quarta-feira, julho 23, 2014

BACHELARD, PINKER, BORGHETTI, HOLÍSTICA, ROCCO, DIEGO LUCAS, MENALTON BRAFF & MÁRCIA MALUCELLI.


GASTON BACHELARD – No seu livro A poética do espaço, o filósofo, crítico literário e epistemólogo francês Gaston Bachelar (1884-1962), escreve que: “[...] A imagem poética é uma emergência da linguagem, está sempre um pouco acima da linguagem significante. Ao viver os poemas tem-se pois a experiência salutar da emergência. Emergência sem duvida de pequeno porte. Mas essas emergências se renovam; a poesia põe a linguagem em  estado de emergência. A vida se mostra aí por sua vivacidade. Esses impulsos linguísticos que saem da linha ordinária da linguagem pragmática são miniaturas do impulso vital. Um microbergosonianismo que abandonasse as teses da linguagem instrumento para adaptar a tese da linguagem-realidade encontraria na poesia muitos documentos sobre a vida bem atual da linguagem. [...] Tornar imprevisível a palavra não será um aprendizado da liberdade? Que encantos a imaginação poética acha em zombar das censuras! Outrora, as artes poéticas codificavam as licenças. Mas a poesia contemporânea pôs em liberdade no próprio corpo da linguagem. A poesia aprece então como um fenômeno de liberdade”. Veja mais aqui

 Imagem: Nu, do pintor, professor e paisagista ítalo-brasileiro Antonio Rocco (1880-1944)



Ouvindo Emily, de Renato Borghetti.

