Mostrando postagens com marcador Violeta Parra. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Violeta Parra. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, outubro 01, 2025

ASSATA SHAKUR, ANA MARIA MACHADO, TERESA COLOMER & USINA GASTRÔ

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som dos álbuns Anavitória (2016), O tempo é agora (2018), N (2019), Cor (2021) e Esquinas (2024), do duo musical Anavitória, formada em 2014, dupla formada pela cantora, atriz, compositora e multi-instrumentista Ana Caetano (Ana Clara Caetano Costa) e pela cantora e atriz Vitória Falcão (Vitória Fernandes Falcão).

 

Uma vez o amor... ou a maldição de Kalypso!... - Era uma vez e só agora, quantos desastres: o milagre da vida aos solavancos. Sequer cogitava: fui condenado ao naufrágio pelas moiras. Podia ser, talvez a pior coisa do mundo - dilacerado pelos dilemas com os farrapos de tudo que ficou para trás. Havia me perdido das rotas e fiquei à deriva por uma novena. A sobrevivência por calafrios e frêmitos imensuráveis: havia sofrido uma devastação demolidora, maior adversidade. A sorte fora do alcance, ali pereceria inevitavelmente. Inesperadamente, uma bela sílfide sedutora materializou-se; engatinhava nua para me salvar do precipício de Poelenburgh. Confiei nos seus gestos generosos, deram-me a impressão duma sacerdotisa guardiã de sagrados mistérios. Refeito da agonia, ela recepcionou-me descalça, já com as vestes de Westall. Tomou-me pelas mãos e me guiou por uma espetacular paisagem: era o éden terrestre. A entrada da sua morada era cercada por um bosque com uma fonte e, para quem nunca usufruiu de milagres caídos do céu, ali era tudo colossal. Adentramos numa gruta profunda com amplos salões abertos para jardins paradisíacos, um bosque sagrado com grandes árvores e fontes sinuosas entre a relva. Logo fui envolvido pelas fragrâncias do cedro, sândalo e zimbro que dali emanavam. Pude ver ninfas em todas as dependências e cantavam enquanto fiavam e teciam. Fui, enfim, acolhido em sua morada. Acomodou-me, estava exausto. Logo senti seu vulto ao meu redor e lambeu minhas feridas, acariciou minhas contusões, serviu-me ambrosia. Onde estou? Ogígia. Sim? Você naufragou, Odisseu. Quem? Você penou demais, perdeu a memória, relaxe. E quedei inebriado por um sonho enfeitiçante. Despertei com o perfume de suas carícias benfazejas. Quem é você? Sou Kalypso, a ninfa do mar. Sabia: o seu nome escondia a deusa fiandeira e o seu poder sobre a vida e a morte de todos os seres e coisas. Sua beleza encobria a prisioneira da Titanomaquia. Seus olhos ocultavam o banimento das Oceânides e a solidão eterna. Não resisti à sua tentação. Fui impelido aos regalos e em seus braços nus muito apetecia a vida flutuante nas nuvens. Nossos corpos eclipsaram embalados pelo amor na Gruta de Brueghel. Ela espalmada sobre mim, como se eu fosse as águas de Oxer. E em mim mergulhou como na cena de Vecchiato por muitos dias e noites infindas. Repleta de satisfação, ela estirou o braço e alcançou uma estrela de 6 pontas para me presentear: era a promessa de me seguir aonde fosse e por todos os confins. E mais: prometeu a juventude eterna e a imortalidade. Escolheu-me por consorte e ao violino me embalou seminua na pose de Baecker. E me ofertou as costas na pose de Golovin, na Isle de Draper, na verdade seminua com as vestes de Styka. Enquanto tecia e fiava, ela cantava e me seduzia como na Odisseia de Homero. Passados sete anos e, numa tarde mormaçada, me dissera que Poseidon acalmara a sua ira. Nada entendia, nem queria entender. Saímos do meu refúgio na ilha e ela me levou pelo Estreito de Gibraltar, extremo norte marroquino. Ao chegarmos ao monte de Jbel Musa, suas vestes eram pentimentos reveladores, um caleidoscópio de minhas vivências passadas. O que tudo aquilo queria dizer? Disse-me atender o pedido de Athena e, abruptamente, a vi enfurecer-se, afastando-se à beira da loucura, a ponto de tentar se matar. Que foi que houve? Socorri. Fitou-me compenetrada: Sou imortal, só sofro a saudade de amor não correspondido. Não é verdade! Revelou-me sua maldição, o coração partido de divindade abandonada. Como? Não recorreu aos feitiços e obrigou-se a me despedir de nossos filhos: Nausítoo, Nausínoo e Latino. O que é isso? Ofereceu-me jangada e provisões, um retorno em segurança. Por que? Caí na real: eu não era Odisseu nem Telêmaco de Fénelon. Então, depus meu confiteor: Sapere aude e Horácio apareceu para me mostrar o ônfalo: Aqui é o centro da Terra, a ilha de lugar nenhum. E desapareceu imediatamente. Ela então mostrou-me a ponta aguda do infinito: estava condenado à esperança. Obstinei e me perdi pela grandeza do sonho: pensei por ela e todas as coisas. Seja lá o que for, a cada um a sua provação e um grande amor. Até mais ver.

