terça-feira, janeiro 22, 2008

A TRUPE DO FECAMEPA



A TRUPE DO FECAMEPA


Gente, pela primeira vez em mais de 500 anos de camuflagens & presepadas, a trupe do FECAMEPA que, com certeza, sai todo ano e ninguém se dá conta do estrupício e do vitupério, este ano sai do armário e promete botar para quebrar nas principais avenidas carnavalescas do país.
Vai bombar, eu sei, mesmo porque o bando de trupe não tem nada e vai mostrar o poder de fogo da maior agremiação que faz deste Brasilzão a maior baderna do planeta. Pois é, perto dessa cambada qualquer escola de samba de gabarito é uma verdadeira pechincha.
O enredo traz a odisséia dos privilegiados tupiniquins, com o tema “Se existe futuro não verás país nenhum!”, onde são contadas pormenorizadamente as 507 bancarrotas por segundo vezes milhares de golpes com todas as peripécias e falcatruas dos sabidos que chegaram lá e só se deram ao trabalho de virar urubu em cima da carniça, prometendo mundos e fundos no maior engodo de todos os tempos.
Na comissão de frente, com toda soberba e vestidos a rigor está o Cabral fantasiado de Carmen Miranda com todo o séqüito de peros esfomeados e seus sicários, ladravazes, clérigos e outros facínoras apenados da patifaria de pior índole. Eles vão entoando o fado “Erramos o alvo, mas acertamos na botija, pá” sob o maior apupo da galera.
A segunda ala vem ao ritmo dos caboclinhos (o mesmo baticum usado por Djavan na sua música “Sina”), os índios nus e estropiados com pinturas e marcha de guerra, índias fogosas rebolando aprisionadas e os jesuítas moribundos com uma imagem imensa do bispo Sardinha gritando: “Não foram eles, não foram eles, é mentira!”.
A terceira ala traz o desfile dos negros acorrentados aos tombos com os seus tambores e alaridos, sob a imagem altissonante de Zumbi com a inscrição: “Liberdade pra sempre, Palmares”.
A quarta ala traz os açucarocratas barrigudos e vencedores enrolões, carregando uma imensa alegoria do maior símbolo dos mamoeiros: uma usina de cana-de-açúcar. Eles expõem os aditivos e refinanciamentos impagáveis dos contratos rurais, a substituição dos escravos por andorinhas humanas e a cara lisa da isonomia do preço do álcool com a gasolina. Ih!
Na ala seguinte, os holandeses capitaneados por Nassau com uma alegoria “Não acreditaram em mim, agora é tarde!”, expondo a laranja mecânica do carrossel de Johan Cruijff e seu exército batavo composto por Marco van Basten, Dennis Bergkamp, Ruud Gullit, Patrick Kluivert, Ronald Koeman, Frank Rijkaard, Clarence Seedorf, Ruud van Nistelrooy, dentre outros fregueses desde 74.
Depois a outra ala, a dos mineiros aluados depois que surrupiaram todas as minas, agora só com todos os ouropéis restantes dos gerais, as vísceras de Tiradentes e os poemas dos Inconfidentes, cantando “Ó Minas Gerais, Ó Minas Gerais, Quem te conhece não esquece jamais, Ó Minas Gerais”.
Na ala logo a seguir, D. João VI acompanhado de Carlota Joaquina e toda a corte de larápios suntuosos e refinados fugindo de Napoleão, abrindo os portos e afanando todas as pilas no solfejo: “Nós amamos o Banco do Brasil!”. No meio da súcia, D. Pedro I com a espada empunhada aos berros: “Independência ou morte!” ao som de “(...) Brava gente brasileira! Longe vá temor servil Ou ficar a Pátria livre Ou morrer pelo Brasil; Ou ficar a Pátria livre, Ou morrer pelo Brasil”. Depois D. Pedro II se escafedendo ao som de O Guarani de Carlos Gomes e com quase todos os lusos com os pés na bunda.
Engatados nessa malta, os barões do café com a União Democrática Ruralista – UDR, desfilando toda prepotência dos bandeirantes que desbravaram e foderam a alma de muito ser vivente. E ainda acham pouco.
Logo atrás a turma da República com os cavalos-batizados dos marechais e seus lambecus, os positivistas e os maçons entoando disfarçadamente o estribilho: “(...) Liberdade! Liberdade! Abre as asas sobre nós! Das lutas na tempestade Dá que ouçamos tua voz!”
A ala seguinte traz o Estado Novo de Getúlio Vargas com os militares, os gritos da Semana de Arte de 22, as arengas dos pioneiros da Educação e misturando tudo daqui com fascismo, populismo e reforma com base na Carta Del Lavoro.
Depois muitas turbulências, relâmpagos, trovões até aparecer Juscelino Kubitschek sob uma chuva de confetes e serpentinas, carregado pela turma da Bossa-Nova, do Cinema-Novo, da coisa nova quer era “50 anos em 5”. Depois dele, Jânio Quadros varrendo todo lixo pra sua casa e dando palmada nas bundinhas dos biquinis. E, logo após, Jango fugindo dos militares do golpe num pega-pra-capar com o lema “Liberdade jamais”.
Ao som do “O bêbado e a equilibrista”, da dupla Bosco & Aldir, das bandeiras do Pasquim, dos desenhos do Henfil, das músicas do Chico e de muita esperança adiada, vem a ala da redemocratização disfarçada na posse que não houve de Tancredo, aos planos furados do Sarney e muita maracutaia nos balaios de gato. Era a Nova República, “um sorvete em pleno sol”.
Na penúltima ala, lá vem FHC feito um inseticida vencido com pinta de estadista, puxando, por uma mão, as orelhas de Fernando Collor e, pela outra, os colhões de Itamar Franco. Ele passa acompanhado por todos os asseclas em cima do muro da Social Democracia, das privatizações, das flexibilizações e das enrolações para a venda do país.
Por fim, a última ala com os olhões dos excluídos, miseráveis e assalariados esbugalhados com o aceno de Lula & Mariza a bordo do laerolula, com uma flâmula onde há uma paráfrase de O Corvo de Edgar Allan Poe: “O Brasil, nunca mais!”.
É hora de entoar o “Descobrimento do Brasil” de Gonzaguinha & Ivan Lins, né não? O que resta, então? Viva o carnaval! Se dirigir, não beba; se beber, me chame que a gente toma uma de estuporar tudo da sexta até a quarta-feira de cinzas. E vamos aprumar a conversa, gente! E tataritaritatá!!!

© Luiz Alberto Machado. Direitos reservados.
 
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