Mostrando postagens com marcador Oswald. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Oswald. Mostrar todas as postagens

domingo, janeiro 11, 2015

ANN BRASHARES, AUDRE LORDE, AURÈLIA CAPMANY, LOUJAIN ALHATHLOUL & ISABEL ALLENDE

 


CAPMANY: AS CEM MIL FACES DA LIBERDADE - Barcelona era o seu chão, sua alma, sua vida. Tudo nela catalã desde o intelectual avô ao pai folclorista amante da ópera e da biblioteca. Da infância aos estudos de filosofia e a docência até vidraceira gravadora: Ensinaram-nos a pensar, a organizar o conhecimento, a dizer a verdade, a sentir -somos responsáveis para cada um dos nossos atos... Nos atentados sobre Barcelona ela serviu como voluntária no Lar Sueco-Catalão de Teià. De uma pequena loja herdada La Rambla, não quis saber do ofício de cesteiro: interessava-se pelo ativismo cultural. E percorreu o país encantada com as canções e contos folclóricos, a primeira escrita do Necessitem morir. Veio então a Escola de Arte Dramática Adrià Gual e Barcelona é ela, a mulher que lia avidamente, bebia e fumava compulsivamente, tecia e desfazia amizades e relacionamentos amorosos, esticava a noite com discussões intermináveis, exercia com paixão e rigor as calúnias, rigorosa nas tramas e adivinhação das conspirações. Deu-se então El cel no és transparente e, depois, Com una mà. E veio L'altra ciutat, Tana o la felicitat, o apogeu com Betúlia, El gust de la pols e mais Ara e Traduït de l'americà. Virava a década e com ela Tu i l'hipòcrita, El gust de la pols, La pluja als vidres, La dona a Catalunya: consciència i situació e El desert dels dies. E ainda tinha que escrever quantos artigos, ensaios, roteiros, recuperar a memória, traduzir, presidir instituição e tornar-se vereadora sob o alerta: “Você vai estragar a sua imagem!”. E surgiram Un lloc entre els morts, Vent de garbí i una mica de por, Feliçment, jo sóc una dona e Un lloc entre els morts. Outra década no calendário, todas as lutas de uma insurgente e ao depor diante de acusações: No nosso futuro e em na nossa escola caberão todos, porque a língua catalã será um nexo de união e nunca de separação... Aquele intelectual que não sabe que é um trabalhador cultural, nada sabe e não é ninguém... E vieram Vitrines d'Amsterdam, os dois volumes de Pedra de toc, Cartes impertinents de dona a dona, Numnius Dexter Optatur - Papa de Roma, Quim-Quima, El jaqué de la democracia, L'ombra de l'escorpí e El cavaller Tirant. Mais uma década e lá estava ela polifacética, libertária, polêmica, plural, teimosa, tímida – uma personagem que não se encontra, a resistência do feminismo em pessoa: Á vida é muito curta para desempenhar todos os papéis. E mais vieram: Vés-te'n ianque, Coses i noses, Tirant lo Blanc, Dietari de prudències, Lo color més blau, Mala memória, El cap de Sant Jordi, Fumar o no fumar: vet aquí la qüestió e Això era i no era. Adaptável e resistente a cada sol que entrava pela janela. E ria com a lembrança dos cesteiros familiares, preferia um pouco mais de felicidade agora em vez de uma grande dignidade daqui a cem anos: Quando eu digo sim, é sim, e quando eu digo não, é não. E o ocaso noutra década: Aquelles dames d'altres temps e póstuma De veu a veu: contes i narracions. A atriz, a escritora, a dramaturga, a professora, a filósofa e antifranquista, todas uma só e aos goles a profusão de contar muitas vezes e cada qual diferente da outra. Vá em frente, tenho cem mil imagens! E traçou as cem mil linhas de sua resistência, do seu compromisso, da sua liberdade. E envolveu-se em todos os incêndios e o fogo todas as vidas e a vida.

 


AS CEM MIL FACES DE CAPMANY - Uma mulher capaz de prazer pode tornar-se rebelde, pode trair o seu dono e senhor, pode procurar esse prazer longe do leito conjugal, pode contornar o domínio do homem e dar-lhe descendência ilegítima para zombar e fraudar a sacrossanta lei da herança. O que é certo é que eles vão lutar contra a norma. Já era hora. A primeira armadilha em que as mulheres caíram desde o momento em que tentaram as suas revoltas libertadoras é aceitar que ela é de uma certa maneira (a chamada maneira feminina de ser) contra outro modo (o chamado masculino), que é, para ser franco, o dominante. Esta formulação da feminilidade como um facto diferencial negativo é o princípio da sua alienação. A mulher não conseguirá nada se não entender e aceitar que a sua luta não é uma luta a favor da mulher, mas a favor de uma pessoa oprimida, usada, tratada injustamente, e justamente por isso, quando ela atingir esta convicção, fará causa comum com todas as justas demandas da terra, trabalhistas, nacionais, raciais. Pensamento da escritora, dramaturga e ensaísta catalã Maria Aurèlia Capmany i Farnés (1918-1991). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Silêncio antes de nascer, silêncio depois da morte: a vida nada mais é do que ruído entre dois silêncios insondáveis. Só temos aquilo que damos. Você é o contador de histórias da sua própria vida e pode criar sua própria lenda ou não. Escreva o que não deve ser esquecido. A verdadeira amizade resiste ao tempo, à distância e ao silêncio. Pensamento da escritora chilena Isabel Allende, que na sua obra City of the Beasts (HarperTrophy, 2004), expressa que: […] Quanto mais vivo, mais desinformado me sinto. Só os jovens têm explicação para tudo. [...] As palavras não são tão importantes quando você reconhece intenções. [...]. Também noutra obra The House of the Spirits (Atria, 2014), expressa: […] Você não pode encontrar alguém que não queira ser encontrado. [...] Às vezes sinto como se já tivesse vivido tudo isso antes e já tivesse escrito estas mesmas palavras, mas sei que não fui eu: foi outra mulher, que guardou seus cadernos para que um dia eu pudesse usá-los. Escrevo, escreveu ela, que a memória é frágil e o espaço de uma única vida é breve, passando tão rápido que nunca temos oportunidade de ver a relação entre os acontecimentos; não podemos avaliar as consequências dos nossos atos e acreditamos na ficção do passado, do presente e do futuro, mas também pode ser verdade que tudo acontece simultaneamente. ... Por isso a minha Avó Clara escrevia nos seus cadernos, para ver as coisas na sua verdadeira dimensão e para desafiar a sua fraca memória. [...]. Já na sua obra Of Love and Shadows (Atria, 2014), também expressa: […] Para as mulheres, os melhores afrodisíacos são as palavras. O ponto G está nos ouvidos. Quem procura lá embaixo está perdendo tempo. […]. Por fim, autora da frase: Escrever é um processo, uma viagem à memória e à alma... Veja mais aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Quais ações são excelentes? Fortaleça o coração do ser humano, alimente os enfermos, ajude os enfermos, alivie dores dolorosas e remova a dor das feridas. A melhor riqueza é a riqueza da alma. Pensamento da ativista saudita Loujain Alhathloul. Veja mais aqui e aqui.

