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quarta-feira, maio 20, 2020

LILIANE GIRAUDON, LYDIA CABRERA, TOSHIE KOBAYASHI & DÉBORA BRITTO


DIÁRIO DE QUARENTENA – UMA: PERDI A NOÇÃO DE TUDO - Não sei direito que dia é hoje, ou se ainda é ontem, muito menos se amanheci amanhã e agora sem tempo, sou apenas o espaço do isolamento. Para quem nunca teve, manter a sanidade até que não é lá tão difícil, o pior é ter que sobreviver entre ilações e vitupérios. Embora Clara Schumann sussurre ao meu ouvido: Todos têm os seus defeitos, eu tenho e você também - permita-me dizê-lo! Eu sei, sabemos. Nada é fácil. E ela ainda é generosa comigo: Se eu tivesse encontrado mais dificuldades na minha juventude, eu teria conhecido mais alegrias. No reino dos paradoxos, um a mais não deprime tanto, talvez desendoideça de vez. DUAS: DOS NEGACIONISTAS & OUTRAS RETAS & TERRAPLANAS - Enquanto eu me desligo enlouqueço os algoritmos. Rompendo bolhas, sarava! E os médicos da verdade coisonária distribuem cloroquina de graça pro meu povão desavisado. Escroques! Sou lá de ficar na gaiola de Skinner com a moçada da mamadeira de piroca que elegeu a coisa no Brasil, pegadinhas na festa da Lei de Moore e no meio dos insultos para validação das curtidas que nem são para mim ouro da dopamina, nada disso, estou mais com os 10 motivos de Jaron Lanier, porque sou Gutenberg de hoje na fala de Paul Ricoeur: Nós somos hoje responsáveis pelo futuro mais longínquo da humanidade. Em uma escala cósmica, nossa vida é insignificante, mas esse breve período em que aparecemos no mundo é o momento em que todas as questões significativas surgem. Pois é. Enquanto os reclinados desconvêm de tudo em defesa do seu eugênico holocausto, suas estultices odientas a desconcordarem coisados com suas injúrias enfurecidas e thanatizadas o que é de fato e de direito, eu vou lamentando os meus que sucumbem em covas emergenciais, Deus nos tenha. TRÊS: O AMOR, NUNCA O ÓDIO – Chega de falar de ódio, deve-se combatê-lo, não propagá-lo. É preciso cobrar do Congresso Nacional e do STF por tanta inação diante de tantos descalabros coisonários e escusas intervenções e Centrãos e o diabo a quatro – ou será colusão para deixar correr para ver como é que fica, ou desbrio mesmo jogando um pro outro, sei lá. Sem esmorecer nem perder a ternura jamais, vou de Balzac: O amor não é apenas um sentimento: é também uma arte. O amor é a poesia dos sentidos. Ou é sublime, ou não existe. Quando existe, existe para todo o sempre e aumenta cada vez mais. Não só sinto, eu vivo. E se eu tiver algo a dizer, melhor calado, menor será a minha estupidez. Vamos aprumar a conversa, gente! Até amanhã! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Sonho do livro sem título. Seu espectro, sempre invisível. Acu­mular notas. Olhar. Ouvir. Andar por essa cidade sem nome de rua como uma completa imbecil. Cabeça coberta. Tornozelos cobertos. Mangas compridas. Ruas destruídas onde andar exige uma atenção permanente (pavor de quebrar uma perna, acabar num hospital). Sem esgotos funcionando. Cortes de eletricidade todas as noites. Por vezes durante o dia. Esta poeira em tudo. Em suspensão no ar. Depositada em tudo que se mexe e também nos objetos. Coisas mortas ou vivas. Escrever com as mesmas ferramentas que as com­pradas para desenhar [...] Os americanos não dão atenção (uma vez que a heroína não se exporta prioritariamente aos EUA, que consomem principal­mente cocaína). Nenhum desses superpoliciais parece acreditar na possibilidade de uma solução democrática. Uma economia globalizada (droga, ONG, dinheiro dos aliados, ajudas internacionais sob a égide americana) faz desse país um barril de pólvora. Pobreza, analfabetismo, injustiças, incoerências e violências do sistema alimentam os grupos islamistas radicais, fazendo com que alguns até lamentem o desaparecimento do reino dos talibãs. Isto é: 1. Interdição às mulheres de tirar o véu (e de circular sem estarem acompanhadas por um parente do sexo masculino). 2. Interdição de música (fitas e músicas proibidas nos comércios, nos hotéis e nos veículos de transporte). 3. Interdição aos homens de se barbear. 4. Obrigação de rezar. (É obrigatório ir à mesquita durante a reza). 5. Interdição de jogos de pombos e de lutas de pássaros. 6. Eliminação da droga e de seus consumidores. 7. Interdição de empinar papagaios de papel. (As lojas que vendem papagaios são eliminadas). 8. Interdição da idolatria (imagens e retratos devem ser eliminados dos veículos, lojas, casas, hotéis, museus, livrarias, etc.) 9. Interdição de jogos a dinheiro (jogadores presos durante um mês). 10. Interdição dos cortes de cabelo ingleses ou americanos (os homens de cabelo comprido são presos e rapados). 11. Interdição de lucros sobre empréstimos, comissões de câmbio e taxas sobre transações. 12. Interdição às mulheres de lavar roupa nas margens dos rios urbanos. 13. Interdição de música e de dança durante os casamentos. 14. Interdição de tocar instrumentos de percussão. 15. Interdição aos alfaiates de tomar medidas de mulheres e de lhes confeccionar roupas (revistas de moda proibidas). 16. Interdição de feitiçaria (livros queimados). A esses 16 pontos acrescentava-se uma mensagem às mulheres pedindo-lhes que não saíssem mais de casa. [...] Pergunta feita a mim mesma: Como a água pode lavar uma cor visível mas sem existência real? Agora o efeito de um leve flutuar tão agradável (tira-se o caranguejo, o corpo, o medo da morte) parece ter-se diluído. O arranhar da caneta no papel não é uma ilusão. O ar está carregado de cinza. Sobre a grama escassa, um pássaro de bico amarelo olha para mim. Trechos da obra Os talibãs não gostam de ficção (ALEA, 2008), da escritora francesa Liliane Giraudon, um caderno de viagem ao Afeganistão, em que, em meio a uma multidão povoada de burkas e de homens armados, as palavras captam sensações, odores, pai­sagens e corpos urbanos, humanos.

