Mostrando postagens com marcador Gabriela Mistral. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Gabriela Mistral. Mostrar todas as postagens

terça-feira, abril 07, 2020

MARY DEL PRIORE, ANNIE VIVANTI, HÉLÈNE SARDEAU, TIAGO AMORIM & GURIATÃ


É PRECISO VER O QUE É QUE É CERTO PARA NÃO TEIMAR EM VÃO - UMA: DEUS SALVE O BRASIL! – Como é que pode uma coisa desta, hem? O planeta recluso e o meu país nas ruas, a saúde uma catástrofe – o SUS é um libelo velado. Não há comando, só bate-cabeça! O desgoverno está no tratamento da crise como se fosse apenas mote eleitoral e pulveriza tudo: enquanto digladiam suas abobrinhas por aí, faltam leitos, vacinas e... respeito à vida. No Congresso Nacional muito lero-lero, disse-me-disse; a Justiça tacanha e acuada – o rabo preso pros interesses de tão poucos em detrimento de todos; por isso a economia é um enigma revelado, todos sabem que a dinheirama sumiu e em que bolsos, ainda se falando em bilhões, trilhões, duplipensar e nada feito, a maioria precarizada. E agora? O que será, não se sabe. Da minha parte, vou de Gabriela Mistral: Onde houver uma árvore para plantar, plante. Onde houver um erro para emendar, conserte. Onde houver um esforço de que todos fogem, faça. Seja aquele que afasta as pedras do caminho. Façamos a parte que nos cabe. DUAS: HÁ QUEM VEJA, HÁ QUEM ENXERGUE – Os olhos estão bem abertos, mas não apreendem nada. Ninguém sabe direito o que está acontecendo no mundo desde a década de 1980; no Brasil de 2015 para cá, a coisa piorou tanto que deu o créu. Há quem veja, há quem enxergue. O que parece mesmo confuso é que ninguém se deu conta do que dizia William Wordsworth: A vida é dividida em três períodos - o que foi, o que é, e o que será. Aprendemos com o passado para nos beneficiarmos do presente, e aprendemos com o presente para viver melhor no futuro. Encha o seu papel com os sopros do seu coração. É isso. TRÊS: MUDANDO DE ASSUNTO PARA NÃO FICAR TÃO PARA BAIXO – Está evidente que o tempo não está lá para o que se diga de lirismo, sei que a coisa está feia mesmo. Contudo, há de arrancar um restinho de esperança seja lá de onde for, é possível – como, não sei -, está comprovado quando cruzo às pressas com as pessoas pelas ruas: os olhares estão ávidos de vida. A vida sempre resiste, por isso sempre digo que só a poesia torna a vida suportável. Prova disso, Almada Negreiros: As palavras dançam nos olhos das pessoas conforme o palco dos olhos de cada um. A alegria é a coisa mais séria da vida! E vamos aprumar a conversa, gente! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] o século XX [...] À medida que a mulher foi ganhando dinheiro, passou a controlar a sua procriação e foi em busca do prazer. Este se tornou um tema novo para os casais. Hoje as coisas estão bastante diversificadas também. Os homens também alegam estar com dor de cabeça, o que antes eram coisas das mulheres. Os homens estão sentindo o impacto destas transformações. A autoestima masculina está tão baixa [...] As relações parentais mudaram muito. As mulheres, por estarem no mercado de trabalho, passaram a ter filhos cada vez mais tarde. [...] Para o homem brasileiro, o casamento é o momento de constituir família. Portanto, brigas ou infidelidades não causam tantos arranhões. Para as mulheres é uma questão de amor e sobretudo o desejo de viver uma paixão. Quando elas não veem cumprida esta agenda, querem mudar de parceiro. [...] A história da homossexualidade no Brasil é horrível. Os casais homossexuais sempre sofreram brutalmente. O jovem homossexual, seja homem ou mulher, sofre muito com a segregação familiar. Se olharmos para trás, veremos que esta perseguição começa no século XVI, com as visitas da Santa Inquisição ao Brasil. Lá, já perseguiam os sodomitas. Eles perseguiam mais os homens do que as mulheres. [...] Toda a medicina do século XIX vai perseguir o que foi chamado de “missexuais”. Vai definir que estas pessoas são doentes. Vemos isto inclusive nos manuais de educação sexual que são publicados durante o governo Getúlio Vargas. A intenção era extirpar os homossexuais do Brasil. A obsessão pela virilidade torna o homossexual um bode expiatório. Como se não bastasse, o anúncio da chegada da Aids no Brasil, nos anos 80, foi feito no programa Fantástico, com o locutor, de voz fúnebre, anunciando a doença como uma doença de gays. [...] Foi algo desumano e que só se explica pelo profundo machismo da nossa sociedade. [...]. Trechos de uma entrevista concedida pela historiadora Mary Del Priore, por ocasião do lançamento de sua obra Histórias íntimas (Planeta, 201), na qual procura mostrar como a sexualidade e a noção de intimidade foram mudando ao longo do tempo, influenciadas por questões políticas, econômicas e culturais, e passaram de um assunto a ser evitado a todo custo para um dos mais comentados no mundo contemporâneo. Ela também é autora da série Histórias da gente brasileira (Leya Casa Da Palavra, 2016), obra em que ela destaca o povo com seus hábitos e vida cotidiana, aquelas que retratam intimamente a vida da gente brasileira desde a Colônia, o Império, a República e a atualidade. Ela também organizou a obra História das Mulheres no Brasil (Contexto, 2002), contando a trajetória das mulheres, do Brasil colonial aos dias atuais e que traz a participação de duas dezenas de historiadores além da consagrada escritora Lygia Fagundes Telles, por meio de textos que destacam a história das mulheres como algo que envolve também a história das famílias, do trabalho, da mídia, da literatura, da sexualidade, da violência, dos sentimentos e das representações, abarcando os mais diferentes espaços (campo e cidade, norte e sul do país) e extratos sociais (escravas, operárias, sinhazinhas, burguesas, donas de casa, professoras, bóias-frias), como também derruba mitos, encoraja debates, estimula a reflexão e coloca a questão feminina na ordem do dia. Sobre o povo brasileiro ela diz que: é preciso olhar pelo retrovisor para ver como nossa gente era, como morava, se vestia, comia, trabalhava, ria, amava e sonhava. De que forma seus problemas foram ultrapassados de geração em geração. Mas é preciso também olhar pelo buraco da fechadura, para enxergar como se comportava em sua intimidade nos momentos de medo, dor ou prazer. No que concerne às mulheres brasileiras, ela expressa que: Muitas vezes o sexo feminino foi referenciado na história como “mulheres de vida fácil”. Ao contrário disso, desde os primórdios a luta pela sua sobrevivência ou dos seus foi a marca de suas ancestrais. A dupla jornada de trabalho existiu para a maior parte delas. O trabalho no campo ou na cidade, em casa ou nas ruas, era acrescido de muitas outras tarefas, fundamentais para a estabilidade da família. Merece também destaque a sua obra de História do cotidiano (Contexto, 2001), em que ela reúne artigos agrupados em capítulos sobre o corpo, família, convívio, mulher, crianças, jovens e velhos, resgatando informações que se encontram escondidas pela sociedade, em ela chama atenção: [...] É preciso proteger e libertar nossa sociedade do que ela pode fazer com ela mesma. É preciso proteger nela sua integridade, sua identidade subjetiva e genealógica, a dignidade de suas formas e das suas cores originais contra o materialismo e o desmantelamento do corpo. Xô Barbies, próteses, anabolizantes, anoréxicas e oxigenadas! Abaixo a insistência em fabricar mulheres sem marcas nem diferenças capazes de individualizá-las. Num país onde são tantas as variáveis corporais, onde graças e desgraças são distribuídas de acordo com as diversas heranças biológicas e sociais, a imposição de um modelo 137 'perua' importada só é boa quando se trata de veículo de passeio sobre quatro rodas! [...]. Veja mais aqui & aqui.