 

IRMANDADE DAS CALÇAS VIAJANTES - [...] Talvez a verdade seja que há um pouco de perdedor em todos nós. Ser feliz não é ter tudo perfeito na sua vida. Talvez seja sobre juntar todas as pequenas coisas. [...] Talvez, às vezes, seja mais fácil ficar bravo com as pessoas em quem você confia, porque você sabe que elas sempre amarão você, não importa o que aconteça. [...] Hoje é o amanhã com o qual nos preocupamos ontem. [...]. Trechos extraídos da obra The Sisterhood of the Traveling Pants (Ember, 2003), da escritora estadunidense Ann Brashares, que na obra My Name Is Memory (Riverhead, 2011) expressou: […] Ame quem você ama enquanto você os tem. Isso é tudo que você pode fazer. Deixe-os ir quando for necessário. Se você sabe amar, nunca vai acabar. [...] O amor exige tudo, dizem, mas o meu amor exige apenas isto: que não importa o que aconteça ou quanto tempo demore, você manterá a fé em mim, se lembrará de quem somos e nunca sentirá desespero. [...] Eu fiz a busca e a lembrança, ela fez o desaparecimento e o esquecimento [...]. Também na obra Forever in Blue: The Fourth Summer of the Sisterhood (Ember, 2008), ela expressa: […] Os pais eram os únicos obrigados a amar você; do resto do mundo você tinha que merecê-lo [...] algumas pessoas se apaixonam continuamente, enquanto outras só conseguem fazer isso uma vez. [...]. Veja mais aqui e aqui.

 

UMA MULHER FALA - Lua marcada e tocada pelo sol \ minha magia não está escrita\ mas quando o mar volta\ isso deixará minha forma para trás.\ Eu não busco nenhum favor\ intocado pelo sangue\ implacável como a maldição do amor\ permanente como meus erros\ ou meu orgulho\ eu não misturo\ amor com pena\ nem odeio com desprezo\ e se você me conhecesse\ olhe para as entranhas de Urano\ onde os oceanos agitados batem.\ eu não moro\ dentro do meu nascimento nem das minhas divindades\ que não tem idade e está meio crescido\ e ainda buscando\ minhas irmãs\ bruxas em Daomé\ me use dentro de seus panos enrolados\ como nossa mãe fez\ luto.\ eu fui mulher\ por muito tempo\ cuidado com meu sorriso\ Eu sou traiçoeiro com magia antiga\ e a nova fúria do meio-dia\ com todos os seus amplos futuros\ prometido\ Eu sou\ mulher\ e não branco. Poema da escritora e ativista caribenha-americana Audre Lorde (1934-1992). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui

 

SACADOUTRAS

 

UMA LIÇÃO DE MULHER – No início dos anos 1900, Mary Whiton Calkins (1863-1930) teve sua matrícula recusada pela Harvard University e teve seu Ph.D. recusado por ser mulher, mesmo tendo sido seus estudos de doutoramento considerado o mais brilhante exame de Ph.D até então realizado em Harvard que só , sete anos depois, ela recebeu a graduação da Radcliffe College pela Havard, colégio esse criado pela própria universidade para oferecer cursos para mulheres. Ela, então, recusou porque havia atendido as exigências da Harvard, não do colégio. A razão da restrição era a crença generalizada na chamada superioridade intelectual masculina, considerando as deficiências intelectuais femininas inatas que não permitiam que tirassem proveito dos benefícios. Grande parte do mito da superioridade intelectual do homem surgiu da chamada hipótese da variabilidade, baseada nas teorias de Darwin a respeito da variabilidade masculina: o cérebro masculino seria mais evoluído do que o feminino. Por isso, a mulher era considerada inferior ao homem, tanto nas qualidades mentais como nas físicas necessárias para se obter êxito na adaptação às exigências do ambiente. Além do mais, havia uma teoria popular de que as mulheres sofriam de danos físicos e emocionais, bem como de que as suas condições biológicas colocavam em risco a maternidade se elas fossem cursar níveis de educação superior. Enfim, Calkins obteve uma graduação honorária da Columbia University e sua experiência é um exemplo da discriminação sofrida pelas mulheres que almejavam a educação superior, condição que persistiu até o século XX. Contudo, ela foi a primeira mulher a tornar-se presidente da Associação de Psicologia Americana, em 1907, e desenvolveu a técnica de associação dos pares, usada no estudo da memória, contribuindo de forma significativa e duradoura para a psicologia. Veja mais aqui e  aqui. 

Imagem: Diana, fragmento destacado da obra do pintor do maneirismo italiano Girolamo Francesco Maria Mazzola (1503-1540), mas conhecido como Parmigiano. Veja mais aqui.

Ouvindo: Geraldo Azevedo ao vivo, Geração/BMG Ariola, 1994. Veja mais aqui e aqui.

OSWALD DE ANDRADE – Em fins dos anos 1980, já de saco cheio com as aulas do curso de Letras, resolvi, por conta própria, dar continuidade aos estudos que eu já havia começado por volta dos meus 15 anos: estudar a Literatura Brasileira mais a fundo. Foi quando comprei livros e livros de História da Literatura (os de Carpeaux, Manuel Bandeira, Silvio Romero, Afranio Coutinho, Wilson Martins, Nelson Werneck Sodré e outros e outros), estudando, assim, cada autor e lendo suas obras. Leituras de anos. Quando cheguei no Oswald de Andrade (1890-1954), nossa, fiquei admirado! E fui lendo um a um dos seus livros. Cada leitura um êxtase especial. Ficou o Memórias sentimentais de João Miramar, com a pregação e disputa do natural das Américas aos sobrenaturais de todos os orientes: - Tudo é tempo e contratempo! E o tempo é eterno. Eu sou uma forma vitoriosa do tempo, em luta seletiva, antropofágica. Com outras formas do tempo: moscas, eletroéticas, cataclismas, polícias e maribondos! Ó criadores das elevações artificiais do destino eu vos maldigo! A felicidade do homem é uma felicidade guerreira. Tenho dito. Viva a rapaziada! O gênio é uma longa besteira! E também ficou o Música de manivela do Pau-Brasil: Sente-se diante da vitrola / e esqueça-se das vicissitudes da vida / na dura labuta de todos os dias / não deve ninguém que se preze / descuidar dos prazeres da alma. Veja mais aqui, aqui e aqui.

