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quarta-feira, março 07, 2018

ANAÏS NIN, REICH, JOYCE, QUESADO, SAVIANI, ELIANE RODRIGUES, EDUCAÇÃO & REPRESSÃO SEXUAL, FREYARAVI & LUCIAH LOPEZ

FREYARAVI & A SALVAÇÃO DO CATIVEIRO – Imagem: arte da poeta, artista visual & blogueira Luciah Lopez. - Errava caeté por terras distantes, atraído pelo clima e abundância de frutas e caças, ao deus dará. Já me acostumava com aquelas paragens até então pacatas e apaziguadoras, quando senti presságios no ar. Deu-me a impressão de que me observavam às escondidas, perseguido pelo matagal. Fique à espreita e logo percebi a presença hostil pelas cercanias. Não demorou muito, surgiram de esconderijos inesperados, muitos índios a me atacar. Lutei com eles o que pude e logo chegaram outros com seus soberbos cavalos e investindo contra mim. Fiz-me afoito, sozinho, a responder seus golpes, eram muitos e cada vez mais, não conseguia suplantá-los e tentei fugir sem obter êxito, pois me feriram e, na queda, logo me cercaram e me capturaram com suas flechas pro cativeiro, amarrado e conduzido para a ocara, em meio de gritos de vitória dos guerreiros. Fui exposto como prêmio e logo fizeram fogueiras e passaram a cantar e danças, saboreando caças moqueadas, regadas a uma bebida que parecia um vinho de mel. Por conta dos ferimentos, desfaleci; e ao recobrar os sentidos, aprisionado e ferido, recebia cuidados de uma bela índia. Logo me afeiçoei a ela por sua forma carinhosa de me tratar. Ouvia sua voz me falar, mesmo sem entender direito, mas que me dizia ter ela nascido dos rios caingangues. Linda e cheia de encantos, durante o dia cuidava de mim. Logo ouvi alguém chamá-la: Yaravi! Esse o nome dela e, pelo visto, reprovavam o tratamento a mim dispensado. Ela sumiu com os demais, ao final da tarde retornou e me segredou cuidadosamente, pelo que pude entender, que durante a noite voltaria. Logo anoiteceu e enquanto a tribo toda festejava a minha captura, um vulto de mulher surgiu na escuridão. Não pude identificar nem fazer menção de qualquer gesto, vez que ferido ainda me condoía. Ela fez sinal de silêncio, tocou-me e nada mais vi. Só dei por mim muito tempo depois dentro de um quarto em ruinas, acompanhado de uma deusa que me curava com um ritual carregado de orações. Quando os primeiros raios de Sol surgiam, ela desaparecia como por encanto. E já manhã ensolarada, chegava Yaravi com mantimentos para me alimentar. Depois de me assistir na primeira refeição do dia, ela se despedia prometendo retornar mais tarde. E só na escuridão da noite, a deusa reaparecia para os seus rituais, sumindo na madrugada. Várias luas se passaram e todos os dias eu ouvia lá longe os festejos da tribo. A deusa reapareceu de repente e me fez levantar: Vamos, teremos guerra e preciso de você. Durante os folguedos tribais, a fumaça das fogueiras atraiu bandeirantes que tencionavam invadir a tribo para escravizá-los. Travou-se combate, as flechas e lanças de nada serviam diante das armas de fogo dos invasores. Foi aí que tomei partido pelos aborígenes e providenciei estratégias de defesa ao ataque inopinado. Luta renhida se fizera, porém, felizmente, nossa coragem e bravura forçaram os inimigos a abandonar a luta, fugindo aos bandos. Quando deram pela minha presença no combate, logo me renderam. Na manhã seguinte, Yaravi teve a coragem de pedir a seu pai que me concedesse a liberdade, alegando minha participação na luta contra os forasteiros. Os guerreiros se reuniram em assembleia, deliberaram sob os mais calorosos protestos e aquiescências, concedendo-me, por fim, a satisfação do seu pedido, sob a condição de que eu acompanhasse a tribo. E assim fui salvo. Por meus feitos a partir de então, fui adquirindo notável influência, acabando por me tornar conselheiro entre eles. Em noite festiva agradeci a Yaravi por ter-me salvo, porém meu gesto de gratidão estava transformado em amor. Ela olhou-me diante da confissão feita, trêmula e, meia sem jeito, abraçou-me afetiva e demoradamente. Pude, então, tomar ciência de que aquela índia era a mesma pessoa da deusa que me aparecia durante a noite. Quis saber dela, respondeu-me: Freyaravi. E fizemos nosso pacto de amor e nunca mais desgrudei dela. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & mais aquiaqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá Todo dia é Dia da Mulher com especial com a cantora, compositora e instrumentista Joyce: Feminina, Revendo amigos & Ao vivo; da pianista Eliane Rodrigues: Momentos musicais, Étude op 25 Chopin & Pour le piano Debussy; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Toda educação, sistemática ou não, expressa uma visão de mundo que reflete a realidade socioeconômica e política em que está inserida. Pensamento extraído da tese de doutoramento em Filosofia, sobre a temática Valor e educação (PUC, 1983), do professor José Misael Ferreira do Vale.

EDUCAÇÃO – [...] o homem necessita produzir continuamente sua própria existência. Para tanto, em lugar de se adaptar à natureza, ele tem que adaptar a natureza a si, isto é, transformá-la. E isto é feito pelo trabalho. Portanto, o que diferencia o homem dos outros animais é o trabalho. Trecho extraído da obra Pedagogia histórico-critica: primeiras aproximações (Cortez & Autores Associados, 1991), do filósofo e pedagogo Dermeval Saviani. Veja mais aqui.

REPRESSÃO SEXUAL - [...] A repressão da sexualidade natural da criança, e em particular da sexualidade genital, torna-as apreensiva, tímida, obediente, cheia de medo da autoridade. “Simpática” e “bem comportada”, no sentido autoritário; paralisa as suas tendências rebeldes já que a revolta desperta a ansiedade; engendra, ao inibir a curiosidade sexual da criança e as suas relações sexuais, um abaixamento generalizado das suas faculdades mentais e do seu sentido crítico. Em resumo, o objetivo da repressão sexual consiste em fabricar um individuo que poderá adaptar-se à sociedade autoritária e que a ela se submeterá apesar de todo o sofrimento e humilhação que é vítima. [...]. Trecho da obra Psicologia de massa do fascismo (Escorpião, 1974), do médico, psicanalista e cientista natural Wilhelm Reich (1897-1957). Veja mais aqui.

