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segunda-feira, janeiro 11, 2016

CONVITE, BAUMAN, STANISLAW, GERSHWIN, HÖLDERLIN, OSWALD, ALMÓDOVAR, LUCÉLIA, LUCIAH & MUITO MAIS!!!!



CRÔNICA DE AMOR POR ELA: CONVITE - Plena tarde e o céu inteiro na pradaria: um mar espalmado que se resume ao rumor da nudez inundando todas as súplicas dos meus quereres tostados de fogo ardente. À espreita vou requestado com toda luxúria de minha alma herege confiscar toda mansa fragrância do seu milagre fabuloso, da sua majestosa divindade nua, feita para amar, para apertar com jeito, para vibrar em mim danada do céu queimando a lenha do que se faz predador e presa entre nós. Tudo é demasiado próximo no hálito quente da sua sedução a céu aberto e entregando todo o tesouro do coração, todas as posses, suplícios, encantos e eu possesso aos bocados, desesperado e faminto de emoções poderosas a morder com trela a tarde da primavera no ninho do seu corpo nu que me embriaga com o veneno da paixão. Aceito o convite e ébrio dou fé do olhar ardente na insônia de quem ama devendo o beijo, o abraço e a garanhagem libertadora. E estendida sobre o meu desejo traz o colo e sua macia tepidez para a incursão de nossa refrega a transpor toda doçura e vício na vertigem de nossas entregas. Esta a canção que afaga o dorso nu num duelo de dentes cerrados e se faz servidão na ponta dos seios duros e tomada pela pele acetinada que eterniza minha loucura em êxtase enquanto transgredimos de nós, das regras, da arena no êxodo do mundo, duelando com o passado de vigília e arrependimentos, duelando com a vida pelo que já foi e o que virá das venturas e destroços que se redimem no ardor do incenso de seu corpo que governa e que se faz tarde nas minhas mãos errantes. E do seu corpo roubo a paz que se faz tisana alquímica no meu estertor, sorvo seu sexo dando vazão a minha agonia gulosa que faz abluções no charco empoçado de delícia nas entrepernas e que se faz contenda tirânica na nossa luta corporal munida de armas das carícias até sermos derrotados, vencidos pela vida. Só o amor resiste aos escombros. E renascinzas, o amor assim é na entrega servil dos amantes. (Luiz Alberto Machado. Veja o vídeo deste poema aqui e mais aqui & aqui).

VEJA MAIS CRÔNICA DE AMOR POR ELA:

PICADINHO


Imagem: Eve, do pintor do maneirismo italiano Girolamo Francesco Maria Mazzola (1503-1540), mas conhecido como Parmigiano. Veja mais aqui.


Curtindo o álbum Kiri sings Gershwin (EMI, 1987), com músicas do compositor estadunidense George Gershwin (1898-1938), na interpretação da soprano Kiri Te Kanawa. Veja mais aqui e aqui.

EPÍGRAFE – O homem é um deus quando sonha e não passa de um mendigo quando pensa, recolhida do livro Reflexões (Relume-Dumará, 1994), do poeta lírico e romancista alemão Friedrich Hölderlin (1770-1843). Veja mais aqui.

A PÓS-MODERNIDADE - No livro O mal-estar da pós-modernidade (Zahar, 1998), do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, encontro que; [...] A multiplicidade de estilos e gêneros já não é uma projeção da seta do tempo sobre o espaço da coabitação. Os estilos não se dividem em progressistas e retrógrados, de aspecto avançado e antiquado. As novas invenções artísticas não se destinam a afugentar as existentes e tomar-lhes o lugar, mas se juntar às outras, procurando algum espaço para se mover por elas próprias no palco artístico notoriamente superlotado. Num cenário em que a sincronia toma o lugar da diacronia, a co-presença toma o lugar da sucessão e o presente perpetuo toma o lugar da história, (já não trata mais) de missões, de advocacia, de profetização, de uma e única verdade firmada para estrangular as pseudoverdades. Todos os estilos, antigos e novos, devem provar seu direito a sobreviver. [...] Quando a competição domina, há pouco espaço para [...] a confraria de ideias, escolas disciplinadas e disciplinadoras [...] Há pouco espaço, portanto, para normas e cânones coletivamente negociados e coletivamente proclamados. Toda obra de arte recua diante do quadrado e não pensa em criar família [...]. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