SÉRGIO PORTO, O STANISLAW PONTE-PRETA – Do Sérgio Porto – leia-se Stanislaw Ponte Preta -, li tudo: o homem do lado, primo Altamirando, Rosamundo, Ria Zulmira, a casa demolida, garoto linha dura, as cariocas, na terra do crioulo doido e, sobretudo, os Febeapás 1 e 2. Confesso que eu sou desse autor um xexéu xucro: influência a ponto de copiar com a maior incapacidade de alcançar o talento dele. Destaco o Era covardia, do Primo Altamirando e elas: Tem sogra até boazinha, que faz o chamado biombo conjugal, isto é, fica aparando os golpes da gente para que a filha não se chateie. O cara some, não aparece pro jantar e a sogra, morando nas aflições da filha, inventa enredo para que ela não dê bronca, aventando hipóteses tais como plantão no escritório, pneu do carro furado, falta de condução e outras desculpas próprias par amenizar a raiva da esposa aflita que vê afrouxar o chamado lado conjugal [...] Ontem lá estivemos, frente ao juiz, servindo de testemunha no processo de anulação do casamento. Jandira, a que suou a camisa nº 11 no time de Primo Altamirando, estava triste, pois adorava o marido (consta que Mirinho tem truques pra mulher que até Deus duvida). Mas a sogra estava mais furiosa que a torcida do Madureira. E tudo porque a separação foi proposta justamente depois do dia em que ela saiu no tapa com o padeiro e Mirinho assistiu a sogra apanhar uma surra bizantina, impávido e – por que não dizer – um tanto ou quanto eufórico. Aliás, o juiz resolveu anular o casamento, por causa desse episódio, revoltado com o cinismo de nosso nefando parente. – O senhor viu sua sogra levar uma surra do padeiro e não ajudou? – quis saber o magistrado. – Não, excelência – respondeu Mirinho. – E por que não ajudou? – estranhou o juiz. – Porque não ficava bem, dois homens batendo numa velha só. Veja mais aqui e aqui.

Imagem: Hypátia antes de ser morta na igreja, pintura de Charles William Mitchell, 1885.

HYPATIA DE ALEXANDRIA – A filósofa neoplatonista grega e do Egito Romano, Hypatia de Alexandria (350-415 d.C.), foi a primeira mulher a lecionar filosofia e astronomia e considerada matemática. Ela era ascética e virgem – o seu corpo,para ela, deveria ser sua exclusiva propriedade -, cultuava as ideias do astrônomo e matemático grego, Aristarco de Samos (310-230 a.C.), o heliocentrismo (precursor das ideias de Nicolaus Copérnico), quando ministrava aulas na Biblioteca de Alexandria. Entre os seus feitos estão o aperfeiçoamento do astrolábio, defendendo que o conhecimento devia ser acessível a todos. Uma mulher erudita enfrentando a misoginia dos santos teólogos da igreja cristã, numa época de fanatismo religioso preocupado em apedrejar e esfaquear os descrentes e em sujeitar as mulheres à total submissão. Ela foi acusada em praça pública por atentar contra os costumes morais e bruxa, foi arrastada por uma milícia de fanáticos cristãos até uma igreja, onde foi despida, apedrejada até a morte, esfolada com lascas de vasos de cerâmica, tendo sido arrancado todos os seus membros e jogado os pedaços à fogueira. Tal evento marcou o fim da era do conhecimento e da racionalidade, dando inicio à idade das trevas que perdurou até o Renascimento, no século XVI. Sua vida foi transformada em filme, Ágora, de 2009, direção de Alejandro Amenábar, com roteiro escrito pelo próprio diretor em parceria com Mateo Gil. Veja mais aqui.


Veja mais sobre:
Fecamepa, César Vallejo, Augusto Boal, Haydn & Teresa Berganza, Rosa Bonheur, William-Adolphe Bouguereau, Keira Knightley, Método Perigoso & Sabina Spielrein aqui.

E mais:
Raízes do Brasil de Sérgio Buarque de Holanda aqui.
Quadrinhos, Angelo Agostini, Marcio Baraldi, Aventureiros do Una, Carlos Zéfiro, Velta & Emir Ribeiro aqui.
Gustave Flaubert aqui.
O Grande Circo Místico de Jorge de Lima aqui.
A poesia de João Cabral de Melo Neto aqui.
O pensamento de Noam Chomsky aqui.
Palmares. Poetas dos Palmares & Crônicas Palmarenses aqui.
Caetés & a História do Brasil aqui.
Teatro, Berthold Brecht, Gerd Bornheim, Constatin Stanislavski, Raymond Williams, Margot Berthold, Richard Courtney, Olga Reverbel, Décio de Almeida Prado, Renata Pallottini, Viola Spolin, Sábato Magaldi & Coisas de Teatro aqui.
A teoria interpessoal de Sullivan, Irina Costa, Danny Calixto, Bernadethe Ribeiro, Daniella Alcarpe, Débora Ildêncio & Rose Garcia aqui.
Augusto Boal aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
A felicidade era dela & ela pegou e me deu, O homem elefante, David Lynch & Anne Bancroft, Elba Ramalho & Luciah Lopez aqui.
Apesar de tudo que já foi feito, somos todos mínimos, Aníbal Machado, Ryan McGinley, Gustavo Rosa & Loalwa Braz aqui.
Para quem quer, basta ser!, Gilvanícila, John Masefield, Berthe Morisot & Karin Fernandes aqui.
Palhássaro voo nos caminhudos de fogáguas & terrares, Brivaldo Leão, Paulo Diniz, Spencer Tunick, Vanice Zimerman & Gustavo Rosa aqui.
Mesmo apelando pra sorte, a gente se atrapalha com a obviedade, John Rawls, Isabel Furini, Vanessa Moreno & Fi Maróstica aqui.
O defunto do dedo azul & a pintura de Juarez Machado aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitora Tataritaritatá!
Veja mais aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja os vídeos aqui & mais aqui e aqui.





segunda-feira, janeiro 28, 2008

OSWALD DE ANDRADE, RUBEM BRAGA, OLGA MOLINA, SAVIANI, GINSBERG, CONSTITUIÇÃO 88, APRENDIZAGEM, EDUCAÇÃO ESPECIAL & INCLUSÃO



