terça-feira, maio 07, 2019

MANUEL BANDEIRA, HAROLD MOROWITZ, PIERRE LE GROS, ROCHELLE COSTI, IARA IAVELBERG & SEGUNDA CARTA DE MAIO


SEGUNDA CARTA DE MAIO – Abri a janela e o perfume do alvorecer no poema com o sabor de mesa posta no café da manhã por todo lugar, vem do quintal forrado de folhas e capim, cheio de flores ao canto do sabiá que remexe no peito de quem debulhou milho ou colheu frutas no pé para a salada, apanhou verduras para dar gosto no almoço, do jerimum no feijão, o cheiro do coentro, hortaliças da muita, o zunzunzum de pulos e passos, voos nas marés e estações, água corrente de brejo, choro de menino, algazarra de gente, barulhada dos bichos, acordaram todos, alegria no ar. O poeta mente como outras vezes ao descobrir o que nunca viu na palavra exata, única e instintiva daquele momento que nem sabe direito o que é, só sente e vive como quem se diverte com o amanhecer e à custa daquelas impróprias e não ditas, excessivas, sujeitas à lógica trágica da sisudez, ah, não consegue fugir à tentação e sorri porque não havia sequer um pé de gente por perto e uma porta se fechou lá do outro lado, depois outra, tantas fechadas, tudo pretexto para poetar, a verdade precisa ser dita sobre os mundos do mundo, cada um e todos, salves e desventuras de perder o fôlego e deixar para trás tudo que restou dos duros golpes e afetos efusivos antes de mais nada e mesmo que tardios, quem pode dizer onde os olhos clandestinos alcançam no céu aberto e o que é dito com o raro momento do olhar ao primeiro raio do Sol pelo dia que vai pela tarde e as bocas famintas falam pelos cotovelos sem saber de onde vem, não ninguém por perto e entra pela noite da solidão, as luzes acesas para serem apagadas altas horas pros que madrugam não se sabe mesmo onde, catando o cochilo de vez pro sono e sonhos, tudo isso é a vida por todos os lados e vou disposto em seguir e viver. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] a vida é uma propriedade dos planetas, e não dos organismos individuais. [...] A vida contínua não é propriedade de um único organismo ou espécie, mas de um sistema ecológico. A biologia tradicional sempre teve a tendência de centrar a atenção nos organismos individuais, e não no continuum biológico. Sob esse ponto de vista, a origem da vida é encarada como um acontecimento singular, no qual um organismo surge e se destaca do meio circundante. De acordo com um ponto de vista mais equilibrado no que diz respeito à ecologia, o correto seria examinar os ciclos proto-ecológicos e os subsequentes sistemas químicos que devem ter surgido e se desenvolvido enquanto apareciam objetos semelhantes a organismos. [...],
Trecho extraído da obra Beginnings of Cellular Life (Yale University Press, 1992), do biofísico estadunidense PhD em Física, Harold Morowitz (1927-2016), autor da obra A essência da vida (Francisco Alves, 1981), tratando sobre a termodinâmica dos sistemas vivos e articulando fundamentos da biologia com as ciências da informação, introduzindo uma nova formulação da aplicação termodinâmica ao estudo dos organismos e da biosfera. Veja mais aqui & aqui.

EM BUSCA DE IARA
O documentário Em busca de Iara (2013), dirigido por Flávio Frederico, roteiro de Mariana Pamplona e música de Jonas Tatit, conta a trajetória excepcional da psicóloga, docente e ativista Iara Iavelberg (1944-1971), que abandonou a família para investir na luta armada durante a ditadura militar. Resultante de uma pesquisa por documentos, entrevistas e filmes de arquivo, o documentário traz a atuação dela no movimento estudantil de 1960 e ter sido o grande amor de Carlos Lamarca. Veja mais aqui & aqui.

A ESCULTURA DE PIERRE LE GROS
A arte do escultor do Barroco francês Pierre Le Gros (1666-1719). Veja mais aqui e aqui.

A ARTE DE ROCHELLE COSTI
A arte da premiada fotógrafa e artista multimídia, Rochelle Costi que é formada em Comunicação Social pela PUC-RS, estudando na Escola de Guignard, na UFMG, na Saint Martin Scholl of Art e na Camera Work, realizando instalações, séries e mostras individuais, além de atuar em jornais e revistas, bem como bienais nacionais e estrangeiras. Veja mais aqui.
&
A OBRA DE MANUEL BANDEIRA
Vivo nas estrelas porque é lá que brilha a minha alma.
A obra do poeta, tradutor, critico literário e de arte, Manuel Bandeira (1886-1968) aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.


EMMA LAZARUS, NADINE GORDIMER, LAGERLÖF, YOURCENAR & JOAN RODRIGUEZ

    Ao som de Pavane por une infante défunte (1899), de Maurice Ravel , com a Orchestre National de France, sob a regência da maestrina fin...