A FAMÍLIA E A FUNÇÃO SOCIAL DA REPRESSÃO SEXUALA unidade da célula familiar apoia-se na obediência das crianças a seus pais. Já vimos que as crianças, ao aprenderem a obedecer aos pais, aprendem a obedecer de um modo geral. Os resultados obtidos pela educação familiar são transferidos para todas as situações onde o adulto se encontra diante de um superior hierárquico. Ora, a repressão sexual faz parte da educação familiar. Os pais castigam os filhos que se masturbam e vigiam a hora a que sua filha volta para casa. Para se adaptarem ao meio familiar, os hovens têm portanto que recalcar a sua sexualidade (inversamente, a afirmação destas necessidades sexuais é revestida de um significado de revolta contra os pais. Quando uma jovem volta para casa às seis horas da manhã desafia os pais). É castigando os filhos que os pais lhes ensinam a obedecer e obtem deles a renuncia ao prazer sexual. [...] Isto implica que a ansiedade associada à expressão de desejos sexuais está ligada à angustia suscitada por todas as tendências rebeldes, já que a sexualidade e as veleidades da rebeldia são indistintamente reprimidas pelos educadores. [...] A criança acaba por ter medo desses sexuais e dessas tendências à revolta, e impede-os de se manifestarem. [...]. Trecho de A repressão sexual (Martins Fontes, 1972), de Michel Cartier.

OS OLHOS ALONGADOS DE ANITA – [...] Os olhos alongados de Anita não se fechavam como os das outras mulheres, mas como os olhos dos tigres, pumas e leopardos, com as duas pálpebras juntando-se preguiçosa e lentamente; e estas pareciam levemente unidas próximo do nariz, tornando-se mais estreitas, com um relance lascivo e obliquo pendendo dos olhos, como o olhar de relance de uma mulher que não quer ver o que estão fazendo em seu corpo. Tudo isso dava a ela um ar de quem estava fazendo amor [...] Anita estava se vestindo em meio a uma profusão de flores; e, para deleite dos admiradores sentados à sua volta, estava pintando o sexo com batom, sem permitir que eles fizessem qualquer movimento em sua direção. [...] ela apenas ergueu a cabeça e sorriu para ele. Estava com um pé apoiado sobre uma mesinha, o requintado vestido brasileiro estava levantado e, com as mãos cheias de joias, retomou a pintura do sexo, rindo da excitação dos homens à sua volta. O sexo dela era como uma gigantesca flor de estufa, maior do que qualquer um que o Barão já houvesse visto, e o pelo em volta era abundante, encaracolado, negro acetinado. Eram aqueles lábios que ela pintava como se fossem uma boca, muito requintadamente, de modo que ficaram como uma camélia vermelho-sangue aberta à força, mostrando o botão interior, o cerne mais pálido e de pétalas mais delicadas da flor. [...] Depois é que se seguia a performance pela qual Anita era famosa em toda a América do Sul, quando os recônditos camarotes do teatro, no escuro, com as cortinas semicerradas, enchiam-se de homens da sociedade de todo o mundo. As mulheres não eram levadas àquele espetáculo de variedades de alta classe. Ela havia se vestido de novo com o traje de saia rodada que usara no palco durante as canções brasileiras, mas não estava de xale. O vestido não tinha alças, e os seios fartos e abundantes, comprimidos pelo corpete justíssimo, avolumavam-se para cima, oferecendo-se quase que por inteiro ao olhar. Nesse traje, enquanto o resto do show continuava, ela fazia a ronda dos camarotes. Lá, mediante solicitação, ajoelhava-se diante de um homem, desabotoava as calças dele, pegava o pênis com as mãos cheias de jóias e, com um toque de bom gosto, uma destreza, uma sutileza que poucas mulheres já desenvolveram, chupava-o até satisfazê-lo. As duas mãos eram ativas como a boca. A delícia daquilo quase privava os homens dos sentidos. A elasticidade das mãos; a variedade de ritmos; a mudança entre um aperto de mão em todo o pênis e o mais leve toque na ponta, entre a pegada firme de todas as partes e o mais leve roçar dos pêlos em volta – tudo isso por uma mulher excepcionalmente linda e voluptuosa, enquanto a atenção do público estava voltada para o palco. Ver o pênis entrar na boca magnífica, entre os dentes brilhantes, enquanto os seios arfavam, dava aos homens um prazer pelo qual pagavam generosamente. A presença dela no palco preparava-os para a aparição nos camarotes. Ela provocava-os com a boca, os olhos, os seios. E, para satisfazê-los, junto com a música, as luzes e a cantoria, havia uma forma de entretenimento excepcionalmente picante em um camarote escuro e com as cortinas semicerradas acima da platéia. [...]. Trechos extraídos da obra Delta de Vênus (Artenova, 1978), da escritora francesa Anaïs Nin (1903-1977). Veja mais aqui.

BEIJO DE MULHERBeijo de mulher medrosa / dado escondido, às escuras, / é a melhor das aventuras / que a alma do homem goza. / Convém que o beijo se tome / depois de renhida luta, / que é como se fosse fruta / comida por quem tem fome. / O beijo é concedido / com liberdade e franqueza / é como uma sobremesa / depois de um jantar sortido. / Mas o beijo que enamora / e provoca mais desejo / é quando a dona do beijo / soluça, suspira e chora. / Porém o melhor sabor / é quando a mulher nos nega: / porque então a gente pega / e beija seja onde for... Quadras do poeta paraibano Luís Dantas Quesado (Luiz Siqueira Dantas – 1850-1930), considerado o maior glosador do Brasil de todos os tempos.

PRÊMIO HERMILO BORBA FILHO DE LITERATURA
A Biblioteca Fenelon Barreto informa aos interessados que estão abertas até o próximo dia 09 de março de 2018, as inscrições nas categorias de conto, poema ou romance, do Prêmio Hermilo Borba Filho de Literatura. Maiores informações aqui.