EDUCAÇÃO ESPECIAL E INCLUSÃO – Abordar a temática da educação especial e da inclusão num trabalho acadêmico, leva a considerar a partir da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabeleceu as Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), notadamente na observância do art. 59, correspondente à educação especial, como sendo a modalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos portadores de necessidades especiais (PNE). Um trabalho dessa natureza traz a justificativa em razão do que preceitua o art. 205 da Constituição Federal e a LDB 9394/96, quando da definição pelo pleno desenvolvimento do educando destinado ao preparo para a vida e o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho, num processo de atendimento educacional para todos indistintamente, destinando o foco para as discussões atinentes à educação especial e ao educando PNE, carecendo de uma integração para melhor desempenhar seu papel na sociedade e na vida. Assim, terá por objetivo analisar de que forma a Educação Especial possibilita a inclusão de PNE, levantando os pressupostos da Educação Especial, analisando de que forma é desenvolvida por meio da observação acerca da qualificação do professor na sala de aula da Educação Especial, considerando os recursos oferecidos pela escola para o desenvolvimento das atividades pedagógicas em salas com PNE e avaliando as perspectivas dos profissionais no processo de inclusão na Educação Especial. Abordará, portanto, o papel da educação, o processo de inclusão e o papel do professor nessa temática, utilizando-se uma metodologia que se desenvolverá em duas etapas: a primeira delas, bibliográfica, reunindo leituras e considerações a respeito das expressões conceituais dos mais importantes estudiosos do assunto e, na segunda etapa, desenvolver uma pesquisa de campo utilizando-se de instrumento questionário que envolva o universo de professores de um educandário, onde os respondentes possam consignar suas opiniões para identificação da realidade. O que se tem encontrado nesse tocante é a a necessidade requerida pelos respondentes de se efetuar maior capacitação dos profissionais e na exigência da escola dispor de melhores recursos para o processo em questão para o desenvolvimento da educação especial no alcance da perspectiva da educação inclusiva. Segue algumas bibliografias básicas para o desenvolvimento do estudo. Veja mais aqui e aqui.

REFERÊNCIAS
ANTONIO, Wilma Alves Oliveira. Formação do professor em educação especial. Maceió: UFAL, 1999.
ARROYO, Miguel. Educação no Brasil: para quem? Para onde? Brasília: Revista de Educação da CNTE, 3:III, dez/1996.
BORDENAVE, Juan Diaz & PEREIRA, Aldair Martins Pereira. Estratégias de ensino-aprendizagem, Petrópolis, Vozes, 1977.
BRASIL. Resolução n.º 2, de 11 de setembro de 2001. Brasília: CNE/Câmara de Educação Básica, 2001.
______. Educação especial: tendências atuais. Brasília: MEC/Secretaria de Educação à Distância, 1999.
______. Deficiência mental. Brasília: MEC/Secretaria de Educação à Distância, 1998.
______. Parâmetros curriculares nacionais. Bases legais. Brasília: Ministério da Educação/Secretaria de Educação, 1999.
CARNEIRO, Moaci Alves. LDB fácil: leitura crítico-compreensiva. Petrópolis: Vozes, 1998.
CARVALHO, Erenice Natália. Adaptações curriculares: uma necessidade. In: Educação especial: tendências atuais. Brasília: MEC/SEED, 1999.
CARVALHO, Rosita Edler. O direito de ter direitos. In: Educação especial: tendências atuais. Brasília: MEC/SEED, 1999.
_______. Integração e inclusão: do que estamos falando? In: Educação especial: tendências atuais. Brasília: MEC/SEED, 1999b.
_______. Removendo barreiras para a aprendizagem. In: Educação especial: tendências atuais. Brasília: MEC/SEED, 1999c.
D'ANTINO, Maria Eloisa Famá. Integração, deficiência mental e educação. In: Deficiência mental & Deficiência física. Brasília: Ministério da Educação e do Desporto, Secretaria de Educação a distância, 1998.
DORNAS, R. Diretrizes e bases da educação nacional. Belo Horizonte: Modelo, 1997.
FERREIRA, Nilda T. Cidadania. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993.
GADOTTI, Moacir. Perspectiva atuais da educação. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000.
GARCIA, Rosalba. Polícias públicas de inclusão: uma análise no campo da educação especial brasileira. Florianópolis: UFSC, 2004.
GIROUX, Henry. Teoria crítica e resistência em educação. Petrópolis: Vozes, 1986.
GOFFREDO, Vera Lúcia. Educação: direito de todos os brasileiros. In: Educação especial: Tendências atuais. Brasília: MEC/SEED, 1999.
______. A escola como espaço inclusivo. In: Educação especial: tendências atuais. Brasília: MEC/SEED, 1999b.
______. Como formar professores para uma escola inclusiva. In: Educação especial: tendências atuais. Brasília: MEC/SEED, 1999c.
MACHADO, Fernanda. O professor e a inclusão. Monografia de especialização em Educação Especial. Maceió: UFAL, 2000.
MACHADO, Luiz Alberto. Educação por água abaixo. Jornal Gazeta de Alagoas. Opinião, p. 4, edição 16/08/1997.
MANTOAN, Maria Tereza Egler. Todas as crianças são bem-vindas à escola. Campinas: LEPED/FE/Unicamp, 2001.
MELLO, Guiomar Namo. Cidadania e competitividade: desafios educacionais do terceiro milênio. São Paulo: Cortez, 1998.
MERCADO, Luís Paulo Leopoldo. Formação continuada de professor e novas tecnologias. Maceió:Edufal, 1999.
RODRIGUES, David (Org.). Educação e diferença: valores e práticas para uma educação inclusivA. Porto: Porto, 2001.
SANTOS, Monica Pereira. A família e o movimento pela inclusão. In: Educação especial: tendências atuais. Brasilia: MEC/SEED, 1999.
SASSAKI, Romeu Kazumi. Educação para o trabalho e a proposta inclusiva. In: Educação especial: tendências atuais. Brasília: MEC/SEED, 1999.
YUS, Rafael. Temas transversais. Porto Alegre: Artmed, 1998.