 

Violeta Parra: Não chore quando o sol se for, porque as lágrimas não deixarão você ver as estrelas... Somente o amor com sua ciência nos torna tão inocentes... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Anne Rice: Ignore qualquer perda de coragem, ignore qualquer perda de autoconfiança, ignore qualquer dúvida ou confusão. Siga em frente acreditando no amor, na paz, na harmonia e em grandes realizações. Lembre-se de que a alegria não é estranha a você. Você está vencendo e é forte. Ame. Ame primeiro, ame sempre, ame para sempre... Veja mais aqui & aqui.

Heather Thomas: O que a escrita faz é permitir que você crie o mundo inteiro, crie uma história inteira, um ponto de vista, uma mensagem, uma experiência... Criar algo completamente diferente acontecendo... Veja mais aqui.

 

DOIS POEMAS

Imagem: Acervo ArtLAM.

AFIRMAÇÃO - Eu acredito no viver. \ Eu acredito no espectro \ dos dias Beta e do povo Gama.\ Eu acredito no brilho do sol. \ Em moinhos de vento e cachoeiras, \ triciclos e cadeiras de balanço. \ E eu acredito que sementes tornam-se brotos. \ E brotos tornam-se árvores. \ Eu acredito na mágica das mãos. \ E na sabedoria dos olhos. \ Eu acredito na chuva e nas lágrimas. \ E no sangue do infinito. \ Eu acredito na vida. \ E eu vi o desfile da morte \ marchando pelo torso da terra, \ esculpindo corpos de lama em seu caminho. \ Eu vi a destruição da luz do dia, \ e vi vermes sedentos de sangue \ sendo adorados e saudados. \ Eu vi os dóceis tornarem-se cegos \ e os cegos tornarem-se prisioneiros \ num piscar de olhos. \ Eu andei sobre cacos de vidro. \ Eu admiti meus erros e engoli derrotas \ e respirei o fedor da indiferença. \ Eu fui trancafiada pelos injustos. \ Algemada pelos intolerantes. \ Amordaçada pelos gananciosos. \ E, se tem alguma coisa que eu sei, \ é que um muro é apenas um muro \ e nada além disso. \ Ele pode ser posto abaixo. \ Eu acredito no viver. \ Eu acredito no nascimento. \ Eu acredito na doçura do amor \ e no fogo da verdade \ E eu acredito que um navio perdido, \ conduzido por navegantes cansados e mareados, \ ainda pode ser guiado à casa \ para atracar.

AMOR - Amor é contrabando no Inferno, \ porque amor é um ácido \ que corrói grades. \ Mas você, eu e amanhã \ damos as mãos e fazemos promessa \ que a luta irá multiplicar. \ A serra possui duas lâminas. \ A espingarda possui dois canos. \ Nós estamos grávidas da liberdade. \ Nós somos uma conspiração.

