quinta-feira, setembro 28, 2006

A PRAGA DO VOTO VENDIDO



A PRAGA DO VOTO VENDIDO

Luiz Alberto Machado


Pois é, meus amigos e minhas amigas, é fogo de morro acima e água rebentando abaixo, tudo passando de eleição em eleição e a praga do voto vendido é uma prática nociva das mais corrosivas que a gente não consegue entender como é que se dá. Na verdade, entender, entende, basta olhar pros lados e constatar o miserê da gota!

Já abordei o assunto no artigo “Voto Moral” que foi publicado em diversos jornais impressos. Nele falo da necessidade do voto consciente.

Agora, falo do abjeto voto vendido. E, sobre esta prática, até o TSE já fez campanha em cadeias de televisão. De nada adianta, parece já entranhada no jeitinho brasileiro do votar em troca de quaisquer deztões, potocas emergenciais, brebotes ocasionais ou desimportâncias que fazem o paliativo momentâneo voto pelo agrado pecuniário, legitimando trepeças que representarão descompromissadamente essa mesma gente vendida sem a menor parcimônia. E isso, acho eu, só empiora a situação que já é desembestadamente aguda no Brasil: broncas a fole!

O que é danado é que a grita pelas soluções dos problemas sociais e comunitários são agigantadas a cada eleição que passa. Isso porque sujetinho passa fome, vive de bico, não tem escola, muito menos saneamento público, mora dependurado num morro ou embaixo da ponte sem a mínima condição de vida, se esburracha todo para conseguir o ínfimo ganha-pão, reclama dos transportes, da saúde pública, da polícia que não protege, das autoridades que não resolvem, do prefeito que não faz nada além de enricar e fazer o que quer, esperneia com tudo e, quando chegam às eleições, vendem o voto. Um despautério, né? É o mesmo que curpir prá cima e não sair debaixo: o cuspe cai na cara, óbvio!

Há que se considerar que as práticas, tanto da compra de votos como da boca-de-urna, são proibidas por lei, mas todo mundo atua sambando e sem cerimônia ao arrepio da legislação. O pior é que todo mundo sabe onde está a bronca acontecendo e onde ocorre a derrama das esmolas em troca de voto, todo mundo sabe como é feita a transação, todo mundo sabe como agem na boca-de-urna e, apesar disso, nada é feito. Nem polícia nem judiciário, mesmo sabendo onde ocorrem, chegam lá. Alegam, pois, que basta um telefone anônimo, uma denúncia. Ora, quem é doido denunciar? No reino da impunidade, o sujeito que presta esse "desserviço" não passará de cidadão vigilante para recalcitrante e mais perigoso transgressor dos “bons” costumes seculares da nojentice adquirida. Pois, com certeza, como as coisas aqui andam ao contrário, o nome do petulante estará com todas as letras e as medidas do caixão na boca do algoz que, com certeza, dará um desacerto no linguarudo.

Daí vem aquele papo esdrúxulo de “todo mundo faz, por que não me aproveitar?”. E é tão danado mesmo que quando a coisa degringola, só se pune o corrompido, nunca o corruptor – isso só com uma urucubaca da peste no meio de uma puxada de tapete ineivada. Já viu os maioriais na cadeia? Sim, isso mesmo, quando brigam entre eles e só por força de uma famosa cruzeta!

Pois é, todo mundo sabe, ninguém faz nada. É como a prática da propina que também já tratei no “Toco do Barnabé”, a espórtula institucionalizada na índole do brasileiro. Quem não sabe que o molha-mão come arroiado nas hostes do serviço público? Quem não deitou uma esportulazinha nas mãos dos inexoráveis representantes do povo? D-u-du-v-i-vi-d-o-do! Duvido quem não tenha passado por isso no Brasil. E todo mundo sabe quem são os corruptos mas só quando estes caem na desgraça de desagradar graúdos, é que a pele dele é descascada pelo opróbrio popular. Normalmente eles só caem debaixo, como já disse, da maior cruzeta, tramóia braba mesmo para desmoralizar o danado. Tirante isso, vista grossa para todos os lados.

Por causa disso chego a pensar que a manutenção da pobreza e do analfabetismo absoluto e relativo, não passa de medonho pacto das elites para que, mantido esse exército de reserva disponível, evidentemente haverá mão-de-obra barata para subempregos, sub-salários e vitórias eleitorais. E para se evitar isso, só educação, vergonha na cara e coragem destemida, principalmente na hora do voto. Eia, Fecamepa!!! Vamos aprumar a conversa e tataritaritatá!

No mais, glup, glup, bié, bié. Veja mais aqui.

© Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. 


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