segunda-feira, janeiro 07, 2008

MONTEIRO LOBATO, BOURDIEU, LEANDRO GOMES DE BARROS, LÉVI-STRAUSS, LUCIA SANTAELLA, MARIA FOLGER & DORO PRESIDENTE




Art by Maria Folger.


A CAMPANHA DO DORO PRESIDENTE - Doro desde sempre foi o primeiro candidato sem partido declarado à presidência do Brasil - por isso mesmo nunca amealhou porra nenhuma e não teve um voto sequer a seu favor depois que as urnas entraram em vigência. Insistente tanto quanto desorientado, ele pensa que toda eleição é para presidência. E, talvez, não sei, mesmo sabendo que as eleições presidenciais ainda vão ocorrer daqui há uns 3 anos, ele se adianta e pega fogo. Coisa de doido.

PRIMEIRA BOMBA: DORO QUER ACABAR COM O SALÁRIO MÍNIMO.

Para o popular sete-ciências e bacharel das presepadas, Doro, o salário mínimo é uma indecência (isso não é nenhuma novidade, tá chovendo no molhado).
Para ele, cada trabalhador deveria ganhar no mínimo dos mínimos uns R$ 50 mil mensais e vai ganhar isso a partir do dia 1º de janeiro do dia de São Nunca - ou sei lá que dia ele pensa que será empossado -, a sua primeira decisão quando empossado.
Agora a pergunta que não quer calar: como ele conseguirá pagar isso?
Com duas propostas também decretadas no mesmo dia (isso nas caraminholas que rondam endoidamente nos seus miolos de pote):

A primeira: revogar e erradicar todos os pagamentos de salários, jetons, comissões, caixa-dois e outras remunerações para prefeitos, secretários, vereadores, deputados estaduais e federais, senadores, presidentes, ministros e todos os comissionados e dirigentes das autarquias da administração direta e indireta, economia mista e o escambau. Para ele quem quiser ser agente ou gestor públicos tem que ser na base do voluntariado.

A segunda: revogar totalmente toda a estrutura e política tributária, reduzindo todos os impostos a apenas 1 com a alíquota definida em 1% de todas as transações, trambicagens, explorações e comercializações de quaisquer produtos, serviços e atividades que gerem renda ou lucros (inclusive drogas, prostituição, trambicagem, ajeitadinhos e molhamãos, tudo tributado e na fonte pra neguinho sabido nenhum sonegar ou trambicar o Fisco).

Com estas medidas acredita acabar com a corrupção, a sonegação e com a profissionalização da cafajestagem política, possibilitando direcionar suas ações para as prioridades da educação, saúde e segurança de todo cidadão brasileiro (muito embora, acredito, ele não saiba o que é educação, nem saúde nem segurança).

A partir disso, reitera ele que para concorrer e participar de qualquer cargo eletivo na administração pública, seja direta, indireta ou ajeitada, terá que ser por força do voluntariado e sem ganhar um mínimo tostão sequer, quando só estarão representando o povo aqueles que realmente se interessem pelo coletivo e desejam desenvolver a sua vida política pela solidariedade e participação em geral.

Por isso mesmo, vamos aprumar a conversa & tataritaritatá!!!!!! Veja a campanha e plataforma do Doro para Presidente (essa eu quero mesmo ver!?!).



PENSAMENTO DO DIA – A sociedade é feita entre indivíduos que se comunicam entre si. Pensamento do antropólogo belga Claude Lévi-Strauss (1908-2009). Veja mais aqui.

LINGUA & MERCADO - [...] Quando uma língua domina o mercado, é em relação a ela, tomada como norma, que se definem, ao mesmo tempo, os preços atribuídos ás outras expressões e o valor das diferentes competências. A língua dos gramáticos é um artefato que, universalmente imposto pelas instancias de coerção lingüísticas, tem uma eficácia social na medida em que funciona como norma, através da qual se exerce a dominação dos grupos. Detendo os meios para impô-la, o monopólio dos meios para dela se apropriarem. [...]. Trecho extraído da obra A economia das trocas simbólicas (Perspectiva, 1974), do sociólogo francês Pierre Bourdieu (1930-2002). Veja mais aqui.