Poemas da escritora e ativista estadunidense Assata Olugbala Shakur (JoAnne Deborah Byron – 1947-2025), que foi ex-membro dos Panteras Negras (BPP) e do Exército de Libertação Negra (BLA).

 

O CANTO DA PRAÇA - [...] As palavras podem ser tudo [...] A expedição que resgatou esse material era formada por curiosos, de boa vontade, mas sem qualquer conhecimento arqueológico especializado. Por isso, não chegaram a anotar direito o local de sua descoberta, que permanecerá ignorado para sempre. Outra coisa que também nunca foi devidamente esclarecida a respeito desse achado é a sua época. É claro que tudo foi cuidadosamente estudado. Quando a caixa chegou, os sábios foram chamados a examiná-la e resolveram levar tudo — caixa e conteúdo — para seus gabinetes de trabalho, para que pudessem analisar a descoberta com todos os recursos de que dispõem. Fizeram os testes de carbono, carvão, açúcar e diamante. Mas os resultados foram, no mínimo, desconcertantes. Acabaram chegando à conclusão de que havia objetos de épocas tão distintas que se tornava impossível precisar a ocasião exata em que tinham sido enterrados. Na caixa havia recortes de jornal, velhos pergaminhos, máscaras de carnaval, um filme de Carlitos, uma flauta de madeira, uma caixa de lápis de cor, sapatilhas de balé, um lenço bordado, um violino, um sintetizador, um cavalo de carrossel, um cocar de índio, uma máquina fotográfica, uma caixinha de música, revistas em quadrinhos, uma pombinha de barro. Na tentativa de compreender o significado de todos esses objetos, os sábios consumiram semanas em ininterruptas discussões e especulações. Como não chegaram a nenhuma conclusão, decidiram introduzir todo o conteúdo da caixa, além da própria embalagem, numa engenhoca fantástica que estão desenvolvendo, uma espécie de aparelho mágico, máquina mirabolante, instrumento maravilhoso, algo assim. Mesmo com o risco de destruir tudo na experiência. Só que não se destruiu. Construiu. Quando a engenhoca foi ligada, nela se acenderam luzes belíssimas, dela saíram vapores de perfumes deliciosos, em volta dela se ouviram sons que só podem ser as tais harmonias celestiais de que tanto se fala. E, de repente, por uma abertura da máquina, como se ela fosse uma mulher parindo, saiu um livro. [...]. Trechos extraídos da obra O canto da praça (Salamandra, 1993), da escritora, jornalista, professora e pintora Ana Maria Machado (Ana Maria Martins Machado), autora de obras como Alice e Ulisses (1984), Aos quatro ventos (1993), A audácia dessa mulher (1999), Canteiros de Saturno (1991), Contra corrente (1999), Democracia (1983), O mar nunca transborda (1995), Para sempre (2001), Recado do nome (1976), Tropical sol da liberdade (1988), Um mapa todo seu (2015) e Vestígios (2021), entre outros. Veja mais aquí.

 

ANDAR ENTRE LIVROS - [...] não deixei de confiar nos livros como os melhores colaboradores dos professores na educação leitora e literária de seus alunos. A leitura de livros é o ponto de intersecção entre leitura, literatura infantil e juvenil e ensino de literatura [...] esclarecer as discussões, as interrogações e os critérios que influenciaram a presença, a seleção e a leitura de livros nas aulas [...] Interessa-nos a escola como instituição que outorga um sentido específico à leitura de obras [...] Também nos interessam os leitores como pessoas, que desenvolvem suas capacidades e competências literárias [...] nos interessam os livros da perspectiva de seu apoio a esse percurso [...]. Estimular a leitura e planejar o desenvolvimento das competências infantis são os dois eixos da tarefa escolar no acesso à literatura. [...] deve responder à conexão entre a capacidade de recepção e de produção literária, entre a recepção do texto e a elaboração de um discurso analítico e valorativo sobre ele, entre a interpretação do leitora e os conhecimentos que a tornam possível, entre a educação linguística e a educação literária, entre os aspectos linguísticos e os aspectos culturais que configuram o fenômeno literário ou entre a literatura e os restantes sistemas artísticos e funcionais que existem nas sociedades atuais. A leitura de obras literárias integrais é uma atividade que se situa no centro da tarefa de alcançar esses objetivos do modo mais amplo possível, tanto em profundidade quanto em extensão social. E o desejo de todos é que os ivros e os professores trabalhem juntos para consegui-lo. [...]. Trechos extraídos da obra Andar entre livros: a leitura literária na escola (Global, 2007), da premiada professora espanhola Teresa Colomer, coautora da obra Ensinar a ler, ensinar a compreender (Penso, 2003). Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