Veja mais:
Errâncias de quem ama, promessas da paixão, A origem das estrelas & os Bororos Orientais, a música de o Richard Strauss & Leonie Rysanek, o teatro de Oscar Wilde, a escultura de Sonia Ebling de Kermoal, a arte de Dorothy Lafriner Bucket & Todo dia é dia da mulher aqui.
Origem da Vida & Programa Tataritaritatá aqui.
A Pesquisa, Michel Randan, Arthur Koestler, Alan Watts, A ignorância, a Natureza Humana & Metodologia Científica aqui.
Carl Gustav Jung, Pierre Weil & Tagore aqui.
Jorge de Sena, Habermas, Trova & Trovadorismo aqui.
Nietzsche, Oniomania & Shopaholic, Noam Chomsky, Madame de Staël, Flimar & Djavan aqui.
O Apocalipse da Atualidade, Heidegger, Carl Rogers, Konrad Lorenz & Ubiratan D’Ambrósio aqui.
José Saramago, Rogel Samuel & Programa Tataritaritatá aqui.
Gato escaldado pra se enturmar é um pé na frente e outro atrás aqui.
Dos temores da infância aos arroubos juvenis aqui.
O verbo no coração do silêncio aqui.
O trauma da moça aqui.
É pra ela, Carlos Gomes & Silviane Bellato, Neila Tavares, Heloneida Studart, Maria Esther Maciel, Monica Bellucci, Piet Mondrian, Edwin Landseer & A lenda Mundurucu Quando mandavam as mulheres aqui.
Direito de Família, Psicologia Escolar, Pedofilia, Liderança & Psicose Puerperal aqui.
O pensamento de Darcy Ribeiro aqui.
Direito Autoral, Psicologia Social, Trabalho & Doenças Ocupacionais aqui.
Paulo Freire, Pedagogia do Oprimido & da Autonomia aqui.
As trelas do Doro: vai tomar no quiba, porra aqui.
Contribuições da Filosofia Greco-Romana para a Psicologia & I FLIC de Cambuquira aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.

ARTE DE LUCIAH LOPEZ
As pedras (resignadas) criam limo
e nas asas das andorinhas, o vento faz cafuné!
A tampa do mundo se abre, e,
eu vejo o céu___________ o mesmo céu
que embalou "il sommo poeta"
A Terra, exilada dos meus pés tenta dormir
resfolegando ...
E a Grande Mãe, pisca seu olho esquerdo
contraindo o canto dos lábios
num meio riso (cúmplice?!) deixando no ar
só a ideia e o começo da história.
É mesmo supra-sumo!!
Poema Passa tempo, antologia poética Conexão III (Feira do Poeta de Curitiba), organizada por Elciane Goedert & Amauri Nogueira com o poema Fonte, da poeta, artista visual & blogueira Luciah Lopez. Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.
 

segunda-feira, janeiro 28, 2008

OSWALD DE ANDRADE, RUBEM BRAGA, OLGA MOLINA, SAVIANI, GINSBERG, CONSTITUIÇÃO 88, APRENDIZAGEM, EDUCAÇÃO ESPECIAL & INCLUSÃO



EDUCAÇÃO ESPECIAL E INCLUSÃO – Abordar a temática da educação especial e da inclusão num trabalho acadêmico, leva a considerar a partir da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabeleceu as Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), notadamente na observância do art. 59, correspondente à educação especial, como sendo a modalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos portadores de necessidades especiais (PNE). Um trabalho dessa natureza traz a justificativa em razão do que preceitua o art. 205 da Constituição Federal e a LDB 9394/96, quando da definição pelo pleno desenvolvimento do educando destinado ao preparo para a vida e o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho, num processo de atendimento educacional para todos indistintamente, destinando o foco para as discussões atinentes à educação especial e ao educando PNE, carecendo de uma integração para melhor desempenhar seu papel na sociedade e na vida. Assim, terá por objetivo analisar de que forma a Educação Especial possibilita a inclusão de PNE, levantando os pressupostos da Educação Especial, analisando de que forma é desenvolvida por meio da observação acerca da qualificação do professor na sala de aula da Educação Especial, considerando os recursos oferecidos pela escola para o desenvolvimento das atividades pedagógicas em salas com PNE e avaliando as perspectivas dos profissionais no processo de inclusão na Educação Especial. Abordará, portanto, o papel da educação, o processo de inclusão e o papel do professor nessa temática, utilizando-se uma metodologia que se desenvolverá em duas etapas: a primeira delas, bibliográfica, reunindo leituras e considerações a respeito das expressões conceituais dos mais importantes estudiosos do assunto e, na segunda etapa, desenvolver uma pesquisa de campo utilizando-se de instrumento questionário que envolva o universo de professores de um educandário, onde os respondentes possam consignar suas opiniões para identificação da realidade. O que se tem encontrado nesse tocante é a a necessidade requerida pelos respondentes de se efetuar maior capacitação dos profissionais e na exigência da escola dispor de melhores recursos para o processo em questão para o desenvolvimento da educação especial no alcance da perspectiva da educação inclusiva. Segue algumas bibliografias básicas para o desenvolvimento do estudo. Veja mais aqui e aqui.