CORPO E COMUNICAÇÃO: SINTOMA DA CULTURA - [...] Não está nas intenções deste artigo analisar cada uma das expressões do corpo como sintoma. A complexidade dessa tarefa extrapola as restrições do tempo e do espaço de um artigo. Em função disso, para concluir, limito-me ao apontamento de uma hipótese, seguida de breves tentativas de diagnóstico. A hipótese propõe que as diferentes formas que o corpo como sintoma assume agrupam-se nos três tipos de gozo sistematizados por Lacan: o gozo fálico, o mais gozar e o gozo do Outro, o que, para simplificar, estarei aqui chamando de sintomas do corpo simbólico, do corpo imaginário e do corpo real, respectivamente. Assim, no que diz respeito ao corpo simbólico, o colapso dos ideais na pósmodernidade aponta para a queda do ideal do Eu e o triunfo do eu ideal. Perdidos os princípios reguladores do ideal do Eu que contradiz e neutraliza a alienação imaginária, reinam imperiosamente os sonhos autárquicos e onipotentes que fazem do corpo um receptáculo de sensações tão progressivamente excitantes até encontrar seu limiar no insensível. Como fruto da falha nos ideais reguladores, o corpo imaginário sucumbe à desmesura de seus imperativos, da qual resultam o autocentramento cegante, as metáforas do exibicionismo, a hegemônica estetização da existência, de que a estesia midiática sabe tirar proveito e retroalimentar em um círculo vicioso que incansavelmente busca expelir do seu campo as tensões e contradições humanas, a dor, o envelhecimento e a morte. [...] Trechos extraídos da obra Corpo e comunicação: sintoma da cultura (Paulus, 2004), da professora e pesquisadora Lucia Santaella. Veja mais aqui.

UM HOMEM DE CONSCIÊNCIA - Chamava-se João teodoro, só. O mais pacato e modesto dos homens. Honestíssimo e lealíssimo, com um defeito apenas: não dar o mínimo valor a si próprio. Para João Teodoro, a coisa de menos importância no mundo era João Teodoro. Nunca fora nada na vida, nem admitia a hipótese de vir a ser alguma coisa. E por muito tempo não quis nem sequer o que todos ali queriam: mudar-se para terra melhor. Mas João Teodoro acompanhava com aperto de coração o deperecimento visível de sua Itaoca. – Isto já foi muito melhor, dizia consigo. Já teve três médicos bem bons – agora só um e bem ruinzote. Já teve seis advogados e hoje mal dá serviço para um rábula ordinário como o Tenório. Nem circo de cavalinhos bate mais por aqui. A gente que presta se muda. Fica o restolho. Decididamente, a minha Itaoca está acabando… João Teodoro entrou a incubar a idéia de também mudar-se, mas para isso necessitava dum fato qualquer que o convencesse de maneira absoluta de que Itaoca não tinha mesmo conserto ou arranjo possível.  – É isso, deliberou lá por dentro. Quando eu verificar que tudo está perdido, que Itaoca não vale mais nada de nada de nada, então arrumo a trouxa e boto-me fora daqui. Um dia aconteceu a grande novidade: a nomeação de João Teodoro para delegado. Nosso homem recebeu a notícia como se fosse uma porretada no crânio. Delegado, ele! Ele que não era nada, nunca fora nada, não queria ser nada, não se julgava capaz de nada… Ser delegado numa cidadezinha daquelas é coisa seríssima. Não há cargo mais importante. É o homem que prende os outros, que solta, que manda dar sovas, que vai à capital falar com o governo. Uma coisa colossal ser delegado – e estava ele, João Teodoro, de-le-ga-do de Itaoca!… João Teodoro caiu em meditação profunda. Passou a noite em claro, pensando e arrumando as malas. Pela madrugada, botou-as num burro, montou no seu cavalo magro e partiu. – Que é isso, João? Para onde se atira tão cedo, assim de armas e bagagens? – Vou-me embora, respondeu o retirante. Verifiquei que Itaoca chegou mesmo ao fim. – Mas, como? Agora que você está delegado? – Justamente por isso. Terra em que João Teodoro chega a delegado, eu não moro. Adeus. E sumiu. Extraído da obra Cidades mortas (Brasiliense, 1959), do escritor Monteiro Lobato (1882-1948). Veja mais aqui.

SEXTILHASMeus versos inda são do tempo / que as coisas eram de graça: / pano medido por vara / terra medida por braça / e um cabelo da barba / era uma letra na praça. Já tive muito prazer, / hoje só tenho agonia! / Não sinto porque sou cego, / eu sinto é falta do guia! / Quando mamãe era viva, / eu era um cego que via! Poemas do poeta Leandro Gomes de Barros (1865-1918). Veja mais aqui.


Art by Maria Folger.




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