AUT-AUT - Eu quero o sol, eu quero o sol ardente / Que a intoxicação me dará seu esplendor, / Ou mesmo a noite escura e o forte rugido da tempestade alta e furiosa. / O nevoeiro cinzento que o coração detesta: dá-me o céu azul ou a tempestade. / Eu quero liberdade! / Eu quero toda a minha liberdade ilimitada! / Ou até o cativeiro sombrio e apertado de quatro vigas e a caixa pregada. / Oh, se o infinito não me é concedido, eu, as asas quebradas, jaz enterrado / E eu quero o seu amor; todo o amor ardente e ilimitado ou ódio intenso. / Mas seja ódio ou amor, eu quero imenso! / Não suporto um olhar indiferente. / O amor que sofre e tudo dá, ou o ódio que não se curva e não perdoa. / Tudo ou nada que eu quero: risadas ou lágrimas, / O sol dourado ou o furacão negro, o caixão estreito ou todo o universo, / E do seu olhar seu martírio ou encantamento! / Dê todos os seus beijos e todo o coração, / Ou a sublime cruz de dor! Poema da poeta italiana nascida na Inglaterra, Annie Vivanti (1866-1942).

GURIATÃ
O documentário musical Guriatã (2018), dirigido por Renata Amaral, conta a história do Mestre Humberto de Maracanã, o maior cantador de Bumba Boi da Ilha de São Luís (MA), falecido em 2015, reunindo registros de longos anos retratando a personalidade multifacetada e a excepcional obra daquele que liderou por mais de quatro décadas o Batalhão de Ouro do Bumba Boi de Maracanã. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da escultora estadunidense nascida em Antuérpia, Hélène Sardeau (1899- 1969). Veja mais aqui & aqui.

PERNAMBUCO ART&CULTURAS
A ARTE DE TIAGO AMORIM
A arte de mestre Tiago Amorim - Sebastião Wilson Ferreira de Amorim -, artesão com suas esculturas em cerâmica, além de pintor e desenhista.
O pensamento do escritor, professor, advogado e arquiteto Evaldo Coutinho (1911-2007) aqui.
O cordel de Zé Brejêro aqui e aqui.
A música de Santanna O Cantador aqui, aqui, aqui & aqui.
O teatro de Newton Moreno aqui.
A arte de Oriana Duarte aqui.
Onde há fumaça, há fogo - crônicas de uma usina de açúcar, do agrônomo pernambucano, José Moura aqui.
Assim falou Telles Júnior aqui.
Cidadania na sala de aula aqui.
O monstro do Riacho dos Cachorros aqui.
Panelas aqui & aqui.
&
OFICINAS ABI – 2º SEMESTRE 2020
Veja detalhes das oficinas da ABI aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.