REFERÊNCIAS
ANTONIO, Wilma Alves Oliveira. Formação do professor em educação especial. Maceió: UFAL, 1999.
ARROYO, Miguel. Educação no Brasil: para quem? Para onde? Brasília: Revista de Educação da CNTE, 3:III, dez/1996.
BORDENAVE, Juan Diaz & PEREIRA, Aldair Martins Pereira. Estratégias de ensino-aprendizagem, Petrópolis, Vozes, 1977.
BRASIL. Resolução n.º 2, de 11 de setembro de 2001. Brasília: CNE/Câmara de Educação Básica, 2001.
______. Educação especial: tendências atuais. Brasília: MEC/Secretaria de Educação à Distância, 1999.
______. Deficiência mental. Brasília: MEC/Secretaria de Educação à Distância, 1998.
______. Parâmetros curriculares nacionais. Bases legais. Brasília: Ministério da Educação/Secretaria de Educação, 1999.
CARNEIRO, Moaci Alves. LDB fácil: leitura crítico-compreensiva. Petrópolis: Vozes, 1998.
CARVALHO, Erenice Natália. Adaptações curriculares: uma necessidade. In: Educação especial: tendências atuais. Brasília: MEC/SEED, 1999.
CARVALHO, Rosita Edler. O direito de ter direitos. In: Educação especial: tendências atuais. Brasília: MEC/SEED, 1999.
_______. Integração e inclusão: do que estamos falando? In: Educação especial: tendências atuais. Brasília: MEC/SEED, 1999b.
_______. Removendo barreiras para a aprendizagem. In: Educação especial: tendências atuais. Brasília: MEC/SEED, 1999c.
D'ANTINO, Maria Eloisa Famá. Integração, deficiência mental e educação. In: Deficiência mental & Deficiência física. Brasília: Ministério da Educação e do Desporto, Secretaria de Educação a distância, 1998.
DORNAS, R. Diretrizes e bases da educação nacional. Belo Horizonte: Modelo, 1997.
FERREIRA, Nilda T. Cidadania. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993.
GADOTTI, Moacir. Perspectiva atuais da educação. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000.
GARCIA, Rosalba. Polícias públicas de inclusão: uma análise no campo da educação especial brasileira. Florianópolis: UFSC, 2004.
GIROUX, Henry. Teoria crítica e resistência em educação. Petrópolis: Vozes, 1986.
GOFFREDO, Vera Lúcia. Educação: direito de todos os brasileiros. In: Educação especial: Tendências atuais. Brasília: MEC/SEED, 1999.
______. A escola como espaço inclusivo. In: Educação especial: tendências atuais. Brasília: MEC/SEED, 1999b.
______. Como formar professores para uma escola inclusiva. In: Educação especial: tendências atuais. Brasília: MEC/SEED, 1999c.
MACHADO, Fernanda. O professor e a inclusão. Monografia de especialização em Educação Especial. Maceió: UFAL, 2000.
MACHADO, Luiz Alberto. Educação por água abaixo. Jornal Gazeta de Alagoas. Opinião, p. 4, edição 16/08/1997.
MANTOAN, Maria Tereza Egler. Todas as crianças são bem-vindas à escola. Campinas: LEPED/FE/Unicamp, 2001.
MELLO, Guiomar Namo. Cidadania e competitividade: desafios educacionais do terceiro milênio. São Paulo: Cortez, 1998.
MERCADO, Luís Paulo Leopoldo. Formação continuada de professor e novas tecnologias. Maceió:Edufal, 1999.
RODRIGUES, David (Org.). Educação e diferença: valores e práticas para uma educação inclusivA. Porto: Porto, 2001.
SANTOS, Monica Pereira. A família e o movimento pela inclusão. In: Educação especial: tendências atuais. Brasilia: MEC/SEED, 1999.
SASSAKI, Romeu Kazumi. Educação para o trabalho e a proposta inclusiva. In: Educação especial: tendências atuais. Brasília: MEC/SEED, 1999.
YUS, Rafael. Temas transversais. Porto Alegre: Artmed, 1998.


