segunda-feira, janeiro 28, 2008

A PRIMAVERA DE GINSBERG, LIBELO & ANÁTEMA



LIBELO/A PRIMAVERA DE GINSBERG/ANÁTEMA


Letra & Música de Luiz Alberto Machado

LIBELO

O que é legal?
O que é legal?
O que é legal?
O que é legal, porra?!!!!?

Está inscrito no artigo primeiro dos princípios fundamentais da Constituição da República Federativa do Brasil que:
A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: I - a soberania; II - a cidadania; III - a dignidade da pessoa humana; IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; V - o pluralismo político. Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.


O que é legal?
O que é legal?
O que é legal?
O que é legal, porra?!!!!?

Está inscrito no artigo quinto todos os direitos e deveres individuais!


E o que é legal?
O que é ilegal?
O que é ilegal?
O que é ilegal, porra?!!!!?

Ilegal é a saúde pública em petição de miséria!
A educação pública falida!
A Administração Pública corrupta!
A segurança pela hora da morte!
A justiça ineficiente!

Isso é ilegal!
Isso é ilegal!

Onde a dignidade humana?
Onde o exercício de cidadania?

O que é ilegal?
O que é ilegal, porra!!!!


A PRIMAVERA DE GINSBERG
(fragmento)

(...)
Nunca consultando a Constituição pelos atos de exceção ou disposições transitórias que mais confundem já dos tantos artigos e parágrafos dúbios de códigos civis ou penais ou sei lá mais, qual gramática complicada – para que tanta lei, me Deus, se apesar da compulsoriedade jamais será cumprida!!

Ou que por eloquência nossa, mais fácil falar a língua do inimigo como se nada tivesse acontecido;

Ou que por superioridade nossa no meio dessa misturada doida, prescindiríamos de leis e governos;

Ou que por universalidade nossa, adaptaríamos nossa vida à todas do planeta numa carnavalizante existência;

Ou que por sapiência nossa, misturaríamos de tudo para traduzir o sumo do bom e do melhor nos esquecendo da excrescência noturna com que alicerçamos nosso ontem, enlameamos nosso hoje e fabricamos um infecto amanhã;

Qual nada

Se todos os ardis nos iludem na página rotineira de uma novela televisiva;

Se todos os escroques nos remetem aos apuros com malabarismos sentimentais;

Se a todo momento expomos a mão à palmatória num vexame bisonho;

E isso nada tem haver com nosso bocejo perene, oh! plebe ignara!

Chamo de gato ao gato
E ao governante de patife!

Cada qual cuide de si

Pois todos os banquetes do palácio estão regados com nosso sangue de vítimas desmioladas, presas fáceis dos falastrões incorrigíveis, de gestos fesceninos, adeptos de gestapos e fiéis de Gog e Magog;

Qual nada

Cultivemos então nosso orgulho majestoso do jeitinho para tudo, jogando uma bola fenomenal e flertando a bundinha daquelas que seguem para a praia a procura de uma noite por maior prazer, beldades de uma geografia anatômica capazes de esbugalhar os olhos dos mais insensíveis;

Cultivemos nosso orgulho pelos bens adquiridos através do processo de Felipe da Macedônia, felizes por dar uma marretada no otário que sai todo dia de casa com um chapéu que é a porrada da ocasião, da tapeação e ainda sorrir por haver lesado um imbecil;

Pelos presentes de Artarxerxes aos nossos desafetos, fofoqueiros que se metem em tudo como um azarão a nos perseguir;

Pelos que fazem política como pó de Pirlimpimpim e nos conduzem numa nau à deriva, sabe lá, Deus, para onde!!!!

Pelos tolos que cumprem as leis violadas pelos sabidos;

Pelas leis que fazem vista grossa nas dilapidações e nos dão essa segurança de impunidade na rua;

Pelas leis que vão até onde o rei falso quiser – toda lei na mão do feitor!

Pelos que fazem a guerra e ainda se arvoram na petulância de anunciar que o fazem por amor à humanidade, filhos da puta!

