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quinta-feira, outubro 18, 2018

ORTEGA Y GASSET, NELSON FREIRE, VALÉRIA SOTO, POEMA DA VIDA, COLETIVO 13, CYANE PACHECO & DISCURSO DA PURA RAZÃO


CONVERSA DE ELEITORES – Imagem: arte da artista plástica e ilustradora Valéria Rey Soto - Opa, tudo bem? Hem? Tudo bem? O quê? Como é mesmo seu nome? Ah, Zé Fulano. Muito prazer, sou Zé Beltrano e sou sua salvação. Como? Você é parente do Zé Sicrano? Não. E do Zé Outrano? Também, não. Ah, pois pensei que vocês eram parentes, tão parecidos. Não, não tenho nada com esses seus pariceiros aí, sou Zé Fulano dos Fulanos da Silva. Sim, pois bem, estou aqui para lhe salvar. Como assim? Sou da Igreja da Salvação... Nunca ouvi falar! É uma igreja nova, criada pelo meu pastor que, um dia, quase morrendo afogado num açude cheio de piranhas assassinas, Jesus salvou-lo e determinou que ele salvasse a gente e o mundo todo. Hem? Num brinca. Verdade, o meu pastor é a pessoa mais séria que há no mundo. Tô vendo seus pés... Por ordem de Jesus, o meu pastou me salvou e me deu o poder de Jesus para salvar você também. Vôte! Estou aqui para providenciar o seu batizado. O quê? O seu batizado consiste em você votar nesse candidato aqui nesta eleição. Peraí, mermão, primeiro: sou batizado na igreja do padre Quiba... O padre Quiba também está pedindo votos para este candidato aqui, é um movimento ecumênico em nome deste abençoado de Jesus que governará em nome de Jesus! Eita, peraí, véi, calma aí com o andor, primeiro: que mesmo sendo batizado na igreja do padre Quiba, eu não vou lá desde esse dia e agora estou propenso a me ligar à igreja do Padre Bidião... Ah, isso é o inferno, um vitupério! Jesus mandou-me para salvá-lo! Por isso mesmo eu estou aqui para lhe salvar e é só votar neste candidato que você está praticamente batizado na minha igreja. Nunca vi tão fácil? É obra do senhor Jesus, a salvação da humanidade. Peraí, mostra aí a lata desse teu candidato... É este aqui, pode guardar, está aí com foto e número dele, vamos elegê-lo em nome de Jesus! Você tá doido, tá? Hem? Endoidou, foi? Por quê? Oxe, esse febrento aí é inimigo do povo e matador de gente que só, um coisa que se diz aí de nazis ou facis, coisa assim que nem sei dizer direito, mas sei que pedra ruim que botou pra arrochar nos nordestinos, quer botar pra foder nos gays, quer lascar os pretos nossos irmãos, quer empiorar a vida dos pobres, isso é um repratrás tão miserável que quem for na onda dele vai conhecer o capeta virado na peste! Que é que isso, irmão! Oxe, esse cabra aí é uma granada pronta pra explodir na mão, cheio das metralhadoras e pronto pra mandar pro saco qualquer um que ele ache que tá fazendo careta! Calma, irmão, não é nada isso. Como não? Um dia eu chamei de irmão um da tua laia e ele perguntou se eu era da igreja dele, eu disse que não, e ele disse na minha lata que eu não era irmão dele, que os irmãos dele são só os da igreja e agora, tu com essa cara de marmota, me chama de irmão? Nem lhe conheço e chega todo adiantado, pá daqui, pá dacolá e ainda quer que eu me batize com uma lasqueira dessas? Meu irmão, em nome de Jesus a sua salvação está encaminhada e eu sou o portador para salvá-lo. Olhaqui, véi, eu posso ser analfabeto, mas não sou doido nem burro pra comer capim, meu! Calma, irmão, se você não aceitar a salvação, irá pro inferno queimando pra sempre. Ah, é? Então, vai tomar no toba e vê se acha um prativai gangrenado de asa aí bem ineivado para sentar esse furico aí, meu! Que é que é isso? Vai te lascar, porra! Onde já se viu, ora! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] O homem, cada homem, tem que decidir a cada instante o que vai fazer, o que vai ser no momento seguinte. Essa decisão é intransferível, ninguém pode substituir-me na faina de me decidir, de decidir minha vida. [...].
Trecho extraído das Obras completas – V.12 - Em torno a Galileo (Alianza, 1994), do filósofo e ativista político espanhol José Ortega y Gasset (1883-1955), que em outro volume de suas obras, tratando sobre Los problemas nacionales y la juventude – V.1 (Alianza, 1990), considera que [...] Cada qual faz o que é capaz de fazer, mas sua capacidade depende completamente de sua preparação: isto nos obriga a manter desperta a consciência de nossa solidariedade com as forças e até com os vícios do passado [...], como também na obra La pedagogia social como programa político (Alianza, 1990), expressa que: [...] O problema da pedagogia não é educar o homem exterior, o anthropos, e sim o homem interior, o homem que pensa, sente e quer [...] O pensar é um monólogo e o monólogo não é originário, e sim a imitação de um diálogo, um diálogo de uma só dimensão [...] Socializar o homem é fazer do trabalho uma magnífica tarefa humana, pela cultura, onde a cultura abarca tudo, desde cavar a terra até compor versos [...]. Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da artista plástica e ilustradora Valéria Rey Soto.
Veja mais aqui.

