quarta-feira, julho 09, 2014

DREISER, GABEBA BADEROON. BERTA CÁCERES, STELLA ADLER, FRIEDLÄNDER & INVENÇÃO DE XEXÉU

 


INVENÇÃO DE ASA... “Assim é o mundo! Uns selados e outros cacundos”... - Trocando em miúdos: Levantava o dedo com os pés pelas mãos, não valia um xenxem... Vamos lá! A vida toda saí pinotando pra tudo quanto é canto, como se fosse um repentista correndo atrás da sorte, só que de poesia não sabia nada, feito gente que se mete a fazer as coisas sem entender do riscado. Por causa disso não vivi em branca nuvem e vi o fio da desgraça pra todo lado que aprumei as ventas. Para quem a pedra se Sísifo sou e muitos para tantas que rolaram ribanceira abaixo, trajetos interrompidos, errâncias no desiderato. Para quem o chão, abrigo e punição, se Anteu sou na imensidão do ermo, desvalido e só, nada mais. Para quem o ar se Ícaro sou entre tempestades e asteroides, voos abissais e em queda livre. Para quem as cinzas se Fênix sou entre ciclones, furacões, tornados e tufões, à deriva pelas correntezas. Tantos redemoinhos nenhuma paragem trouxe assim por guarida. Digo sempre vida e meia pra quem me diz meia vida e quando brinquei de querer versejar dei um pontapé no destino: honrei o estandarte dos oito pés de quadrão, mesmo que nada disso valesse a pena. Trovando como entendo vou levando e quem vem de quadrão trocado eu voo com aquele galope à beira-mar do violeiro Zé Pretinho, cantando na décima de versos compridos e soltos, enquanto você fica com dez pés de queixo caído. Honrei não sei quantas musas! E se poetei fui eu nas marés e movimento das esferas no infinito do riso, o beijo e as ideias sem rima ao desenharem espírito: cantigas de amor para não maldizer – quem faz do amor ser coisa de graça; cantigas de amigo sem escárnio - de quem nunca fez mal a ninguém. Falo como quem aprendeu sextilha para não ser desentoado, um mourão em cada aceno quando não de sete pés, quem de graça fez o riso e do riso fez a graça. Para onde fui uma chegada, em cada beco outros passos, em cada esquina a solidão. Do que sou, apenas invenção de asa. Nada demais, trago apenas hestórias que me ensinou passarinho... Tenho na alma as marcas da sina caeté. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Lutamos e definimos nossas próprias formas de luta, legalizadas por nós mesmos. Resistimos como povos indígenas, como comunidades, independentemente das fronteiras que foram traçadas entre nós. Temos o desafio de continuar a tornar real esta rebeldia... Pensamento da ativista hondurenha Berta Cáceres (1971-2016), que foi uma líder indígena assassinada em sua residência por homens armados, depois de anos de ameaças. Veja mais aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Dado que a criação artística é um processo mental, a ciência da arte deve ser psicologia. Será também outras coisas, mas a psicologia faz isso sem falhar... Pensamento do historiador alemão Max Friedländer (1867-1958).

 

SINCERIDADE & HONESTIDADE – [...] O homem da classe média não é nem sincero nem honesto nem leal – ele tem que possuir dinheiro. Seu espírito ama ocultar situações; tudo o que é encoberto o impressiona, visto que o seu mundo é segurança e conforto. Ele conhece a auto reprovação e a auto humilhação. […] A era do industrialismo e do capitalismo arrebatou as mentes, corações e almas das pessoas, mas, para alcançá-la, elas renunciaram ao outro lado de si mesmas. [...]. Trechos extraídos da obra Técnica da representação teatral (Civilização Brasileira, 2014), da atriz e professora Stella Adler (1901-1992), fundadora do Conservatório Stella Adler na cidade de Nova Iorque, em 1949. Veja mais aqui.

 

UMA TRAGÉDIA ESTADUNIDENSE – […] que importa se um homem ganha o mundo inteiro e perde a sua alma? [...] Quem eram essas pessoas com dinheiro e o que fizeram para desfrutar de tanto luxo, onde outros aparentemente tão bons quanto eles não tinham nada? E onde é que estes últimos diferiam tanto dos bem sucedidos? [...] Outros livros dependiam menos de contatos pessoais do que de certas preocupações permanentes. No início da sua carreira, Dreiser interessou-se por um crime que considerava uma versão sombria do motivo do sucesso americano: o assassinato de uma mulher que impedia os sonhos do seu amante de progresso social e material através de um casamento mais vantajoso. Para An American Tragedy (1925), ele investigou vários históricos de casos, muitos deles assassinatos sensacionais envolvendo figuras conhecidas como Roland Molineux e Harry Thaw. Ele finalmente decidiu pelo julgamento de Chester Gillette em 1906 pelo assassinato de Grace Brown, ocorrido no distrito dos lagos, no interior do estado de Nova York. O romance se beneficiou do interesse popular pela biografia criminal, uma forma à qual a obra-prima de Dreiser deu nova vida como progenitora de romances documentais sobre crimes, como Native Son, de Richard Wright, In Cold Blood, de Truman Capote, e The Executioner’s Song, de Norman Mailer. [...] E eles estavam sempre testemunhando como Deus ou Cristo ou a Graça Divina os resgataram desta ou daquela situação – nunca como eles haviam resgatado qualquer outra pessoa. [...] Enquanto cantavam, este público de rua indefinido e indiferente olhava, preso pela peculiaridade de uma família de aspecto tão sem importância erguendo publicamente a sua voz coletiva contra o vasto cepticismo e apatia da vida. [...] Que coisa miserável era nascer pobre e não ter ninguém que fizesse nada por você e não poder fazer tanto por si mesmo! [...] As pessoas gostam de dinheiro ainda mais do que de aparência [...] Os dias estavam indo – indo. Mas a vida - a vida - como poderíamos viver sem isso - a beleza dos dias - do sol e da chuva - do trabalho, do amor, da energia, do desejo. Por que dizer-lhe tão constantemente agora para resolver todos os seus cuidados na misericórdia divina e pensar apenas em Deus, quando agora, agora, era tudo [...]. Trechos extraídos da obra An American Tragedy (Signet, 2010), do escritor e ativista estadunidense Theodore Dreiser (1871-1945), obra que embasou a inspiração livre do filme Sunrise – A song of two humans (1927), do cineasta alemão F. W. Murnau.