quarta-feira, julho 25, 2018

GABRIELA MISTRAL, ARTAUD, ANA MIRANDA, CANCLINI, LUCIEN SFEZ, ROCCO & ADRIANA FARIAS


PROSINHA PARAMIOLÓGICA – Imagem: A jangada e o céu amarelo, art by Liu Kojima. - Igarapeba de rio, ubá pelo mar. Ou vice-versa. Pescador de respeito, não deixa o barco virar. Quem me ensinou a nadar eu não sei, nunca aprendi. O que é que o rei vê só uma vez, o homem toda vez e Deus nenhuma? Dá-me só uma, pão-por-Deus! Um pé lá, outro cá: pés em duas canoas. Quem por gosto corre não se cansa. É só livrar de boca ruim, praga rolou, capaz de pegar mesmo, avalie, que se espalha feito um rastilho de cobra. É, coisa malfazeja nunca vem sozinha. Melhor guardar do bem, cumulado de votos amáveis. E a mula-sem-cabeça? Ah, moça donzela, bonita de se ver. Perdeu-se tão jovem, caiu na falação. Por causa disso, não pode mais casar. Como é que pode? Foi feito a comadre e o compadre. Vixe! Pior aquela que se perdeu com o padre e virou burrinha. Isso é lá coisa que se conte? Oxe, toda sexta-feira, meia noite em ponto, é a hora dela. Não diga isso. Esconda as unhas e os dentes, senão ela ataca, chupa os olhos, começa por aí. Se passar correndo por uma cruz, ela logo aparece. Deite-se de bruços e esconda as mãos. Quando chegar em casa, não acenda as luzes; espere o dia nascer. Eita, isso é coisa de Trancoso. Minha porta está aberta, ninguém vem me ver, da janela estreita, tudo ao redor, rumores de passos na rua, as palavras voam: conversa vai, conversa vem, as parlendas na boca da noite. Nenhum motivo pra queixa, a farra loquaz: eu quero que me venha contar o que foi que viste ontem na feira! Deixe de vexame, ora, parece mais que vai tirar o pai da forca! Eu, não. Esse não entende patavina, não sabe pataca de qualquer coisa. E a feira tem de tudo, de fruta ao que ver, de tudo que quiser! Não visse mais nada? Só a mulher buchuda com a barriga pela boca. Se ela soprar no cangote do marido, ele que enjoa. Não diga isso. E pra melhorar a situação, ela deve ficar de cócoras e o marido tem que dar três voltas no oitão. Segura o fandango: caindo no goto de todo mundo! E bate o coco: Papai me dê dinheiro pra comprar um cinturão que a vida de solteiro é andar mais Lampião! Não é coisa que se diga: pior do que pé com calo em sapato novo! Mindinho falou pro Seu Vizinho: jangadeiro de rio veleja pro mar! A pipa pinga, o pinto pia, quanto mais o pinto pia, mais a pipa pinga! Orvalho não enche poço, rapaz! E se procuram porcos até as moitas roncam! A voz do populário dos rincões bafejados pelo ditos e sobreditos, destravou a língua com os adágios a desforra de trancoso: mande lá adivinhação! Uma anedota que seja, homem! Seu Vizinho falou pro Maior de todos: Coco pelado, caiu no melado! Quando Deus andou no mundo onde pôs as mãos na mulher? Segura a munheca, lá vem travalíingua: corrupaco papaco, a mulher do macaco, ela pita, ela fuma, ela toma tabaco debaixo do sovaco! Ah, morena, eu apago os faróis e teu fogo. Una, duna, trena, catena, bico de pena, essa sim, essa não. Escolha muito não. Maior de Todos pro Fura Bolos: Conheço o pau pela casca, a mulher peça feição, eu sei, olhando a fumaça, que pau que deu o tição! O infortunado de fadiga no seu eito penoso, no ponto mais alto do verão: que Deus torne a vida fácil, chuva para a plantação. Fura Bolos pro Cata-Piolhos: Sou lá pau de dá em doido, hem! Enquanto isso o papa-figo corre solto no matão. Soa acalanto altas horas, entonações melífluas da beira do rio para ultramar. Uma noite dentre as noites, as águas calmas escondem o remexido do fundo. Parece mais cavilação. Não é isso, não. Reme direito, ué! Eu remo que remo e torno a remar, um dia esse rio vai me levar além mar. Vai que se perde pelas parêmias. Quer que conte outra vez? Ah, era uma vez pra quem vai, um filho de qualquer pai, vai pelo mundo sem fim: ganhará a sorte quem disser sim, a sorte pra quem só diz sim. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música da cantora, violonista e violeira Adriana Farias: Beleza rústica, Viola minha viola, Canarinho do peito amarelo & Galopeira & muito mais nos mais de 2 milhões & 500 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Nos centros urbanos se dramatiza uma tensão chave: entre totalizações do saber que as descrições das ciências sociais duras produzem e as destotalizações que geram o movimento incessante do real, as ações imprevistas, aqueles ocos ou fraturas que obrigam a desconfiar dos conhecimentos demasiadamente compactos oferecidos pelas pesquisas e estatísticas. [...]. Trecho de Imaginários culturais da cidade: conhecimento/espetáculo/desconhecimento (Iluminuras, 2008), do antropólogo argentino Nestor Garcia Canclini. 