POEMA DA VIDA
Art By LAM

COLETIVO 13 
Arte da artista visual Cyane Pacheco.

AGENDA
Peça teatral Discurso da Pura Razão – 26/10, 20h, Teatro Cinema Apolo – Palmares – PE & muito mais na Agenda aqui.
&
Serra do Quati, Capoeiras, Hermilo Borba Filho, Jessie Boucherett, Luiz Berto, Pintando na Praça & Paulo Profeta, Nelson Freire, Maria Bethânia, Felipe Coelho & Ceumar aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje curta na Rádio Tataritaritatá a música do pianista Nelson Freire interpretando Momoprecoce & Bachianas Brasileiras 4, de Heitor Villa-Lobos, Piano Concerto de Schumann & Concerto nº 2 de Chopin & muito mais nos mais de 2 milhões & 700 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui, aqui e aqui.


segunda-feira, setembro 10, 2018

LEON ELIACHAR, ARLETE NOGUEIRA, LUCIEN SFEZ, RUBEM ALVES, TERESA POESTER, LEOPOLDO MIGUEZ, CASTA DIVA & SUICÍDIO


ARA - Imagem: arte da artista e professora Teresa Poester. - Ara menimanhã vestia domingueira festazul, descalços pés buliçosos brejáguas, pedras e seixos, solfejandeja hunhum futuralgum a fininhavoz: o sertão vai virar mar, o mar virá sertão. Subiávida montemorros, unhas no chão, chãs e capoeiras, tardadentro. Ara, olhora, mimenina noitescuroitão de rodabusões, vigiavestrelas a desenhastros meninices de Deus e aprendescrevendo profundoceanabissais pra singracéus e broterrar o fogamor. Menimoça almandante, crescirrequietas: se soubesse moça das coisas que viriam, não teria passado algum pra contar. Mãos percorrastros sombrestações destinos possíveis aos trovões das primeiras dores. Os seios litorapontavam, a saia cobria morragrestes e canaviais: lembrancorrosivas redesenhentressonhos por mergulhagasalhar faces vagas desfiguradas revoltapresadas, pássaros soltos no quintal pra vê-los cantar livres, um lírio no colo, o cheiro de incenso no vestido. Conheceu os homens ontemanhã, meninos pagãos no silêncio das cidades: poços de angustias, o cruel rigor dos avós e justerras, a riqueza; e aquela velha senhora, atilada e louca, as lições. Nada a temer dos paralelos mundos: a garganta seca e o cascalho das paixões, asas tontas sopravam brasas nas ruas inseguras, as setas envenenadas no ventre e o torrão de espinhos, os diamantes pro extermínio, o trem esmagando o legado nos ombros e abrigos aos ventos, as veias dilatadas no percurso acelerado das cortinas fechadas, cílios travados, menimãmulher: o espelho anoitecera semblantempo, o que pariu não era dela, lamentou a perda com a lição do profeta, enquanto as mãos de menina ardiam em chamas, o que podia fazer daquilo escorrendo em seu desgosto, os filhos e os frutos prontroutras bocas e mãos, nada mais restava, o coração incinerado e o desapego. Nas linhas das mãos o fogo corredor pelos cristais das serras enlutadas e o chão batido no passado, os versavessos com os punhais das tormentas nas palavras destecidas em convulsão, tão vãs no reinado dos abutres e carpideiras, lâminas afiadas atrás dos olhares e veneno entre os dentes, repúdio dos descobrimentos no sepulcro dos seus dias. Agora mãe e mulher, a mentira da fala - uma doença que não era sua, entre escrituras e traços, partituras e silêncios. O filho foi buscar a vida não sabe onde, quem mais por aí, sempre partindo e quase não no declínio dos instantes e o relógio de sol da infância, a névoa e o nada, a ausência acumulada a consumir, porque os desenhos choram seus olhos. Meninanciã, fez suas escolhas e outras tantas, sozinha e estrangeira de si. Atrás da porta todas as portas e a solidão, como se ela não tivesse vivido tudo aquilo no último degrau da vida. Olhontem, não dormia com as ruinas silenciosas do subterrâneo mundo dos mortos, a casa escura de sonhos, carregava antigos apegos e a esperança entre círculos abomináveis. Olhoje, a janela desmanchava a flor e na calçada os dentes da onça banguela, o cansaço dos dedos e a lágrima de gelo traçando nas veias o arremesso ao alvo inabitado, peito nos estranhos presságios da ventania de praças ermas, chora carvão açucarado no sal dos poros, imolação das perdas no ninho das lembranças. E se ausentava, pernas trêmulas no fim do túnel a despir o sentido do fogo crestando as vísceras desde o principio dos dias, a chama desesperada da vida no labirinto dos seus dias. PS: texto-roteiro baseado em Ara ou O livro das Portas, de Cyane Pacheco. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & mais aqui & aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do compositor e músico Leopoldo Miguez (1850-1902): Avè Libertas, Sonata Op. 14, Poema Sinfônico Prometeu & Suíte Antiga Op.45 & mais Sonia Mello, Ricardo Machado, Mazinho & Zé Linaldo, Santanna O Cantador & Auri Viola & muito mais nos mais de 2 milhões & 600 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] o conhecimento de qualquer tipo inicia quando alguém faz uma pergunta a ciência, bem como o conhecimento de qualquer tipo, se inicia quando alguém faz uma pergunta inteligente. A pergunta inteligente é o começo da conversa com a natureza (ou com a sociedade). [...]. Trecho extraído da obra Filosofia da ciência: introdução ao jogo e suas regras (Brasiliense, 1981), do psicanalista, educador, teólogo e escritor Rubem Alves (1933-2014). Veja mais aqui.