IEMANJÁ DE LYDIA CABRERA
[...] Iemanjá é a Rainha Universal, porque é a água, a salgada e a doce, o Mar, a Mãe de tudo que foi criado [...]. Sem água não existe vida. De Iemanjá nasceu a vida. E do Mar nasceu o santo [...]. As filhas de Iemanjá são voluntariosas, fortes, rigorosas, protetoras, altivas e, algumas vezes, impetuosas e arrogantes; têm o sentido da hierarquia, fazem-se respeitar e são justas mas formais; põem à prova as amizades que lhes são devotadas, custam muito a perdoar uma ofensa e, se a perdoam, não a esquecem jamais. Preocupam-se com os outros, são maternais e sérias. Sem possuírem a vaidade de Oxum, gostam do luxo, das fazendas azuis e vistosas, das joias caras. Elas têm tendência à vida suntuosa mesmo se as possibilidades do cotidiano não lhes permitem um tal fausto. [...].
LYDIA CABRERA - Trechos extraídos da obra Iemanjá e Oxum (Edusp, 2002), da antropóloga e poeta cubana Lydia Cabrera (1899-1991). Também para Iemanjá, um poema de Manuel Bandeira: D. Janaína/ Sereia do mar/ D. Janaína/ De maiô encarnado/ D. Janaína/ Vai se banhar./ D. Janaína/ Princesa do mar/ D. Janaína/ Tem muitos amores/ É o rei do Congo/ É o rei de Aloanda/ É o sultão-dos matos/ É S. Saravá!/ Saravá saravá/ D. Janaína/ Rainha do mar!/ D. Janaína/ Princesa do mar/ Daime licença/ Pra eu também brincar/ No vosso reinado. Veja mais aqui, aqui & aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Um espírito de disciplina e de rigor muito sérios imbuíam a transmissão do conhecimento do balé. Como toda arte, a dança exige anos de prática e de dedicação. Como o brasileiro não tem essa paciência toda, eles acabam voltando para o Brasil. No retorno, dão de cara com uma concorrência acirrada e se vêm obrigados a se aperfeiçoar cada vez mais, inclusive em técnicas contemporâneas. Nesse sentido, a mentalidade do brasileiro melhorou muito. Bato nesta tecla: bailarino tem que ter estudo. Com muito cuidado, procuro falar, ensinar e encaminhar. É preciso amar muito o que se faz. Tiro leite de pedra!
TOSHIE KOBAYASHI – A arte da bailarina, professora e coreógrafa Toshie Kobayashi (1946-2016), que iniciou sua carreira aos 10 anos de idade, ao se matricular na Escola Municipal de Bailados (EMB) de São Paulo - atual Escola de Dança de São Paulo, atuando na escola por 35 anos, ao inaugurar o estúdio Ballet Toshie Kobayashi e se tornar membro da Royal Academy of Dance, de Londres. Veja mais aquiaqui.