MENINO PRECOCE – O livro Garoto linda dura (Autor, 1966), do escritor, radialista, jornalista e compositor Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta, 1923-1968), reúne crônicas do autor, entre as quais destaco Menino precoce: Diz que era um menino de uma precocidade extraordinária e vai daí a gente percebe logo que o menino era um chato, pois não existia nada mais chato que menino precoce e velho assanhado. Todos devemos viver as épocas condizentes com as nossas idades; do contrário, enchemos o próximo. Mas deixemos de filosofias sutis e narremos: diz que o menino era tão precoce que nasceu falando. Quando o pai soube disso não acreditou. O pai não tinha ido à maternidade, no dia em que o filho nasceu, não só porque não precisava, como também porque tinha que apanhar uma erva com o Zé Luís Magalhães Lins, para pagar a délivrance que era quase o preço de um duplex, pois a mulher cismou de ir para casa de saúde do Guilherme Romano. Mas isto também não vem ao caso. O que importa é que o menino já nasceu falando. Quando o pai soube da novidade, correu à maternidade para ouvir o que tinha o menino a dizer. Chegou perto da incubadeira e o garoto logo se identificou com um “oba”. O cara ficou assombrado e mais assombrado ficou quando o nenenzinho disse: - Papai vai morrer às 2 horas! – dito o que, passou a chupar o bico da mamadeira e mais não disse nem lhe foi perguntado. O cara voltou para casa inteiramente abilolado. Sem conter o nervosismo, não contou pra ninguém a previsão do menininho precoce, mas ficou remoendo aquilo. Dez e meia, 11, meio-dia... e o cara começou a suar frio. Uma da tarde, o cara já estava praticamente arrasado e quando passou da hora prevista um minuto ele começou a se sentir mais aliviado. E estava dando o seu primeiro suspiro, quando ouviu um barulho na casa do vizinho. Uma gritaria, uma choradeira. Correu para ver o que era: o dono da casa tinha acabado de falecer. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

MÚSICA DE MANIVELA & CANTO DO REGRESSO À PÁTRIA – O livro Pau Brasil (1925), do escritor, ensaísta e dramaturgo do Modernismo brasileiro, Oswald de Andrade (1890-1954), reúne poemas do autor, entre os quais, destaco inicialmente Música de manivela: Sente-se diante da vitrola / e esqueça-se das vicissitudes da vida / na dura labuta de todos os duas / não deve ninguém que se preze / descuidar dos prazeres da alma / discos a todos os preços. Tanto o Canto do regresso à pátria: Minha terra tem palmares / onde gorjeia o mar / Os passarinhos daqui / Não cantam como os de lá / Minha terra tem mais rosas / E quase que mais amores / Minha terra tem mais ouro / Minha terra tem mais terra / Ouro terra amor e rosas / Eu quero tudo de lá / Não permita Deus que eu morra / Sem que volte para lá / Não permita Deus que eu morra / Sem que volte pra São Paulo / Sem que veja a Rua 15 / E o progresso de São Paulo. Veja mais aqui, aqui e aqui.