APRENDIZAGEM – A aprendizagem é o processo por meio do qual a experiência e a prática geram uma alteração relativamente permanente no comportamento efetivo ou potencial. Do ponto de vista do desenvolvimento, o conhecimento humano reúne as habilidades que se acumulam durante toda vida. Em vista disso, a aprendizagem é interativa porque ocorre por meio da interação ativa com o ambiente, sendo, portanto, a maneira pela qual se dá a capacidade de uso de aprendizagens anteriores que dependem de circunstancias atuantes no momento presente. CONDICIONAMENTO REFLEXO, CLÁSSICO OU RESPONDENTE – Também denominado de reflexo aprendido, foi criado pelo fisiologista russo Ivan Pavlov, é um tipo de aprendizagem associativa e é seletivo deixando evidenciado que para que ele ocorra são necessários repetidos emparelhamentos. O condicionamento clássico é usado para modificar uma reação indesejada. Os intervalos são importantes para estabelecer uma resposta condicionada. O emparelhamento intermitente se dá quando ocorre um estímulo condicionado (EC) e um estímulo não condicionado (ENC), reduzindo tanto a velocidade de aprendizagem como a intensidade final da resposta. John Watson utilizou-se desse tipo de condicionamento para tratar do pequeno Albert. Mary Cover Jones demonstrou uma maneira de perder os medos pelo método utilizado por Watson. Ela foi pioneira nesse procedimento ao emparelhar a temida imagem de um rato com o agradável ato de comer doces. Joseph Wolpe adaptou o método de Jones para tratamento de certos tipos de ansiedade, deduzindo que os medos irracionais são aprendidos ou condicionados, também podem ser desaprendidos por meio do condicionamento. Esse procedimento gerou a terapia da dessensibilização. Essa teoria compreende o sistema de profundo relaxamento muscular, elaborando uma lista de situações que instigam diversos graus de medo ou ansiedade, que vão desde as intensamente produzidas até as que são pouco assustadoras. Martin Seligman concebeu o conceito de predisposição, segundo o qual algumas coisas imediatamente se tornam estímulos condicionados a reações de medo porque possui predisposição biológica para aprender essas associações. Por meio desse conceito ele explica o fato de certas respostas condicionadas serem adquiridas tão facilmente. A facilidade com a qual se desenvolve a aversão condicionada ao sabor, ilustra a ocorrência da predisposição. Assim, a aversão ao sabor é a sensação de náusea ou repulsão que são adquiridas de forma muito rápida. Também denominado de Efeito de Sauce Bearnaise por Martin Seligman, basta um emparelhamento de um sabor com o mal estar para que ele seja evidenciado. CONDICIONAMENTO OPERANTE OU INSTRUMENTAL – Esse tipo de condicionamento consiste em aprender a emitir ou a inibir uma certa resposta em razão das consequências que ela pode ter. os comportamentos operantes são diferentes das respostas envolvidas no condicionamento clássico porque são emitidos voluntariamente, ao passo que estas são produzidas por estímulo. Edward Lee Thorndike concebeu a abordagem experimental denominada de Conexionismo, evidenciando conexões entre estímulos e resposta (E – R), alegando que a aprendizagem envolve uma reflexão inconsciente, utilizando-se de uma caixa-problema para demonstração de sua teoria. A sua conclusão levou ao entendimento de que tendências de respostas mal sucedidas tornam-se menos frequentes, enquanto as de êxito eram incorporadas. LEI DO EFEITO – Para Thorndike, essa lei compreende que todo ato que atua numa dada situação produz satisfação, ficando associada a essa situação, de maneira que quando a situação se repetir, o ato terá maior probabilidade de novamente ocorrer. As conexões E – R são fortalecidas se forem seguidas de recompensas e enfraquecidas se acompanhadas de punição. Inversamente, se causa desconforto terá maior probabilidade de não se repetir. LEI DO EXERCICIO OU DE USO E DESUSO – Segundo essa lei, toda resposta dada numa situação particular fica associada a essa situação. Quanto mais usada, mais fortemente a resposta associada. Inversamente, o desuso prolongado da resposta, enfraquece a associação. A melhoria só ocorre se for seguida de uma informação retroativa positiva ou recompensa. A pratica sem conhecimento das consequências do ato não possui efeito sobre a aprendizagem. INSIGHT E MÉTODO TOP-DOWN - Wolfgang Kohler estudou macacos antropoides sobre a capacidade de resolução de problemas dos chipanzés. As soluções exigiam o método indireto, o experimento denominado de insight dos chipanzés. O insight é a habilidade para conceituar um problema de um modo único que permita a resolução. A solução do problema era empilhar caixotes colocando um sobre o outro até alcançar o cacho de banana. O método top-down enfatiza a natureza estruturada, planejada e conceitual em vez da tentativa e erro. A aprendizagem anterior pode ser frequentemente utilizada para ajudar a solução de problemas por insight, tendo sido demonstrado por Harry Harlow que concluiu a atividade de aprender a aprender, estabelecendo um contexto de aprendizagem relacionada ao problemas. A aprendizagem por insight é particularmente importante para os seres humanos que precisam aprender não apenas coisas corriqueiras, mas também das ideias éticas e culturais tão complexas quanto o valor do trabalho árduo, a ajuda ao próximo, entre outros. Outros importantes nomes do condicionamento instrumental foram Hull, Tolman, Spence e Skinner. Foi Edward Chace Tolman um dos pioneiros da aprendizagem cognitiva, argumentando que não é necessário exibir a aprendizagem para que ela tenha ocorrido. Ele batizou de aprendizagem latente a aprendizagem que não é aparente porque ainda não foi demonstrada. Essa aprendizagem encontra-se armazenada internamente a ainda não reflete no comportamento. Os psicólogos propuseram que esse tipo de aprendizagem fica armazenado sob a forma de uma imagem mental, ou mapa cognitivo. Quando chega o momento adequado, o sujeito é capaz de se lembrar da imagem armazenada e colocá-la em uso. REFORÇO – É um tipo de consequência do comportamento que aumenta a probabilidade de determinado comportamento se repetir. Relação entre o organismo e o ambiente na qual o organismo emite uma resposta por meio do comportamento e produz alterações no ambiente. O reforço são estímulos cuja apresentação aumenta a probabilidade de um comportamento. Quando uma consequência aumenta a probabilidade de ocorrência de um comportamento operante, é chamada de reforçadora. Quando diminui essa probabilidade é chamada de punidora. Essas relações constituem a base da lei do efeito ou princípio do reforçamento, considerando que comportamentos sempre recompensados têm grande probabilidade de se repetir, ao passo que comportamento sempre punidos tendem a ser eliminados. Os reforçadores positivos aumentam a probabilidade de ocorrência de um comportamento por adicionar algo recompensador à situação. Os reforçadores negativos provocam o mesmo efeito ao subtrair da situação algo desagradável. Quando uma ação é imediatamente seguida de um reforçador, tendemos a repeti-la, mesmo que ela não tenha, na verdade, produzido esse reforço. Tal comportamento é chamado de supersticioso. A punição é caracterizada por qualquer evento que diminua a probabilidade de nova ocorrência do comportamento que o precede. Às vezes, depois que a punição é aplicada algumas vezes, não é necessário continuá-la porque a simples ameaça de que ela venha o ocorrer é suficiente. Esse processo é chamado de treinamento de esquiva. A contingencia é a possibilidade de que algo se realize ou não, sendo, portanto, uma eventualidade, acaso, casualidade, possibilidade. No condicionamento operante, as contingências ocorrem entre as respostas e as consequências. As contingências entre repostas e crecompensas são chamadas de esqueças de reforçamento. A contingência de reforço ocorre quando as alterações no ambiente aumentam a probabilidade do comportamento que as produzem voltar a ocorrer na relação do organismo e o meio. A contingência de três termos é a unidade básica do controle do comportamento operante. Fórmula: estímulo discriminativo – resposta – consequência. Na contingência tríplice todos os comportamentos operantes, do mais simples, ao mais complexo, são analisados de acordo com a contingencia tríplice: uma ocasião, uma resposta e uma consequência. Fórmula: O – R – C. Os tipos de estímulos são neutro, condicionado e incondicionado. Possuem relação com o comportamento e as características físicas ou a natureza de um estimulo não podem qualifica-lo como reforçador. Para determinar um reforço ou reforçador deve-se considerar a relação entre o comportamento e a consequência, bem como se ela afeta um determinado comportamento no aumento de sua possibilidade de ocorrência. Os tipos de reforço são naturais e artificiais. Os naturais são aqueles em que a consequência reforçada é um produto direto do próprio comportamento. Os artificiais ou arbitrários são aqueles em que a consequência reforçada é um produto indireto do comportamento. Os efeitos do reforço são aumentar a frequência de um comportamento reforçado, diminuição da frequência de outros comportamentos e diminuição da variabilidade na topografia (forma) da resposta do comportamento reforçado. No processo de modelagem o reforço ocorre por meio de aproximações sucessivas em relação à resposta desejada. O determinante do comportamento operante é a sua consequência que não ocorre no vácuo, os eventos antecedentes também influenciam a probabilidade ocorrência de um comportamento operante. Estímulos associados ao reforço aumentam a probabilidade do comportamento ocorrer quando apresentado e os estímulos que sinalizam a extinção ou punição diminuem sua ocorrência. Assim o comportamento operante é aquele que produz mudanças no ambiente e que é afetado por eles. O comportamento operante discriminado é aquele que se emitidos em um determinado contexto, produzirão consequências reforçadoras. A discriminação operante é o processo comportamental básico no qual as respostas específicas ocorrem apenas na presença de estímulos específicos. No condicionamento discriminado o estimulo fornece contexto, dando chances para que a resposta ocorra. CONTROLE DE ESTÍMULOS – O ambiente apenas altera a probabilidade de ocorrência do comportamento. Assim, o controle de estímulos refere-se à influencia dos estímulos antecedentes sobre o comportamento, considerando-se o efeito que o contexto tem sobre o comportamento. Os estímulos discriminativos são os estímulos que são apresentados antes do comportamento e controlam sua ocorrência. Sinalizam que uma dada resposta será reforçada. Os estímulos delta sinalizam que uma resposta não será reforçada, sinalizando indisponibilidade do reforço ou extinção. O treino discriminativo consiste em reforçar um comportamento de um estímulo discriminativo e extinguir a presença de um estímulo delta, chamando-se reforçamento diferencial. Um controle discriminativo de estímulos é estabelecido quando determinado comportamento tem alta probabilidade de ocorrer na presença de um estímulo discriminativo e baixa probabilidade na presença de estímulos delta; APRENDIZAGEM COGNITIVA – Essa aprendizagem se refere aos processos mentais que acontecem no interior do ser humano quando aprende algo. A aprendizagem latente é qualquer conhecimento adquirido que ainda não foi demonstrado no comportamento. Um dos tipos de aprendizagem latente é o conhecimento da disposição espacial e das relações, que geralmente fica armazenado sob a forma de um mapa cognitivo. Um contexto de aprendizagem é um conceito ou procedimento que fornece a chave para a resolução de um problema, mesmo quando as exigências do problema sejam ligeiramente diferentes das exigências daqueles que já foi resolvido no passado. Os teóricos da aprendizagem social argumento que se aprende muito por meio da observação de outras pessoas que servem de modelos de comportamento ou simplesmente escutando algo. Esse processo é chamado de aprendizagem por observação ou vicária. O principal propositor da teoria da aprendizagem social é Albert Bandura que se refere como teoria cognitiva social. Essa teoria dá ênfase às expectativas, aos insights e às informação ampliando a compreensão sobre como as pessoas aprendem. De acordo com ela, os seres humanos empregam sua capacidade de observação e pensamento para interpretar suas próprias experiências, bem como as de outras pessoas, ao decidir seu modo de agir. Essa importante perspectiva pode ser aplicada à aprendizagem de muitas coisas diferentes, desde habilidades e tendências comportamentais até atitudes, valores e ideias. Veja mais aqui, aqui e aqui.

