quarta-feira, maio 21, 2008

JUNG, ELIOT, BARBUSSE, JOSÉ GOMES FERREIRA, NATALY BASARAB & BIRITOALDO

A arte da artista plástica ucraniana Nataly Basarab


BIRITOALDO - XVIII - Quando o muxôxo dá num engasgo, o peso enverga o espinhaço de chega ficar de venta esfolando no chão - Olha só o tamanho do pipoco: maior trupé! Foi que Munga pariu ruidosamente. Um fuá da peste arrepiou tudo. Gente a dar com pau! Birito cheio das pichilingas emendou o bafafá: rebento, aniversário e carnaval. Era. Não sabia ele a sua vida por um triz. Estava tísico de suas presepadas, amuntado num bigodão que mais parecia guidon de bicicleta. É festa. Toda comemoração começou com a tradicional festa de aniversário de Zé-cabelo-de-cu-de-pato, o maior desarranjo da paróquia. Ele e a trupe de inveterados: Zé Infeliz, Quibe Azedo, Porta Velha, Beiço de Bunda, Picolé de Asfalto, Cagaião, Pedim-do-padre, Zé Borná, Gineteiro, Bicho-ruim-de-tanger, Zé Corninho, Bico-de-Buli, Rolha-de-poço, Zito Quejeirinho, tudo mais uma tropa infame de beberrões numa roda de num acabar mais. Botasse carro-pipa cheio de mé pros caras, num dava vencimento. Era uma sede de não haver beiçada chupada que num engolisse de um gole só e deixando os cabelos em pé, sacudindo desencosto e dedo batendo um no outro na força da mão. Eita. - Essa bateu na trave! - Deixe a do santo certa que num tem vorta! - Pinga aí qu'ele tá cum sede, mermo! - Ige, a poça sumiu!!!! - Vamo ter de lavar a jega do santo, tumém! Bem que se aproximava o 29 de fevereiro, quando Birito, depois de uma quadra de anos, mudaria de idade. E com uma coincidência: era carnaval, o período que sempre endoidava. Era, os caras tudo fantasiado das mais estranhas alegorias, cada qual puxando pela sua doidice imaginária, transformando o evento ainda mais adveno que breu de correr bicho. Cada um que contasse mais pela proficiência puxando corda mais que o outro, no calor do amostramento e dos ânimos saídos, adiantados. Cada um que caprichasse na baboseira para chamar a atenção e se folgar nos confins do sem-limites. Ôxe, bote pabulagem solta do tamanho do inenarrável com conferência na prova dos nove de cada mentira cabeluda, que de tão absurda o nego acreditava assim mesmo só para não contrariar a fuleragem. Isso sem contar com as catrevagens malucas dos rituais sem conexão que se possa imaginar, inventadas num pretérito remoto de se perder na idéia. Cada um que soltasse a sua loucura ali na hora. Assim foi, assim se deu. E o filho nascido do Birito vivia mais para os mimos do avô. Ainda nem sequer o cara depositara um olharzinho de nada no tarzinho, vez que o bruguelo era paparicado pelo progenitor de num encostar ninguém por perto. O seu Bertulino e d. Táquia ficavam araras, fulos da vida mesmo, porque ele não levava o menino para que eles pudessem ver, paparicar e se orgulhar de um neto na família.
Munga, ele nem sabia o paradeiro, só que ela fez uma cesariana e estava guardando resguardo na casa do pai. Mais nada. Birito? Ora, ele solto na boraqueira, livre do incômodo chato da mulher, aquela trincada feia no colhão, valei-me. O cachimbo seria comemorado em dia próximo, não se sabendo na verdade quando, e que emendaria os festejos de aniversário e carnaval, por certo. Enquanto isso, ele todo ancho se perdia nas doidices dos alucinados de pegar fogo no vento do Zé-cabelo-de-cu-de-pato, onde os maiores despropósitos eram permitidos e todo tipo de desatino inimaginável acontecia. Era. E este ano com a proximidade do carnaval ganhava um ar de maior atrevimento. A coisa, como disse, era ruidosa mesmo. Lá para as tantas, olhe, espie só: ele bebaço, saiu para pegar ar puro. Quando voltou para entoar o "Arrocha Putada" com todo ar de seu pulmão, foi tanto tiro de logo esquentar a bunda com o calcanhar. Só viu um zunido repetido raspar a orelha. Não teve dúvida: da carreira bateu uns trezentos tiros atrás deles dele alcançar quilômetros em décimos de segundos. Parecia mais a São Silvestre de tanta gente avexada! Três horas encarreadas de