domingo, dezembro 23, 2012

GUY GAVRIEL KAY, HALL, BREGENDAHL, RICARDO MIRÓ, GRIMAUD, GINOFAGIA & LITERÓTICA

GINOFAGIA: I - AMBIÇÃO - O relógio. O beijo e seu contágio: o desejo. Revejo ontens, prevejo manhãs, dias. Toda orgia, teréns, Teerãs. Corpos expostos. Somos nós sem rostos, sem pudor. Valendo o amor dos inominados, endemoninhados nos ventres alados, insaciáveis. E que se entregam amáveis, felizes com seus atos condenáveis feito meretrizes com seus machos, no meio de trizes e esculachos mútuos, sem tudo a ver, revolutos, provocando circuitos por puro prazer de transgredir os limites, como reais pedintes em ação, com toda transgressão sexual, toda felação no plural, toda danação, toda ambição canibal tecendo o querer pra ser muito mais que barato de estupefato animal de estimação com um pássaro na mão e ela voando à vela, eu viajando nela qual furacão que devasta sua compleição para nos satisfazer na paixão. II – CONSOLO - Quando ela me encara, linda, bela, deusa seminua, quando sussurra mansinho: sou tua! Tudo é festa no meu coração. É pra lá de bão. É quando ela me faz seu consolo, seu predileto bolo, seu saboroso pirão. Aí eu solto rojão pra que ela se molhe linda Lara Flynn Boyle só sedução. Maior perdição, sou só bola ao cesto com todos os poderes de Grayscow da minha possessão. Ela é minha salvação, a pedra de Esmeralda na verdadeira estrada da comunhão. Ela é minha oração, a pedra filosofal. A virgem vestal da minha celebração. E é meu verão, minhas poesias, meus versos, ela Marie Curie, eu Paracelsus, no fervor da paixão. Minha maior oração na nossa fantasia além da alquimia, além de Plutão, além do que tudo então o nosso convênio na paz dos essênios, no amor eterno temporão. III - ALVOROÇO - Quando essa menina se volta felina e apronta outra vez, como sou seu freguês badala 12 horas. Dá prumo e é agora: doze vezes enlaçado, doze vezes amarrado pro seu capricho. É quando eu viro bicho doze vezes encarnado, doze vezes atrepado pronto pro ataque. Ela finge no baque e começa o festim, efígie querubim nua e descalça, pronta pra valsa, ciranda, cirandar. Ela me faz o seu par com beijos esmeraldas numa dança sagrada em meu corpo fadado. Sacode de lado, ajeita e desajeita, mais se espreme, mais se estreita, ela faz vulto. Aí que emerge o tumulto vergando seu dengo. Virando com jeitos, levando no peito e na raça. É quando possessa, com graça, quer que apareça quebrando a vidraça. E me sacaneia. Ainda esperneia e tudo se escancara. Ela enche a cara fica bicada, leva a minha picada, festa no meu sabugo. Ela não dá refugo nas pernas bambas. Ela quer mais samba embaixo do chuveiro – maior suadeiro! Eu me aproveitando. Tudo se esborrando doze vezes profanada, de restar estirada e ainda me colhe e tudo recolhe, doze vezes vingada com todas as honras, doze vezes aclamada no maior fausto, evento tão lauto, pra filha de rei. Seu querer é lei. E cavo sua terra, quanto mais ela berra, eu revolvo arando e sua carne azarando pra abafar o estrondo. Só resta os escombros dela ficar louca, de findar quase rouca de gritar que quer mais. É muito demais, sacudida de gestos, esfolando seus restos, me arranhando as costas, recolhendo as postas do que restou de mim. E não tem mais fim, mais furto, mais roubo, mais sigo no arroubo, dela se sacudir. E sem ter pronde ir, ela tem minha tocha que mais firme se arrocha como seu corcel alado. É quando o bocado ela chega ao demais, ela goza até a paz de arrear debruçada sobre o meu cajado. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui, aquiaqui.

 
 

DITOS & DESDITOSO país é a memória… Pedaços de vida envolto em pedaços de amor ou dor; a palma farfalhando, música conhecida, o jardim e sem flores, sem folhas, sem vegetação. Oh tão pequena que você caber toda todo país sob a sombra da nossa bandeira: talvez você era tão jovem para que eu pudesse tomar em toda parte dentro do coração! Pensamento do escritor panamenho Ricardo Miró (1883-1940).