FESTIVAL USINA GASTRÔ

&

Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

ITINERARTE – COLETIVO ARTEVISTA MULTIDESBRAVADOR:

Veja mais sobre MJ Produções, Gabinete de Arte & Amigos da Biblioteca aqui.

 



quinta-feira, outubro 05, 2023

NELLY SACHS, MALIKA MOKEDDEM, WENDY BROWN & UBQUB

 

Imagem: AcervoLAM.

Ao som de The House of Bernarda Alba (Festival Ballet Providence, 2016), Band of Sisters (2012), Spinning Plates (2012), The Boat Builder (2015) e The Witcher (2019), da pianista e compositora russa Sonya Belousova.

 

O QUE DA VIDA SENÃO O OUTRO – Quisera não houvesse clamores e alheios padecimentos orbitando a minha solitude, outro seria o ânimo na louca gangorra das horas tão minguantes quanto abissais. Quase desencorajado sigo anônimo a inspecionar o que ninguém levaria a sério na manducação de sonhos, quem dera a minha vida ínfima, inexplicável e sem sentido entre nomes estranhos e a serendipidade. Para quem acha solidão, nunca se está verdadeiramente sozinho, vai que cai das nuvens altiva Leila Guerriero: Aqui estou, mais uma vez longe de casa, esperando por alguém que não conheço numa esquina que nunca mais verei. E esta é exatamente a vida que quero ter... Sorrir foi a nossa repectiva saudação, era o que me restara àquela hora e, diante dela, longe de mim a modorra audaciosa e insana de liquidar, esmagar ou mesmo repelir, enquanto paramixovírus & Nipah & e sei lá mais o quê anunciam de longe a tragédia anunciada. Necessário encará-la com um misto de entusiasmo e perplexidade, isso para dizer o mínimo, melhor me arriscar provocador e sem qualquer pretexto, melhor ouvir aquela ali ao meu lado tal Anne Rice: Nenhum de nós realmente muda com o tempo. Nós só nos tornamos mais o que somos... Poucas pessoas realmente procuram o conhecimento neste mundo. Mortais ou imortais, poucas perguntas de fato. Pelo contrário, eles tentaram arrancar à força do desconhecido as respostas que já formaram em suas mentes… justificativas, confirmações, fórmulas de consolo sem as quais não podem continuar. A pergunta de fato é abrir uma porta para um furacão. A resposta pode aniquilar a pergunta e quem fez... Ouvi-la ladeando seus passos e atravessamos a noite de uma rua erma irreconhecível, talvez à beira do inferno, ninguém sabe – melhor seria fosse ali um istmo crepuscular, passeio plácido pelo arrebol estival, ou coisa que valha, sintoma houvesse para outro esperançar. Ela, então, duma sofreada e um punhado de palavras não deixou por menos Violeta Parra: São teus olhos que busco, não os encontro. São teus lábios que eu quero ver sorrir, mas eles são tão ingratos comigo, mais eles zombam de mim. O ser humano é formado por um espírito e um corpo, por um coração que bate ao som dos sentimentos. O amor é um turbilhão de pureza original... Não fosse calor para lá de 50 graus, o colapso oceânico, o enfraquecimento de Amoc e a glacialização humana, bastaria viver tão simples como um beijo de amor, um abraço terno e um coração batendo mútuo. Sonhar vale a pena, talvez mais que a vida. Até mais ver.