TECNOLOGIA DA COMUNICAÇÃO - [...] todas as tecnologias de vanguarda, das biotecnologias à inteligência artificial, do audiovisual ao marketing e à publicidade, enraizam-se num princípio único: a comunicação. Comunicação entre o homem e a natureza (biotecnologia), entre os homens na sociedade (audiovisual e publicidade), entre o homem e seu duplo (a inteligência artificial); comunicação que enaltece o convívio, a proximidade ou mesmo a relação de amizade (friendship) com o computador [...] essas máquinas, essas teorias, essas comunicações, esses ‘Outros’, somos nós que os sustentamos, fazem parte de nós [...] A comunicação é a mensagem que um sujeito emissor envia a um sujeito receptor através de um canal. O conjunto é uma máquina cartesiana concebida com base no modelo de bola de bilhar, cujo andamento e impacto sobre o receptor são sempre calculáveis [...] A comunicação não é mais do que a repetição imperturbável da mesma (tautologia) no silêncio de um sujeito morto, ou surdo-mudo, fechado na sua fortaleza interior (autismo), captado por um grande Todo que engloba e se dissolve até ao menor desses átomos paradoxais. Essa totalidade sem hierarquia, esse autismo tautológico, designo-os eu por tautismo, neologismo que condensa totalidade, autismo e tautologia. A comunicação faz-se assim de si para si mesma, mas de um “si” diluído num todo. Essa comunicação é, pois, a de um não-em-si para um não-em-si mesmo [...] Aplicado à comunicação, esse sistema conduz à confusão total do emissor e do receptor. Num universo em que tudo comunica, sem que se saiba a origem da emissão, sem que se possa determinar quem fala, o mundo técnico ou nós mesmo nesse universo sem hierarquias, senão mesmo confundidas, em que a base é o cume, a comunicação morre por excesso de comunicação e mergulha numa interminável agonia em espirais É a isso que eu chamo de “tautismo”, neologismo contraído de autismo e tautologia, evocando sempre a totalidade e o totalitarismo. [...]. Trechos extraídos da obra Crítica da comunicação (Loyola, 1994), do escritor e professor tunisiano Lucien Sfez. Veja mais aqui.

DEBUTANTE - A discussão começou por causa de uma bobagem: Lucia fazia quinze anos. Estava uma moça, como diziam as visitas que a conheceram pequenina. O grande sonho da mãe é que ela fosse debutante, daí aproximá-la ao máximo dos colunistas pra ver se era citada em jornal. Volta e meia, dava festinhas em casa e convidava um ou dois jornalistas – mas nunca nenhum foi. No dia em que a moça disse que estava namorando um colunista, sua mãe ficou radiante. Todas as noites, lá chegava ele, pontualmente, no seu conversível e buzinava janela adentro. No dia em que não ia, a mãe só faltava morrer: - Vai ver, ele enjoou de você, minha filha. A filha explicava que não era nada disso, que colunista é assim mesmo, tem uma vida atribulada, que o seu estava preparando o próximo baile das debutantes. – Ele convidou você pra debutar? – Até agora, não. Mas veio o dia fatídico. Quando Lúcia deu a noticia em casa, o pai explodiu: - Isso é uma pouca-vergonha. Não quero minha filha metida nesse negocio de society. Falou, falou, falou, por fim cedeu. Um mês depois, Lucia desfilava dentro de um organza branco e sorria feliz para os fotógrafos. O colunista delirava, a mãe chorava, o pai chegou a ficar emocionado. Mas os retratos de Lúcia, nos jornais e nas revistas, haveriam de alterar-lhe a personalidade. Chegaram até a publicar o preço de seu vestido, como se ela fosse candidata de concurso de fantasia do Municipal. Lúcia mudou todinha, dos pés à cabeça: esnobava os pais, esnobava as amiguinhas e chegou até a esnobar o próprio colunista que a lançou. Foi o fim. Seus pais passaram a discutir dia e noite por sua causa: o pai achava que a menina estava perdida, enquanto a mãe defendia a tese de que ser debutante é uma credencial muito importante para o futuro de uma moça. Três meses depois, separaram-se. Foi até um alívio. Mãe e filha passaram a frequentar tudo quanto é coquetel, boate, viver a vida moderna como ela deve ser vivida, sem a interferência de nenhum chato para dar palpite dentro de casa. Agora, o sonho de Lúcia é seu uma das “dez mais elegantes” de outro colunista. Extraído da obra A mulher em flagrante (Círculo do Livro, 1986), do escritor e jornalista Leon Eliachar (1922-1987). Veja mais aqui.

