
Imagem: a arte do pintor,
ilustrador e escultor estadunidense Howard
Rogers.
Curtindo o álbum In Tempus Praesens concerto for violin and orchestra (Bis, 2007),
da compositora russa Sofia Gubaidulina, performer de Vadim
Gluzman, conductor Jonathan Nott & Lucerne Symphony Orchestra. Veja mais
aqui e aqui.
EPÍGRAFE – Brevis
est institutio vitae honestae bearaeque, si credas, frase atribuída ao
orador e professor de retórica romano Marco
Fábio Quintiliano (35 – 100dC), que se traduz por: fácil é o caminho da
vida honesta e feliz, quando se crê. Veja mais aqui.
REVOLUÇÃO DE 1817 – No livro Cronologia pernambucana: subsídios para a história do agreste e do
sertão (CEHM/FIAM, 1983), do jornalista, historiador, pesquisador,
lexicógrafo e compositor Nelson Barbalho
(1918-1993), recolho o trecho que fala da Revolução Pernambucana de 1817: [...]
O barril cheio de explosivos, acolhendo
mil motivos, preparado em várias fontes unidas entre si sob a bandeira do
republicanismo liberal, estava pronto para ir pelos ares – e seu estopim foi a
agressão do preto pernambucano contra o branco português. As escaramuças que se
seguiram nas ruas do Recife, entre pernambucanos e portugueses, são o
consequente fogo a alimentar o pavio e apressar a explosão do barril
revolucionário. E assim, aos 6 de março de 1817, no informe de Pereira da Costa
(Anais, VII, 379), rebenta uma insurreição militar no quartel do Regimento de
Artilharia do Recife, fato que deu origem à precipitação do rompimento da
revolução emancipacionista, projetado para um pouco depois, pela páscoa. É com
a revolução pernambucana que se popularizam no Brasil os termos pátria e
patriota. [...] A palavra revolução,
que vinha do baixo latim com significado astronômico de revolução do tempo, ato
de retornar, de fazer a voltar, adquiriu o significado de mudança repentina e
violenta, no governo de um Estado, durante a Revolução Francesa, e com esse
emprego apareceu em 1817, tal como revolucionário, que também surgira na França
em 1794 [...] Veja mais aqui, aqui e aqui.
PSICANÁLISE – O termo psicanálise, segundo Roudinesco
(1998) é oriundo de Psychoanalyse, termo criado por Sigmund Freud, em 1896, para
nomear um método particular de psicoterapia (ou tratamento pela fala)
proveniente do processo catártico (catarse*), de Josef Breuer e pautado na
exploração do inconsciente, com a ajuda da associação livre, por parte do
paciente, e da interpretação, por parte do psicanalista. Por extensão, dá-se o
nome de psicanálise: ao tratamento conduzido de acordo com esse método; à
disciplina fundada por Freud (e somente a ela), na medida em que abrange um
método terapêutico, uma organização clínica, uma técnica psicanalítica, um
sistema de pensamento e uma modalidade de transmissão do saber (análise
didática, supervisão) que se apoia na transferência e permite formar
praticantes do inconsciente; ao movimento psicanalítico, isto é, a uma escola
de pensamento que engloba todas as correntes do freudismo. No plano
clínico, ela é também a única a situar a transferência como fazendo parte dessa
mesma universalidade e a propor que ela seja analisada no próprio interior do
tratamento, como protótipo de qualquer relação de poder entre o terapeuta e o
paciente e, em caráter mais genérico, entre um mestre e um discípulo. Sob esse
aspecto, a psicanálise remete à tradição socrática e platônica da filosofia.
Por isso é que empregou o princípio iniciático da análise didática, exigindo
que se submeta à análise qualquer um que deseje tornar-se psicanalista. Freud
foi o iniciador de uma inversão do olhar médico que consistiu em levar em
conta, no discurso da ciência, as teorias elaboradas pelos próprios doentes a
respeito de seus sintomas e seu malestar. Mediante essa reviravolta, a
psicanálise esteve na origem dos grandes trabalhos históricos do século XX
sobre a loucura e a sexualidade. Foi num artigo de 1896, redigido em francês e
intitulado “A hereditariedade e a
etiologia das neuroses”, que Freud empregou pela primeira vez a palavra
psico-análise. Após muitas hesitações, cuja evolução pode-se acompanhar na
correspondência entre Freud e Carl Gustav Jung, a palavra psicanálise se
imporia em francês em 1919 (em lugar de psico-análise), ao lado de Psychoanalyse, já aceita no alemão em
1909 (em vez de Psychanalyse) e
de psychoanalysis, em inglês
(muitas vezes grafada como Psycho-analysis
ou Psycho-Analysis). Em
1910, em “As perspectivas futuras da terapia psicanalítica”, Freud delimitou um
enquadre “técnico” para a análise, afirmando que esta tinha por objetivo vencer
as resistências. Essa tese seria discutida muitas vezes, e os problemas da
técnica seriam objeto de diversos outros artigos, além de debates e cisões na
história do movimento psicanalítico, desde Sandor Ferenczi até Jacques Lacan.
Inspirando-se no modelo darwinista, Freud quis incluir a psicanálise entre as
ciências da natureza, ou, pelo menos, conferir-lhe um estatuto de ciência dita
“natural”. E por causa da dupla pertença da psicanálise (ao campo das ciências
da natureza e ao das artes da interpretação) que sua chamada refutação
“científica” produziu-se no campo da terapêutica. A história da psicanálise
mostra que as resistências erguidas contra ela, bem como seus conflitos
internos, sempre foram o sintoma de seu progresso atuante, de sua propensão a
fabricar dogmas e de sua capacidade de refutá-los.