A CASA DE ANAÏS NIN – A peça teatral A casa de Anaïs Nin (Casa de Prostituição de Anaïs Nin), de Francisco Azevedo, conta a história da paixão que envolveu os escritores Anaïs Nin e Henry Miller. Tive a oportunidade de assistir a peça no Teatro Alfa Real, em São Paulo, no ano de 1998, com direção de Ticiana Studart e atuação inesquecível da atriz Lucélia Santos. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

CARNE TRÊMULA – O filme Carne trêmula (1997), dirigido pelo cineasta, ator e roteirista espanhol Pedro Almodóvar, conta a história uma prostituta que tem um filho em um ônibus, quando tentava chegar na maternidade, e ali mesmo lhe dá o nome de Victor. Após vinte anos, esse menino se torna um homem, que está começando sua vida adulta e tenta se encontrar com uma desconhecida, que uma semana antes teve relações sexuais com ele dentro de um banheiro. Quando telefona, ela não tem ideia de quem ele é e mesmo dizendo, ela pede que ele não ligue mais. Apesar deste corte, ele não desanima e consegue ir até o prédio dela. Pensando ser outra pessoa, ela abre a porta através do porteiro eletrônico, mas quando o vê fica bastante irritada, pois para ela foi uma transa, quando estava "doida", mas para ele foi a primeira vez. Ela decide expulsá-lo, ameaçando-o com uma arma. Os dois brigam e acontece um tiro acidental, que não fere ninguém, mas chama a atenção de uma vizinha, que alerta a polícia. Ao ver os dois policiais, ele se apavora e chega a ameaça-la colocando o revólver em sua cabeça. Eles se envolvem numa briga, a arma dispara, mas desta vez a bala atinge um deles que fica paralítico. A história se desenrola com destaque para a atriz espanhola Penélope Cruz Sanchez. Veja mais aqui, aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Todo dia é dia da soprano sul-coreana Sumi Jo.
Veja mais aqui.

DEDICATÓRIA
A edição de hoje é dedicada à maravilhosa pessoa, poeta e blogueira Luciah Lopez. Veja aqui, aqui e aqui.

DIA INTERNACIONAL DO OBRIGADO
 

TODO DIA É DIA DA MULHER
Veja as homenageadas aqui.

domingo, janeiro 11, 2015

ANN BRASHARES, AUDRE LORDE, AURÈLIA CAPMANY, LOUJAIN ALHATHLOUL & ISABEL ALLENDE

 


CAPMANY: AS CEM MIL FACES DA LIBERDADE - Barcelona era o seu chão, sua alma, sua vida. Tudo nela catalã desde o intelectual avô ao pai folclorista amante da ópera e da biblioteca. Da infância aos estudos de filosofia e a docência até vidraceira gravadora: Ensinaram-nos a pensar, a organizar o conhecimento, a dizer a verdade, a sentir -somos responsáveis para cada um dos nossos atos... Nos atentados sobre Barcelona ela serviu como voluntária no Lar Sueco-Catalão de Teià. De uma pequena loja herdada La Rambla, não quis saber do ofício de cesteiro: interessava-se pelo ativismo cultural. E percorreu o país encantada com as canções e contos folclóricos, a primeira escrita do Necessitem morir. Veio então a Escola de Arte Dramática Adrià Gual e Barcelona é ela, a mulher que lia avidamente, bebia e fumava compulsivamente, tecia e desfazia amizades e relacionamentos amorosos, esticava a noite com discussões intermináveis, exercia com paixão e rigor as calúnias, rigorosa nas tramas e adivinhação das conspirações. Deu-se então El cel no és transparente e, depois, Com una mà. E veio L'altra ciutat, Tana o la felicitat, o apogeu com Betúlia, El gust de la pols e mais Ara e Traduït de l'americà. Virava a década e com ela Tu i l'hipòcrita, El gust de la pols, La pluja als vidres, La dona a Catalunya: consciència i situació e El desert dels dies. E ainda tinha que escrever quantos artigos, ensaios, roteiros, recuperar a memória, traduzir, presidir instituição e tornar-se vereadora sob o alerta: “Você vai estragar a sua imagem!”. E surgiram Un lloc entre els morts, Vent de garbí i una mica de por, Feliçment, jo sóc una dona e Un lloc entre els morts. Outra década no calendário, todas as lutas de uma insurgente e ao depor diante de acusações: No nosso futuro e em na nossa escola caberão todos, porque a língua catalã será um nexo de união e nunca de separação... Aquele intelectual que não sabe que é um trabalhador cultural, nada sabe e não é ninguém... E vieram Vitrines d'Amsterdam, os dois volumes de Pedra de toc, Cartes impertinents de dona a dona, Numnius Dexter Optatur - Papa de Roma, Quim-Quima, El jaqué de la democracia, L'ombra de l'escorpí e El cavaller Tirant. Mais uma década e lá estava ela polifacética, libertária, polêmica, plural, teimosa, tímida – uma personagem que não se encontra, a resistência do feminismo em pessoa: Á vida é muito curta para desempenhar todos os papéis. E mais vieram: Vés-te'n ianque, Coses i noses, Tirant lo Blanc, Dietari de prudències, Lo color més blau, Mala memória, El cap de Sant Jordi, Fumar o no fumar: vet aquí la qüestió e Això era i no era. Adaptável e resistente a cada sol que entrava pela janela. E ria com a lembrança dos cesteiros familiares, preferia um pouco mais de felicidade agora em vez de uma grande dignidade daqui a cem anos: Quando eu digo sim, é sim, e quando eu digo não, é não. E o ocaso noutra década: Aquelles dames d'altres temps e póstuma De veu a veu: contes i narracions. A atriz, a escritora, a dramaturga, a professora, a filósofa e antifranquista, todas uma só e aos goles a profusão de contar muitas vezes e cada qual diferente da outra. Vá em frente, tenho cem mil imagens! E traçou as cem mil linhas de sua resistência, do seu compromisso, da sua liberdade. E envolveu-se em todos os incêndios e o fogo todas as vidas e a vida.