PERNAMBUCULTURARTES
antes fosse a poesia / disfarçada por recursos e lírica / antes fosse, antes fosse. / antes fosse a minha sorte / que no lugar de você / fosse qualquer sorte ou azar. / mas foi minha, minha poesia / e te fez sorte, / e te trouxe disfarçada. / antes fosse azar escancarado / antes admitisse o veneno, / que, por um beijo, me contaminasse. / antes fosses anunciado / azar meu, sorte minha / antes levasse a poesia, / e me deixasse intacta / antes meu azar do que isto / isto que não restou e / e.
toda sorte, poema da jornalista e poeta Débora Britto, que é integrante do Fórum Pernambucano de Comunicação (FOPECOM) e repórter da Marco Zero Conteúdo. Ela edita o blog ideias soltas e devaneios atemporais.
&
A arte da poeta e artista plástica Jussara Salazar aqui.
A música da cantora e compositora Maria Dapaz aqui.
A corrupção de um juiz (Patativa, 1998), do controvertido advogado criminalista Gil Teobaldo de Azevedo (1932-2017) aqui.
A arte do fotógrafo Osmário Marques aqui.
A arte do Mestre José Duda do Zumbi (José Galdino da Silva Duda – 1866-1931) aqui.
História do Soldado 100 anos da Orquestra de Câmara de Pernambuco aqui.
O faz-tudo, a bronca & a borreia aqui.
 