A NEUROCIÊNCIA COGNITIVA DE STEVEN PINKER - [...] Nas nossas relações sociais o que ganha não é a força física, mas o verbo - o orador eloquente, o sedutor da língua de prata, a criança persuasiva que impõe sua vontade contra um pai mais musculoso. [...] A linguagem não é um artefato cultural que aprendemos da maneira como aprendemos a dizer a hora ou como o governo federal está funcionando. Ao contrário, é claramente uma peça do da constituição biológica do nosso cérebro. A linguagem é uma habilidade complexa e especializada, que se desenvolve espontaneamente na criança, sem qualquer esforço consciente ou instrução formal, que se manifesta sem que se perceba sua lógica subjacente, que é qualitativamente a mesma em todo indivíduo, e que difere de capacidades mais gerais de processamento de informações ou de comportamento inteligente. Por esses motivos alguns cognitivistas descreveram a linguagem como uma faculdade psicológica, um órgão mental, um sistema neural ou um módulo computacional. Mas prefiro o simples e banal termo "instinto". Ele transmite a ideia de que as pessoas sabem falar mais ou menos da mesma maneira que as aranhas sabem tecer teias. [...] Em primeiro lugar, cada frase que uma pessoa enuncia ou compreende é virtualmente uma nova combinação de palavras, que aparece pela primeira vez na história do universo. Por isso, uma língua não pode ser um repertório de respostas; o cérebro deve conter uma receita ou programa que consegue construir um conjunto ilimitado de frases a partir de uma lista finita de palavras. Esse programa pode ser denominado gramática mental (que não deve ser confundida com “gramáticas" pedagógicas ou estilísticas, que são apenas guias para a elegância da prosa escrita). O segundo fato fundamental é que as crianças desenvolvem as gramáticas complexas rapidamente e sem qualquer instrução formal e, à medida que crescem, dão interpretações coerentes a novas construções de frases que elas nunca escutaram antes. Portanto, afirmava ele, as crianças têm de estar equipadas de modo inato com um plano comum às gramáticas de todas as línguas, uma gramática universal, que lhes diz como extrair os padrões sintáticos da fala de seus pais. [...] A universalidade da linguagem complexa é uma descoberta que enche os linguistas de admiração e temor, e é a primeira razão para suspeitar que a linguagem não é apenas uma invenção cultural qualquer mas o produto de um instinto humano específico. As invenções culturais variam muito de sociedade para sociedade em termos de sofisticação; dentro de uma sociedade, as invenções têm geralmente um mesmo nível de sofisticação. Alguns grupos contam fazendo marcas em ossos e cozinham em fogos que eles produzem girando gravetos na lenha; outros usam computadores e fornos de microondas. No entanto, a linguagem acaba com essa correlação. [...] Em primeiro lugar, acabemos com o folclore de que os pais ensinam a língua aos filhos. Ninguém supõe, é claro, que pais dêem aulas explícitas de gramática, mas muitos pais (e alguns psicólogos infantis, que deveriam estar mais bem informados) acreditam que as mães dão aulas implícitas aos filhos. [...] Talvez algumas das coisas que temos de aprender sobre a língua sejam facilmente apreendidos por mecanismos simples que precedem a evolução da gramática. Por exemplo, talvez seja suficiente o tipo simples de circuito de aprendizagem para gravar qual elemento vem antes de qual outro, desde que os elementos sejam primeiro definidos e identificados por algum outro módulo cognitivo. Se um módulo gramatical universal define um núcleo de um protagonista, a ordem relativa deles (núcleo inicial ou núcleo final) poderia facilmente ser gravada. Nesse caso, a evolução tendo tornado inatas às unidades computacionais básicas da língua, não haveria necessidade de substituir cada pedaço de informação aprendida por uma conexão inata. Simulações por computador da evolução mostram que a pressão para substituir conexões neurais adquiridas por outras inatas diminui à medida que uma parcela cada vez maior da rede se torne inata, porque a cada vez menos provável que aprendizagem falhe para o resto. [...] Se dividíssemos o desenvolvimento da linguagem em fases umas tanto arbitrárias, como Balbucio de Sílabas, Balbucio Tagarela, Estágio de uma Palavra e Estágio Telegráfico (Sequências de Duas Palavras), a fase seguinte teria de ser chamada de Grande Explosão. Entre o final do segundo ano e meados do terceiro, a linguagem das crianças transforma-se numa conversa gramatical fluente, desabrochando de maneira tão rápida que desconcerta os pesquisadores, e até agora ninguém conseguiu descobrir a sequência exata desse progresso. [...] Ainda que os próprios genes especifiquem o design básico da linguagem, eles têm de armazenar as características específicas da língua no meio para que a língua de uma pessoa esteja sincronizada com a de todos os outros, apesar da singularidade genética de cada indivíduo. [...] Se formos empiristas, o mais provável é que também sejamos associacionistas e behavioristas. Inversamente, se somos nativistas a respeito da aprendizagem, e também sustentariam, provavelmente, uma concepção estruturalista do pensamento e da percepção, e é um ponto de vista mentalista para a explicação psicológica. [...] Não evoluímos dos chimpanzés. Nós e os chimpanzés e evoluímos de um ancestral comum, agora extinto. O ancestral humano-chimpanzé não evoluiu dos macacos mas de um ancestral dos dois ainda mais antigo, também extinto. E assim por diante, retrocedendo até nossos antepassados unicelulares. Os paleontólogos gostam de dizer que, numa primeira aproximação, todas as espécies estão extintas (a estimativa de 99%). [...] Um dos lados arrola algumas qualidades que a linguagem humana tem mas que até agora nenhum animal demonstrou: referência, o uso de símbolos situados no tempo e no espaço em relação a seus referentes, criatividade, percepção categorial da fala, ordenação coerente, estrutura hierárquica, infinidade, recursividade, etc. O outro lado encontra algum contra-exemplo no reino animal (talvez certos periquitos consigam discriminar sons de fala, ou golfinhos ou papagaios consigam respeitar a ordem de palavras ao executar comandos, ou algum pássaro canoro conseguir improvisar indefìnidamente sem se repetir) e então