 

ALGUÉM FALOU: A música não vive até que seja interpretada - com todas as suas falhas, maneirismos, etc. Ela precisa ser encarnada para ser algo... Não podemos subestimar o poder das diferentes formas de arte e as correspondências entre elas, que são uma fonte inesgotável de inspiração e enriquecimento. Pensamento da pianista, escritora e ativista francesa Hélène Grimaud. Veja mais aqui,

 

IDENTIDADE CULTURAL[...] o tempo e o espaço são as coordenadas básicas de todos os sistemas de representação. Todo meio de representação – escrita, pintura, desenho, fotografia, simbolização através da arte ou dos sistemas de telecomunicação – deve traduzir seu objeto em dimensões espaciais e temporais. [...]. Trecho extraído da obra A identidade cultural na pós-modernidade (DP&A, 2005), do teórico cultural e sociólogo jamaicano Stuart Hall (1932-2014). Veja mais aqui e aqui.

 

A COMÉDIA DE DEUS – Este é o segundo filme da trilogia realizada pelo cineasta João César Monteiro, iniciada com Recordações da Casa Amarela, depois por esta A Comédia de Deus e, por fim, com As Bodas de Deus. Essa trilogia explora por meio de repetidas referências autobiográficas e estilo sarcástico com humor mal humorado, a personagem de Deus, o protagonista, encarnado num bem humano pobre diabo. Trata-se de uma caricatura de alguém menos virtuoso que vicioso, autor e ator de inqualificáveis comédias num mundo hipócrita, com abundantes referências literárias, artísticas e filosóficas. Veja mais aqui e aqui.

 

A NOITE DOS MORTOS - [...] Quanto mais sombrias as perspectivas e mais difícil era ter esperança, mais firmemente eles agarravam a esperança quando ela surgia... [...] Ah, sim — poderia realmente ser dito que as pessoas que não tinham esperança em seus corações estavam vivas? Sina achava que não. Bem, é claro que eles ‘correram’, como ela expressou; eles poderiam fazer isso bem; mas, na verdade, o que Sina chamava de vida — que ela achava que não se encontrava naqueles que não tinham nada a esperar. Esta foi a opinião de Clever Sina sobre o assunto. [...]. Trechos extraídos da obra En Dødsnat (Softcover, 1912-2012), da escritora dinamarquesa Marie Bregendahl (1867-1940), um romance autobiográfico que descreve a morte da esposa de um fazendeiro no parto, vista pelos olhos do grande grupo de crianças, especialmente a filha mais velha de doze anos. O livro era incomum para a época por descrever de forma totalmente não sentimental as mudanças de humor e sentimentos entre os parentes do moribundo, mesmo vistos exclusivamente do ponto de vista das mulheres participantes, de modo que os homens do romance, incluindo o marido, só aparecem como extras.

 

GUINEVERE EM ALMESBURYAs senhoras encapuzadas aqui são maravilhosamente gentis. / Eles têm sido gentis desde o dia em / que cheguei, e ainda mais desde a noite em que / um mensageiro veio cavalgando pela chuva / para dizer que o rei estava morto. / Eles me trouxeram tesouras e assistiram / em silêncio enquanto eu destruí meu cabelo. / Um falcão circulando gritou uma vez e voou / para as árvores. Alguém vai acreditar / nos próximos dias o quanto eu amei meu marido? / Fiquei acordado naquela noite sob / as folhas pingando, depois sob as estrelas silenciosas / que surgiram depois que a chuva passou. / O jardim aqui tem flores de tons suaves / e árvores de folhas grandes para sombra. / De manhã e ao entardecer, os pássaros cantam / pelo ar uma doce música. / Estou aprendendo a viver sem desejo. / Quando Lancelot veio aqui da França / para ser o falcão de caça para a mão de Arthur, / eu me vi me apaixonando / e me deitei à noite escondendo isso. / Aprendi. Eu coloquei uma espada nua / ao longo de minha mente para impedi-lo de meu centro, / sorrindo com toda a devida cortesia / para ele, como para qualquer homem na corte. / até que fomos levados a ficar / sozinhos uma vez. Fui feito para ver sua própria máscara / desmoronar, expondo a dor brilhante por trás. / Eu não podia me esconder disso. / Não havia lugar para se esconder. / Fui trazido para outra vida / e comecei a viver com tristeza, / pois Arthur sabia. Ele me conhecia como conhecia / cada estrela que girava como / ponteiros para o norte. Ouvi o silêncio / de sua alma ao meu lado no escuro / e sua paciência partiu / meu coração, pois eu o amava. / Alguém acreditará, nos próximos dias, / quantos? Eu amei os dois. / Para o meu cabelo, agora cortado e esfarrapado, / toda aquela aspiração brilhante / foi separada e enviada para a guerra. / Estou aprendendo a viver com isso. / Pensei em morrer mais de uma vez. / A última vez, na noite em que Arthur morreu. / Não Desde. Não podemos ser outros do / que somos. Eu amei dois homens. Um reino / quebrou por isso. Algo caiu que era uma estrela. / Não podemos ser outros do que somos. / Eu nunca sonho com um deles sozinho. / Eu os vejo em um caminho de floresta, / cavalgando juntos. Folhas de outono / manchadas, um sol oblíquo recém-nascido. / Ou na batalha lado a lado / com espadas ensanguentadas, / no duro norte. Ou conversando / uma noite de inverno ao lado de uma fogueira / em um reino que não caiu. / Nesses sonhos eu nunca estive em Camelot. / Essa dor é a pior de todas. / Essas imagens me acordam, tremendo, / precisando de conforto, sabendo que não há nada, / exceto por isso: não são verdadeiras. / Nem sempre os sonhos são verdadeiros. / Foi por mim, foi por mim, / foi por amor a mim que Camelot / tornou-se o que era antes. / Sem Guinevere, não há nada lá. / E o que deixo fazer, deixo destruir. / Eu vou morrer algum dia. Eu amei os dois. Poema do escritor canadense Guy Gavriel Kay.