 

DOIS POEMASA ARTE DE PARTIR - O calor está saindo \ da sua camisa, pendurada \ nas costas da cadeira. Aos poucos \ ele está devolvendo tudo \ o que tinha de seu. O SONHO NO PRÓXIMO CORPO - Da ponta da cama, coloco \ os lençóis de volta no lugar. \ Um velho pinta um grande sol listrado \ por nuvens de sete azuis. \ Através do centro amarelo, cada \ azul é precisamente ele mesmo e, no entanto, \ no ponto em que encontra outro, \ o olho não consegue detectar uma mudança. \ O ar muda, diz ele, \ e as cores. \ Quando você me tocou em um sonho, \ sua pele há uma hora não terminava \ onde se juntava à minha. Meu corpo continuou \ o movimento do seu. Algo fluía \ entre nós como pássaros em bando. \ Numa solidão maior que nossos dois corpos, \ a luz cada vez mais forte nos separou novamente. \ Mas sob a cobertura a impressão \ de nossos corpos é uma cavidade única e quente. Poemas da escritora sul-africana Gabeba Baderoon. Veja mais aqui.

 

OUTRAS DIC’ARTES MAIS

 


Ouvindo Gracias a la vida, de Violeta Parra, com a cantora argentina Mercedes Sosa (1935-2009). Veja mais aqui.

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me dio dos luceros que cuando los abro
Perfecto distingo lo negro del Blanco
Y en el alto cielo su fondo estrellado
Y en las multitudes el hombre que yo amo

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado el oído que en todo su ancho
Graba noche y día grillos y canários
Martirios, turbinas, ladridos, chubascos
Y la voz tan tierna de mi bien amado

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado el sonido y el abecedário
Con él, las palabras que pienso y declaro
Madre, amigo, Hermano
Y luz alumbrando la ruta del alma del que estoy amando

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado la marcha de mis pies cansados
Con ellos anduve ciudades y charcos
Playas y desiertos, montañas y llanos
Y la casa tuya, tu calle y tu pátio

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me dio el corazón que agita su marco
Cuando miro el fruto del cerebro humano
Cuando miro el bueno tan lejos del malo
Cuando miro el fondo de tus ojos claros

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado la risa y me ha dado el llanto
Así yo distingo dicha de quebranto
Los dos materiales que forman mi canto
Y el canto de ustedes que es el mismo canto
Y el canto de todos que es mi propio canto.


ANA BOTAFOGO – A bailarina e atriz carioca Ana Botafogo começou a dançar desde a infância e iniciou sua carreira profissional dançando no Ballet de Merselha, na França, tornando-se a primeira artista a ter se apresentado na Europa e nas Américas e o principal nome da dança clássica no Brasil. Ganhou vários prêmios e homenagens no Brasil e no exterior e hoje ela comemora 57 anos de idade. Parabéns, Ana Botafogo, feliz aniversário! Veja mais aqui.


MANUEL BANDEIRA – Já o poeta pernambucano Manuel Bandeira (1886-1968): “Se o fim da obra de arte é criar vida, dar ao leitor uma emoção realíssima da vida, de coisa intensa e ambiente, temos que chegar à conclusão de que a carta substanciosa vale tanto como arte quanto um poema”. Veja mais aqui, aquiaqui.


BLITZ-KRIEG DO MINEIRÃO – O presidenciável Doro, como sempre, quase acertou o placar da partida, só que do lado errado. É sempre assim. Desde que ele inventou de fazer as previsões astrológicas que ocorre isso: acerta, mas sempre ao contrário (parece mais a comunicação entre os nativos do Informe de Brodie, de Jorge Luis Borges, talqualzinho!). Apois tá! Ele garantiu que seria 6x0 pro Brasil e, por pouco, muito pouco acertou: 7x1 para Alemanha. Um verdadeiro blitz-krieg alemão no Mineirão. Que coisa! Tem nada não. Agora o mote da campanha do Doro será: - Não deu nessa, só na outra. Vamos aprumar a conversa. E veja mais aqui.


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