BUSCA MATINAL - Bom, se tu me indicasses / nosso caminho, / como um orvalhado pastor matinal. / Bom, se tu me falasses / de um carinho, / inventado contra todo esse mal. / Bom, se me considerasses / coisa tua, / como quem caminha o mesmo chão. / Bom, se te acostumasses / à mesma rua, / com a fidelidade de um irmão. Poema da poeta Arlete Nogueira da Cruz. Veja mais aqui.

CASTA DIVA
O filme Casta Diva (1954), drama romântico e biográfico dirigido por Carmine Gallone, baseado no primeiro ato a ária Casta Diva, da ópera Norma (1833), do compositor operista italiano Vincenzo Bellini (1801-1835), uma das mais belas melodias de todos os tempos e composta sob inspiração da musa Maddalena Fumaroli, para quem, em 1826, Bellini musica o poema de Alindo Ilisseo, dedicando ao seu primeiro amor e aquela por quem ele chorou. À época o compositor vivia em Nápolis, cenário para uma história de amor comovente que ele protagoniza ao tentar se casar com a loura, elegante e graciosa Maddalena, de quem ele se tornou professor, logo se apaixonando e enfrentado a firme oposição do pai dela, o magistrado Saverio Fumaroli, negando-lhe a mão em casamento. Por duas vezes investiu para casar-se com ela, ambas sob a negativa do pai. Retirou-se para Milão e ao alcançar sucesso, o pai da moça cede, porém, já com a carreira alçando altos voos, se despede da amada e se envolve em outras paixões. A apaixonada morre pouco tempo depois. No filme Maddalena Fumaroli é interpretada por Antonella Lualdi e Bellini pelo ator Maurice Ronet. Entre os amores de Bellini também figuram as mulheres Giuditta Cantú que inspirou a ópera A Sonâmbula (1831), Giuditta Pasta e a prima-dona Maria Malibran, o "diabinho por quem ele havia perdido a cabeça" e o seu último grande amor. Gravaram esta ópera Maria Callas, Joan Sutherland, Montserrat Caballé & Carmen Giannattasio. Veja mais aqui, aqui e aqui.

AGENDA
Prevenção ao Suicídio & muito mais na Agenda aqui.
&
Análise do suicídio aqui
&
CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da professora e artista visual Teresa Poester. 
Veja mais aqui & aqui.
&
Os imprevistos de cada coisa, Alcântara Machado, Todd Solondz, Ansel Adams, a poesia de Paulo José dos Santos, Os campos morfogenéticos de Rupert Sheldrake, A diversidade da vida de Edward Osborne Wilson, Biblioteca Fenelon Barreto, Antonín Dvořák, Felicja Blumental, Paco de Lucía & Fernanda Abreu aqui.


quinta-feira, abril 12, 2018

HENRY MILLER, CHUANG-TZU, GADAMER, SAINT-EXUPÉRY, JENNY SAVILLE, INCLUSÃO, HERBERT GRÖNEMEYER & BETH HART, VITAL CORRÊA DE ARAÚJO & CYANE PACHECO.

DADO ACASO - Imagem: arte da artista plástica & visual Cyane Pacheco. - Para poeta meia palavra resolve: cântico do silêncio. Noite minha, mascara onde debruço o rosto ante lua de próstata impura, onde nem uma folha de estrela na relva do céu acena: quando cismo sobre mim, me entusiasmo sem fim. Quem urde o acaso e a leveza: mentiras inteiras valem mais que meias verdade, a óssea certeza do amanhã já não existe. Sombras voarão para o pássaro: poemas de fim de tarde, cais onde naufragam crenças agonizam a dizer: a torcer o pescoço da eloquência vivem os neopoetas. A ninguém interessa a metáfora retórica, a dizer nada com palavras elevadas, a dizer pouco com altas palavras, a dizer seda com a teia da alma, a dizer sede do desejo e água, leiam-me máscaras estranhas do ao rosto, tudo que o rosto não busque: conflito do desejo com a realidade que o efêmero permanece como palavra; eu escravizo e no ludo nojo jogo, juro que um grito ecoe. Quem a alma jogo com os dados do corpo na mesa deserta – e brinca – do papel. A quem cabe o êxtase dos horizontes, da noturna fonte bem o dia, manhãs esculpindo os olhos dos homens. (Letra-colagem para música sobre poemas de Vital Corrêa de Araújo). © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do músico e ator alemão Herbert Grönemeyer: Mensch live auf schalke, Von Gestern Bis Mensch Live & Live; da cantora, compositora e multi-instrumentista estadunidense Beth Hart: Live NJ, Immortal & The Best; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – Vem alguém à minha propriedade e fala:
"Aqui é muito pobre. Só tem algumas pedras, algumas árvores e algumas cabras". Ele não viu a minha propriedade. Aquilo era só o território. O principal estava invisível. O que faz minha propriedade é aquilo que não se vê e que liga as pedras, as árvores e as cabras e me liga a tudo
. Pensamento do escritor, ilustrador e piloto francês Antoine de Saint-Exupéry (1900 – 1944), Veja mais aqui e aqui.