Pelos que vivem de julgar a todos segundo seu próprio juízo e vomitam razões esquálidas na mais sectária das visões;

Pelos ambidestros sobre as farândolas dos falidos que cultuam o carnaval para se esbaldar da nossa desgraça e mangar da nossa besteira por santificá-los como bem sucedidos, quando não passam de um vesano sobre os nossos detritos e suas diatribes;

Pelos rabagás, os tais déspotas, cultores de tudo na base do balão de ensaio, postulantes às tendas de meninas fiéis católicas, que mal geram filhos e negam os peitinhos empinados para que não lhe caiam até a barriga desagradando seu patrão;

Por esta multidão andrajosa a exibir suas deformidades, dormindo no ponto, sequer desconfiando da sede do abismo com um riso banguela na hora mágica do gol;

Por essa gente que gosta de tanger gente na maior sem cerimônia;

Por essa gente que leva a riqueza dos outros na pontinha do dedo sem o menor rubor;

Pela história mentirosa que se ensina e a vergonhosa que segreda, quando aqui fenícios deixaram indícios suméricos mais valiosos na pré-cabrália e ninguém se deu conta do que seria, por isso deu no que deu!

• Será, então, um deus moreno, com um olhar tropical, indevidamente preterido, esperando, esperando, esperando por um novo milagre? ah! Para tanto há milagre de abril, cor anil, tão sutil, para ser hostil, com mentiras mil, ah!!!

• Ah! Se um Frínico tivesse aqui o poema da comoção popular!!!

A terra é redonda
E ainda, assim, cagam pelos quatro cantos de mundo!!

(...)
Mas podemos ainda felizes sambar nas praias do nosso lindo litoral nem nos dando conta de tais leviatãs

E ainda podemos sorver uma cerveja gelada no boteco da esquina sem nos incomodar com as cambadas e confrarias de nada no conluio dos interesses;

E ainda gritar de emoção num lance de gol desconhecendo enxames, matilhas ou pragas ou quadrilhas ou súcias ou varas ou glutões ou vilões dos nossos congressos, legiões de algozes duma ação de verdugos com bocarras exuberantes e seus guinchos de sanha aracnídeas, inimicíssimos de nós meridionais;

E ainda podemos remexer o esqueleto na Marquês de Sapucaí, pisando nossos remorsos, aplaudindo lúculus e gangsters e facínoras que financiam as atrofias das nossas vontades!!!!!

E ainda podemos melar os pés no pantanal mato-grossense, desconsiderando homicidas sobre os incipientes lerdos inofensivos que não tem nem deus nem nada para se amparar!!!!

E ainda podemos singrar as águas do São Francisco sem sabermos que somos verdadeiros suicidas na absolvição dos infratores no centro de uma hemorragia de idólatras no urinol!!!!

E ainda podemos passear pelas ruas de Olinda sem prevermos da gatunagem dos que se dizem dermatóglifos de nossa missão, quiromantes do nosso destino, redentores do nosso sofrimento, puta-que-o-pariu!!!!

Quem somos além de usuários de um reino diáspora com falcões nos plenários a nos mostrar o homem e o seu lobo, o predador e a sua presa, o desigual do forte sobre o fraco, deus meu?

Só a poesia tornará a vida suportável!!!!!!!!


ANÁTEMA


Pelo meio do mundo afora
pelo jeito que for e será
pelos ermos caminhos embora
e nos abismos me extasiar
ver o dia vir nascer das mãos
ver o sol se deitar nos olhos
é o meu destino de qualquer pagão
no sereno da noite me molho
e enxugo a pele
não me dera a vida uma escolha
e por sentir amada
na paixão minada, viver
pelo equívoco de quem desama
repudiando deus e todo mundo
vociferando o verso que a veia inflama
num anátema jamais profundo
pelo de dentro e o que vem de fora
pelo embuste que segreda a farsa
procuro pelo que evadiu agora
e no frigir já não vale mais nada
e a pancada insólita
se alastra na culatra
e não foi feita só de mera viva cortesia,
viver
não me resta aqui dizer mais nada
isso é página virada
precisa só viver

© Luiz Alberto Machado. Direitos reservados.



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