Essa
postagem, portanto, é o pontapé inicial para uma série de outras postagens a
respeito da temática. Para tanto, segue abaixo uma bibliografia suplementar
para melhor conhecimento a respeito do tema. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui,
aqui, aqui & aqui.
REFERÊNCIAS
ALBERTI, S.; FIGUEREDO, C. (Orgs.).
Psicanálise e saúde mental: uma aposta. Rio de Janeiro: Companhia de Freud,
2006.
ATKINSON, Richard; HILGARD, Ernest; ATKINSON,
Rita; BEM, Daryl; HOEKSENA, Susan. Introdução à Psicologia. São Paulo: Cengage,
2011.
BOCK, A.M et al. Psicologias: uma introdução ao estudo da
psicologia. São Paulo: Saraiva, 2001
DAVIDOFF,
Linda. Introdução à Psicologia. São Paulo: Pearson Makron Books, 2001.
ETCHEGOYEN, R.
Horacio. Fundamentos da técnica psicanalítica. Porto Alegre: Artmed, 2004.
FADIMAN, James;
ROBERT, Frag. Teorias da personalidade. São Paulo: Harbra, 2002.
GAZZANIGA, Michael; HEATHERTON, Todd. Ciência
psicológica: mente, cérebro e comportamento. Porto Alegre: Artmed, 2005.
LAPLANCHE; Jonh; PONTALIS, J. B. Vocabulário
de psicanálise. São Paulo: Martins Fontes, 1996.
MEZAN, Renato. Interfaces da psicanálise. Rio
de Janeiro: Companhia das Letras, 2002.
MORRIS, Charles; MAISTO, Alberto. Introdução
à psicologia. São Paulo: Pretence Hall, 2004.
MYERS, David. Psicologia. Rio de Janeiro:
LTC, 2006.
ROUDINESCO, Elisabeth. Dicionário de psicanálise.
Rio de Janeiro: Zahar, 1998.
SCHULTZ, Duane; SCHULTZ, Sydney. Historia da
psicologia moderna. São Paulo: Cengage Learning, 2012.
ZIMERMAN, David. Vocabulário contemporâneo de
psicanálise. Porto Alegre: Artemd, 2008.
______. Fundamentos psicanalíticos: teoria,
técnica, clínica – uma abordagem didática. Porto Alegre: Artmed, 2007.
______. Manual de técnica psicanalítica.
Porto Alegre: Artmed, 2004.
BERTOLDO, BERTOLDINO E
CACASSENO – O dramaturgo
veneziano Carlo Goldoni (1707-1793),
é autor do drama cômico musicado que envolve os personagens Bertoldo,
Bertoldino e Cacasseno, cuja estreia se deu durante o carnaval do ano de 1749,
figuras cômicas populares da literatura escrita e oral italiana. Bertoldo é um
vbelho astuto e malicioso, sentencioso e mordaz. Bertoldinho é estupido e
desastrado, ao passo que Cacasseno, que também é entendido como um cagajuizo ou
cagasentenças, simplório e asneirento. A saga do primeiro começou quando, no
início do século XVII, Giulio Cesare Croce publicou o livro Astuzie sottilissime
di Bertoldo, uma compilação de anedotas e sentenças que logo se tornou popularíssima.
Ou seja, Bertoldo, tipo rustico, era reabilitado depois de ter o homem do campo
sido alvo de sátiras cruéis durante séculos. E, por isso, o livro se tornou popularíssimo
entre as gentes simples, dos vilarejos e aldeias. Alguns dos mais célebres
poetas italianos daquele século dedicaram versos tanto a Bertoldo como a
Bertoldino e Cacasseno, formando-se, assim, um longo poema de aventuras. Veja
mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
VIVE L’AMOUR – O filme Vive L'Amour (1994), dirigido por Tsai Ming-liang, conta a
história de uma corretora de imóveis que tenta matar pernilongos com dificuldade num
dos apartamentos que pretende vender, tratando da dissolução de formações
sociais mais antigas como a família, o clã, as relações de troca, sexo e
afetividade. Nesse filme os personagens estão condenados e descobrir por conta
própria qualquer sentido de existência para além do trabalho, e nenhum momento
dá-se certeza de que esse sentido sequer permaneça a existir na Taipei
modernizada ao redor. Assim, ao invés de descobrir o amor prometido no título
irônico do filme, a heroína só pode se reencontrar fora dos arranha-céus com fantasmas,
numa praça destruída que se assemelha a seu espírito igualmente devastado. O
destaque vai para as atrizes Yang Kuei-mei
e Lu Yi-Ching. Veja mais aqui e aqui.
IMAGEM DO DIA
Todo dia é dia da sempre belíssima e
saudosa atriz canadense Alberta Watson
(1955-2015).
Veja mais Ah, esses lábios, Molière, Eduardo Souto, Tácito, Washington Irving, Sandra Fayad, Luciah Lopez, Gladys Nelson Smith, Clara Sverner, Carl Franklin, Renée Zellweger & Bill Ward aqui.
E mais também Gilberto Mendes, Sandra Scarr, Paul
Feyerabend, Brian de Palma, Chaim
Soutine & Penelope
Ann Miller aqui.
CRÔNICA
DE AMOR POR ELA
A leitora Tataritaritatá na expressão
artística da pintora russa Zinaida
Serebriakova (1884-1967).
CANTARAU:
VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá
TODO
DIA É DIA DA MULHER