APRENDIZAGEM – A aprendizagem é o processo por meio do qual a experiência e a prática geram uma alteração relativamente permanente no comportamento efetivo ou potencial. Do ponto de vista do desenvolvimento, o conhecimento humano reúne as habilidades que se acumulam durante toda vida. Em vista disso, a aprendizagem é interativa porque ocorre por meio da interação ativa com o ambiente, sendo, portanto, a maneira pela qual se dá a capacidade de uso de aprendizagens anteriores que dependem de circunstancias atuantes no momento presente. CONDICIONAMENTO REFLEXO, CLÁSSICO OU RESPONDENTE – Também denominado de reflexo aprendido, foi criado pelo fisiologista russo Ivan Pavlov, é um tipo de aprendizagem associativa e é seletivo deixando evidenciado que para que ele ocorra são necessários repetidos emparelhamentos. O condicionamento clássico é usado para modificar uma reação indesejada. Os intervalos são importantes para estabelecer uma resposta condicionada. O emparelhamento intermitente se dá quando ocorre um estímulo condicionado (EC) e um estímulo não condicionado (ENC), reduzindo tanto a velocidade de aprendizagem como a intensidade final da resposta. John Watson utilizou-se desse tipo de condicionamento para tratar do pequeno Albert. Mary Cover Jones demonstrou uma maneira de perder os medos pelo método utilizado por Watson. Ela foi pioneira nesse procedimento ao emparelhar a temida imagem de um rato com o agradável ato de comer doces. Joseph Wolpe adaptou o método de Jones para tratamento de certos tipos de ansiedade, deduzindo que os medos irracionais são aprendidos ou condicionados, também podem ser desaprendidos por meio do condicionamento. Esse procedimento gerou a terapia da dessensibilização. Essa teoria compreende o sistema de profundo relaxamento muscular, elaborando uma lista de situações que instigam diversos graus de medo ou ansiedade, que vão desde as intensamente produzidas até as que são pouco assustadoras. Martin Seligman concebeu o conceito de predisposição, segundo o qual algumas coisas imediatamente se tornam estímulos condicionados a reações de medo porque possui predisposição biológica para aprender essas associações. Por meio desse conceito ele explica o fato de certas respostas condicionadas serem adquiridas tão facilmente. A facilidade com a qual se desenvolve a aversão condicionada ao sabor, ilustra a ocorrência da predisposição. Assim, a aversão ao sabor é a sensação de náusea ou repulsão que são adquiridas de forma muito rápida. Também denominado de Efeito de Sauce Bearnaise por Martin Seligman, basta um emparelhamento de um sabor com o mal estar para que ele seja evidenciado. CONDICIONAMENTO OPERANTE OU INSTRUMENTAL – Esse tipo de condicionamento consiste em aprender a emitir ou a inibir uma certa resposta em razão das consequências que ela pode ter. os comportamentos operantes são diferentes das respostas envolvidas no condicionamento clássico porque são emitidos voluntariamente, ao passo que estas são produzidas por estímulo. Edward Lee Thorndike concebeu a abordagem experimental denominada de Conexionismo, evidenciando conexões entre estímulos e resposta (E – R), alegando que a aprendizagem envolve uma reflexão inconsciente, utilizando-se de uma caixa-problema para demonstração de sua teoria. A sua conclusão levou ao entendimento de que tendências de respostas mal sucedidas tornam-se menos frequentes, enquanto as de êxito eram incorporadas. LEI DO EFEITO – Para Thorndike, essa lei compreende que todo ato que atua numa dada situação produz satisfação, ficando associada a essa situação, de maneira que quando a situação se repetir, o ato terá maior probabilidade de novamente ocorrer. As conexões E – R são fortalecidas se forem seguidas de recompensas e enfraquecidas se acompanhadas de punição. Inversamente, se causa desconforto terá maior probabilidade de não se repetir. LEI DO EXERCICIO OU DE USO E DESUSO – Segundo essa lei, toda resposta dada numa situação particular fica associada a essa situação. Quanto mais usada, mais fortemente a resposta associada. Inversamente, o desuso prolongado da resposta, enfraquece a associação. A melhoria só ocorre se for seguida de uma informação retroativa positiva ou recompensa. A pratica sem conhecimento das consequências do ato não possui efeito sobre a aprendizagem. INSIGHT E MÉTODO TOP-DOWN - Wolfgang Kohler estudou macacos antropoides sobre a capacidade de resolução de problemas dos chipanzés. As soluções exigiam o método indireto, o experimento denominado de insight dos chipanzés. O insight é a habilidade para conceituar um problema de um modo único que permita a resolução. A solução do problema era empilhar caixotes colocando um sobre o outro até alcançar o cacho de banana. O método top-down enfatiza a natureza estruturada, planejada e conceitual em vez da tentativa e erro. A aprendizagem anterior pode ser frequentemente utilizada para ajudar a solução de problemas por insight, tendo sido demonstrado por Harry Harlow que concluiu a atividade de aprender a aprender, estabelecendo um contexto de aprendizagem relacionada ao problemas. A aprendizagem por insight é particularmente importante para os seres humanos que precisam aprender não apenas coisas corriqueiras, mas também das ideias éticas e culturais tão complexas quanto o valor do trabalho árduo, a ajuda ao próximo, entre outros. Outros importantes nomes do condicionamento instrumental foram Hull, Tolman, Spence e Skinner. Foi Edward Chace Tolman um dos pioneiros da aprendizagem cognitiva, argumentando que não é necessário exibir a aprendizagem para que ela tenha ocorrido. Ele batizou de aprendizagem latente a aprendizagem que não é aparente porque ainda não foi demonstrada. Essa aprendizagem encontra-se armazenada internamente a ainda não reflete no comportamento. Os psicólogos propuseram que esse tipo de aprendizagem fica armazenado sob a forma de uma imagem mental, ou mapa cognitivo. Quando chega o momento adequado, o sujeito é capaz de se lembrar da imagem armazenada e colocá-la em uso. REFORÇO – É um tipo de consequência do comportamento que aumenta a probabilidade de determinado comportamento se repetir. Relação entre o organismo e o ambiente na qual o organismo emite uma resposta por meio do comportamento e produz alterações no ambiente. O reforço são estímulos cuja apresentação aumenta a probabilidade de um comportamento. Quando uma consequência aumenta a probabilidade de ocorrência de um comportamento operante, é chamada de reforçadora. Quando diminui essa probabilidade é chamada de punidora. Essas relações constituem a base da lei do efeito ou princípio do reforçamento, considerando que comportamentos sempre recompensados têm grande probabilidade de se repetir, ao passo que comportamento sempre punidos tendem a ser eliminados. Os reforçadores positivos aumentam a probabilidade de ocorrência de um comportamento por adicionar algo recompensador à situação. Os reforçadores negativos provocam o mesmo efeito ao subtrair da situação algo desagradável. Quando uma ação é imediatamente seguida de um reforçador, tendemos a repeti-la, mesmo que ela não tenha, na verdade, produzido esse reforço. Tal comportamento é chamado de supersticioso. A punição é caracterizada por qualquer evento que diminua a probabilidade de nova ocorrência do comportamento que o precede. Às vezes, depois que a punição é aplicada algumas vezes, não é necessário continuá-la porque a simples ameaça de que ela venha o ocorrer é suficiente. Esse processo é chamado de treinamento de esquiva. A contingencia é a possibilidade de que algo se realize ou não, sendo, portanto, uma eventualidade, acaso, casualidade, possibilidade. No condicionamento operante, as contingências ocorrem entre as respostas e as consequências. As contingências entre repostas e crecompensas são chamadas de esqueças de reforçamento. A contingência de reforço ocorre quando as alterações no ambiente aumentam a probabilidade do comportamento que as produzem voltar a ocorrer na relação do organismo e o meio. A contingência de três termos é a unidade básica do controle do comportamento operante. Fórmula: estímulo discriminativo – resposta – consequência. Na contingência tríplice todos os comportamentos operantes, do mais simples, ao mais complexo, são analisados de acordo com a contingencia tríplice: uma ocasião, uma resposta e uma consequência. Fórmula: O – R – C. Os tipos de estímulos são neutro, condicionado e incondicionado. Possuem relação com o comportamento e as características físicas ou a natureza de um estimulo não podem qualifica-lo como reforçador. Para determinar um reforço ou reforçador deve-se considerar a relação entre o comportamento e a consequência, bem como se ela afeta um determinado comportamento no aumento de sua possibilidade de ocorrência. Os tipos de reforço são naturais e artificiais. Os naturais são aqueles em que a consequência reforçada é um produto direto do próprio comportamento. Os artificiais ou arbitrários são aqueles em que a consequência reforçada é um produto indireto do comportamento. Os efeitos do reforço são aumentar a frequência de um comportamento reforçado, diminuição da frequência de outros comportamentos e diminuição da variabilidade na topografia (forma) da resposta do comportamento reforçado. No processo de modelagem o reforço ocorre por meio de aproximações sucessivas em relação à resposta desejada. O determinante do comportamento operante é a sua consequência que não ocorre no vácuo, os eventos antecedentes também influenciam a probabilidade ocorrência de um comportamento operante. Estímulos associados ao reforço aumentam a probabilidade do comportamento ocorrer quando apresentado e os estímulos que sinalizam a extinção ou punição diminuem sua ocorrência. Assim o comportamento operante é aquele que produz mudanças no ambiente e que é afetado por eles. O comportamento operante discriminado é aquele que se emitidos em um determinado contexto, produzirão consequências reforçadoras. A discriminação operante é o processo comportamental básico no qual as respostas específicas ocorrem apenas na presença de estímulos específicos. No condicionamento discriminado o estimulo fornece contexto, dando chances para que a resposta ocorra. CONTROLE DE ESTÍMULOS – O ambiente apenas altera a probabilidade de ocorrência do comportamento. Assim, o controle de estímulos refere-se à influencia dos estímulos antecedentes sobre o comportamento, considerando-se o efeito que o contexto tem sobre o comportamento. Os estímulos discriminativos são os estímulos que são apresentados antes do comportamento e controlam sua ocorrência. Sinalizam que uma dada resposta será reforçada. Os estímulos delta sinalizam que uma resposta não será reforçada, sinalizando indisponibilidade do reforço ou extinção. O treino discriminativo consiste em reforçar um comportamento de um estímulo discriminativo e extinguir a presença de um estímulo delta, chamando-se reforçamento diferencial. Um controle discriminativo de estímulos é estabelecido quando determinado comportamento tem alta probabilidade de ocorrer na presença de um estímulo discriminativo e baixa probabilidade na presença de estímulos delta; APRENDIZAGEM COGNITIVA – Essa aprendizagem se refere aos processos mentais que acontecem no interior do ser humano quando aprende algo. A aprendizagem latente é qualquer conhecimento adquirido que ainda não foi demonstrado no comportamento. Um dos tipos de aprendizagem latente é o conhecimento da disposição espacial e das relações, que geralmente fica armazenado sob a forma de um mapa cognitivo. Um contexto de aprendizagem é um conceito ou procedimento que fornece a chave para a resolução de um problema, mesmo quando as exigências do problema sejam ligeiramente diferentes das exigências daqueles que já foi resolvido no passado. Os teóricos da aprendizagem social argumento que se aprende muito por meio da observação de outras pessoas que servem de modelos de comportamento ou simplesmente escutando algo. Esse processo é chamado de aprendizagem por observação ou vicária. O principal propositor da teoria da aprendizagem social é Albert Bandura que se refere como teoria cognitiva social. Essa teoria dá ênfase às expectativas, aos insights e às informação ampliando a compreensão sobre como as pessoas aprendem. De acordo com ela, os seres humanos empregam sua capacidade de observação e pensamento para interpretar suas próprias experiências, bem como as de outras pessoas, ao decidir seu modo de agir. Essa importante perspectiva pode ser aplicada à aprendizagem de muitas coisas diferentes, desde habilidades e tendências comportamentais até atitudes, valores e ideias. Veja mais aqui, aqui e aqui.

