Blue on blue, arte by Jane Goodwin.

PENSAMENTO DO DIA - Todo
agir humano pressupõe uma interpretação das situações objetivas vividas no
passado e no presente, e uma vontade conformada mediante intenções, metas,
objetivos. A história exprume, assim, a cultura dimensionada no tempo. Essa cultura
se constitui pela cadeia da memória. Pensamento do sociólogo, filósofo,
historiador e professor Rezende Martins.
OS CAMUNDONGOS DE TSIEN – [...] Pessoas
que já vivenciaram um terremoto costumam ter lembranças claras dessa experiência,
o solo vibra, treme, fica abaulado e se desloca; o ar se enche de estrondos;
abrem-se; rachaduras; e vidros se estilhaçam; armários se abrem; livros, pratos
e bugigangas caem das prateleiras. Esses episódios são lembrados com notável
clareza mesmo anos depois, porque nosso cérebro evoluiu para fazer isto:
extrair informação de eventos relevantes e tal conhecimento para guiar nossa
resposta a situações semelhantes no futuro. A capacidade de aprender com experiências
anteriores permite a todos os animais se adaptar a um mundo que é complexo e
está em constante mutação. Por décadas, neurocientistas tentaram descobrir como
o cérebro produz lembranças. Agora, combinando um conjunto de novos
experimentos a análises matemáticas poderosas e à capacidade de gravar
simultaneamente a atividade de 200 neurônios em camundongos despertos, meus
colegas e eu descobrimos o que acreditamos ser o mecanismo básico usado pelo cérebro
para extrair informação vital das experiências e transformá-las em lembranças. As
conclusões às quais chegamos se somam a trabalhos cada vez mais numerosos e indicam
que o fluxo linear de sinais de neurônio a neurônio não é suficiente para
explicar como o cérebro representa percepções e reminiscências. Essas
representações demandam atividade coordenada de grandes populações de neurônios.
[...]. Trecho extraído do estudo The
memory (Scientific American, 2007), do neurocientista
Ph.D em Biologia Molecular, Joe Z. Tsien, que desenvolveu em meados da década de 1990, uma caixa de ferramentas versátil para
estudar as relações complexas entre genes, circuitos neurais e comportamentos.
Ele
também é conhecido como o criador do Doggie
do mouse inteligente no final dos anos 90, enquanto era membro da faculdade
na Universidade de Princeton. Nesses estudos os camundongos cujos receptores NMDA
foram quimicamente bloqueados têm dificuldade de sair de labirintos. Numa
importante demonstração desse conceito, Joe Tsien, desenvolveu uma raça
geneticamente modificada de "camundongos inteligentes" com receptores
NMDA fortalecidos, que apresentava uma maior capacidade de memorização. Mas,
quando as peças do quebra-cabeças estavam começando a se encaixar, a equipe de
Tsien decidiu realizar um outro experimento que complicou a situação. Foram
criados camundongos que não possuíam os receptores NMDA na região do hipocampo,
sabidamente vital à memória. Como era esperado, esses animais apresentaram uma
memória mais limitada. Mas quando foram expostos a um ambiente estimulante,
cheio de distrações e exercícios com rodas, conseguiram recobrar a memória.
Quando os pesquisadores examinaram o tecido do hipocampo desses camundongos,
verificaram que eles haviam desenvolvido novas ligações neuronais, sem a ajuda
das chaves NMDA de memória - antes consideradas cruciais. Recentemente, ele desenvolveu a Teoria da Conectividade
em um esforço para explicar o princípio do projeto básico subjacente à
computação cerebral e à inteligência. A teoria afirma que a
computação cerebral é organizada por uma lógica de permutação de poder de dois
base na construção de montagens de células - os blocos de construção básicos
dos circuitos neurais. Veja mais aqui e aqui.