terça-feira, maio 07, 2019

MANUEL BANDEIRA, HAROLD MOROWITZ, PIERRE LE GROS, ROCHELLE COSTI, IARA IAVELBERG & SEGUNDA CARTA DE MAIO


SEGUNDA CARTA DE MAIO – Abri a janela e o perfume do alvorecer no poema com o sabor de mesa posta no café da manhã por todo lugar, vem do quintal forrado de folhas e capim, cheio de flores ao canto do sabiá que remexe no peito de quem debulhou milho ou colheu frutas no pé para a salada, apanhou verduras para dar gosto no almoço, do jerimum no feijão, o cheiro do coentro, hortaliças da muita, o zunzunzum de pulos e passos, voos nas marés e estações, água corrente de brejo, choro de menino, algazarra de gente, barulhada dos bichos, acordaram todos, alegria no ar. O poeta mente como outras vezes ao descobrir o que nunca viu na palavra exata, única e instintiva daquele momento que nem sabe direito o que é, só sente e vive como quem se diverte com o amanhecer e à custa daquelas impróprias e não ditas, excessivas, sujeitas à lógica trágica da sisudez, ah, não consegue fugir à tentação e sorri porque não havia sequer um pé de gente por perto e uma porta se fechou lá do outro lado, depois outra, tantas fechadas, tudo pretexto para poetar, a verdade precisa ser dita sobre os mundos do mundo, cada um e todos, salves e desventuras de perder o fôlego e deixar para trás tudo que restou dos duros golpes e afetos efusivos antes de mais nada e mesmo que tardios, quem pode dizer onde os olhos clandestinos alcançam no céu aberto e o que é dito com o raro momento do olhar ao primeiro raio do Sol pelo dia que vai pela tarde e as bocas famintas falam pelos cotovelos sem saber de onde vem, não ninguém por perto e entra pela noite da solidão, as luzes acesas para serem apagadas altas horas pros que madrugam não se sabe mesmo onde, catando o cochilo de vez pro sono e sonhos, tudo isso é a vida por todos os lados e vou disposto em seguir e viver. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] a vida é uma propriedade dos planetas, e não dos organismos individuais. [...] A vida contínua não é propriedade de um único organismo ou espécie, mas de um sistema ecológico. A biologia tradicional sempre teve a tendência de centrar a atenção nos organismos individuais, e não no continuum biológico. Sob esse ponto de vista, a origem da vida é encarada como um acontecimento singular, no qual um organismo surge e se destaca do meio circundante. De acordo com um ponto de vista mais equilibrado no que diz respeito à ecologia, o correto seria examinar os ciclos proto-ecológicos e os subsequentes sistemas químicos que devem ter surgido e se desenvolvido enquanto apareciam objetos semelhantes a organismos. [...],
Trecho extraído da obra Beginnings of Cellular Life (Yale University Press, 1992), do biofísico estadunidense PhD em Física, Harold Morowitz (1927-2016), autor da obra A essência da vida (Francisco Alves, 1981), tratando sobre a termodinâmica dos sistemas vivos e articulando fundamentos da biologia com as ciências da informação, introduzindo uma nova formulação da aplicação termodinâmica ao estudo dos organismos e da biosfera. Veja mais aqui & aqui.

EM BUSCA DE IARA
O documentário Em busca de Iara (2013), dirigido por Flávio Frederico, roteiro de Mariana Pamplona e música de Jonas Tatit, conta a trajetória excepcional da psicóloga, docente e ativista Iara Iavelberg (1944-1971), que abandonou a família para investir na luta armada durante a ditadura militar. Resultante de uma pesquisa por documentos, entrevistas e filmes de arquivo, o documentário traz a atuação dela no movimento estudantil de 1960 e ter sido o grande amor de Carlos Lamarca. Veja mais aqui & aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do escultor do Barroco francês Pierre Le Gros (1666-1719). Veja mais aquiaqui e aqui.

A ARTE DE ROCHELLE COSTI
A arte da premiada fotógrafa e artista multimídia, Rochelle Costi que é formada em Comunicação Social pela PUC-RS, estudando na Escola de Guignard, na UFMG, na Saint Martin Scholl of Art e na Camera Work, realizando instalações, séries e mostras individuais, além de atuar em jornais e revistas, bem como bienais nacionais e estrangeiras. Veja mais aqui.
&
A OBRA DE MANUEL BANDEIRA
Vivo nas estrelas porque é lá que brilha a minha alma.
A obra do poeta, tradutor, critico literário e de arte, Manuel Bandeira (1886-1968) aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.


quarta-feira, abril 19, 2017

BANDEIRA, QORPO SANTO, BELMONTE & ÍNDIO DA TERRA.