 

POVOS DA TERRA

Imagem: AcervoLAM.

Povos da Terra \ vocês, com a força do desconhecido\ firmamento, envoltos como rolos de fios, \ vocês, que costuram e de novo desfazem o cosido,\ vocês, que adentram o embaraçado das línguas \ como em colmeias, \ para picar o açúcar\ e ser picados –\ Povos da Terra, \ não destrocem o universo das palavras,\ nem retalhem com as facas do ódio\ o som, que nasceu com o sopro.\ Povos da Terra, \ ah, que ninguém pense em morte ao dizer vida – \ e não em sangue, ao falar berço –\ Povos da Terra,\ fiquem as palavras na origem,\ pois são elas que podem\ aproximar os horizontes dos céus verdadeiros\ e, pelo seu avesso,\ como a noite bocejando atrás da máscara,\ ajudar as estrelas a nascer –.

Poema da escritora alemã Nelly Sachs (1891-1970). Veja mais aqui, aqui e aqui.

 

A MULHER PROIBIDA - […] Eu não gostaria de ser uma mulher aqui. Não gostaria de carregar constantemente o peso desses olhares, da sua violência múltipla, alimentada pela frustração. Pela primeira vez, percebo que o ato mais banal de uma mulher na Argélia é imediatamente carregado de símbolos e heroísmo porque a animosidade masculina é tão grande e pouco saudável. [...]. Trecho extraído da obra The Forbidden Woman (University of Nebraska Press, 1998), da escritora argelina Malika Mokeddem, autora de obras como: estão Os homens que caminham (1990), O século das lagostas (1992), Sonhos e assassinos (1995), La nuit de la lézarde (1998), N'zid (2001) e La transe des insoumis (2006).

 

TEMPOS NIILISTAS – [...] A sabedoria popular contemporânea de que a educação em artes liberais está obsoleta só é verdadeira na medida em que a igualdade social, a liberdade e o desenvolvimento mundano da mente e do carácter estão obsoletos e foram substituídos por outro conjunto de métricas: fluxos de rendimento, rentabilidade, inovação tecnológica. [...] À medida que o neoliberalismo trava uma guerra contra os bens públicos e contra a própria ideia de um público, incluindo a cidadania para além da adesão, ele reduz dramaticamente a vida pública sem matar a política. As lutas permanecem pelo poder, pelos valores hegemónicos, pelos recursos e pelas trajetórias futuras. Esta persistência da política no meio da destruição da vida pública e especialmente da vida pública educada, combinada com a mercantilização da esfera política, é parte do que torna a política contemporânea peculiarmente desagradável e tóxica – cheia de discursos e posturas, esvaziada de seriedade intelectual, favorecendo a um eleitorado sem instrução e manipulável e uma mídia corporativa faminta por celebridades e escândalos. O neoliberalismo gera uma condição de política sem instituições democráticas que apoiariam um público democrático e tudo o que esse público representa no seu melhor: paixão informada, deliberação respeitosa, soberania aspiracional, forte contenção de poderes que o poderiam anular ou minar. [...] Trechos extraídos da obra Undoing the Demos: Neoliberalism’s Stealth Revolution (Zone Books, 2015), da professora e pesquisadora estadunidense Wendy L. Brown, que no estudo Nihilistic Times: Thinking with Max Weber (Belknap Press, 2023), expressou que: […] a vida política formal é um teatro do niilismo: a esfera política é onde o niilismo é representado em sua forma bruta e também um local para superar ou resistir ao niilismo através da busca de causas mundanas. Em nossa época, ambos os potenciais estão presentes e colidem rotineiramente. [...]. Dela também a frase: Não há nada que valha mais a pena fazer do que tentar ser humano num mundo cada vez mais desumanizado. Veja mais aqui, aqui e aqui.

 

TTTTT & ATELIÊ VIRTUAL GENTAMIGA NO UBQUB

&

Luiza (Ases da Literatura, 2023), da jovem escritora Ana Júlia Pereira Carneiro & Una & Unari: a saga (Rascunhos, 2023), da escritora e professora Rute Costa. Veja mais aqui, aqui e aqui.