REFERÊNCIAS
ATKINSON, Richard; HILGARD, Ernest; ATKINSON, Rita; BEM, Daryl; HOEKSENA, Susan. Introdução à Psicologia. São Paulo: Cengage, 2011.
DAVIDOFF, Linda. Introdução à Psicologia. São Paulo: Pearson Makron Books, 2001.
FADIMAN, James; FRAGER, Robert. Teorias da personalidade. São Paulo: Harbra, 2002.
GAZZANIGA, Michael; HEATHERTON, Todd. Ciência psicológica: mente, cérebro e comportamento. Porto Alegre: Artmed, 2005.
MORERIA, Marcio; MEDEIROS, Carlos. Princípios básicos de análise do comportamento. Porto Alegre: Artmed, 2007.
MORRIS, Charles; MAISTO, Alberto. Introdução à psicologia. São Paulo: Pretence Hall, 2004.
MYERS, David. Psicologia. Rio de Janeiro: LTC, 2006.
SCHULTZ, Duane; SCHULTZ, Sydney. Historia da psicologia moderna.São Paulo: Cengage Learning, 2012.


PENSAMENTO DO DIA - [...] o pecado capital da escola pública maldirecionada: assume o compromisso de ensinar toda a população a ler, mas cumpre o compromisso pela metade. Os alunos chegam a ler, mas apenas decodificando os textos, sem alcançar a compreensão verdadeira nem, muito menos, a capaciade de crítica. Iludem-se com o que lêem, porque está impresso, aceitam tudo que vêem escrito, não são autônomos diante do texto. [...] Trecho extraído de Ler para aprender: desenvolvimento de habilidades de estudo (EPU, 1992), da professora Olga Molina.

PROJETO ESCOLA – [...] ser democrático, no sentido de considewrar que os integrantes da ação educativa são capazes de assumir o processo de transformação da educação escolar, sob a ótica dos interesses das camadas majoritárias da população; ser abrangente, significando que todos os integrantes e os diversos componentes da organização escolar sejam avaliados; a atuação do professor e de outros profissionais da escola; os conteúdos e processos de ensino; as condições, dinâmicas e relações de trabalho; os recursos físicos e materiais disponíveis; a articulação da escola com a comunidade; ser participativo, prevendo a cooperação de todos, desde a definição de como a avaliação deve ser conduzida até a análise dos resultados e escolha dos rumos de ação a serem seguidos; ser contínuo, constituindo-se efetivamente em uma prática dinâmica de investigação que integra o planejamento escolar em uma dimensão educativa. Trecho extraído da tese de doutoramento sobre a temática Avaliação da apredizagem: natureza e contribuições da pesquisa no Brasil, no período de 1980 a 1990, apresentada à USP, em 1994, por Sandra Zákia Lian Sousa.