REFERÊNCIAS
ATKINSON, Richard; HILGARD, Ernest; ATKINSON, Rita; BEM, Daryl; HOEKSENA, Susan. Introdução à Psicologia. São Paulo: Cengage, 2011.
DAVIDOFF, Linda. Introdução à Psicologia. São Paulo: Pearson Makron Books, 2001.
FADIMAN, James; FRAGER, Robert. Teorias da personalidade. São Paulo: Harbra, 2002.
GAZZANIGA, Michael; HEATHERTON, Todd. Ciência psicológica: mente, cérebro e comportamento. Porto Alegre: Artmed, 2005.
MORERIA, Marcio; MEDEIROS, Carlos. Princípios básicos de análise do comportamento. Porto Alegre: Artmed, 2007.
MORRIS, Charles; MAISTO, Alberto. Introdução à psicologia. São Paulo: Pretence Hall, 2004.
MYERS, David. Psicologia. Rio de Janeiro: LTC, 2006.
SCHULTZ, Duane; SCHULTZ, Sydney. Historia da psicologia moderna.São Paulo: Cengage Learning, 2012.


PENSAMENTO DO DIA - [...] o pecado capital da escola pública maldirecionada: assume o compromisso de ensinar toda a população a ler, mas cumpre o compromisso pela metade. Os alunos chegam a ler, mas apenas decodificando os textos, sem alcançar a compreensão verdadeira nem, muito menos, a capaciade de crítica. Iludem-se com o que lêem, porque está impresso, aceitam tudo que vêem escrito, não são autônomos diante do texto. [...] Trecho extraído de Ler para aprender: desenvolvimento de habilidades de estudo (EPU, 1992), da professora Olga Molina.

PROJETO ESCOLA – [...] ser democrático, no sentido de considewrar que os integrantes da ação educativa são capazes de assumir o processo de transformação da educação escolar, sob a ótica dos interesses das camadas majoritárias da população; ser abrangente, significando que todos os integrantes e os diversos componentes da organização escolar sejam avaliados; a atuação do professor e de outros profissionais da escola; os conteúdos e processos de ensino; as condições, dinâmicas e relações de trabalho; os recursos físicos e materiais disponíveis; a articulação da escola com a comunidade; ser participativo, prevendo a cooperação de todos, desde a definição de como a avaliação deve ser conduzida até a análise dos resultados e escolha dos rumos de ação a serem seguidos; ser contínuo, constituindo-se efetivamente em uma prática dinâmica de investigação que integra o planejamento escolar em uma dimensão educativa. Trecho extraído da tese de doutoramento sobre a temática Avaliação da apredizagem: natureza e contribuições da pesquisa no Brasil, no período de 1980 a 1990, apresentada à USP, em 1994, por Sandra Zákia Lian Sousa.