 



quarta-feira, julho 09, 2014

DREISER, GABEBA BADEROON. BERTA CÁCERES, STELLA ADLER, FRIEDLÄNDER & INVENÇÃO DE XEXÉU

 


INVENÇÃO DE ASA... “Assim é o mundo! Uns selados e outros cacundos”... - Trocando em miúdos: Levantava o dedo com os pés pelas mãos, não valia um xenxem... Vamos lá! A vida toda saí pinotando pra tudo quanto é canto, como se fosse um repentista correndo atrás da sorte, só que de poesia não sabia nada, feito gente que se mete a fazer as coisas sem entender do riscado. Por causa disso não vivi em branca nuvem e vi o fio da desgraça pra todo lado que aprumei as ventas. Para quem a pedra se Sísifo sou e muitos para tantas que rolaram ribanceira abaixo, trajetos interrompidos, errâncias no desiderato. Para quem o chão, abrigo e punição, se Anteu sou na imensidão do ermo, desvalido e só, nada mais. Para quem o ar se Ícaro sou entre tempestades e asteroides, voos abissais e em queda livre. Para quem as cinzas se Fênix sou entre ciclones, furacões, tornados e tufões, à deriva pelas correntezas. Tantos redemoinhos nenhuma paragem trouxe assim por guarida. Digo sempre vida e meia pra quem me diz meia vida e quando brinquei de querer versejar dei um pontapé no destino: honrei o estandarte dos oito pés de quadrão, mesmo que nada disso valesse a pena. Trovando como entendo vou levando e quem vem de quadrão trocado eu voo com aquele galope à beira-mar do violeiro Zé Pretinho, cantando na décima de versos compridos e soltos, enquanto você fica com dez pés de queixo caído. Honrei não sei quantas musas! E se poetei fui eu nas marés e movimento das esferas no infinito do riso, o beijo e as ideias sem rima ao desenharem espírito: cantigas de amor para não maldizer – quem faz do amor ser coisa de graça; cantigas de amigo sem escárnio - de quem nunca fez mal a ninguém. Falo como quem aprendeu sextilha para não ser desentoado, um mourão em cada aceno quando não de sete pés, quem de graça fez o riso e do riso fez a graça. Para onde fui uma chegada, em cada beco outros passos, em cada esquina a solidão. Do que sou, apenas invenção de asa. Nada demais, trago apenas hestórias que me ensinou passarinho... Tenho na alma as marcas da sina caeté. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Lutamos e definimos nossas próprias formas de luta, legalizadas por nós mesmos. Resistimos como povos indígenas, como comunidades, independentemente das fronteiras que foram traçadas entre nós. Temos o desafio de continuar a tornar real esta rebeldia... Pensamento da ativista hondurenha Berta Cáceres (1971-2016), que foi uma líder indígena assassinada em sua residência por homens armados, depois de anos de ameaças. Veja mais aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Dado que a criação artística é um processo mental, a ciência da arte deve ser psicologia. Será também outras coisas, mas a psicologia faz isso sem falhar... Pensamento do historiador alemão Max Friedländer (1867-1958).

 

SINCERIDADE & HONESTIDADE – [...] O homem da classe média não é nem sincero nem honesto nem leal – ele tem que possuir dinheiro. Seu espírito ama ocultar situações; tudo o que é encoberto o impressiona, visto que o seu mundo é segurança e conforto. Ele conhece a auto reprovação e a auto humilhação. […] A era do industrialismo e do capitalismo arrebatou as mentes, corações e almas das pessoas, mas, para alcançá-la, elas renunciaram ao outro lado de si mesmas. [...]. Trechos extraídos da obra Técnica da representação teatral (Civilização Brasileira, 2014), da atriz e professora Stella Adler (1901-1992), fundadora do Conservatório Stella Adler na cidade de Nova Iorque, em 1949. Veja mais aqui.