ÍNDIO DA TERRA – Minha carne é esta terra e é ela que me faz igual a tudo que é vivo e sagrado. É nela que sobrevivo como o filho que cresce nas águas dos rios e não para de seguir suas correntes rumo ao mar. É nela que o sonho de fruta boa mata a sede e alimenta o dia desde a raiz pro perfume das rosas, o mel das abelhas. É nela que as nuvens trazem a chuva e lava o mundo pra que tudo frutifique com o florido das coisas pro nosso prazer no nascer e no pôr do Sol. É nela que o arco íris faz o sinal da paz de si, das gentes, dos bichos e feras das matas e florestas, das aves que voam e gorjeiam pra alegria de tudo, porque a felicidade da cidade vem do mato como a brisa e a sombra pra refrescar o suor no calor da tarde. É dela que a riqueza vem das mãos no trabalho e é a mesma que cuido e tiro meu sustento e vida, enquanto os dedos que não sabem apontam pro que se move, porque as flores, folhas e galhos das árvores e toda natureza embelezam a vida e ensinam pra gente o que é dar sem nada em troca. É nela que sei tudo que sou porque sou eu e todos nós que pisamos a areia nos caminhos que se perdem no horizonte, revirando pedras, vencendo morros e a seguir na trilha que cada um seja como o Sol que brilha para todos, como a lua brinca com as estrelas da noite, como o infinito que a gente não sabe onde vai dar. É nela que não tenho nada pra dizer ou reclamar, porque cada olhar, gesto ou ação já dizem por si mesmo. É nela que aprendo a ver o oculto em cada expressão natural das coisas e saber que o muro é a barreira entre o que se quer e o que não quer, na excludência do egoísmo, a discriminação do indiscriminável. É dela que sei todas as paredes pra clausura de quem não sabe viver tudo e se reduz a nada no campo aberto, como quem só sabe consumo e desperdício e fazer o que não gosta pra ter o que quer, enganando a si mesmo e no seu sorriso a esconder choros e lamentações. É nela que vejo passar os que são e não se reconhecem herdeiros da sina: só na posse dos que não tem nada na miséria de todo dia. É nela que passam os que se negam pra si e pros outros, os que cultuam a mentira feita de verdade a pulso de séculos, os que se assumem mamelucos a serviço do mando, e os que perderam a língua e o seu chão, todos cônscios de que são os algozes que odeiam e traçaram os seus próprios destinos. É nela que aprendi a lição: onde todos estiverem, eu estou, sou filiado à humanidade no júbilo de saber a terra que é tão minha quanto de todos e a vida festejando em todo canto. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.

TESTAMENTO
O que não tenho e desejo
É que melhor me enriquece.
Tive uns dinheiros — perdi-os...
Tive amores — esqueci-os.
Mas no maior desespero
Rezei: ganhei essa prece.
Vi terras da minha terra.
Por outras terras andei.
Mas o que ficou marcado
No meu olhar fatigado,
Foram terras que inventei.
Gosto muito de crianças:
Não tive um filho de meu.
Um filho!... Não foi de jeito...
Mas trago dentro do peito
Meu filho que não nasceu.
Criou-me, desde eu menino
Para arquiteto meu pai.
Foi-se-me um dia a saúde...
Fiz-me arquiteto? Não pude!
Sou poeta menor, perdoai!
Não faço versos de guerra.
Não faço porque não sei.
Mas num torpedo-suicida
Darei de bom grado a vida
Na luta em que não lutei!
Testamento, poema extraído da Antologia Poética (José Olympio, 1974), do poeta, tradutor, critico literário e de arte, Manuel Bandeira (1886-1968). Veja mais aqui, aqui e aqui.

Veja mais sobre:
Um dia no meio das voltas que o mundo dá, o pensamento de Alan Watts, a música de Tatiana Catanzaro, a pintura de Joan Miró & Educação para paternidade/maternidade aqui.