A COMPREENSÃO & COMPREENDER - [...] a compreensão é sempre um risco e não permite a simples aplicação de um saber geral de regras para o entendimento de enunciados ou textos dados. Além do mais, quando alcançada, a compreensão significa uma interiorização que penetra como um novo experimento no todo de nossa própria experiência espiritual. Compreender é uma aventura e é, como toda aventura, perigoso. [...]. Trecho extraído de A razão na época da ciência (Tempo Brasileiro, 1983), do filósofo alemão Hans-Georg Gadamer (1900-2002). Veja mais aqui.

A VIDA & A MORTE - [...] Todas as nossas palavras estão mortas. A magia está morta. Deus está morto. Os mortos se empilham em torno de nós. Logo vão sufocar os rios, encher os mares, inundar os vales e as planícies. Talvez só no deserto o homem consiga respirar sem se asfixiar com o fedor da morte. Varèse, você me colocou num dilema. [...]. Trecho extraído da obra Pesadelo refrigerado (Francis, 2006), escritor norte-americano Henry Miller (1891-1980). Veja mais aqui e aqui.

A ALEGRIA DOS PEIXES - Chuang Tzu e Hui Tzu / Atravessavam o rio Hao, / Pelo açude. / Disse Chuang: / "Veja como os peixes / Pulam e correm tão livremente: / Isto é a sua felicidade". / Respondeu Hui: / "Desde que você não é um peixe, / Como sabe o que torna os peixes felizes?" / Chuang respondeu: / "Desde que você não é eu, / Como é possível que saiba que eu não sei / O que torna os peixes felizes?" / Hui argumentou: / "Se eu, não sendo você, / Não posso saber o que você sabe, / Daí se conclui que você, / Não sendo peixe, / Não pode saber o que eles sabem". / Disse Chuang: / "Um momento: / Vamos retornar / À pergunta primitiva. / O que você me perguntou foi / ‘Como você sabe / O que torna os peixes felizes?’ / Dos termos da pergunta, / Você sabe, evidentemente, que eu sei / O que torna os peixes felizes.” / "Conheço as alegrias dos peixes no rio / Através de minha própria alegria, à medida  / Que vou caminhando à beira do mesmo rio". Poema do filósofo taoísta chinês do séc. IVaC., Chuang-Tzu.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da pintora britânica Jenny Saville.
Veja mais aqui.


Projeto Acessibilidade na Biblioteca & muito mais na Agenda aqui.
&
O discurso do doutor marca bosta, a escultura de Richard Senoner & a música de Janis Ian aqui.


segunda-feira, abril 02, 2018

BORGES, RICHARD HOGGART, JOSÉ DUDA DO ZUMBI, MARCELO COUTINHO, LEO BROUWER & MARLUI MIRANDA

MOER A ESCURIDÃO - Imagem: arte do poeta, professor, quadrinista, ilustrador e artista visual Marcelo Coutinho. - Os olhos no escuro, a distância de nada existir, acho, apenas a chuva, chiados na noite, o silêncio do resto. Em algum lugar estava, não sei onde, apenas vivo, mais nada. Se havia desembarcado, não havia ninguém, nem sei de onde vim, o que estou fazendo aqui, nem para onde vou. Parecia-me um triz, espaço sem tempo, vórtice paralisado. Na verdade, se era vida ou sonho, ignorava. Sei que um coração pulsava nalgum lugar, vivia-o, isso sim. Não havia simetria, equilíbrio não há, nem podia, harmonizo o caos em mim, noitedia, mortevida, amanhojontem. Era ermo, só restava o delírio de inventar o inexistente com zis perguntas, e entre a vigília e a vertigem nenhuma resposta na insônia do imponderável. Voo ao antes: à face da natureza coberta de trevas. E ouço uma voz perdida, alguém me chama, viro-me e identifico apenas sua silhueta diáfana. Duvido, talvez reinventando a mim mesmo. Giro e ao redor assimilo alguém insinuando falar o incompreensível, como se palíndromos repetidos e quase me levando a entender ser Raar e que sou Arra e não sei de mim, ainda não sou, ou nunca deveria ter sido. Nem sei quem age e quem vê, uma semente germinada, apenas, ou talvez eu-outro, outridade. Esfrego os olhos, quase nada vejo, sinto. Percebo que gesticula mansa e suavemente, fala como um canto, mantras do porvir, parecia, no encontro do incomunicável. Aos poucos sua presença se torna mais nítida, os olhos vivos e ternos, as mãos espalmadas como um convite ao calor do abraço na rosa cálida emergente do seu coração. Hesitantes, titubeamos um pouco até o abraço que me envolveu inteiro. Abraçamos-nos novamente e o seu sorriso amanheceu tudo ao redor. Mostrou-me a Terra escorrendo entre os dedos, o Ar alisando nossas faces, a Água corrente lavando nossos pés, e o Fogo formando um círculo com labaredas saudando o Sol. Estendeu-me uma das mãos sem que lhe distinguisse a voz e deu-me um pergaminho, pareceu-me, à primeira vista, a versão de Alcuíno do livro de Jasher. Passei as vistas e tentei indagar quantas vezes havia acontecido e se repetira? Deu de ombros, pouco importa, nem sei se entendeu o que eu disse. Alma e ser desnudos, recitava repetidamente: arra olo raar, raar olo arra, arraraar. E no abraço, a vida. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do violonista, compositor e regente da Orquestra de Cuba, Leo Brouwer: La obra guitarristica 1 e 3 & de Bach aos Beatles; da compositora, cantora e pesquisadora da cultura indígena brasileira, Marlui Miranda: IHU Todos os sons, Fala de bicho, fala de gente & Rio acima; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – Fui moço, hoje estou velho! / Pois o tempo tudo muda! / Já fui um dos cantadores / chamado Deus nos acuda... / Este que estão vendo aqui / foi Zé Duda do Zumbi! / Hoje Zumbi do Zé Duda! Poema de sete pés do poeta popular segipano, Mestre José Duda do Zumbi (José Galdino da Silva Duda – 1866-1931).