 

UMA TRAGÉDIA ESTADUNIDENSE – […] que importa se um homem ganha o mundo inteiro e perde a sua alma? [...] Quem eram essas pessoas com dinheiro e o que fizeram para desfrutar de tanto luxo, onde outros aparentemente tão bons quanto eles não tinham nada? E onde é que estes últimos diferiam tanto dos bem sucedidos? [...] Outros livros dependiam menos de contatos pessoais do que de certas preocupações permanentes. No início da sua carreira, Dreiser interessou-se por um crime que considerava uma versão sombria do motivo do sucesso americano: o assassinato de uma mulher que impedia os sonhos do seu amante de progresso social e material através de um casamento mais vantajoso. Para An American Tragedy (1925), ele investigou vários históricos de casos, muitos deles assassinatos sensacionais envolvendo figuras conhecidas como Roland Molineux e Harry Thaw. Ele finalmente decidiu pelo julgamento de Chester Gillette em 1906 pelo assassinato de Grace Brown, ocorrido no distrito dos lagos, no interior do estado de Nova York. O romance se beneficiou do interesse popular pela biografia criminal, uma forma à qual a obra-prima de Dreiser deu nova vida como progenitora de romances documentais sobre crimes, como Native Son, de Richard Wright, In Cold Blood, de Truman Capote, e The Executioner’s Song, de Norman Mailer. [...] E eles estavam sempre testemunhando como Deus ou Cristo ou a Graça Divina os resgataram desta ou daquela situação – nunca como eles haviam resgatado qualquer outra pessoa. [...] Enquanto cantavam, este público de rua indefinido e indiferente olhava, preso pela peculiaridade de uma família de aspecto tão sem importância erguendo publicamente a sua voz coletiva contra o vasto cepticismo e apatia da vida. [...] Que coisa miserável era nascer pobre e não ter ninguém que fizesse nada por você e não poder fazer tanto por si mesmo! [...] As pessoas gostam de dinheiro ainda mais do que de aparência [...] Os dias estavam indo – indo. Mas a vida - a vida - como poderíamos viver sem isso - a beleza dos dias - do sol e da chuva - do trabalho, do amor, da energia, do desejo. Por que dizer-lhe tão constantemente agora para resolver todos os seus cuidados na misericórdia divina e pensar apenas em Deus, quando agora, agora, era tudo [...]. Trechos extraídos da obra An American Tragedy (Signet, 2010), do escritor e ativista estadunidense Theodore Dreiser (1871-1945), obra que embasou a inspiração livre do filme Sunrise – A song of two humans (1927), do cineasta alemão F. W. Murnau.

 

DOIS POEMASA ARTE DE PARTIR - O calor está saindo \ da sua camisa, pendurada \ nas costas da cadeira. Aos poucos \ ele está devolvendo tudo \ o que tinha de seu. O SONHO NO PRÓXIMO CORPO - Da ponta da cama, coloco \ os lençóis de volta no lugar. \ Um velho pinta um grande sol listrado \ por nuvens de sete azuis. \ Através do centro amarelo, cada \ azul é precisamente ele mesmo e, no entanto, \ no ponto em que encontra outro, \ o olho não consegue detectar uma mudança. \ O ar muda, diz ele, \ e as cores. \ Quando você me tocou em um sonho, \ sua pele há uma hora não terminava \ onde se juntava à minha. Meu corpo continuou \ o movimento do seu. Algo fluía \ entre nós como pássaros em bando. \ Numa solidão maior que nossos dois corpos, \ a luz cada vez mais forte nos separou novamente. \ Mas sob a cobertura a impressão \ de nossos corpos é uma cavidade única e quente. Poemas da escritora sul-africana Gabeba Baderoon. Veja mais aqui.

 

OUTRAS DIC’ARTES MAIS

 


Ouvindo Gracias a la vida, de Violeta Parra, com a cantora argentina Mercedes Sosa (1935-2009). Veja mais aqui.