E mais:
Alvoradinha, o curumim caeté, a literatura de Lygia Fagundes Telles, a poesia de Manuel Bandeira, o teatro de Qorpo Santo, o cinema de Tim Fywell & Ashley Judd, Marilyn Monroe & Jayne Mansfield, a pintura de Fernando Botero, a música de Roberto Carlos, Psicologia Social: infância, imagem & literatura aqui.
Eu & ela na festa do céu, Academia Virtual Sala de Poetas e Escritores (AVSPE), Umbigocentrismo, Doro & a embromação do banco aqui.
O lance da minissaia, Derinha Rocha & Zine Tataritaritatá aqui.
Itinerância, O segredo das mulheres de Albertus Magnus, a literatura de Bruce Chatwin & Eça de Queiroz, o teatro de Elias Canetti, a pintura de Henri Rousseau, a música de Samantha Fox, Políticas Públicas, a arte de Ana Claudia Talancón & Nobuo Mitsunashi aqui.
Maceió, uma elegia para os que ousam sonhar, a literatura de Mario Vargas Llosa & Autran Dourado, o teatro de Máximo Gorki, a música de Sarah Vaughan, o cinema de Suzana Amaral, a pintura de Carl Barks, o folclore de Luís da Câmara Cascudo, a arte de Dianne Wiest, a fotografia de Jannyne Barbosa & A burrinha de padre aqui.
Pra tudo tem jeito, menos pro que não pode ou não quer, A consciência fragmentada de Renato Ortiz, A teoria e a prática de Adalberto Marson, o teatro de Rubens Rewald, o cinema de Wayne Wang & Gong Li, a pintura de Geraldo de Barros & Katia Almeida, a música de Paula Morelembaum, a escultura de Émile Antoine Bourdelle, a coreografia de Eugenio Scigliano, a entrevista de Ulisses Tavares, a arte de Lisa Yuskavage & Wanda Pepi, Baghavad Gita, Neuroeducação & Até tu, Zé Corninho aqui.
Tudo tem seu lado bom & ruim & vice-versa, a obra secreta de Hermes Trismegistus, A linguagem de Ludwig Wittgenstein, O homem criador e sensato de Alan Watts, a música de Mozart & Alicia De Larroch, a poesia de Mariana Ianelli, a coreografia de Merce Cunningham, o teatro de Maria Adelaide Amaral & Marília Pêra, o cinema de Don Ross & Christina Ricci, a escultura de Aristide Maillol, a pintura de Johfra Bosschart & Sharon Sieben, a fotografia de Luiz Cunha, a ilustração de Ana Starling, Flor do Una de Juarez Carlos, a entrevista de Valquiria Lins, a arte de Rodrigo Branco, A criança: Vygotsky e o Teatro & O evangelho segundo Padre Bidião aqui.
Precisamos discutir sobre os próximos 20 anos, As vitórias e derrotas de Zygmunt Bauman, A vida íntima e privada de Fernanda Bruno, a coreografia de Janice Garrett, a poesia de Carolina de Jesus, o teatro de Tennessee William, o cinema de Jules Dassin & Melina Mercouri, a entrevista de Rejane Souza, a arte de Arlinda Fernandes & Alessandra Tomazi, a música de Irina Costa, Brincarte & Literatura Infantil, Luciah Lopez & Canção de quem ama além da conta aqui.
Aprendi a voar nas páginas de um livro, o pensamento de Carl Gustav Jung, O homem e a sociedade de Wilfred Ruprecht Bion, A atualidade de Georg Simmel, a escultura de Wilhelm Lehmbruck, a literatura de Eduardo Caballero Calderón, o teatro de Oduvaldo Vianna Filho & Helena Varvaki, a arte de Tracey Emin & Samuel Szpigel, a entrevista de Katia Velo, a música de Tarita de Souza, a fotografia de Rebeka Barbosa, a arte de Karen Robinson & Luiz Paulo Baravelli, Cidadania nas Escolas, Por mais que a gente faça nunca será demais & Do que fui e o que não sou mais aqui.
O que deu, deu; o que não deu, só na outra, Platão, O afeto e o apego de Edward John Bowlby, Nascente & a entrevista de Geraldo Azevedo, Sociedade sem escolas de Ivan Illich, o teatro de Nelson Rodrigues, a pintura de Cândido Portinari, a música de Zap Mama & Marie Daulne, a coreografia de Katherine Lawrence, a fotografia de Ryan Galbrath & Mario Testino, a poesia de Bastinha Job, o cinema de Shohei Imamura & Misa Shimizu, A Notícia & Jamilton Barbosa Correia, a arte de Rachel Howard, Depois das eleições & De cara pro futuro, levando tudo nos peitos, munheca em dia & pé na tábua aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