VIDA REAL & COISAS DE HOJE EM DIA - [...] O fato de tudo isto não ter ainda exercido um efeito mais deplorável sobre a vida das pessoas deve-se à capacidade que elas têm de viver em compartimentos estanques — e é este um dos pontos que sublinho no meu ensaio - de manter uma separação entre a vida do lar e a vida exterior, entre a vida ‘real’ e a vida no mundo das diversões. ‘Faz-nos pensar noutras coisas’; ‘Distrai, é uma diversão’. Enquanto se distraem com essas coisas, as pessoas podem identificar-se com elas; mas no fundo sabem que não são coisas ‘reais’; a vida ‘real’ é outra coisa [...] Esta dieta regular, constante e quase exclusiva de sensacionalismo incorpóreo contribui para que aqueles que a consomem se tornem incapazes de encarar a vida de frente e de forma responsável, e ainda para despertar nos leitores a sensação de que a vida não tem qualquer objetivo, para além da satisfação de alguns apetites imediatos. Essas almas que não tiveram oportunidade para desabrochar continuarão fechadas, viradas para dentro, olhando ‘com olhos vazios, semelhantes a janelas escancaradas’ para um mundo que é em grande medida uma fantasmagoria de espetáculos transitórios e de estímulos falsificados. O fato de não ser essa hoje em dia a situação de todos os membros das classes trabalhadoras, deve-se à capacidade de resistência que caracteriza o espírito humano; resistência no sentido do reconhecimento de que há outras coisas que são importantes e que contam, se bem que esse sentimento nem sempre seja consciente [...] Trechos extraídos da obra As utilizações da cultura: aspectos da vida da classe trabalhadora, com especiais referenciais a publicações e divertimentos – Vol. 2 (Presença, 1973), do sociólogo e crítico literário britânico Richard Hoggart (1918-2014).

AS RUÍNAS CIRCULARES – [...] No sonho do homem que sonhava, o sonhado despertou. [...]. Em geral, eram-lhe felizes os dias; ao fechar os olhos pensava: Agora estarei com meu filho. Ou, mais raramente: O filhe que gerei me espera e não existirá se eu não for. [...] Percebia com certa palidez os sons e formas do universo: o filho ausente se nutria dessas diminuições de sua alma. O proposito de sua vida fora atingido; o homem persistiu numa espécie de êxtase. [...] Temeu que seu filho meditasse nesse privilégio anormal e descobrisse de alguma maneira sua condição de mero simulacro. Não ser um homem, ser a projeção do sonho de outro homem, que humilhação incomparável, que vertigem! A todo pai interessam os filhos que procriou (que permitiu) numa simples confusão ou felicidade; é natural que o mago temesse pelo futuro daquele filho, pensado estranha por estranha e traço por traço, em mil e umas noites secretas. [...] Caminhou contra as línguas de fogo. Estas não morderam sua carne, estas o acariciaram, e o inundaram sem calor e sem combustão. Com alívio, com humilhação, com terror, compreendeu que ele também era uma aparência, que outro o estava sonhando. Trechos de As ruinas circulares, extraído de Ficções (Globo, 1976), do escritor, tradutor, crítico literário e ensaísta argentino Jorge Luis Borges (1899-1986). Veja mais aqui.

ELE MOIA A ESCURIDÃO – [...] Arra olo raar - arra. pron. pess. da 1ª pessoa singular. 1. algo de funcionamento intenso destinado a reter e reconduzir as várias retenções e reconduções vindas de outros algos. 2. algo que balbucia através de outro algo que também balbucia. 3. algo que é fruto de uma matriz perdida, e que, por sua vez, será uma matriz perdida para outro algo. [...] olo. prep. 1. Partícula gramatical usada para pôr em movimento de devir palavras e outros fragmentos da língua. Quando juntas a esta preposição, verbos, adjetivos, pronomes, adverbios passam a ter seus sentidos desfeitos para tornarem-se, junto com o que se unem, uma terceira coisa. 2. Para além de um elemento conectivo puro, olo destitui de sentido particular os termos gramaticais envolvidos em uma sentença para fazer surgir uma terceiro sentido. Diz-se p. ex. “arra olo raar”, “mavio olo africo”, etc. [...] raar. pron. pess. da 2ª pessoa singular. 1. Enodamento fibroso geralmente momentâneo, cujas inúmeras fibras organizam-se em forma de bola, postado um palmo abaixo do pescoço, mais precisamente entre os dois mamilos. Este enodamento ganha a forma de inúmeros brotos que estendem-se por entre os membros, cabeça, nuca e genitália, ultrapassando a epiderme em busca de floração. 2. Elemento que instaura a ligação orgânica entre duas temporalidades, lançando sobre a presente uma suspensão e sobre a futura um chamado inexato. [...] 13.12.2002 – Acredito que a arte não pode tomar o lugar de centro organizador da vida de uma pessoa. Acho, ao contrário, que o centro deve ser a vida. Ou ainda, usando o infinitivo, o viver. E nas periferias, orbitando em torno do viver, o resto. Esta centralidade da arte me incomoda muito. Acho, por exemplo, que as relações humanas são muito mais importantes do que uma obra de arte. [...]. Trechos extraídos de Ele moía a escuridão (Santander Cultural, 2012), da exposição realizada entre 15 de agosto a 30 de setembro de 2012, do poeta, professor, quadrinista, ilustrador e artista visual Marcelo Coutinho.