A TÉCNICA, A COMUNICAÇÃO & A VIDA – [...] Desde o começo da humanidade sonha-se com isso. Nunca sofrer e nunca morrer. Ou seja, obter a imortalidade. É o que precisamente a técnica pretende poder dar ao homem. [...]. Trecho de entrevista concedida pelo escritor e professor tunisiano Lucien Sfez à Revista Famecos (abril, 2008), que em sua obra Crítica da comunicação (Instituto Piaget, 1994), assinala que: [...] A comunicação morre por excesso de comunicação e se acaba em uma interminável agonia de espirais [...], ao denunciar que um Frankstein tecnológico está ameaçando por se viver num mundo de máquinas, para fabricar, transportar, pensar, contando-se com a comunicação, vista como um conceito mágico, um agente invasor ou uma nova ciência litúrgica do século XXI, para evitar a catástrofe iminente. Para o autor, na sociedade atual já não se sabe comunicar consigo mesma, por conta dos valores alterados cujas leis se dissipam e cuja coesão interna é posta em questão. Para ele, o fator comunicação assume uma relevância inédita em termos históricos por ter a tarefa desesperada de religar os diversos setores da sociedade mergulhados na cegueira da especialização, da fragmentação e da confusão dos valores. 

O RETRATO DO REI – [...] Nenhuma mulher devia temer um homem [...] juntou um arsenal que daria para prover um grande exercito. Estão todos armados. Não há mais autoridade. Sem comando não há paz. Prenuncia-se ali o fim da sociedade humana. [...] isso ainda vai acabar em desgraça. [...] Vista de longe, parecia uma cidade limpa, inocente, em estado de graça, sem seus moradores, seus pecados, suas intrigas. [...] Sua vida era uma sucessão de perdas. [...] Muitos homens acreditavam ser pecado manter conversação com mulheres. E talvez fosse mesmo. [...] Desde criança Francisco demonstrara vocação religiosa [...] dissera a mão que queria ser padre. Mas não sonhava apenas ser padre. Queria ser bispo, quem sabe arcebispo, cardeal, ou até mesmo papa. O pai, ao ouvir a expressão dos desejos do menino, dissera: És apenas uma fruta podre nos galhos da nossa família. [...] ajoelhou-se ao lado da cama, postou as mãos e rezou, piedosamente, pedindo a Deus que realizasse seu maior desejo: mandar todos os paulistas para o inferno. [...]. Trecho extraído da obra O retrato do rei (Companhia das Letras, 1991), da escritora Ana Miranda. Veja mais aqui e aqui. 

COPLAS – A tudo, em minha boca, / um sabor de lágrimas se acresce; / a meu pão cotidiano, a meu canto / e até à minha prece. / Eu não tenho outro oficio, / depois do silente de amar-te, / que este oficio de lágrimas, duro, / que tu me deixaste. / Olhos apertados / de candentes lágrimas! / Boca atribulada e convulsa, / em que prece tudo se tornava! / Tenho um vergonha / deste modo covarde de ser! / Nem vou em tua busca / nem consigo também te esquecer! / E há um remoer que me sangra / de olhar um céu / não visto por teus olhos, / de apalpar as rosas / sustentadas pela cal de teus ossos! Poema da poeta chilena Gabriela Mistral (1889-1957), Prêmio Nobel de Literatura em 1945. Veja mais aqui, aqui e aqui.

A POESIA DE ARTAUD
[...] Se sou poeta ou ator, não o sou para escrever ou declamar poesias, mas para vive-las. Quando recito um poema, não é para ser aplaudido mas para sentir os corpos de homens e mulheres, disse os corpos, tremer e rodar em uníssono com o meu, rodar como se roda da obtusa contemplação do Buda sentado, pernas cruzadas e sexo gratuito, para a alma, quer dizer para a materialização corporal e real de um ser integral de poesia [...] tornem-se verdadeiros, e que a vida saia dos livros, das revistas, dos teatros ou das missas que a retêm e a crucificam para captá-la, e que passe para o plano desta imagem interna de corpos [...].
Pensamento do escritor, dramaturgo e diretor de teatro francês de aspirações anarquistas Antonin Artaud (1906-1948), extraído da obra Valise de cronópio (Perspectiva, 2008), de Júlio Cortázar. Imagem: Evocation d’Antonin Artaud, de Masson Andre (1886-1987). Veja mais aqui, aqui e aqui.

Jornadas de Economia Política, História Econômica e Social (III Jephes) & muito mais na Agenda aqui.
&
A arte do pintor ítalo-brasileiro Antonio Rocco (1880-1944) aqui.
&
Renascer na manhã, a poesia de Manoel de Barros, a universidade de José Arthur Giannotti, a arte de Marcel Gromaire, a música de Toninho Horta, Badi Assad, Max Richter e Charlotte Gainsbourg aqui.
&
CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.

APOIO CULTURAL: SEMAFIL
Semafil Livros nas faculdades Estácio de Carapicuíba e Anhanguera de São Paulo. Organização do Silvinha Historiador, em São Paulo. Fone: 11 98499-2985.
 