O TÚNEL PERFEITO - [...] O
universo é carente de unidade e ternura. A partir de velhas formas, o Túnel
espalhava axiomas, rebentos aprendidos de cor pelos seus súditos: 1. Cada amigo
é um inimigo intimo. 2. Crescer é apoderar-se das medidas. O crescimento
material dos súditos não deve exceder aos demais eitos. 3. Quem faz o avanço do
outrop, perde a ele seu posto. 4. Os extremos não chegam nunca ao centro. Perniciosa
é a cobiça e afiada no tempo. 5. Confiar só no instituto de estar vivo. 6. Sua opinião
não ter a serventua de uma espingarda ou faca na república. E será confiscada.
7. Todos são foragidos da palavra empenhada. E defesos, guardados, naquela que
se guarda. 8. O segredo confiado morre atrás de uma porta. Ou sobre a garganta.
[...]. Trechos extraídos da obra O túnel perfeito (Relume Dumará, 1994),
do poeta, ficcionista, tradutor e crítico literário Carlos
Nejar. Veja mais aqui.
O TEMPO CHEGOU – Eis o tempo chegou, diz o relógio, / eus o
tempo. Da vida usa ao meio / paro. À mão tenho a hora e ao coração / miscelânea
de cacos e farrapos. / O relógio a bater os seus iambos / batendo o coração
seus espondeus. / Foi-se o tempo, chegou e foi embora. / Seu tributo levou o
frio inverno / e o verão a colheita, e a primavera / trouxe e levou as suas
ilusões. / Que é o tempo, o cronoscópio diz o que é o tempo. / Nunca o passado,
nunca o que há de vir, / sempre o agora. Que é o tempo, diz o grão. / Toda a
fertilidade mergulhada / pelo pé da charrua fundamente. / A hora foi somada à
paz de espírito, / a semente somou-se a um minuto, / o mundo à flor somou-se e
algumas lágrimas / caem sobre o coração e o corrompem. / As mãos gastaram a mão
e a calejaram. / Porque eu que tudo vi, eu nada vi. / Escutei o jazido o
monossílabo, / sepultei as estrelas, comandei / sua ressurreição e observei /
as sombras se moverem na parede. / Que é o tempo, o pesponetado diz o que é o
tempo, / sempre o futuro, nunca o que passou, / jamais o agora e apenas vê a
linha / ao futuro, ainda assim, a mais comprida / linha o pé da charrua
sentirá. / Erga-se e dispa a roupa a qual o tempo / a você emprestou, tire o
relógio, / as moedas, o lenço, os dois sapatos, / tire também sua alma
revestida / num pensamento e ponha todo caco / e farrapo à soleira da janela /
no meio dos pelargônios e aspidistas. / Na semana passada, na atrasada / a
crônica ridícula, os sentidos / do paladar, do tato e da olfação. / Que é o
tempo, o coração fala o que é o tempo. / O coração palpita na lareira / o
coração diz que é tudo passado / nada é futuro. E diz o coração: / jamais o
coração se deterá. Poema do poeta, ficcionista e crítico estadunidense Conrad Aiken (1889-1973).
A ARTE DE FRANZ WEST
A arte
do escultor e artista visual austríaco Franz
West (1947-2012).
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de Roterdã, Honoré de Balzac, François Truffaut, Vladislav
Nagornov, Anna Netrebko, Catarina Ribeiro, Lilith & Camila Diehel, Fanny Ardant, Otto
Lingner, A alienação social do
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Bernhardt, Georges Henri Tribout, Julian Mandel, Victor de
Aveyron & Célia Lamounier de Araújo aqui.
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Ubaldi, Eça de Queiroz, Molière,
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O evangelho do Padre Bidião, Edmund
Husserl, Dalton Trevisan, Caio
Fernando Abreu, Obviedades Cínicas, Carl
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O toco do Barnabé, Mario de Andrade, Franz Hartmann, Roger
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Musical Tataritaritatá - Fanpage.