
DITOS & DESDITOS:
[...] As desigualdades continuarão a crescer em
todo o mundo. Mas, longe de alimentar um ciclo renovado de lutas de classe, os
conflitos sociais tomarão cada vez mais a forma de racismo, ultranacionalismo,
sexismo, rivalidades étnicas e religiosas, xenofobia, homofobia e outras
paixões mortais. A difamação de virtudes como o cuidado, a compaixão e a
generosidade vai de mãos dadas com a crença, especialmente entre os pobres, de
que ganhar é a única coisa que importa e de que ganhar – por qualquer meio
necessário – é, em última instância, a coisa certa. [...] Nenhuma das alternativas acima é acidental.
Em qualquer caso, é um sintoma de mudanças estruturais, mudanças que se farão
cada vez mais evidentes à medida que o novo século se desenrolar. [...] O principal choque da primeira metade do
século XXI não será entre religiões ou civilizações. Será entre a democracia
liberal e o capitalismo neoliberal, entre o governo das finanças e o governo do
povo, entre o humanismo e o niilismo. [...] Apoiado pelo poder tecnológico e militar, o capital financeiro
conseguiu sua hegemonia sobre o mundo mediante a anexação do núcleo dos desejos
humanos e, no processo, transformando-se ele mesmo na primeira teologia secular
global. Combinando os atributos de uma tecnologia e uma religião, ela se
baseava em dogmas inquestionáveis que as formas modernas de capitalismo
compartilharam relutantemente com a democracia desde o período do pós-guerra –
a liberdade individual, a competição no mercado e a regra da mercadoria e da
propriedade, o culto à ciência, à tecnologia e à razão. Cada um destes artigos
de fé está sob ameaça. Em seu núcleo, a democracia liberal não é compatível com
a lógica interna do capitalismo financeiro. É provável que o choque entre estas
duas ideias e princípios seja o acontecimento mais significativo da paisagem
política da primeira metade do século XXI, uma paisagem formada menos pela
regra da razão do que pela liberação geral de paixões, emoções e afetos. Nesta
nova paisagem, o conhecimento será definido como conhecimento para o mercado. O
próprio mercado será re-imaginado como o mecanismo principal para a validação
da verdade. Como os mercados estão se transformam cada vez mais em estruturas e
tecnologias algorítmicas, o único conhecimento útil será algorítmico. Em vez de
pessoas com corpo, história e carne, inferências estatísticas serão tudo o que
conta. As estatísticas e outros dados importantes serão derivados
principalmente da computação. Como resultado da confusão de conhecimento,
tecnologia e mercados, o desprezo se estenderá a qualquer pessoa que não tiver
nada para vender. [...] Se a
civilização pode dar lugar a alguma forma de vida política, este é o problema
do século XXI. [...].
Trecho
do artigo The age of
humanism is ending (Mail & Guardian, 2016 – tradução de
André Langer), do historiador, filósofo e cientista
político camaronês Achille
Mbembe, autor de obras, tais como Crítica da razão negra (Antigona, 2014), abordando sobre a evolução do pensamento racial na Europa, resgatando o
conceito de Negro e de homem-mercadoria, do racismo global tecido pelo
capitalismo selvagem; de Necropolítica (N-1, 2018), tratando sobre dominação,
sofrimento, destruição e sobrevivência na falência da política; de Sair da
grande noite (Pedago, 2014), um ensaio sobre a África descolonizada, a
modernidade afropolitana, demonstrando novas sociedades que emergem com a
concretização da síntese a partir da reconstituição, da
distribuição das diferenças entre si e os outros e da circulação dos homens e
das culturas; e de Políticas da inimizade (Antígona, 2017), ensaio sobre a
hostilidade e as formas que ela assume nas sociedades contemporâneas.
A ARTE DE SUELI GUERRA
A arte
da coreógrafa, intérprete criadora, bailarina e diretora artística Sueli Guerra, que se formou no Ballet
Dalal Aschar e é especialista no método Royal pela Washington School of Ballet
e graduada em Dança pela UniverCidade (RJ), tendo sido bailarina em diversas
companhias, ter fundado a Cia da Ideia, além de ter coreografado para diversos
filmes e programas de TV. Ela é integrante da Cia de Teatro Aberto e desenvolve
o projeto social Oficina da Criação na ONG Palco Social, além de integrar o
corpo docente da Casa das Artes de Laranjeira (CAL) e do curso de pós-graduação
da UNIRIO. Veja mais aqui.
AMANCEBADO
[...] Um sertanejo cearense queria dar aos filhos
um desses nomes de encher a boca. O vigário sugeriu vários nomes de santos, sem
conseguir sua concordância. Passou aos nomes profanos. E nada! Daí a pergunta:
“Mas que espécie de nome o senhor quer?” Resposta: “Senhor vigário, queria
alguma coisa assim como Amancebado!”. [...].
Trecho
extraído da obra O sertão e o mundo (Leite Ribeiro, 1923), do advogado, professor, museólogo,
folclorista e escritor cearense Gustavo
Barroso (1888-1955). Veja mais aqui.
&
A OBRA DE MODIGLIANI
Quando conhecer sua alma, pintarei seus olhos. A
felicidade é um anjo de rosto grave.
A obra do
artista plástico e escultor italiano Amedeo Clemente Modigliani
(1884-1920) aqui, aqui, aqui e aqui.
&
A OBRA DE JEANNE HEBUTERNE
Você
sabe o que é o amor? Amor de verdade? Você já amou tanto que se condenou à
eternidade no Inferno. Eu amei. A luta travada com a morte é dada através dos
mesmos gestos contidamente torturados e, não obstante, cheios de força.
A obra da
pintora francesa Jeanne Hébuterne (1898-1920), a eterna musa de Modigliani
aqui.