se regozija com o fato de que a cidadela da singularidade humana foi derrubada. [...] Já que a seleção natural darwiniana supõe pequenos passos incrementais que intensificam a função presente do módulo especializado, a evolução de um 'novo' módulo é impossível em termos lógicos. No entanto, há algo seriamente equivocado nesse argumento. Os seres humanos evoluíram a partir de ancestrais unicelulares. Estes não tinham braços, pernas, coração, olhos, fígado, etc. Portanto, olhos e fígados são impossíveis em termos lógicos. [...] Depois de Darwin, teóricos sérios da evolução têm insistido em dizer com firmeza que nem todo traço benéfico é uma adaptação capaz de ser explicado por seleção natural. Quando um peixe-voador sai da água, é extremamente adaptativo para ele voltar para água. Mas não precisamos da seleção natural para explicar esse feliz acontecimento; a gravidade é suficiente. Outros traços precisam igualmente de uma explicação diferente da seleção. Às vezes, um traço em si não é uma adaptação mas consequência de outra coisa que é uma adaptação. Não há vantagem em nossos ossos serem brancos e não verdes, mas há vantagem em nossos ossos serem rígidos; construí-los com cálcio é uma maneira de torná-los rígidos, e acontece que o cálcio é branco. Às vezes um traço é um resultado obrigatório de sua história, como forma em S de nossa espinha dorsal, que herdamos quando quatro patas se tornaram ruins e duas pernas bom. Muitos traços simplesmente não podem surgir dadas as limitações da estrutura corporal e o modo como os genes constroem o corpo. [...] A complexidade adaptativa é também a razão pela qual a evolução de órgãos complexos tende a ser lenta e gradual. Não porque grandes mutações e rápidas mudanças violem alguma lei da evolução. É apenas porque montagens complexas e exigem arranjos precisos de partes delicadas, e, se a montagem se dá por mudanças aleatórias cumulativas, é melhor que sejam pequenas. Órgãos complexos evoluem por pequenas etapas pela mesma razão que um relojoeiro não usa uma marreta e o cirurgião não usa um cutelo de açougueiro. [...] Faz diferença se você entende que eu digo que se você me der alguns de seus frutos eu dividirei a carne que encontrar, ou que você deveria me dar alguns frutos porque eu dividi a carne que encontrei, ou se você não me der alguns frutos, vou levar embora a carne que encontrei. E, mais uma vez, a recursividade dista de ser um dispositivo absurdamente potente. [...] Por que tanta história em torno da linguagem? Ela possibilitou aos homens se espalhar pelo planeta e operar grandes mudanças, mas o que tem isso de mais extraordinário que o coral que constrói ilhas, minhocas que moldam a paisagem construindo o solo, ou a bactéria capaz de fotossíntese que pela primeira vez emitiu oxigênio corrosivo na atmosfera, uma catástrofe ecológica em seu momento? Por que humanos falantes deveriam ser considerados mais intrigantes que elefantes, pinguins, castores, camelos, cascáveis, beija-flores, enguias elétricas, bichos-pau, sequóias gigantes, plantas carnívoras, morcegos que se orientam por ecolocalização, ou peixes que vivem nas profundezas dos oceanos e que possuem lanternas em suas cabeças? [...] Eu ficaria deprimido se o que sabemos sobre o instinto da linguagem ficasse restrita às tolas dicotomias hereditariedade-ambiente (também conhecidas como natureza-educação, nativismo-empirismo, inato- adquirido, biologia-cultura), a platitudes inúteis sobre interações inextricavelmente entrelaçadas, ou à imagem cínica do pêndulo oscilante, tão na moda no meio científico. Creio que nossa compreensão da linguagem oferece um modo mais sofisticado de estudar a mente e a natureza humanas. [...] A linguagem, como indiquei inicialmente, é um universal nas sociedades humanas, e até onde sabemos sempre o foi na história de nossa espécie. Embora as línguas sejam ininteligíveis entre si, por baixo dessa variação superficial encontra-se o design computacional único da gramática universal, com seus substantivos e verbos, estruturas sintagmáticas e estruturas de palavras, casos e auxiliares etc. [...] Conhecendo a ubiquidade da linguagem complexa em indivíduos e culturas e o design mental único que subjaz a todas as línguas, nenhum idioma me parece estranho, mesmo quando não entendo uma palavra sequer. A troça dos habitantes das terras altas da Nova Guiné no filme de seu primeiro contato com o resto do mundo, os gestos de um intérprete da língua de sinais, a tagarelice de garotinhas num parque de diversões de Tóquio – através dos ritmos me imagino vendo as estruturas subjacentes, e sinto que temos todos a mesma mente [...]. (Steven Pinker, O instinto da linguagem: como a mente cria a linguagem) DO QUE É FEITO O PENSAMENTO – O livro Do que é feito o pensamento a língua como janela para a natureza humana, do cientista cognitivo, professor de Psicologia e diretor do Centro de Neurociência Cognitiva do MIT, Steven Pinker, trata de palavras e mundos, toca do coelho adentro, cinquenta mil conceitos inatos e outras teorias radicais sobre linguagem e pensamento, cortando os ares, a metáfora da metáfora, o  que há num nome, as sete palavras que não podem ser ditas na televisão, os jogos que as pessoas fazem e fugindo da caverna. COMO A MENTE FUNCIONA – O livro Como a mente funciona, de Steven Pinker, aborda temas como equipamento padrão, máquinas pensantes, a vingança dos nerds, o olho da mente, boas ideias, desvairados, valores familiares e o sentido da vida. TÁBULA RASA – O livro Tábula rasa: a negação contemporânea da natureza humana, de Steven Pinker, traz o ataque do autor aos três dogmas fortemente arraigados na cultura ocidental - a ideia de que a mente de um recém-nascido é uma 'tábula rasa' a ser preenchida pelos pais e pela sociedade; a concepção de que o homem em seu estado primitivo é um bom selvagem; e a crença de que a alma imaterial dotada de livre-arbítrio é a única responsável pelas ações do indivíduo. O autor descreve a evolução histórica dessas três ideias, originadas respectivamente das concepções de John Locke, de Rousseau e da religião, demonstrando como elas se estabeleceram de forma inquestionável até comporem uma espécie de 'doutrina oficial', que hoje influencia não só a criação dos filhos, mas também a vida política. Veja mais aqui, aqui e aqui

