
Imagem: El Juicio de Paris (1904) do pintor espanhol Enrique Simonet (18660-1927)


SÓ DE SACANAGEM: CHUPETAS,
PUNHETAS, GUITARRAS – A maravilhosa
atriz, jornalista, poeta e cantora Elisa Lucinda dos Campos Gomes, ou
simplesmente Elisa Lucinda, entre
suas obras, escreveu o texto Só de
sacanagem: Meu coração está aos pulos! / Quantas vezes
minha esperança será posta à prova? / Por quantas provas terá ela que passar? /
Tudo isso que está aí no ar, / alas, cuecas que voam / entupidas de dinheiro,
do meu dinheiro, que reservo / duramente para educar os meninos mais pobres que
eu, / para cuidar gratuitamente / a saúde deles e dos seus / pais, esse
dinheiro viaja na bagagem da impunidade e /eu não posso mais. / Quantas vezes,
meu amigo, meu rapaz, minha confiança / vai ser posta à prova? Quantas vezes
minha esperança / vai esperar no cais? / É certo que tempos difíceis existem
para aperfeiçoar o / aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus /
brasileiros venha quebrar no nosso nariz. / Meu coração está no escuro, a luz é
simples, regada ao / conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e / dos
justos que os precederam: "Não roubarás", "Devolva / o lápis do
coleguinha", / "Esse apontador não é seu, minha filhinha"./ Ao
invés disso, tanta coisa nojenta e / torpe tenho tido / que escutar./ Até
habeas corpus preventivo, coisa da qual nunca / tinha visto falar e sobre a
qual minha pobre lógica / ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao /
culpado interessará. / Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do /
meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: / mais honesta ainda vou ficar.
/ Só de sacanagem! / Dirão: "Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo
/ o mundo rouba" e eu vou dizer: Não importa, será esse / o meu carnaval,
vou confiar mais e outra vez. Eu, meu / irmão, meu filho e meus amigos, vamos
pagar limpo a / quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. / Com o
tempo a gente consegue ser livre, ético e o / escambau. / Dirão: "É
inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde / o primeiro homem que veio de
Portugal". / Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal. / Eu repito,
ouviram? IMORTAL! / Sei que não dá para mudar o começo mas, se a gente /
quiser, vai dá para mudar o final! E de quebra, trago também Chupetas
Punhetas Guitarras: Choram meus
filhos pela casa / fraldas colos fanfarras / Meus filhos choram querendo talvez
meu peito / ou talvez o mesmo único leito que / reservei pra mim / Assim
aprendi a doar / com o pranto deles / Na marra aprendi a / dar mundo a quem do
mundo é /A quem ao mundo pertence e de quem sou mera / babá / Um dia serei
irremediavelmente defasada, démodé / Meus filhos berram meu / nome função /
querendo pão, ternura, verdade e ainda possibilidade de ilusão / Meus filhos cometem
travessuras sábias/ no tapa bumerangue da malcriação / Eu que por eles explodi
buceta afora afeto adentro / ingiro sozinha o ouro excremento desta
generosidade / Aprendo que não valho nada em mim / Que criar pessoa é criar
futuro / não há portanto recompensa, indenização / mesquinhas voltas, efêmeros
trocos. / Choram pela casa e eu ouço sem ouvidos / porque meus sentidos vivem /
agora sob a égide da alma / Chupetas punhetas guitarras / meus filhos babam /
conhecimentos da nova era/ no chão de minha casa. / Essa deve ser minha
felicidade. /Aprendo a dar meu eu, aquilo que não tem cópia / tampouco similar
/E o tempo, esse cuidadoso alfaiate, não me conta nada/ Assíduo guardador dos
nossos melhores segredos / sabe o enredo da estória/ Vai soprando tudo aos
poucos e muito aos pouquinhos / Faz eu lembrar que meu pai também já foi
pequenininho/ Que só por ele ter podido ser meu ontem / Só por ele ter fodido
com desesperado desejo minha mãe / um dia eu existi. / Choram meus filhos pela
Nasa onde passeamos planetas e reveses / Eu escuto seus computadores, eu limpo
suas fezes / faço compressas pra febre, afirmo que quero morrer antes deles /
assino um documento onde aceito de bom grado / lhes ter sido a mala o malote a
estrela guia / Um dia eles amarão com a mesma grandeza que eu / uma pessoa que
não pode ser eu / Serão seus filhos suas mulheres seus homens / Eu serei aquela
que receberá sua escassa visita / Não serei a preferida. / Serei a quem se
agradece displicente / pelo adianto, pela carona / de poderem ter sido
humanidade. / Choram meus filhos pela casa / Eu sou a recessiva bússola / a
cegonha a garça / com um único presente na mão: / Saber que o amor só é amor
quando é troca / E a troca só tem graça quando é de graça. Veja mais aqui, aqui e aqui.
DAS NOVELAS PRO CINEMA – A lindíssima atriz Paula Burlamaqui começou como vencedora
do concurso Garota do Fantástico, de 1987, estreando dois anos depois numa das
novelas da emissora global, se transferindo depois para outra rede de TV, até
posar para Playboy que foi quando a vi pela primeira vez, em 1996, o que me fez
prestigiá-la no cinema por suas participações em A História de O (1992), O
Circo das Qualidades Humanas (2000), Procuradas
(2004) e Reis e Ratos (2012), entre outros, razão pela qual ela integra entre
as titulares do time da nossa campanha Todo dia é dia da mulher. Veja mais
aqui.
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Leila Diniz, Psicologia Infantil, Béla
Bartók, Gerd Bornheim, Gutzon Borglum, David Lean & Sarah Miles, Nilto
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Adler, Viktor Frankl, Gregory Corso, Tennessee William, Pedro Almodóvar, Gaston
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Édouard Manet, Stendhal, Vital Farias, Joana Francesa & Jeanne Moreau
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Dreyfus aqui.
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Bororo A origem das estrelas, Sonia Ebling de Kermoal & Dorothy Lafriner
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Casas, Eduardo Kobra & Fátima Jambo aqui.
Legalidade sob suspeita, Anna Moffo, Viola Spolin, Reisha Perlmutter, Floriano de
Araújo Teixeira & Moína Lima aqui.
Os seus versos, danças & cantos do
Cacrequin, Jasmine Guy, Renata Domagalska, Lívia
Perez & Quem matou Eloá, Luciah Lopez & Vera Lúcia Regina aqui.
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