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me dio dos luceros que cuando los abro
Perfecto distingo lo negro del Blanco
Y en el alto cielo su fondo estrellado
Y en las multitudes el hombre que yo amo

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado el oído que en todo su ancho
Graba noche y día grillos y canários
Martirios, turbinas, ladridos, chubascos
Y la voz tan tierna de mi bien amado

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado el sonido y el abecedário
Con él, las palabras que pienso y declaro
Madre, amigo, Hermano
Y luz alumbrando la ruta del alma del que estoy amando

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado la marcha de mis pies cansados
Con ellos anduve ciudades y charcos
Playas y desiertos, montañas y llanos
Y la casa tuya, tu calle y tu pátio

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me dio el corazón que agita su marco
Cuando miro el fruto del cerebro humano
Cuando miro el bueno tan lejos del malo
Cuando miro el fondo de tus ojos claros

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado la risa y me ha dado el llanto
Así yo distingo dicha de quebranto
Los dos materiales que forman mi canto
Y el canto de ustedes que es el mismo canto
Y el canto de todos que es mi propio canto.


ANA BOTAFOGO – A bailarina e atriz carioca Ana Botafogo começou a dançar desde a infância e iniciou sua carreira profissional dançando no Ballet de Merselha, na França, tornando-se a primeira artista a ter se apresentado na Europa e nas Américas e o principal nome da dança clássica no Brasil. Ganhou vários prêmios e homenagens no Brasil e no exterior e hoje ela comemora 57 anos de idade. Parabéns, Ana Botafogo, feliz aniversário! Veja mais aqui.


MANUEL BANDEIRA – Já o poeta pernambucano Manuel Bandeira (1886-1968): “Se o fim da obra de arte é criar vida, dar ao leitor uma emoção realíssima da vida, de coisa intensa e ambiente, temos que chegar à conclusão de que a carta substanciosa vale tanto como arte quanto um poema”. Veja mais aqui, aquiaqui.


BLITZ-KRIEG DO MINEIRÃO – O presidenciável Doro, como sempre, quase acertou o placar da partida, só que do lado errado. É sempre assim. Desde que ele inventou de fazer as previsões astrológicas que ocorre isso: acerta, mas sempre ao contrário (parece mais a comunicação entre os nativos do Informe de Brodie, de Jorge Luis Borges, talqualzinho!). Apois tá! Ele garantiu que seria 6x0 pro Brasil e, por pouco, muito pouco acertou: 7x1 para Alemanha. Um verdadeiro blitz-krieg alemão no Mineirão. Que coisa! Tem nada não. Agora o mote da campanha do Doro será: - Não deu nessa, só na outra. Vamos aprumar a conversa. E veja mais aqui.


Veja mais sobre:
Maria Callas, Psicodrama, Gestão de PME, Responsabilidade Civil & Acidentes de Trabalho aqui.

E mais:
Arte & Entrevista de Luciah Lopez aqui.
Psicologia Fenomenológica, Direito Constitucional, Autismo, Business & Marketing aqui.
Big Shit Bôbras, Zé Corninho & Mark Twain aqui.
Abigail’s Ghost, Psicologia Social, Direito Constitucional & União Estável aqui.
Betinho, Augusto de Campos, SpokFrevo Orquestra, Frevo & Rinaldo Lima, Tempo de Morrer, The Wall & Graça Carpes aqui.
O cinema no Brasil aqui.
Dois poemetos em prosa de amor pra ela aqui.
Agostinho, Psicodrama, Trabalhador Doméstico, Turismo & Meio Ambiente aqui.
Dois poemetos ginófagos pra felatriz aqui.
Discriminação Religiosa, Direito de Imagem, Direito de Arrependimento & Privacidade aqui.
A minissaia provocante dela aqui.
Princípio da probidade administrativa aqui.
O alvoroço dela na hora do prazer aqui.
Canção de Terra na arte de Rollandry Silvério aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Art by Ísis Nefelibata
Veja mais aquiaqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja os vídeos aqui & mais aqui e aqui.




HILDA HILST, HANNAH CRITCHLOW, DANIELLE STEEL & ONILDO ALMEIDA

  Imagem: Acervo ArtLAM .   Fábula hodierna ... - Dois irmãos uterinos, duas irmãs órfãs consanguíneas. Assim: Prometeu brechava fascín...