EDUCAÇÃO COMPENSATÓRIA – [...] programas acabam colocando sob a responsabilidade da educação uma série de problemas que não são especificamente educacionais, o que significa, na verdade, a persistência da crença ingênua no poder redentor da educação em relação à sociedade. Assim, se a educação se revelou incapaz de redimir a humanidade através da ação pedagógica, não se trata de reconhecer seus limites, mas de alargá-los: atribui-se então à educação um conjunto de papés que, no limite, abarcam as diferentes modalidades de política social. A conseqüência é a pulverização de esforços e de recursos com resultados paraticamente nulos do ponto de vis propriamente educacional. Trechos extraídos da obra Escola e democracia (Autores Associados,2008), do filósofo e pedagogo Dermeval Saviani. Veja mais aqui e aqui.


O SENHORCarta a uma jovem que, estando em uma roda em que dava aos presentes o tratamento de “você”, se dirigiu ao autor chamando-o de “o senhor”: - Senhora – Aquele a quem chamastes senhor aqui está, de peito magoado e cara triste, para vos dizer que senhor ele não é, de nada nem ninguém. Bem o sabeis, por certo, que a única nobreza do plebeu está em não querer esconder sua condição e esta nobreza tenho eu. Assim, se entre tantos senhores ricos e nobres a quem chamáveis “você” escolhestes a mim para tratar de “senhor”, é bem de ver que só poderíeis ter encontrado essa senhoria nas rugas de minha testa e na prata de meus cabelos. Senhor de muitos anos, eis aí, o território onde eu mando é no país do tempo que foi. Essa palavra “senhor”, no meio de uma frase, ergueu entre nós dois um muro frio e triste. Vi o muro e calei. Não é de muito, eu juro, que me acontece essa tristeza; mas também não era a vez primeira. De começo eram apenas os “brotos” ainda mal núbeis que me davam senhoria; depois assim começaram a me tratar as moças de dezoito a vinte, com essa mistura de respeito, confiança, distância e desprezo que é o sabor dessa palavra melancólica. Sim, eu vi o muro; e, astuto ou desanimado, calei. Mas havia na roda um rapaz de ouvido fino e coração cruel; ele instou para que repetísseis a palavra; fingistes não entender o que ele pedia e voltastes a dizer a frase sem usar nem “senhor”, nem “você”. Mas o danado insistiu e denunciou o que ouvira e que, no embaraço de vossa delicadeza, evitáveis repetir. Todos riram, inclusive nós dois. A roda era íntima e o caso era de riso. O que não quer dizer que fosse alegre; é das tristezas que rimos de coração mais leve. Vim para casa e como sou um homem forte, olhei-me ao espelho; e como tenho minhas fraquezas, fiz um soneto. Para vos dar o tom, direi que no fim do segundo quarteto eu confesso que às vezes já me falece valor “para enfrentar o tédio dos espelhos”; e no último terceto digo a mim mesmo: “Volta, portanto, a cara e vê de perto – a cara, a tua cara verdadeira – ó Braga envelhecido, envelhecido.” Sim, a velhice é coisa vil; Bilac o disse em prosa, numa crônica, ainda que nos sonetos ele almejasse envelhecer sorrindo. Não sou Bilac; e nem me dá consolo, mas, tristeza pensar que as musas desse poeta andam por aí encanecidas e murchas, se é que ainda andam e já não desceram todas à escuridão do túmulo. Vivem apenas, eternamente moças e lindas, na música de seus versos, cheios de sol e outras estrelas. Mas a verdade (ouvi, senhora, esta confissão de um senhor ido e vivido, ainda que mal e tristemente), a verdade não é o tempo que passa, a verdade é o instante. E vosso instante é desgraça, juventude e extraordinária beleza. Tendes todos os direitos; sois um belo momento da aventura do gênero humano sobre a terra. Detrás do meu muro frio eu vos saúdo e canto. Mas ser senhor é triste; eu sou, senhora, e humildemente, o vosso servo. Extraído da obra 200 crônicas escolhidas (Record, 1986), do escritor Rubem Braga (1913-1990). Veja mais aqui e aqui.

VERBO CRACKAR - Eu empobreço de repente / Tu enriqueces por minha causa / Ele azula para o sertão / Nós entramos em concordata / Vós protestais por preferência / Eles escafedem a massa. / Sê pirata / Sede trouxas / Abrindo o pala / Pessoal sarado / Oxalá eu tivesse sabido / Que esse verbo era irregular. Extraído de Memórias sentimentais de João Miramar (Civilização Brasileira, 1978), do escritor Oswald de Andrade (1890-1954). Veja mais aqui.


LIBELO/A PRIMAVERA DE GINSBERG/ANÁTEMA
Letra & Música de Luiz Alberto Machado

LIBELO

O que é legal?
O que é legal?
O que é legal?
O que é legal, porra?!!!!?

Está inscrito no artigo primeiro dos princípios fundamentais da Constituição da República Federativa do Brasil que:
A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: I - a soberania; II - a cidadania; III - a dignidade da pessoa humana; IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; V - o pluralismo político. Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.


O que é legal?
O que é legal?
O que é legal?
O que é legal, porra?!!!!?

Está inscrito no artigo quinto todos os direitos e deveres individuais!


E o que é legal?
O que é ilegal?
O que é ilegal?
O que é ilegal, porra?!!!!?

Ilegal é a saúde pública em petição de miséria!
A educação pública falida!
A Administração Pública corrupta!
A segurança pela hora da morte!
A justiça ineficiente!

Isso é ilegal!
Isso é ilegal!

Onde a dignidade humana?
Onde o exercício de cidadania?

O que é ilegal?
O que é ilegal, porra!!!!


A PRIMAVERA DE GINSBERG
(fragmento)

(...)
Nunca consultando a Constituição pelos atos de exceção ou disposições transitórias que mais confundem já dos tantos artigos e parágrafos dúbios de códigos civis ou penais ou sei lá mais, qual gramática complicada – para que tanta lei, me Deus, se apesar da compulsoriedade jamais será cumprida!!

