Big Sur, California. Em 1949 surgiu Sexus, primeiro volume da trilogia autobiiográfica A crucificação rosada, acompanhado de outros dois Plexus e Nexus, que narra sua luta em Nova York, na década de 1920, para se tornar escritor. Com a liberação dos seus livros nos Estados Unidos, Miller, já reconhecido pela critica como um dos maiores escritores americanos do século 20, tornou-se também um best-seller.em 1957, foi eleito para o National Institute of Arts and Letters e, nos anos 70, foi indicado para o Premio Nobel. Morreu em 1980, em sua casa em Pacific Palisades. Veja mais aqui.

30 ANOS DE ARTE CIDADÃ (RELEASE)– O escritor, compositor musical e radialista Luiz Alberto Machado comemora 30 anos de trajetória cidadã, iniciada com a publicação do seu primeiro livro de poesias “Para viver o personagem do homem”, em 1982, culminando em 2012 com seus projetos que envolvem as atividades infantis do personagem Nitolino e do trabalho musical, teatral e literário Tataritaritatá, bem como o alcance da marca de 500 mil acessos ao seu canal no YouTube e a indicação de duas de suas músicas gravadas pela cantora Sônia Melo indicadas ao Grammy..

Com formação em Letras e Direito, ele é autor de 7 livros de poesias, 7 infantis, 2 de crônicas, 1 cordel, peças teatrais e obras musicais. É editor do Guia de Poesia do Projeto SobreSites, do Rio de Janeiro, membro da Cooperativa da Música de Alagoas (Comusa), assessor de imprensa da Câmara de Dirigentes Lojistas de São Miguel dos Campos (CDL/SMC) e cônsul em Alagoas da Associação Poetas Del Mundo.

Para o público infanto-juvenil, além dos livros publicados, ele realiza espetáculos teatrais e recreações educativas com contação de histórias em escolas, instituições e eventos, com o personagem oriundo do livro e DVD do espetáculo infantil Nitolino no Reino Encantado de Todas, que já realizou duas temporadas, em 2010 e 2011, no Espaço Cultural Linda Mascarenhas, além de ser integrante do Projeto CDL Criança da CDL/SMC e do Projeto Circo Itinerante Brincarte, das Edições Nascente.

Já o projeto Tataritaritatá envolve cordel, blogzine, site na internet, webradio, oficinas e show poético-musical já apresentado no Projeto Palco Aberto da BoiBumbarte, e Palavra Mínima da Comusa/Instituto Zumbi dos Palmares (IZP).

Toda sua trajetória está reunida na publicação 30 Anos de Arte Cidadã que será lançada nos próximos meses pelo autor. Maiores detalhes no www.luizalbertomachado.com.brou pelos fone 9606 4436. Veja mais das comemorações dos 30 anos de arte cidadã.





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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitora Tataritaritatá!!!
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: 
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
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DIDI-HUBERMAN, LINDA DEANE, ADALYN GRACE & MARINÊS

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Das loas & toadas no cavalo-marinho... - O afamado artesão Tirésia já nasceu assim: cego e vaticinado...