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domingo, setembro 11, 2022

MARIAN KEYES, JOANNA BAILLIE, HILDA DOOLITTLE, MICHEL BARLOW & PINTANDO XEXÉU

 

 Ao som dos álbuns Living Room Songs (2011), For Now I Am Winter (2013) e Island Songs (2016), do multi-instrumentista islandês Ólafur Arnalds.

 

TRÍPTICO DQP: - O olhar e o ignoto... - Do lado de cá, o quintal dos milagres; do lado de lá, o mundo. Entre ambos o brejo que mais se parecia um riacho de tão cheio. O pitu chega passava avexado, aos montes pelos tantos de cardumes. Deixei de lado as proezas na cacimba porque havia explorado muitas invencionices na goiabeira, ou pelas bananeiras e matagal. Queria era voar pro outro lado, poder desse tivesse. Luz na ideia e por que não, ora, encarei a fundura, escalei aos escorregões a íngreme margem oposta, fiz força e ganhei acolá. Era tudo muito vasto, como o tanto dos meus sonhos de olhos abertos. Vasculhei a redondeza e dei de cara com uma oliveira carregada de azeitona: Ô coisa mais boa de se aproveitar. Na sombra estava... Ah, era Platero de Jimenez às gargalhadas lambendo os cascos do que sobrou do jenipapo e foi logo me contando d’A raposa e as uvas de Esopo. A cada relincho outra hestória: O lobo e o cordeiro de Fedro; depois O asno de ouro de Apuleio; ô bicho tagarela esse, meu, ganhou pra mim na tomada de água de chocalho: falava pelos cotovelos que nem o homem da cobra. Confesso que morri de rir quando me disse saborear o araticum cagão. O quê? Ao buscá-lo quase pisa no cochilo do sapo Aderbal. Eita, desculpe! Sai pra lá, jumento! Olhe você me respeite senão não tem festa no céu procê! Sai pra lá, ô jegue fidumégua! Foi aí que o asno se enrolou com uma cana e, por engano, pegou foi um ingá do brejo! O cururu vingou-se: Vai ser burro assim no raio que o parta, desgraçado! As rãs assanhadas do fã clube do anuro se riram da leseira deles: Cadê a mula? E instigavam enquanto torciam pelas pazes entre a invejosa lagarta que não sabia para onde ia e peiticava com a vaidosa borboleta que não sabia como veio. O zoadeiro ficava por conta da saparia afoita açoitando a arenga: Foi! Não foi! De repente as lavadeiras fugiam saias pela cabeça às carreiras por causa duma cobra voadora que era uma criança atacada pelas abelhas de Cupira e efígie ofídica se tornara porque amaldiçoada pela mãe logo que esta foi abandonada pelo marido. Como é que é? E logo apareceu o lobisomem zonzo dizendo fugir da barata Gregor gigante que queria pegá-lo e quem não conseguia fugir subia pelos coqueiros ou era pé na bunda mata adentro. Eu não sabia o que fazer quando dei de cara com o Minotauro bufando tal qual a Esfinge do Édipo: Decifra-me ou te devoro! E agora? Paralisado diante daquele terror, apareceu do nada Marian Keyes que me deu o Fio de Ariadne: A vida não respeita circunstâncias... A vida simplesmente vai em frente e faz o que tem vontade, sempre que tem vontade! Desde então pelos labirintos noitedias e dias&noites, tenho muita hestória pra contar.

 


Pintando Xexéu... - Era feriado e a independência de quem no Fecamepa. O que valeu a manhã ensolarar o risonho prefeito aos braçabraços em cada um da multidão solícita, ao passo que a linda senhora vice distribuía afetos e saudações. A Ipiranga valia no tom garboso da sonoridade matutina para que a festa tomasse corpo nas cores e traços dos artistas presentes e o poeta secretário não deixasse nada passar em branco. Divisão foi logo mote glosado por Leo Luna, Ana Paula e Durán, quando este ao final encarou uma espanhola exuberante que sumiu e ele avexou-se e foi junto, ora. Alexandre Freitas foi pelo arruado, ao mesmo tempo em que Profeta seguia noutra nebulosa e Fábio Santos construía a sua igreja. Robertson pegou a canoa e foi pelas águas de não sei onde e Márcia Gomes passava pela ponte dos seus sonhos para ver o xexéu brilhar com João Brito e Alexandre Lima, enquanto Zed Melo dava as caras pra Carlos Daniel, Erick e Míssila no meio da estudantada, ouvindo atentos as narrações livreiras de Rute Costa, para tudo ser registrado pela adorável bibliotecária Sueli na foto geral de exposição na Semed. Valeu mais o abraço de Gel Love & Rogério. Por isso e muito mais, a cada dia canto & sou xexéu. (Veja fotos e evento aqui).