A ARTE DE MARCELO COUTINHO
A arte do do poeta, professor, quadrinista, ilustrador e artista visual Marcelo Coutinho, que trabalha com várias linguagens, de performance à instalações e intervenções em paisagens. É autor de Antão, O Insone (Documento Areal/Zouk, 2008) e Isso (Documento Areal/Confraria do Vento, 2016). As imagens foram extraídas da exposição Ele moía a escuridão (Santander Cultural, 2012).

  


CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da artista plástica & visucal Cyane Pacheco. Veja mais aqui & aqui & muito mais na Agenda aqui.
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O Doro e a maldição do Pinóquio, a literatura de Nikolai Gogol, a música de Tori Amos & Gracy Gausmann, a arte de Georges Lévis & a pintura de Roberto Ferri aqui.

quinta-feira, março 15, 2018

DERRIDA, SARTRE, PONTOPPIDAN, HEINE, OSWALDO MONTENEGRO & FERNANDA CANAUD, MARCUS ACCIOLY, CYANE PACHECO & BANDO DE MÔNADAS



BANDO DE MÔNADAS - Imagem: arte da artista plástica & visual Cyane Pacheco. - O poema e sete verdades, o lance do destino. Sou apenas palavras em ordem secreta, ao sopro do barro, aos olhos ávidos dos vivos. O reconhecimento da cumplicidade é o começo da inocência. O reconhecimento da necessidade é o começo da liberdade. O poema é um mundo enterrado num homem. Em mim lavra safra de murmúrios. A palavra por nossas veias trânsito da alma. Quanto mais estrelas, mais céu noturno. Quanto mais tempo, mais eternidade. O terceiro poema, caligrafia de sombras, parvo e torpe itinerário, sombra que enardece até a incandescência. O intérprete dentro do poema não é pranto de coração, nem turbilhão incontido de emoção rimada: o belvedere do significante mira o significado. Eis a moça que passa na manhã revelada, rompem-se os véus da volúpia. Eis a moça que passa ao largo do sonho. Quando ela passa me habita de silêncio, grassam ternuras espessas. Eis a moça e estridente desejo com seios estrelados, rosa dos mamilos para o pomar das mãos, último refugio da lascívia pura. Vivo amor sem treva ou tortura, à sublime leveza da nudez feminina, à folha ou falha da erva atapeta o púbis da menina, deixe apenas o poema debruçar-te sobre ti, deixando rastros de aromas, pira de perfumes, rendas de narinas. Eis a moça que cessa seu encanto noturno, refugio-me nos punhais acesos da solidão, dores de ouro e prata nos ermos intrincados da alma nas furiosas veredas das horas. Eu não sei onde quando aos erros te levaram, moendas do tempo leva à completa embriaguez verbal. À longa e grata satisfação do abismo e do adjetivo, ao eterno trabalho do pó, ao inútil trabalho dos lírios, estranho tornado de aromas. Eis cortejo doloroso de cinzas rosas no páramo, eis cinzas dos sonhos, que a vida ferina em coivaras tornou correndo a última rua do mundo, que buscas peregrino da aurora cavalgando ginetes de estrelas por estradas que a luz avassala. Busco o rosto que Narciso toldou com seu orgulho e espelhos para mirar-te jóias suspensas dum escrínio azul. Há lágrimas magnólias caindo do ramalhete dos olhos, do jardim do rosto despencado. O poema surge e ressurge. O poema acontece. Acontece, súbito relâmpago, voragem que escurece o jugo das palavras, incorpora-se à paisagem do tempo como a lava do vulcão à geografia do olho, encarna-se na passagem do fruto como a boca no mundo, emerge dado, acontecido, fato de palavras construído, o trama do inverso vertido para temperar metáforas, alicates metonímicos. O poema ergue-se de um reservatório de escombros, a essencia nua do trovar escuro não é a recolha de uma messe de letras de uma legião de dores. Poetas sucumbem ou se salvam. Vem a poesia ao poema em fragmentos de mundos, sob tempestades ou calmaria de palavras, da água para naufrágios, da ira para deserdados, de dor para os desamados, tudo para nada, sêmen e fuga, sete poemas sem causa, as mônadas dos sábados. Exortação ao leitor: faça alguma coisa, não deixe cair da mão esquerda a bandeira esfarrapada do poema, a vida não é digna dos incautos. Troque ócio pelo verso, rima por vício, cure com poesia enfermidade do tédio, sal da luz, a tona da verdade. (Letra-colagem para música sobre o poema Bando de mônadas, de Vital Corrêa de Araújo). © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