 

PROGRAMA DOMINGO ROMÂNTICO – O programa Domingo Romântico que vai ao ar todos os domingos, a partir das 10hs (horário de Brasilia), é comandado pela poeta e radialista Meimei Corrêa na Rádio Cidade, em Minas Gerais. Confira a programação deste domingo aqui. Na edição deste 23/12 do programa Domingo Romântico, apresentação da radialista e poeta Meimei Correa e produção de Luiz Alberto Machado, conta na sua programação as atrações: Charles Chaplin, Altamiro Carrilho, Elomar Figueira, Paco de Lucía, Olívia Byington, Gregório de Matos Guerra, Yes, Milton Nascimento, Joyce, Fatima Guedes, Edith Piaf, Maria Bethania, João Bosco, Emerson, Lake & Palmer, Ivan Lins, Simone, Caetano Veloso, Peter Gabriel, Chico Buarque, Ana Maria Machado, Norah Jones, Sonia Mello, Tavito, Rosa Pena, Candy Saad, Artur Gomes, Sandra Fayad, Soninha Porto, Sonekka, Cazuza, Claudia Raia, Rosa Maria Collin, Santanna o Cantador, Marco Villane & Edu Capelo, Lelo Praxedes, Zé Ripe, Cantor Pitanga, Jorge Medeiros, Renata Arruda, Engenheiros do Hawaii, Ricky Martin, Celine Dion, tudo isso muito mais!! Veja mais aqui.

Para conferir é só clicar aqui e depois em Reproduzir Tudo. E veja outras edições do programa aqui.




Veja mais sobre:
Crônica de amor por ela aqui.
Ginofagia aqui, aqui e aqui

E mais:
O presente na festa do amor aqui.
Primeiro encontro, a entrega quente no frio da noite aqui.
Primeiro encontro: o vôo da língua no universo do gozo aqui.
Ao redor da pira onde queima o amor aqui.
Por você aqui.
Moto perpétuo aqui.
O uivo da loba aqui.
Ária da danação aqui.
Possessão Insana aqui.
Vade-mécum – enquirídio: um preâmbulo para o amor aqui.
Eu & ela no Jeju Loveland aqui.
O flagelo: Na volta do disse-me-disse, cada um que proteja seus guardados aqui.
Big Shit Bôbras aqui.
A chupóloga papa-jerimum aqui.
Educação Ambiental aqui.
Aprender a aprender aqui.
Crença: pelo direito de viver e deixar viver aqui.
É pra ela: todo dia é dia da mulher aqui.
A professora, Henrik Ibsen, Lenine, Marvin Minsky, Columbina, Jean-Jacques Beineix, Valentina Sauca, Carlos Leão, A sociedade da Mente & A lenda do mel aqui.
Educação no Brasil & Ensino Fundamental aqui.
Bolero, John Updike, Nelson Rodrigues, Trio Images, Frederico Barbosa, Roberto Calasso, Irma Álvarez, Norman Engel & Aecio Kauffmann aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: 
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.


NATALIE GOLDBERG, ANA MARÍA RODAS, HELEIETH SAFFIOTI, HOMENS & CARANGUEJOS

    Imagem: Acervo ArtLAM. Ao som da Fantasia Sul América para violino solo (2022), do compositor Cláudio Santoro; do Canto dos Aroe (20...