 


O fio de Bastet... – Imagem do designer gráfico, ilustrador, videoartista e artista multi-gênero japonês Keiichi Tanaami. – Anoiteceu e voltei ao convívio das trevas, umbrais solitude, o trâmite da solidão. Lá fora está tão irrespirável até não sei quando; aqui dentro, pelo menos, ouso viver. Não fosse Bastet aparecer-me como se fosse um eclipse solar, não teria nada o que fazer então. Insinuando-se tal qual gata de Nise, com seu olhar felino graciosamente faminto na boca sedenta para me dar o sistro com a mão direita e a efígie com cabeça de leoa coroada pelo disco solar e serpente uraues com a outra, a levar-me pelas pirâmides dos seus segredos, não sei nem o que diga de tanta errância. Mas ela disse-me com tom de Battaile: Nada é mais necessário ou mais forte em nós do que a rebelião... Acredito que a verdade tem apenas uma face: a de uma contradição violenta... Eu sabia que a filha de Rá temia ter que passar de novo por Gata Borralheira. Ora, nem podia, afinal era uma deusa votiva e poderia, com um simples estalar de dedos, mudar o que quisesse e se não o fez é porque não quis. De repente sussurrou misteriosa Joanna Baillie: O tirano agora não confia em homens: todas as noites em seu quarto o cão de guarda guarda seu leito, o único amigo em quem agora ousa confiar. Virou-se e me tratou como Anúbis no meio da madrugada, trazendo-me o mais perto possível a sofreguidão do seu hálito. Foi aí que ela desteceu os enredos do meu canto aniquilado de ave migratória na angústia de desgarrado por triunfar no pó e no vento, para me dizer de Goethe: para ser poeta é preciso entregar-se ao demônio. Ou foi Byron quem disse isso e mais britanicamente: O diabo foi o primeiro democrata... Na solidão é quando estamos menos sós. Nada escrevi que prestasse até que comecei a amar. Meu epitáfio será meu nome, nada mais... Quem disse, o que foi ou não, o que se acusa e se envergonha, pouco importa. Aconchegada a mim se fez Hilda Doolittle: Nenhuma fantasia poética / Mas uma realidade biológica, um fato: eu sou uma entidade como pássaro, inseto, planta ou célula vegetal do mar; / Eu vivo; / Eu estou viva... E em mim a festa dela detonou meus logogrifos e logomaquias, a perdoar as minhas derrotas e o que viveu em mim e o que nunca vi, nem mais nem menos. Já não era insignificante no auge do meu cansaço e nenhum entusiasmo, ela me dava de presente o outro lado do brejo no quintal da infância. Até mais ver.

 


[...] a escola não é menos povoada de mitos e de ritos [...] Mas podemos observar, desde já, que a ação educativa, menos do que qualquer outra, não poderia escapar ao império do sonho e do imaginário. Por definição, poderíamos dizer: artífice do futuro para os jovens que lhe são confiados, a educação teria como única tarefa despertar o desejo, dar corpo ao sonho? Em face do adulto responsável por ela, a criança – ou o adolescente – é esperança frágil e expectativa, para si mesma e para seus próximos, e a ação educativa não teria outra meta a não ser ajudar a realizar essas promessas... Essas ou outras, aliás! [...] De fato, em última instância, a própria criança é o ator de sua educação: ninguém pode crescer, evoluir, aprender em seu lugar! O educador é apenas um catalisador. [...].

Trechos extraídos da obra Avaliação escolar: mitos e realidades (Artmed, 2006), do filósofo e educador francês  Michel Barlow. Veja mais Educação & Livroterapia aqui e aqui.