segunda-feira, outubro 09, 2017

GABRIELA MISTRAL, MARK TWAIN, MATTÉI, DŌGEN ZENJI, ISMAEL NERY, LUIZ VIOLA & ZÉ RIPE

EMBALO DA VIDA - Imagem: O violeiro, de Luiz Viola - Anda mais duns quarenta anos, bem mais, acho, que botei as ventas no mundo e dei de cara com a trupe de fazedores de emboanças, sons amolestados e tons desafinados, telengotendo, xenhenhem! E a cavilação: ou você me paga o que deve ou um de nós perde a vida e a vida bate o aço a judiar! Simbora! O galope só é bom quando é à beira-mar! Lá ia eu metido a besta entre parceiros, doidos e sãos, repicando aboios e toadas, aliterações e gemidos, um poema atrás do outro feito bandeirinhas de São João que não acabam mais nas mais de mil e uma estripulias por dias como espelhos e noites de meter os pés pelas mãos, desapeando para abancar, todo ancho no meio de oitava antiga ou dez de queixo caído, nada que possa valer mais que de Serra da Prata para Serro Azul, de Pirangi pra Paul, Mata Sul pernambucana, terra dos Palmares, de João de Zé das quantas, Maria de partos, flores e rumores, dos erros do tino e acertos no milhar, do tudo e do muito, maleitas, aporrinhações, sacanagens e engodos. Acha pouco, é? Vá atentar o diabo que ele gosta! É não! É! Você diz que não cai, mas cai no quebradinho: cai quem não gosta da vida, cai quem da morte tem medo. E eu ia danado pra Catende com vontade de chegar. É de lá que vem cantando Zé Ripe e eu aplaudindo olhos acesos, de cócoras com a saparia, foi não foi, foi, amoitado na casa de taipa com o sereno que vinha do som no pé da orelha e via atalhos e tocaias que perturbam nossa poesia sem amanhã, agarrado ao desespero para vencer o medo de fugir da obscuridade pro futuro redentor. Era bom demais, Zé Ripe cantando coisas da gente dessas terras que são minhas até que a peitica cantou e lá vinha a chuva dos sapos pedirem aos céus clemência, foi, não foi, foi, enquanto eu a duras penas ouvia cantarem louvores aos céus para livrá-los dos horrores sem saber o domínio do destino. E eu que ouvia e se havia com o amiudar dos galos, saía no oitão de rede rasgada e terreiro afora na força da munheca, engolindo brasa de fogo, pegando corisco nos ares, já sabia: não presto nem pra mim mesmo! E ia contra o muro e voltava, pé na rua, no meio da vida, quantos baques, muitas quedas: quebra cabeça é assim! Segura o rojão: quando eu ia ela voltava, quando eu voltava ela ia. Ia e vinha e nada, só no mote ineivado: isso é que é mourão voltado, isso é que é voltar mourão. E lá ia eu solto na lapa do mundo dos oito pés em quadrão, acelerado feito xexéu: quando eu disser meia quadra, você diz que é quadra e meia, quando eu disser quadra e meia, você diz que é meio quadrão. Quem não canta gabinete, não sabe o que é cantar! E eu que não sou de aguentar desaforo, não sou de arrastar mala e abria os peitos: quem não canta gabinete, não é cantor pra ninguém. Aí convocava: vamos fazer um baião de viola ou bota a viola no saco! Aí eu que já me achava maior que o troço, feito quem tem mais opinião que informação, todo cheio de nove horas, já estava com um fastio grande porque abusei da comida com a inhaca da desgraça, aguentei tempo o de longe, injuriado até o gogó, pra amansar no balançado do xote do Zé Ripe com o trancelim e laço de fita, sujeito bom cantador que me ensinava que cabeça não foi feita só para separar as orelhas, a me embalar entre as senhoras, viúvas e moças amojadas nesse Brasil de caboclo, Mãe Preta e Pai João, coisas da minha vicariante prosopopéia, porque sei que nada morre antes do tempo, nem corre sem vê de quê. E a minha infância, quer você queira ou não, parece mais que criou pena, bateu asas e voou pra nunca mais, o adulto que envelhece e arenga: aqui só canta um galo que sou eu nesse terreiro. Aprendi desde cedo que cantador que se dá a preço, não se areia nem faz troça e na boca traz tanto repente chega de sobrar e cair no chão pra quem quiser, isso é que é bom, porque para cantar nunca teve semana, nem dia, nem hora, nem mês. Vamos simbora, Zé Ripe, vamos desmanchar o enredo pra não ficar cego de raiva nem ter o diabo por guia, a gente vai que vai, não tem quem não cuspa pra cima que não lhe caia na cara! Vamos ver o desafio malcriado rompendo a cantoria! E vamos aprumar a conversa & tataritaritatá! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com a música de Djavan ao vivo + Ária + Um amor puro; a célebre cantora lírica soprano brasileira Bidú Sayão (1902-1999), interpretando a Bachiana nº 5 & Floresta amazônica de Villa-Lobos & La demoiselle élue de Debussy; da saxofonista, flautista, compositora e arranjadora Daniela Spielmann com Brazilian Breath, Saudades do Paulo com Cliff Korman & Chorinho pra você com Paulo Moura; e do cantor e compositor Zé Ripe com Amigos em pé de serra & Santanna O Cantador, Predestinação, Nordestinos do Forró, Bobeira & Perdi Você. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA - Conhecer a verdade do Buda é conhecer a si mesmo. Conhecer a si mesmo é esquecer-se de si mesmo. Esquecer-se de si mesmo é ser confirmado por todos os Darmas. Ser confirmado por todos os Darmas é deixar seu corpo e sua mente e o corpo e a mente do mundo externo desaparecerem. Todo indício de iluminação desaparece, e essa iluminação sem indício prossegue indefinidamente. Pensamento do mestre zen-budista Dōgen Zenji (1200-1253), extraído do artigo Os ensinamentos rosacruzes e o zen (O Rosacruz, 2015), de Atsushi Honjo. Veja mais aqui.