 


AS CEM MIL FACES DE CAPMANY - Uma mulher capaz de prazer pode tornar-se rebelde, pode trair o seu dono e senhor, pode procurar esse prazer longe do leito conjugal, pode contornar o domínio do homem e dar-lhe descendência ilegítima para zombar e fraudar a sacrossanta lei da herança. O que é certo é que eles vão lutar contra a norma. Já era hora. A primeira armadilha em que as mulheres caíram desde o momento em que tentaram as suas revoltas libertadoras é aceitar que ela é de uma certa maneira (a chamada maneira feminina de ser) contra outro modo (o chamado masculino), que é, para ser franco, o dominante. Esta formulação da feminilidade como um facto diferencial negativo é o princípio da sua alienação. A mulher não conseguirá nada se não entender e aceitar que a sua luta não é uma luta a favor da mulher, mas a favor de uma pessoa oprimida, usada, tratada injustamente, e justamente por isso, quando ela atingir esta convicção, fará causa comum com todas as justas demandas da terra, trabalhistas, nacionais, raciais. Pensamento da escritora, dramaturga e ensaísta catalã Maria Aurèlia Capmany i Farnés (1918-1991). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Silêncio antes de nascer, silêncio depois da morte: a vida nada mais é do que ruído entre dois silêncios insondáveis. Só temos aquilo que damos. Você é o contador de histórias da sua própria vida e pode criar sua própria lenda ou não. Escreva o que não deve ser esquecido. A verdadeira amizade resiste ao tempo, à distância e ao silêncio. Pensamento da escritora chilena Isabel Allende, que na sua obra City of the Beasts (HarperTrophy, 2004), expressa que: […] Quanto mais vivo, mais desinformado me sinto. Só os jovens têm explicação para tudo. [...] As palavras não são tão importantes quando você reconhece intenções. [...]. Também noutra obra The House of the Spirits (Atria, 2014), expressa: […] Você não pode encontrar alguém que não queira ser encontrado. [...] Às vezes sinto como se já tivesse vivido tudo isso antes e já tivesse escrito estas mesmas palavras, mas sei que não fui eu: foi outra mulher, que guardou seus cadernos para que um dia eu pudesse usá-los. Escrevo, escreveu ela, que a memória é frágil e o espaço de uma única vida é breve, passando tão rápido que nunca temos oportunidade de ver a relação entre os acontecimentos; não podemos avaliar as consequências dos nossos atos e acreditamos na ficção do passado, do presente e do futuro, mas também pode ser verdade que tudo acontece simultaneamente. ... Por isso a minha Avó Clara escrevia nos seus cadernos, para ver as coisas na sua verdadeira dimensão e para desafiar a sua fraca memória. [...]. Já na sua obra Of Love and Shadows (Atria, 2014), também expressa: […] Para as mulheres, os melhores afrodisíacos são as palavras. O ponto G está nos ouvidos. Quem procura lá embaixo está perdendo tempo. […]. Por fim, autora da frase: Escrever é um processo, uma viagem à memória e à alma... Veja mais aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Quais ações são excelentes? Fortaleça o coração do ser humano, alimente os enfermos, ajude os enfermos, alivie dores dolorosas e remova a dor das feridas. A melhor riqueza é a riqueza da alma. Pensamento da ativista saudita Loujain Alhathloul. Veja mais aqui e aqui.