EDUCAÇÃO COMPENSATÓRIA – [...] programas acabam colocando sob a responsabilidade da educação uma série de problemas que não são especificamente educacionais, o que significa, na verdade, a persistência da crença ingênua no poder redentor da educação em relação à sociedade. Assim, se a educação se revelou incapaz de redimir a humanidade através da ação pedagógica, não se trata de reconhecer seus limites, mas de alargá-los: atribui-se então à educação um conjunto de papés que, no limite, abarcam as diferentes modalidades de política social. A conseqüência é a pulverização de esforços e de recursos com resultados paraticamente nulos do ponto de vis propriamente educacional. Trechos extraídos da obra Escola e democracia (Autores Associados,2008), do filósofo e pedagogo Dermeval Saviani. Veja mais aqui e aqui.


O SENHOR – Carta a uma jovem que, estando em uma roda em que dava aos presentes o tratamento de “você”, se dirigiu ao autor chamando-o de “o senhor”: - Senhora – Aquele a quem chamastes senhor aqui está, de peito magoado e cara triste, para vos dizer que senhor ele não é, de nada nem ninguém. Bem o sabeis, por certo, que a única nobreza do plebeu está em não querer esconder sua condição e esta nobreza tenho eu. Assim, se entre tantos senhores ricos e nobres a quem chamáveis “você” escolhestes a mim para tratar de “senhor”, é bem de ver que só poderíeis ter encontrado essa senhoria nas rugas de minha testa e na prata de meus cabelos. Senhor de muitos anos, eis aí, o território onde eu mando é no país do tempo que foi. Essa palavra “senhor”, no meio de uma frase, ergueu entre nós dois um muro frio e triste. Vi o muro e calei. Não é de muito, eu juro, que me acontece essa tristeza; mas também não era a vez primeira. De começo eram apenas os “brotos” ainda mal núbeis que me davam senhoria; depois assim começaram a me tratar as moças de dezoito a vinte, com essa mistura de respeito, confiança, distância e desprezo que é o sabor dessa palavra melancólica. Sim, eu vi o muro; e, astuto ou desanimado, calei. Mas havia na roda um rapaz de ouvido fino e coração cruel; ele instou para que repetísseis a palavra; fingistes não entender o que ele pedia e voltastes a dizer a frase sem usar nem “senhor”, nem “você”. Mas o danado insistiu e denunciou o que ouvira e que, no embaraço de vossa delicadeza, evitáveis repetir. Todos riram, inclusive nós dois. A roda era íntima e o caso era de riso. O que não quer dizer que fosse alegre; é das tristezas que rimos de coração mais leve. Vim para casa e como sou um homem forte, olhei-me ao espelho; e como tenho minhas fraquezas, fiz um soneto. Para vos dar o tom, direi que no fim do segundo quarteto eu confesso que às vezes já me falece valor “para enfrentar o tédio dos espelhos”; e no último terceto digo a mim mesmo: “Volta, portanto, a cara e vê de perto – a cara, a tua cara verdadeira – ó Braga envelhecido, envelhecido.” Sim, a velhice é coisa vil; Bilac o disse em prosa, numa crônica, ainda que nos sonetos ele almejasse envelhecer sorrindo. Não sou Bilac; e nem me dá consolo, mas, tristeza pensar que as musas desse poeta andam por aí encanecidas e murchas, se é que ainda andam e já não desceram todas à escuridão do túmulo. Vivem apenas, eternamente moças e lindas, na música de seus versos, cheios de sol e outras estrelas. Mas a verdade (ouvi, senhora, esta confissão de um senhor ido e vivido, ainda que mal e tristemente), a verdade não é o tempo que passa, a verdade é o instante. E vosso instante é desgraça, juventude e extraordinária beleza. Tendes todos os direitos; sois um belo momento da aventura do gênero humano sobre a terra. Detrás do meu muro frio eu vos saúdo e canto. Mas ser senhor é triste; eu sou, senhora, e humildemente, o vosso servo. Extraído da obra 200 crônicas escolhidas (Record, 1986), do escritor Rubem Braga (1913-1990). Veja mais aqui e aqui.

VERBO CRACKAR - Eu empobreço de repente / Tu enriqueces por minha causa / Ele azula para o sertão / Nós entramos em concordata / Vós protestais por preferência / Eles escafedem a massa. / Sê pirata / Sede trouxas / Abrindo o pala / Pessoal sarado / Oxalá eu tivesse sabido / Que esse verbo era irregular. Extraído de Memórias sentimentais de João Miramar (Civilização Brasileira, 1978), do escritor Oswald de Andrade (1890-1954). Veja mais aqui.


LIBELO/A PRIMAVERA DE GINSBERG/ANÁTEMA
Letra & Música de Luiz Alberto Machado

LIBELO

O que é legal?
O que é legal?
O que é legal?
O que é legal, porra?!!!!?

Está inscrito no artigo primeiro dos princípios fundamentais da Constituição da República Federativa do Brasil que:
A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: I - a soberania; II - a cidadania; III - a dignidade da pessoa humana; IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; V - o pluralismo político. Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.


O que é legal?
O que é legal?
O que é legal?
O que é legal, porra?!!!!?

Está inscrito no artigo quinto todos os direitos e deveres individuais!


E o que é legal?
O que é ilegal?
O que é ilegal?
O que é ilegal, porra?!!!!?

Ilegal é a saúde pública em petição de miséria!
A educação pública falida!
A Administração Pública corrupta!
A segurança pela hora da morte!
A justiça ineficiente!

Isso é ilegal!
Isso é ilegal!

Onde a dignidade humana?
Onde o exercício de cidadania?

O que é ilegal?
O que é ilegal, porra!!!!


A PRIMAVERA DE GINSBERG
(fragmento)

(...)
Nunca consultando a Constituição pelos atos de exceção ou disposições transitórias que mais confundem já dos tantos artigos e parágrafos dúbios de códigos civis ou penais ou sei lá mais, qual gramática complicada – para que tanta lei, me Deus, se apesar da compulsoriedade jamais será cumprida!!

Ou que por eloquência nossa, mais fácil falar a língua do inimigo como se nada tivesse acontecido;

Ou que por superioridade nossa no meio dessa misturada doida, prescindiríamos de leis e governos;

Ou que por universalidade nossa, adaptaríamos nossa vida à todas do planeta numa carnavalizante existência;

Ou que por sapiência nossa, misturaríamos de tudo para traduzir o sumo do bom e do melhor nos esquecendo da excrescência noturna com que alicerçamos nosso ontem, enlameamos nosso hoje e fabricamos um infecto amanhã;

Qual nada

Se todos os ardis nos iludem na página rotineira de uma novela televisiva;

Se todos os escroques nos remetem aos apuros com malabarismos sentimentais;

Se a todo momento expomos a mão à palmatória num vexame bisonho;

E isso nada tem haver com nosso bocejo perene, oh! plebe ignara!

Chamo de gato ao gato
E ao governante de patife!