A ARTE DE CYANE PACHECO
A arte da artista plástica & visual Cyane Pacheco. Veja mais aqui e aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do cantor e compositor Oswaldo Montenegro: Ao vivo 25 anos, 3x4 & Escondido no tempo; a pianista e compositora Fernanda Chaves Canaud: Radamés Gnatali, Lua Branca de Chiquinha Gonzaga & Coração que sente de Ernesto Nazareth; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Ser poeta é saber abandonar a palavra. Deixá-la falar sozinha, o que só pode fazer escrevendo. [...]. Pensamento extraído da obra A escritura e a diferença (Perspectiva, 1971), do filósofo francês Jacques Derrida (1930-2004). Veja mais aqui.

A LITERATURA - [...] Um grito de dor é sinal da dor que o provoca. Mas um canto de dor é ao mesmo tempo a própria dor e uma outra coisa que não a dor. Ou, se se quiser adotar o vocabulário existencialista, é uma dor que não existe mais, é uma dor que é [...]. Não porque o artista tenha paixões mais ricas ou mais variadas, mas porque suas paixões, que talvez estejam na origem do tema inventado, ao se incorporarem às notas, sofreram uma transubstanciação [...]. Trechos extraídos da obra Que é literatura? (Ática, 1989), do filósofo, dramaturgo e escritor francês Jean-Paul Sartre (1905-1986). Veja mais aqui.

AMOR DE MOCIDADE – [...] Se procurava tornar-ser bonita, não era para Jesper. Cada vez que eu pronunciava o nome do noivo, uma sombra passava pelo seu rosto. Era outro, um adventício, que conquistara seu coração e dava ao seu olhar um curioso brilho vacilante. Desde algum, ela adquirira uma atitude um pouco misteriosa, e sucedia-lje, se a contrariavam, ter verdadeiras crises de cólera. Era má, principalmente com Jesper. Uma noite em que ele quisera colocá-la à forçã sobre os seus joelhos, ela mordera-lhe fortemente o rosto. Eu tentava como sempre interrogá-la para desvendar seu segredo; mas desta vez nada me foi possível obter. Ela bancava a ingênua e respondia com gestos evasivos às minhas perguntas. Sondei a mãe, pensando que talvez soubesse alguma coisa: falou-me de um moço que “ficou por aqui toda uma tarde, para tomar uma xícara de café”; mas não pude obter nenhuma informação precisa, nenhuma explicação concreta. Eu pensava com ionquietude o que sucederia a Jesper surpreendesse um dia Martha com um estranho. Sabia que ele continuava a montar guarda nas vizinhanças do albergue, munido de um grosso bordão. Martha, de uma gaveta da cômoda, tirou roupa limpa, meias, um lenço, ao mesmo tempo que um laço de veludo negro com um medalhão âmbar, e pôs tudo sobre uma cadeira, junto ao espelho. Sem perceber, cantarolava uma canção, enquanto prendia os cabelos, punha as ligas e dava o laço nos sapatos. Um belo jovem caminhava nos bosques, sorriso nos lábios, alegria no olhar. De subido, lembrou-se que também havia na gaveta os antigos brincos de prata de sua mãe. Havendo calçado apenas uma das meias, aproximou-se saltitando da cômoda, e experimentou-os. Voltava a cabeça para um lado e outro, diante do espelho, após o que teve um gesto de satisfação. Uma donzela se aproximou timidamente, os olhos baixos. Havia nesses pedaços de canção alguma coisa que despertou minha curiosidade. Não pertenciam às nossas habituais canções. Entretanto, eu tinha a impressão de conhecer as palavras. [...]. Trecho extraído de O urso polar e outras novelas (Delta, 1963), do escritor dinamarquês Henrik Pontoppidan (1857-1943), Prêmio Nobel de Literatura de 1917.

POEMA – Vem, linda peixeirinha, / Trégua aos anzóis e aos remos. /Senta-te aqui comigo, / Mãos dadas conversemos. / Inclina a cabecinha / E não temas assim: / Não te fias do oceano? / Pois fia-te de mim. / Minh’alma, como o oceano, / Tem tufões, correntezas, / E muitas lindas pérolas / Jazem nas profundezas. Poema do poeta romântico alemão Heinrich Heine (1797 – 1856). Veja mais aqui e aqui.

A poesia de Rogério Generoso,
Viva Marcus Accioly (1943-2017) na APLE & muito mais na Agenda aqui.
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Pelos caminhos da vida, a Lenda dos Índios Tembé, a música de Benedicto Lacerda - Benê, a arte de Alessandro Biffignandi, a fotografia de Diane Arbus, Ligia Scholze Borges Tomarchio, a pintura de Clodomiro Amazonas & Ferdinand Hodler aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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RAQUEL VARELA, OMAIMA AL-KHAMIS, OLIVE SENIOR & SANDRA RIBEIRO

  Imagem: Contornos da ubiquidade , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Ressaca aluada de panacei...