 

IRMANDADE DAS CALÇAS VIAJANTES - [...] Talvez a verdade seja que há um pouco de perdedor em todos nós. Ser feliz não é ter tudo perfeito na sua vida. Talvez seja sobre juntar todas as pequenas coisas. [...] Talvez, às vezes, seja mais fácil ficar bravo com as pessoas em quem você confia, porque você sabe que elas sempre amarão você, não importa o que aconteça. [...] Hoje é o amanhã com o qual nos preocupamos ontem. [...]. Trechos extraídos da obra The Sisterhood of the Traveling Pants (Ember, 2003), da escritora estadunidense Ann Brashares, que na obra My Name Is Memory (Riverhead, 2011) expressou: […] Ame quem você ama enquanto você os tem. Isso é tudo que você pode fazer. Deixe-os ir quando for necessário. Se você sabe amar, nunca vai acabar. [...] O amor exige tudo, dizem, mas o meu amor exige apenas isto: que não importa o que aconteça ou quanto tempo demore, você manterá a fé em mim, se lembrará de quem somos e nunca sentirá desespero. [...] Eu fiz a busca e a lembrança, ela fez o desaparecimento e o esquecimento [...]. Também na obra Forever in Blue: The Fourth Summer of the Sisterhood (Ember, 2008), ela expressa: […] Os pais eram os únicos obrigados a amar você; do resto do mundo você tinha que merecê-lo [...] algumas pessoas se apaixonam continuamente, enquanto outras só conseguem fazer isso uma vez. [...]. Veja mais aqui e aqui.

 

UMA MULHER FALA - Lua marcada e tocada pelo sol \ minha magia não está escrita\ mas quando o mar volta\ isso deixará minha forma para trás.\ Eu não busco nenhum favor\ intocado pelo sangue\ implacável como a maldição do amor\ permanente como meus erros\ ou meu orgulho\ eu não misturo\ amor com pena\ nem odeio com desprezo\ e se você me conhecesse\ olhe para as entranhas de Urano\ onde os oceanos agitados batem.\ eu não moro\ dentro do meu nascimento nem das minhas divindades\ que não tem idade e está meio crescido\ e ainda buscando\ minhas irmãs\ bruxas em Daomé\ me use dentro de seus panos enrolados\ como nossa mãe fez\ luto.\ eu fui mulher\ por muito tempo\ cuidado com meu sorriso\ Eu sou traiçoeiro com magia antiga\ e a nova fúria do meio-dia\ com todos os seus amplos futuros\ prometido\ Eu sou\ mulher\ e não branco. Poema da escritora e ativista caribenha-americana Audre Lorde (1934-1992). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui

 

SACADOUTRAS

 