EDUCAÇÃO DE HOJE DE MATTÉI - [...] Na educação moderna, o estudante é apenas objeto de um discurso administrativo [...] Como eu digo em A barbárie interior, os métodos educacionais consistem em substituir o aluno, o homem, por uma espécie de sujeito social que não tem mais relação o pensamento, com o conhecimento, com a erudição, com a formação do saber. A educação moderna – em Dewey, por exemplo- substituiu a finalidade da educação como hominização pela socialização: o aluno é somente um ser social administrativo, encerrado em uma rede administrativa. [...] Não há aí possibilidade de relação do aluno ou da criança com o mundo, com o saber ou com o pensamento. [...] o que conta são procedimentos, a educação moderna é procedimental, como falam os educadores norte-americanos. [...]. Trechos da entrevista Modernos e bárbaros (Cult, janeiro 2003), ao jornalista Manoel da Costa Pinto, pelo filósofo francês Jean-François Mattei (1941-2014), sobre a obra A barbárie interior: ensaio sobre o i-mundo moderno (UNESP, 2002). Veja mais aqui.

HONESTIDADE, VIRTUDE & EVOLUÇÃO HUMANA - [...] vi que nunca tivemos a intenção de libertar, mas a de subjugar aquele povo. Fomos até lá para conquistar, não para salvar. [...] Parece-me que nosso prazer e dever seria tornar livres aquelas pessoas e deixar que elas próprias resolvessem sozinhas as suas questões internas. E é por isso que sou antiimperialista. Eu me recuso a aceitar que a águia crave suas garras em outras terras. [...] A alma e a substância do que geralmente se chama patriotismo é covardia moral, e sempre foi. [...] anseia apenas por ficar do lado do vencedor. [...] O dogma do patriotismo monárquico é: “O Rei nunca erra”. Nós adotamos com todo o seu servilismo, com uma insignificante mudança de palavras: “Nossa pátria, certa ou errada”. [...] Jogamos fora, e com ele tudo o que havia de respeitável nessa palavra grotesca e ridícula, patriotismo. [...] Não é verdade que existem dezenas de tipos de honestidade que não podem ser medidas pelo padrão do dinheiro? Traição é traição – e há mais de uma forma de traição; a forma dinheiro é apenas uma delas. [...] não existe um único homem honesto em lugar nenhum. E neste caso nem a mim eu faço exceção. [...] Toda pessoa nela incluída é honesta de uma ou de várias formas, mas nenhum de seus membros é honesto de todas as formas exigidas – exigidas por quê? Por seu próprio padrão. Fora essa, da forma como eu entendo, não existe para ela outra obrigação. E eu sou honesto? Dou-lhe minha palavra de honra (particular) de que não sou. [...]. É verdade, arte eu sou desonesto. Não de muitas formas, mas de algumas. Acho que são 41. Somos todos honestos de uma ou de muitas formas – todos os homens no mundo -, embora eu às vezes tenha a impressão de ser o único que tem uma lista negra tão curta. Às vezes me sinto isolado nessa altaneira solidão. [...] o século XIX trouxe progresso – o primeiro progresso depois de “eras e eras” -, um progresso colossal. Em quê? Materialidades. Fizeram-se aquisições maravilhosas com coisas que aumentam o conforto de muitos e tornam mais difícil a vida de outros tantos. Mas e o aumento da virtude? É possível descobri-lo? Acho que não. As materialidades não foram inventadas em beneficio da virtude [...]. lutam febrilmente por dinheiro. O dinheiro é o ideal supremo – todos os outros ficam relegados ao décimo lugar para o grosso das nações conhecidas. A febre do dinheiro sempre existiu, mas na história do mundo ela não foi a loucura em que se transformou no seu tempo e no meu. Esta loucura corrompeu essas nações; tornou-as duras, sórdidas, cruéis, desonestas, opressivas. [...] Se houve algum progresso em direção à virtude desde o início da Criação – do que, na minha inabalável honestidade, sou forçado a duvidar – acredito que devamos limitá-lo a 10% das populações da Cristandade (mas deixando de fora a Rússia, a Espanha e a América do Sul). Isso nos dá 320 milhões dos quais tirar dez por cento. Ou seja, 32 milhões avançaram para a virtude e o o Reino de Deus desde que as “eras e eras” começaram a corre, e Deus lá sentado, admirando. Bem, isso deixaria 1 bilhão e 200 milhões fora da corrida. Continuam onde sempre estiveram; não houve mudança. [...]. Trechos extraídos da obra Patriotas e traidores: Antiimperialismo, política e crítica social (Fundação Perseu Abramo, 2003), do escritor e humorista norte-americano Mark Twain (1835 – 1910). Veja mais aqui.

A QUEM SERVISTE HOJE? - Toda a Natureza é um desejo de serviço. / Serve a nuvem, serve o vento, servem os vales. / Onde haja uma árvore que plantar, planta-a tu; / Onde haja um erro que emendar, emenda-o tu; / Onde haja um esforço que todos evitam, aceita-o tu. / Sê aquele que afasta a pedra do caminho, / O ódio dos corações e as dificuldades de um problema / Existe a alegria de ser são, e a alegria de ser justo, / Mas existe sobretudo, a formosa a imensa alegria de servir. / Como seria triste o mundo se tudo já estivesse feito, / Se não houvesse um roseiral que plantar, uma empresa que iniciar! / Que não te atraiam somente os trabalhos fáceis. / É tão belo fazer a tarefa a que outros se esquivam! / Mas não caias no erro de que só se conquistam méritos / Com os grandes trabalhos; / Há pequenos serviços que são imensos serviços: / Adornar a mesa, arrumar os bancos, espanar o pó. / Aquele é o que critica, este é o que destrói; / Sê tu o que serve. / O serviço não é tarefa só de seres inferiores./ Deus, que dá o fruto e a luz, serve. / Poder-se-ia chamá-lo assim: Aquele que serve. / E Ele, que tem os olhos em nossas mãos, nos pergunta todo dia: / “Serviste hoje? A quem? À árvore, a teu amigo, à tua mãe?” Poema da poeta chilena Gabriela Mistral (1889-1957), Prêmio Nobel de Literatura em 1945. Veja mais aqui e aqui.

