quinta-feira, julho 24, 2014

DRUMOND, ANTONIO CÂNDIDO, BEDOTTI, ANA MELLO & BENEDITO PONTES.


 Imagem: A passos largos, acrílico sobre tela, 1,30x1,60m, 2005, do artista plástico Antonio Bedotti Organofone.



Ouvindo a Overture to Si j`etais Roi (1852), do compositor francês Adolphe-Charles Adam (1803-1856), com a Orchestre du Theatre National de l`Opera de Paris, regida por Hermann Scherchen.




EU ETIQUETA, DE DRUMMOND – “Em minha calça está grudado um nome / Que não é meu de batismo ou de cartório / Um nome... estranho. / Meu blusão traz lembrete de bebida / Que jamais pus na boca, nessa vida, / Em minha camiseta, a marca de cigarro / Que não fumo, até hoje não fumei. / Minhas meias falam de produtos / Que nunca experimentei / Mas são comunicados a meus pés. / Meu tênis é proclama colorido / De alguma coisa não provada / Por este provador de longa idade. / Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro, / Minha gravata e cinto e escova e pente, / Meu copo, minha xícara, / Minha toalha de banho e sabonete, / Meu isso, meu aquilo. / Desde a cabeça ao bico dos sapatos, / São mensagens, / Letras falantes, / Gritos visuais, / Ordens de uso, abuso, reincidências. / Costume, hábito, premência, / Indispensabilidade, / E fazem de mim homem-anúncio itinerante, / Escravo da matéria anunciada. / Estou, estou na moda. / É duro andar na moda, ainda que a moda /Seja negar minha identidade, / Trocá-la por mil, açambarcando / Todas as marcas registradas, / Todos os logotipos do mercado. / Com que inocência demito-me de ser / Eu que antes era e me sabia / Tão diverso de outros, tão mim mesmo, / Ser pensante sentinte e solitário / Com outros seres diversos e conscientes / De sua humana, invencível condição. / Agora sou anúncio / Ora vulgar ora bizarro. / Em língua nacional ou em qualquer língua / (Qualquer principalmente.) / E nisto me comparo, tiro glória / De minha anulação. / Não sou - vê lá - anúncio contratado. / Eu é que mimosamente pago / Para anunciar, para vender / Em bares festas praias pérgulas piscinas, / E bem à vista exibo esta etiqueta / Global no corpo que desiste / De ser veste e sandália de uma essência / Tão viva, independente, / Que moda ou suborno algum a compromete. / Onde terei jogado fora / Meu gosto e capacidade de escolher, / Minhas idiossincrasias tão pessoais, / Tão minhas que no rosto se espelhavam / E cada gesto, cada olhar / Cada vinco da roupa / Sou gravado de forma universal, / Saio da estamparia, não de casa, / Da vitrine me tiram, recolocam, / Objeto pulsante mas objeto / Que se oferece como signo dos outros / Objetos estáticos, tarifados. / Por me ostentar assim, tão orgulhoso / De ser não eu, mas artigo industrial, / Peço que meu nome retifiquem. / Já não me convém o título de homem. / Meu nome novo é Coisa. / Eu sou a Coisa, coisamente”.


ANTONIO CÂNDIDO –O poeta, ensaísta, professor universitário e critico literário Antonio Cândido, em sua obra Formação da Literatura Brasileira, um trabalho sem igual na cultura nacional e sob uma visão histórico-sociológica que estudou, em profundidade, os primeiros movimentos literários, falou que: “Comparada às grandes, a nossa literatura é pobre e fraca. Mas é ela, não outra, que nos exprime. Se não for amada, não revelará a sua mensagem; e se não a amarmos, ninguém o fará por nós. Se não lermos as obras que compõem, ninguém as tomará do esquecimento, descaso e incompreensão”. Veja mais aqui.


ANA MELLO – A escritora, professora e técnica Química gaúcha Ana Mello, é coordenadora do Poetrix no RS, autora do livro Minicontando (2009) e de vários e-books no Brasil e em Portugal. Atualmente ministra oficinas literárias para o público jovem e adulto. Entre suas obras poéticas destacamos Mulheres: “Bonitas ou feias, / gordas ou magras./ Amadas, esquecidas. / Dependentes ou não. / Carentes, envolventes. / Submissas, acreditas? / Quando amigas são fiéis. / Se inimigas são cruéis. / São mães e amam demais. / Perdoam e se doam. / Dizem não e cortam, / despedaçam o coração. / São avós e deixam tudo, / atendem pedidos / fazem carinho – fadas. / São amantes que choram, / riem e compartilham. / Trabalhadoras, sustentam, / enfrentam resignadas / duas, três jornadas. / Diferentes ou iguais / poderosas, virtuosas, evoluem. / Velhas ou meninas / puras ou impuras / cristalinas. / Masculinas e femininas / são controvérsia e emoção. / Ser mulher é um jeito / de viver, amar e crescer. /Por natureza ou opção”.


BENEDITO PONTES – Foi no Clube Caiubi de Compositores que conheci a obra musical do cantor, compositor, professor universitário e engenheiro civil alagoano, Benedito Pontes. Foi a partir daí que sou que ele já lançou Mãe Terra (2007), Quem for podre que se quebre (2008), O perigo é gostar (2010) e Linguagem Emocional (2014), apresentando uma riquíssima diversidade de ritmos e temas que vai do maracatu ao chorinho, da bossa ao xote, frevos e sons de sua verve musical. Para se ter ideia do seu talento, ele criou em parceria com a musicista, compositora e pianista Orietá Feijó o grupo Ero Dictus, com o objetivo divulgar a música erudita no Estado de Alagoas. Seus talento é inquestionável e eu aplaudo de pé esse grande artista.

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