UMA LIÇÃO DE MULHER – No início dos anos 1900, Mary Whiton Calkins (1863-1930) teve sua matrícula recusada pela Harvard University e teve seu Ph.D. recusado por ser mulher, mesmo tendo sido seus estudos de doutoramento considerado o mais brilhante exame de Ph.D até então realizado em Harvard que só , sete anos depois, ela recebeu a graduação da Radcliffe College pela Havard, colégio esse criado pela própria universidade para oferecer cursos para mulheres. Ela, então, recusou porque havia atendido as exigências da Harvard, não do colégio. A razão da restrição era a crença generalizada na chamada superioridade intelectual masculina, considerando as deficiências intelectuais femininas inatas que não permitiam que tirassem proveito dos benefícios. Grande parte do mito da superioridade intelectual do homem surgiu da chamada hipótese da variabilidade, baseada nas teorias de Darwin a respeito da variabilidade masculina: o cérebro masculino seria mais evoluído do que o feminino. Por isso, a mulher era considerada inferior ao homem, tanto nas qualidades mentais como nas físicas necessárias para se obter êxito na adaptação às exigências do ambiente. Além do mais, havia uma teoria popular de que as mulheres sofriam de danos físicos e emocionais, bem como de que as suas condições biológicas colocavam em risco a maternidade se elas fossem cursar níveis de educação superior. Enfim, Calkins obteve uma graduação honorária da Columbia University e sua experiência é um exemplo da discriminação sofrida pelas mulheres que almejavam a educação superior, condição que persistiu até o século XX. Contudo, ela foi a primeira mulher a tornar-se presidente da Associação de Psicologia Americana, em 1907, e desenvolveu a técnica de associação dos pares, usada no estudo da memória, contribuindo de forma significativa e duradoura para a psicologia. Veja mais aqui e  aqui. 

Imagem: Diana, fragmento destacado da obra do pintor do maneirismo italiano Girolamo Francesco Maria Mazzola (1503-1540), mas conhecido como Parmigiano. Veja mais aqui.

Ouvindo: Geraldo Azevedo ao vivo, Geração/BMG Ariola, 1994. Veja mais aqui e aqui.

OSWALD DE ANDRADE – Em fins dos anos 1980, já de saco cheio com as aulas do curso de Letras, resolvi, por conta própria, dar continuidade aos estudos que eu já havia começado por volta dos meus 15 anos: estudar a Literatura Brasileira mais a fundo. Foi quando comprei livros e livros de História da Literatura (os de Carpeaux, Manuel Bandeira, Silvio Romero, Afranio Coutinho, Wilson Martins, Nelson Werneck Sodré e outros e outros), estudando, assim, cada autor e lendo suas obras. Leituras de anos. Quando cheguei no Oswald de Andrade (1890-1954), nossa, fiquei admirado! E fui lendo um a um dos seus livros. Cada leitura um êxtase especial. Ficou o Memórias sentimentais de João Miramar, com a pregação e disputa do natural das Américas aos sobrenaturais de todos os orientes: - Tudo é tempo e contratempo! E o tempo é eterno. Eu sou uma forma vitoriosa do tempo, em luta seletiva, antropofágica. Com outras formas do tempo: moscas, eletroéticas, cataclismas, polícias e maribondos! Ó criadores das elevações artificiais do destino eu vos maldigo! A felicidade do homem é uma felicidade guerreira. Tenho dito. Viva a rapaziada! O gênio é uma longa besteira! E também ficou o Música de manivela do Pau-Brasil: Sente-se diante da vitrola / e esqueça-se das vicissitudes da vida / na dura labuta de todos os dias / não deve ninguém que se preze / descuidar dos prazeres da alma. Veja mais aqui, aqui e aqui.