 



sexta-feira, novembro 03, 2017

BETINHO, HENRY MILLER, ALZIRA RUFINO, VITAL CORRÊA DE ARAÚJO, CYANE PACHECO, LUCIAH LOPEZ & CUPIRA

POESIA VITAL ABSOLUTA - Imagem: arte da artista plástica e desenhista Cyane Pacheco. - Desde daquela hora Pirata de 1982, dúbios passos trocando pés e pernas pelo meio fio, calçadas, asfaltos entre o Capibaribe e o Beberibe até a Livro 7 – tudo acontecia ali, asas livres na rua - para voar o céu do Recife além do Brasil e planeta. Mais fizera da intromissão do verbo a minha invocação pra saber do Burocracial e sem saber do Título Provisório nem que Só às paredes confesso, o Palpo a quimera e o tremor, ou Ora Pro Nobis Scania Vabis. Só agora, a vida à deriva e de pernas pro ar, dei de cara com o Bando de Mônadas revisitando Liebniz, quando o poeta se confessa atravessando o pomar do apocalipse, preparando seu próprio féretro pra viver aos extremos e além deles, insepulto na sua morte voluntária entre poemas surgidos do nada da intuição, confissões, loucuras de Catuama abarcando úteros e partos abandonados nas ruas de Palmares, com as cinzas do ego pelo céu vagaroso de Garanhuns, palavra como valor de troça nas metades perdidas do ser pra viver além da redoma de si, dos limites do plano cartesiano, das medidas e comprimentos. A sua Poesia Absoluta é feita de vida: sem explicações, regras, significados ou necessidade de compreensão: vive, apenas, simplesmente, e o poeta cônscio de sua natural vitalidade vocifera lírica paradoxal enraivecida por oxímoros que recriam sintagmas destronando hierarquias, taxonomias, distinções, porque o id vital é um jumento priápico celebrando a paudurescência das orgias dionisíacas na festa dos escombros da decadente sociedade neoposmoderna e despótica, tão corajosa quanto Dom Quixote enfrentando seus gigantes moinhos, tão desafiador quanto o eco de eu oco de Eliot e as provocações dos muitos eus Pound, Zizek, Cummings, Valéry, Wittgenstein, demasiadamente humano Nietzsche e tão ousado quanto o lance de dados de Mallarmé, tão intenso quanto as disparadas do Finnegans de Joyce, tão iconoclasta quanto o brincarte de Ascenso, tão paradoxal quanto a vida daquela tribo do Informe de Brodie da cegueira de Borges traduzida por Hermilo. É correr risco, o sema mata e ler VCA causa AVC e o leitor pode se perder no meio da poesia pura doída e doida contra o euismo poético com seus monósticos de carbono priapoéticos – respire fundo antes de usar – para a sublime incompreensão total: entender não é preciso, poetar livremente sim, isso sim é preciso, a talvez sincera confissão final no futuro que não virá nunca nas meditações do abismo profeta pra quem sabe Deus nos detalhes (nas reentrâncias de um punhal navalha e cutelo), demolindo sintaxes e sentidos – só o significante, nada de significados, esses pra lata de lixo! - pelas rieiras inóspitas das faces humanas com o peso da culpa, dos esgares, da usura nos omoplatas e o tempo escancarado sem horas nem contagem nem medidores no labirinto imprevisível: nada de inspiração, piração é a palavra de ordem! Que diga, ué! E só, dizer  e dizer mesmo sem ter nem pra quê, ora! O que é ao se revelar pode – ou deve - ser reconhecido como outra coisa, outras mais, muitas: do útero à cova, tudo, a semente, o fruto. Salve, salve, Vital Corrêa de Araújo (Veja mais abaixo). © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com o compositor, arranjador e multi-instrumentista Hermeto Pascoal: Slave Mass & Live Montreux Jazz Festuval; a compositora, pianista e escritora Jocy Oliveira: Estórias para voz, instrumentos acústicos e eletrônicos, Solares, Medea Ballade & Noturno de um piano; a iniciativa de criação da arte erudita com elementos da cultura popular Orquestra Armorial & Quinteto Armorial, oriundos do movimento criado pelo escritor e dramaturgo Ariano Suassuna: Chamada & Do romance ao galope nordestino; e a artista experimental e performática compositora estadunidense Laurie Anderson: Homeland & Mister Heartbreak. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] No Brasil, a história é longa. Houve um tempo, antes de os portugueses chegarem, em que os povos indígenas viviam seus regimes comunitários em que cabia todo o mundo, uma sociedade de todas as gentes, ninguém era excluído. Não eram todos iguais, mas todos estavam contemplados com alguma parte do que era de todos. É fantástico pensar esse mundo onde cada pessoa tem um lugar, onde ninguém está excluído. Com a chegada dos portugueses, que naquela época se consideravam a modernidade, começou o regime da escravidão e da exclusão. Índios dizimados, negros africanos escravizados como assalariados, migrantes, trabalhadores de todo o tipo desse tremendo apartheid chamado Brasil. Brasil onde a terra nunca foi bem dividida, sempre concentrada. A riqueza grande, fabulosa para muito pouca gente. E o poder nas mãos de quem tem chicote, cerca de arame farpado, grupos armados. Depois, o poder de quem tem informação e meios de comunicação. Primeiro, a oligarquia e, depois, todos os outros senhores desta terra e dos bens que nela se produzem. Assim foi que se produziu o Brasil para chegarmos hoje a 80% de pobres e milhões de indigentes divididos entre o campo e a cidade. E isso num país onde o que não falta é riqueza. A matemática brasileira soma, acumula e multiplica, não aprendeu a dividir, a compartir. Aqui, o bolo sempre cresce, nunca é dividido. Hoje, temos uma bomba social explodindo nas nossas grandes cidades, literalmente. A miséria concentrada nas grandes cidades foi tomando forma de mendigos, alcoólatras, crianças de rua, contrabando, ilegalidade, marginalidade, roubo, seqüestro e narcotráfico que se confronta com as próprias forças armadas. E crescendo. As pessoas foram sendo excluídas, mas insistem em sobreviver à margem. Os ricos passaram a viver no medo, em bunkers onde se protegem da sociedade que criaram. Essa é uma bomba terrível e que não foi nem está sendo efetivamente desativada, cresce seu poder de destruição como se fosse um fato inexorável que todos vêem, mas não podem evitar. [...]. Trecho extraído do texto Democracia e cidadania (Democracia Viva, 28 – 1997) do sociólogo e ativista dos direitos humanos, Herbert de Souza – Betinho (1935-1997). Veja mais aqui, aqui e aqui.