GEMEDEIRA DE BENJAMIM MANGABEIRA
Geme o rico sem saúde
Geme o moço sem dinheiro
Velho vendo moça nova
Geme sem ter paradeiro
E o miserável do pobre
Ai! Ai! Ui! Ui!
Esse geme o tempo inteiro
Vamos gemer sem ter dor
Para o povo apreciar
Quem precisa de ganhar
Geme pra fazer favor
Para ser bom cantador
Eu faço tudo por mim
Antes de chegar ao fim
Mostre sua gemedeira
Me acompanhe na regra inteira
Ai! Ai! Ui! Ui!
Gemer de dois é assim.
Gemedeira criada por Benjamim Mangabeira (Benjamim José de Almeida: 1904-1975), extraída da obra Cartilha do cantador (Recife, 1985), de Aleixo Leite Filho. Veja mais aqui e aqui.

Veja mais:
A música de Djavan aqui e aqui.
A arte musical de Bidu Sayão aqui.
A arte musical de Daniella Spielmann aqui.
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

ENTREVISTA DE ZÉ RIPE
A entrevista do cantor & compositor Zé Ripe aqui e mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do pintor brasileiro Ismael Nery (1900-1934). Veja mais aqui,  aqui e aqui.



terça-feira, janeiro 12, 2016

OLHAR, GABRIELA MISTRAL MOZART, RUBEM BRAGA, AUGÉ, IOLITA & MUITO MAIS!!!


CRÔNICA DE AMOR POR ELA: AH, ESSE OLHAR (Imagem: Arte de Meimei Corrêa) - Ah, esse olhar que me chega tímido postigo e logo reverbera escancarada porta aberta fraternal, para que eu seja mais que vasilha rasa na sua íntima ceia, reunindo os furores da noite e esborrando as ânsias das frestas na promessa do dia ensolarado. Esse olhar que desnuda meu corpo, afaga terna e deliciosamente minha alma e me faz renascido a todo instante em que misantropo esbarro nas agonias da vida. Esse olhar que vem com a magia de quem chega caleidoscópio lindo pelos corredores das minhas insatisfações, pelos arredores da minha solidão, pelos caminhos tortuosos das minhas teimosias, como clareira que alumia minha escuridão a derrubar muros, grades, fortalezas, arrancando algemas e segredos; que me desordenam e se fincam para longe para que eu atinja os meus ideais nos confins de sua lonjura. Esse olhar que se faz faroleiro mágico no mirante dos agoniados desejos que me atormentam para apontar qual bússola onde acende vida no seu estado de lua atávica e eu em plena temporada de caça dos mais úmidos sentimentos. Esse olhar guardião do encanto imorredouro que me leva a ver e ouvir sua altiva perspectiva dissolvida na fricção de sua voz enternecida, como conto de fada mais que real lançando labaredas concupiscentes sobre a minha latejante exacerbação. Esse olhar que entra sem bater e é bem-vindo na surpresa para se deitar nua na poesia, improvisando falas, percorrendo sensações inauditas, pendurando estrelas nos contornos do corpo amanhecido nas braçadas de céu e sonhos, até animar o colo morno do seu ventre de todos os gritos que pedem socorro no laço dos feitiços atrevidos iluminando minha obscenidade. Ah esse olhar que é como toque de mãos trêmulas tateando a luxúria do beijo que é chama ardente na pele de rio caudaloso, inundando o tempo e a fundura de mar de suas premências noturnas, a misturar pernas, seios, sexo e boca de lua na carne nua que apetece lamber arrepiando os caminhos de suas vias tortuosas para desfrutar da saborosa iniciação de tudo que é seu. Ah esse olhar tomado de traços maravilhosamente belos que ornam a terra dos meus anseios, fulguram no sabor que unta meu corpo e me fazem pronto para a vida.  (Luiz Alberto Machado. Veja o vídeo deste poema aqui e mais aqui & aqui).

VEJA MAIS CRÔNICA DE AMOR POR ELA:

PICADINHO
Imagem: A arte do pintor espanhol Francisco Ribera Gomez (1907-1990).

 Curtindo o dvd Mozart: Piano Concertos 13 & 20 (Deutsche Grammophon, 2006), com obras do compositor alemão Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), na interpretação da pianista Mitsuko Uchida & Camerata Salzburg. Veja mais aqui.

EPÍGRAFE – Vivemos num mundo que ainda não aprendemos a olhar. Temos que reaprender a pensar o espaço, recolhido do livro Não-lugares: introdução a uma antropologia da supermodernidade (Papirus, 1994), do etnólogo e antropólogo francês Marc Augé. Veja mais aqui.