REFERÊNCIAS
PINKER, Steven. Do que é feito o pensamento a língua como janela para a natureza humana. São Paulo : Companhia das Letras, 2008.
______. Como a mente funciona. São Paulo : Companhia das Letras, 1998.
______. Tábula rasa: a negação contemporânea da natureza humana. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.
______. Instinto da linguagem: como a mente cria a linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 2002.


VISÃO HOLÍSTICA EM PSICOLOGIA E EDUCAÇÃO – O livro Visão holística em psicologia e educação, organizado por Dênis M. S. Brandão e Roberto Crema, trata das novas tendências da psicologia abordando temas como parapsicologia, psicologia transpessoal e o paradigma holístico, a nova consciência para a humanidade, as três orientações maiores de uma psicoterapia iniciática, a tanatologia e trabalho com o medo da morte, o esquecimento das origens holísticas na teoria e prática da gestalt-terapia, dimensões dos grandes grupos, os novos desafios e novas lideranças no facilitador holocentrado, as novas tendências da educação, educando a pessoa como um todo para um mundo como um todo, o processo da criatividade e seus bloqueios, a educação holística, as dimensões inexploradas de uma ecologia mental, a sintonia de todas as dimensões como um caminho para facilitar a passagem para a nova cultura, a consciência holística: passado e futuro se reencontrando, a paz no espírito dos homens e a Carta Magna da UnHI. HOLISMO – O livro Holismo, ecologia e espiritualidade: caminhos de uma gestalt plena, de Jorge Ponciano Ribeiro, trata da temática do holismo e contato, transcendência e espiritualidade, gestalt, ecologia e espiritualidade, transcendência, espiritualidade e santidade, gestalt-terapia e espiritualidade, entre outros importantes temas. REFERÊNCIAS: BRANDÃO, Dênis; CREMA, Roberto (Orgs). Visão holística em psicologia e educação. São Paulo: Summus, 1991. RIBEIRO, Jorge Ponciano. Holismo, ecologia e espiritualidade: caminhos de uma gestalt plena. São Paulo: Summus, 2009. Veja mais aqui.
  

MENALTON BRAFF – O escritor e professor Menalton João Braff é formado em Letras e pós-graduado em Literatura Brasileira. É autor de mais de 20 livros para adultos, jovens e crianças, tornando-se ganhador do Prêmio Jabuti, em 2000, pelo livro de contos À sombra do cipreste. Seu trabalho literário tem sido digno de nota e daqui parabenizamos. 


DIEGO LUCAS – O professor, escritor e blogueiro Diego Lucas é formado em Letras com especialização em Estudos Literários pela UFJF, mestrando em Ciência da Religião, tem publicado seus poemas na rede, entre eles destacamos Sussurros...: “Sei lá bem quem sou, / E se sou nem sei dizer / Se tenho alma de quem amou. / Às vezes sou pássaro que livre / Bate as asas para o infinito anil. / Sei lá bem quem sou, / Um homem-bicho que cai no mato / E esplendoroso se impõe / Na selva de corpos desnudos / Que quase adormecidos vêem o sol que se põe. / Sei lá bem e se sou nem sei, pois / Se Deus me deu sangue é para amar / E assim fazer a chama borbulhar pelas veias / E bombear mais forte meu solitário coração. / O que será  que vejo? Uma fada? / Quem sabe um anjo que se aproxima / E sussurando me faz delirar. / Quem tu és? / Sei lá bem quem sou, / Sei lá”.


MÁRCIA MALUCELLI – A escritora carioca Mácia Malucelli estudou Arquitetura, Urbanismo e Filosofia e é autora de diversos livros que envolvem ficção científica, terror, policial, entre outros gêneros, além de poesias, entre as quais destacamos Escrever por essência: “Escrever por essência... Escrever por opção... Escrever por natureza seguindo o ciclo da criação. Onde o ser é a base de sua própria construção. Escrever por essência... Escrever por opção... Escrever por motivos guiados pelo coração. Onde atingimos o êxtase em qualquer estágio de correlação. Escrever por essência... Escrever por opção... Escrever por destino a procura da vocação. Onde encontrarmo-nos tende a ser a nossa única salvação. Escrever por essência... Escrever por opção... Escrever num mundo de enganação. Onde nada faz sentido a não ser a emoção. Escrever por essência... Escrever por opção... Escrever talvez por obrigação. Onde escrever é nossa última aparição. Quando a ida é a volta, quando o destino é dúbio, quando nada mais faz sentido a não ser a catarse de ver as letras correndo o papel. Um momento mágico, onde só o escritor conhece a essência por definição".


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