correria, de todo mundo perder a direção. Birito mesmo escondeu-se numa grota a uns dez a quinze quilômetros de distância do local endemoninhado, com o coração pela boca, escurecendo a vista, uma agonia desmedida de não haver oxigênio que desse pro seu fungado. - Num morri de sorte! E foi. Foi tiro que mais parecia artilharia anti-Taleban. Pipoco grosso até umasoras. Tudo misturado com os fogos de artifícios da festa do seu próprio filho que soubera nos esconderijos pela gritaria dos fugitivos apavorados. Do vuque-vique e da torada de aço, o efeito da cachaçada passou na hora, ficando Birito lúcido de parecer não ter ingerido bebida alguma. Bonzinho mesmo. - É, meu filho mal nasce, eu já encomendado para a morte. Escondido ficou, de tocaia, para ver quem perseguia sua pobre alma. Nem nada, nem ninguém. - Tô aqui, viu? Susto da porra, é que a voz surgiu do inopinado, como sempre. - Vôte, quer me matar de susto, caralho? Já tô aqui mais morto que vivo e você ainda quer me assustar, porra? Onde você andava, seu mequetrefe? Que anjo-da-guarda é você? Tão querendo me foder a alma e você só fica nessa: "Tô aqui, viu?". Afinal, de que lado você está, aloprado? - Tô vendo, você está nas portas da morte! - Então, me salve, capiroto! E logo! Quero viver ainda um bocado de tempo! Um barulho ensurdecedor foi provocando uma mudança de ambiente, cores várias, estalidos muitos, uma coisa se transformando na frente dele. Uma voz fanhosa e quase incompreensível largou alerta: - Você tem que rezar e muito! Sua alma está muito carregada! Você precisa remediar-se... - Mas como? eu tô fazendo tudo certinho, num pulo fora do caco, ando endireitado e você ainda é capaz de me dizer que preciso remediar-me, de que? - Sua alma está muito carregada! - Só se for de desgraça! - Sua alma precisa de paz, você está muito atormentado! - Então, faça alguma coisa! Outro zoadeiro medonho e tudo voltou ao normal.
Ouvia-se pisadas em desabaladas carreiras. Ele escondeu-se mais e viu tratar-se dos capangas do Ernestinildo, tudo armado com metralhadoras, bazucas, porta-mísseis, parecia mais que estavam caçando o Bin Laden. - Cadê-lo, num pode ter desaparecido? - Ôxe, o cara deu um carreirão de fazer poeira! - O coronel num vai gostar se a gente chegar em casa com ele vivo! - A gente mata aquele desgraçado ainda hoje. - Atenção cabroeira, eu quero três pela esquerda; três, pela direita; três, pelo centro; cinco no matagal; oito, na beira do rio e o resto comigo fazendo varredura. Se a gente ver toitiço do Biritoaldo ou de quem quer que seja, passem fogo, quem sabe a gente tora aquele desgraçado na cagada. Arrocha cabroeira! Saíram, mais parecia um batalhão com sede de sangue, tudo doido para estuporar o mancebo. E foi que a partir daí ele soube que queriam matá-lo de verdade. Era o sogro dele que queria o fim dele logo. Para onde ir? Onde se esconder? Se ficasse ali por muito tempo, claro que encontrariam sua cara para tiro ao alvo. O que fazer? Cadê aquele anjo de merda que num dava as caras nas horas mais difíceis da sua vida? Parou, quieto, imóvel no cantinho embaixo da moita e ficou calado, até parou de respirar para não chamar a atenção. Ao redor, só se via o bulício dos caras no seu encalço. Quando o sol bateu forte ele acordou-se, vôte! As pernas entrevadas de cócoras, todo doído, parece mais que desmaiou por querer trancar a respiração. Deve ter roncado alto e os caras não viram ele dormir. Examinou o corpo, tudo nos conformes, nenhuma bala encontrara, tudo no normal. Ficou agoniado porque de dia era mais fácil pros caras pegá-lo. Olhou prum lado, pro outro, não viu ninguém na rodagem, saltou fora, timbungou no rio, mergulhando por debaixo d'água. Quase morre afogado sem fôlego. Aproveitou a correnteza e foi bater longe depois de horas levado pelas corredeiras. Ilmena estava em casa prestes a parir e mandando uma penca de recados para o Biritoaldo aparecer. Toda molecada voltava dizendo não encontrá-lo e que se soube que arriaram um bocado de tiro pra banda dele. Ilvete