RELAÇÕES NATURAIS DE QORPO SANTO
[...] Estou só a escrever, a escrever; e sem nada ler; sem nada ver (muito zangado). Podendo estar em casa de alguma bela gozando, estou aqui me incomodando! Levem-me trinta milhões de diabos para o céu da pureza, se eu pegar mais em pena antes de ter... Sim! Sim! Antes de ter numerosas moças com quem passe agradavelmente as horas que eu quiser. (Mais brabo ainda.) Irra! Irra! Com todos os diabos! Vivo qual burro de carga a trabalhar! A trabalhar! Sempre a me incomodar! E sem nada gozar! - Não quero mais! Não quero mais! E não quero mais! Já disse! Já disse! E hei de cumpri-lo! Cumpri-lo! Sim! Sim! Está dito! Aqui escrito (pondo a mão na testa); está feito; e dentro do peito! (Pondo a mão neste.) Vou portanto vestir-me, e sair para depois rir-me; e concluir este meu útil trabalho! (Caminha de um para outro lado; coça a cabeça; resmunga; toma tabaco ou rapé; e sai da sala para um quarto; veste-se; e sai o mais jocosamente que e possível.) Estava (ao aparecer) eu já ficando ansiado de tanto escrever, e por não ver a pessoa que ontem me dirigiu as mais afetuosas palavras! (Ao sair, encontra uma mulher ricamente vestida, chamada Consoladora).
Trecho da comédia em quatro atos Relações naturais, extraída da obra As relações naturais e outras comédias (Peixoto Neto, 2007), do dramaturgo, escritor e jornalista brasileiro José Joaquim de Campos Leão, mais conhecido como Qorpo Santo (1829-1883). Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Ilustrações extraídas da obra Ideias de João Ninguém (José Olympio, 1935), do caricaturista, pintor, cartunista, escritor e ilustrador Belmonte (1896-1947).
Veja mais aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra:Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja os vídeos aqui & mais aqui e aqui.
 

sábado, novembro 26, 2016

MANUEL BANDEIRA, AL DI MEOLA, AMBROGIO BORGHI, JULI CADY RYAN & SEXTA POSTURA


SEXTA POSTURA - Por vontade e gosto ela sempre fez de tudo para me premiar além da conta. Era ela sempre disposta com sua compleição de Vênus de Menton, ao meu dispor e com toda suculência farta de suas intimidades amealhadas e com o olhar de quem havia de explodir todos os limites da sensatez, realizando seus sonhos mais guardados e preteridos das horas da minha ausência. Dava-se ao prazer da minha caça imprevisível como quem servia às honras do vencedor e adorava sentir-se desprevenida escrava para as minhas investidas mais teimosas por todas as brechas de sua mais secreta emanação. Não negava fogo nem vacilava das minhas investidas mais estabanadas, dava-se como travessa pronta para ser devorada na alcova da mais selvagem tirania enlouquecida. Sempre grato, eu não arredava o pé de me danar passageiro no seu jeito abrandado, levado por sua mão serviçal aos esconderijos mais profundos de sua carne aveludada em polvorosa, pronta para me agasalhar na revelação da plenitude de toda vitalidade. Aos beijos muitos, eu me realizava nos seus lábios sedutores como quem roubava de suas entranhas a força viril para vergá-la aos meus caprichos mais dominadores. E ela mais cedia como terrina de todas as iguarias deliciosas para eu me fartar com sofreguidão. E me fartava dos seus seios como quem rouba o leite para me esbaldar. E mordia seu ventre como quem arrancava o sumo vital da sua fortaleza. E me agarrava ao seu tronco como quem capturava a meliante mais ladina e perspicaz. E usava de toda sua graça anatômica como quem padecia esfomeado de sua venturosa exposição. Não largava por nada. E ela a mim se doava como quem à morte se entregava. Lavada pelos deleites da sua fonte que pingava, salivava com satisfação do paladar o meu pássaro Bennu adorado por ela a sobejar-me o ventre com seu espírito catarista de quem me banha em batismo para a salvação. E gineteira eximia ainda me lambuzava com a sua seiva íntima que escorria pela biqueira de sua ardente sensação de prazer. E eu fazia festa entre as suas coxas e revirava suas pernas e cravava as unhas no seu dorso até que em decúbito ventral emitia um riso de quem quer me presentear o aniversário. E com imprevisível ancada, seduzia-me cunilíngua para lubrificar mais sua azeitada engrenagem até chegarmos ao grau de Epsilon com o orifício do pódice ávido de ser surpreendido pela minha Fênix incendiada. Parti desenvolto para a embrechada e dei-lhe a enfiada de estremecer na sexta postura como uma hetaira disposta a se imolar em nome do amor e da paixão. E nos perdemos temulentos para que ela flagelasse com as faces esfregadas na parede enquanto eu enterrava frome por sua arrabeirada como quem vencia o Everest e me vangloriava campeão sobre sua submissão de entregue à mão do seu dono. © Luiz Alberto Machado.. Veja mais aquiaqui