O NÃO-LUGAR NA SUPERMODERNIDADE – No livro Não-lugares: introdução a uma antropologia da supermodernidade (Papirus, 1994), do etnólogo e antropólogo francês Marc Augé, encontro que [...] Um mundo onde se nasce numa clínica e se morre num hospital, onde se multiplicam, em modalidades luxuosas ou desumanas, os pontos de trânsito e as ocupações provisórias (as cadeias de hotéis e os terrenos invadidos, os clubes de férias, os acampamentos de refugiados, as favelas destinadas aos desempregados ou à perenidade que apodrece), onde se desenvolve uma rede cerrada de meios de transporte que são também espaços habitados, onde o frequentador das grandes superfícies, das máquinas automáticas e dos cartões de crédito renovados com os gestos do comercio “em surdina), um mundo prometido à individualidade solitária, à passagem, ao provisório, ao efêmero. Veja mais aqui.

A CASA DAS MULHERES – No livro 200 crônicas escolhidas (Record, 1979), do escritor Rubem Braga (1913-1990), encontro A casa das mulheres (1954): A casa das seis mulheres amanhece tarde e lenta; chegam duas tão lavadas, penteadas, com perfumes, louçãs e se olham passeando no capim, perto da piscina azul e lhes dá vontade de fotografias. Chegam mais duas de shorts coloridos; depois uma some como por encanto, mas surge outra. Na casa das seis mulheres nunca são vistas seis mulheres; duas se afastam para se dizer segredos, ou uma está lá dentro falando ao telefone, e quando vem contando uma história outra sai correndo para mudar a blusa. A vida é uma tarde de domingo; chove com energia, faz sol com prazer, há flores, vidros, luz e sombra na casa das seis mulheres. Os homens chegam se sentem bem; mas os homens são transitivos; chegam, com suas vozes grossas, bebem tilintando gelo nos copos, fumam e partem; os homens são como sombras lentas e fortes, mas apenas sombras. Podem deixar algo no coração e nos segredos de alguma das seis mulheres, mas depois mergulham no cinzento de seus quotidianos e a casa das seis mulheres continua limpa, luminosa e transparente entre árvores e flores. Talvez seja par eles que as seis mulheres estão sempre se lavando, se penteando, se pintando e cambiando saias imprevistas e trescalando fragrâncias matinais ou sensuais – entretanto elas permanecem suspensas na indolência das tardes de domingo e os homens, seres broncos, se apagam longe, são apenas ecos de telefone, fotos perdidas em álbuns fechados nas gavetas escuras. As seis mulheres continuam se lavando, se penteando na luz vesperal, e a casa das seis mulheres espera feliz entrar no bojo da noite cheia de estrelas carregando o sono e o sonho de cinco – porque sempre uma saiu, ou foi misteriosamente à sala escura, ou a um canto vigia, ou, escondida, se abandona ao pranto. Veja mais aqui, aqui e aqui.

COPLAS - Na Antologia poética (Teorema, 2002), da poeta chilena Gabriela Mistral (1889-1957), encontro o seu poema Coplas: A tudo, em minha boca, / um sabor de lágrimas se acresce; / a meu pão cotidiano, a meu canto / e até à minha prece. / Eu não tenho outro oficio, / depois do silente de amar-te, / que este oficio de lágrimas, duro, / que tu me deixaste. / Olhos apertados / de candentes lágrimas! / Boca atribulada e convulsa, / em que prece tudo se tornava! / Tenho uma vergonha / deste modo covarde de ser! / Nem vou em tua busca / nem consigo também te esquecer! / E há um remoer que me sangra / de olhar um céu / não visto por teus olhos, / de apalpar as rosas / sustentadas pela cal de teus ossos! Veja mais aqui e aqui

AS POLACAS – Tive oportunidade de assistir em 1998, no Teatro maria Della Costa, em São Paulo, ao espetáculo As polacas, da premiada dramaturga, atriz e professora Analy Alvarez, um drama musical baseado na história da prostituição de integrantes judias no Brasil, mulheres conhecidas como polacas ou francesas que ocuparam largo espaço no imaginário erótico brasileiro do passado. O destaque da peça fica para atuação das atrises Isa Kpelman, Lucia Romano, Lara Córdula e Tania Sekker. Veja mais aqui.

DISTURBING BEHAVIOR – O filme ficção científica e suspense Disturbing Behavior (Comportamento suspeito, 1998), dirigido por David Nutter, contando a história de sujeito que após o suicídio do seu irmão, se muda com sua família de Chicago para Cradle Bay, uma cidade onde todos os jovens parecem "padronizados", ele conhece os "rejeitados". A partir de então começa a luta para manter sua individualidade numa cidade em que os fita azul dominam e junto com uma moça, eles tentam descobrir o plano macabro que se esconde por trás da aparente tranquilidade do lugarejo. O destaque do filme vai para a atriz estadunidense Kate Holmes. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Ah, que inveja! O saudoso escritor Sérgio Porto – leia-se Stanislaw Ponte Preta - na redação a TV Rio e a "certinha" Carmen Verônica. Adoraria trabalhar assim! 
Veja mais aqui, aqui e aqui.

DEDICATÓRIA
A edição de hoje é dedicada à professoramiga conterrânea Iolita Domingos Barbosa Campos.

TODO DIA É DIA DA MULHER
Veja as homenageadas aqui.


GONÇAL MAYOS, MARINE PETROSSIAN, PÉTER NÁDAS & IRANDHIR SANTOS

  Imagem: Arrostar aporias , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Fábula dos embeiçados desavindos... ...