ABELHAS CUPIRA - [...] Como as demais cidades, Cupira nasceu de uma pequena povoação localizada em torno de uma capela, sob a iniciativa do senhor Aleleuia, à margem de uma lagoa, onde existia uma grande barauna. Nesta baraúna, árvore grande e frondosa, fizeram “morada” umas abelhas conhecidas por Cupira. O local ficou sendo escolhido pelo povo como ponto de reunião para “acerto” de negócios e conversações, e ficou conhecido como Cupira, a pequena povoação pertencente ao município de Panelas. O distrito de Cupira foi criado pela Lei municipal 10, de 30 de março de 1900, com sede na povoação de Taboleiro. Passou a denominar-se Cupira em virtude da Lei municipal 56, de 7 de dezembro de 1914. O Decreto estadual 1818, de 29 de dezembro de 1953, criou o município de Cupira, desmembrado de Panelas e elevando sua sede à categora de vila. Sua instalação ocorreu em 20 de 1954. Anualmente, no dia 29 de dezembro, o município comemora a sua emancipação política. Administrativamente é formado pelos distritos sede, Lage de São José e pelo povoado de Gravatá Açu. Trecho extraído da obra Enciclopedia dos Municípios do interior de Pernambuco (FIAM/DI, 1986). Veja mais aquiaqui.