SÉRGIO PORTO, O STANISLAW PONTE-PRETA – Do Sérgio Porto – leia-se Stanislaw Ponte Preta -, li tudo: o homem do lado, primo Altamirando, Rosamundo, Ria Zulmira, a casa demolida, garoto linha dura, as cariocas, na terra do crioulo doido e, sobretudo, os Febeapás 1 e 2. Confesso que eu sou desse autor um xexéu xucro: influência a ponto de copiar com a maior incapacidade de alcançar o talento dele. Destaco o Era covardia, do Primo Altamirando e elas: Tem sogra até boazinha, que faz o chamado biombo conjugal, isto é, fica aparando os golpes da gente para que a filha não se chateie. O cara some, não aparece pro jantar e a sogra, morando nas aflições da filha, inventa enredo para que ela não dê bronca, aventando hipóteses tais como plantão no escritório, pneu do carro furado, falta de condução e outras desculpas próprias par amenizar a raiva da esposa aflita que vê afrouxar o chamado lado conjugal [...] Ontem lá estivemos, frente ao juiz, servindo de testemunha no processo de anulação do casamento. Jandira, a que suou a camisa nº 11 no time de Primo Altamirando, estava triste, pois adorava o marido (consta que Mirinho tem truques pra mulher que até Deus duvida). Mas a sogra estava mais furiosa que a torcida do Madureira. E tudo porque a separação foi proposta justamente depois do dia em que ela saiu no tapa com o padeiro e Mirinho assistiu a sogra apanhar uma surra bizantina, impávido e – por que não dizer – um tanto ou quanto eufórico. Aliás, o juiz resolveu anular o casamento, por causa desse episódio, revoltado com o cinismo de nosso nefando parente. – O senhor viu sua sogra levar uma surra do padeiro e não ajudou? – quis saber o magistrado. – Não, excelência – respondeu Mirinho. – E por que não ajudou? – estranhou o juiz. – Porque não ficava bem, dois homens batendo numa velha só. Veja mais aqui e aqui.

Imagem: Hypátia antes de ser morta na igreja, pintura de Charles William Mitchell, 1885.

HYPATIA DE ALEXANDRIA – A filósofa neoplatonista grega e do Egito Romano, Hypatia de Alexandria (350-415 d.C.), foi a primeira mulher a lecionar filosofia e astronomia e considerada matemática. Ela era ascética e virgem – o seu corpo,para ela, deveria ser sua exclusiva propriedade -, cultuava as ideias do astrônomo e matemático grego, Aristarco de Samos (310-230 a.C.), o heliocentrismo (precursor das ideias de Nicolaus Copérnico), quando ministrava aulas na Biblioteca de Alexandria. Entre os seus feitos estão o aperfeiçoamento do astrolábio, defendendo que o conhecimento devia ser acessível a todos. Uma mulher erudita enfrentando a misoginia dos santos teólogos da igreja cristã, numa época de fanatismo religioso preocupado em apedrejar e esfaquear os descrentes e em sujeitar as mulheres à total submissão. Ela foi acusada em praça pública por atentar contra os costumes morais e bruxa, foi arrastada por uma milícia de fanáticos cristãos até uma igreja, onde foi despida, apedrejada até a morte, esfolada com lascas de vasos de cerâmica, tendo sido arrancado todos os seus membros e jogado os pedaços à fogueira. Tal evento marcou o fim da era do conhecimento e da racionalidade, dando inicio à idade das trevas que perdurou até o Renascimento, no século XVI. Sua vida foi transformada em filme, Ágora, de 2009, direção de Alejandro Amenábar, com roteiro escrito pelo próprio diretor em parceria com Mateo Gil. Veja mais aqui.


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Teatro, Berthold Brecht, Gerd Bornheim, Constatin Stanislavski, Raymond Williams, Margot Berthold, Richard Courtney, Olga Reverbel, Décio de Almeida Prado, Renata Pallottini, Viola Spolin, Sábato Magaldi & Coisas de Teatro aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitora Tataritaritatá!
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
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GONÇAL MAYOS, MARINE PETROSSIAN, PÉTER NÁDAS & IRANDHIR SANTOS

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