Cada qual cuide de si

Pois todos os banquetes do palácio estão regados com nosso sangue de vítimas desmioladas, presas fáceis dos falastrões incorrigíveis, de gestos fesceninos, adeptos de gestapos e fiéis de Gog e Magog;

Qual nada

Cultivemos então nosso orgulho majestoso do jeitinho para tudo, jogando uma bola fenomenal e flertando a bundinha daquelas que seguem para a praia a procura de uma noite por maior prazer, beldades de uma geografia anatômica capazes de esbugalhar os olhos dos mais insensíveis;

Cultivemos nosso orgulho pelos bens adquiridos através do processo de Felipe da Macedônia, felizes por dar uma marretada no otário que sai todo dia de casa com um chapéu que é a porrada da ocasião, da tapeação e ainda sorrir por haver lesado um imbecil;

Pelos presentes de Artarxerxes aos nossos desafetos, fofoqueiros que se metem em tudo como um azarão a nos perseguir;

Pelos que fazem política como pó de Pirlimpimpim e nos conduzem numa nau à deriva, sabe lá, Deus, para onde!!!!

Pelos tolos que cumprem as leis violadas pelos sabidos;

Pelas leis que fazem vista grossa nas dilapidações e nos dão essa segurança de impunidade na rua;

Pelas leis que vão até onde o rei falso quiser – toda lei na mão do feitor!

Pelos que fazem a guerra e ainda se arvoram na petulância de anunciar que o fazem por amor à humanidade, filhos da puta!

Pelos que vivem de julgar a todos segundo seu próprio juízo e vomitam razões esquálidas na mais sectária das visões;

Pelos ambidestros sobre as farândolas dos falidos que cultuam o carnaval para se esbaldar da nossa desgraça e mangar da nossa besteira por santificá-los como bem sucedidos, quando não passam de um vesano sobre os nossos detritos e suas diatribes;

Pelos rabagás, os tais déspotas, cultores de tudo na base do balão de ensaio, postulantes às tendas de meninas fiéis católicas, que mal geram filhos e negam os peitinhos empinados para que não lhe caiam até a barriga desagradando seu patrão;

Por esta multidão andrajosa a exibir suas deformidades, dormindo no ponto, sequer desconfiando da sede do abismo com um riso banguela na hora mágica do gol;

Por essa gente que gosta de tanger gente na maior sem cerimônia;

Por essa gente que leva a riqueza dos outros na pontinha do dedo sem o menor rubor;

Pela história mentirosa que se ensina e a vergonhosa que segreda, quando aqui fenícios deixaram indícios suméricos mais valiosos na pré-cabrália e ninguém se deu conta do que seria, por isso deu no que deu!

• Será, então, um deus moreno, com um olhar tropical, indevidamente preterido, esperando, esperando, esperando por um novo milagre? ah! Para tanto há milagre de abril, cor anil, tão sutil, para ser hostil, com mentiras mil, ah!!!

• Ah! Se um Frínico tivesse aqui o poema da comoção popular!!!

A terra é redonda
E ainda, assim, cagam pelos quatro cantos de mundo!!

(...)
Mas podemos ainda felizes sambar nas praias do nosso lindo litoral nem nos dando conta de tais leviatãs

E ainda podemos sorver uma cerveja gelada no boteco da esquina sem nos incomodar com as cambadas e confrarias de nada no conluio dos interesses;

E ainda gritar de emoção num lance de gol desconhecendo enxames, matilhas ou pragas ou quadrilhas ou súcias ou varas ou glutões ou vilões dos nossos congressos, legiões de algozes duma ação de verdugos com bocarras exuberantes e seus guinchos de sanha aracnídeas, inimicíssimos de nós meridionais;

E ainda podemos remexer o esqueleto na Marquês de Sapucaí, pisando nossos remorsos, aplaudindo lúculus e gangsters e facínoras que financiam as atrofias das nossas vontades!!!!!

E ainda podemos melar os pés no pantanal mato-grossense, desconsiderando homicidas sobre os incipientes lerdos inofensivos que não tem nem deus nem nada para se amparar!!!!

E ainda podemos singrar as águas do São Francisco sem sabermos que somos verdadeiros suicidas na absolvição dos infratores no centro de uma hemorragia de idólatras no urinol!!!!

E ainda podemos passear pelas ruas de Olinda sem prevermos da gatunagem dos que se dizem dermatóglifos de nossa missão, quiromantes do nosso destino, redentores do nosso sofrimento, puta-que-o-pariu!!!!

Quem somos além de usuários de um reino diáspora com falcões nos plenários a nos mostrar o homem e o seu lobo, o predador e a sua presa, o desigual do forte sobre o fraco, deus meu?

Só a poesia tornará a vida suportável!!!!!!!!


ANÁTEMA


Pelo meio do mundo afora
pelo jeito que for e será
pelos ermos caminhos embora
e nos abismos me extasiar
ver o dia vir nascer das mãos
ver o sol se deitar nos olhos
é o meu destino de qualquer pagão
no sereno da noite me molho
e enxugo a pele
não me dera a vida uma escolha
e por sentir amada
na paixão minada, viver
pelo equívoco de quem desama
repudiando deus e todo mundo
vociferando o verso que a veia inflama
num anátema jamais profundo
pelo de dentro e o que vem de fora
pelo embuste que segreda a farsa
procuro pelo que evadiu agora
e no frigir já não vale mais nada
e a pancada insólita
se alastra na culatra
e não foi feita só de mera viva cortesia,
viver
não me resta aqui dizer mais nada
isso é página virada
precisa só viver

© Luiz Alberto Machado. Direitos reservados.



Veja mais sobre
O encontro das sombras e olores, Cyro dos Anjos, Denis Diderot, Violeta Parra, Marieta Severo, István Szabó, Leo Putz, Erika Marozsán, Ida Rubinstein aqui.

E mais:
A Trupe do Fecamepa aqui.
Proezas do Biritoaldo Quando Risca Fogo, o Rabo Inflamável Sofre Que Só Sovaco de Aleijado aqui.
Painel das fêmeas, Lao Zi, Richard Flanagan, Heinrich Heine, Sally Nyolo, Fabiana Karfig, Gaspar Noé, Howard Rogers, Musetta Vander & Ação civil pública aqui.
Big Shit Bôbras: a chegada & primeira emboança aqui.
A Primavera de Ginsberg, Frederick Chopin, Valentina Igoshina, Paula Vogel, Jane Campion, Karl Briullov, Andréa Beltrão, Meg Ryan, Mademoiselle Dubois, Psicologia & Direitos Humanos, Cordel do Professor & Ísis Nefelibata aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitora parabenizando o Tataritaritatá.
Veja aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.


GONÇAL MAYOS, MARINE PETROSSIAN, PÉTER NÁDAS & IRANDHIR SANTOS

  Imagem: Arrostar aporias , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Fábula dos embeiçados desavindos... ...