ESCREVER E VIVERO escrever, como a própria vida, é uma viagem de descobrimento. A aventura é de caráter metafísico; é uma maneira de aproximação indireta com a vida, de aquisição de uma visão total do universo, não parcial. Com freqüência, escrevo coisas que não entendo, embora certo de que depois me parecerão claras e significativas. Tenho fé no homem que está escrevendo, no homem que sou eu, no escritor. E não creio nas palavras, mesmo quando as junta o homem mais hábl: creio na linguagem, que é algo que está mais além das palavras, algo do qual as palavras não oferecem mais do que uma ilusão inadequada. As palavras só existem separadamente nos cérebros eruditos, filólogos, etimólogos, etc. As palavras divorciadas da linguagem são coisa morta e não entregam segredos. Como o princípio do universo, como o imperturbável Absoluto – o Uno, o Todo -, assim o criador, ou seja, o artista, se expressa a partir e por meio da imperfeição. Esse é o tecido da vida, o verdadeiro signo do vivente. A arte nada ensina, senão a significação da vida. A grande obra será inveitavelmente obscura, exceto por um punhado de homens, para aqueles que, como o próprio autor, foram iniciados nos mistérios. Uma vez realmente aceita, a arte deixa de sê-lo. Constitui apenas um substituto, uma linguagem simbólica que substitui algo que deverá ser captado diretamente. Mas para que isso seja possível, o homem terá de transformar-se em um ser totalmente religioso e não simplesmente em um crente, em um primeiro motor, em um deus em ato. Inevitavelmente, chegará a sê-lo. E de todos os rodeios ao longo dessa senda, a arte é o mais glorioso, o mais fecundo, o mais instrutivo. Texto escrito pelo controverso escritor norte-americano Henry Miller (1891-1980), extraído da obra O escritor e seu fantasmas (Companhia das Letras, 2003), do escritor argentino Ernesto Sábato. Veja mais aqui e aqui.

RESGATE & CRIOULAI - Sou negra ponto final / devolvo- me a identidade / rasgo minha certidão / sou negra / sem reticências / sem vírgulas sem ausências / sou negra balacobaco / sou negra noite cansaço / sou negra / Ponto final. II - eu sou crioula decente / não sou vil / estou nas cordas / em equilíbrio / de um Brasil / a minha cor apavora / essa raça agride ouvi dizer / não é nos dentes do negro / não é no sexo do negro / é na arte do negro / de viver / melhor dizendo / sobreviver / com essa coisa que arrasta / o tronco que tentam esconder / mas esses troncos existem / no conviver / os troncos estão nas favelas / vejo troncos nas vielas / nas moradias fedidas / nas peles sem esperança / nas enxurradas de não / no jogo das damas e reis / eu me perdi / nas rotas dos estiletes / nas celas e nos engodos / negro carretel de rolo / querem fazer um mundo / marginal crioulo. Poemas da poeta e ativista política atuante no Movimento Negro e no Movimento das Mulheres Negras, Alzira Rufino. Veja mais aqui.

A ARTE DE CYANE PACHECO
A arte da artista plástica e desenhista Cyane Pacheco.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
NUVENS & CÉU DE PALMARES DE LUCIAH LOPEZ
No fim do mundo, um pé de sonhos
que mais parece ser__________um pé de nuvens.
Meu olhar afirma: são penas nuvens!
Meu coração me diz: são os teus sonhos nascendo outra vez.
Poena da poeta, artista visual & blogueira Luciah Lopez
Veja mais aquiaqui, aqui e aqui.

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CINCO TERCETOS DE PALMARES – VITAL CORRÊA DE ARAUJO
Caminho pela tarde imaginária
Descendo de hunos e coivaras.
Das horas perdidas vestígios fumegam
Nas absolutas avenidas da vida não me demoro.
A sombra do Porto (do Recife) se arrastava do cais
E ferros das naves pareciam efêmeros (grilhões).
Ao absurdo cotidiano do homem do mundo
À cata de usuras obesas e salvações vãs.
(Gaia para salvar-se prescindirá da vida humana).
Reino das Águias, 15/05/2014
ADENDO: A ordem é o caos e sintagmas voam pelo meu peito como águias.
Poema extraído da obra Semata (Autor, 2017), do escritor, jornalista, advogado, professor, conferencista e tradutor Vital Corrêa de Araújo. Veja mais aqui.
 

HILDA HILST, HANNAH CRITCHLOW, DANIELLE STEEL & ONILDO ALMEIDA

  Imagem: Acervo ArtLAM .   Fábula hodierna ... - Dois irmãos uterinos, duas irmãs órfãs consanguíneas. Assim: Prometeu brechava fascín...