quando soube disso, passou mal. Ilmena ficou em tempo de correr doida. As duas barrigudas desmaiavam uma no ombro da outra. A moreninha potiguar já havia baixado o hospital aos prantos, gritando para todos que atiraram no macho dela e que o filho iria nascer de pai morto. Duas outras grávidas deram entrada na unidade hospitalar alegando a mesma coisa. A cidade em peso se recolhera na unidade hospitalar que já não cabia nada de tanta gente que estava se aboletando nos cantos das enfermarias. Era a precaução do povo, se bala doida viesse, estariam próximos do médico para salvá-los de morte matada. Sabiam que a turma do poderoso não era para brincadeira, mas nunca fizeram tanto azougue, sempre mataram um e pronto, aquele defuntado ninguém mais era molestado. Ainda duvidavam que poderia ser o início da festa do neto do homem, que enciumado com a festança do Cabelo-de-cu-de-pato resolvera acabar a folga. Todo mundo andava desconfiado e o boato corria longe. Ninguém tinha coragem de falar porque já sabiam tratar-se dos capangas do Ernestinildo que caçavam o Biritoaldo a fim de dar cabo de sua vida. Todos sabiam que quando o homem botava propósito de apagar gente da terra, logo logo a coisa desfechava com o presunto aparecendo com a boca cheia de formiga. E assim seria, mais cedo ou mais tarde. Os caras num perdiam viagem de jeito nenhum. Enquanto não achassem, não descansavam. Seu Bertulino agora era imprensado na parede para dar sinal do paradeiro do filho. D. Táquia resmungava ao lado de Mãe Nega. Os caras queriam Biritoaldo onde tivesse e vasculharam a casa toda, atiraram nas camas, nas árvores, nos galhos, no teto da casa, não deixando um só centímetro livre, tudo esburacado à força de bala. Nem sinal do procurado. - Que foi que meu filho fez? - Meu santo filhinho, dessa vez deve de ter aprontação pesada. - Cadê-lo? Digam logo ou mato todo mundo aqui! - A gente num sabe, ele aqui num vem faz meses! - A gente acha ele, se acha, vocês só terão notícia da missa de sétimo dia dele! E sairam. A suspeita cada vez mais indo mais longe. Nem sinal dele. Um mundo arrebentou de vez na casa dos pais dele. O maior chororô. Os implacáveis caçadores rodaram a cidade, o vilarejo, a vizinhança, nada. Nem réstia dele. O negócio pegando e nada de sinal de vida. - Será que a gente sem querer já acertou aquele desgraçado? - Vamo, então, atrás do corpo dele na pedra do hospital. Foram todos pra lá, havia mais gente que não dava para eles certificarem de algum defunto no recinto. Foi mais pipoco para botar o povo pra correr. Local esvaziado, aí começaram a procurar pelos enfermos. Ôxe, até defunto saiu dali às pressas para não morrer de novo. Todas as dependências estavam completamente vazias, até as urnas do Instituto Médico Legal estavam abertas sem cadáver algum. Nada, nem médico, nem enfermeira. Retomaram as buscas, agora em todas as casas, bares, logradouros, zona, igreja, repartições, tudo varrido e esburacado pela truculenta passagem deles. Eram para mais de mil malencarados, tudo doido para sapecar uns balaços em desavisados. Três dias depois de muito procurado foram chamados pelo patrão para o acampamento. - Ca-ca-ca-dê o de-de-de-fun-fun-to-to? - Não encontramos patrão? - Ca-ca-ca-dê pe-pelo me-menos um pe-pe-peda-da-ço de-dele? - Não encontramos patrão? - Um-ma-ma o-re-relha do-do de-des-gra-graça-ça-do? - Não encontramos nada, patrão. - Um-um de-de-do min-din-dinnho, pelo me-me-menos? - Nada, patrão? - Um-um fi-fio de-de ca-ca-be-be-lo? - Nada patrão? - Fi-frou-frou-xo-xos! - A gente acha ele, patrão, só volta aqui quando encontrá-lo! - Nu-nu-num pre-ci-ci-as ma-mais! Va-va-vamos pa-para se-segu-gu-ran-ça-ça da-da fe-festa! E saíram todos de cabeça baixa para fazer a segurança da maior festa do reduto. O povo que havia se perdido no meio das encruzilhadas, agora era arrebanhado para a festa, todos para provar da grandiosa comemoração do Ernistinildo Neto, o futuro homem forte do lugar. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui


PENSAMENTO DO DIA – [...] Encaro a religião como uma atitude do espírito humano, atitude que de acordo com o emprego originário do termo: “religio”, poderíamos qualificar a modo de uma consideração e observação cuidadosas de certos fatores dinâmicos concebidos como “potências”: espíritos, demônios, deuses, leis, ideias, ideais, ou qualquer outra denominação dada pelo homem a tais fatores; dentro de seu mundo próprio a experiência ter-lhe-ia mostrado suficientemente poderosos, perigosos ou mesmo úteis, para merecerem respeitosa consideração, ou suficientemente grandes, belos e racionais, para serem piedosamente adorados e amados [...]. Psicologia e religião, psicologia da religião ocidental e oriental (Vol. VIII/2 das Obras Completas – Vozes, 1980), do psiquiatra e psicoterapeuta suíço Carl Gustav Jung (1875-1961). Veja mais aqui.

SENTIDO HISTÓRICO – [...] o sentido histórico implica a percepção, não apenas da caducidade do passado, mas de sua presença; o sentido histórico leva um homem a escrever não somente com a própria geração a que pertence em seus ossos, mas com um sentimento de que toda a literatura europeia desde Homero e, nela incluída, toda a literatura de seu próprio país têm uma existência simultânea e constituem uma ordem simultânea. Esse sentido histórico, que é o sentido tanto do atemporal quanto do temporal e do atemporal e do temporal reunidos, é que torna um escritor tradicional. E é isso que, ao mesmo tempo, faz com que um escritor se torne mais agudamente consciente de seu lugar no tempo, de sua própria contemporaneidade. [...]. Trecho extraído da obra Ensaios (Art Editora, 1989), do poeta, dramaturgo, crítico literário inglês e Prêmio Nobel de 1948, Thomas Stearns Eliot (1888-1965). Veja mais aqui.

O SONHO – [...] Gérard deixou de ir ao café, e passava as horas livres no quarto de quase viúvo. Todo ele se concentrava na triste claridade vinda da porta. Parecia esperar alguém. Esperava por ela. Como poderia Jeanne viver noutro lado? Não, era impossível que não voltasse – pelo menos uma vez. Os moveis que ambos tinham comprado, o guarda-louça vermelho e reluzente, a mesa coberta com um oleado, indicavam um vazio, precisavam dela. E até os pássaros, na gaiola, estavam tão abandonados como crianças sem mãe. Obstinou-se em esperar, punhos nas têmporas, não compreendendo a duração daquela ausência, a teimosia da exilada. À noite, nem acendeu a luz, preferindo abismar-se no negrume do quarto. Passaram-se uma, duas semanas. Jeanne não saía do desconhecido. Ele perguntava a um e a outro onde ela estava, que fazia, procurava informar-se, tentando provocar um encontro. Davam-lhe mil detalhes contraditórios. Na verdade, ninguém sabia de nada. Desesperançado, nunca mais falou aos outros. Achou melhor dirigir-se diretamente a ela, isto é, espera-la com doçura, sem nada fazer. Numa noite – a última de fevbereiro – deitado num canto como um nicho, Gérard viu-a aparecer, perto das onze horas ou da meia-noite. Jeanne entreabriu-lhe ligeiramente a porta. Deslizou no quarto. Mal era visível, envolvida em roupas vaporosas, mostrando um rosto de um branco acinzentado de pérola. Parecia a tarde no seio da noite. Avançou até ao meio da casa, e aí, hesitante, oscilou. Estava direita, mas vaga, e não se lhe via os pés tocando o soalho. [...]. Trecho extraído de conto do escritor francês Henri Barbusse (1873-1931).

DÁ-ME A TUA MÃO - Dá-me a tua mão. / Deixa que a minha solidão / prolongue mais a tua / — para aqui os dois de mãos dadas / nas noites estreladas, / a ver os fantasmas a dançar na lua. / Dá-me a tua mão, companheira, / até o Abismo da Ternura Derradeira. Poema do poeta português José Gomes Ferreira (1900-1985).
 A arte da artista plástica ucraniana Nataly Basarab





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