Ou que por eloquência nossa, mais fácil falar a língua do inimigo como se nada tivesse acontecido;

Ou que por superioridade nossa no meio dessa misturada doida, prescindiríamos de leis e governos;

Ou que por universalidade nossa, adaptaríamos nossa vida à todas do planeta numa carnavalizante existência;

Ou que por sapiência nossa, misturaríamos de tudo para traduzir o sumo do bom e do melhor nos esquecendo da excrescência noturna com que alicerçamos nosso ontem, enlameamos nosso hoje e fabricamos um infecto amanhã;

Qual nada

Se todos os ardis nos iludem na página rotineira de uma novela televisiva;

Se todos os escroques nos remetem aos apuros com malabarismos sentimentais;

Se a todo momento expomos a mão à palmatória num vexame bisonho;

E isso nada tem haver com nosso bocejo perene, oh! plebe ignara!

Chamo de gato ao gato
E ao governante de patife!

Cada qual cuide de si

Pois todos os banquetes do palácio estão regados com nosso sangue de vítimas desmioladas, presas fáceis dos falastrões incorrigíveis, de gestos fesceninos, adeptos de gestapos e fiéis de Gog e Magog;

Qual nada

Cultivemos então nosso orgulho majestoso do jeitinho para tudo, jogando uma bola fenomenal e flertando a bundinha daquelas que seguem para a praia a procura de uma noite por maior prazer, beldades de uma geografia anatômica capazes de esbugalhar os olhos dos mais insensíveis;

Cultivemos nosso orgulho pelos bens adquiridos através do processo de Felipe da Macedônia, felizes por dar uma marretada no otário que sai todo dia de casa com um chapéu que é a porrada da ocasião, da tapeação e ainda sorrir por haver lesado um imbecil;

Pelos presentes de Artarxerxes aos nossos desafetos, fofoqueiros que se metem em tudo como um azarão a nos perseguir;

Pelos que fazem política como pó de Pirlimpimpim e nos conduzem numa nau à deriva, sabe lá, Deus, para onde!!!!

Pelos tolos que cumprem as leis violadas pelos sabidos;

Pelas leis que fazem vista grossa nas dilapidações e nos dão essa segurança de impunidade na rua;

Pelas leis que vão até onde o rei falso quiser – toda lei na mão do feitor!

Pelos que fazem a guerra e ainda se arvoram na petulância de anunciar que o fazem por amor à humanidade, filhos da puta!

Pelos que vivem de julgar a todos segundo seu próprio juízo e vomitam razões esquálidas na mais sectária das visões;

Pelos ambidestros sobre as farândolas dos falidos que cultuam o carnaval para se esbaldar da nossa desgraça e mangar da nossa besteira por santificá-los como bem sucedidos, quando não passam de um vesano sobre os nossos detritos e suas diatribes;

Pelos rabagás, os tais déspotas, cultores de tudo na base do balão de ensaio, postulantes às tendas de meninas fiéis católicas, que mal geram filhos e negam os peitinhos empinados para que não lhe caiam até a barriga desagradando seu patrão;

Por esta multidão andrajosa a exibir suas deformidades, dormindo no ponto, sequer desconfiando da sede do abismo com um riso banguela na hora mágica do gol;

Por essa gente que gosta de tanger gente na maior sem cerimônia;

Por essa gente que leva a riqueza dos outros na pontinha do dedo sem o menor rubor;

Pela história mentirosa que se ensina e a vergonhosa que segreda, quando aqui fenícios deixaram indícios suméricos mais valiosos na pré-cabrália e ninguém se deu conta do que seria, por isso deu no que deu!

• Será, então, um deus moreno, com um olhar tropical, indevidamente preterido, esperando, esperando, esperando por um novo milagre? ah! Para tanto há milagre de abril, cor anil, tão sutil, para ser hostil, com mentiras mil, ah!!!

• Ah! Se um Frínico tivesse aqui o poema da comoção popular!!!

A terra é redonda
E ainda, assim, cagam pelos quatro cantos de mundo!!

(...)
Mas podemos ainda felizes sambar nas praias do nosso lindo litoral nem nos dando conta de tais leviatãs

E ainda podemos sorver uma cerveja gelada no boteco da esquina sem nos incomodar com as cambadas e confrarias de nada no conluio dos interesses;

E ainda gritar de emoção num lance de gol desconhecendo enxames, matilhas ou pragas ou quadrilhas ou súcias ou varas ou glutões ou vilões dos nossos congressos, legiões de algozes duma ação de verdugos com bocarras exuberantes e seus guinchos de sanha aracnídeas, inimicíssimos de nós meridionais;

E ainda podemos remexer o esqueleto na Marquês de Sapucaí, pisando nossos remorsos, aplaudindo lúculus e gangsters e facínoras que financiam as atrofias das nossas vontades!!!!!

E ainda podemos melar os pés no pantanal mato-grossense, desconsiderando homicidas sobre os incipientes lerdos inofensivos que não tem nem deus nem nada para se amparar!!!!

E ainda podemos singrar as águas do São Francisco sem sabermos que somos verdadeiros suicidas na absolvição dos infratores no centro de uma hemorragia de idólatras no urinol!!!!

E ainda podemos passear pelas ruas de Olinda sem prevermos da gatunagem dos que se dizem dermatóglifos de nossa missão, quiromantes do nosso destino, redentores do nosso sofrimento, puta-que-o-pariu!!!!

Quem somos além de usuários de um reino diáspora com falcões nos plenários a nos mostrar o homem e o seu lobo, o predador e a sua presa, o desigual do forte sobre o fraco, deus meu?

Só a poesia tornará a vida suportável!!!!!!!!


ANÁTEMA


Pelo meio do mundo afora
pelo jeito que for e será
pelos ermos caminhos embora
e nos abismos me extasiar
ver o dia vir nascer das mãos
ver o sol se deitar nos olhos
é o meu destino de qualquer pagão
no sereno da noite me molho
e enxugo a pele
não me dera a vida uma escolha
e por sentir amada
na paixão minada, viver
pelo equívoco de quem desama
repudiando deus e todo mundo
vociferando o verso que a veia inflama
num anátema jamais profundo
pelo de dentro e o que vem de fora
pelo embuste que segreda a farsa
procuro pelo que evadiu agora
e no frigir já não vale mais nada
e a pancada insólita
se alastra na culatra
e não foi feita só de mera viva cortesia,
viver
não me resta aqui dizer mais nada
isso é página virada
precisa só viver

© Luiz Alberto Machado. Direitos reservados.



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