 Curtindo o álbum Flesh on flesh (Telarc, 2002), do guitarrista Al Di Meola. Veja mais aqui.

Veja mais sobre:
Vou pro cinema, Isaac Bashevis Singer, Natasha Bedingfield, Ferdinand Saussure, Dušan Makavejev, Javier Arizabalo, Pedro Bismarck, Susan Anspach, Annie Bidal & Ivo Korytowski aqui.

E mais:
Vade-mécum – enquirídio: um preâmbulo para o amor aqui.
A cidade, a urbanização e as enchentes aqui.
Saúde na bunda aqui.
Close, Albert Einstein, Turíbio Santos & Silvio Barbato, Alcides Nogueira, Takeshi Kitano, Dahlia Thomas, Alain Bonnefoit, Neurociência, Enaura Quixabeira Rosa e Silva, Kayoko Kishimoto, Raul Longo, & Todo dia é dia da mulher aqui. 
Ânsia do prazer, Educação Sexual, Gustave Charpentier, Paulo Cesar Sandler, Beth Goular, Hironobu Sakaguchi, Ming-Na Wen, Jeremy A. Engleman, Existencialismo & Alienação na Literatura, Linguistica & Poética, Masturbação & auto-erotismo, Neuroanatomia, Voluntarismo & Ringue dos Bancos aqui.
O santo bode Frederiko aqui.
Doro Presidente aqui.
Igreja Bidiônica do Final dos Tempos aqui.
Moto perpétuo, Martin Buber, T. S. Eliot, Carl Nielsen, Mário Viana, Petr Kanka, Cecília Zilliacus, Kamila Stösslová, Zuzana Vejvodova, Hope 2050, Rick Nederlof, Francisco Zuniga, Teoria da forma literária, Psicologia na formação docente, Metodologia das ciências sociais & O Ponto G aqui.
Saúde no Brasil, HapVida-HapMorte & Derinha Rocha aqui.
Vers&prosa pra menina azul aqui.
Cantiga, Sócrates, Paul Dukas, Alceu Amoroso Lima, Leila Miccolis & Sociedade dos Poetas Vivos, Sergi Belbel, Mariana Paunova, Nagisa Oshima, Milena Olesinska,  Merello, Pesquisa em ciências sociais & Derinha Rocha aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

DESTAQUE: MANUEL BANDEIRA
Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus – ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não.
A arte de amar, poema extraído da Antologia Poética (José Olympio, 1974), do poeta  Manuel Bandeira (1886-1968). Veja mais aqui, aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagem: Berenice, do escultor italiano Ambrogio Borghi (1849-1887).
Veja mais aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: Peace, by Juli Cady Ryan.
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.

DIDI-HUBERMAN, LINDA DEANE, ADALYN GRACE & MARINÊS

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Das loas & toadas no cavalo-marinho... - O afamado artesão Tirésia já nasceu assim: cego e vaticinado...